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segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

The Crown - 3ª temporada

segunda-feira, janeiro 20, 2020 0
A terceira temporada de The Crown tem um desafio curioso, estabelecer um elenco completamente novo, ao mesmo tempo que avança a história dos personagens apresentados por Clair Foy e companhia nos anos anteriores. Em outras palavras, precisa fazer você acreditar que se tratam da mesma pessoa, sem abandonar o ritmo da história.

Passado por volta da década de 1970, quando a rainha está prestes a comemorar 25 anos no trono, o Jubileu de Prata. Uma monarca já estabelecida e confortável no poder, tem agora como desafios as mudanças do Século XX, que questionam os paradigmas e tradições da coroa.

Nenhuma, no entanto, tão impactante quando os dilemas das temporadas anteriores. Isto porque o terceiro ano soa como uma grande preparação, para as verdadeiras mudanças que estão por vir. Ao mesmo tempo que os episódios mostram uma Elizabeth (Olivia Colman) ciente de sua posição, e de certa forma acomodada nela, também dão indícios dos desafios futuros. Desde desafios políticos, passando pela função da família real na sociedade, até os romances do Príncipe Charles (Josh O'Connor).

O resultado é uma temporada desequilibrada, conforme alterna o foco entre personagens, temas e passgens históricas em cada episódio. Assim temos o bom Aberfan (episódio 3), que trata do desabamento de uma mineradora na cidade título, que funciona isoladamente. O sonolento Coup (episódio 5), que mostra a monarca aprendendo sobre cavalos enquanto personagens menos carismáticos criam problemas. E os excelentes Dangling Man e Imbroglio (episódios 8 e 9), que fazem um paralelo entre a vida amorosa de Charles e de seu tio-avô o Duque de Windsor (aquele que renunciou ao trono para se casar).

O formato episódico é comum à série, mas aqui os capítulos, pouco se complementam, ainda que façam parte da mesma evolução de personagens. Isso quando os personagens evoluem, já que Príncipe Philip (Tobias Menzies), e a Princesa Margareth (Helena Bonham Carter) parecem estar fadados a protagonizar a mesma história. Ele lamentando o que perdera por viver a sombra da esposa, ela entrando em conflito por sua personalidade expansiva. A irmã da rainha ao menos ganha um novo dilema, seus problemas matrimoniais. Embora o episódio dedicado a isso, o último da temporada, soe deslocado e um desfecho antimoniático para o terceiro ano.

Entre os episódios que melhor funcionam, estão aqueles dedicados à Charles. O principe herdeiro, apresentado como uma criança frágil no ano anterior, agora é um jovem cheio de vontades e de personalidade curiosa. Josh O'Connor faz um excelente trabalho ao criar ao dar voz ao príncipe, sem desviar do imaginário popular em torno de sua figura.

E por falar no elenco, a complicada transição é bastante eficiente. Não é difícil acostumar e associar novos rostos aos conhecidos personagens. Colman traz uma Elizabeth ainda mais contida, pela maturidade. Enquanto Menzies traz um Philip ainda cheio de vontades, mas já acostumado a seguir (e eventualmente desviar) os protocolos. Helena Bonham Carter mantém a força e brilho criados por sua antecessora para Margareth, acrescentando um certo cansaço e fragilidade em alguns momentos.

A direção de arte e figurino e maquiagem transportam toda a família para a década de 1970 com eficiência, mantendo suas principais características, como o contraponto entre a sobriedade da rainha e o glamour de sua irmã caçula. É um momento de menos brilho e exagero, porém esteticamente marcante, basta reparar no visual da princesa Anne (Erin Doherty). E que também começa se aproximar das figuras que conhecemos hoje.

Nas primeiras temporadas Elizabeth precisava aprender a governar, e se provar no cargo. Agora a monarca está segura de suas funções e até um tanto acomodada, enquanto o terceiro ano prepara e inicia desafios futuros. É a calmaria antes da tempestade. Este período de transição continua evidenciando a família real como "gente como a gente", mas os problemas menores os tornam menos admirareis, que não compreendem os privilégios que tem.

O resultado é uma temporada menos carismática, e mais desequilibrada, ainda bem produzida e atuada. Ao menos as peças estão em jogo para um mais intrigante, e já em produção, quarto ano. Que venham Diana e Tacher, para espantar este marasmo!

The Crown tem três temporadas, com 10 episódios cada, todos disponíveis na Netflix. Leia as críticas do primeiro e segundo anos da série.

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quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

História de um Casamento

quinta-feira, janeiro 16, 2020 0
Talvez o título mais apropriado para esta produção seja a História de um "Fim de" Casamento. Um momento tão recheado de sentimentos exacerbados, intensos e complexos quanto o início de uma relação.

Nicole (Scarlett Johansson) e Charlie (Adam Driver) decidem se divorciar. A intenção é seguir de forma amigável e simples, mas não demora muito para advogados se envolverem no processo e levar um relacionamento já desgastado ao extremo, em uma disputa que nenhum dos dois queria se envolver, mas da qual não conseguem sair.

Não há vilões no honesto olhar de Noah Baumbach para o divórcio. Ambas as partes tem falhas e acertos que influenciaram o desenvolvimento da relação. Da mesma forma, a separação não significa necessariamente a ausência de afeto, mas a mudança na forma de amar que não funciona mais para o casal. É também o amor que complica tudo, já que a disputa é pelo bem estar e convivência com o filho.

É na capacidade de observar e compreender os dois lados da disputa que se encontra o grande acerto de História de um Casamento. Ela se sente diminuída e sem voz. Ele não percebe o que não lhe desperta interesse, e é pego de surpresa pelo desgaste. Os dois tem dificuldades de conversar sobre o relacionamento, querem o melhor para o filho Henry (Azhy Robertson). E mesmo no ápice da briga não desejam realmente o mal para o ex.

São pessoas reais, com falhas reais, e motivações facilmente compreensíveis. São as excelentes atuações de Johansson e Driver que transmitem essa verdade para seus personagens, com destaque para ele, que transita entre a apatia, raiva, medo e desespero com fluidez e intensidade contantes. Mesmo o espaço dedicado a eles pelo roteiro é bastante equilibrado, oferecendo tempo para compreendermos cada um dos lados. Ela enfrentando o desgaste do relacionamento, e sua "libertação" na primeira metade do longa. Ele, encarando o stress e o medo da perda do filho na parte final.

Se a produção não tenta compreender, e não julgar, as duas partes de um casamento desfeito. É no processo burocrático do fim que se encontram as críticas à sociedade. Estas vão desde a parte comercial do divórcio, que estendem e complicam a separação, por causa de dinheiros e egos inflados dos advogados. Até a forma como a sociedade e o processo judiciário enxerga homens e mulheres. A responsabilidade pela criança deveria ser a mesma, mas pais e mães tem pesos e cobranças diferentes na relação com as crianças. Crítica muito bem enfatizada pelo monólogo da advogada Nora Fanshaw, interpretado com maestria por Laura Dern.

Há também um momento para apontar que toda disputa de guarda, em algum momento acaba se transformando em uma competição. Os pais quer ganhar por amor aos filhos, mas sempre os prejudicam de alguma forma no processo. Sem, no entanto, transformar os pais em vilões. Apenas pessoas em um momento pouco sensato da vida.

Apostando em planos longos, e diálogos realistas, História de um Casamento é um retrato honesto e dada maniqueísta de um relacionamento na sociedade contemporânea. Onde não há partes mal intencionadas, ou vilões tentando afastar pais e filhos. Apenas pessoas comuns, com suas falhas e limitações, guiadas por sentimentos confusos. É melancólico e verdadeiro.

História de um Casamento (Marriage Story)
2019 - EUA - 137
Drama
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terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Jumanji: Próxima Fase

terça-feira, janeiro 14, 2020 0
Foi um adorável surpresa quando Jumanji: Bem-Vindo à Selva chegou em 2017, atualizando de forma eficiente, divertida e respeitosa a produção estrelada por Robin Williams em 1995. Não tão surpreendente, foi a chegada de uma obrigatória sequencia. Jumanji: Próxima Fase traz de volta o elenco encabeçado por Dwayne Johnson, e mais uma vez atualiza e expande o jogo título.

Saudoso da sensação de ser um forte protagonista, Spencer (Alex Wolff) decide consertar o video-game de Jumanji e se perde lá dentro. Seus parceiros da aventura anterior Martha, Bethany e Fridge (Morgan Turner, Madison Iseman e Ser'Darius Blain), vão ao seu resgate, mas com o jogo quebrado tudo pode acontecer. A abdução do avô de Spencer, Eddie e seu amigo Milo (Danny DeVito e Danny Glover), a impossibilidade de selecionar os avatares, e a mudança de cenário transformam completamente a aventura estrelada por Smolder Bravestone (Dwayne Johnson), Moose Finbar (Kevin Hart), Shelly Oberon (Jack Black), Ruby Roundhouse (Karen Gillan) e Jefferson 'Seaplane' McDonough (Nick Jonas).

Achou que tem muitos personagens na sinopse acima? Isso porque a lista de aventureiros de Jumanji: Próxima Fase realmente cresceu. E olha que nem mencionei a personagem de Awkwafina, o novo vilão vivido por Rory McCann e mais algumas participações especiais "surpresa". O cenário também se expandiu, abandonando a selva e levando a aventura para novas paisagens típicas de filmes e games aventurescos, deserto, montanhas, desfiladeiros. A intenção é trazer novos desafios e dinâmica para os personagens/jogadores, e uma jornada inédita para os espectadores. Estratégia que funciona na maioria das situações, mas não escapa de um eventual escorregão.

Entre os acertos está a adição de DeVito e Glover, promovendo a mudança nos avatares e promovendo novos desafios para o elenco da "versão digital" dos personagens, que precisam emular personalidade e trejeitos de personagens completamente diferentes da produção anterior. Kevin Hart é o que mais se beneficia com a influencia dos veteranos do elenco, abandonando sua persona explosiva e exagerada que não funcionava na primeira aventura, por uma personificação eficiente de Glover. Mas não supera a dedicação da surpreendente Awkwafina, também adotando trejeitos, postura e até o tom de voz de personagens distintos.

Em contrapartida, Karen Gillan, Nick Jonas e Jack Black acabam perdendo espaço e brilho, por estarem em papéis sem grandes arcos e repetitivos. Nada que chegue a comprometer a aventura. Dwayne Johnson corre por fora, compensando seu pouco alcance dramático com o seu enorme carisma. Outro pouco aproveitado é Rory McCann (o Cão, Sandor Clegane de Game of Thrones), preso ao estereótipo de "enorme bárbaro" de um "NPC".

As mudanças atualizam bem a maioria das piadas, evitando que a produção exagere em piadas repetidas, como a "luta dançante". Embora uma ou outra soe de gosto duvidoso, como as piadas gordofóbicas com relação ao personagem do Jack Black e a participação de um certo cavalo. Há também certas conveniências de roteiro na solução dos desafios, mas estes são facilmente justificáveis pelas próprias conveniências típicas de um video-game, como habilidades e objetos que parece inúteis, até que um desafio estrategicamente criado para seu uso surja.

Já o crescimento dos personagens acaba simplificado pelo excesso de pessoas em cena. Os únicos arcos bem trabalhados, são os de Eddie e Mike. Spencer quase aprende uma lição (uma reviravolta na reta final, me faz crer que o rapaz talvez não tenha evoluído com a experiência), enquanto resolve seu fraco romance com Martha. Os demais personagens, apenas participam do jogo.

As novas paisagens e desafios, são empolgantes e bem construídos. Assim como as cenas de ação, que apesar de frenéticas, não soam confusas. Alguns animais em CGI soam menos realistas que outros, mas assim como no longa anterior, podem ser atribuídos ao fato de se tratar de um game de 1996, ou mesmo uma referência aos efeitos do Jumanji original. Embora esta produção use muito menos da nostalgia e ícones da produção dos anos 90.

Com mais personagens em cena, Jumanji: Próxima Fase, precisa escolher a quem dar holofotes, e isso tem um custo. A distribuição de espaço em cena é menos uniforme que em Bem-Vindo à Selva, e alguns personagem ficam em segundo plano. Apesar disso, a produção consegue manter o carisma dos personagens, além de expandir o universo, e encontrar novas piadas. Além de trazer indicações de mais uma possível sequencia, claro. Entregando assim, exatamente o que promete, uma comédia de aventura leve, despretensiosa e muito divertida.


Jumanji: Próxima Fase (Jumanji : The Next Level)

2019 - EUA - 124min

Comédia, Aventura



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sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Dois Papas

sexta-feira, janeiro 10, 2020 0
Uma longa conversa fictícia, para discutir crises reais. Dois Papas usa a divergência de ideias e posturas entre Bento e Francisco, para pensar sobre fé, escolhas, futuro da igreja católica e da humanidade, e até assuntos mais mundanos, como futebol e música.

Meses antes da renúncia o papa Bento XVI (Anthony Hopkins), em meio ao escândalo do vazamento de documentos sigilosos da igreja, o então cardeal Jorge Bergoglio (Jonathan Pryce), é chamado pelo próprio pontífice para uma visita. O encontro resulta em uma longa conversa que debate o futuro da igreja, o passado, escolhas e crenças de ambos. Além de personalidades, gostos e outras particularidades que nos recordam que, apesar do "cargo santo", estes ainda são apenas humanos.

Sendo apenas homens, ainda são suscetíveis à falhas. Culpa, responsabilidade e perdão, por terceiros e por si mesmo, estão entre as discussões que humanizam e aproximam estas figuras distantes do expectador. Mais flexível, acessível e simples, é fácil se relacionar com o Bergoglio de Jonathan Pryce, bem humorado, amigável e pé no chão. Tornando mais impactantes, os flashbacks que recontam erros e arrependimentos do passado, em um período conturbado da história argentina. Juan Minujín entrega um jovem Bergolio com uma atuação eficiente e que conversa muito bem com o trabalho de seu intérprete mais velho.

Apesar dos dois personagens título, é o papa argentino que tem mais espaço na trama. O que não significa que Bento XVI não tenha um arco bem desenhado. Partindo do extremo oposto, uma figura rígida, conservadora e inacessível, que encontra na sutileza de Anthony Hopkins e sua entrega física impressionante, caminho para conquistar a empatia do público. Ao longo dos bem escritos diálogos, descobrimos aos poucos, paixões, temores e arrependimentos do personagem.

Entre uma discussão e outra, recriações do interesse público e da mídia na crise e nos eventos reais, situam o especador mais atento. Trazendo entrevistas, cenas de multidão e repórteres, que emulam texturas de imagens da época, que facilmente podem ser confundidas por reportagens reais. Some-se isso, à detalhista recriação do vaticano, o diretor Fernando Meirelles não apenas confere realismo à produção, como se mostra extremamente eficiente em nos fazer acreditar no que não está lá. Detalhe que conversa curiosamente com a temática de fé da produção.

Embora seja falado majoritariamente e inglês e espanhol, a cacofonia causada pelos muitos idiomas presentes no vaticano, ilustra bem as dificuldades de discutir temas tão amplos. Assim como línguas diferentes, idéias distintas podem soar como estrangeiras para outras pessoas. Já a trilha sonora inusitada, ajuda a manter um tom mais leve, em meio a discussões tão complexas. Assim como, alguns momentos cotidianos, bem inseridos arrancam sorrisos e até uma ou outra gargalhada.

Nossa geração assistiu a um momento único na história do catolicismo, aquele em que temos Dois Papas. Entretanto, mais que um momento histórico importante, a produção tira estas figuras do pedestal, para apresentar dois homens de lados opostos da conversa, que através de suas falhas conseguem encontrar semelhanças, e consequentemente respeito.

É verdade, apesar de inspirada em fatos, esta conversa é uma ficção. Bento e Francisco na vida real talvez sejam muito diferentes das versões de Pryce e Hopkins, mas são humanos de todo jeito. E a mensagem de respeito às diferenças passada aqui não é apenas atual, é necessária.

Dois Papas (The Two Popes)
2019 -Reino Unido, Itália - 125min
Biografia, Drama

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terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Anne with an "E" - 3ª (e última) temporada

terça-feira, janeiro 07, 2020 0
O primeiro ano de Anne with an "E" foi sobre aceitação, o segundo sobre auto-estima e amadurecimento, a terceira e última temporada é sobre evolução. Curiosamente, para seguir em frente nossa protagonista começa a jornada olhando para trás.

Entre uma aventura episódica e outra, Anne (Amybeth McNulty) se mantém em busca de suas origens durante toda a temporada. A jovem quer descobrir quem foram seus pais, e porque ela ficara órfã. Outro tema que permeia todo o ano, é o próximo passo na vida das outrora crianças de Avonlea. A molecada está chegando aos 17, fazer faculdade, aceitar pretendentes e casar estão entre as preocupações dos personagens.

As tramas episódicas por sua vez aproveitam para abordar outros temas, novos ou já velhos conhecidos da série. Liberdade de expressão, feminismo, luto, preconceito de classes, romances (afinal são adolescentes), ausência de educação sexual da época e até a situação dos nativos canadenses, estão entre as desventuras dos moradores de Avonlea.

A relação entre mães e filhos, é outro tema que ganha destaque de formas distintas e pontuais ao longo da temporada. Acompanhamos o receio de Mary (Cara Ricketts) em não estar presente na vida da filha; o medo de Marilla (Geraldine James) de perder Anny durante suas investigações do passado; a mágoa de Bash (Dalmar Abuzeid) pela complicada situação em sua mãe Hazel (Melanie Nicholls-King) precisou criá-lo; e a dedicação antiquada que afasta Diana (Dalila Bela) e Josie (Miranda McKeon) de suas respectivas mães.

Mesmo com tantos temas, a série se saiu bem em encerrar os arcos da maioria dos personagens. Pouco antes de estrear na plataforma de streaming, a Netflix anunciou que o terceiro ano do programa seria seu último. E apesar da personagem ter sua vida retratada nos livros até a velhice, o momento é oportuno para deixarmos Avonlea. Anny e companhia também vão deixar o povoado, vão para faculdade, é o fim de um ciclo, da infância em Green Gables.

Ficou pendente apenas a trama dos indígenas com pequena Ka'kwet (Kiawenti:io Tarbell) e outras crianças ainda sobre a cruel tutela do governo. Entretanto, ao ler um pouco sobre a história dos nativos canadenses antes de escrever este texto, o final em aberto pode ser considerado um reflexo de uma relação que ainda é complicada até os dias de hoje.

A qualidade técnica mantém a qualidade vista nos anos anteriores, com uma fotografia que ressalta o tom bucólico das paisagens da Ilha do Príncipe Eduardo. O figurino merece atenção especial, já que é o maior responsável por caracterizar o amadurecimento dos personagens. Quem diria que um espartilho (tem que ter 17 anos para usar sabia?) cabelos presos e chapéus, transformassem a molecadinha em jovens adultos diante de nossos olhos.

O elenco mirim encara bem os desafios de amadurecer em cena, tratando de temas complexos com honestidade e uma química acertada. Difícil não crer que se trata de um grupo de amigos diversos. Entre os adultos, os destaques ficam com Geraldine James, R.H. Thomson e Dalmar Abuzeid, que tem arcos mais complexos.

A temporada ainda encontra tempo para oferecer alguns outros mimos aos fãs como, finalmente mostrar a família de Jerry (Aymeric Jett Montaz), e a situação de Cole (Cory Gruter-Andrew). Deste ultimo no entanto, eu gostaria de de ter visto um pouco mais da família que tanto dependia dele, após sua partida.

Anne with an "E" termina com a mesma qualidade, carisma que começou. Com roteiro inteligente, com ritmo próprio e diálogos ágeis, que trata de assuntos complicados com honestidade e doçura. É claro, adoraríamos acompanhar as desventuras românticas de Anne, sua vida na faculdade e aventuras futuras, mas já que não será possível, devo admitir o momento do encerramento foi extremamente apropriado e bem executado.

A terceira temporada de Anne with an "E", tem 10 episódios com cerca de uma hora cada. As três temporadas tem um total de 27 episódios, todos estão disponíveis na Netflix.

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segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Perdidos no Espaço - 2ª temporada

segunda-feira, dezembro 30, 2019 0
Quando reencontramos os Robinson e companhia nesta segunda temporada de Perdidos no Espaço, a família está praticamente na mesma situação em que sua versão original (da série dos anos 1960) se mantinha. Em um planeta desconhecido, com um desafio para superar. A única diferença é a ausência do Robô, desaparecido em batalha no clímax da temporada anterior. Então a produção da Netflix surpreende, e escolhe seguir caminho próprio, deixando de lado o formato procedural - planeta/problema da semana - de seus antecessores.

Os cinco Robinson, Don e a Dra Smith, estão perdidos em um planeta estranho. Mas, a nave mãe Resolute e o restante da missão de colonização de que fazem parte ainda estão por perto. Se reunir com o grupo, encontrar o Robô, renuir recursos para seguir viagem, enfrentar uma civilização alienígena, lidar com os problemas da convivência em sociedade, e com as intrigas da Doutora, são os desafios destes dez episódios.

Após quase um ano juntos e por conta própria, a família é separada por suas tarefas e precisa obedecer a cadeia de comando da missão. Abrindo espaço para intrigas na missão, e para explorar os dilemas pessoas separadamente. 

Penny (Mina Sundwall), por exemplo, se sente inferior aos irmãos, e cria uma relação complexa com a Dra. Smith (Parker Posey), que continua evoluindo sua personalidade ambígua, por causa de sua conexão com família. Will (Maxwell Jenkins) explora ainda mais sua relação com Robô (Brian Steele), com a interferência de terceiros e o agravante de que a criatura pode ser uma peça decisiva para o sucesso da missão. Maureen (Molly Parker) começa a lidar com as consequências de ter adulterado os exames do filho. Don (Ignacio Serricchio) precisa reencontrar seu lugar na nave, reconquistar seus amigos operários, sem abandonar os laços com sua família postiça;

Enquanto isso Judy (Taylor Russell) e John (Toby Stephens), tem seus laços de pai e filha reforçados. Provavelmente como preparação para aventuras futuras. Nesta temporada descobrimos as origens da moça, que é filha biológica de Maureen, e adotiva do patriarca. Personagens secundários como o cientista Ben Adler (JJ Feild), a capitã Kamal (Sakina Jaffrey) e a menina Samantha (Nevis Unipan), ganham mais espaço quando podem contribuir para a evolução da trama, mas apenas isso.

O apego aos Robinsons, Don e Smith são ao mesmo tempo o ponto forte e fraco da temporada. Se por um lado, já estamos apegados aos protagonistas, e acompanhamos de bom grado sua evolução. Por outro, em alguns momentos, é difícil crer que em uma tripulação com centenas de pessoas, eles são os únicos capazes de resolver, ou mesmo notar os problemas. A "ferrugem" alienígena que ameaça os equipamentos, é o exemplo mais gritante. Os demais colonos já circulavam pela região onde o elemento se encontra há meses, mas a "infecção" espera a família protagonista chegarem para "atacar".

O mesmo exagero vale para a capacidade de manipulação, e a sorte da Dra. Smith. A impostora, continua escapando das consequências de seus seus atos, mesmo com seis pessoas depondo contra, e em um ambiente movido a registros, protocolos e câmeras de segurança. Tudo com a irritantemente charmosa e debochada atuação de Posey, a melhor em cena. A boa notícia é que a série, abraça este exagero e o usa como elemento na narrativa. Tornando a doutora o elemento imprevisível, e família líderes naturais, e até uma ameaça à cadeia de comando em alguns momentos. Abrindo espaço para intrigas internas, e disputas de poder na Resolute.

Some-se isso, aos arcos dos personagens principais, o desenvolvimento de suas relações, e os problemas de um mundo alienígena, encontramos conteúdo bastante para preencher seus dez episódios. O roteiro é dinâmico, em eficiente em dividir atenção em diferentes núcleos. Além de trazer com diálogos inteligentes, e bem escritos, mesmo quando estão falando de "tecnologia fictícia", e elementos alienígenas. E, claro, termina com um gancho para o terceiro ano, ainda não confirmado pela Netflix.

O planeta da vez é menos variado, e a produção concentra grande parte da história na nave Resolute. Mas a produção consegue manter a sensação de vastidão de desconhecido do universo. E ainda inclui nos cenários elementos que expandem a mitologia espacial. Já a história humana, continua sendo enriquecida com os flashbacks que ajudam a compreender as ações escolhas dos personagens, embora Don pareça negligenciado neste aspecto. Não sabemos muito da vida do mecânico/piloto/contrabandista, antes desta viagem.

Reboot de uma série datada, Perdidos no Espaço atualizou seu argumento no primeiro ano. Agora em sua segunda temporada começa a criar mitologia própria e seguir seus próprios rumos. A jornada e arcos dos personagens avançam, sem grandes amarras ao original, a não ser pela importância da família e de fazer o melhor para todos. O resultado é uma ficção-cientifica aventuresca, empolgante que conversa bem com diferentes gerações.

Em outras palavras, é um raro programa para toda a família. De verdade, pode juntar a molecada e os adultos para uma maratona do seus sofá à Alpha Centauri. Não vai se arrepender.

Assim como a anterior, a segunda temporada de Perdidos no Espaço tem 10 episódios com cerca de uma hora cada. Todos disponíveis na Netflix.

Leia a crítica da primeira temporada, e estas Dicas para sua Maratona da série.

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sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Star Wars - A Ascensão Skywalker

sexta-feira, dezembro 27, 2019 0
Em algum momento em minha crítica sobre Os Últimos Jedi, mencionei que universo é infinito e está em constante expansão. Entretanto, a expansão surpreende, assusta, divide e espanta que não estava aberto à novas experiências. Foi o que aconteceu com o episódio XIII de Star Wars, mas divisão não é bom para os negócios. E a Disney ainda é uma empresa que visa o lucro, então a casa do Mickey resolveu não apenas frear a expansão, mas retroceder alguns anos luz. O resultado não é necessariamente ruim, mas também não é condizente com a força da franquia, e a coragem que ela própria prega.

A Resistência ainda tem esperança, mas poucos recursos e membros, que se provam ainda mais insuficientes quando o Imperador Palpatine (Ian McDiarmid) retorna com um plano de ataque gigantesco. A correria é para alcançar o Sith antes que ele dê sua cartada final. Enquanto isso Rey (Daisy Ridley) continua seu treinamento, mas tem conflitos com seu passado e uma conexão misteriosa com Kylo Ren (Adam Driver), que também está tentando lidar com a dualidade da força.

A aventura segue por aí, finalmente colocando o trio de protagonistas Rey, Finn (John Boyega) e Poe Dameron (Oscar Isaac) em uma aventura juntos e apostando na acertada dinâmica do trio. Um uma missão que os leva para diferentes planetas, embates e fugas, que eventualmente vão culminar nas tradicionais batalhas espaciais e de sabre de luz. Até aí nada diferente do esperado na franquia. O problema é que para fazer isso, o roteiro decidiu ignorar ou reverter muitas das controversas, porém criativas, escolhas do filme anterior, e até algumas da trilogias anteriores. O retorno de Palpatine, por exemplo, enfraquece o ato de redenção de Darth Vader em o Retorno de Jedi.

Assim, conceitos já esclarecidos como a origem de Rey e a opinião de Luke quanto o legado Jedi, são re-explicados. Informações novas são jogadas sem muita preparação ou explicação - onde estava Palpatine esse tempo todo? Como conseguiu voltar? Se tinha todos esses recursos Sith porque levou três trilogias inteiras para usar? - Personagens são descartados, outros inserido à toque de caixa para ocupar seus lugares. As únicas alterações compreensíveis, são aquelas feitas claramente para contornar a morte precoce de Carrie Fisher, antes das filmagens desta produção.

O caso mais grave é o de Rose (Kelly Marie Tran). Alvo de ataques xenofóbicos no longa anterior, a participação da personagem foi reduzida, premiando o mau comportamento dos "fãs", e consequentemente punindo a atriz. Em seu lugar Naomi Ackie, uma atriz negra foi selecionada para dar vida a Jannah, que tem cenas importantes com Finn e Lando (aparentemente pessoas negras só podem se relacionar com outras pessoas negras). Keri Russell completa o pacote, para evitar insinuações quanto à sexualidade dos personagens (lembra que uma galera "shippava" Finn e Poe?). Enquanto o primeiro beijo gay da franquia acontece em segundo plano, com personagens anônimos. A tentativa descabida e inútil de agradar à todos é inegável.

A falta de planejamento da trilogia também é visível. Não havia um arco definido para o trio de protagonistas, ou o antagonista Kylo. O que permitiu, para o bem ou para o mal, que Rian Johnson, subvertesse expectativas no episódio VIII. E que também J.J. Abrams, ignorasse grande parte dos acontecimentos para levar a produção de volta ao status remake/rebbot, que funcionou bem em O Despertar da Força, mas aqui soa repetitivo e pouco memorável. Ao mesmo tempo que tenta chocar, sem de fato abraçar as consequências de seus eventos. São várias as vezes em que o roteiro insinua matar algum personagens, apenas para trazê-lo de volta duas cenas mais tarde.

Mas o filme é ruim por causa disso? Não necessariamente. É incoerente com o anterior e pouco corajoso, mas eficiente em utilizar entregar o que sabe que o expectador gosta, mesmo que falte originalidade. Então, não se culpe, ou surpreenda, por se descobrir interessado e empolgado em boa parte da sessão, a produção é divertida. O trio principal, tem uma excelente dinâmica e conduz bem a história, a despedida de Fisher é emocionante, os droides são divertidos, o fan-service está lá, o universo e batalhas são os mesmos que adoramos desde os anos 1970. Você provavelmente vai se divertir.

O elenco extremamente carismático, esforçado e funciona muito bem junto é provavelmente por causa do quarteto principal que seguimos bem a jornada. Com destaque para Driver e Ridley, que conseguem passar intensidade e verdade respectivamente, mesmo em momentos mais clichés e piegas. Billy Dee Williams, o Lando Calrissian, soa empolgado demais para quem está em meio à uma guerra.

Tecnicamente é impecável. Bem produzido e fotografado, com criativo design de criaturas e planetas, que misturam bem efeitos práticos e em computação gráfica. Além de trazer participações especiais, e referências bem colocadas dos filmes e animações anteriores, menos do episódio VIII. Nem tudo fora descartado, e os fãs mais atentos terão boas surpresas.

A Ascensão Skywalker, nono e derradeiro episódio da saga Skywalker segue a fórmula que a própria franquia criou. Escolhendo o caminho previsível e seguro, e consequentemente, pouco quando tinha um universo de possibilidades para explorar. Eliminando e recontando ideias no processo. Não sei se podemos reclamar de um produto de mercado, por agir pela lógica de mercado. 

Podemos fazer muitos estudos de caso sobre isso (que venham as monografias!). Podemos discutir e lamentar o potencial desperdiçado (sem exageros, não é o fim do mundo!). Podemos até do divertir, afinal é uma aventura milimetricamente pensada para isso. Mas, principalmente, podemos repensar nossas expectativas como público.

Será mesmo que a audiência de cultura pop é como uma criança birrenta, que se recusa a experimentar algo novo? A indústria não funciona como "bons pais" que vão insistir para que o público amplie seus horizontes, explore possibilidades. Então talvez sejamos nós, que tenhamos que mostrar que estamos abertos a um universo é infinito, criativo e em constante expansão. Afinal, a saga dos Skywalker pode ter acabado, mas não acho que a Disney deixará a Força descansar tão cedo.

Star Wars - A Ascensão Skywalker (Star Wars: The Rise of Skywalker)
2019 - EUA - 142min
Fantasia/Ficção Cientifica/Aventura

Tem um montão de textos sobre Star Wars aqui no blog, para facilitar deixo aqui os links das críticas de O Despertar da Força, e Os Últimos Jedi.
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quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

His Dark Materials - 1ª temporada

quinta-feira, dezembro 26, 2019 0
Um universo fantástico, disputas de poder, crianças em perigo, seres mágicos, entidades misticas, personagens complexos e nenhum problema em cometer atos terríveis e eliminar personagens. Não, não estou falando de Game of Thrones, mas da mais recente aposta da HBO no gênero fantasia. His Dark Materials - Fronteiras do Universo, adapta para as telas o universo criado por philip Pullman.

Lyra Belacqua (Dafne Keen) é uma menina levada que vive na Universidade Jordan em Oxford entre brincadeiras nos telhados, e guerras com os meninos gypsios. Quando crianças de várias cidades começam a desaparecer, incluindo seu amigo Roger, Lyra aceita o convite de trabalho como assistente da elegante Sra. Coutler. (Ruth Wilson) Assim poderia descobrir mais sobre os Globbers (Lewin Lloyd) (Papões em português, os supostos raptores). Além de tentar chegar ao Norte (para onde teriam sido levadas as crianças), e onde seu tio Lorde Asriel (James McAvoy) pode precisar de sua ajuda e de seu artefato mistico, o aletiometro, em sua pesquisa proibida pelo Magistério.

Tudo isso em um mundo muito parecido com o nosso, mas com duas diferenças cruciais. Todo o planeta é regido por um regime teocrático totalitário, o Magistério. E todo os seres humanos possuem em daemon, a alma fora do corpo, personificada como um animal.

A Bússola de Ouro, filme de 2007, foi a primeira adaptação do complexo universo e Pullman para as telas. Mas o filme, entre outros problemas, tinha pouco tempo para explorar os detalhes e simbolismos da aventura protagonizada por Lyra. Logo, uma série de TV se mostra um formato mais apropriado para contar esta história, que discute autoridade, ciência, fé, religião, filosofia, auto-descoberta, companheirismo, paternidade, maternidade, realidades paralelas entre outros temas atuais. 

O roteiro de Jack Thorne, começa bem ao iniciar a jornada com um ritmo dinâmico, mas sem pressa para apresentar conceitos como os Daemos, a universidade, o magistério. Entretanto, quando a jornada de fato começa, tem problemas para equilibrar ação e pausas. A falta de ritmo gritante em uma história que apresenta vários personagens e conceitos ao longo da narrativa. Assim, temos construções que soam longa de mais, e resoluções que parecem corridas.

Um bom exemplo é a comparação entre os episódios Armour e The Daemon-Cages, respectivamente o quarto e sextos da saga. Enquanto o primeiro, usa praticamente todo seu tempo apenas para apresentar adequadamente o urso Iorek Byrnison (Joe Tandberg), e o aerostata Lee Scoresby (Lin-Manuel Miranda), o segundo precisa apresentar a instalação de Bolvangar, suas atividades, o envolvimento da Sra. Coutler., além de mobilizar as crianças e dar conta da batalha propriamente dita. O resultado é que um dos momentos de virada não apenas é pouco explorado, mas resolvido à toque de caixa.

Um ponto positivo do roteiro, e a forma como incorpora elementos de toda a saga, não apenas do volume inicial A Bússola de Ouro, como seria esperado. Além de adiantar conceitos e informações, a série acertadamente dá início à história do segundo volume A Faca Sutil, que traz outro protagonista a trama. Então, outra breve sinopse...

Will Parry (Amir Wilson) é um adolescente que vive em Oxford (a "nossa" Oxford). Protegendo a mãe com graves transtornos mentais, que acredita ser perseguida. Acontece que os temores da mãe se mostram não tão loucos assim, quando o garoto descobre estar sendo vigiado por pessoas interessadas no misterioso trabalho de seu pai, que desapareceu quando o garoto ainda era um bebe.

Adiantar a introdução do segundo livro, torna a futura convergência das narrativas mais coerente. E evita o sentimento de confusão (ué, que história é essa? Cadê a Lyra?), intrigante nas páginas, mas que pode não ser tão eficiente com o público televisivo. Mas vale mencionar, esta temporada é majoritariamente sobre a garota e seu mundo.

Outro acerto da produção é a construção de mundo, que consegue dar ao cotidiano de Lyra uma cara familiar e estranha, com traços steampunk integrado à elementos fantásticos. Os daemons e ursos de armadura, criados em computação gráfica tem uma aparência realista, mas que funciona bem com sua condição de "animais falantes". E no geral não destoam dos atores e cenários "de verdade".

E por falar nos atores, o elenco cheio de nomes conhecidos entrega bem o trabalho que lhes é destinado. Lin-Manuel Miranda é o melhor em cena, com uma versão mais carismática do piloto de balão texano Lee Scoresby. Ruth Wilson e James McAvoy combinam em intensidade, que em alguns momentos beira o animalesco, em referência ao seu lado animal/daemon. Dafne Keen também consegue ser intensa e eficiente, embora o roteiro pareça ainda não ter decidido como retratar Lyra completamente, apenas na cena em que "negocia" com Scoresby, a personagem parece apresentar todas as características de sua versão literária. Já Amir Wilson trabalha no detalhe e sutileza de um adolescente que carrega responsabilidades acima de sua idade.

Lucian Msamati, James Cosmo, Anne-Marie Duff, Ariyon Bakare e Lewin Lloyd, são outros com bastante tempo de tela. Entre eles, a Ma Costa de Duff surpreende ao compreender uma grande gama de emoções.

É no roteiro que estão as maiores falhas da primeira temporada de His Dark Materials. Os problemas de ritmo vão de encontro com a acertada escolha de adaptar a saga como um todo, ao invés de volumes separados, adiantando acontecimentos e informações. Questões que podem ser contornadas, ou relevadas, desde que corrigidas na já confirmada (e filmada) segunda temporada. O elenco talentoso, o universo bem construído, a produção caprichada e os bons temas que a trama discute, justificam essa "vista grossa" nos defeitos. Afinal, não é todo dia, que uma fantasia tão rica e complexa chega às telas. 

His Dark Materials é produzida pela BBC e distribuida pela HBO, tem oito episódios com cerca de uma hora cada, todos já disponíveis na HBO Go.

Aqui no blog tem vários textos sobre a saga Fronteiras do Universo. Leia as críticas dos livros
A Bússola de Ouro, A Faca Sutil e A Luneta Âmbar, A Oxford de Lyra e o Livro vs Filme: A Bússola de Ouro.

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