Abril 2019 - Ah! E por falar nisso...

terça-feira, 30 de abril de 2019

Bambi e Pocahontas em edição eco-friendly, apoie o projeto!

terça-feira, abril 30, 2019 0
A campanha de financiamento coletivo receberá apoios até o dia 06 de Maio

Em sua sétima campanha de financiamento coletivo, a Editora Wish apresenta a coleção Filhos da Floresta, publicado em um box eco-friendly sob o selo de responsabilidade ambiental de papéis. O box traz os títulos Bambi: uma vida na floresta, original de 1923 por Felix Salten, e o inédito Princesa Pocahontas, romance escrito por Virginia Watson em 1916 com base na história real da famosa princesa indígena. Os dois livros terão em média 320 páginas cada.

Bambi: uma vida na floresta deu origem ao filme de animação Bambi, lançado pelos Estúdios Disney em 1942, conquistando o coração de jovens e adultos por tratar de temas como infância, morte e abandono. A tradução será feita por Petê Rissatti (alemão), tradutor de livros como Wild Cards.

Já o inédito Princesa Pocahontas narra, de forma mais fidedigna a partir de uma série de pesquisas realizadas pela autora, a história real sobre a vida da princesa indígena Pocahontas. O livro será traduzido para o português por Carolina Caires Coelho, tradutora de livros como Outlander.


Para financiar a publicação, a editora precisa alcançar a meta de R$67.237,00 reais. Atualmente, já foram alcançados 78% da meta necessária. A campanha seguirá recebendo apoios até às 23h59 do dia 06 de maio.

Se interessou? Abaixo todos os detalhes da publicação e link para apoiar o projeto
Ano: 2019
Editora: Wish
Número de Páginas: 640
Outras especificações: capa em papel kraft, miolo papel amarelinho
Preço: R$ 72,00
Onde apoiar: https://www.catarse.me/filhosdafloresta


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segunda-feira, 29 de abril de 2019

Combo: Miss Potter + Pedro Coelho

segunda-feira, abril 29, 2019 0
Vou tentar algo novo hoje. A ideia aqui é indicar filmes ou séries que se complementam de alguma forma. Assim você poder fazer aquela maratona especializada, e virar especialista em determinado tema (ou quase isso, rs).


E o primeiro combinado de obras é une diversão, fofura e melancolia. Vamos conhecer um pouco sobre a vida e obra de Beatrix Potter. Uma escritora, ilustradora britânica famosa por seus livros infantis. O mais famoso deles A História do Pedro Coelho, que se tornou um dos primeiros produtos de merchandising de uma autora, quando esta patenteou produtos com a imagem do protagonista. Mas chega de explicação, não sou eu quem vai te apresentar esta história, mas os filmes a seguir.

Miss Potter
(Miss Potter - 2006 - EUA/Reino Unido - 93min)
É biografia de Belatrix Potter estrelada por Renée Zellweger e Ewan McGregor. Acompanha a jornada que levou a moça a se tornar um fenômeno da literatura no início do século XX. Da dificuldade de publicar até o sucesso comercial. 

O longa também mostra um pouco dos hábitos e preconceitos da alta burguesia da época, as experiências que a tornaram a autora que é, e inspiraram suas aventuras. E principalmente seus complicados relacionamentos pessoais, criados tanto pelas normas rígidas da sociedade, quanto pela sua personalidade singular, ao mesmo tempo tímida e desafiadora para a época.

Doce e melancólico, o longa foi dirigido por Chris Noonan (Babe, o Porquinho Atrapalhado) e rendeu à Zellweger uma indicação ao Globo de Ouro. Alé dela e de McGregor, Emily Watson, Barbara Flynn e Bill Paterson estão entre os principais nomes do elenco.




Agora que você já conheceu a autora, é hora de descobrir um pouco de sua obra. É claro, você também pode ler os livros, que tem sim edições brasileiras. Mas enquanto não os encontra, uma opção mais imediata é...

Pedro Coelho
(Peter Rabbit - 2018 - EUA/Reino Unido/Austrália - 90min)
Esta é uma aventura de animação para toda família, mas assim como os livros que a inspiraram o foco é agradar os pequenos. Mas não se deixe enganar pelo visual fofo, a obra sabe que precisa de um pouco mais para alcançar o público do século XXI. A história é mais complexa, brinca com seus próprios absurdos (como animais de roupas, e humanos que não estranham isso) e é bem mais atrevida e sarcástica que as fábulas tradicionais. Isso rendeu algumas críticas quanto a fidelidade à obra original. Já no aspecto visual os personagens seguem o traço doce da autora/ilustradora, mesmo sendo criados e CGI.

Nesta aventura Pedro (voz de James Corden) disputa uma horta e as atenções da adoradora de animais Bea (Rose Byrne), com o herdeiro mimado Thomas McGregor (Domhnall Gleeson), em uma guerra com ares de Esqueceram de Mim rural. Sam Neill e Marianne Jean-Baptiste são outros humanos com destaque, enquanto o elenco de vozes de animais traz uma longa lista de estrelas, como Sia, Colin Moody, Margot Robbie, Elizabeth Debicki e Daisy Ridley. No Brasil a produção ainda ganhou uma versão da música tema interpretada pelo grupo Rouge, durante sua breve reunião.



Agora que você já descobriu que o nome Potter já povoava fantasias britânicas muito antes de um certo bruxo adolescente. Me conte, já esbarrou nos contos de Beatrix por aí? 

Gostou deste formato? Conhece algum outro filme que combine com este tema? Gostaria de ver outros temas aqui? Comente, sugira. E até a próxima maratona.

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sexta-feira, 26 de abril de 2019

Vingadores: Ultimato

sexta-feira, abril 26, 2019 0
Ultimato é o único filme do Universo Cinematográfico da Marvel que não possui uma cena pós-créditos. A escolha acertada, é coerente com a intenção e tom desta produção. Trata-se de uma celebração, e principalmente do encerramento desta primeira década de aventuras "super-heróicas". A preocupação maior é com a despedida dos veteranos, não com a promoção dos próximos heróis.

Se nós, do lado de cá da tela, ficamos devastados com os eventos de Guerra Infinita, imagine o impacto do estalo de Thanos nos personagens sobreviventes e no mundo à sua volta. Aliás não precisa imaginar não, isso é uma das coisas que Vingadores: Ultimato pretende mostrar. É claro, o 22° filme do universo também vai mostrar a tentativa de revanche dos heróis sobre o vilão protagonista e as consequências de seus atos.

E esta é a melhor sinopse que consigo fazer sem dar spoilers. Vamos ver como me saio no resto deste texto.

Se na primeira metade desta aventura definitiva Thanos era o protagonista, o desenvolvimento desta vez fica por conta dos heróis. Mais especificamente os veteranos, que por uma conveniência de roteiro perdoável, foram poupados na eliminação de metade do universo. É hora de Bruce Banner (Mark Ruffalo), Natasha Romanoff (Scarlett Johansson), Clint Barton (Jeremy Renner), Thor (Chris Hemsworth), Steve Rogers (Chris Evans) e Tony Stark (Robert Downey Jr.) encerrarem seus arcos narrativos. Seja definitivamente, seja para se tornarem algo novo.

É gratificante notar que apesar de os pilares destas aventuras serem o Homem de Ferro e o Capitão América - e sim, o foco maior é neles - o roteiro dedica tempo para cada um destes integrantes originais. Corrigindo inclusive algumas injustiças, geralmente sofridas pelo Gavião Arqueiro e a Viúva Negra. Acompanhamos muito bem como cada um deles, lida com as consequências desta nova ordem mundial, e compreendemos as motivações para que justificam suas escolhas. Conferindo mais importância aos desfechos de seus arcos.

Mas não é só dos Vingadores originais que Ultimato é feito, mais gente sobreviveu ao final de Guerra Infinita. A maioria destes, aqui coadjuvantes, tem suas funções bem definidas na trama, mas sem grandes desenvolvimento. Há uma curiosidade não sanada quanto à forma como estes personagens estão encarando o desaparecimento de metade da população mundial? Com certeza, assim como gostaríamos de ver um pouco mais da reação do mundo como um todo. Mas não existem falta e informação ou grandes dúvidas em relação à isso, apenas a vontade de acompanhar mais. Tal economia é necessária para não comprometer o ritmo e duração do longa. Quem ainda tiver curiosidade de como a humanidade reagiria ao desaparecimento de parte da população, eu indico a série The Leftovers da HBO, e o livro homônimo que a inspirou.

De volta à Marvel, apesar do longo, três horas de duração, o filme em momento algum o filme soa arrastado, ou cansativo. Mas, diferente de seu antecessor, esta produção não joga o espectador direto na ação. Ultimato gasta um tempo, para situar apresentar este novo contexto, e situar seus personagens nele. Construção de mundo que pode soar lenta demais, para quem há um ano espera por mais "tiro, porrada e bomba", mas que é essencial para conferir peso aos grandes acontecimentos que estão por vir.

Há muito trabalho à ser feito, problemas a ser resolvidos e muitas pontas para amarrar. E não são pontas soltas referentes apenas ao filme anterior, mas aos dez anos do MCU. Para cumprir tal tarefa o roteiro revisita e referencia, acontecimentos chave e momentos icônicos destes onze anos de filmes, séries de TV e webseries. O resultado é positivo. Existe sim um ou outro furo da lógica, mas estes são inerentes ao recurso de ficção-cientifica utilizado, e não necessariamente do roteiro do filme. Além disso, um deles pode bem ser intencional.

O retorno à situações vistas em produções anteriores, também abre espaço também para muito fan-service funcionais para a trama, ao invés daqueles que pretendem apenas servir ao público. Então, parabéns para você que tem uma boa memória, ou conseguiu fazer aquela maratona com todos os filmes antes desta estreia. Tem muitos personagens, momentos, objetos e detalhes para procurar. Além da última aparição de Stan Lee nas produções do estúdio. Embora a melhor homenagem ao criador tenha sido feita em Capitã Marvel.

No aspecto técnico, a qualidade é aquela esperada pelas produções do estúdio. Uma quantidade massiva de CGI, que vai da criação de personagens e cenários completos, até a maquiagem digital de rejuvenescimento que a Disney tem explorado em muitos filmes. O único ponto que chegou a desagradar é a grande batalha final se passar em um cenário escuro, que dificulta distinguirmos a grande quantidade de personagem em tela. Embora seja coerente com o tom mais intenso da sequencia. Talvez, a sensação de escuridão seja meramente efeito dos óculos 3D. Logo, convém dispensar a tecnologia, que escurece as cenas, não acrescenta muito à narrativa e é mais cara.

Os irmãos Russo tinham um desafio digno nos maiores heróis do universo, e entregaram o que prometeram. Um filme coeso, que atende a expectativa dos fãs, ao mesmo tempo que surpreende mesmo os maiores conhecedores das aventuras nos quadrinhos. Tem potencial para levar, tanto nerds, quanto o público geral à rompantes de alegria extrema e lágrimas emocionadas.

Vingadores: Ultimato é um encerramento corajoso e bem construído daquele que é provavelmente o projeto mais ambicioso, e bem sucedido, de um estúdio de cinema. Mas principalmente é o belo encerramento de um momento criativo deste universo, que honra seus habitantes heroicos e respeita o dedicado público.

Entre batalhas e momentos icônicos, é aquela pausa para olhar para trás, antes de seguir em frente. Após contemplar e nos despedir da boa experiência até aqui, podemos dizer com segurança: que venha a nova Marvel!

Vingadores: Ultimato (Avengers: Endgame)
2019 - EUA - 181min
Ação, Aventura


Leia a crítica de Vingadores: Guerra Infinita, e confira outros textos sobre o MCU!
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quarta-feira, 24 de abril de 2019

Sobibor

quarta-feira, abril 24, 2019 0
Quase oito décadas após os eventos da Segunda Guerra Mundial e os temas relacionados à este episódio vergonhoso da história da humanidade parecem longe de se esgotar, ou mesmo perder a importância. Entretanto, se a necessidade de contar estas inúmeras histórias não muda, a forma como a contamos e compreendemos estes casos sim. Sobibor traz uma destes eventos que ainda precisam ser conhecido, mas aposta em um formato mais bruto, que talvez não ofereça o devido respeito e homenagem às personalidades retratadas.

Foi em Sobibor que ocorreu o único levante bem sucedido em um campo de extermínio nazista. Liderados por Alexander Pechersky (Konstantin Khabenskiy, que também dirige o longa), um oficial soviético recapturado após uma tentativa de fuga em outro campo. O motim possibilitou uma fuga em massa de centenas de prisioneiros, com muita violência e nenhuma certeza de um futuro melhor para a maioria deles, a maioria foi capturada e morta posteriormente.

Diante deste contexto, não é preciso muito para nos fazer criar empatia pelos prisioneiros. Ainda sim é preciso nos apresentar a eles, e a produção opta por fazer isso ao mostrar sem sutilezas alguma as atrocidades que sofriam. Se arriscando entre o complicado limite entre a veracidade e a glamourização da violência, e ignorando que são os dilemas humanos que melhor reforçam nossa empatia, muito mais que a violência gráfica.

Esta escolha pouco produtiva fica mais evidente nos poucos vislumbre de aprofundamento humano que a produção oferece, nas figuras do marido que enlouquece ao não conseguir processar à perda da esposa, e do garoto atento que age como um bobo bichinho de estimação de seus captores para sobreviver. Mal à tempo para decorar os nomes destes personagens, mas a preocupação por eles, é mais imediata e genuína que aquela construída para seus heróis.

De volta aos heróis da rebelião, suas motivações são explícitas, não necessitam de grandes explicações. É na interação entre eles, e sua posterior organização que o filme pretende focar, embora esteja sempre dividindo o foco com as atrocidades mencionadas anteriormente. Assim somos apresentados brevemente a cada um deles, o suficiente para compreender a localização e função de cada um no motim. Pechersky, o protagonista relutante, recebe um pouco mais de atenção, cobrindo um breve arco entre a inércia após uma derrota e a ascensão ao posto de líder. Antes de voltarmos às violência, agora cometidas pelos prisioneiros.

Sim, as atrocidades neste filme são cometidas pelos dois lados da disputa, e a produção tem ciência disso - Vocês ensinaram os judeus a matar! - afirma um dos personagens durante o motim. É claro, a violência cometida pelos prisioneiros é infinitamente menor, e tem sua justificativa, a sobrevivência. Mesmo assim, o filme não hesita em didaticamente mostrar os alemães como vilões unilaterais caricatos, durante a maior parte do filme. Assim, quando o roteiro decide humanizar o oficial Karl Frenzel (Christopher Lambert), a sequencia soa como uma pausa forçada, deslocada e ineficiente, já que a esta altura da projeção dificilmente compreenderíamos suas motivações, quaisquer que fossem.

E por falar em Lambert, o astro de Hollywood é o elo mais fraco do longa. Sem falar alemão, o ator filmou suas falas em inglês e foi posteriormente dublado na versão final. A solução causa estranhamento, e empalidece o esforço pela autenticidade da produção. Entre eles, o esforço para manter todas as línguas faladas no campo de Sobibor, a produção foi rodada em cinco idiomas, russo, polonês, alemão, holandês e iídiche. Variedade de línguas que o restante do elenco recita em grandes atuações ou destaques.

A reconstrução da época é melhor aspecto da construção. Desde o detalhismo na escolha de objetos e criação dos figurinos, até a recriação do campo de extermínio, realizado sob muita pesquisa. Sobibor foi destruído pelos alemães, que encobriram sua localização com uma floresta após o motim. Há ainda a importância história relacionada à produção, que faz parte da campanha para eternização da memória dos revoltosos.

Baseado no livro Alexander Pechersky: Breakthrough to Immortality, que traz memórias do líder da luga. Foi também o representante da Rússia no Oscar 2019. Com uma produção de qualidade, e uma história pouco conhecida, mas cheia de potencial, Sobibor peca ao não acertar na forma que escolheu contar sua história. Não basta apenas chocar e enraivecer o público, é preciso educá-lo. Essa ausência de sutileza não é tão contundente, quanto apresentar, esclarecer, e explicar bem cada um dos aspectos dessa história. Colocar o espectador na pele de seus heróis através da identificação e empatia, para assim certificar que atrocidades como essa não sejam repetidas. É por isso que continuamos contando e recontando estas histórias incansavelmente por quase um século.

Sobibor
2018 - Russia - 110min
Drama, Guerra


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segunda-feira, 22 de abril de 2019

O Cavaleiro dos Sete Reinos

segunda-feira, abril 22, 2019 0
Os fãs podem até reclamar da demora de George R.R. Martin para publicar as sequencias de suas aventuras, mas não podem nunca dizer que o autor escreve pouco, ou ainda que seu universo seja limitado de alguma forma. O Cavaleiro dos Sete Reinos são o melhor exemplo disso. O volume reúne três contos lançados entre 1998 e 2010, que acompanham um par de protagonistas que perambulam por Westeros, com tom e formato próprios.

O cavaleiro andante Sor Duncan, o alto e seu escudeiro o garoto Egg em suas viagens em buscas de missões, cerca de um século antes dos acontecimentos de As Crônicas de Gelo e Fogo. É pelas crônicas inclusive, que os destinos de "Dunk e Egg" são conhecidos, o cavaleiro se tornará Lorde Comandante da Guarda Real, durante o reinado de seu escudeiro, um príncipe Targaryen disfarçado.

Calma, você não leu um spoiler, apesar de ser tratada como uma grande revelação em seu primeiro conto, à identidade de Egg (apelido de Aegon, que também faz referência à sua cabeça raspada que se assemelha à um ovo - egg em inglês - para esconder o cabelo platinado característico de sua família) é mencionada nos materiais promocionais do livro, e uma informação bastante conhecida no universo de Martin. Além disso, sua ascendência nobre é um dos fatores que tornam sua relação com Dunk, tão interessante. É na dinâmica entre os dois que as aventuras se sustentam.

Duncan é um jovem cavaleiro pouco experiente, sem educação, mas cheio de bons princípios e conhecedor da vida mundana. Já Egg é garoto estudado e cheio de atitude, que precisa aprender a viver como plebeu. De mundos completamente diferentes, a dupla até tem seus atritos, mas a principal característica é o fato deles se complementarem muito bem. Um aprende e evolui com a presença do outro. Além de ser muito divertido observar um plebeu sem modos educar um membro da realeza.

Diferente do complexo formato de múltiplos pontos de vista das Crônicas de Gelo e Fogo, O Cavaleiro dos Sete Reinos tem um formato mais tradicional. Um narrador onipresente, que acompanha especificamente Sor Duncan. Um estilo mais familiar e consequentemente, mais confortável de ler. O tom também é mais leve e aventuresco, o que não significa que não hajam grandes batalhas e mortes. Já as conexões, se dão apenas pelo fato da história se passar no mesmo universo, com locações e famílias em comum. Mas o momento da história do continente é outro, e a grande maioria dos personagens aqui, são aqueles mencionados como história antiga nas aventuras de Jon Snow e companhia.

Outro aspecto singular destas primeiras aventuras de Dunk e Egg é que suas histórias mostram o cotidiano de "pessoas comuns" dos sete reinos. Longe das grandes disputas políticas, mesmo quando cercados de lordes, estes são de casas menores e pouco ativas nos assuntos do reino. Visão pouco abordada nas crônicas. Entretanto, o terceiro conto deixa bem claro que isso pode mudar em aventuras futuras (Martin tem planos para muitas), conforme Egg cresce, suas responsabilidades com a família se tornam uma questão, e sua improvável encascação ao trono se torna uma opção. Aegon, é o quarto filho de um quarto filho, uma posição bem distante na linha sucessória, mesmo assim é sabido que ele se tornou um bom rei. Também é bem claro aqui, que sua relação com Sor Duncan foi crucial na construção do caráter que o tornaria um bom regente.

O Cavaleiro Andante, é o primeiro dos contos. Lançado em 1998 mostra como a dupla se conheceu durante o torneio de Vaufreixo. A Espada Juramentada mostra o período em que Duncan serviu como espada juramentada de um senhor da campina. Onde precisa lidar com as rixas entre os senhores menores da região, agravadas pela seca. Em O Cavaleiro Misterioso, Dunk e Egg vão ao casamento de Lorde Ambrose Butterwell, em Alvasparedes. Uma festa com banquetes, um torneio com um grande prêmio e convidados suspeitos. As aventuras seguem uma ordem cronológica, mas não são imediatas. Saltando pequenos espaços de tempo entre um episódio de interesse e outro.

George R.R. Martin pretende publicar mais contos cobrindo vários momentos da vida destes personagens. Mas o autor ainda não definiu quantas histórias serão, e muito menos quando elas serão publicadas. Sabe-se que na próxima aventura os heróis rumarão para o norte. O autor também não pretende liberar os direitos para produção de filmes e séries enquanto não terminar suas histórias.

Falando em termos de clássicos de fantasia, O Cavaleiro dos Sete Reinos está para As Crônicas de Gelo e Fogo, assim como O Hobbit está para O Senhor dos Anéis. Oferece um pouco mais de tempo em um universo rico no qual adoramos mergulhar, mas sem o peso e responsabilidades de seus "irmãos mais longos". O fato de conhecermos o desfecho dos personagens não interfere em nada em nosso receio por seu bem estar. Eles são os heróis dos quais os westerossi gostam de ouvir histórias e canções, e nós descobrimos o porquê. É leve, divertido, emocionante, traz personagens carismáticos e como bônus ainda enriquece nosso imaginário sobre os sete reinos.

O Cavaleiro dos Sete Reinos
George R.R. Martin
Leya


Leia mais sobre Crônicas de Gelo e Fogo e Game of Thrones
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sexta-feira, 19 de abril de 2019

Os ovos favoritos da cultura pop!

sexta-feira, abril 19, 2019 0
Páscoa chegando e entre as várias tradições do feriado, muita gente tem os ovos de chocolate como a favorita. Eu não sou a maior fã de chocolate da história, mas como boa cinéfila que sou, não pude evitar pensar nos ovos favoritos da cultura pop. Vale ressaltar, ovos literais, esta lista não é sobre os cobiçados easter-eggs tão presentes no universo nerd.

Humpty Dumpty
Pouco popular no Brasil, boa parte de nós conhece o Humpty Dumpty através do filme solo do Gato de Botas da Dreamworks. O personagem do folclore anglo-saxão é descrito como um ovo antropomórfico. Ele aparece em diversas obras da literatura, como Alice através do Espelho de Lewis Carol.

Ovos de Ouro
Estes podem ser postos por gansos (do conto O Ganso de Ouro dos irmãos Grimm, ou gansa dos ovos de ouro de Esopo) ou patos. Entretanto são da galinha os ovos de outo que mais conhecemos. Mérito do conto João e o Pé de Feijão, no qual o protagonista furta a galinha dos ovos de ouro do gigante que mora no alto de seu feijoeiro. A ave é tão popular que já deu as caras até em um episódio do Sítio do Pica-Pau Amarelo.

Já entre os gansos, os mais famosos por aqui são os que vivem em A Fantástica Fábrica de Chocolates de Willy Wonka, no longa de 1971 (o filme de 2005, traz os esquilos originais do livro). Os ovos dourados, ativam a cobiça de Veruca Salt, que faz um ótimo numero musical sobre seus desejos.



O ovo de Halliday
Ok, vou abrir espaço para easter-eggs nessa lista, mas só porque o criador da caçada pela posse da Oasis, James Halliday, colocou um ovo de verdade ao final de sua caçada por easter-eggs, em Jogador N°1. Após desafios, batalhas, pistas e muitas referências, Parzival recebe um ovo brilhante como troféu, junto com a propriedade do mundo virtual Oasis. Vale mencionar o apelido dado àqueles que caçavam os ovos, "Gunters", uma versão encurtada no titulo "egg hunter" (caçador de ovos, no bom português).

Ovos Fabergé
As obras primas da joalheria criadas por Peter Carl Fabergé, estão longe de serem itens ficcionais, e pasmem, eram presenteados na Páscoa entre os membros da família imperial russa. Raros e cobiçados, não é difícil entender porquê foi tão fácil para os artefatos ganharem suas versões cinematográficas. A mais recente representada na comédia A Noite do Jogo, enquanto a mais popular é provavelmente aquele que aparece em 007 Contra Octopussy.



Ovo dourado do Torneiro Tribruxo
O Wizarding World criado por J.K.Rowling tem vários ovos em suas aventuras, como aquele chocado por Hagrid para virar o dragão Norberto. Mas vamos destacar aqui o ovo dourado resgatados pelos participantes do Torneiro Tribruxo após a primeira tarefa, em Harry Potter e o Cálice de Fogo. Do tamanho de um ovo de dragão, quando aberto produzia grinchos estridentes, a não ser debaixo d'água, onde era possível compreender a voz dos sereianos, com as dicas para o desafio seguinte.

Ovos de Occamy
Ainda no mundo mágico de Rowlling, mas agora em Animais Fantásticos e Onde Habitam, somos apresentados aos curiosos occamys. Criaturas com asas, possuem um corpo parecido com o de uma serpente com cabeça de pássaro. Originais do extremo oriente, ão choranaptyxicos, o que significa que aumentam ou diminuem de tamanho de acordo com espaço disponível. Mas esta lista é sobre ovos, e os deles são compostos por prata pura, e por isso são cobiçados por caçadores ao ponto de ameaçar as criaturas de extinção.

Ovomorph
Este é o primeiro estágio da vida do Xenomorph XX121, presente na franquia Alien. É dele que sai o enervante Facehugger, aquele estágio em que o bicho gruda na cara das pessoas para depositar ovos que depois vão criar uma das cenas mais assustadoras do cinema. De volta aos ovos, são grandes, de aparência gosmenta, com uma camada externa que parece couro, e no seu topo, uma abertura em X, que se abrem como pétalas. Os muitos e bem desenvolvidos estágios da criatura são a característica mais impressionante da franquia, mas para preservar a surpresa, apenas o ovo foi utilizado nos materiais promocionais do filme.

Ovos verdes
Este quase ficou de fora, mas a Netflix anunciou uma série do clássico Ovos verdes e presunto do Dr. Seuss, para o fim de 2019. No livro Sam-Eu-Sou, tenta mostrar coisas novas ao amigo, sempre oferecendo os tais ovos verdes e presunto. Expectadores mais atentos, podem ter notado Eddie Murphy lendo este livro para seus protegidos em A Creche do Papai, enquanto as crianças saboreavam a comida em questão.



Ovos fossilizados da Daenerys
É claro, que os presentes de casamento mais estilosos dos sete reinos não poderiam ficar de fora. Três ovos de dragão fossilizados foram presenteados à Daenerys Targaryen por Illyrio Mopatis em seu casamento com Khal Drogo, nas Crônicas de Gelo e Fogo, e em sua adaptação para TV, Game of Thrones. Mas eles não foram ovos por muito tempo depois disso, já que a moça conseguiu chocá-los, 300 anos depois da extinção das criaturas. Vale mencionar, existem outros ovos de dragão fossilizados espalhados por Essos e Westeros, e Drogon, Reagal e Viserion podem colocar mais ovos eventualmente.

Egg
Não é só de ovos de dragão que vive o universo criado por G.R.R.Martim vive. Egg (Ovo em inglês) era o apelido de Aegon Targaryen em sua infância. A algunha vinha do encurtamento de seu nome, mas também fazia alusão à sua cabeça careca e lisa que lembrava um ovo. O garoto raspava a cabeça para esconder os cabelos louro prateados que denunciariam sua identidade real, enquanto vagava pelos sete reinos como escudeiro do cavaleiro andante Sor. Duncan, o Alto, em O Cavaleiro dos Sete Reinos.

Egg, o garotinho aí da ilustração da capa do livro, tornou-se rei. Ficou conhecido como Aegon V, O Improvável, já que era o quarto filho, de um quarto filho, e sua ascensão ao trono dificilmente aconteceria com tantos nomes à sua frente na linha de sucessão.
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Termino aqui este post de páscoa, que traz provavelmente a lista mais estranha que já fiz. Entretanto, tenho certeza, deve ter esquecido alguns ovos importantes. Então, conte nos comentários seus ovos favoritos que deixei de lado, e aproveite bem os exemplares de chocolate este ano!
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quarta-feira, 17 de abril de 2019

A Maldição da Chorona

quarta-feira, abril 17, 2019 0
Baseado em uma história real, Invocação do Mal surpreendeu pela qualidade e deu o ponta-pé inicial em um universo compartilhado de terror. Sua sequencia Invocação do Mal 2 e os dois filmes estrelados pela boneca Annabelle, mantém à inspiração em fatos, mas toma maiores liberdades criativas. A Freira, traz o frescor de um argumento livre de amarras. A Maldição da Chorona, o mais novo capítulo dessa franquia, aposta em uma popular lenda mexicana, e poucas conexões com os demais filmes.

Na década de 1970, Anna (Linda Cardellini) é uma viuva com dois filhos, que tenta equilibrar os cuidados com a família com o trabalho de assistente social. Em um de seus casos, que envolve uma família mexicana, ela traz para casa algo mais que trabalho extra. Ela e seus filhos passam a ser perseguidos por La Llorona, A chorona em bom português.

Além de popular a lenda da Chorona tem um potencial assustador enorme. Uma vez que, e várias de suas versões, é protagonizada por uma mãe atormentada por matar os próprios filhos. Aquela que deveria ser a maior protetora, é a maior ameaça. O filme não apenas escolhe esta vertente da lenda, como a potencializa, concentrando os esforços da assombração na perseguição de crianças. Assim a produção torna-se um embate entre figuras maternas.

Linda Cardellini é convincente como a mãe sobrecarregada pela vida. Triste, esgotada, mas ainda muito dedicada, sua atuação até nos faz relevar os deslizes e escolhas ruins da personagem, como não investigar mais à fundo o comportamento dos filhos. Ela é assistente social, é o trabalho dela. Mas como o ditado diz: em casa de ferreiro, espeto de pau. E cansaço da personagem justificaria esta desatenção em casa.

Não conseguimos ter a mesma boa vontade com Rafael Olvera (Raymond Cruz). O curandeiro designado para "salvar" a família, parece charlatão tanto como especialista, quanto na atuação de Cruz. O caçador de fantasmas dificilmente convence quem já assistiu um ou dois episódios de Supernatural ou mesmo os filmes anteriores estrelados pelo casal Warren. Parecendo meio perdido, usa métodos falhos (coloca proteção na casa toda, e esquece a porta dos fundos?) e duvidosos. Sua ajuda poderia facilmente ser substituída por informações em um livro.

Quem também tem um "modus operante" confuso, é a própria La Llorona. Estas intercorrências vão além do excesso de "aterrorização" e na demora para finalizar suas vítimas, comum nesse tipo de produção. Os poderes e fraquezas atribuídos à entidade mudam constantemente para atender ao roteiro e às cenas de susto que a produção escolheu usar. E diferem, inclusive, à características comumente usadas para este tipo de assombração, fazendo-o destoar do universo de Invocação do Mal.

A instabilidade da Chorona é resultado de um roteiro que não descobriu como aproveitar bem seu argumento. Preferindo criar sua história em torno dos clichés do gênero, jumpscares e a incapacidade dos personagens de encontrarem um interruptor. Vale ressaltar, não há problemas em usar estas fórmulas tradicionais, afinal eles funcionam. Mas os clichés, podem ser melhor aproveitados, trabalhando em conjunto com o roteiro ao invés de se tornar uma muleta para sustos fáceis.

Ao menos a direção de arte é competente na reconstrução de época. Assim como os figurinos e penteados que criam personagens com visual de "gente comum", e por isso facilmente relacionáveis. A direção ainda se arrisca com planos e movimentos de câmera mais elaborados, que se não acrescentam à história, ao menos criam momentos visualmente interessantes, como o plano sequencia inicial, ou as cenas da pequena Sam brincando perto da piscina.

E por falar em uma das crianças, os atores Jaynee-Lynne Kinchen e Roman Christou, entregam o que o papel exige sem grandes destaques, ao dar vida aos filhos da protagonista Sam e Chris. O elenco ainda conta com Tony Amendola, em uma participação especial que faz a ligação sutil com o universo compartilhado. E Sean Patrick Thomas e Irene Keng, cujos personagens dispensáveis, entram e saem de cena sem grandes consequências para história. É Patricia Velasquez (O Retorno da Múmia), quem tem bons momentos ao interpretar outra mãe atingida pela maldição, embora as escolhas da personagens sejam mal desenvolvidas, seu sofrimento é real.


A Maldição da Chorona tem uma lenda cheia de potencial para explorar. Mas a produção desperdiça seu bom argumento, com um roteiro fraco e previsível, que parece ter sido criado para atender às cenas de susto, ao invés de construí-las. Empata com o primeiro Annabelle, na posição de elo mais frágil da universo produzido por James Wan.

A Maldição da Chorona (The Curse of La Llorona)
2019 - EUA - 93min
Terror


Leia as críticas dos outros filmes da franquia: Invocação do Mal, AnnabelleInvocação do Mal 2, Annabelle 2 - A Criação do MalA Freira.
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segunda-feira, 15 de abril de 2019

O Date Perfeito

segunda-feira, abril 15, 2019 0
Quando escolhemos assistir à uma comédia romântica, não esperamos por grandes surpresas ou roteiros complexos. Mas, esperamos que o filme encaixe sua premissa própria nos parâmetros conhecidos do gênero, criando sua identidade própria neste universo de produções muito semelhantes. O Date Perfeito tem um argumento interessante, e o raro ponto de vista masculino em romances adolescentes.

Brooks (Noah Centineo) precisa de dinheiro para faculdade, quando uma oportunidade curiosa surge. Ele é pago pelos pais de Célia (Laura Marano) para acompanhá-la em um baile. Deste primeiro encontro contratado surge a ideia de criar uma aplicativo oferecendo o serviço de acompanhante para mulheres de todas as idades, que ainda conta com a escolha da personalidade do rapaz. É claro, Brooks começa perder sua identidade no processo e afastando as pessoas que realmente se importam com ele.

Ou, ao menos, é isso que a produção tenta explorar sem sucesso durante seus 90 minutos de projeção. Desenvolvido de forma burocrática, o filme cumpre o trajeto esperado por uma produção do gênero, mas falha em desenvolver os personagens e o trajeto que percorrem. Assim, a pretendente dos sonhos (Camila Mendes, Riverdale), não estranha a disponibilidade do protagonista logo após um rompimento traumático. Nenhuma das contratantes do aplicativo tem receio ou vergonha de sair com um desconhecido. A mocinha independente e alternativa se rende aos padrões de beleza para tentar impressionar um rapaz, na mesma ocasião em prometeu ajudá-lo a conquistar outra. Entre outras incoerências.

Até mesmo o conceito do aplicativo de encontros é desperdiçado. Ok, talvez o filme não tivesse a pretensão de discutir à fundo a moralidade e os perigos de tal serviço, mas podia ao menos explorar os talentos de seu ator principal, ao mostrá-lo interpretando os mais diferentes pretendentes perfeitos, em situações curiosas. Ao invés disso, conferimos uma montagem de Centineo desfilando figurinos estereotipados, e quase nada de seus encontros de fato. Talvez o diretor saiba que o jovem astro da Netflix ainda não esteja pronto para tal desafio dramático, já que apesar do esforço carrega com bastante dificuldade seu primeiro filme. Até então, o rapaz chamara atenção como coadjuvante em Para Todos os Garotos Que Já Amei e Sierra Burgess é uma Loser, também produções da Netflix.

O uso fraco do argumento das "muitas personalidades", também enfraquece a trama da perda de identidade. De fato a única demonstração de que o rapaz está "perdendo o rumo", está na acusação de seu melhor amigo Murph (Odiseas Georgiadis), que na verdade fora descartado pelo roteiro, não pelo protagonista. Vale mencionar que se trata de um personagem negro e gay, aparentemente incluído apenas para cumprir a cota de diversidade.

Maura Marano se esforça bastante, mas não consegue embutir carisma à padronizada Celia. A tradicional garota difícil, independente, diferente e teimosa, que inevitavelmente vai fraquejar e tentar atender aos padrões antes de ser valorizada pelo interesse amoroso. Os diálogos que tentam ser mais inteligentes que o necessário, engessam a atuação da moça e afastam quem só procurava por duas horas de entretenimento leve.

E claro, há sempre a discussão da idealização impossível do romance inerente ao gênero. Aqui com os agravantes da objetificação do mocinho, e a reapresentação das mulheres como seres tão desesperados pela companhia masculina que pagariam pelo serviço, sem se preocupar com as consequencias. Com tantas mensagens confusas, a lição de moral do filme "seja você mesmo", quase se perde e precisa ser alardeada sem sutileza alguma.

O Date Perfeito tem um argumento que fornecia muitas possibilidades para desenvolver uma produção adorável e carismática, mas não soube desenvolver sua trama e personagens e forma fluida e carismática. Os fãs de Marano, Mendes e principalmente Centineo certamente vão se apreciar vê-los em cena. Mas o público em geral vai situar a produção na lista dos exemplares esquecíveis do gênero.

O Date Perfeito (The Perfect Date)
2019 - EUA - 89min
Comédia Romantica


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sexta-feira, 12 de abril de 2019

O Silêncio

sexta-feira, abril 12, 2019 0
Não fossem monstros de anatomias distintas e com origens diferentes, O Silêncio bem que poderia funcionar como um prelúdio de Um Lugar Silencioso por sua premissa. Entretanto sua execução se assemelha muita mais à Bird Box, outra produção de terror da Netflix.

Criaturas voadoras que caçam humanos guiados pelo som invadem o planeta. Acompanhamos à luta por sobrevivência da família Andrews, que tem uma vantagem inesperada. Eles sabem se comunicar silenciosamente, já que a adolescente Ally (Kiernan Shipka, O Estranho Mundo de Sabrina) perdeu a audição anos atrás, e toda a família aprendeu a se comunicar com linguagem de sinais.

As comparações com o Um Lugar Silencioso são inevitáveis. Ambas as produções acompanham uma família com uma adolescente deficiente auditiva em um mundo onde sobreviver depende de não fazer barulho. A diferença está principalmente no período de tempo em que as tramas se passam. Enquanto a família liderada por John Krasinski, já está adaptada ao mundo pós-apocalíptico, a de Stanley Tucci encara o momento de instauração da nova ordem e todo caos pertinente à ele.

É essa distinção ente os momentos de uma nova realidade semelhante, que afasta as duas produções e aproxima O Silêncio da produção estrelada por Sandra Bullock. Acompanhamos o ataque, o desconhecimento sobre o que está acontecendo, a descoberta de como lidar com essa nova ameaça, a perda de alguns personagens e finalmente a ameaça que outros humanos representam em um momento de escassez de recursos. Desta vez o que diferencia as produções é o grupo, um centrado em uma família, outro em sobreviventes reunidos ao acaso. E principalmente a forma mais simples (leia-se linear) que a produção silenciosa escolhe para contar sua história.


Agora que já eliminamos as comparações inevitáveis, vamos aos méritos e deméritos próprios do filme em questão. É o elenco competente o que mais chama atenção. Além de Tucci e Shipka, estão em cena Miranda Otto, John Corbett, Kate Trotter, Billy MacLellan e o pequeno Kyle Breitkopf. Todos entregando o que seus personagens exigem deles, infelizmente o roteiro não os aproveita da melhor forma.

Formada por estereótipos, pai esforçado, mãe amorosa, vovô doente, tio descolado, irmãozinho fofo, o roteiro pouco explora as personalidades e relações destas pessoas no limite. Então temos a apresentação doença da avó, que é apresentada mas não chega à abalar a família. Assim como a perda de seu cachorro. Ao mesmo tempo, que o nascimento de fanatismo religioso resultante do apocalipse, é apenas brevemente mencionado, antes de se tornar uma ameaça real aos personagens.

Mesmo Ally, que narra a história e teria uma perspectiva diferente dos demais pela falta de audição, é mal desenvolvida pelo roteiro que a trata quase todo o tempo como uma adolescente comum. A garota inclusive fala, e lê lábios, eliminando à necessidade de se comunicar apenas silenciosamente com ela. O silêncio aliás, é relativo. Uma respiração mais acelerada, em alguns momentos se mostra mais perigosa que diálogos inteiros em sussurros. Sem que sejam dadas grandes explicações para a divergência.


O roteiro é linear e bastante episódico, com novos obstáculos surgindo assim que o problema anterior é solucionado. O formato não chega a ser um grande problema já que se trata da jornada de uma mesma família. São algumas conveniências, escolhas de roteiro e falas de lógica que realmente comprometem. Os meios de comunicação que falham e voltam à funcionar conforme o roteiro precisa, ou não, dar informações para a família. Personagens são descartados sem que haja grandes consequências ou desdobramentos, criando mortes gratuitas criadas apenas para chocar o espectador. Enquanto Ally em alguns momentos consegue ler lábios, mesmo sem estar olhando para o rosto da pessoa.

A produção é competente na criação do mundo pós-apocalíptico, com uma fotografia cinzenta e deprimente. Já o design das criaturas criadas em CGI pouco convencem, seja pelo seu realismo, seja pelo potencial de ameaça. O que fica evidente, quando o personagem de Tucci consegue eliminar dezenas delas com uma ferramenta de jardim. Porque não usar uma centena dessas e exterminar de uma vez toda a espécie?

O Silêncio tem bons argumentos e boa intenção, mas se perde na execução entregando entregando algo genérico E ainda com o agravante de trazer muitas semelhanças com boas obras recentes e bastante populares. Tornando-o um passatempo interessante, e apenas isso. Curiosamente, deixa possibilidades para uma sequencia, embora funcione bem sem ela. Resta saber se vai agradar público suficiente para justificar a produção de uma parte dois.

O Silêncio (The Silence)
2019 - EUA - 90min
Terror, Suspense

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quarta-feira, 10 de abril de 2019

Primeiro Ano

quarta-feira, abril 10, 2019 0
Uma injustiça tida como comum pela sociedade atual, é a imposição de que o jovem precisa definir toda sua vida ao se formar na escola. A cobrança é maior ainda quando envolve uma vida acadêmica acirrada, em cursos muito disputados. É a competição ferrenha para estudar medicina em uma universidade francesa, e seus efeitos nos candidatos que Primeiro Ano explora.

Benjamin (William Lebghil) acabou de terminar o ensino médio, e começa seu primeiro ano de medicina. Antoine (Vincent Lacoste) está cursando o ano inicial pela primeira vez. A dupla desenvolve uma amizade natural estimulada por uma agenda exaustiva de estudos em conjunto. Mas o relacionamento não está imune aos efeitos da competição acirrada, a diferença de perspectiva e bagagem.

Para de fato cursar a especialização e se tornar médicos, os alunos precisam se posicionar entre os primeiros da classe e conquistar uma das pouquíssimas vagas para o ano seguinte. As chances para um aluno com boa média são de apenas 2%. Logo a excelência é uma obrigação, forçando os alunos à uma agenda de estudos absurda. Em certo momento Antoine afirma estar exausto e precisar de uma pausa. Ao que prontamente Benjamim responde, "vamos à matemática então?". E eles vão. O descanso aqui é apenas mudar de uma matéria para outra, e mesmo assim ter a sensação de não estar fazendo o suficiente.

A esta altura você deve estar pensando, que um filme sobre salas de aulas com personagens que passam todo o tempo com os narizes enfiados em apostilas não é deve ser dos mais empolgantes. Não se deixe enganar por isso, o diretor e roteirista Thomas Lilti, está ciente da natureza monótona de um cotidiano de estudos e por isso trata a preparação dos calouros como um filme esportivo. Encarando a produção como uma versão acadêmica de Rocky: Um Lutador, com direito à referências, inclusive. Os protagonistas treinam estudam exaustivamente, em lugares distintos, com técnicas diferentes, sempre com uma montagem dinâmica, diálogos inteligentes e o bom humor inerente à juventude.

Mesmo assim, apenas o estudo não sustentaria esta jornada. É na relação de amizade e competitividade entre os dois que a produção se sustenta. E na suas motivações e bagagem que cria conflitos. Benjamin é um "filho da academia", em sua criação foi lhes oferecida as ferramentas para se adaptar ao sistema. Mas sua motivação tem mais a ver com a tradição familiar e exigência paterna que de com a vontade própria. Enquanto Antoine é pura paixão, e pouco preparo para se adaptar ao sistema. Ele replica acertos das tentativas anteriores, mas ainda não tem as ferramentas necessárias, e como agravante já começa a corrida desgastado pelos fracassos anteriores.

Ambos são inteligentes e capazes, mas as circunstâncias favorecem o mais adaptável. Os questionamentos se isso criaria bons profissionais ou não são inevitáveis. Quem seria o melhor médico, aquele com paixão ou aquele que atende requisitos? Inevitável também é o nascimento do conflito, gerado pela competição cruel. E ainda há tempo para fazer uma crítica ao sistema desgastante e sem nenhum apoio psicológico à estes jovens.

A honestidade do roteiro, que mostra o cotidiano destes jovens sem pompa ou rodeios, e principalmente o excelente trabalho de Lebghil e Lacoste, que torna a produção identificável para qualquer um que precisou fazer algum teste na vida. Não é preciso explicações redundantes para percebemos as dúvidas de Benjamin e suas causas, ou mesmo a situação limite em que Antoine se encontra. Estas nuances estão lá, impressas nas interações entre os dois, nas relações suas respectivas famílias e na forma sutil como os atores as deixam transparecer em meio à enorme carga de estudo.

Primeiro Ano coloca uma lupa sobre as falhas sistema que não é o nosso, mas tem muitas semelhanças com que os estudantes estudam por aqui. Mostra como pessoas tão jovens lidam com uma exigência e concorrência que não seria saudável, nem para o mais experiente dos seres humanos. Mas, principalmente, é uma história sobre amizade, escolhas e amadurecimento. Impossível não se colocar no lugar de Benjamin e Antoine, e torcer para que eles encontrem seus respectivos caminhos, seja na medicina ou não.

Primeiro Ano (Première année)
2018 - França - 92min
Drama

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