The OA - 2ª temporada - Ah! E por falar nisso...

segunda-feira, 25 de março de 2019

The OA - 2ª temporada

Ou "Parte 2", como a própria Netflix nomeou. O que faz todo sentido, já a jornada de Praire (Brit Marling) e companhia continua quase que de forma ininterrupta entre uma temporada e outra, apesar dos mais de dois anos de diferença entre seus lançamentos. A longa espera é justificada, e compensa o público. The OA tem conceitos e um universo tão complexos que precisa sim de tempo para que seu roteiro não se perca em sua própria mitologia.

Praire, ou OA, compartilhou sua história com seus cinco amigos aleatórios, e consequentemente com a gente. Uma série de eventos obrigou o grupo a executar os cinco movimentos em um momento chave. E apesar de toda a dúvida que os primeiros episódios criara sob sua história, a protagonista conseguiu sim, viajar para outra dimensão atrás de seus outros cinco companheiros. A complicação agora é compreender sua vida nesta nova dimensão e resgatar seus amigos da influência de HAP (Jason Isaacs).

Entretanto, esta nova dimensão tem sua própria narrativa. Nela acompanhamos a buscar do detetive Karim Washington (Kingsley Ben-Adir) por uma adolescente vietnamita desaparecida. Não é spoiler dizer que eventualmente sua investigação vai esbarrar em OA. Bem como na jornada dos amigos que a moça deixou para trás. Steve (Patrick Gibson), Jesse (Brendan Meyer), French (Brandon Perea), Buck (Ian Alexander) e BBA (Phyllis Smith), buscam informações sobre o salto da amiga, ou apenas estão todos com transtorno pós-traumático e incapacidade de processar o luto.

Apesar dos muitos núcleos, esta segunda parte é muito mais equilibrada que a anterior. Alternando constantemente entre Praire, Karim e o grupo deixado para trás, criando a mesma tensão e interesse pelos três núcleos, e respeitando o tempo que cada um precisa para contar sua história. Assim, a protagonista e o detetive tem mais tempo de tela que Steve e companhia.

Mesmo com a limitação de tempo, os jovens e a professora, tem pela primeira vez um aprofundamento melhor, longe de sua "mentora/inspiração". Cada um a sua maneira ele lidam com uma mistura de luto e fé exacerbada. A perda de OA, apenas os tornam mais crentes de sua missão. Além disso, precisam lidam com questões mundanas, como as consequências de seus atos na cantina, e da própria jornada em que embarcam. Afinal a molecada não pode sair por aí fazendo o que bem entende sem dar explicações.

Karim, está como nós espectadores estávamos no primeiro ano. Montando o quebra-cabeças, enquanto tenta descobrir no que pode acreditar. O personagem é uma das melhores adições destes novos episódios, que incluem algumas pessoas por mera conveniência de roteiro, e por isso as deixa soltas em muitos momentos. É o caso de Angie (Chloë Levine), trazida apenas para completar o grupo necessário para fazer os movimentos. O que não significa que estas aquisições não ganhem maior função, caso haja uma parte três. Por hora estão ali apenas para fechar a conta.

É provavelmente a protagonista a personagem mais controversa. Ela tem uma missão clara, resgatar seus amigos. Para que isso funcione precisa se adaptar ao novo mundo, mas demora demais para entender isso e tomar certas atitudes. Se no primeiro ano, a moça parecia ter muita decisão e certeza na história que nos contava, aqui ela oscila entre excesso de determinação, e aquele tipo de personagem que nunca faz as perguntas certas. O fato dos amigos, tanto da escolha, quanto do cativeiro, a endeusarem também não ajuda. É esperado tanto da moça, que dificilmente ela seria capaz de chegar perto de atender as expectativas, e merecer o tal título de OA (Anjo Original na tradução).

Mas novamente, quem sou eu para dizer que a moça não é especial? A história ainda não está terminada, e é cheia de conceitos complexos e reviravoltas. Como afirmar que alguém, é ou não, algo. Talvez estejam todos no processo de se tornarem quem devem ser.

É esse o maior mérito e a melhor parte de The OA. Conseguir conciliar uma quantidade de absurda de incertezas em um roteiro coeso. Trata-se de uma profusão de conceitos novos e difíceis de compreender, mistérios, ambiguidades e dúvidas que ao mesmo tempo confundiram e viciam quem está do lado de cá da tela. É esta estranheza desde universo e quebra-cabeças a ser superado, que nos mantém colados no sofá. Em outras palavas, não faz sentido, mas está interessante, então vamos em frente!


O funcionamento deste mundo non-sense, é mérito de seus criadores Zal Batmanglij e Brit Marling. A dupla está envolvida em todos os aspectos da produção, além de criar e escrever, ela estrela, ele dirige. E principalmente, parecem ter completo controle e conhecimento deste universo, mesmo que não estejam nem um pouco preocupados em explicá-lo em detalhes para nós. A intenção da série, é nos fazer pensar por conta própria sobre fé e outros dilemas humanos, conceitos de ficção cientifica como multiverso, viagens interdimensionais, experiencias de quase morte, nossa submissão à grandes corporações e sistemas, nossa sede por compreender o incompreensível, nossa conexão uns com os outros. Durante as oito horas de maratona, pensamos em cada uma destas coisas, e em tudo isso junto. Antes de sermos abandonados com muitos outros novos questionamentos em seu surpreendente final.

The OA vai de encontro ao proposto pela maioria das séries de qualquer formato. Ela não está preocupada em te explicar tudo para te manter interessado e preservar sua audiência. Quer apenas que você acompanhe e tire as conclusões que desejar, uma vez que mesmo as respostas que oferece não são definitivas. Sim, é a curiosidade criada por uma narrativa cheia de mistérios que te faz ficar até o fim. Mas é a liberdade pela busca de respostas que te faz achar a jornada maravilhosa.


No primeiro ano eu não tinha certeza se tinha gostado de The OA, mas não havia dúvidas de que a série despertara meu interesse. Agora tenho certeza, acho uma obra genial e complexa. E fico na torcida para que a Netflix dê continuidade, e que a produção não se perca em sua complexa mitologia.

A primeira e a segunda partes de The OA tem oito episódios cada. Todos já disponíveis na Netflix.

Leia a crítica da 1ª temporada e confira esta lista de informações úteis para sua maratona da série.

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