Cara de Um, Focinho de Outro

 "Gente, isso é tipo Avatar!" - A simplificação da protagonista de Cara de Um, Focinho de Outro que está até nos trailers, diz muito sobre o mais recente filme da Pixar. Primeiro deixa claro que a obra não tem medo de fazer graça consigo mesma. E segundo, e mais interessante, é que tudo bem a história não ser super original, se a execução for bastante criativa!

Mabel é uma jovem univesitaria, amante da natureza que tem um elo forte com uma clareira da sua cidade. E desde que descobriu que a Clareira do Castor será ocupada por uma rodovia criada pelo prefeito Jerry, ela briga solitária e inutilmente para interromper as obras. Até a invenção de uma de suas professoras muda suas chances. 

A tecnologia dos Saltadores permite que humanos habitem animais robóticos, para poderem se misturar aos reais e assim estudá-los, sem interferir no ciclo natural. É claro que a mocinha vê uma utilidade muito mais urgente, unir os bichos para salvar a clareira.

Então sim, é realmente parecido com avatar! A diferença está no humor, leveza e capacidade de rir de si mesmo. A começar pela personalidade obsessiva e enérgica da protagonista, que já rende bons momentos em sua forma humana. Mas principalmente quando a moça assume sua forma animal, um fofo castor. É aí que o mundo se expande e ganha personalidade. 

Enquanto visto pelos olhos humanos, os animais são belos, mas genéricos. Quando vistos da mesma perspectiva, a partir da Mabel-castor, ganham características físicas próprias e personalidades. Além de se comunicar e terem suas próprias sociedades.

Sem medo de ser louco, o roteiro permite que a bicharada corra solta, e tome as decisões mais radicais e inesperadas em sua luta contra os humanos. O que inclui embates internos, reviravoltas surpreendentes, planos mirabolantes, soluções absurdas, e até umas pitadinhas de terror. Nada apavorante, mas como é delicioso encontrar filmes que não subestime, nem tenha medo de desafiar um pouco os nervos das crianças. Elas também gostam de um medinho ou outro. 

Tudo isso, enquanto aproveita para fazer referências inevitáveis  à outras obras com animais, como Os Pássaros e Tubarão. E até à obras inesperadas. Certeza que tem fãs de Game of Thrones nos bastidores. Mas isso é para os adultos que acompanham a molecada. Para os pequenos, o filme traz animais fofos e carismáticos. E que, por serem animais, tem permissão de agir de forma mais ingênua e infantil, rendendo excelentes piadas para os pequenos. 

E como não dá para existir só de referências e piadas. A protagonista Mabel lida com luto, obcessão, consequencias, reparação e perdão. E boas mensagens ecológicas são passadas. Alguns talvez se incomodem com a redenção de um personagem. Mas como o filme não tem medo de eliminar outros, não vejo como uma escolha covarde, ou lição de moral gratuita. 

No elenco de vozes, o elenco original traz nomes como Jon Hamm, Dave Franco e Meryl Streep. A versão brasileira tem como destaques as participações especiais das famosas Renata Sorrah eThaís Fersoza. Enquanto nossos experientes dubladores entregam o bom trabalho de sempre. 

Outro bom trabalho de sempre, é a qualidade de animação da Pixar. Na grandiosidade dos eventos do clímax, criação de personagens. E especialmente na construção do universo animal, na variação entre as versões dos bichos, vistos por olhos humanos e animais. 

Cara de Um, Focinho de Outro pode tem criatividade e principalmente, coragem de sobra! Essa coragem de seguir caminhos inesperados, e buscar soluções criativas para os problemas que estes caminhos levam, resgatam o que há de melhor na Pixar, a criatividade. Ainda que o argumento não seja original.  

Uma bela mudança, já que geralmente as salas de cinema estão povoadas de obras com boas idéias, mas execuções pífias que desperdiçam seu potencial. 

Cara de Um, Focinho de Outro (Hoppers)
2026 - EUA - 105min
Animação, Aventura, Comédia

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