Ah! E por falar nisso...

Post Top Ad

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Fuller House - 5ª (e última) temporada

sexta-feira, junho 05, 2020 0
Os episódios finais de Full House, exibidos em 1995, são bastante curiosos. Eles fazem uma retrospectiva de toda a série através da amnésia temporária de Michelle. Já o desfecho de Fuller House, finge olhar para frente, mas na verdade mantém o status-quo.


A primeira metade do derradeiro ano, liberada em dezembro de 2019, traz aventuras episódicas da família. Enquanto os episódios finais, que estrearam em junho de 2020, tratam dos preparativos casamento triplo das protagonistas. 

Pois é, você leu direito. Fuller House acabou resumindo sua temporada final à felicidade pelo casamento. Por mais que seja divertido acompanhar estas personagens, que conhecemos desde a infância, tentando planejar o matrimônio, é difícil não achar estranho que o final feliz destas três mulheres está atrelada à unica e exclusivamente à interesses românticos. 

Todos os outros problemas parecem relegados ao segundo plano. Mesmo os dilemas relacionados às crianças, apesar desta ser uma série sobre família. E do arco de maternidade de Stephanie (Jodie Sweetin) ser o melhor das cinco temporadas do revival. Não é incomum se perguntar, quem está cuidando do bebê durante os episódios.

Quanto à evolução dos personagens, não há grandes mudanças. As relações são as mesmas, e os personagens não tem grandes lições a aprender. À exceção são breves discussões sobre o futuro de Ramona e Jackson (Soni Bringas e Michael Campion), que estão na fase de escolha de faculdade. E futuro das famílias pós casamentos. Este último, aliás, era a chance de trazer algum desenvolvimento e independência para DJ (Candace Cameron Bure). A própria série admite isso em um discurso emocionado, que é esvaziado na mesma cena, quando as mudanças são imediatamente revertidas. 


Apesar disso, sim, a quinta e última temporada de Fuller House é bastante divertida! Mais por nossa empatia por seus personagens, que por esforço de criatividade do roteiro. Este abandona completamente imagens de arquivo, mas abusa da recriação de situações e referências à acontecimentos passados. Depende demais da nostalgia, e por isso não cria tantos momentos 
memoráveis quanto os de Três é Demais.

O fato das temporadas de séries atuais serem mais curtas também atrapalha. Afinal, passamos muito mais tempo (leia-se episódios) com os Tanner no século passado, que com os Fuller neste século. São mais situações cotidianas, mais memórias, mais tempo para criar uma relação com os personagens. Por isso, conhecemos muito melhor Michelle, que Tommy (Dashiell e Fox Messitt), por exemplo.

As piadas atualizadas e cheias de referências à cultura pop continuam funcionando. E a tentativa de tornar a série mais diversa, através dos personagens secundários é perceptível. Os "adultos" originais ainda fazem várias participações especiais, à exceção Tia Becky,  Lori Loughlin, afastada por problemas com a justiça. E não, Michelle Tanner, não vai aparecer, nem alimente esperanças. E sim, eles ainda fazem piada com a ausência das gêmeas Olsen.

O revival mais bem sucedido da onda de recriações dos últimos anos. Fuller House é exatamente isso, uma excelente revista à uma família que amamos. Podia ser mais, explorar novas situações, levar DJ, Stephanie e Kimmy (Andrea Barber) para novos desafios. Mas funciona como atualização, mata as saudades dos Tanner-Fuller e tem um desfecho que condiz com a tradição de resolver tudo com conversas sinceras e abraços coletivos. 


O quinto ano de Fuller House tem dezoito episódios, todos já estão disponíveis na Netflix, assim como as temporadas anteriores, e os oito anos da série original, Full House, ou Três é Demais como era conhecida por aqui.

Leia mais sobre Netflix e Fuller House

Read More

terça-feira, 2 de junho de 2020

Os Irmãos Willoughby

terça-feira, junho 02, 2020 0
Família existem em diferentes formatos, e nascem até mesmo nas mais diversas situações. Não tem a ver apensa com genética, história ou uma casa em particular, mas com pessoas que decidem estar juntas. Estas são as lições trazidas por Os Irmãos Willoughby. Provavelmente você já assistiu outras obras com estes ensinamentos universais, mas a animação da Netflix, vem provar que sempre há uma nova forma de contá-los, e que nunca é demais reforçar a lição.

Os irmãos Tim (Will Forte), Jane (Alessia Cara) e os gêmeos Barnaby (Seán Cullen) tem os piores pais do mundo. Ente passar fome, frio e noites
trancados no porão não é surpresa que o quarteto desejasse não ter responsável algum. É assim que eles chegam à brilhante ideia de se "orfanizar", ou seja se livrar dos pais.

Calma, este ainda é um filme infantil, as crianças não vão virar assassinas. Embora o roteiro traga algumas ácidas, e incômodas, insinuações. Me pergunto também como órfãos de verdade se sentem ao verem os protagonistas desejando serem órfãos, mesmo com pais tão, tão, terríveis. Mãe e Pai Willoughby (Martin Short, Jane Krakowski) são os piores pais do cinema desde Matilda (1996). Se bem que os Wormwood nunca deixaram a menina sensitiva, passar frio ou fome, e até deram um nome a ela (ambos os gêmeos se chamam Barnaby, porque o casal não se deu ao trabalho de diferenciar os dois). Ou seja, os Willoughby são oficialmente os piores pais da história dos filmes infantis.

Já os filhos tem personalidades bem peculiares. Tim é obcecado com o legado dos bigodes da família, e se sente o líder do clã. Jane ama cantar e é curiosa ao ponto de arrumar encrenca. Os Barnaby são praticamente, são os inventores. É com esses últimos que o roteiro mais falha, ao negar-lhes o desenvolvimento óbvio, criar personalidades distintas. A dupla é pouco mais que um alívio cômico. Seus irmãos mais velhos por outro lado tem arcos bem definidos, especialmente Tim. Nanny (a babá com a voz de Maya Rudolph) também tem uma jornada clara, embora mais simples, além motivações semelhantes as dos irmãos.

Baseado no livro The Willoughby de Lois Lowry, a trama é bastante episódica e frenética, saltando entre uma situação absurda para outra em um piscar de olhos. Um acerto para entreter os pequenos da geração youtube, mas um pouco cansativo para os mais velhos, que devem se dividir entre a sensação de correria e falta de foco. Entretanto, no final as todas as peças se encaixam, em um final pouco surpreendente, mas bastante satisfatório.

O elenco de vozes composto majoritariamente por comediantes, acerta no tom ácido e nas duas camadas de interpretação, piadas físicas para as crianças, humor ácido para os pais. Também estão no elenco Terry Crews como o comandante Melanoff, e o sempre excelente Ricky Gervais, como o intrusivo narrador felino.

O maior acerto de Os Irmãos Willoughby, no entanto, é no visual e qualidade técnica. Uma mistura bem executada de animação 3D e stop-motion, a produção constrói bem sua identidade própria, através das cores, designs e até da movimentação de personagens e veículos, se distinguindo com sucesso de outras produções do gênero. Vale prestar uma atenção maior também a música, pensada para cada personagem isoladamente. E às referências a cultura pop, que vão dos contos de fadas à Pac-Man.


Apesar das ressalvas quanto ao desejo de "orfanização" dos protagonistas, e a forma como o sistema de acolhimento de órfãos é apresentado, Os Irmãos Willoughby, é mais um acerto da Netflix em animações. Divertido, colorido e vibrante, deve agradar a molecada sem entediar os pais. Traz críticas pertinentes à sociedade, como egoísmo e falta de responsabilidade. Além de trazer de forma diferente e criativa, ensinamentos universais sobre família e confiança, que precisam sim ser recontados de tempos em temos para velhas e nova gerações.

Os Irmãos Willoughby (The Willoughbys)
2020 - Canadá, EUA, Reino Unido - 92min
Animação, Aventura, Comédia

Read More

quinta-feira, 28 de maio de 2020

Emma.

quinta-feira, maio 28, 2020 0
Confesso, por algum motivo que a razão desconhece, nunca assisti a nenhuma adaptação de Emma, tão pouco li a obra de Jane Austen. Nem mesmo a novela que reunia vários personagens da autora, incluindo Emma, eu assisti. Logo, embarquei com muita curiosidade e nenhuma expectativa no longa estrelado por Anya Taylor-Joy.

Emma Woodhouse é bonita, inteligente e rica. Não tem intenção de casar, mas adora bancar a casamenteira. Teimosa, e com a ingenuidade de alguém que nunca teve grandes problemas em mente, é claro, que a moça não é tão perceptiva quanto imagina. Interpreta sinais errado, embaralha a vida amorosa de seus conhecidos, além de ignorar seu próprios sentimentos.

Assim como o livro, o longa começa com uma descrição simples e direta de Emma em texto: bonita, inteligente e rica. Ao mesmo tempo as cenas iniciais mostram que a moça também é mimada e um tanto quanto intrometida, ao "selecionar flores"- ela não as colhe - para dar a sua governanta prestes a se casar. À primeira vista, não parece a mais adorável das personagens. É o carisma e os grandes e expressivos olhos de Anya Taylor-Joy que seguram o espectador por mais tempo.

O jeito mimado e o mundo de riquezas inacessível de Emma seriam remediado pelo seu jeito atrevido e diálogo inteligente característicos da autora. Entretanto, as linhas de Austen, são apresentadas de forma corrida e pomposa. Uma metralhadora de costumes e nomes, que pode afastar quem não é familiarizado com a obra. O roteiro falha em conferir leveza às longas conversas, bem como da adaptação como um todo.

Ainda assim, o elenco se esforça para conferir sutileza à esta comédia de costumes, e é por eles que vale apenas persistir. Além de Taylor-Joy, destacam-se Bill Nigh, como o hipocondríaco pai da protagonista, e Mia Goth como a simples e influenciável Harriet Smith.

Figurinos e direção de arte são outro acerto da produção. Além de belos, os figurinos ajudam a construir e distinguir os personagens, bem como os cenários e locações, constroem bem o mundo restrito e bem característico em a protagonista vive.  O diretor estreante Autumn de Wilde, aproveita bem os grandes palácios e planícies abertas. O visual não deixa dúvidas, é o mundo de Jane Austen, bucólico e poético como imaginamos.

A trilha sonora por outro lado, é intrusiva ao ponto de abafar falas dos personagens em alguns momentos. Estas mesmas canções parecem deslocadas do cenário. Remetendo mais à uma trama no interior dos Estados Unidos que na Inglaterra do século XIX.

Emma. (sim, tem um ponto no título), parece ter a intenção de ser a adaptação definitiva (desta geração, ao menos) da obra de Jane Austen. E provavelmente será. Entretanto, a produção poderia apostar mais naqueles que desconhecem a história. Os recém chegados ao mundo da autora, podem ficar confusos com tantos nomes, e as curiosas "regras do namoro".

Tecnicamente bem feita e com diálogos sisudos, Emma. é uma produção ciente da popularidade de sua história. Por isso aposta nos já aficionados, e torcem pela curiosidade dos não iniciados. Talvez, seja esperar demais de quem só encontrou a protagonista na versão "atualizada" de As Patricinhas de Beverly Hills.

Emma.
2020 - Reino Unido - 124min
Comédia, Drama




Read More

sexta-feira, 22 de maio de 2020

Eu Nunca... - 1ª temporada

sexta-feira, maio 22, 2020 0
Uma adolescente tentando ter o melhor ano da sua vida, ser popular na escola, ter muitos amigos, uma vida social agitada, um namorado... já vimos esta história uma centenas de vezes na TV e no cinema, mesmo assim elas continuam sendo produzidas. As que melhor refletem melhor a época e adolescentes que escolhem retratar, são aquelas que perduram. Honestidade e autenticidade, Eu Nunca... atende perfeitamente essas exigências.

Devi (Maitreyi Ramakrishnan) é uma adolescente americana-indiana que acaba de passar por um ano extremamente difícil, por isso resolve começar o novo ano letivo com vida nova. É claro, administrar suas ambições, obrigações escolares, e as relações com amigos e família, é uma tarefa complicada. Ela vai cometer erros típicos da idade, agravados por sua personalidade forte e pelos sentimentos que esconde de si mesma.

Inspirado na adolescência de sua criadora, a atriz, roteirista e comediante Mindy Kaling, Eu Nunca... acerta em retratar com honestidade o cotidiano de uma jovem. Os medos, dúvidas, impulsos e até erros de Devi, são relacionáveis para quem é, foi, e será adolescente um dia. Suas ações e motivações são realistas e coerentes com sua idade, e mesmo quando levadas ao extremo jamais soam forçadas ou falsas. Mérito do roteiro, que conhece e respeita não apenas sua protagonista, como todos que a cercam.

Os personagens secundários, a primeira vista podem até parecer os tradicionais estereótipos do gênero, mas aos poucos desenvolvem arcos próprios igualmente interessantes e relevantes. Kamala (Richa Moorjani) prima da protagonista é o exemplo perfeito. Apresentada como apenas uma moça bonita e perfeita, logo é confrontada com imposição das tradições e sua tentativa de fuga das mesmas. Descoberta da sexualidade, identidade, preconceito, solidão, luto, rivalidade, amizade e companheirismo, estão entre os temas que os coadjuvantes ajudam à abordar, enquanto acompanhamos a jornada de Devi.


E por falar na protagonista, a novata Maitreyi Ramakrishnan, executa muito bem a tarefa de carregar a série. Carismática, consegue nos fazer torcer por Devi, mesmo quando a garota toma as piores decisões. A experiente Poorna Jagannathan, consegue em poucas cenas criar uma mãe que esconde sentimentos complexos sob sua rigidez com a filha. Os emocionantes embates entre as duas estão entre as melhores cenas, de uma série repleta de bons momentos.

Outro destaque do elenco é Jaren Lewison, seu Ben é um riquinho, almofadinha, competitivo e irritante, mesmo assim é difícil desgostar dele. Seu interprete consegue apresentar as camadas que enriquecem o personagem e explicam sua personalidade, antes mesmo de acertado episódio centrado nele. Darren Barnet, Lee Rodriguez, Ramona Young e Niecy Nash completam o elenco principal com boas atuações. Vale mencionar, o elenco é diverso da forma correta. Simplesmente retrata o mundo como ele é, respeitando as diferenças de cada um, sem ser tabu, muito menos panfletária.

O texto é ágil, inteligente e cheio de referências. Em outras palavras, bem parecido com o que se espera da juventude atual. Equilibrando drama, e humor, há também espaço para boas lições, e cenas tocantes, conforme os personagens evoluem e se relacionam. Apenas a curiosa narração do tenista John McEnroe, soa redundante em alguns momentos. Mas, é feita com tanto bom humor, e com texto tão inteligente, que a repetição é facilmente relevada.

Em apenas dez episódios de pouco mais de vinte minutos, o roteiro consegue resolver o arco da protagonista e de seus coadjuvantes, de forma ágil e envolvente. Apesar do pouco tempo, consegue explorar bem seus temas, ao passo de que esta primeira temporada não deixa pontas soltas, apenas possibilidades. Se terminasse assim, estaria ótimo, mas também há espaço para mais histórias. Afinal, a vida continua, e Devi vai encarar novos dilemas.

A Netflix tem investido bastante em tramas juvenis, algumas bem sucedidas, muitas nem tanto. Eu Nunca... está no seleto primeiro grupo, graças à sua honestidade, autenticidade, bom texto e humor. Em tempos de adolescentes que desvendam assassinatos, enfrentam demogorgons, adquirem super-poderes e praticam artes das trevas, às vezes, a simplicidade cotidiana é a opção mais original e carismática.

Os dez episódios de Eu Nunca..., estão todos disponíveis na Netflix.

Read More

terça-feira, 19 de maio de 2020

3 filmes incríveis escondidos no Amazon Prime Video

terça-feira, maio 19, 2020 0
Hoje é dia de dicas para te entreter na quarentena. As três produções desta lista são recentes passaram muito discretamente pelos cinemas brasileiros. De fato, se você não mora em uma grande metrópole é provável que estes títulos não tenham sido exibidos em nenhum cinema próximo de você. Agora, estes filmes estão disponíveis no Prime Video e podem receber a atenção que merecem. E eu vou te contar porque valem a sessão. 

São produções bastante diferentes em gênero e estilo, porém únicas cada uma a sua maneira:

(Only Lovers Left Alive - 2013)
Adam (Tom Hiddleston) e Eve (Tilda Swinton) estão neste mundo a tanto tempo que poderiam ser os mitológicos Adão e Eva. Vampiros tradicionais, conhecem diferentes idiomas, viveram todos os períodos da história, conheceram grandes nomes da humanidade. Com "tempo" de sobra, levam a vida em seu próprio ritmo, mesmo. São amantes, mas vivem em continentes diferentes. Seu estilo de vida contemplativo e melancólico é ameaçado pela presença da irresponsável irmã caçula da vampira, Ava (Mia Wasikowska).

Este é filme de vampiros muito diferente do que estamos acostumados. Nada de caçada por presas, ou fuga de caçaodores, o foco aqui é refletir sobre as maravilhas e dores da eternidade. Aproveitar os momentos mais excitantes da humanidade, mas também se arrastar pelos mais tediosos. Ou seja, nada de terror, ação ou aventura, este é um drama! Denso complexo, calmo e constante. Propositalmente lento, para colocar o público no mesmo estado contemplativo que a posição temporal privilegiada proporciona à seus protagonistas.

Para os cinéfilos, a referência imediata tanto em estilo, quanto temática,  é Fome de Viver (1983), embora o filme dirigido por Jim Jarmusch, seja muito mais contemplativa e filosófica, que o longa oitentista de Tony Scott. O elenco estelar, que conta também com John Hurt, Anton Yelchin e Jeffrey Right. Figurino e direção de arte são outros aspectos que merecem um olhar mais atento.

Leia a crítica completa de Amantes Eternos

(Wonderstruck - 2017)
O título nacional de Sem Fôlego, não faz jus ao conteúdo da produção e do livro homônimo em que ela fora baseada. O autor e roteirista Brian Selznick (que também escreveu A Invenção de Hugo Cabret), mostra que nossos dilemas continuam essencialmente os mesmos, não importa a época em que acontecem ou a forma como são contados.

Em 1927, Rose (Millicent Simmonds), coleciona notícias da mãe famosa que não vê há tempos. Solitária e insatisfeita com as regras do pai, ela foge para reencontrar a mãe, tarefa complicada por sua condição. A menina é surda desde que nasceu. Já em 1977, é Ben (Oakes Fegley) quem se sente solitário após a morte da mãe. Ao encontrar o que acredita ser uma pista sobre a identidade do pai que nunca conheceu, ele também foge da casa dos tios.As duas histórias correm em paralelo, compartilhando locações, situações e experiências. Eventualmente estas jornadas já unidas por temática e rimas visuais se encontrarão em um terceiro ato que fecha quase todas as pontas.

O charme fica por conta da forma como o diretor Todd Haynes encontrou para replicar a experiência das páginas na tela. No livro, a história de Ben é contada em texto, enquanto a de Rose apenas com ilustrações do próprio autor. No filme, 1927, assim como os filmes da época, é em preto e branco e mudo, nos aproximando ainda mais do universo silencioso de protagonista. Enquanto em 1977 a história tem som, as cores são saturadas, e com um tom amarelado, como as fotografias da época que encontramos hoje, além de uma trilha que acompanha a época.

Além das carismáticas crianças que carregam bem o filme, o elenco ainda conta com Julianne Moore, Jaden Michael, Cory Michael Smith e Michelle Williams. Uma produção carismática, doce e encantadora para toda a família. Precisa de mais? Tem Space Oddity de David Bowie na trilha sonora.

Leia a crítica completa de Sem Fôlego.
Também tem crítica do livro e a comparação Livro vs Filme

(Scary Stories to Tell in the Dark - 2019)
É Halloween e um grupo de adolescentes de uma pacata cidadezinha resolve explorar uma casa assombrada. O que pode dar errado? Para eles, muita coisa. Para nós, é um gostoso terror juvenil, digno de festas do pijama.

Stella (Zoe Margaret Colletti), Ramón (Michael Garza), Auggie (Gabriel Rush) e Chuck (Gabriel Rush) encontram no casarão assombrado da família Bellows, um livro repleto de histórias macabras que logo começam a se tornar realidade. A molecada precisa descobrir as origens do livro para detê-lo, ao mesmo tempo que tentam escapar de seus maiores medos que ganham vida através do artefato.

Trata-se da adaptação para o cinema da série literária de terror juvenil escrita por Alvin Schwartz, que usa o livro amaldiçoado para levar diferentes contos para as telas. O resultado é um união bem feita de pequenas histórias simples e criativas que trazem que abordam várias ameaças clássicas do gênero. Fantasmas, entidades, criaturas, maldições, casas assombradas, cadáveres, insetos, vudu, malfeitores humanos, hospital psiquiátrico, perseguição em milharal, tem um pouquinho de tudo nesta produção dirigida por André Øvredal.

O ponto alto da produção é o envolvimento de Guillermo del Toro como produtor, que garante sua estética impecável, bastante uso de maquiagem e efeitos práticos, combinados com uso moderado do CGI. Com indicação etária de 14 anos, a produção garante o aquele "medinho controlado" divertido para a molecada. Enquanto o público com mais bagagem, vai curtir o tom nostálgico, a produção caprichada e a história bem amarrada. Ambas as gerações devem ficar com nojo das criaturas igualmente.


Como você notou, todas as três produções tem críticas aqui no blog, infelizmente os filmes chegaram para pouca gente na época de seu lançamento. Fiquei tão feliz em finalmente poder rever estas obras, que resolvi indicá-las novamente.

E aí, já viu alguma? Todas estão disponíveis no catálogo da Amazon Prime Video, procura lá!

Read More

sexta-feira, 15 de maio de 2020

A Maravilhosa Fotografia de O Conto da Aia

sexta-feira, maio 15, 2020 0
Escrito por: José Renato
Site: Pllano Geral
Página no Facebook: Pllano Geral

Distribuída pela Hulu, O Conto da Aia (The Handmaid’s Tale) é uma adaptação do livro de mesmo nome escrito por Margaret Atwood. Lançada em 2017, a série chamou atenção de muita gente por uma temática no mínimo complicada de ser assistida.

Além da história, que já é maravilhosa por si só, o conto das aias chamou atenção também por seus belíssimos enquadres, que é considerado hoje uma dos melhores entre as séries. A fotografia, como bem empregada que é, é usada a todo momento como suporte do próprio enredo, tornando-o assim ainda mais carregado de significado. A direção fica a cabo de Colin Watkinson, e dentre os diversos prêmios que a série recebeu, destaca-se aqui o prêmio de melhor fotografia em câmera única (Primetime Emmy Awards 2017), pelo episódio “Offred”, dado ao próprio Colin.

E o que tem essa fotografia de tão especial? Bem, vamos ver.

Começamos é claro pelo que é considerado mais “básico” aos iniciantes de fotografia, o uso do Plongée e do Contra-Plongée. As duas técnicas são perfeitamente empregadas em vários diálogos durante a obra, veja o exemplo:

Aqui em um diálogo entre Serena (Yvonne Strahovsky) e Tia Lydia (Ann Dowd), vemos o uso das técnicas para salientar a noção de poder, ou seja, quem está no controle da situação.

Plongée:


Contra-Plongée:

Aqui temos um outro Contra-Plongée, em que a ideia é demonstrar a redenção de June (Elisabeth Moss), buscando te comunicar que nesse momento ela está se sentindo forte. O sangue é uma mensagem literal do sofrimento derramado até aqui.

Contra-Plongée:


Podem-se usar também o uso da Perspectiva para salientar uma ideia. Veja neste plano, por exemplo, a altura de Serena está sendo utilizada para demonstrar a mesma noção de poder do diálogo anteriormente mencionado.

Perspectiva:

Tanto o Plongée, Contra-Plongée e a Perspectiva, são comumente usados para demonstrar a relação mandante-subordinado.

Ainda sobre enquadramentos de cenas, um muito comum que você verá constantemente é o Primeiríssimo Plano. Esse enquadre é usado principalmente para aproximar o telespectador aos sentimentos da personagem, algo que a série faz com louvor.

Primeiríssimo Plano:

Já neste outro plano, além de te aproximar de June, o enquadramento ainda é usado para estabelecer um diálogo mais direto com o telespectador através do olhar da atriz, há assim uma quebra sutil da quarta parede.

Primeiro Plano:

Vemos que a direção de fotografia também prefere ousar, ao fazer alguns enquadramentos utilizando objetos externos. Dessa forma, além de proporcionar belos e intrigantes planos, a série continua te mandando mensagens.

Neste enquadre por exemplo, podemos ter a noção de união, de conjunto, considerando existir um paralelo nos ideais dos dois personagens em cena:

Noção de união:

Colin também brinca com analogias religiosas das quais a própria série discute, quase como uma metalinguagem. Aqui os planos são usados para demonstrar uma possível noção maniqueísta.

Anjo:

Demônio:

Outra técnica que a série utiliza com primor é o de brincar com a realidade das aias, que estão em grande parte do seriado na condição de prisioneiras. Por algumas vezes verá uma delas quase que literalmente atrás das grades:


Ou até mesmo presas em caixas:

O uso dessas imagens, mesmo que por algumas vezes passem muito rapidamente, servem para que possamos sentir a sensação de isolamento, aprisionamento ou vigilância, estando assim constantemente reforçando a narrativa.

Você deve ter percebido que o tema abordado aqui se resume a enquadramentos de cenas, o que é apenas um dos aspectos estudados em fotografia. O Conto da Aia consegue se destacar também em outros quesitos, como Luz, Foco, e algumas outras Rimas Visuais. Caso tenha gostado, posso abordar tudo isso em um próximo artigo.

Então é isso pessoal, um grande abraço!
Read More

quarta-feira, 13 de maio de 2020

O Silêncio da Cidade Branca

quarta-feira, maio 13, 2020 0
Obras como O Silêncio dos Inocentes e Se7en - Os Sete Crimes Capitais são, sem dúvida, as maiores referências de O Silêncio da Cidade Branca, filme da Netflix que adapta o livro homônimo de Eva García Sáenz. Entretanto, são séries procedurais de crime, como os vários CSI, que vieram à minha mente ao longo da projeção.

Há vinte anos Assassino do Sono cometeu uma série de homicídios cheios de simbolismos, antes de ser identificado e preso. Agora, quando o culpado está prestes à sair da prisão, novos assassinatos com a mesma assinatura são realizados. Cabe ao detetive Unai (Javier Rey), descobrir se se trata de um imitador, ou se um inocente fora preso pelos crimes de duas décadas atrás. Para tal ele conta com a ajuda das detetives Alba (Belén Rueda) e Estíbaliz (Aura Garrido) e do próprio Assassino do Sono original (Alex Brendemühl).

Conversas com um assassino condenado para compreender outro, como em O Silêncio dos Inocentes, crimes cheios de simbolismos bíblicos como em Se7en, as referências são claras. Então porque será que pensei em séries de TV como CSI? Verossímeis ou não, essas séries que existem aos montes na TV, criaram uma versão bastante clara do passos de uma investigação, para uma força tarefa ficcional. A fórmula repetida à exaustão criou um padrão simples, de lógica razoável e nos acostumou com ele.

E aí que O Silêncio da Cidade Branca começa a perder em credibilidade. Os detetives não compartilham informações entre si, não discutem o caso, escolhem suas testemunhas aleatoriamente, ignoram pistas. À certa altura, um deles diz: "não podemos perder tempo revisando casos antigos". Sendo que teoricamente é o mesmo caso, e eles já desperdiçaram tempo e pistas aos montes à esse ponto, e os corpos se empilham. O trabalho desconexo da polícia é proposital, para colocar também os detetives entre os suspeitos. Mas acaba destruindo a suspensão de descrença do público, que não consegue evitar questionar os passos de Unai e companhia.

O caso em si, é realmente intrigante e com simbolismos suficientes para várias interpretações e desfechos. Assassinatos em pares, com vitimas cinco anos mais velhas à cada nova ação. Sempre um casal, deixado em um ponto histórico da Espanha, na mesma posição (ou quase, faltou atenção aqui, hein). Mas a investigação ora foca em alguns elementos dos crimes, ora os ignora completamente, empaca, dá saltos e deduz coisas aleatoriamente. Problema oriundo do roteiro, que aparentemente tenta transpor todos eventos do livro, mas não encontra tempo ou disposição para tanto.

Assim, a investigação divide atenção com muitas histórias, que deveriam influencia-la, mas apenas correm em paralelo sem tempo de serem bem exploradas. O trauma de Unai, seu relacionamento com Alba, o possível envolvimento de um ou outro personagem, a origem de determinado apelido, tudo compete com a trama principal, e muitas dos temas não são finalizados. Enquanto isso,o mistério de assassinato, tenta surpreender, mas se desenvolve de forma irregular e cheia de lacunas.

 A direção não entrega o básico do gênero, sem grandes estrepolias, a não ser por imagens bonitas das belas locações espanholas, e uma ou outra cena de perseguição inusitadas. A posição das câmeras e montagem das cenas, parecem mais preocupadas em exaltar o lugar em que a perseguição ocorre, do que a caçada de fato. O resultado são, perseguições à pé de alvos fora do campo de visão (como o perseguidor sabe pra onde o perseguido foi?), personagens que deviam interceptar outros, mas decidem não prestar atenção às portas, e policiais que sacam a arma indiscriminadamente, em momentos que não fazem sentido.

O elenco não consegue fugir do clichê , nos tipos conhecidos que a produção tenta emular, o veterano desesperançado com a vida, a parceira impulsiva, o condenado provocador, e por aí vai. Alguns funcionam melhor que outros, mas ninguém entrega nada memorável.

Talvez nas páginas O Silêncio da Cidade Branca seja thriller psicológico intrigante e que resolve bem todos os temas e símbolos que propõe. A versão para tela, esbanja potencial, mas se perde na execução. Tão preocupada em despistar e confundir o espectador, o filme confunde a si mesmo, e não entrega tudo que podia ou deveria. Resolver o mistério, responder perguntas, como qualquer série procedural de investigação faz de forma simples semanalmente.

O Silêncio da Cidade Branca (El silencio de la ciudad blanca)
2019 - Espanha - 110min
Suspense, crime





Read More

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Resgate

sexta-feira, maio 08, 2020 0
Os melhores filmes de ação geralmente são aqueles que conseguem equilibrar um "quebra-pau" desenfreado, com uma história coerente e personagens pelos quais somos capazes de torcer. Resgate da Netflix acerta em cheio em um destes quesitos, mas não traz o mesmo brilho nos demais aspectos. Mesmo assim, deve agradar boa parte dos fãs do gênero.

O mercenário Tyler Rake (Chris Hemsworth), aceita uma nova missão: resgatar Ovi (Rudhraksh Jaiswal), filho de um chefão do crime, sequestrado por outro chefão do crime. É claro, o que devia ser mais um trabalho, acaba se tornando a mais arriscada missão de extração.

Sim, você já viu dezenas de produções semelhantes. Apesar de pouco original, o roteiro de Resgate é coerente, e bem definido. Missão, ação, dificuldades, pausas, volta à ação, está tudo lá como manda a fórmula, com reviravoltas e pontos de virada nos momentos certos. O que falta à trama é uma construção de personagens que nos faça temer por suas vidas.

Tyler é o típico cavaleiro solitário, que sofreu uma grande perda, e mergulha de cabeças em missões de auto-destruição. Ovi é um adolescente como outro qualquer. Nenhum dois ganha características fora de seus estereótipos, ou mesmo cenas que gerem empatia do público antes de serem jogados na ação.

O desenvolvimento chega, tradicionalmente nos respiros da ação, através da exploração do relacionamento dos dois. Mas é raso e previsível, com diálogos sonolentos. O pouco do interesse despertado, vem do bom trabalho da dupla e principalmente do carisma de Hemsworth.

Não há grandes destaques entre personagens secundários, embora a participação de David Harbour agrade pelo simples fato de encontrarmos mais um rosto conhecido. Golshifteh Farahani também acerta no pouco tempo de tela que tem, deixando aquela vontade de saber mais sobre sua personagem.

É na ação que a produção se destaca. Estreante na direção de longas-metragem, Sam Hargrave tem uma vasta experiência como dublê, e por isso sua produção brilha neste departamento. A ação bem coreografada, desenfreada e filmada de forma coerente é no mínimo eletrizante. É possível sentir tanto a urgência da situação, quanto o peso de cada soco. Com destaque para uma longa sequencia de perseguição, filmada como um grande plano sequência pelas ruas de Dhaka.

A edição de som, trabalha em prol dessa ação, é ela quem dita o peso dos impactos, da a noção do quão populosas são aquelas ruas, e quanto aparato é empenhado nesta pequena guerra urbana. A trilha sonora complementa este bom trabalho. Já a fotografia é exageradamente amarelada, ampliando a sensação de ambiente hostil. O mundo é quente, abafado e poeirento.

Baseado na grafic novel Ciudad Ande Parks, o roteiro de Joe Russo amarra bem todas pontas soltas até os últimos momentos, quando decide fabricar um final em aberto que possibilitaria uma sequencia. Continuação que já fora confirmada por Russo. 

Particularmente, eu preciso de um pouco mais de produções de ação. Entretanto, para quem procura  apenas por adrenalina, Resgate é uma opção excelente. Não tem uma grande história, mas a ação é excepcional. 

Resgate (Extraction)
2020 - EUA - 116min
Ação

Read More

Post Top Ad