Março 2019 - Ah! E por falar nisso...

sexta-feira, 29 de março de 2019

14 vezes em que o novo Dumbo faz referência à animação de 1941

sexta-feira, março 29, 2019 0
De todos os clássicos da Disney, a história de Dumbo é a que mais merecia uma atualização. De fato precisava, já que além de um ritmo mais lento do que a molecada de hoje em dia está costumada, muitos momentos da histórias trazem exemplos que não são mais aceitos nos tempos atuais. A nova versão em live-action (e CGI) dirigida por Tim Burton, oferece uma nova roupagem e até uma evolução na história do elefantinho, Apesar da repaginada, o novo longa não esquece suas origens e faz ótimas referências ao original. Você conseguiu encontrar todas elas?

Confira as referências à clássica animação de 1941 feitas no novo Dumbo, e descubra uma ou outra curiosidade das produções no caminho. Vale avisar, este texto pode conter SPOILERS de ambos os filmes.

  • Leia também a crítica de Dumbo


1 - Casey Jr.

Não conhece este personagem de Dumbo? Normal. A maioria dos brasileiros não sabe que o trem que leva o circo tem um nome. Isso porque a versão brasileira da canção Loading the Train precisou tirar o nome da locomotiva de sua letra - "Casey Junior's coming down the track/Coming down the track/With a smoky stack" virou "Olha o trem partindo da estação/Lá da estação.../Ah, que emoção!".

A locomotiva antropomórfica que canta e dá gritinhos histéricos é um personagem icônico do clássico. Por isso, a versão de Tim Burton não esqueceu de fazer uma homenagem à Casey Jr., recriando, à sua maneira, sequência de viagem para abrir o filme. Além de dar rosto para o veículo, que aqui não fala, mas visualmente tem muita personalidade. Olha só essa cara tipicamente assustadora de um filme de Burton!


2 - Mr. Stork, a cegonha


Já que estamos dando nomes aos bois personagens, a cegonha que traz o protagonista também tem nome na animação. Contudo, parece que no mundo real bebês não são entregues por aves, muito menos chegam todos na mesma noite para animais diferentes. Logo, na versão de 2019 apenas a Sra. Jumbo ganha um filhote, mas a cegonha aparece em cena como uma metáfora para a chegada de uma nova vida.



3 - "Casey Junior's coming down the track/Coming down the track/With a smoky stack"

A animação tem muitas músicas, mas apenas algumas delas chegaram à versão live-action. Loading the Train foi uma delas. A canção é cantarolada por Max Medici, personagem de Danny DeVito durante o filme.

Trechos instrumentais de When I See an Elephant Fly, and Pink Elephants on Parade, também estão no filme, para os espectadores mais detalhistas.

4 - Dumbo, feno e amendoins

Na animação o bebê paquiderme se esconde sobre uma pilha de feno depois que as elefantas fofoqueiras o ignoram. É atraído para fora por Timothy, com um bom papo e um amendoim. A nova versão de Dumbo também adora brincar no feno e devorar amendoins, o que é mostrado em várias cenas ao longo do filme.


5 - Timothy

E já que mencionamos o Timothy (será que naversão brasileira seu nome é Timótio? Outro personagem que eu não sabia o nome!), o ratinho que "adota" Dumbo após sua mãe ser levada é substituído pela família Farrier no live-action. Mas a referência ao ratinho está presente, quando é mostrada uma gaiola cheia camundongos, e um deles usa roupas iguais às do personagem da animação.

6 - Baby Mine
Esta sequencia é tão parecida que talvez nem deva contar como referência. Sabendo da força deste momento na animação - é nele que a audiência vai às lágrimas - Burton trouxe de volta os principais elementos. Desde as correntes nos tornozelos da Sra. Jumbo, até o contato limitado pelas grades. Além é claro da música. Baby Mine foi indicada à um Oscar em 1942, aqui é ouvida na voz de Sharon Rooney, que interpreta um dos artistas circenses.

7 - Banho
Quando as crianças dão banho cheio de espuma em um animado Dumbo. é praticamente impossível não recordar dos dois momentos em que o mesmo acontece na animação. O carinhoso banho que a Sra. Jumbo dá em seu filho, e o não tão feliz banho no qual Timothy tira a maquiagem de palhaço do amigo.


8 - "Nada de bebida perto do bebê!"

Uma das cenas mais controversas da animação é o momento em que Dumbo e Timothy acidentalmente consomem bebida alcoólica derramada pelos palhaços e ficam bêbados. Apesar de resultar na cena mais memorável da animação, a situação não é nada aceitável nos dias de hoje. Por isso, quando um dos palhaços aparece com bebida para comemorar, o personagem de Danny DeVito prontamente diz: "Nada de bebida perto do bebê!"


9 - Elefantes rosa em parada

Mas calma, apesar da necessária extinção do pileque, há sim referência à incrível cena da animação. Quando durante um dos espetáculos da Dreamland, os artistas criam bolhas de sabão cor de rosa em formato de elefantes. Deslumbrante!

10 - O prédio em chamas

Nem todas as idéias loucas da animação de 1941 foram descartadas. Já o pessoal do circo ainda não vê problemas em colocar um prédio em chamas dentro de uma enorme tenda. Assim, o número dos palhaços com o bebê elefante pintado de palhaço está garantido. A diferença é que enquanto no original ele é o bebê a ser resgatado, aqui Dumbo precisa resgatar um macaco do incendio.

11 - Dumbo vestido de bebê

Nesta mesma cena com os palhaços da animação, Dumbo está vestido de bebê, com chocalho e tudo. No filme de 2019 o elefantinho também aparece fantasiado de recém-nascido mas em uma situação diferente. A touca de bebê é usada para esconder suas "vergonhosas" orelhas. Na sequencia ele é levado em um carrinho de bebê, e o momento é usado para tornar definitiva a troca de nomes de Jumbo para Dumbo.

12 - Garotos do bullying

A Sra. Jumbo dá umas boas palmadas em um garoto orelhudo que faz bullying com seu bebê, acompanhado dos amigos na animação. Não há agressão de crianças no filme, mas um grupo de meninos na platéia durante uma cena em que todos fazem piada com o protagonista, lembra muito o grupo presente no desenho. É uma cena bem curtinha, piscou perdeu!

13 - A pena e o espirro

Na animação só descobrimos que dumbo tem orelhas diferentes, quando o bebê espirra. Enquanto a pena é usada como artifício para o protagonista acreditar que pode voar. No live-action os elementos são combinados, para despertar os dons do personagem de forma mais literal. Dumbo aspira penas, que o fazem espirrar, e os espirros o fazem levantar seus primeiros vôos.


14 - Dumbo e sua mãe

Por último, mas não menos importante, repare no catavento do circo que aparece no final do filme. Ele mostra em silhueta a forma como dumbo e sua mãe desfilam quando o circo se apresenta à cidade na animação. Com o bebê paquiderme segurando a cauda da Sra. Jumbo.

Você conhece a animação de 41? Reconheceu quantas referências? Encontrou alguma que não descobri? Comente aí! A nova versão de Dumbo, com a direção de Tim Bruton, já está em cartaz nos cinemas brasileiros. Confira a crítica do filme

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quinta-feira, 28 de março de 2019

#LivroBRnoCinema: Quem precisa de heróis?

quinta-feira, março 28, 2019 0
No post de hoje do projeto #LivroBRnoCinema conheceremos o trabalho de Vivianne Fair, Quem precisa de heróis?.

Quem precisa de heróis?


SINOPSE:
Em Quem precisa de heróis? Sephira é uma jovem donzela que está fugindo, sendo perseguida por dois encapuzados. Para a sorte da moça, quatro heróis estilosos surgem para salvá-la. Azar o deles se morrem pelas mãos da mesma.

São ressuscitados por um clérigo e têm que pagar uma taxa absurda. Como heróis não costumam ter dinheiro – fazem tudo de bom coração e com os conselhos de seus livros de auto-ajuda – resolvem ir em busca da jovem e receber a recompensa pela captura dela, além de salvar o mundo da ameaça que a moça representa: pode destruir tudo com um espirro.

De seu lado, a jovem logo encontra um elfo boa-pinta disposto a ajudá-la. Afinal, ela destruiu a sua aldeia e agora ele não tem nada melhor para fazer. De outro, um belo e poderoso feiticeiro, no melhor estilo vilão de RPG, deseja o poder de Sephira e procura seduzi-la. Envia à moça um ovo, que revela ser um enorme dragão vermelho voador cuspidor de fogo. Claro que isso desperta nela seu instinto maternal e acolhe o dragão de quinze metros com muito carinho.

Quem está certo, no final das contas? Você teria alguma ideia de como impedir alguém que pode destruir o mundo na primeira TPM?”

SOBRE A AUTORA:
A autora é ilustradora e muito conhecida pelas tirinhas e a série vampiresca de livros 'A Caçadora' da Editora Draco.



SOBRE O #LivroBRnoCinema:
Em 2019 nosso parceiro, o Tabula Rasa, lança a Campanha #LivroBRnoCinema, junto com um serviço especial para autores nacionais. Dado ao histórico de divulgação da literatura brasileira da atualidade que a fundadora do portal, a fotógrafa e jornalista Louise Duarte, e a editora chefe Anny Lucard, iniciaram a 10 anos atrás, ainda na extinta Rádio Digital Rio, com o programa Contos Sobrenaturais que tinha como objetivo levar a literatura para as ondas do rádio. Além do trabalho de consultoria e das coberturas de eventos literários.

A ideia é do portal divulgar livros nacionais com potencial para se tornarem filmes. Assim como prestar um serviço diferenciado na divulgação de autores nacionais ainda desconhecidos do grande público. Sobre os Pacotes de Serviço Especial do Tabula Rasa 2019 e a Campanha #LivroBRnoCinema, acesse:

Leia mais dicas do #LivoBRnoCinema

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quarta-feira, 27 de março de 2019

Dumbo

quarta-feira, março 27, 2019 4
A Disney embarcou definitivamente na fase de recriação de seus clássicos. Estas reinvenções geralmente oscilam entre a mera atualização para novas gerações - O Retorno de Mary Poppins - e o questionamento sobre a necessidade de recriar uma obra cujo original ainda funciona - A Bela e a Fera. Dumbo é provavelmente a história que melhor pode se beneficiar de uma nova roupagem, seja para enriquecer sua trama simples, aproveitar o avanço a tecnologia, ou ainda pela necessária adequação aos tempos atuais.

Holt Farrier (Colin Farrell) é uma estrela de circo que retorna da Primeira Guerra Mundial para uma realidade completamente diferente. Ele perdera um braço no front, e a esposa enquanto estava longe. Agora precisa cuidar dos dois filhos Milly (Nico Parker) e Joe (Finley Hobbins), enquanto é rebaixado ao posto de cuidador de elefantes. É aí que nasce o bebê da Sra. Jumbo, um elefantinho com orelhas enormes e um talento inacreditável escondido. Rejeitado por todos por ser diferente, cabe às crianças cuidar de Dumbo, reuni-lo com a mãe e ajudá-lo a desenvolver suas habilidade aéreas.

Reparou que a sinopse acima fala mais sobre a família Farrier, que de fato sobre o Dumbo? Diferente do original, neste novo filme é pelos olhos de pessoas, não de animais, que acompanhamos a história. A mudança de perspectiva pode fazer com que a produção perca um pouco da magia do clássico. Afinal, os humanos que me perdoem, mas acompanhá-los é muito menos interessante que ver um ratinho empresário com roupas de circo, ou ainda uma piramide formada por paquidermes. A mágica de animais falantes aqui é substituída pelo encantamento perdido pelo circo, e pela doçura melancólica tradicional nos filmes de Tim Burton.

E já que as comparações com o filme de 1941 são inevitáveis, vale mencionar que o roteiro está ciente disso. E espalha referência e homenagens ao original de forma quase orgânica ao longo da produção. Desde pequenos referências visuais, como a cena em que o elefantinho toma banho, passando por recriações completas como a emocionante sequencia de "Baby Mine", até piadas e homenagens com a bebedeira do personagem e os elefantes cor de rosa. Refrescar a memória assistindo o clássico antes de acompanhar este pode aprimorar sua experiência, mas não é uma obrigatoriedade.

Outro acerto desta releitura é expandir a história. Mesmo porquê, os humanos tem o dom de comercializar e complicar tudo à sua volta. Assim, após surpreender à todos em seu circo original o protagonista chama a atenção do ambicioso V. A. Vandevere (Micheal Keaton). Uma paródia curiosa do próprio Walt Disney, com seu grandioso parque de diversões. O trajeto a partir daqui também é previsível, mas condizente com o contexto em que a história está situada. Além de incluir uma necessária crítica ao uso dos animais em espetáculos.

Keaton e Danny DeVito, que vive Max Medici, dono do circo onde o elefantinho nasceu, são quem realmente entregam um bom trabalho na produção. Propositalmente caricatos, seus papéis são bem definidos, e executados pelos veteranos. Além de representar lados opostos da mesma moeda. De um lado o mundo circense apaixonado porém decadente de Medici, do outro a mega empresa de entretenimento sem alma de Vandevere.

O personagem de Farrell, que aqui atua no automático, tem potencial para criar uma conexão própria com o protagonista, mas isso é pouco explorado, deixando todo o relacionamento com Dumbo para as crianças. E por falar nelas, enquanto a Milly tem todo um arco a ser desenvolvido, seu irmão Joe parece estar ali apenas para que a garota tenha com quem falar, sem realmente ser necessário à história. Quem também tem a presença questionável, é Colette (Eva Green, em sua figura etérea de sempre) que migra de bibelô de Vandevere para figura materna dos Farrier sem grande desenvolvimento.

De volta à magia do circo, é ela que faz tudo valer à pena. Uma vez que o espetáculo visual criado por Burton é impecável, misturando bem sets grandiosos e o uso de computação gráfica. Vale lembrar o personagem principal é feito completamente em CGI, é extremamente expressivo, e nunca deixa de convencer como um elefante de verdade. Apesar das orelhas enormes e as sequencias de vôo. Estas aliás são lindas.

O Dumbo dos anos 40, é extremamente simples, e traz idéias que seriam inaceitáveis nos dias de hoje, como a exploração de animais e o embebedamento de bebês. De todas as obras transformadas em live-action da Disney, está é sem duvida a que faz mais sentido. A versão de Burton, acerta na atualização e até se desculpa das mensagens inadequadas de outrora, enquanto cria uma trama mais complexa para o pequeno paquiderme. Tudo isso aproveitando todas as possibilidades da tecnologia atual. Para novas gerações é uma boa apresentação, para os mais velhos duas horas de nostalgia.

O novo Dumbo não é imune a falhas, é verdade. A maioria delas relacionadas aos humanos em cena. Fazer o quê? Somos complicados e desinteressantes. Dificilmente ganharíamos de um animal adorável. Ainda mais quando a competição é com a possibilidade de ver um elefante voar.

Dumbo
2019 - EUA - 112min
Aventura, Fantasia
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terça-feira, 26 de março de 2019

#LivroBRnoCinema: O Castelo das Águias

terça-feira, março 26, 2019 0

Ficou sabendo da novidade? Este blog é parceiro do projeto #LivroBrnoCinema, que divulga livros nacionais que tem potencial para virarem excelentes filmes.

O título que estreia o projeto aqui no blog, é da autora Ana Lúcia Merege, o 1° volume da trilogia fantástica, O Castelo das Águias, publicação da Editora Draco.

O Castelo das Águias


SINOPSE:
O Castelo das Águias, romance fantástico de Ana Lúcia Merege, é um lugar especial. Localizado nas Terras Férteis de Athelgard, região habitada por homens e elfos, abriga uma surpreendente Escola de Magia, onde os aprendizes devem se iniciar nas artes dos bardos e dos saltimbancos antes de qualquer encanto ou ritual.

Apesar de sua juventude, Anna de Bryke aceita o desafio de se tornar a nova Mestra de Sagas do Castelo. Aprende os princípios da Magia da Forma e do Pensamento e tem a oportunidade de conhecer pessoas como o idealizador da Escola, Mestre Camdell; Urien, o professor de Música; Lara, uma maga frágil e enigmática, e o austero Kieran de Scyllix, o guardião das águias que mantêm um forte elo místico com os moradores do Castelo.

Enquanto se habitua à nova vida e descobre em Kieran um poço de sentimentos confusos e turbulentos, uma exigência do Conselho de Guerra das Terras Férteis põe em risco a vida e a liberdade das águias. Com o apoio de Kieran, Anna lutará para preservá-las, desvendando uma trama de conspiração e segredos que envolvem importantes magos do Castelo.

SOBRE A AUTORA:
A autora é bibliotecária da Biblioteca Nacional, localizada no Rio de Janeiro, e tem um blog que leva o nome de seu livro, onde publica notícias variadas, de eventos literários onde estará a contos do universo fantástico de 'Castelo das Águias'. - http://castelodasaguias.blogspot.com/



SOBRE O #LivroBRnoCinema:
Em 2019 nosso parceiro, o Tabula Rasa, lança a Campanha #LivroBRnoCinema, junto com um serviço especial para autores nacionais. Dado ao histórico de divulgação da literatura brasileira da atualidade que a fundadora do portal, a fotógrafa e jornalista Louise Duarte, e a editora chefe Anny Lucard, iniciaram a 10 anos atrás, ainda na extinta Rádio Digital Rio, com o programa Contos Sobrenaturais que tinha como objetivo levar a literatura para as ondas do rádio. Além do trabalho de consultoria e das coberturas de eventos literários.

A ideia é do portal divulgar livros nacionais com potencial para se tornarem filmes. Assim como prestar um serviço diferenciado na divulgação de autores nacionais ainda desconhecidos do grande público. Sobre os Pacotes de Serviço Especial do Tabula Rasa 2019 e a Campanha #LivroBRnoCinema, acesse:

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segunda-feira, 25 de março de 2019

The OA - 2ª temporada

segunda-feira, março 25, 2019 0
Ou "Parte 2", como a própria Netflix nomeou. O que faz todo sentido, já a jornada de Praire (Brit Marling) e companhia continua quase que de forma ininterrupta entre uma temporada e outra, apesar dos mais de dois anos de diferença entre seus lançamentos. A longa espera é justificada, e compensa o público. The OA tem conceitos e um universo tão complexos que precisa sim de tempo para que seu roteiro não se perca em sua própria mitologia.

Praire, ou OA, compartilhou sua história com seus cinco amigos aleatórios, e consequentemente com a gente. Uma série de eventos obrigou o grupo a executar os cinco movimentos em um momento chave. E apesar de toda a dúvida que os primeiros episódios criara sob sua história, a protagonista conseguiu sim, viajar para outra dimensão atrás de seus outros cinco companheiros. A complicação agora é compreender sua vida nesta nova dimensão e resgatar seus amigos da influência de HAP (Jason Isaacs).

Entretanto, esta nova dimensão tem sua própria narrativa. Nela acompanhamos a buscar do detetive Karim Washington (Kingsley Ben-Adir) por uma adolescente vietnamita desaparecida. Não é spoiler dizer que eventualmente sua investigação vai esbarrar em OA. Bem como na jornada dos amigos que a moça deixou para trás. Steve (Patrick Gibson), Jesse (Brendan Meyer), French (Brandon Perea), Buck (Ian Alexander) e BBA (Phyllis Smith), buscam informações sobre o salto da amiga, ou apenas estão todos com transtorno pós-traumático e incapacidade de processar o luto.

Apesar dos muitos núcleos, esta segunda parte é muito mais equilibrada que a anterior. Alternando constantemente entre Praire, Karim e o grupo deixado para trás, criando a mesma tensão e interesse pelos três núcleos, e respeitando o tempo que cada um precisa para contar sua história. Assim, a protagonista e o detetive tem mais tempo de tela que Steve e companhia.

Mesmo com a limitação de tempo, os jovens e a professora, tem pela primeira vez um aprofundamento melhor, longe de sua "mentora/inspiração". Cada um a sua maneira ele lidam com uma mistura de luto e fé exacerbada. A perda de OA, apenas os tornam mais crentes de sua missão. Além disso, precisam lidam com questões mundanas, como as consequências de seus atos na cantina, e da própria jornada em que embarcam. Afinal a molecada não pode sair por aí fazendo o que bem entende sem dar explicações.

Karim, está como nós espectadores estávamos no primeiro ano. Montando o quebra-cabeças, enquanto tenta descobrir no que pode acreditar. O personagem é uma das melhores adições destes novos episódios, que incluem algumas pessoas por mera conveniência de roteiro, e por isso as deixa soltas em muitos momentos. É o caso de Angie (Chloë Levine), trazida apenas para completar o grupo necessário para fazer os movimentos. O que não significa que estas aquisições não ganhem maior função, caso haja uma parte três. Por hora estão ali apenas para fechar a conta.

É provavelmente a protagonista a personagem mais controversa. Ela tem uma missão clara, resgatar seus amigos. Para que isso funcione precisa se adaptar ao novo mundo, mas demora demais para entender isso e tomar certas atitudes. Se no primeiro ano, a moça parecia ter muita decisão e certeza na história que nos contava, aqui ela oscila entre excesso de determinação, e aquele tipo de personagem que nunca faz as perguntas certas. O fato dos amigos, tanto da escolha, quanto do cativeiro, a endeusarem também não ajuda. É esperado tanto da moça, que dificilmente ela seria capaz de chegar perto de atender as expectativas, e merecer o tal título de OA (Anjo Original na tradução).

Mas novamente, quem sou eu para dizer que a moça não é especial? A história ainda não está terminada, e é cheia de conceitos complexos e reviravoltas. Como afirmar que alguém, é ou não, algo. Talvez estejam todos no processo de se tornarem quem devem ser.

É esse o maior mérito e a melhor parte de The OA. Conseguir conciliar uma quantidade de absurda de incertezas em um roteiro coeso. Trata-se de uma profusão de conceitos novos e difíceis de compreender, mistérios, ambiguidades e dúvidas que ao mesmo tempo confundiram e viciam quem está do lado de cá da tela. É esta estranheza desde universo e quebra-cabeças a ser superado, que nos mantém colados no sofá. Em outras palavas, não faz sentido, mas está interessante, então vamos em frente!


O funcionamento deste mundo non-sense, é mérito de seus criadores Zal Batmanglij e Brit Marling. A dupla está envolvida em todos os aspectos da produção, além de criar e escrever, ela estrela, ele dirige. E principalmente, parecem ter completo controle e conhecimento deste universo, mesmo que não estejam nem um pouco preocupados em explicá-lo em detalhes para nós. A intenção da série, é nos fazer pensar por conta própria sobre fé e outros dilemas humanos, conceitos de ficção cientifica como multiverso, viagens interdimensionais, experiencias de quase morte, nossa submissão à grandes corporações e sistemas, nossa sede por compreender o incompreensível, nossa conexão uns com os outros. Durante as oito horas de maratona, pensamos em cada uma destas coisas, e em tudo isso junto. Antes de sermos abandonados com muitos outros novos questionamentos em seu surpreendente final.

The OA vai de encontro ao proposto pela maioria das séries de qualquer formato. Ela não está preocupada em te explicar tudo para te manter interessado e preservar sua audiência. Quer apenas que você acompanhe e tire as conclusões que desejar, uma vez que mesmo as respostas que oferece não são definitivas. Sim, é a curiosidade criada por uma narrativa cheia de mistérios que te faz ficar até o fim. Mas é a liberdade pela busca de respostas que te faz achar a jornada maravilhosa.


No primeiro ano eu não tinha certeza se tinha gostado de The OA, mas não havia dúvidas de que a série despertara meu interesse. Agora tenho certeza, acho uma obra genial e complexa. E fico na torcida para que a Netflix dê continuidade, e que a produção não se perca em sua complexa mitologia.

A primeira e a segunda partes de The OA tem oito episódios cada. Todos já disponíveis na Netflix.

Leia a crítica da 1ª temporada e confira esta lista de informações úteis para sua maratona da série.
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sexta-feira, 22 de março de 2019

Demolidor - 3ª temporada

sexta-feira, março 22, 2019 0
Caso você tenha demorado a assistir à terceira temporada de Demolidor como esta blogueira que vos escreve, deve ter se percebido ao mesmo tempo empolgado e melancólico ao final da temporada. Afinal, diferente de quem acompanhou lá na semana em que foi lançada, já sabíamos que este seria o ultimo ano da série na Netflix, e conforme a trama melhorava e empolgava o lamento pelo cancelamento também aumentava.

O terceiro ano de Demolidor começa após os eventos de Defensores, quando o mundo acredita que o herói fora morto no desabamento do prédio ao final da aventura compartilhada com os outros heróis urbanos. Enquanto Matt Murdock (Charlie Cox) cura suas feridas se questiona quanto à necessidade da existência de seu alter-ego vigilante, seu arqui-inimigo Wilson Fisk (Vincent D'Onofrio) encontra um jeito de sair de trás das grades. Também há tempo para desenvolver as histórias de Karen (Deborah Ann Woll) e Foggy (Elden Henson), e para apresentar outro vilão dos quadrinhos.

Entre os demônios de Matt, o complexo plano do Rei do Crime, e apresentação de novos personagens chave, como os agentes do FBI Ray Nadeem (Jay Ali) e Benjamin 'Dex' Poindexter (Wilson Bethel), a trama desta temporada de mora a engrenar. Entretanto, uma vez que todas as peças estão dispostas no tabuleiro (lá pelo episódio seis), a parceria Marvel-Netflix entrega o que consegue fazer de melhor. Um embate frenético e intrigante entre Fisk e Matt, com bom uso de seus recursos/coadjuvantes.

Poindexter tem uma apresentação detalhada e bem construída, que deixa evidente que a produção tinha planos para o personagem nas próximas temporadas. Enquanto o passado de Karen é revelado, nos fazendo entender finalmente as atitudes da moça. Apesar de excelente, o episódio em formato de flashback faz uma incômoda pausa na trama principal. 

Este, e outros desvios da jornada do protagonista para aprofundar outros personagens, que a série abraça, é provavelmente a causa da temporada demorar à engrenar. Os primeiros episódios tomam tempo para situar absolutamente todos em cena. O que deve agradar quem adora acompanhar personagens como Foggy, ou mesmo as conversas sobre ética e religião entre o protagonistas e seus mentores da igreja. Mas podem soar repetitivas para os demais. De fato, uma introdução mais dinâmica e rápida, e consequentemente alguns episódios a menos fariam bem a temporada como um todo.

Ainda sim, o sado deste terceiro ano de Demolidor é positivo. Para o bem ou para o mal, estes primeiros episódios mais lentos, preparam bem o terreno para a segunda metade se desenrolar livremente, sem pausas para longas explicações. E principalmente o elenco está mais seguro e compreende melhor do que nunca seus personagens.

D'Onofrio tem capacidade de transformar a doçura e dedicação do antagonista por sua amada, em algo tão assustador quanto seus verdadeiros atos criminosos. Quem não se incomodaria de ter de tal figura estranha e misteriosa como adorador incondicional?

A introdução da Irmã Maggie (Joanne Whalley) cria um contraponto interessante para os dilemas religiosos de Matt, e uma alternativa aos conselhos do já bem explorado Padre Lantom (Peter McRobbie). Jay ali e Wilson Bethel, entregam com eficiência o que o roteiro exige deles. Enquanto Ann Woll e Henson, já conta com afeto do público e carisma dos amigos do protagonista.

Entretanto é Charlie Cox quem merece o maior crédito. O ator tem completa compreensão das nuances de seu personagem, desde os dogmas religiosos, passando pela (des)crença do Advogado em relação ao sistema, até o vigilante que se arrisca ao testar seus limites. O resultado é um Demônio de Hells Kitchen, brutal e implacável, mas ao mesmo tempo extremamente humano e empático. Vale mencionar, não apenas faz muitas das lutas coreografadas de seu personagem, mas também convence em todas elas. As lutas em Demolidor, ainda são as únicas realmente boas do universo dos Defensores.

Longe de desagradar como as novas temporadas de Luke Cage e Punho de Ferro, o terceiro ano de Demolidor tem apenas um único grande problema, episódios demais que tornam seu inicio arrastado. Ainda assim a série mantem o bom roteiro, trama inteligente e personagens bem utilizados, realmente vale a maratona. Não é atoa, que de todas as séries canceladas da parceria Marvel-Netflix, esta seja a que está causando maior comoção. Queremos ver mais de Charlie Cox como Matt Murder e seu alter-ego heroico. #SaveDaredevil


Assim como as anteriores, a terceira temporada de Demolidor tem 13 episódios, todos já disponíveis na Netflix.

Leia a crítica da segunda temporada, confira dicas úteis para sua maratona do herói, e descubra mais sobre as outras séries deste universo Punho de Ferro, Jessica Jones, Luke Cage, Justiceiro e Defensores.
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quarta-feira, 20 de março de 2019

Nós

quarta-feira, março 20, 2019 0
Após um grande sucesso, especialmente se for em uma obra de estreia, um criador pode cair na armadilha criada pela por seu próprio trabalho. Ele precisa superar sua produção anterior, atender as expectativas, surpreender e de preferencia não demorar muito para fazer tudo isso. Jordan Peele não pôde escapar desta situação após entregar o excelente Corra!. Seu segundo trabalho como diretor Nós, chega envolto tanto em expectativas, quanto em promessas.

O casal Adelaide (Lupita Nyong'o) e Gabe (Winston Duke), decidem passar um fim de semana em sua casa de veraneio com os filhos Zora (Shahadi Wright Joseph) e Jason (Evan Alex). A diversão familiar é interrompida, quando um grupo de "sósias" da família invade a casa.

O uso de duplos e produções de terror, ou ficção cientifica não são uma novidade. Geralmente fazem alusão ao fato de que podemos ser nossos maiores inimigos. Peele, não apenas utiliza bem esta alegoria, como também à expande para além do individuo, fazendo uma crítica à sociedade, especificamente a "estadunidense". E a partir daí coloca os personagens em situações de horror, dignas de pesadelos.

Assim como em seu primeiro trabalho, o diretor que também assina o roteiro e tem uma vasta carreira com comédia, consegue trabalhar bem a comédia em meio às situações de perigo. Estes são de longe os melhores momentos da produção, em especial quando focados na figura paterna. Winston acerta em cheio ao brincar com a figura do patriarca protetor, salvador da família, que é trapalhado demais para fazer as coisas exatamente como pretende, ou como esperaríamos de seu personagem. E isso é ótimo.

O elenco mirim-entrega o que lhes é pedido no roteiro, e não é pouco considerando que cada um faz dois personagens opostos. Enquanto Elisabeth Moss (The Handmaid's Tale), em poucos minutos de tela, apenas comprova sua versatilidade. Mas o foco no elenco, está em Nyong'o, que tem os maiores extremos ao interpretar a matriarca protetora e a invasora. Se a atuação ficou na medida correta, ou passou um pouco do ponto, depende da referência de quem assiste. Particularmente, acho que houve excessos em alguns momentos, mas a entrega da atriz é inquestionável.

De volta à direção, a técnica apresentada é impecável. A produção sempre escolhe posicionamento e movimentação de câmera, e a até iluminação, que melhor atenda ao que a cena pretende passar para o expectador. Como na sequencia de chegada dos intrusos, passada na penumbra nos faz duvidar da existência dos doppelgängers junto com a incrédula família, mesmo que sua existência já tenha sido revelada nos trailer. Os símbolos e recursos visuais, que se repetem ou são reutilizados mais tarde no longa também são dispostos de forma orgânica ao longo da projeção, e funcionam bem.

É no roteiro que Nós deixa a desejar. Com um argumento excelente em mãos, Peele não parece ter tido tempo de refinar o roteiro e aparar as pontas soltas. A desnecessária reviravolta, que parece incluída mais por obrigação do que pela necessidade da história, aumentam os furos de roteiro, e de construção deste universo e mitologia. Bastam alguns instantes de reflexão, para se dar conta de falhas e inconsistências na história de Adelaide e companhia. Percepção facilmente alcançada ainda na projeção, e possivelmente eliminado a suspensão de descrença do expectador em muitos momentos. As boas idéias estão ali, técnica, elenco e orçamento também estavam disponíveis. Talvez tenha faltado o tempo para amadurecer a ideia e entregar uma história tão bem amarrada quanto a de Corra!

Jordan Peele teve uma estreia excelente, mas precisa tomar cuidado para não cair na mesma armadilha que M. Night Shyamalan. E acabar se perdendo na obrigação de surpreender e se superar, em um curto período de tempo. O que no caso dele ainda conta com o agravante de incluir uma contundente crítica à sociedade. Nós  chega sob muita expectativas e com muitas responsabilidades. Condições nada justas com qualquer obra, ou realizador. Poderia ser uma produção tão surpreendente e eficiente quanto o trabalho anterior de Jordan Peele, mas escorrega na necessidade de ser muitas coisas. E no pouco tempo para trabalhar a coesão deste mundo.

Nós (Us)
2019 - EUA - 116min
Terror, Suspense


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