Outubro 2019 - Ah! E por falar nisso...

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

A Família Addams

quarta-feira, outubro 30, 2019 0
Desde seu surgimento em cartoons para a revista The New Yorker em 1937, a Família Addams é uma inversão mórbida e bem humorada da tradicional família estadunidense. Consequentemente, cada nova adaptação reflete inversamente os valores e ideais de sua época. Característica que fica bastante clara no novo filme, uma animação que também deixa bem claro seu público alvo, as crianças.

Isolados, e protegidos, em seu castelo, os Addams estão às vésperas de um grande encontro de família. E como se a reunião não fosse trabalho o suficiente, eles tem sua rotina atrapalhada e estilo de vida contestado por uma cidade colorida e padronizada que cresce próxima à propriedade.

Este filme é também uma história de origem. Mostrando desde o casamento de Gomez (voz de Oscar Issac) e Mortícia (Charlize Theron), passando pela adição de Tropeço, escolha da casa, nascimento das crianças e principalmente, os motivos que os levam à escolher o isolamento. Apresentando este universo as novas gerações de forma simples.

O conflito (e lição) aqui é a convivência com respeito às diferenças, tanto por parte da família, quanto dos cidadãos. Estes últimos representados na figura da vilã Margaux Needler (Allison Janney), arquiteta e apresentadora de um programa de TV de reformas, é a representação da padronização forçada e do desprezo pelo diferente. Ao mesmo tempo, a curiosidade de Vandinha (Chloë Grace Moretz), quanto ao que há fora do "mundo dos Addams", vai forçar a família a encarar o mundo novamente.

Lições coerentes com as discussões atuais, passadas de forma bem simples. Em alguns momentos simples até demais, especialmente na resolução do conflito principal e no destino da vilã. Também seria interessante ver um pouco mais do estranhamento entre culturas nos momentos em que os Addams e os moradores da cidade se encontram. O tom mais ingênuo e descomplicado é eficiente com as crianças, e entediariam os adultos caso estes não estivessem entretidos com outras coisas.

Referências às versões anteriores das família e a outras produções macabras como It: A Coisa e A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça, estão entre os atrativos para os crescidinhos. Na versão original, o elenco de vozes famosas também chama atenção, trazendo Bette Midler, Finn Wolfhard, Catherine O'Hara e Snoop Dogg, além dos nomes já citados. Já na versão dublada, é provável que apenas os adultos apreciem a boa trilha sonora, que traz canções originais (sem versão em português) e sucessos atuais, que dão ao filme um tom melancólico e mórbido porém, fofo. E caso esteja se perguntando, a tradicional canção tema também está de volta.

A animação caprichada recria os personagens aos moldes do criador Charles Addams, e aposta da discrepância de cores para ressaltar as diferenças entre os Addams (em tons escuros e cinzentos) e as pessoas comuns (exageradamente coloridas e vibrantes). O formato também possibilita a existência de mais criaturas difíceis de criar em versões live-action. De leões e polvos, passando por árvores e objetos, até o portão tudo tem vida, daquele jeitinho mórbido que tanto conhecemos.

Apostando em um "macabro fofo", A Família Addams pretende apresentar este universo para um novo público. Conquistar-los ainda bem pequenos sem entrar em conflito com o "politicamente correto", e sem deixar de lado a morbidez característica da família. Tarefa que cumprida com eficiência. A história poderia ter mais estofo, para agradar também os adultos, é verdade. Mas o passo inicial foi dado, Mortícia, Gomez, Vandinha, Feioso e companhia foram devidamente atualizados e apresentados para as novas gerações, com suas essências respeitadas. Oferecendo às sequencias (sim, já ha uma em produção) a oportunidade de expandir e explorar melhor este estranho universo. Os Addams vem aí, e pra ficar!

A Família Addams (The Addams Family)
2019 - EUA - 87min
Animação
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segunda-feira, 28 de outubro de 2019

O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio

segunda-feira, outubro 28, 2019 1
Muito antes do empoderamento feminino virar regra em Hollywood, eram Ellen Ripley e Sarah Connor os melhores exemplos de personagens femininas em filmes de ação. Mas enquanto Ripley se revelava a grande heroína de Alien, o Oitavo Passageiro. Sarah ainda dividia os holofotes com seu filho "o escolhido" e o T-800 de Arnold Schwarzenegger, em O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final. Destino Sombrio vem dar à personagem o protagonismo que merecia, além de dar espaço à novas mulheres fortes.

Sarah (Linda Hamilton) e John realmente mudaram o futuro no segundo filme. Mesmo assim, é 2019 e um novo exterminador é enviado, desta vez o alvo é uma jovem mexicana chamada Dani Ramos (Natalia Reyes). Grace (Mackenzie Davis), é a ajuda que o lado humano manda para a salvar a moça. Sempre atenta aos "eventos futuros", Sarah também vem ao resgate, no trabalho de "controle de máquinas" que tem feito há mais de duas décadas.

Se você está afiado com a franquia, deve ter notado, A Rebelião das Máquinas (2003), A Salvação (2009) e Gênesis (2015) foram descartados neste longa, sequencia direta do segundo filme Julgamento Final (1991). Resultado do retorno de James Cameron ao roteiro da franquia. Deixar estas produções de lado, também facilitam a compreensão do universo como um todo, deixando de lado, as reviravoltas confusas e universos alternativos. Vale mencionar que estas produções ao lado da série As Crônicas de Sarah Connor (2008), são considerados linhas do tempo alternativas, o que é coerente com a premissa de viagem no tempo.

De volta ao filme atual, a narrativa aqui segue a premissa básica dos primeiros longas da franquia: salvar o escolhido, de um assassino implacável. Para alguns a persistência deste futuro distópico causado por nós mesmos pode até soar repetitivo, mas basta uma olhadela no jornal para notar que a humanidade é ótima em repetir antigos erros. O que diferencia esta produção das anteriores, é dinâmica entre as três protagonistas, como cada uma aprende e influencia a outra, enquanto fogem/tentam deter de um inimigo em comum. Enquanto Arnold Schwarzenegger, corre por fora, influenciando mais a trama pessoal de Sarah, ainda cheia de ressalvas e assuntos pendentes com o modelo T-800.

Com mais personagens em cena, há mais camadas a serem exploradas. Estas vão desde questões relativas a natureza humana, senso de propósito, autopreservação, empatia e perdão. Até críticas sociais atuais, já que o alvo da vez, e até o novo modelo de exterminador, o Rev-9 (Gabriel Luna) são de origem latina, refletindo a tensão com a forma como os Estados Unidos tem tratados imigrantes. Tudo isso, é claro, dentro das perspectivas de um filme de ação, onde estas discussões ficam nas camadas superiores, ou mesmo na breve indicação em prol da ação, presente desde os primeiros minutos, e com pontuais respiros ao longo de todo o filme.

O que não fica na mera indicação, no entanto e o protagonismo assumidamente feminino. São elas que movimentam o filme, encaram as lutas e, no geral, salvam o dia. Há uma cena final, que entrega o heroísmo para o T-800, mas não chega roubar o foco que as moças tiveram das duas horas anteriores. Schwarzenegger é pouco mais que uma participação especial de luxo, fornecendo seu carisma, trabalhando nossa a nostalgia ao máximo e visivelmente se divertindo com isso.

As cenas de ação são bem filmadas e impactantes quando se mantém mais contidas, em perseguições de carro e principalmente no corpo-a-corpo. Aqui a imponência de Mackenzie Davis se destaca, ao lado do bom trabalho de dublês, e da postura ameaçadora de Linda Hamilton, mesmo em seus cabelos brancos. É cai na megalomanía que as sequencias de ação se perdem, confusas, exageradas, escuras e longas demais, na velha busca pelo " espetáculo maior" à qualquer custo. É o clímax que perde com este exagero, felizmente à esta altura a maioria dos espectadores já está engajado na missão.

A franquia O Exterminador do Futuro parece aprender com seus erros, e não ter receio (incentivo de Cameron talvez) de descartar o que não funciona, e abraçar os acertos. O foco em Sarah é um deles, empoderamento feminino estando em voga, ou não. Uma personagem forte e bem construída é sempre o melhor caminho. E ela aqui, ainda desmente outro tabú, o de que exite idade para ser protagonista de ação.

Este novo filme simplifica a franquia, elimina as múltiplas possibilidades criadas pelas três sequencias mais recentes, e recoloca a franquia nos trilhos. Não que este longa seja livre de falhas, ou que tudo nos anteriores deva ser descartado, mas Destino Sombrio traz de volta o tom que tanto agradou em O Julgamento Final. Ao mesmo tempo, reinicia o universo e até surpreende em alguns momentos. E claro, acima de tudo, diverte.

O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio (Terminator: Dark Fate)
2019 - EUA - 128min
Ação, Ficção-científica


Leia também as críticas de O Exterminador do Futuro: A Salvação e O Exterminador do Futuro: Gênesis.
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sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Eli

sexta-feira, outubro 25, 2019 0
Histórias de pessoas que precisam viver em total isolamento, por graves alergias ou falta de imunidade, são tão fascinantes quanto tristes. Não é surpresa que a ideia da necessidade de viver em uma bolha de plástico seja premissa para os mais diferentes tipos de obra, desde o drama (O Menino da Bolha de Plástico), passando pela comédia (Jimmy Bolha) e até o romance adolescente (Tudo e Todas as Coisas). Eli traz o argumento para o universo do terror.

Eli (Charlie Shotwell) tem uma doença auto-imune que o torna alérgico a praticamente tudo. Em um último esforço, seus pais gastam todo o dinheiro da família no tratamento milagroso da Dr. Horn (Lili Taylor). Aos poucos a clínica, uma antiga casa transformada em ambiente estéril, começa a abrigar fenômenos que indicam que nem tudo é o que parece.

Falta um pouco de foco na construção do terror aqui. A princípio o grande medo é ser exposto os elementos que podem matar o protagonista em instantes, mas logo a ameaça é substituída por entidades que assombram a casa. É aqui que o roteiro peca em ritmo e originalidade, antes de entregar uma curiosa reviravolta.

Enquanto apresenta personagens e condição da vida de Eli, o roteiro de David Chirchirillo, Richard Naing, Ian Goldberg, acerta na construção da tensão e mistério em torno da doença e do tratamento. É isso que garante a permanência do espectador durante o segundo ato, que cai nos clichês típicos dos filmes de fantasmas, trilha sonora que prepara o susto, objetos que se movem sozinhos, aparições em espelhos e cantos escuros, e por aí vai.

A recompensa fica por conta do desfecho que muda nossa percepção em relação aos personagens, e dá sentido a detalhes que poderiam ser considerados falha de pesquisa para espectadores mais atentos. Especialmente no modus operante da doença de Eli, que assim como em  Tudo e Todas as Coisas, em muitos  momentos soa falsa propositalmente. Uma pena que o roteiro não tenha plantado outras boas pistas sobre a verdadeira natureza da história, em benefício dos fantasmas clichês do segundo ato.

Ao menos são clichês bem construídos. O diretor Ciarán Foy tem um bom conhecimento das técnicas de terror, e faz bom uso do cenário para apresentar as manifestações. As sequências nunca estão confusas, ou recorrem à escuridão excessiva para criar a atmosfera ameaçadora. A fotografia de Jeff Cutter (Rua Cloverfield 10, A Órfã) aposta em cores sem vida, que somadas à direção de arte cria um ambiente mais depressivo e desesperançoso do que de fato estéril.

As boas atuações completam a lista de acertos Lili Taylor, esta confortável no gênero terror. Enquanto as atuações de Max Martini e Kelly Reilly se complementam, embora ela lute constantemente com uma caracterização (leia-se penteado), que parece estar limitando sua expressão. Sadie Sink é eficiente em seu trabalho de tirar o protagonista do raciocínio óbvio. Já o protagonista mirim Charlie Shotwell é um pouco verde nas cenas dramáticas, mas entrega nos momentos físicos e de confronto, e é suficiente para carregar o filme.

Eli faz parte da corrida da Netflix para aumentar seu catálogo próprio, apostando em nome promissores ainda não tão expressivos na indústria. Tem um segundo ato meio lento e repetitivo, mas recompensa aqueles que ficarem com um desfecho que surpreende, que usa de forma curiosa a premissa do "menino na bolha". Não é excepcional, mas também não está entre os grandes erros da produtora, de fato é um bom entretenimento para quem procura algumas horas de diversão aterrorizante.

Eli
2019 - EUA - 98min
Terror

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quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Downton Abbey

quarta-feira, outubro 23, 2019 0
Adivinhe que vem para jantar? É um evento extraordinário que nos leva de volta ao cotidiano dos Crawley e seus criados. Mostrando que as vidas dos personagens continuam apesar do fim da série em 2016.

É 1927, o Rei Jorge V (avô da Rainha Elizabeth interpretado por Simon Jones) e a Rainha Maria (Geraldine James) farão uma parada de Downton Abbey durante sua turnê pelo país. Os funcionários ficam empolgados com a possibilidade de servir a realeza, os patrões preocupados em receber a realeza com toda a pompa e circunstância devidas.

Dentro desta premissa, o roteiro encara a incrível tarefa de dar tempo de tela para cerca de duas dezenas de personagens fixos, e ainda apresentar apropriadamente os novos que movimentam a trama deste episódio particular na vida do castelo. Desafio cumprido com maestria ao conectar os dilemas pessoas e do grupo à tal visita especial.

Assim, os empregados como um todo tentam lidar com o fato de terem sido "liberados" de suas tarefas em prol da equipe real. Alguns deles como Barrow (Robert James-Collier) e Daisy (Sophie McShera), com um desafio pessoal próprio, seja ele grande ou pequeno. O republicano assumido Tom Branson (Allen Leech) precisa equilibrar suas convicções com as responsabilidades da família. Lady Violet (Maggie Smith) tem uma rusga com sua prima, Maud (Imelda Staunton), funcionária da rainha. É de pequenos desafios e suas resoluções, que é construída a trama do longa metragem que dá continuidade a história da série.

Tratando-se de uma continuação da história, obviamente a produção exclui quem nunca acompanhou a série de TV. Não que seja impossível acompanhar a trama deste "episódio" em questão, o desafio de receber a realeza é claro, mas muito das relações e das motivações que justificam as ações dos personagens, e consequentemente enriquece a trama é perdida. Detalhe que seria problema em outras produções, mas este filme é assumidamente uma obra para fãs do programa no qual se baseou. Tem um público cativo e é a eles quem pretende atender.

Dito isso, as características que marcaram a série e encantaram público e crítica estão de volta. Desde os belos cômodos do Highclere Castle, usado como locação para criar Downton Abbey, passando pelos figurinos impecáveis, além da fotografia e trilha sonora que criam atmosfera romantizada da década de 20. O ritmo é um pouco mais acelerado, considerando o tempo limitado, nada no entanto que chegue a descaracterizar o tom da produção.

Praticamente todo o elenco da última temporada está de volta. Maggie Smith sempre se destaca, especialmente nas falas sem censura da Condessa viúva e em suas conversas ácidas, com a também excelente Penelope Wilton. Robert James-Collier, Allen Leech, Kevin Doyle e Sophie McShera, também chamam atenção, provavelmente porque o roteiro lhes dá um pouco mais com que trabalhar. O restante do elenco se mostra afinado como um todo, confortáveis em seus já conhecidos papéis e incorporando bem os novatos em sua nova dinâmica. Entre estes, Kate Phillips, Tuppence Middleton e Imelda Staunton são os melhores aproveitados pelo roteiro.

Middleton e Staunton também estão entre as possíveis adições permanentes caso hajam novas incursões em Downton. Apesar de tratar de um evento fechado, e que se resolve neste mesmo filme, a produção deixa sim brechas para uma possível continuação.

A vida em Downton Abbey não parou após o final da série. De fato, nem sequer alcançou um "felizes para sempre" definitivo. Assim como a nossa, a vida dos Crawley e seus funcionários continua, um desafio após o outro.  A diferença é que eles vivem em um mundo mais romantizado que o nosso. Com mais vitórias, maior senso de sociedade, e até mais boa vontade que os dias de hoje. E se isso não for suficiente para desejar ver um pouco mais, tem sempre a curiosa relação entre patrões e empregados, e a luxuosa vida da aristocracia.

Seja quais forem os motivos de cada espectador, os criadores de Downton Abbey, sabem que ainda tem um público saudoso pela série. E é assumidamente aos fãs que este longa metragem pretende agradar. Missão que cumpre muito bem!

Downton Abbey
2012 - Reino Unido - 123min
Drama, Romance

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segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Zumbilândia: Atire Duas Vezes

segunda-feira, outubro 21, 2019 0
O primeiro passeio pela Zumbilândia foi tão divertido, que é surpreendente que Hollywood tenha levado exatos dez anos para visitar o debochado mundo zumbi novamente. Por outro lado, é satisfatório perceber que o retorno foi bem planejado, com o retorno de elenco, diretor e equipe.

Columbus (Jesse Eisenberg), Tallahassee (Woody Harrelson), Wichita (Emma Stone) e Little Rock (Abigail Breslin) continuam buscando um lar nos Estados Unidos tomados por zumbis. Mas dez anos se passaram e Little Rock, agora adulta, está cansada da rotina de sua família disfuncional e foge em busca de novas aventuras. Forçando o trio restante a pegar a estrada novamente, encontrando novos sobreviventes e enfrentando um tipo evoluído de zumbis.

Sim, o formato é praticamente o mesmo do filme original. É a presença de novos personagens e desafios que evita que Zumbilândia: Atire Duas Vezes seja uma mera repetição do longa anterior. Situações que hora são novas, mas muitas vezes brincam com o que fora estabelecido no primeiro filme. Agora a produção não faz piada apenas com o sub-gênero de zumbis, mas com o próprio universo. A intenção ainda é divertir, e reencontrar os personagens que nos conquistaram tão facilmente.

Harrelson, Eisenberg e Stone trazem de volta seus personagens exatamente como eram, o caipira bom em matar zumbis, o nerd ansioso e sistemático, e a garota durona que não deixa ninguém se aproximar. A diferença fica por conta de sua relação mais afiada após dez anos de convivência. É a personagem de Breslin quem mais mudou, saindo da pré-adolescência para a idade adulta. Apesar de sua mudança mover a trama, Little Rock é a mais apagada do elenco original, com um jeitinho aborrecido mais típico de uma adolescente, que de uma jovem adulta que ela alega ser. (Cada um amadurece em sem tempo, né!)

Entre o elenco novo, Rosário Dawson entrega a presença carismática de sempre. Enquanto Luke Wilson e Thomas Middleditch, seguram uma excelente piada, que seria ainda melhor se não tivesse sido apontada nos trailers. Avan Jogia entrega um personagem propositalmente irritante. Mas é Zoey Deutch quem se destaca, Madison é a típica caricatura da loira descerebrada e por isso teria tudo para soar repetitiva e sem graça. Entretanto, Deutch entrega uma interpretação empolgada e sem receios de soar ridícula, além conseguir estabelecer uma boa dinâmica com o grupo veterano, o que a torna a melhor nova adição desta sequência.

A direção de Ruben Fleischer, que também dirigiu o primeiro, é caprichada e eficaz nas cenas de ação. Estas são ágeis, compreensíveis e criativas. Com destaque para um plano sequencia de tirar o fôlego, e para a utilização massiva dos letreiros das regras. Os textos já apareciam no original, e aqui ganham ainda mais ousadia e interação com a trama.

De volta à trama, seu desenvolvimento é bastante previsível, a inserção a influência de Elvis soa forçada em alguns momentos. Mas o que é um filme de terrir, se não a forçação de elementos ao ponto do absurdo, para fazer o humor com isso. E o que Zumbilândia: Atire Duas Vezes perde em originalidade, ganha em 'nonsense' e na agilidade da narrativa. Já estamos familiarizados com o mundo zumbi, podemos ir direto à ação sem parar para explicar tudo. Aqueles que não acompanharam o primeiro, perdem sim algumas piadas, mas não ficam completamente à deriva, já que o tom é determinado e as principais regras são relembradas logo nos primeiros minutos de filme.

Zumbilândia: Atire Duas Vezes não adiciona muita coisa ao universo, e nem pretendia. É uma produção criada assumidamente para quem gostou do primeiro filme, público e equipe, o elenco visivelmente está se divertindo com o reencontro. É como uma revisita a um lugar onde você se divertiu muito de férias uma década atrás, mas ao invés da de princesas e montanhas-russas, a diversão aqui é matar zumbis da forma mais divertida e inusitada possível.

Zumbilândia: Atire Duas Vezes (Zombieland: Double Tap)
2019 - EUA - 99min
Terror, Comédia, Ação


P.S.: Tem cenas pós-créditos!

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sexta-feira, 18 de outubro de 2019

12 Curiosidades de Downton Abbey

sexta-feira, outubro 18, 2019 0
Ei, você ficou sabendo? Em 2019 voltaremos à Downton Abbey! A super aclamada série britânica ganhou um longa-metragem que nos leva de volta ao cotidiano dos Crawley e seus funcionários, em uma ocasião especial: uma visita da realeza. A crítica sai na semana que vem. Até lá, que tal começarmos o aquecimento com curiosidades da série?

Caso você nunca tenha ouvido falar, Downton Abbey é uma série de TV britânica, que acompanha o cotidiano da aristocrática família Crawley, e seus criados durante o reinado de Jorge V, no início do século XX. Fala das regras e pompa da nobreza, das mudanças do século XX, e principalmente da complexa relação e hierarquia entre todos que vivem sobre aquele teto, patrões e funcionários. Teve seis temporadas exibidas entre 2010 e 2015. No Brasil foi transmitida pela TV Cultura, esteve disponível na Netflix, agora todas as temporadas podem ser vistas na Amazon Prime. Já o filme será exibido nos cinemas.

Vamos às curiosidades:

1 - Downton Abbey é a série britânica mais premiada no Emmy com 69 indicações e 15 estatuetas. O programa também tem 3 Globos de Ouro e um Bafta, além de nomeações e vitórias e muitos outros prêmios.

2 - A série foi inspirada pelo filme Assassinato em Gosford Park (2001), escrito por Julian Fellowes, que também criou a série atendendo a um pedido do produtor Gareth Neame. Maggie Smith, Jeremy Swift e Richard E. Grant estão em ambas as produções. Smith e Swift inclusive tem papéis semelhantes nas duas produções.

3 - Segundo o livro The World of Downton Abbey (2011), escrito por Jessica Fellowes, cada episódio da série custa 1 milhão de Euros para ser produzido.

4 - Vários eventos e personalidades reais são vistas ou mencionada ao longo das temporadas, como o naufrágio do Titanic e a 1ª Guerra Mundial.

5 - O figurino de época, além de deslumbrante é impecável aos detalhes. Algumas das peças são roupas autênticas das décadas de 1910 e 1920. Por causa da idade, as peças são frágeis e não podem ser lavadas, como resultado, não cheiram muito bem.

6 - A Rainha Elizabeth II também é fã do programa, e gosta de pescar anacronismos nos episódios. Um dos que ela descobriu foi um soldado da Primeira Guerra Mundial usando medalhas de honra da Segunda GM. A Rainha já foi hospede no Highclere Castle.

7 - Hugh Bonneville, Brendan Coyle e Maggie Smith tiveram seus papéis escritos especialmente para eles.

8 - Quem gosta de brincar de "quem-é-quem" na cultura pop, vai se deliciar reconhecendo atores de Game of Thrones, Harry Potter, Doctor Who, The Crown, e até dos remakes live-action da Disney. A série tem um elenco gigantesco entre grandes nomes como Maggie Smith e revelações como Lily James e Dan Stevens.

9 - Highclere Castle é o verdadeiro nome do castelo que serve de locação para a série. Situado em uma propriedade de 5000 acres na cidade de Highclere, no condado de Hampshire, pertence aos Condes de Carnarvon desde o século XVII. É uma casa senhorial estilo jacobita criada elo arquiteto inglês Charles Barry, com um parque projetado pelo paisagista britânico Capability Brown. Sua habitação está datada desde a idade média, mas a casa como conhecemos hoje fora remodelada pelo 3º conde entre 1839-1842. E seus habitantes nobres estão envolvidos emalguns momentos importantes da história, como a criação do Canadá(!), e a descoberta da tumba de Tutancamon.

10 - O Castelo como vemos da série e sua exposição egípcia, são abertos à visitação durante o verão, e pode ser alugado para casamentos e eventos (chique hein!). Além de servir de cenário para vários outros filmes e séries, como a comédia britânica Jeeves and Wooster, a estrelada por Hugh Laurie e Stephen Fry.

11 - De volta à Downton Abbey, a série realmente se apossou do casarão, usando seus jardins, quartos, salões, corredores, bibliotecas e até os móveis. Entretanto, as cozinhas e os alojamentos dos criados precisaram ser recriados no London’s Ealing Studios. Pois as cozinha fora modernizada, e os quartos dos funcionários precisavam de reparos na época do início das filmagens. - Imagina o desafio de continuidade, um ator grava sua cena saindo das cozinhas com uma bandeja em Londres, e só vai chegar na sala de jantar semanas depois, em Highclere! - A boa notícia, é que com o aumento do interesse turístico gerado pela série os Carnarvon puderam começar os reparos na áreas danificadas.

12 - Durante a 2ª temporada a mansão se tornou uma casa de convalescênça para as tropas. O Highclere Castle realmente serviu à guerra, a Condessa de Carnarvon o transformou o castelo em um hospital. Até hoje existem cartas de antigos pacientes agradecidos pela hospitalidade expostas em alguns quartos.

Pronto, agora você está pronto para revisitar Downton Abbey . Você conhecia estas curiosidades? O longa estreia dia 24 de Outubro nos cinemas.

Imagens: Copyright ITV Studios
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quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Malévola: Dona do Mal

quarta-feira, outubro 16, 2019 0
Você já superou o fato de que Malévola de Angelina Jolie, não é necessariamente a mesma da animação com a qual cresceu? Deixando de ser o puro mal expressado desde seu nome, para se tornar uma pessoa complexa, levada ao lado negro pelas circunstância e com grandes probabilidades de retorno ao lado da luz? Pois supere! A Disney não tem intenção de parar de reinventar seus clássicos e Jolie parece estar se divertindo ao se apropriar da personagem. Logo, Malévola: Dona do Mal vem continuar a jornada do conto da Bela Adormecida pelo ponto de vista de sua outrora vilã.

Cinco anos se passaram desde os eventos do primeiro filme. Aurora (Elle Fanning), é agora rainha da floresta e criaturas mágicas e Philip (Harris Dickinson) finalmente propõe casamento. O matrimônio poderia marcar a união entre humanos e o povo das fadas, mas a mãe do rapaz Rainha Ingrith (Michelle Pfeiffer) não está disposta a confraternizar com Malévola e seus pares, e faz de tudo para afastar a princesa de seu povo mágico, e se possível eliminá-lo.

Escolher entre a "mãe" e o garoto que ama, os humanos e as fadas, é o dilema da princesa neste longa. Enquanto Malévola tenta se encaixar na parte humana da vida de Aurora, precisa aprender a lidar com a independência da filha, além de proteger o seu povo. A mensagem (ou seria lição?) aqui é mais que clara, aprender a conviver com as culturas distintas e a resolver suas diferenças de forma pacífica.

Mas a tentativa de um discurso engajado, mal arranha a superfície, mesmo com a expansão do universo apresentando as origens da personagem título. Aqui o roteiro se perde em sua própria mitologia, ao acrescentar elementos e características de diversas lendas conhecidas, que não conversam bem entre si. Um povo orgulhoso acuado, suas vertentes bélica e pacifista, a diversidade desta espécie vinda de todos cantos do mundo, a natureza de "seres das trevas", a lenda do escolhido, sacrifício, ressurreição, experimentos com cobaias, ... tem de tudo neste roteiro inchado, e ainda sim previsível.

Ao menos a previsibilidade conta pontos à favor do elenco, bastante confortável em seus papéis. Fanning traz uma aurora mais madura, responsável, e menos bobona encantada com tudo e todos. Já Jolie parece realmente se divertir no papel, seja nos momentos de desconforto ao tentar se encaixar onde não pertence, seja quando se apresenta como ser poderoso e sarcástico que é. Seus diálogos com Diaval (Sam Riley) são os mais inspirados, o intérprete do corvo/humano também parece mais adaptados às suas penas. Fauna, Flora e Primavera Knotgrass (Imelda Staunton), Thistletwit (Juno Temple) e Flittle (Lesley Manville), também retornam, embora não tenham muito o que fazer nesta trama.

Entre o elenco novo, Dickinson, que substituiu Brenton Thwaites, consegue nos fazer acreditar na boa índole do Príncipe Philipe apesar de sua mãe. Enquanto Michelle Pfeiffer, sempre boa em fazer vilãs aqui parece estar no automático, ou engessada pelo roteiro pouco criativo, mas ainda soa vilanesca. Já Chiwetel Ejiofor e Ed Skrein, são pouco aproveitados em seus papéis de visões opostas.

É na direção de arte, e principalmente no figurino que Malévola: Dona do Mal se destaca. Com mais liberdade que o longa anterior, mas ainda brincado com as referências ao clássico animado, os trajes complementam as personalidades e jornadas. Ao mesmo tempo que esbanjam criatividade e luxo, afinal e uma história de rainhas. Já a direção de arte traz cenários criativos, embora o excesso de CGI repita o conflito entre o mágico e o artificial já visto no primeiro longa.

Alguns questionamentos ficarão na mente dos minimamente exigentes: quem governa o antigo reino humano de Aurora? Se o povo de Malévola estava a um voo de distância, como ela nunca esbarrou neles antes? Há CGI no rosto de Warwick Davis? Quem de fato é a tal Dona do Mal? E estes são apenas as dúvidas que não contém spoilers. Nada que de fato atrapalhe o andamento da trama, que segue o tradicional crescente de produções de aventura, Aqueles que estiverem dispostos e com a suspensão de descrença afiada, no entanto, provavelmente vão se divertir com uma fantasia com visual impecável e elenco empolgado.

Para aqueles que ainda tiverem problemas para superar a boa índole desta Malévola, a dica é: desfrutem da atuação feita com gosto por Angelina Jolie. Esta é a versão dela da personagem, ela faz com gosto e personalidade própria. Se ainda sim, não funcionar, vale lembrar que a Malévola feita de puro mal, não vai deixar de existir por causa desta. Basta revisitar o longa de 1959, quantas vezes desejar.

Malévola: Dona do Mal (Maleficent: Mistress of Evil)
2019 - EUA - 119min
Aventura/Fantasia

Crítica de Malévola (2014)

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segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Influência

segunda-feira, outubro 14, 2019 0
A Netflix continua em sua corrida para criar catálogo próprio, agregando e produzindo obras à toque de caixa. A intenção parece ser boa, oferecer oportunidade para os mais diversos criadores e assim diversificar as escolhas para o assinante. Entretanto, parece que o excesso acaba interferindo na qualidade e para cada acerto (I Am Mother), existem um monte de produções medianas (Tal pai, tal filha) ou ruins mesmo (Bright). A estreia do espanhol Denis Rovira van Boekholt na direção de longas-mentragens, Influência, engrossa a terceira categoria.

Após anos sem contato, Alícia (Manuela Vellés), retorna para casa onde cresceu para ajudar a irmã Sara (Maggie Civantos), a cuidar da mãe em estado terminal. Acompanhada do marido Mikel (Alain Hernández) e da filha Nora (Claudia Placer), ela precisa enfrentar não apenas as memórias e rancores da infância, mas também uma influência maligna que parece interessada na menina.

A intenção é desenrolar aos poucos e simultaneamente dois "mistérios": a crescente influência da entidade interessada em Nora, e desvendar aos poucos o passado que protagonizara Alícia ao ponto da moça cortar laços com a família. Mas falta fluidez, não apenas entre os momentos distintos, mas em cada linha narrativa isoladamente. Não há continuidade entre as cenas, fazendo com que as ações e escolhas dos personagens pareçam perdidas e sem sentido. A quantidade de vezes que afirmam estar indo embora da cidade, mas na cena seguinte permanecem lá, ainda desconfortáveis, sem que nada os impeça de sair, chega a ser irritante.

O longa também falha, em nos fazer prezar pelo bem estar destes personagens, ao jogar o espectador imediatamente na "nova vida" da família. Sem apresentar suas personalidades, relações, motivações ou mesmo o que deixaram para trás. Assim, quando Nora age mal na escola, e os pais dizem que ela não é assim, impossível não nos perguntar: então como ela era? Já que a garota sequer fala antes dos eventos estranhos começarem.

Para combinar com o roteiro confuso e mal resolvido, a direção pouco inspirada, se apoia demais em uma fotografia desaturada e ambiente inexplicavelmente escuros, e um excesso de luzes vermelhas sem origem definida, para criar o clima de ameaça, que por não fazer sentido, pouco funciona. Á certa altura, Mikel, é mostrado consertando as luzes da casa, mesmo assim eles continuam a andar no escuro, mesmo á luz do dia, como se não houvessem janelas na propriedade. No restante do tempo Rovira, apenas replica o básico em produções do gênero, com aparições no canto da tela, gente se movendo lentamente no escuro. Há até uma tentativa de homenagem a O Iluminado, que de tão mal executada provavelmente passará despercebida.

Se roteiro e execução pouco fazem sentido, ou colaboram para nosso interesse. Não há muito que o elenco possa fazer, Vellés oscila entre a expressão rabugenta de quem não queria estar ali, e os olhos arregalados de medo. Hernández e Civantos, entregam o que seus personagens precisam, e apenas isso. Os maiores destaque ficam com a menina Claudia Placer e Emma Suárez (que dá vida à mãe Victória), ambas entregam intensidade, embora estejam presas à caricatura que o roteiro lhes ofereceu.

O argumento, apesar de não ser completamente original (quem viu A Chave Mestra, provavelmente vai desvendar o mistério antes da metade do filme), não é ruim. Mas se perde na construção da própria mitologia, além dos já mencionados problemas de execução.

Nada funciona bem Influência, deixando evidente a pouca experiência de Denis Rovira van Boekholt, que estreia e longas-metragem tanto na cadeira de diretor, quanto no roteiro. Dar chance à gente nova, é sempre digno de nota, aplausos para a Netflix por isso, seja produzindo ou apenas distribuindo. Entretanto, prezar pela qualidade, mesmo que prejudique a quantidade, também é necessário.

Influência (La influencia)
2019 - Espanha - 99min
Terror

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