É, aparentemente, estou em uma faze literária! Melhor aproveitar enquanto dura, embora alguns livros parecem existir para nos lembrar, que em algumas raras vezes, o cinema é melhor. Foi o caso de Labirinto de Jim Henson e A.C.H. Smith, publicado pela sempre caprichosa Darkside.
Assim como no filme de 1986, acompanhamos a adolescente Sarah que chateada por ter que tomar conta do irmão caçula, finge oferecer o bebê para o Rei dos Duendes. O que ela não esperava era que Jareth realmente aparecesse e levasse o pequeno Toby. Desesperada para ter o irmão de volta, ela tem treze horas para chegar ao castelo da Cidade dos Duendes que fica no centro do labirinto e resgatar a criança roubada.
No caminho encontra perigos, aliados e um mundo fantástico que não deixa nada a dever para o País das Maravilhas de Alice. Enfrentando uma jornada de amadurecimento e aceitação. Especialmente de sua nova família, com irmão e madastra, já que a mãe preferiu seguir com a carreira, e seu parceiro de palco.
Não sei se já mencionei aqui, mas o filme Labirinto - A Magia do Tempo é um dos filmes que construiu minha cinefilia. Logo, tento colocar as mãos em qualquer item relacionado ao filme que encontrar. E a bela edição da novelização do filme é um dos que corri para adiquirir. Uma pena que o conteúdo não fez jus às expectativas.
Acontece que a obra assinada por A.C.H. Smith é quase uma transcrição literal do filme de Jim Henson. Com poucas adições, seja à construção de mundo ou bagagem dos personagens. Diferente, por exemplo, da versão literária de Os Goonies, que aproveita o espaço que o livro proporciona para expandir o universo, contar detalhes e explicar coisas que não cabem num filme de duas horas. A não ser por poucas informações do paradeiro de sua mãe, tudo que está nas páginas pode ser visto no filme.
Outro agravante parece meio óbvio, mas faz toda a diferença: livro não tem som! Parte do charme de Labirinto passa pelas canções escritas e interpretadas por David Bowie. É inevitável não sentir um vazio, e empobrecimento do espetáculo nos trechos onde as músicas entrariam. Assim como a ausência dos bonecos.
Para quem não sabe, ou não lembra, Jim Henson além de cineasta era um marionetista. É ele o responsável pela criação dos Muppets e Vila Sésamo, por exemplo. Assim, seu labirinto é habitado apenas por duas figuras humanas, os demais são uma variada população de criaturas, desde pessoas com grandes trajes, passando por animatrônicos até os tradicionais marionetes animados com uma mão por dentro. Um nível de criatividade sem igual, quem lembra do poço das mãos ajudantes que formam rostos?
Tudo isso fica à cargo da imaginação, ou da memória no caso de quem assistiu ao longa. O final do livro traz notas, rabiscos e rascunhos (artes conceituais na verdade) de Henson para a produção. O que seria uma adição maravilhosa se disposta com certo trabalho e contexto. Não apenas páginas meramente replicadas ao fim da obra. E nem vou mencionar a possibilidade de inserir projetos e esboços ao longo do livro, completando a história.
Apesar de ainda adorar ter uma cópia de Labirinto igualzinha a de Sarah em minha estante. E a Darkside nunca decepciona no quesito encadernação. Confesso, esperava mais do livro Labirinto. De fato, talvez o roteiro impresso fosse mais honesto e até interessante do que a transcrição quase literal que A.C.H. Smith entregou.
Labirinto
A.C.H. Smith
2016 - Darkside

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