Março 2020 - Ah! E por falar nisso...

terça-feira, 31 de março de 2020

Sempre Bruxa - 2ª temporada

terça-feira, março 31, 2020 0
Quem ler minha resenha da resenha da primeira temporada de Sempre Bruxa, pode erroneamente pensar que não gostei da obra. Apesar das muitas falhas, consegui me divertir com a série adolescente o suficiente para embarcar em uma segunda temporada. Esta continua apostando na soma de magia e conflitos juvenis, trazendo uma leveza muito bem vinda neste momento complexo em que vivemos. Em outras palavras, não é excelente, mas é uma distração escapista excelente para desviar a atenção da ansiedade de uma pandemia.


O segundo ano começa com Carmem (Angely Gaviria) e Alicia (Sofia Bernal Araujo) de volta ao passado para resgatar Johnny Ki (Dylan Fuentes) dos piratas. Esta aventura traz o novo personagem deste ano, o pirata (Óscar Casas). No presente, um perigoso jogo de desafios via moda, assim como as habilidades e poções da protagonista que não receia em usá-los.

Se não havia ficado claro anteriormente, Sempre Bruxa se assumiu de vez como aventura juvenil escapista, com plotes exagerados e regras maleáveis. Toda magia tem seu preço, viagens no tempo são perigosas, os personagens alertam uns aos outros dos riscos, mas não hesitam em arriscar. E as complicações destes atos raramente duram mais que dois episódios.

Novamente, a série traz, mas não discute, vários bons temas. Desde a temática principal, escravatura e bruxaria, até as novas tramas como o jogo de desafios Mr. Hyde. Este último se assemelha em regras ao apresentado no filme Nerve, que leva os participantes a cometer atos arriscados para vencer o jogo. Mas sua história é desenvolvida paralelamente à jornada da protagonista, sem grande aprofundamento até que seja útil para a trama principal. O mesmo vale para a jornada de Kobo no futuro.

Mas e a trama principal? Carmem que passou de aprendiz a mestre de uma temporada para outra (quando ela aprendeu tudo isso?) lida com dilemas amorosos, com a fama, com ataque de inimigos, festas e aulas na faculdade... Entre um ou outro problema menor, ela revela que resgatar a mãe da fogueira no passado é sua meta. Mas falta foco, os personagens acabam correndo de um problema a outro sem muito desenvolvimento ou consequências. Quem sai perdendo é o ex-provável-vilão/quase-interesse-amoroso Esteban (Sebastian Eslava). Sem muita função agora que a Carmen se vira sozinha, e sem fazer parte da "turma", o professor acaba ficando de lado, como se os roteiristas não soubessem o que fazer com ele.

Um rompimento amoroso aqui, outro par romântico ali, uma dupla aprontando altas confusões, problemas criados e resolvidos literalmente em passes de mágica, figurinos curtos e coloridos, belas paisagens de Cartagena... Sempre Bruxa não parece ter pretensão de ser muito além de uma novelinha leve e divertida. E até funciona, dependendo de sua capacidade de suspensão da descrença. Podia ser um fenômeno do streaming se explorasse melhor seus temas, e trabalhasse melhor a coerência de seu universo.

Como melhora, o segundo ano aboliu as redundantes narrações da protagonista, e melhorou um pouco seu texto superficial. Também abraçou com vonade seus absurdos, piratas, magia, viagens no tempo, vidas passadas, está tudo lá junto e misturado, sem vergonha de ser meio brega e exagerado. Além de trazer de volta as qualidades do ano anterior: é uma série colombiana adaptada de um livro também colombiano (Yo, Bruja, de Isidora Chacon), que cria ficção inspirada pela história e cultura de seu país. Trazendo uma protagonista negra, ex-escrava, e um elenco diverso para acompanhá-la.

Divertida, Sempre Bruxa pode não ser uma pérola da dramaturgia, mas é expansão de mundo para muita gente. Gente jovem acostumada só com séries teen estadunidenses, ou no máximo Malhação, que pode começar a se interessar por obras de outras partes do planeta.

A segunda temporada de Sempre Bruxa tem oito episódios com pouco mais de meia hora cada, todos dispníveis na Netflix.

Leia a crítica da primeira temporada.
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quinta-feira, 26 de março de 2020

O Poço

quinta-feira, março 26, 2020 0
Em época de crise, em que até discussões revelam o melhor e o pior da sociedade, uma produção de 2019 que não foi exibida dos cinemas brasileiros chegou à Netflix, gerando discussão e apontando assustadoramente para o momento atual. O Poço, filme de estreia de Galder Gaztelu-Urrutia, cria uma metáfora contundente para as mazelas do capitalismo e o comportamento dos indivíduos presos neste sistema.

Goreng (Ivan Massagué) desperta em uma cela curiosa. Trata-se de um ambiente retangular, com uma cama em cada extremidade e um gigantesco buraco no centro, através dele é possível ver dezenas celas idênticas nos andares acima e abaixo. Diariamente uma plataforma desce por este buraco, trazendo comida para todos os prisioneiros, começando farta no nível um, mas logo se tornando um empilhado de restos e louça vazia nos níveis inferiores. A dupla de cada nível só pode se alimentar enquanto a plataforma estiver em seu andar, sob risco de punição se fizerem reserva de comida. A cada trinta dias, todos são realocados aleatoriamente para novos níveis.

A metáfora não é complexa, quem está no topo se esbalda com a fartura, enquanto quem está no fundo do poço luta para sobreviver. E o roteiro sabe explorar todas as possibilidades e relações dentro deste sistema. Convivências pacíficas e conturbadas, reações distintas de cada indivíduo, a impossibilidade de subir, o desespero e ações estremas daqueles que despertam nos andares inferiores. Há também espaço para várias as alegorias religiosas, da entidade superior, passando pelos sete pecados capitais, até a chegada do messias, entre outros símbolos. Nada mais coerente, afinal nossa sociedade também recorre ao lado espiritual na busca por salvação.

Entretanto, mais contundente e aflitiva destas metáforas é a da força do sistema, que revela o pior de cada um, e impossibilitando a quebra do mesmo. A indiferença daqueles que estão acima, que se fartam e esbanjam sem pensar no próximo, tanto pelo receio de acordar nos níveis inferiores no futuro, quanto por puro egoísmo, condena os que estão a baixo. Estes só tem como opção descer. Descida em alguns momentos consciente, mas geralmente imposta, e sempre inevitável, literal e figurativamente. A resposta é simples, se cada um consumir apenas o necessário haverá recursos para todos, mas a maioria não está disposto a ouvir, que dirá abraçar a mensagem. Qualquer semelhança com a sociedade capitalista atual, não é mera coincidência.

O roteiro distribui estas discussões enquanto constrói um clima de desespero e temor crescente. Sem medo de trazer momentos mais pesados, abraçando o gore para causar desconforto e mostrar a decadência daqueles indivíduos. Tudo incomodamente realista, mesmo quando Goreng começa a ter alucinações, afinal esta é uma reação plausível para uma pessoa levada ao extremo físico e psicológico. Já no ato final, a produção torna-se menos literal, oferecendo um desfecho que permite uma gama de possibilidades a serem discutidas.

A direção de arte acerta ao construir um espaço que apesar de amplo, é claustrofóbico, deprimente e intimidador. As celas não são pequenas, a plataforma/mesa também não, mas o confinamento e a sensação de recursos insuficientes é instantânea e cruel. A iluminação fria, outro elemento para criar desconforto, só é substituída pela ameaçadora luz vermelha em momentos de perigo ou alucinação. 

Ivan Massagué consegue transitar bem entre vários "estados de espirito" de Goreng ao longo de sua estadia. Da inconformidade com à situação, aceitação, desespero, desesperança, apatia, luta, determinação, o protagonista passa por uma extensa gama de emoções e leva o espectador junto em cada uma delas. O restante do elenco traz os bons trabalhos de Antonia San Juan, Emilio Buale e Alexandra Masangkay, com destaque para Zorion Eguileor e seu divertido, porém assustador colega de cela Trimagasi.

Vislumbres do mundo externo, pouco explicam sobre a origem e função do poço, passado de seus habitantes e as razões por estarem ali. A curiosidade é inevitável, mas a dúvida é mais interessante. A revelação poderia contentar alguns, mas empobreceria o discurso e as discussões pós filme. O mesmo vale para o desfecho em aberto.

O Poço é uma excelente produção espanhola de terror e ficção-cientifica que dificilmente chegaria aos nossos cinemas. E talvez não chamasse tanta atenção no streaming, não fosse o período de restrições pelo qual estamos passando (#RespeiteAQuarentena). Mas chegou à Netflix com todo mundo em casa, o filme está sendo descoberto pelo público. Em troca, o filme aponta de forma clara e contundente alguns dos "maus comportamentos" que estamos vendo neste período de crise. Acidentalmente, ou não, levanta discussões que precisamos e retrata muito bem a sua época.

O Poço (El hoyo)
Espanha - 2019 - 94min
Terror, Ficção-cientifica

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segunda-feira, 23 de março de 2020

Carta ao Rei

segunda-feira, março 23, 2020 0
Bravos guerreiros subestimados, nobres cavaleiros, heróis predestinados, reis e rainhas, disputas pelo trono, magia... parece que estou descrevendo Game of Thrones ou The Witcher, mas estes também são elementos do universo de Carta ao Rei. Uma série de fantasia medieval da Netflix, que atende a um público que ainda não tem idade para ver as outras produções de censura alta, mas também não deve entediar os mais velhos.

Tiuri (Amir Wilson de His Dark Materials), não é o mais promissor entre os aspirantes a cavaleiro de seu reino. Mas ao atender um pedido de ajuda, recebe a importante missão de entregar uma carta ao rei do reino vizinho e evitar uma tragédia. Simples assim, levar o objeto de desejo do ponto "a" ao "b". É claro, a partir daí o rapaz é perseguido por tudo e todos, precisa correr contra o tempo e descobrir quem é aliado e quem é inimigo.

A série é uma adaptação do livro da escritora e ilustradora holandesa Tonke Dragt, lançado em 1961. Com apenas seis episódios com cerca de uma hora cada, usa os dois primeiros para estabelecer seus reinos, personagens e premissa. Partindo para a aventura interrupta nos capítulos restantes. 

Cumprindo direitinho a jornada do herói de Joseph Campbell, é na construção do universo, costumes, mitos e história que a série aposta. Não chega a ser um universo tão complexo e intricado quanto das obras de Tolkien ou Martin, mas é rica o suficiente para criar uma aventura divertida, interessante e que até guarda uma ou outra reviravolta.

As locações na Nova Zelândia e República Checa são pontos fortes, trazendo belos e diversos cenários conforme a aventura avança. O figurino não se destaca muito, mas é realista e funcional para aquele universo, e os personagens que veste. O mesmo vale para os efeitos especiais.

Elenco adolescente é eficiente e consegue carregar a história, com destaque para Wilson, Ruby Ashbourne Serkis (filha de Andy Serkins) e Thaddea Graham. O elenco adulto não é tão eficiente e algumas vezes beira a caricatura, como é o caso de Gijs Blom, intérprete do príncipe Viridian. À exceção são as boas participações especiais de David Wenham e Andy Serkins.

Há espaço também para uma ou outra crítica social mais leve, como o menosprezo de uma cultura e seus indivíduos por serem diferentes e o papel e voz das mulheres na sociedade. Além da tradicional busca por poder, disputas políticas, traição, responsabilidade, honra e auto-confiança, sempre presentes neste gênero.

Aventura, batalhas de cavaleiros, donzelas nada indefesas, mistérios e magia... para curtir uma boa obra de fantasia não há idade. Carta ao Rei,  vem preencher essa lacuna etária, e reunir a família toda na frente da telinha para se divertir com vilões poderosos e nobres cavaleiros. Uma boa opção pra quem precisa ficar em casa.

Carta ao Rei tem seis episódios com cerca de uma hora cada, todos disponíveis na Netflix.

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quinta-feira, 19 de março de 2020

Avenue 5 - 1ª temporada

quinta-feira, março 19, 2020 0
Um cruzeiro turístico à deriva, impossibilitado de atracar, com passageiros confusos e em perigo., liderados por um capitão de fachada sem nenhum conhecimento da embarcação, que é refém dos caprichos do rico proprietário igualmente inapto. Por incrível que pareça, esta não é a descrição de uma situação real da atual epidemia de COVID-19, mas da série de comédia da HBO, Avenue 5.

Em um futuro próximo, Ryan Clark (Hugh Laurie) é o capitão da Avenue 5, uma nave de cruzeiro espacial, que é desviado de sua rota. Condenados à estender a viagem por anos, a equipe precisa lidar com as consequências da mudança. Estas vão desde a falta de suprimentos, passando problemas técnicos, passageiros egoístas irados e a falta de aptidão do dono da embarcação, Herman Judd (Josh Gad).

Armando Iannucci, criador de Veep, queria se afastar da política ao investir nesta comédia de ficção-cientifica. Mas a política está em toda parte, e Avenue 5 acidentalmente (ou nem tanto) acabou por refletir bem o momento atual do planeta. Onde temos conhecimento e tecnologia para lidar com os problemas, mas todo este avanço é anulado por líderes incapazes e por nosso próprio egoísmo.

O Capitão Ryan Clark, até se esforça, mas despreparado para o papel recebe os créditos, enquanto deixa grande parte do trabalho para Billie (Lenora Crichlow). Judd só atrapalha, ao tomar atitudes idiotas e ainda ser paparicado, por ser o mais poderoso (leia-se rico) à bordo. Os hóspedes complicam tudo com o tradicional comportamento do "primeiro eu". Enquanto na Terra o "controle da viagem", se mostra igualmente incapaz de gerir a crise. Assim, os erros falhas e problemas se acumulam e causam novos empecilhos, criando o absurdo, que embora tenha graça é assustadoramente realista.

O roteiro equilibra as situações cada vez mais absurdas, com falas inteligentes e diálogos que abusam do nonsense. Tudo sustentado pelos diferentes personagens, que propositalmente caricatos, sustentam um ambiente de empasses. Tipos distintos de passageiros egoístas e detestáveis, uma tripulação em diferentes níveis de alienação, e os protagonistas, um pouco mais complexos que isso.

O elenco eficiente traz nomes como Zach Woods, Suzy Nakamura, Himesh Patel e Nikki Amuka-Bird. Embora os destaques sejam Hugh Laurie e Josh Gad, e eles entreguem um excelente trabalho, é Lenora Crichlow quem conquista o público ao representar a voz da razão em meio ao caos. É a Billie quem resolve problemas, quem compreende o que está acontecendo, e aponta os absurdos da situação em que vive. Não que a moça não tenha seus momentos de distração, ou o restante dos personagens não possa acertar de vez em quando. O crescimento do sentimento de responsabilidade do falso Capitão, por exemplo, é um arco bem curioso.

A direção de arte e figurinos, cria um universo futurista, mas também bastante familiar à nossa realidade. Aumentando nossa proximidade com os personagens e o impacto das críticas sociais presentes no roteiro

É claro, humor é uma coisa muito pessoal, e o estilo de Avenue 5 pode não funcionar com todos. Mas mesmo quem não gargalhar, vai reconhecer as impensáveis semelhanças com a vida real, pensar sobre isso e talvez rir de nervoso. "Vimos pessoas se idiotizarem até a morte!", de repente não é uma fala tão absurda assim!

Inteligente, crítico, divertido, bem produzido e absurdamente atual. Avenue 5 nem pretendia ser uma metáfora tão contundente sobre a época em que foi criado, mas acerta em cheio ao retratar o lado feio da humanidade em meio ao caos, e eventualmente momentos altruístas. Entretém e faz pensar, é tudo que se pode pedir de uma comédia!

Avenue 5, é exibida pela HBO e está disponível na HBO Go. A primeira temporada tem nove episódios com cerca de meia hora cada, e o segundo ano já foi confirmado. 

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segunda-feira, 16 de março de 2020

10 principais clichês dos filme de terror

segunda-feira, março 16, 2020 0
Escrito por: José Renato
Site: Pllano Geral
Página no Facebook: Pllano Geral

Muitos de nós já estamos bem acostumados com umas cenas padrões que são replicadas em muitas e muitas obras. São takes tão batidos, que fica até chato toda essa repetição. Fiz aqui um breve compilado das 10 principais cenas mais clichês dos filmes terror. Vamos lá!

1 – O barulho (ou Jump Scare): 

Invocação do Mal
Quando algum personagem está fazendo algo geralmente muito simples, (como pentear os cabelos), de repente o fantasma aparece trazendo consigo um barulho de doer os ouvidos. Esse recurso é tão clichê que alguns filmes podem utilizar-se dele por várias vezes durante o mesmo longa. É claro que o que te assusta é o barulho e não a criatura. Conhecemos isso também como "pulo do susto", o movimento que fazemos quando a cena acontece.

2 – O celular nunca funciona: 

Rua Cloverfield, 10
A pobre protagonista consegue escapar do seu perseguidor, ela pega seu celular para chamar o socorro, o que acontece? Você já deve saber, ele não vai funcionar. Não sei das operadoras americanas, mas acho que o "viver sem fronteiras" não dá certo com eles. Esse claro foi apenas um exemplo, existem ainda os casos que o celular está descarregado e etc. São soluções pensadas principalmente para o filme não acabar em dez minutos com a chegada da polícia.

3 – Polícia: 

Falando em polícia, não podemos esquecer do fato de que os patrulheiros sempre estarão lá, mas quando o filme estiver acabando para dar um cobertor para a mocinha.

O Homem Invisível

4 – O carro: 

Sexta-feira 13 - Parte 2
Mecânicos em filmes de terror devem ser muito caros, ou no mínimo os carros não gostam de pessoas e querem que elas morram. É muito comum você ver algum personagem fugindo até o carro, e quando chega lá descobre que infelizmente ele não liga. Aqui existem algumas variações, o assassino às vezes tem um poder de dedução fantástico e estraga o carro de alguma maneira, ou o personagem consegue ligar o carro, mas bate na primeira árvore. Não esqueça ainda de que o assassino ou fantasma já pode estar escondido no banco de trás do automóvel.

5 – Tem alguém aí?:

A Freira
Quando a protagonista está assustada por que por acaso ouviu algum barulho estranho, ela então começa a andar vagarosamente pela casa, é aí que acontece o celebre clichê: “Tem alguém aí?” O chato é que o fantasma nunca responde: “Sim, estou aqui!”.

6 – O escorrega:

Quando os protagonistas começam a fugir de seus perseguidores, os mocinhos sempre tropeçarão em um galho e meterão a cara no chão. O recurso é usado de duas maneiras diferentes, o mais comum é que o personagem caia, mas ainda sim consiga se levantar e correr, isso para tentar dar uma tensão ainda maior a perseguição, em outros casos, ao cair a mocinha já é capturada.
O Segredo da Cabana

7 – O espelho:

Não Olhe
Esse funciona semelhante ao primeiro clichê (jump scare), por que os dois funcionam bem juntos, mas o espelho vai além. Quando a protagonista entra no banheiro para pegar algum remédio, escovar os dentes, ou algo do tipo, o espelho é mostrado com alguma coisa atrás dela, na maioria das vezes a personagem nem percebe o espírito. Esse recurso ficou tão desgastado que alguns filmes te pregam uma pequena peça, alguns diretores passaram a montar todo um clima na cena do espelho, porém, não mostram nada, apenas para criar uma expectativa no telespectador. Acontece que isso também já está virando clichê.

8 e 9 – A viagem (E a casa assombrada):

A Colina Escarlate
Na tentativa de dar um clima mais pesado a trama, alguns diretores querem te passar a sensação de isolamento, e isso fica meio complicado quando a entidade está em um apartamento ou um local cheio de pessoas. É por isso que muitos utilizam o recurso de uma viagem de férias, para que os personagens possam chegar em uma casa isolada. Aqui nesse “fim de mundo”, os personagens descobrem que ela é assombrada, e que por acaso foi palco de algum crime ASSUSTADOR. Uma pena que as entidades prefiram estar tão longe.

10 – A morte: 

Atire duas vezes, regra da Zumbilândia para certificar a morte.
Quando a comédia é mais esperta que o terror!
Por último, e uma outra solução arranjada para o filme não acabar muito rápido, é o fato dos personagens nunca conferirem ou “terminarem o serviço” de acabar com o vilão. Em dada cena, um dos mocinhos consegue acertar o cramunhão que fica lá estendido no chão desfalecido, mas, por alguma razão totalmente desconhecida que você já conhece, esse personagem foge sem terminar de matar o tinhoso para infelizmente morrer cinco minutos depois.

Tais clichês são mais presentes em filmes Slashers (um subgênero do terror), que fizeram muito sucesso no passado, felizmente alguns diretores mais atuais tem tentado fugir de repetições, o que vem renovando bastante os longas, porém, é importante salientar que o clichê não é atestado de filme ruim, pois tudo depende de como a técnica é empregada. E a Fabi (dona deste blog) ilustrou estes exemplos com um monte de filmes que são excelentes, apesar dos clichês!

Se preferir filmes do gênero que escolhem passar longe de tais convenções, fica aqui algumas sugestões de longas mais recentes como: A Bruxa, Suspiria (2018), Nós, Midsommar e o Farol.

Essa lista conta com apenas dez clichês, porém existem muitos outros por aí, consegue lembrar de algum? 

Um abraço!
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sexta-feira, 13 de março de 2020

12 vezes que AnnE esteve a frente de seu tempo!

sexta-feira, março 13, 2020 0

A canção de abertura de Anne with an E, Ahead By A Century da banda The Tragically Hip já anuncia: Anne está um século à frente! Ouso dizer que, seu avanço vai além de cem anos. A série que se passa na década de 1890,  trata de temas que ainda hoje são tabus, sem nunca destoar ou perder fidelidade com a época em que a história se passa.

Essa capacidade de trazer temas atuais, com honestidade e sutileza é um dos muitos motivos pelos quais os fãs amam a série, e renegam seu cancelamento. Resolvi fazer minha parte na campanha, e apontar alguns momentos que AnnE e seus colegas estiveram a frente do seu tempo. Assim você pode mostrar para seus amigos e conquistar mais fãs, ou apenas relembrar momentos incríveis do programa. #SaveAnneWithAnE
O MINISTÉRIO DOS SPOILERFÓBICOS INFORMA
ESTA LISTA CONTÉM SPOILERS DAS TRÊS TEMPORADAS DE ANNE WITH AN E
PROSSIGA POR SUA CONTA E RISCO.

12 vezes que AnnE esteve a frente de seu tempo:


1 - Quando ela apontou que divisão de trabalho por gênero não faz sentido:

“I’m as strong as a boy, and I prefer to be outdoors rather than cooped up in a kitchen. It doesn’t make sense that girls aren’t allowed to do farm work when girls can do anything a boy can do and more! Do you consider yourself to be delicate and incapable? Because I certainly don’t.
“I don’t understand the conundrum. For example, what if, suddenly, there were no boys in the world, none at all.”
— Anne Shirley
"Sou tão forte quanto um garoto e prefiro ficar ao ar livre do que ficar presa em uma cozinha. Não faz sentido que as meninas não tenham permissão para trabalhar na fazenda, quando elas podem fazer qualquer coisa que um garoto faz e muito mais! Você se considera delicada e incapaz? Porque eu certamente não.
"Eu não entendo o dilema. Por exemplo, e se, de repente, não houvesse mais meninos no mundo, nenhum?

É assim, logo no primeiro episódio a protagonista já diz a que veio. Apontando absurdos da época em que vivia quando precisou convencer Marilla de que podia ficar em Green Gables e ajudar nas tarefas da propriedade.

2 - Por que a garota não pode ter a iniciativa?

Segundo a mesma linha de raciocínio, AnnE questiona a necessidade de esperar pelo garoto no "jogo da paquera".  Se quiser beijar um garoto, porque a iniciatica não pode ser dela? As respostas negativas das amigas não foram muito esclarecedoras ou convincentes, ouso dizer.

3 - Uma saia não é um convite!

E por falar em jogo da paquera, tudo tem limites. Ninguém tem o direito de atormentar o outro só porque é um menino. Levantar a saia das meninas é assédio, viu!


4 - Casamento nem sempre é a melhor opção, muito menos a única


Quando descobriu que o futuro marido a impediria de continuar estudando, Prissy desistiu do casamento em pleno altar. Resultando em uma bela cena de libertação pessoal, um belo exemplo para as garotas mais jovens, e para meninas e mulheres do lado de cá da tela.

Vale apontar essa frase de tia Josefine:
"Tenho os seguintes pensamentos para oferecer, primeiro, você pode se casar a qualquer momento da sua vida, se você escolher por fazê-lo. E dois: se você escolher uma carreira, poderá comprar um vestido branco, encomendar e usá-lo sempre que quiser."
“I have the following thoughts to offer, first, you can get married any time in your life if you choose to do so. And two: if you choose a career, you can buy a white dress yourself, have it made to order, and wear it whenever you want.”—Aunt Josephine

5 - Descobrir os privilégios de ser mulher

Ok, nem todos os momentos são tão politicamente corretos. É em seu primeiro porre que AnnE percebeu que apesar de tudo, ama ser mulher. Quem nunca alcançou clareza em um momento inusitado que atire a primeira pedra. Além disso, é uma cena muito divertida!



6 - Vamos falar de menstruação?

Pois é 2020 e a gente ainda fala pouco disso. AnnE apontou que o ciclo menstrual não é vergonha nenhuma. E até abraçou sua TPM. #TodasSeIndentificam

Ok, não é só de "temas femininos" que vive esta série!

7 - Envolva-me e eu aprenderei

A importância de uma boa educação também é apontada. Bons métodos de ensino e aprender com os alunos, idéias muito modernas "para a época", são mais eficazes.

8 - Ler também é essencial

Todo mundo precisa e merece saber ler. E toda criança devia estar na escola. Jerry precisa trabalhar para ajudar a sustentar a família, por isso nunca foi a escola. É claro, AnnE, uma ávida leitora,  o ensina a ler. 


9- Liberdade de expressão é um direito humano!

Em tempo de fake news, desvalorização da imprensa, e confusão sobre seus valores e papel na sociedade, a série mostra que os alunos de Avonlea sabem muito bem o valor que seu jornal escolar tem. E lutam para mantê-lo funcionando. 

10 - Sem preconceitos

De coração e mente abertos, AnnE e Gilbert não tem preconceitos e respeitam as diferenças. O rapaz dá o primeiro bom exemplo, ao não julgar a protagonista por ser vindo de um orfanato, diferente de seus colegas de classe:

"Porque eu ligaria de onde ela veio? Uma garota bonita é uma garota bonita.
“Why do I care where she’s from? A cute girl is a cute girl.”—Gilbert Blythe
A onda de bom exemplo continua quando o rapaz faz amizade com Bash. AnnE fica empolgada em conhecer uma pessoa de etnia diferente, de um país diferente. Marilla e Mathew superam a surpresa e recebem bem o novo morador de Avonlea.

Depois é a vez de AnnE fazer amizade com Ka'Kwet, passando por cina do preconceito da comunidade com os nativos canadenses.

11 - Ser verdadeiro consigo mesmo

A sociedade exige tanto da gente, "seja assim, seja assado". A pequena Minnie May aponta de forma honesta e inocente de que não adianta mentir para se encaixar no que esperam de você. Não está ajudando ninguém e prejudicando a si mesmo.  

12 - Cole, identidade e amor

Uma das tramas mais tocantes é a de Cole, que se descobre diferente dos outros garotos. Sem nunca usar o termo homossexualidade, a série aborda a dificuldade de compreender sua identidade na adolescência, com o agravante desta identidade ser crime na época.

AnnE compreende e aceita Cole antes mesmo ele próprio o faça. O apoio dela é essencial, mas o adolescente ainda enfrentas muitas dificuldades antes de entender e aceitar a si mesmo.Enquanto Tia Josefine, mostra que o amor verdadeiro e duradouro existe em todas formas, e não há nada de errado nisso.


Estes são 12 dos muitos momentos que Anne esteve um século (ou mais) a frente do momento em que vive. O seu favorito está na lista? Lembrou de algum outro? Quer exaltar a série de outras maneiras? Comente aí.

Leia mais sobre AnnE with an E:
Informações úteis para sua maratona de AnnE with an "E";
Crítica da primeira temporada;
Crítica da segunda temporada;
Crítica da terceira temporada.

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quarta-feira, 11 de março de 2020

Por Lugares Incríveis

quarta-feira, março 11, 2020 0
Por mais que seja tendencia atualmente, equilibrar problemas de saúde e romance adolescente em uma obra de ficção é uma tarefa difícil. Especialmente quando estes problemas são de saúde mental, naturalmente mais complexos de retratar e explicar para o público, e cuja discussão ainda é cercada de tabus como depressão e suicídio. Por Lugares Incríveis, adaptação da Netflix para livro homônimo de Jennifer Niven, tenta navegar por estes temas de forma responsável.

Violet Markey (Elle Fanning) está sob o parapeito de uma ponte, quando Theodore Finch (Justice Smith) a conhece. O incomum encontro desperta o interesse do garoto pela moça, e forçados a fazer juntos um trabalho de classe - no qual visitariam os tais lugares incríveis - a dupla passa a conviver e ajudar um ao outro a trabalhar suas cicatrizes emocionais e distúrbios psicológicos, na medida do possível, dentro do conhecimento de adolescentes.

Você compreendeu certo, o filme já começa com uma situação de suicídio. Aborda também, luto, depressão, bullying e bulimia, todos distúrbios complexos que atingem jovens dessa geração.  Há um esforço visível para tratar destes temas de forma honesta, sem glamorizá-los (lição que a Netflix aprendeu à duras penas com a polêmica de 13 Reasons Why).

Embora acertado, esse excesso de zelo também ameniza o aprofundamento mais didático destas questões. A discussão aqui precisa ser mais clara e direta, já que é voltada para um público bastante jovem. Mesmo os mais velhos, nem sempre tem conhecimento destas condições e suas consequências. O caso da bulimia é ainda mais gritante, já que sua existência é apenas citada, nunca discutida. Soando como se inserido por uma obrigatoriedade de tratar todos os temas do livro. A abordagem contida acaba por tirar parte do peso da condição, e isso se reflete na trama.

Enquanto acompanhamos o processo de luto de Violet, a trama nos apresenta um Finch meio maluquinho e aparentemente apaixonado pela vida. É apenas na metade da produção, que a trama inverte o foco e resolve mostrar as mazelas que o rapaz esconde por traz de sua persona impulsiva. Mas nesse ponto, há pouco tempo para explorar sua condição.

O relacionamento do casal, também sofre com um desenvolvimento brusco e um tanto apressado. Esta falha no entanto, é compensada pelo carisma e química de seu casal de protagonista. Fanning, já experiente em dramas, faz um trabalho eficiente ao criar uma gradual superação do luto para Violet. Já Smith, mais visto em "filmes pipoca" como Jurassic World e Detetive Pikachu, surpreende ao acompanhar o nível de sua parceira de cena, deixando transparecer as muitas camadas de Finch, mesmo antes do roteiro resolver abordá-las.

A direção trabalha no lugar comum do gênero, ocupada em criar belos momentos do casal, e emocionar a audiência no final. Fotografia e trilha sonora seguem o mesmo estilo familiar. O elenco coadjuvante traz rostos conhecidos como Alexandra Shipp, Luke Wilson e Keegan-Michael Key, em papéis sem grande destaques ou desafios.

Por Lugares Incríveis acerta em escolher abordar sem glamorizar, mas não consegue equilibrar este bom senso com o peso que estes temas merecem. É um bom começo de discussão, mas poderia ser mais. No geral, passeia por lugares familiares do sub-gênero romance adolescentes com condições complexas, para contar com responsabilidade, uma história que funciona, mas não engaja o público.

Por Lugares Incríveis (All the Bright Places)
2020 - EUA - 107min
Drama, Romance


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