sexta-feira, 17 de agosto de 2018

R- E - S - P - E - C - T! na TV e no cinema

Às vezes é preciso um artista partir para percebemos o tamanho de sua influência em nossas vidas. Aretha Franklin partiu e apenas assim eu percebi o tanto que já curti suas musicas por aí, mesmo não sendo uma ouvinte tão empenhada da cantora. E mesmo que não fosse assim, não há quem não tenha escutado ao menos uma vez a canção Respect de Otis Redding, que a cantora interpretou, tomou para si e a tornou em um hino sobre respeito à mulher, e às minorias.

Não é surpresa, que a canção tenha sido utilizada e apresentada em dezenas de filmes, séries e programas desde que Aretha a gravou em 1967. Apenas no cinema a música apareceu em cerca de trinta canções. É claro, foi provavelmente de uma destas obras que muitos de nós a ouviu a primeira vez. Eu não me recordo da primeira vez em que ouvi Respect, mas consigo citar sem dificuldade uma lista de produções em que ouvi o hino. Eis aqui a minha lista de referencias nas telas para R- E - S - P - E - C - T!

O Diário de Bridget Jones (Bridget Jones's Diary - 2001)
A cena em que Bridget (Renée Zellweger) finalmente se liberta dos encantos de Daniel Cleaver (Hugh Grant), e dá fora muito bem executado no moço é a primeira que vem a mente. E faz todo sentido já que a protagonista finalmente descobriu o respeito próprio, "drop the mic" e "left the building". 

O Homem Bicentenário (Bicentennial Man - 1999)
Lembra que eu falei de hino em defesa das minorias? Pois é, um robô (Robin Williams) em busca de autonomia que encontra outro robô (Kiersten Warren) cheia de atitude, cantando e dançando Respect pelas ruas. Esse é o tipo de conexões que meu cérebro perturbado faz. Seja como for, a canção apresenta muito bem a personagem Galatea e é uma metáfora e tanto para a jornada de Andrew.


Forrest Gump: O Contador de Histórias (Forrest Gump - 1994)
Se Forest (Tom Hanks) faz de um tudo e conhece todo tipo de gente em sua jornada, nem seria difícil encaixar a música como tema do longa. Aqui a canção é usada sutilmente quando o protagonista conhece o Liutenant Dan.


Todo Mundo Odeia o Chris (Todo Mundo Odeia o Chris - ep. Everybody Hates Kwanzaa - 1997)
Para não dizer que não falei de TV, a série queridinha das reprises da geração atual também usou a música. Podemos ouvir a canção quando Golpe Baixo (Jeris Poindexter), ganha um banho de loja de impor respeito para poder visitar a mãe no natal.


A partir daqui a lista traz atores das séries e filmes interpretando a canção. Mas, convenhamos todas estas cenas, e até a escolha dos personagens para cantar as músicas, fazem referência a versão de Aretha.

Querem Acabar Comigo (Are We There Yet? - 2005)
Esse filme ja é considerado um clássico da Sessão da Tarde? Não importa, pois já existe uma geração que foi apresentada à canção por essa garotinha (Aleisha Allen) aí!


Um Maluco no Pedaço (Um Maluco no Pedaço - 1990-1996)
Infelizmente não foi o Will Smith que cantou dessa vez (sério, eu queria ver isso, rs), mas sua prima Ashely (Tatyana Ali). A moça tentava obter respeito da família que ainda a tratava como uma garotinha.


Glee (Glee - 2009)
Seria até um erro se a série musical não tivesse esta canção em seu repertório. Para evitar a possibilidade, logo no piloto da série Mercedes (Amber Riley), interpretou a música durante sua audição para o clube Glee.


Eu a Patroa e as Crianças (My Wife and Kids - 2001-2005)
A série tinha um personagem chamado Franklin (Noah Gray-Cabey), um gênio no piano. Sua irmã se chamava Aretha (Jamia Simone Nash), também um prodígio da música. Preciso dizer mais?


E aqui termina minha lista de referências à este clássico da rainha do soul. Quantos você reconhece, e quais as suas referências favoritas à saudosa Aretha Franklin?


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quarta-feira, 15 de agosto de 2018

A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata

Inicialmente A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata chama atenção por seu inusitado título. Mas esta produção baseada em um livro com o mesmo nome inusitado, é uma das poucas agradáveis surpresas entre os filmes com a etiqueta "Original Netflix".

Juliet Ashton (Lily James) é uma escritora na Londres pós-guerra, em 1946. Desestimulada com a repetitiva turnê de seu último livro, sua curiosidade é aguçada quando recebe uma carta de Dawsey Adams (Michiel Huisman), um fazendeiro da ilha de Guernsey. Interessada por seu clube do livro e da torta de casca de batata, a moça viaja até a ilha com o intuito de escrever sobre eles, e acaba se envolvendo com os membros no processo.

Guernsey, e as demais ilhas do Canal da Mancha, foram a única parte das Ilhas Britânicas ocupadas pelos Nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Enquanto o mundo todo começa curar as cicatrizes do conflito, os membros da sociedade ainda lidam com as feridas abertas, e segredos que guardam até de si mesmos. É claro, ainda há tempo para o romance e a construção de uma relação de família e pertencimento. Entretanto são as memórias da guerra, e as forma com que as pessoas lidam com ela o ponto mais interessante desta história.


Histórias essas, que aqui são relatadas pelos personagens e apresentadas em flashbacks, em ordem não cronológica. Deixando para Juliet, e para nós, a tarefa de juntas todas as peças. O formato, faz alusão ao formato do livro, composto por cartas trocadas pelos personagens, e funciona para criar uma empatia crescente, mesmo com o mais avesso dos personagens.

A falha fica por conta da apresentação de algumas motivações dos protagonistas. O roteiro não explica muito bem, a falta de confiança de Juliet em seu trabalho. Muito menos deia clara as motivações de Dawsey ao escrever para a moça. Respostas que provavelmente existem no material original.

A direção de Mike Newell (Harry Potter e o Cálice de Fogo), cria uma atmosfera triste e melancólica, porém com uma doce e com esperança no futuro. O diretor abraça as paisagens da ilha, e a competente reconstrução de época, e com isso acerta em construir a sensação de imersão naquele cotidiano tão diferente do nosso. Enquanto o elenco de bons atores entrega uma preformances que atendem as necessidades de seus personagens. Também estão em cena Jessica Brown Findlay, Katherine Parkinson, Penelope Wilton, Matthew Goode e Glen Powell.

Poético e bem construído, a versão para as telas de A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata, de Mary Ann Shaffer e Annie Barrows, não "não reinventa a roda", mas cumpre o que promete. Como bônus, seu fundo histórico real, a ilha realmente foi ocupada, nos lembra que ainda existem muitas histórias deste período nada galante da humanidade, que precisam ser contadas de uma forma ou de outra.

A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata (The Guernsey Literary and Potato Peel Pie Society)
Reino Unido, EUA - 2018 - 124min
Drama, Romance, Histórico


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segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Mentes Sombrias

Uma das coisas que sempre devemos lembrar sobre adaptações de livros para o cinema, é que estas versões devem funcionar independentes do material original. O que não significa que a versão para as telas não possa atiçar a curiosidade do leitor para descobrir um pouco mais sobre esta história. Mentes Sombrias, baseado no primeiro livro da trilogia de Alexandra Bracken, acerta nesta característica, traz uma aventura compreensível para os não iniciados, e que gera interesse pelos livros.

Nesta distopia juvenil, uma misteriosa epidemia mata quase todas as crianças e adolescentes. Os sobreviventes desenvolvem habilidades especiais, e estes "super-poderes" os fazem ser vistos como uma ameaça pelas autoridades, que os confinam em campos de custódia e os classifica de acordo com a periculosidade de seus poderes. Ruby (Amandla Stenberg de Jogos Vorazes, Tudo e Todas as Coisas), pertence à classe mais perigosa, mas consegue esconder sua verdadeira classificação por anos. Quando é desmascarada, a adolescente precisa fugir para sobreviver.

Os poderes das crianças, se assemelham às habilidades dos X-Men. O sistema de classes e segregação por habilidades lembra a franquia Divergente. Enquanto o caos cultural, político e econômico causado pela ausência das crianças  na sociedade remete ao cenário visto em Filhos da Esperança. Mentes Sombrias bebe e muito de conceitos muitas vezes vistos e revistos na cultura pop. A falta de curiosidade, no entanto, é compensada pela combinação destas referências na construção desta nova aventura. Uma pena que o longa não tenha tempo para discutir mais afundo os questionamentos, que estas características levantam. É aqui que começamos a ter vontade de conhecer o livro.

Quem também tem pouco tempo para a construção são os personagens que Ruby encontra pelo caminho. Desde o grupo com quem constrói uma relação, até os antagonistas. Entre os amigos estão o líder/par perfeito Liam (Harris Dickinson), a adorável e pequena, logo dependente Zu (Miya Cech) e o inteligente Charles/Bolota (Skylan Brooks), formam grupo carismático, porém estereotipados. O mesmo vale para os personagens vividos por Gwendoline Christie, Mandy Moore e Patrick Gibson, cada um seguindo o esperado mesmo em momentos de ambiguidades e reviravoltas.

O foco está mesmo é em Ruby. A protagonista é a única que ganha um arco bem trabalhado. A pouca entrega com relação aos demais personagens, deve funcionar para aqueles que conhecem o material, ou que acreditam que estes podem ser melhor trabalhados em possíveis sequências. Assim, como demais detalhes sobre este mundo, já que neste filme tudo que descobrimos é que este entrou em colapso, e parece abandonado, desesperançado e vazio.

O elenco é competente dentro do que seus personagens lhes permite. O mesmo vale para os efeitos especiais, que não inovam, mas atentem às necessidades dos poderes das crianças. Apesar da pouca construção de personagens, o roteiro escrito pela própria autora em parceria com Chad Hodge, consegue passar o tom de urgência e perigo que as crianças passam, sem deixar de tratá-los como os jovens que são. Enquanto a direção da estreante em live-actions Jennifer Yuh Nelson (Kung Fu Panda 2 e 3) entrega o básico, e até consegue encontrar momentos para enfatizar de forma sutil aqueles temas e críticas que o roteiro aponta.

Mentes Sombrias traz elementos e características já vistos em franquias populares atuais, e consegue fazer uma abordagem própria das possibilidades que estes oferecem, faltando apenas o tempo para explorá-las. A familiaridade deve agradar quem já gosta do gênero, e as referências e temas em comum podem apresentar outras obras para quem está chegando agora.

Não é original, mas funciona, diverte e mantém o público interessado, não apenas nesta trama, mas por uma possível continuação. Com o bônus de talvez angariar alguns leitores para os livros de Bracken.

Mentes Sombrias (The Darkest Minds)
EUA - 2018 - 104min
Ficção-cientifica, Ação

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quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Tal Pai, Tal Filha

Uma comédia romântica, sem a parte do romance. É esta a sensação que Tal Pai, Tal Filha, longa da Netflix, deixa ao final da sessão. Não que isso seja um ponto negativo da produção.

Rachel (Kristen Bell) é viciada em trabalho, não larga o celular nem às vésperas do casamento. É por isso que Owen (Jon Foster) abandona a moça no altar. Para completar o dia ruim, seu pai, Harry (Kelsey Grammer), que a abandonou quando tinha apenas 5 anos, resolve aparecer de penetra na cerimônia. Muitos drinks mais tarde, a moça acorda no cruzeiro ao Caribe, que seria sua viagem de lua de mel, acompanhada do pai.´

É aqui que a premissa lembra e muito uma comédia romântica, ao forçar a convivência de duas pessoas que não se gostam. Com a diferença de que aqui a relação a ser construída é de pai e filha. Inclua aí, coadjuvantes e situações que vão acelerar o confronto. No caso, os demais "casais" que dividem mesa com a dupla e os "divertidos" eventos de cruzeiro.

Entre mergulhos, shows, trilhas, noitadas e fartas refeições, Rachek e Harry vão bater de frente, conhecer um ao outro, se acertar, brigar mais uma vez antes do final feliz de fato. Tudo como manda o figurino do gênero, com uma reviravolta previsível no fim e o potencial pessoal crescimento dos protagonistas. Ele se arrepende de seus erros, ela percebe que precisa rever suas prioridades. E não fique chateado por esta última linha, pois não é de verdade um spoiler. O arco dos personagens, e o caminho que a trama escolhe são velhos conhecidos. Você sabe para onde a história vai, e é nessa familiaridade que o roteiro aposta para manter o expectador.

Mas sim, há uma novidade curiosa nesta produção escrita e dirigida por Lauren Miller Rogen (sim, esposa do Seth, o comediante faz uma ponta no filme), a total e completa necessidade de buscar um par romântico para seus protagonistas. Rachel é deixada no altar nos primeiros minutos do filme, e até embarca em relacionamentos surpreendentemente descartáveis, mas não está a procura de um novo amor, e nem precisa. Seu caminho para se sentir completa é com sigo mesma.

Kristen Bell e Kelsey Grammer, funcionam bem juntos e oferecem o carisma necessário a seus personagens, mas não entregam nada realmente surpreendente ou profundo. Mesmo porquê até nos poucos momentos em que o roteiro decide falar sério sobre o histórico de abandono, ele nunca o faz de forma muito pesada ou deprimente. Quem também entrega o que precisa é o elenco de coadjuvantes, que entrega uma galeria de tipos previsivelmente e propositalmente adoráveis, o casal gay, o da terceira idade, e o de segunda viagem.

Diante das muitas derrapadas da Netflix, na tentativa de aumentar seu catálogo às pressas, Tal Pai, Tal Filha não chega a ser um dos fracassos da empresa de streaming. Não traz nada de novo ou memorável, e acredito que nunca teve esta pretensão. É uma "dramédia romântica", simples. Entrega o "feijão-com arroz" que promete, e eventualmente até consegue divertir com o básico.

Tal Pai, Tal Filha (Like Father)
EUA - 2018 - 98min
Comédia dramática


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segunda-feira, 6 de agosto de 2018

TAU

Não é preciso ser cientista para perceber que os métodos de pesquisa utilizado por Alex (Ed Skrein), não são as escolhas mais eficientes. Muito menos, ser programador para perceber certa confusão quanto as habilidades da inteligência artificial TAU (voz de Gary Oldman). Também, não demoramos para notar que a vítima Julia (Maika Monroe), é tratada pelo roteiro como mais inteligente do que realmente é. A falta de complexidade e plausibilidade são características difíceis de ignorar em TAU, da Netflix.

Júlia é sequestrada e mantida em cativeiro como cobaia de um misterioso experimento cientifico. Seu sequestrador o cientista absurdamente rico Alex, a mantém sobre os cuidados de TAU, uma inteligencia artificial super-avançada. A moça precisa interagir com a máquina para tentar fugir antes que o experimento chegue ao fim.

Achou a sinopse simples? É por que este é o nível de complexidade das personagens que povoam a produção. Alex é controlador, estranho e psicótico, e apenas isso. Júlia é uma stripper/ladra supostamente cheia de recursos e lábia suficiente para enganar uma máquina, mesmo que soe como uma adolescente durante suas conversas. Enquanto TAU é uma inteligência artificial controlada por seu dono que aparentemente a criou apenas para que a máquina execute tarefas por ele programadas. - Oras porque não criar um super-computador comum então? - Esta é toda informação que temos sobre os três personagens com que passamos praticamente toda a projeção. Nem ao menos de que se trata o projeto de Alex, ou mesmo como são os testes a que ele submete a moça. É sobre criar uma inteligência artificial ainda mais eficiente, o personagem resume.

É claro, algo tem que mudar para a história evoluir. Logo, quando sua cobaia o questiona sobre o funcionamento de seus computador carcereiro, este não exita em explicar tudo nos mínimos detalhes. Oferecendo à moça toda a munição que ela precisa para lidar com a máquina. Embora interagir com o robô não pareça difícil em momento algum. TAU por sua vez, nunca soa como uma inteligência artificial de fato, mas como uma inteligência em construção. Como uma criança que aprende com a interação, e tem seu cotidiano expandido e abalado quando uma nova referência entra em cena.

A premissa desta ficção-cientifica, que aborda a relação entre humanos e máquinas com "consicência" não é ruim. E já foi bem desenvolvida anteriormente em obras como Ex_Machina - Instinto Artificial, e Westworld. Mas ao invés de desenvolver a discussão ao longo do filme, o roteiro prefere espalhar estes conceitos aqui e ali, quando, e se, eles forem úteis para levar o longa o final desejado. Este inclui sequencias de fuga, correria, luta e explosões.

O design de produção é eficiente ao criar um visual próprio e cheio de estilo para o filme. Apesar de alguns momentos as escolhas soem muito mais estéticas do que úteis para a narrativa, como o estranho formato das celas, ou mesmo o uso de um esquema de cores vermelha para acalmar um personagem. O CGI também não é dos mais inovadores, especialmente para criar o robô assassino Ares, mas funciona.

A presença de Gary Oldman no elenco surpreende, mais pela escalação do que pela atuação em si. Vale lembrar, o mais recente ganhador do Oscar (O Destino de uma Nação), oferece apenas sua voz para o longa. Maika Monroe até se esforça, mas não tem muito o que fazer com sua rasa personagem, enquanto Ed Skrein, apenas cumpre o trabalho. O diretor estreante Federico d’Alessandro, é conhecido por seu trabalho com storyboards. Talvez por isso, sua preocupação tenha se voltado apenas para a questão visual, que é até interessante, mas precisa de uma história que a justifique.

TAU é mais uma das muitas tentativas da Netflix de aumentar seu catálogo de filmes às pressas. E como a grande maioria destes produtos criados à toque de caixa pela empresa de streaming, até tem uma premissa curiosa, mas sofre com a falta de um desenvolvimento mais trabalhado. Não é preciso ser especialista em cinema para afirmar que já está na hora da Netflix perceber que quantidade e qualidade muitas vezes não andam juntas.

TAU
EUA - 2018 - 97min
Ficção científica, Suspense


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quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Orange is the New Black - 6ª temporada

Faria todo sentido se esta fosse a última temporada de Orange is the New Black. Apesar de não serem definitivos, os desfechos apresentados são bastante satisfatórios de acordo com os arcos dos personagens. Mas estou me adiantando, além disso o sexto ano trouxe o frescor que a série precisava, sem deixar de lado discussões pertinentes sobre a sociedade atual, que tem como hábito abordar.

É hora de lidar com as consequências da rebelião deflagrada na temporada anterior após a morte de uma Poussey (Samira Wiley). A transferência para o presídio de segurança máxima de Litchfield, a investigação sobre a morte de Piscatella (Brad William Henke), e as responsáveis pelo motim ocupam boa parte da temporada. Há também tempo para mostrar a adaptação ao novo "lar" e a nova realidade a que as personagens são submetidas. Se antes, as detentas se dividiam de acordo com etnia, agora são dispostas aleatoriamente em três blocos. Dois deles, com uma rixa mortal estabelecida há trinta anos.

É nessa mudança de relações que a série oferece a novidade que precisava ao unir personagens, que pouco interagiam na dinâmica anterior- quem nunca quis ver Frieda e Suzane juntas? - Além disso, como mostrado no season-finale do ano anterior, as revoltosas foram separadas. Salvo por algumas aparições relâmpago, apenas metade do elenco está presente em cena. Aqui o roteiro toma a corajosa decisão de eliminar o excesso de personagens, deixando apenas aquelas cujo arco vale a pena explorar, e consequentemente abrindo espaço para os novos rostos, que ajudam a desafiar as "garotas da mínima".

Assim, Suzanne (Uzo Aduba, sempre competente), nos dá as boas vindas ao novo presídio em um excelente episódio de estreia que aponta que aqui tudo vai ser diferente. A não ser é claro por Piper (Taylor Schilling, faz o melhor com a personagem menos interessante do "rolê"). Longe de ser a protagonista da proposta inicial - e que bom que a série assumiu isso há tempos - a moça branca de classe média alta, continua obcecada por Alex Vause (Laura Prepon), e por tentar levar uma vida melhor na prisão. Sua repetitiva insistência no entanto, rende um dos melhores diálogos da temporada, quando Taystee (Danielle Brooks, competentemente versátil) finalmente explica para a moça o porquê de todos implicarem com ela na prisão. Uma explicação, simples eficiente e honesta sobre privilégios e preconceito.

E por falar em Taystee, se tem alguém que mereceria o título de protagonista da temporada é ela. Escolhida como "bode expiatório" da rebelião, e consequentemente transformada em ícone do movimento Black Lives Matter, seu desenvolvimento é de longe o mais complexo da temporada. Ainda em luto por sua melhor amiga, a moça transita entre desesperança, determinação, medo, luta, entre outros estados psicológicos antes de encarar um dos desfechos mais cruéis, já visto na série. Atrelado à sua jornada estão também os arcos de Joe Caputo (Nick Sandow) e Cindy (Adrienne C. Moore). O ex diretor da mínima, já havia mostrado que conhecia e se importava com suas detentas, agora ele realmente tenta fazer algo por ao menos uma delas. Enquanto Black Cindy tem que lidar com o fato de que colocou a amiga em maus lençóis.

Em maus lenções também está Frieda (Dale Soules), que há trinta anos foi transferida da máxima para a mínima deixando para trás inimigas que agora tem a oportunidade de se vingar dela. Carol (Henny Russell) e Barb (Mackenzie Phillips), são as líderes das gangues responsáveis pela atual ordem, e pelos rostos novos em cena, assim como suas seguidoras Badson (Amanda Fuller, irritante) e Daddy (Vicci Martinez). Contudo, apesar do tempo em cena, e até arcos bem construídos, não conseguem criar a mesma empatia das personagens antigas. Vale prestar atenção, na forma coerente e cíclica que o roteiro inicia e encerra a tal disputa entre blocos.

De volta às veteranas, Nicky (Natasha Lyonne) e Red (Kate Mulgrew), parecem trocar de papéis. A ex-viciada tentando a todo custo proteger sua antiga família, enquanto a "ex-mãe da cadeia", se vê obcecada com aqueles que a traíram. Vale observar que mesmo a caracterização de Red aponta sua perda de rumo, com os cabelos cortados por Piscatela anteriormente, a figura da Russa nunca se assemelha a imagem forte de cabelos vermelhos a que fomos apresentados na primeira temporada do programa. 

Fora de si também estão Gloria (Selenis Leyva) e Ruiz (Jessica Pimentel), que intensificam suas rixas. Dayanara (Dascha Polanco), sem esperança com sua nova sentença perpétua. Além dos guardas, novos e antigos que se distraem no horário de serviço com um jogo cruel. Traços de estresse pós-traumático entre aqueles que foram reféns na rebelião são apontados, mas pouco explorados.

Quem também tem arcos pouco explorados, mas marcam presença satisfatória são, Lorna (Yael Stone), Flaca (Jackie Cruz), Burset (Laverne Cox) e Aleida (Elizabeth Rodriguez). Enquanto Doggett (Taryn Manning) e Suzanne, sempre excelentes poderiam ter mais espaço. Blanca (Laura Gómez), ganha uma voz que nunca tivera, e recebe uma das melhores discussões ainda por vir.

E por falar nas discussões, as deficiências do sistema, irresponsabilidade, abuso de poder, impunidade, entre outras mazelas humanas e sociais, continuam em foco. A surpresa aqui fica por conta da inclusão o centro de detenção ao imigrante, ao final da temporada. A série foi gravada antes, discussão de como os EUA estão lidando com os imigrantes ilegais se intensificar. Há também a discussão sobre a vida pós prisão, através de Aleida, e mais tarde Pipper. - Pausa para um pequeno spoiler - a loira finalmente é libertada no season finalle, e precisa descobrir o que fazer com a vida a partir daí. Para a surpresa de muitos que, assim como esta blogueira vos escreve, apostavam na saída da personagem como marco de encerramento da série.

Orange is the New Black parece ter um plano bem definido para contar sua história. A série conseguiu encontrar fôlego novo nesta temporada, e ajustar os rumos para um possível desfecho bem resolvido no próximo ano. Sem abandonar sua fórmula, na qual desenvolve bem seus muitos personagens, com flashbacks e alternando momentos tensos e de humor, sem tirar o peso dos assuntos que resolveu discutir. Fique atento à escolha de elenco, que é sempre impecável na hora de selecionar as versões mais jovens das personagens. 

O sexto ano tem um desfecho que funcionaria muito bem como final da série, mas acredito que passar mais algum tempo em Litchfield, não vai nos fazer mal algum. E diferente de suas moradoras, para nós pode ser uma experiencia realmente instrutiva e agradável.

Orange is the New Black já tem o sétimo ano confirmado. As seis primeiras temporadas tem 13 episódios cada, e todos já estão disponíveis na Netflix.

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segunda-feira, 30 de julho de 2018

Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo

O musical Mamma Mia, fornece um curioso sentido para as peculiares músicas do ABBA. Conectando as historinhas independentes de cada canção a uma história maior, como se tivessem sido compostas com tal fim. Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo não tem esta fluidez tão acertada entre a trama e as trilha sonora, mas não deve decepcionar  quem é fã do original, ou mesmo da banda.

Sophie (Amanda Seyfried), está na mesma situação em que a mãe se encontrava em sua idade, grávida e prestes a reinaugurar a pousada de Donna. O evento promove a reunião do elenco original, ao mesmo tempo que reacende memórias da juventude de Donna (Lily James) e companhia.

Assim acompanhamos simultaneamente as dificuldades de Sophie para honrar os feitos da mãe, e a jornada que levou Donna a se tornar mãe solteira de uma filha com três supostos pais que conhecemos no longa anterior. O elenco original lida com problemas de agenda e desencontros, enquanto as versões jovens dos personagens, apresentam uma história já bem contada no longa anterior. O resultado, é que nenhuma das duas histórias é realmente bem desenvolvida. Em certo momento o roteiro chega até a esquecer a versão jovem de Harry (Hugh Skinner) literalmente no meio do caminho. Entretanto, se você buscava complexidade neste filme, provavelmente não estava prestando muita atenção, pois o objetivo desta sequencia nunca foi este.

Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo tem como principal objetivo promover um reencontro com os personagens que adoramos no primeiro filme, tocar canções da banda que ficaram de fora no original - quem sentiu falta de Fernando? - e de quebra apresentar novas versões para aquelas que já ouvimos. E neste sentido, o longa entrega o que promete. Os números musicais, estão maiores e mais elaborados. Enquanto os personagens continuam se beneficiando do carisma de seu elenco de astros, claramente se divertindo.

A divertida dinâmica entre Harry (Colin Firth, desengonçadamente livre), Sam (Pierce Brosnan) e Bill (Stellan Skarsgard), a dupla imbatível formada por Rosie (Julie Walters) e Tanya (Christine Baranski), e até o agora marido Sky (Dominic Cooper) vem matar as saudades. E a esta altura, você deve estar se perguntando - mas e a Meryl Streep? A versão original de Donna, não tem tanto tempo de tela quanto o esperado, mas seu espírito é uma presença constante na linha temporal do presente. 

Já na parte da história que se passa nos anos de 1970, James cumpre surpreendentemente bem a complicada tarefa de personificar uma versão jovem de um personagem de Streep. A Jovem Donna, tem a mesma vivacidade, amor pela vida e loucura original, com o bônus da impetuosidade da juventude até alguns trejeitos de sua versão veterana. O mesmo esforço é visto no restante do elenco jovem. Jessica Keenan Wynn e Alexa Davies (versões jovens de Tanya e Rosie, respectivamente), conseguem manter a dinâmica de amizade bem humorada da dupla original. Entre os jovens pais, os destaques ficam com a semelhança entre Josh Dylan (Bill) e Skarsgard. E para o esforço de Hugh Skinner (Harry) em soar como Colin Firth, mesmo cantando). Jeremy Irvine não pode fazer muito com o jovem Sam, o menos divertido dos pais por sua natureza de "par perfeito".


As participações de Cher e Andy Garcia existe apenas para deleite dos fãs. Uma pena, que sua presença traga a marcação de datas para a trama. Com datas definidas, é impossível evitar que o espectador perceba que as datas e idades dos personagens não batem. Detalhe que seria camuflado pelo tom lúdico e fantasioso da produção, se o roteiro não tivesse apontado para eles.

Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo celebra os dez anos, do primeiro longa promovendo uma grande festa entre personagens e elenco. A trama não é das mais elaboradas, é apenas um pretexto para levar todos de volta para a ilha Kalokairi, para cantar e dançar sem motivo aparente. Se a trama e canções não são tão bem costuradas quanto a do primeiro longa, ao menos o espirito é praticamente o mesmo, talvez um pouco mais nostálgico apenas.

Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo (Mamma Mia! Here We Go Again)
EUA - 2008 - 114min
Musical


Leia aqui a crítica do primeiro Mamma Mia, direto dos primórdios do blog!
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sexta-feira, 27 de julho de 2018

Morando em Marte segundo o cinema

Encontraram água em estado líquido em Marte! (leia a notícia) Escondida no subsolo da calota polar sul, e provavelmente salgada a ponto de ser dificultar a existência de vida, mas . Difícil, mas não impossível.  Enquanto confirmações cientificas não acontecem, a esperança alimenta a criatividade, e continuamos a imaginar o que faríamos se pudéssemos visitar o planeta vermelho.

Fontes de inspiração para tal não faltam, em filmes, séries, literatura e até música. Para entrar no clima, confira agora uma lita de filmes para inspirar, ou desencorajar, sua "mudança" para Marte.

O Vingador do Futuro


Atenção, não confundir com o remake de 2012 estrelado por Colin Farrell. A dica aqui é para assistir ao longa original onde Arnold Schwarzenegger é o operário Douglas Quaid que sofre com pesadelos em Marte, na companhia de uma mulher desconhecida. Ignorando os conselhos de seu amigo e até sua esposa (Sharon Stone), ele resolve fazer algo em relação aos estranhos sonhos. E compra um pacote de memórias, que o farão acreditar que já fez turismo no planeta vermelho e quem sabe diminuir sua obsessão. É claro, algo da errado!

Uma colônia em Marte, mutações, vilão tentando dominar o mundo, discussões sobre o conceito de sonho e realidade. Tudo isso antes da onda do "politicamente correto" chegar, e com o estilo peculiar do diretor Paul Verhoeven. Tecnologicamente, é a visão de futuro de quem viva no final da década de 1980. E os efeitos práticos são a grande maioria, não são perfeitos como o CGI dos dias de hoje, mas tem uma textura e realismo que lhes oferecem o um charme que o computador não é capaz de emular. Ficção-cientifica das boas, que reflete seu tempo e ainda funciona muito bem nos dias de hoje.
(Total Recall - 1990)

Leia minha crítica de O Vingador do Futuro, no blog parceiro DVD, Sofá e Pipoca

Perdido em Marte


Uma tormenta interrompe uma missão da Nasa em Marte, um dos membros da equipe é dado como morto, enquanto o restante da tripulação é forçada a deixar o planeta às pressas. Horas mais tarde Mark Watney (Matt Damon), acorda sozinho, ferido, com provisões limitadas e sem meios de se comunicar com o resto da humanidade. Watney precisa descobrir uma forma de sobreviver em um planeta inóspito até a chegada da próxima missão. Enquanto o pessoal da terra, eventualmente vai descobrir a falha e tentar solucionar a situação.

E apesar da situação complicada do protagonista, o filme é curiosamente otimista. Watney nunca desiste, assim como seus colegas, e mesmo quando estes fazem escolhas das quais discordamos, estas são compreensíveis dentro da função de cada um deles. O vilão é Marte e sua vastidão inóspita. Dirigido por Ridley Scott, a produção acerta tanto nos temas quanto nos efeitos especiais.
(The Martian - 2015)

Leia a crítica de Perdido em Marte

O Espaço Entre Nós


É o representante voltado para o público juvenil desta lista. Uma astronauta embarca para uma missão à Marte sem saber que estava grávida. Gardner (Asa Butterfield) nasce no planeta vermelho e como não suportaria a viagem de volta é criado em segredo por lá. Quando chega a adolescência o primeiro cidadão genuinamente marciano deseja conhecer a Terra e, claro, encontrar com a garota com quem se corresponde via internet, a adolescente problema Tulsa (Britt Robertson). Mas sua biologia não conseguiria sobreviver em nosso planeta.

Parece, mas O Espaço Entre Nós não é baseado em uma obra literária. Mas a aventura tem todos as características do sub-gênero, que costuma apontar discussões interessantes, mas nas telas só tem tempo para desenvolver de verdade o romance adolescente. Não chega a ser ruim, mas o potencial não atingido por decepcionar. A surpresa fica por conta da presença de Gary Oldman e Carla Gurgino, nesta aventura despretensiosa.
(The Space Between Us - 2017)

Esta lista para por aqui. Mas não se engane, existem muitos, muitos filmes com Marte entre os cenários. Este texto, no entanto, é focado nos títulos que falam sobre morar em nosso vizinho vermelho. Quem sabe quando os cientistas encontrarem vida naquela água, eu não faça uma lista sobre os marcianos da ficção!

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