Demolidor - 3ª temporada - Ah! E por falar nisso...

sexta-feira, 22 de março de 2019

Demolidor - 3ª temporada

Caso você tenha demorado a assistir à terceira temporada de Demolidor como esta blogueira que vos escreve, deve ter se percebido ao mesmo tempo empolgado e melancólico ao final da temporada. Afinal, diferente de quem acompanhou lá na semana em que foi lançada, já sabíamos que este seria o ultimo ano da série na Netflix, e conforme a trama melhorava e empolgava o lamento pelo cancelamento também aumentava.

O terceiro ano de Demolidor começa após os eventos de Defensores, quando o mundo acredita que o herói fora morto no desabamento do prédio ao final da aventura compartilhada com os outros heróis urbanos. Enquanto Matt Murdock (Charlie Cox) cura suas feridas se questiona quanto à necessidade da existência de seu alter-ego vigilante, seu arqui-inimigo Wilson Fisk (Vincent D'Onofrio) encontra um jeito de sair de trás das grades. Também há tempo para desenvolver as histórias de Karen (Deborah Ann Woll) e Foggy (Elden Henson), e para apresentar outro vilão dos quadrinhos.

Entre os demônios de Matt, o complexo plano do Rei do Crime, e apresentação de novos personagens chave, como os agentes do FBI Ray Nadeem (Jay Ali) e Benjamin 'Dex' Poindexter (Wilson Bethel), a trama desta temporada de mora a engrenar. Entretanto, uma vez que todas as peças estão dispostas no tabuleiro (lá pelo episódio seis), a parceria Marvel-Netflix entrega o que consegue fazer de melhor. Um embate frenético e intrigante entre Fisk e Matt, com bom uso de seus recursos/coadjuvantes.

Poindexter tem uma apresentação detalhada e bem construída, que deixa evidente que a produção tinha planos para o personagem nas próximas temporadas. Enquanto o passado de Karen é revelado, nos fazendo entender finalmente as atitudes da moça. Apesar de excelente, o episódio em formato de flashback faz uma incômoda pausa na trama principal. 

Este, e outros desvios da jornada do protagonista para aprofundar outros personagens, que a série abraça, é provavelmente a causa da temporada demorar à engrenar. Os primeiros episódios tomam tempo para situar absolutamente todos em cena. O que deve agradar quem adora acompanhar personagens como Foggy, ou mesmo as conversas sobre ética e religião entre o protagonistas e seus mentores da igreja. Mas podem soar repetitivas para os demais. De fato, uma introdução mais dinâmica e rápida, e consequentemente alguns episódios a menos fariam bem a temporada como um todo.

Ainda sim, o sado deste terceiro ano de Demolidor é positivo. Para o bem ou para o mal, estes primeiros episódios mais lentos, preparam bem o terreno para a segunda metade se desenrolar livremente, sem pausas para longas explicações. E principalmente o elenco está mais seguro e compreende melhor do que nunca seus personagens.

D'Onofrio tem capacidade de transformar a doçura e dedicação do antagonista por sua amada, em algo tão assustador quanto seus verdadeiros atos criminosos. Quem não se incomodaria de ter de tal figura estranha e misteriosa como adorador incondicional?

A introdução da Irmã Maggie (Joanne Whalley) cria um contraponto interessante para os dilemas religiosos de Matt, e uma alternativa aos conselhos do já bem explorado Padre Lantom (Peter McRobbie). Jay ali e Wilson Bethel, entregam com eficiência o que o roteiro exige deles. Enquanto Ann Woll e Henson, já conta com afeto do público e carisma dos amigos do protagonista.

Entretanto é Charlie Cox quem merece o maior crédito. O ator tem completa compreensão das nuances de seu personagem, desde os dogmas religiosos, passando pela (des)crença do Advogado em relação ao sistema, até o vigilante que se arrisca ao testar seus limites. O resultado é um Demônio de Hells Kitchen, brutal e implacável, mas ao mesmo tempo extremamente humano e empático. Vale mencionar, não apenas faz muitas das lutas coreografadas de seu personagem, mas também convence em todas elas. As lutas em Demolidor, ainda são as únicas realmente boas do universo dos Defensores.

Longe de desagradar como as novas temporadas de Luke Cage e Punho de Ferro, o terceiro ano de Demolidor tem apenas um único grande problema, episódios demais que tornam seu inicio arrastado. Ainda assim a série mantem o bom roteiro, trama inteligente e personagens bem utilizados, realmente vale a maratona. Não é atoa, que de todas as séries canceladas da parceria Marvel-Netflix, esta seja a que está causando maior comoção. Queremos ver mais de Charlie Cox como Matt Murder e seu alter-ego heroico. #SaveDaredevil


Assim como as anteriores, a terceira temporada de Demolidor tem 13 episódios, todos já disponíveis na Netflix.

Leia a crítica da segunda temporada, confira dicas úteis para sua maratona do herói, e descubra mais sobre as outras séries deste universo Punho de Ferro, Jessica Jones, Luke Cage, Justiceiro e Defensores.

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