Setembro 2017 - Ah! E por falar nisso...

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Kingsman: O Círculo Dourado

quarta-feira, setembro 27, 2017 0
Segundo a cartilha de clássicos da espionagem como James Bond, um bom agente secreto precisa ser ágil, destemido, habilidoso, infalível, invulnerável ao álcool e um grande garanhão que salva o mundo sozinho. Já os filmes que eles protagonizam tem que ter gadgets impossíveis, vilões caricatos com planos mirabolantes, reviravoltas e cenas de ação gigantescas. A menos é claro que você seja um agente da Kingsman!

Desde sua primeira aventura nas telas a franquia subverte este livro de normas, seja invertendo seus valores, seja exagerando ao ponto de transformá-los em comédia voluntária e consciente de seus absurdos. É desta inteligente e ousada crítica ao "lugar comum" do gênero da espionagem que vem o frescor e charme da franquia. E apesar de não ter mais a surpresa da novidade do primeiro longa, Kingsman: O Círculo Dourado conta com a satisfação do reencontro com personagens que já amamos.

Um grandioso ataque quase elimina a agência e obriga Eggsy (Taron Egerton) e Merlin (Mark Strong) a buscar uma ajuda emergencial inédita, é assim que descobrimos a existência dos Statesman. Uma instituição "estadunidenase" de espionagem onde trabalham Tequila (Channing Tatum), Whiskey (Pedro Pascal), Champagne (Jeff Bridges) e Ginger (Halle Berry). Eles precisam impedir a mega-vilã da vez, a maior traficante de drogas do mundo, Poppy (Julianne Moore).

Um agente já experiente em campo os desafios de Eggsy agora são seguir com a missão enquanto encara a dor da perda, e tenta balancear a vida de agente com a amorosa. - Lembra daquela princesa? Pois é, ela não era uma mera Bondgirl EggysGirl!?! - Já Merlin encara situações novas para um veterano. Enquanto a surpresa desperdiçada pelo marketing, que informou desde o início o retorno de Harry Hart, ao menos oferece a Colin Firth a oportunidade de dar novas nuances ao outrora "agente perfeito" Galahad.

Enquanto a história da Kingsman e de seus funcionários segue em frente descobrimos a familiar dinâmica da Statesman. A agência do outro lado do Atlântico tem estrutura propositalmente semelhante à britânica. Na trama, porque as instituições tem a mesma base. Na realidade, um jeitinho divertido de dizer que agências secretas de cinema no fundo são todas iguais. 

Outras críticas e piadas que vem atreladas ao novo país são o patriotismo exagerado, a "lentidão mental" dos americanos e Donald Trump. Entre os convidados o destaque fica com o Pedro Pascal (o Oberin de Game of Thrones). Whiskey é o agente Statesman com mais tempo de tela, um cowboy mulherengo sem medo de dizer o que pensa. É dono do gadget/arma inovadora da vez e consequentemente de algumas das melhores cenas de ação.


E por falar nas sequências de ação, não há nenhuma tão marcante ou surpreendente quanto a cena da igreja protagonizada por Firth em Serviço Secreto. Mas todas tem a estética, dinâmica e qualidade que chamaram a atenção no filme anterior. Violência estilizada, câmera nervosa, cortes dinâmicos em sincronia com a trilha sonora, sempre ágil, exagerada e nunca incompreensível.

Compreensível também são as motivações de Poppy, até porque ela faz questão de explicar direitinho como toda boa vilã. Isto é, compreensível, dentro do universo de vilões cartunescos que querem dominar o mundo de um jeito ou outro. Moore entrega um perfeita dona de casa dos anos de 1950, tão elegante e impecável quando implacável para alcançar seus objetivos. Presa em seu próprio mundo perfeito, Poppyland, que mistura alta tecnologia e nostalgia, faz várias referências e analogias ao mundo não tão sublime que pode se esconder por baixo das aparências.

Se o primeiro longa fazia piada com os clichês dos filmes de espionagem, Kingsman: O Círculo Dourado não tem vergonha de zoar a si mesmo. Recria inclusive situações do primeiro filme, apenas para brincar com suas expectativas. Critica a necessidade da indústria a megalomania a indústria, sendo megalomaníaco. Repete um pouco do que o seu antecessor fez, é verdade! Mas assume isso, e aproveita para criticar a fórmula pronta. Sempre com um roteiro coerente, bem dirigido, com elenco afinado, boas cenas de ação e a melhor participação de Elton John que você vai ver em um filme!

Kingsman: O Círculo Dourado (Kingsman: The Golden Circle)
Reino Unido, EUA - 2017 - 141min
Ação, Espionagem, Comédia


Leia a crítica de Kingsman: Serviço Secreto

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segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Fuller House - 3ª temporada (parte 1)

segunda-feira, setembro 25, 2017 0
Em 22 de setembro de 1987 estreava Full House (nosso Três É Demais) na TV estadunidense. Exatos 30 anos mais tarde, na última sexta-feira, 22 de setembro de 2017, a terceira temporada de seu bem sucedido remake/revival, Fuller House chega à Netflix. E apesar de toda a "coincidência" numérica (mesma data, 3ª temporada-30 anos) faltou um pouco de mágica na celebração de três décadas da família Tanner.

Com duas temporadas em seu ano de estreia, Fuller House ganhou um terceiro ano com mais episódios. Dezoito ao todo, a primeira metade deles liberada na celebração dos trinta anos da série, o restante ainda sem data de estreia.

Sem grandes reuniões do elenco, celebrações ou mesmo flashbacks o desenrolar destes primeiros episódios surpreendeu muitos fãs ao não se render à nostalgia e comemorações. Contrariando as expectativas criadas pelo próprio marketing da série que a série criou. A independência gradual de DJ, Steph e Kimmy dos "adultos originais", e suas aparições cada vez mais pontuais, é esperada, mas o momento pareceu errado.

Já o desenvolvimento das personagens melhorou desde a última temporada equivocadamente focada apenas em romance. Sim, DJ (Candace Cameron-Bure) ainda está às voltas com seu "quadrângulo amoroso" com Steve, Matt e CJ (Scott Weinger, John Brotherton e Virginia Williams respectivamente), mas ao menos Stephanie (Joodie Sweetin) ganhou uma trama que não está relacionada a interesses românticos. A caçula que já havia anunciado que não pode ter filhos, resolve encarar o desafio de se tornar mãe de alguma forma.

Kimmy (Andrea Barber) foi quem realmente saiu perdendo. Tanto sua trama profissional, quanto a disputa pela atenção de sua filha ramona com o marido foram transformados em meros alívios cômicos resolvidos com piadas e abraços. É verdade que esse tipo de desenvolvimento raso também acontecia com seu "co-relato das antigas" Joey (Dave Coulier), mas com muitos mais episódios era possível trabalhar melhor estes dilemas e humanizá-lo em alguns momentos evitando que o personagem viva constantemente na caricatura.

Quem também vive constantemente na caricatura é Fernando (Juan Pablo Di Pace), mas para o estranho ex-marido de Kimmy isso funciona. Alívio cômico assumido ele é a versão dos tempos de hoje do que a própria Kimmy era nos anos 80, com direito a rixa com o irmão do meio da família e com o pai responsável dispensando sua presença. Embora a insistência de DJ e expulsa-lo "delicadamente" ao invés de simplesmente falar civilizadamente com o homem adulto que o quer fora da casa soe muito estranha em um dos episódios.

E por falar no irmão do meio, o pequeno Max (Elias Harger) começa a dizer à que veio com seu pequeno gênio cheio de manias. O bebê Tommy (Dashiell e Fox Messitt) também começa a interagir com o elenco. E Ramona (Soni Bringas) já se destaca desde o primeiro ano. Michael Campion e os roteiristas precisam correr atrás e tornar Jackson algo mais interessante que o adolescente bobo que é no momento. Quem sabe restabelecer a relação de irmãos que estavam criando com Ramona na temporada anterior e que aqui foi deixada de lado.

Com muitos deslizes, esta "meia temporada" de Fuller House foi um banho de água fria em fãs nostálgicos e ávidos por celebração. A boa notícia é: esta é apenas metade da temporada, talvez as ausências e falhas sejam apenas por não termos a obra completa. - Porque dividir Netflix?
Esse reencontro completo? Por enquanto só no trailer!
Enquanto os nove episódios restantes não chegam o jeito é imitar os Tanner e praticar a compreensão e paciência. Esperar pelo fim da temporada de braços abertos e torcer para que esta venha cheia de abraços e rizadas como de costume. 

As duas primeiras temporadas de Fuller House tem 13 episódios cada. Este 3º ano terá 18 episódios ao todo, metade deles já está disponível na Netflix. Todas as 7 temporadas de Três É Demais também estão no serviço de Streaming. 

Leia mais sobre sériesNetflix e Fuller House
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sábado, 23 de setembro de 2017

Death Note

sábado, setembro 23, 2017 0
Talvez seja hora da Netflix frear a enxurrada de produtos originais. Dar um passo atrás, observar sua galeria e dar atenção aos projetos que já tem, pois Death Note é um dos muitos equívocos que do serviço de streaming nos últimos meses.

Inspirado pelo mangá de Tsugumi Ohba esta releitura mantém a premissa instigante, um adolescente encontra um caderno que permite ao seu portador matar pessoas apenas escrevendo seus nomes nele, o tal Death Note. Se ter o poder sobre a vida e a morte já é tarefa complexa para seres mitológicos, imagina para um adolescente comum. Mas desta vez a história se desenrola em Seatle em um típico high scholl estadunidense.

A adaptação para o público ocidental, que inclui mudança de cidades, de etnias e nomes de personagens, e até de algumas regras do caderno já eram previstas. E não existe nenhum problema nestas alterações. A complicação veio quando o roteiro resolveu simplificar os dilemas que essa grande responsabilidade traz para a vida Ligth (Nat Wolff, completamente perdido).

Apresentado como um jovem com inteligência acima da média, e frustado com o fato do assassino de sua mãe sair impune, a primeira grande utilidade que o protagonista encontra para o Death Note é... impressionar uma garota. Mia Sutton (Margaret Qualley, muito bem em The Leftovers, aqui apenas fazendo o possível) até tem uma personalidade mais instigante, mas não escapa do papel de bode expiatório do roteiro que tem a necessidade patológica de transformar o mocinho em um herói.

Ao se tornar juiz, juri e executor, Ligth não passa por nenhum dos dilemas que mesmo justiceiros ou vigilantes enfrentam ao fazer justiça com as próprias mãos. Quais os limites para alguém com tamanho poder? Como manter questões pessoais afastadas de seu julgamento? Entre outras questões. Também há toda questão da mitologia em torno do caderno, sua origem, usos, portadores, regras (e a possibilidade de burlá-las) que nunca são de fato exploradas.

E por falar na mitologia em torno do Death Note, é nela que está o único grande acerto da produção. Ryuk, o shinigami dono do caderno que aqui tem o papel apenas de atiçar o menino a usá-lo, ganhou um visual interessante, muito fiel à 'versão desenhada', mas que funciona em live action, embora o tom do filme não comporte sua presença em muitos momentos. A escolha de Willem Dafoe como seu interprete também é afinada. Especialista em vilões, é o melhor em cena, sem no entanto estar lá literalmente.

Outra chance desperdiçada é o embate de cérebros entre os supostos gênios, Light e L (Lakeith Stanfield). A dupla até engaja uma caçada estilo gato-e-rato enquanto o -"consultor?"- prodígio tenta persegue o culpado pelas mortes misteriosas. O que ele faz usando pistas surgidas por mágica, lógica misteriosa, e escolhas confusas como base de investigação. O que torna todo o arco policial pouco convincente e muito dependente da boa vontade do espectador.

Mesmo as novas regras criadas pelo filme são mal utilizadas. A principal delas, que permite a escolha da forma em que a pessoa vai morrer, serve apenas para manipular à trama para criar um desenrolar conveniente e criar "mortes mais legais". Já as mortes, tem o estilo da franquia Premonição. Gráficas e exageradas fingem impactar, mas não são comprometedoras de verdade para que o filme encaixe na censura de 16 anos.

Não é incomum uma produção flertar com vários gêneros, mas Death Note simplesmente não sabe a que gênero pertence. Policial, terror, comédia, filme de high school, todos presentes e construídos com tons diferentes que não conversam entrem si. Talvez por isso a escolha da trilha sonora seja tão desastrosa, as letras podem até dialogar com o tema, mas o tom simplesmente não encaixa e o você se descobrirá pensando na música ao invés do que está acontecendo na tela como um todo.

Explorar seus temas com uma nova visão, oferecer uma abordagem diferente, atualizar para novas gerações, trazer para um público novo, existem várias razões para criar uma nova adaptação de uma obra. Entretanto, se ao fazer isso você vai deixar de lado suas principais características e temas, ou seja o que faz única, porque adaptar. Crie algo novo! Talvez seja a hora da Netflix questionar um pouco mais seus motivos e objetivos antes de criar uma nova adaptação.

Death Note
EUA - 2017 - 101min
Suspense, Terror, Fantasia
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quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Mãe!

quarta-feira, setembro 20, 2017 2
Aproveite para praticar toda sua "spoilerfobia", quanto menos você souber sobre Mãe! antes de assistir melhor. Por outro lado, para aproveitar bem o novo filme de Darren Aronofsky é preciso estar disposto, atento e aberto a discussões e interpretações. Não que o longa seja complexo demais, mas seu objetivo, e principal mérito, é impactar e gerar reflexão. Seria um desperdício de duas horas ficar apenas em uma leitura superficial da obra. Dito isso, este texto é livre de spoilers.

Jennifer Lawrence e Javier Bardem são um casal que vive em uma casa isolada de tudo, seu próprio paraíso particular. Ele, um escritor em pleno bloqueio criativo. Ela, uma esposa completamente dedicada ao lar e ao bem estar do marido. Seu relacionamento e sanidade são postos à prova quando vistas e situações inesperadas interrompem sua pacata rotina.

Sempre perto da personagem de Lawrence - literalmente, a câmera está colada nela - é através dela e sempre dentro da casa, que acompanhamos esta trama intimista porém de escala gigantesca. O que só funciona graças à boa atuação da atriz que consegue não apenas imprimir os sentimentos mas transpor todos eles para o espectador com grande sensibilidade. Confusão, incômodo, frustração, desespero, sentimos todos eles ao longo da projeção. O que fica evidente especialmente durante o catártico terceiro ato quando o a reação do lado de cá da tela é desejar que tudo termine logo.

E por falar nesta catarse, já característica do diretor, ela nasce após um crescente de situações absurdas que levam à uma caos de proporções apocalípticas, porém completamente compreensível. A casa, antes um paraíso silencioso e tranquilo, se transforma em uma verdadeira babel onde nada faz sentido, ou parece ter solução. Tudo isso sem abandonar o cenário, ou o foco na personagem de Jennifer, com quem a essa altura já criamos total empatia. Produzindo uma experiência pessoal e visceral com quem está acompanhando sua história.


O objetivo não é apenas de contar uma história, mas passar uma mensagem que pode se perder facilmente, se a pessoa procurar um filme "autoexplicativo". O longa é uma grande alegoria, suas metáforas estão abertas à interpretações, bem como a aceitação ou discordância delas. De fato, a percepção destas referências faz parte da experiência de assistir ao longa. Por isso, não posso acrescentar muito de minha visão neste texto, sem estragar a sessão de alguém.

Uma coisa é certa e o próprio Aronofsky tem consciência de que este filme vai despertar amor e ódio na mesma intensidade. Haverão aqueles que simplesmente não alcançarão as metáforas e por isso não vão gostar. Outros vão compreender, mas discordar e até achar desrespeitoso, já que o tema cutuca algumas feridas e usa imagens fortes para isso. Também é possível discordar e admirar o trabalho de construção que disfarça uma grande história em uma micro-trama de suspense com nuances de horror.

Ou ainda, me inclua neste último grupo, aqueles para quem o filme vai fazer muito sentido. A cada novo olhar que dou à obra percebo mais detalhes que o tornam melhor, seja nas discussões que levanta, seja na forma como constrói a trama para "disfarçar" a mensagem a ser entregue. Quando finalmente compreendemos do que se trata o filme, a percepção cai como um tapa na cara do espectador.

De volta à produção, além de Lawrence finalmente nos lembrando de que não é apenas uma atriz de blockbusters, também estão em cena Javier Bardem, Ed Harris e Michelle Pfeiffer. Todos impecáveis em seus respectivos papéis. Personagens que não são muito bem apresentados, propositalmente vagos, mas cujas características e motivações eventualmente acabam fazendo todo sentido.

O equivoco fique talvez por conta do marketing do filme, que o vende como um suspense ou terror com muitas estrelas de Hollywood, o que a produção está longe de ser. É verdade que a indústria faz isso toda hora. Entretanto, com Mãe!, a coisa é mais complicada, já que o especador médio vai inevitavelmente sair confuso e insatisfeito da sala.

Para quem estiver disposto no entanto, o fato de a promoção do longa não entregar absolutamente nada apenas aprimora a experiência da descoberta. Particularmente, ainda estou sobre impacto do filme, que ouso dizer é meu favorito entre os trabalhos de  Darren Aronofsky e uma das melhores produções do ano.

Mãe! (Mother!)
EUA - 2017 - 122min
Suspense, Drama
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segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Relembrando a graça de acompanhar séries semanais!

segunda-feira, setembro 18, 2017 0
Agora que a temporada acabou há algumas semanas e os ânimos acalmaram, hora de pensar em outro fato curioso que aconteceu durante a exibição de Game of Thrones este ano. Deixando teorias, spoilers e arcos de personagens de lado, é hora de pensar na forma como assistimos séries em geral.

Antes uma contextualização. Seja por ações de hackers ou por causa de funcionários, atualmente desempregados, da HBO Espanha, vários episódios do sétimo ano foram disponibilizados antes do tempo. Entre polêmicas, escândalos e as técnicas para evitar spoilers, os vazamentos serviram para separar o joio do trigo. Foi assim que conseguimos descobrir quem realmente gosta da produção como um todo, e quem está apenas acompanhando a "modinha".

Os fãs de As Crônicas de Gelo e Fogo, ou mesmo apenas da sua versão para a TV, não apenas prenderam a lidar com a espera e as surpresas, mas também as encaram como parte da experiência. Esperar penosamente por uma semana (ou várias páginas) para saber se aquele personagem sobreviveu, e aproveitar para especular e imaginar seu destino neste meio tempo é para muitos a parte mais divertida do processo. 

Já os fãs de séries, prezam por assistir o produto no melhor formato possível da forma em que foi pensado para ser exibido quando concebido. Nessa experiência de esperar pelo próximo capítulo há até o espaço para os viciados em redes sociais, pois nada é mais empolgante que o hype no domingo, antes, durante e logo após cada episódio.

Entretanto, episódios vazaram e houve quem corresse para assistir a versão pirata. Afinal, nessa sociedade em que vivemos existe uma ânsia inexplicável por ser o "primeirão". Passar na frente, e com isso ter a falsa sensação de que está em vantagem em relação aos outros. Fica a dica coleguinha: você viu primeiro sim, é verdade. Mas em condições e qualidade questionáveis, sem a companhia dos amigos, ou mesmo o bate-papo nas redes, além é claro de estar compactuando com o crime de pirataria. Logo, talvez você precise rever seus conceitos quanto ao que é realmente uma vantagem. 

Houveram ainda aqueles que correram para assistir primeiro, não por curiosidade ou medo de que alguém lhes contasse o que acontece antes da hora. Estes queriam apenas saber o que acontece primeiro para soltar spoilers e estragar a experiência dos coleguinhas. Para estes minha mensagem é: você não é uma boa pessoa, e vai arder nas chamas de R'hllor, ser castigado nos Sete Infernos e pisoteado pelo Grande Garanhão por isso.

Reclamações à parte, o objetivo deste texto é na verdade ressaltar não apenas a forma a que acompanhamos nossas séries, mas também o motivo por que escolhemos assisti-las de determinada maneira. Muitos culpam os serviços de streaming e suas maratonas pela mudança em nossos hábitos, e há algo de verdade nisso. Mas vale sempre lembrar que as séries criadas exclusivamente para serviços como a Netflix já foram pensadas para serem disponibilizadas inteiras na plataforma, e por isso tem um ritmo próprio. E mesmo assim não estamos livres do efeito de um consumo sem tempo para reflexão e assimilação tem em nossas memórias, já falei sobre isso aqui

Quando aplicamos o estilo de maratonas em séries semanais, talvez estejamos perdendo algo realmente importante. Quando burlamos ainda mais e assistimos antes da hora, para "ter vantagem", talvez com certeza arruinamos a experiência - e as vezes não só a nossa!

Calma, não estou dizendo que você não devia fazer maratonas, ou assistir séries sem ser no canal que a exibe no momento de sua estreia (todos sabemos como muitos canais exibem mal os programas aqui), só estou convidando para pensar em como acompanhamos nossos programas. Eventualmente descobriremos a melhor maneira de ver cada um deles. 

Tentando ver o lado bom em uma coisa ruim, o vazamento dos episódios de Game of Thrones  serviu para nos lembrar os benefícios de acompanhar uma série semanal. A recompensa pela espera, as especulações prévias e debates posteriores. Atualmente minha agenda de espectadora faz uma mistura entre mega e micro maratonas, sem deixar de lado aquelas séries que acompanho semana a semana degustando a "semana de analise/debate/assimilação". 

E você? Como assiste às suas séries?

Leia mais sobre séries e confira dicas úteis para suas maratonas de streaming.
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sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Personagens com coulrofobia, medo de palhaços!

sexta-feira, setembro 15, 2017 0
Coincidência curiosa dos dias de hoje: temos dois ótimos filmes sobre palhaços em cartaz nos cinemas brasileiros neste momento. Notícia que só é ruim para quem tem Coulrofobia, o medo de palhaços. It: A Coisa, bem que merece a preocupação, seu vilão Pennywise literalmente come criancinhas. Já em Bingo: O Rei das Manhãs o que assusta mesmo é a trajetória de vida conturbada de seu intérprete.

Celebrando tanta "palhaçada" (no melhor dos sentidos) em cena, mas sem cair na mesmice confira cinco personagens que não assistiriam estas produções nem com ingresso e pipoca de graça!

Sam Winchester, enfrenta monstros, anjos, demônios e até deus e o diabo em pessoa, mas fica muito nervoso quando palhaços se envolvem em algum caso. E o mundo sobrenatural ama pancake e sapatos gigantes, com tantos palhaços que matam é até perdoável seu medo exagerado. Um desafio gigante para ele, que oferece muita munição para seu irmão Dean criar piadinhas, além de trazer sequências hilárias para Supernatural.



Agente Seeley Booth, o parceiro de Bones é outro que enfrenta os bandidos mais perigosos, mas fraqueja quando encontra um cara de nariz vermelho. Ainda na segunda das doze temporadas da série ele atira em um palhaço. Ok, era um enfeite em um carro de sorvete com uma música irritante. Alguns casos mais tarde a equipe pega um caso no Halloween que realmente tem um palhaço assassino. O jeito foi encarar o medo, que continua perseguindo o mocinho, como quando a dupla irritou um grupo de palhaços de circo.

Velma é super lógica, racional e determinada na caçada ao vilão nas aventuras de Scooby-Doo. Entretanto, quando palhaços entram em um caso ela até tenta fugir do serviço por causa de seu medo irracional.



Frankie o confeiteiro primo do Cake Boss Buddy Valastro não é um personagem, é verdade. Porém o o programa não hesita em novelizar seu medo (será que isso é saudável) toda vez que um bolo de circo é encomendado. Em meio a brincadeira na confeitaria, Frankie corre sem deixar cair os bolos, repara só!



Columbus é um sobrevivente da Zumbilândia, mas morre de medo mesmo é de palhaços. Tudo desculpa para incluir um ótimo palhaço zumbi medonho no clímax do filme.

Estes são meus cinco personagens coulrofóbicos favoritos, mas a lista é extensa e inclui o Ben (10), o Chuckie de Os Anjinhos, o Cory (As Visões da Raven), e muitos outros. Outro fato curioso, a grande maioria deles é "estadunidense". Será que já rolou algum estudo para determinar se os moradores da terra do Tio Sam, são mais suscetíveis a essa fobia específica?

Enquanto a resposta desta pesquisa não vem, conte nos comentários quais seus personagens favoritos que passam longe de circos. E você? Tem medo de palhaços?
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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Bates Motel - 5ª temporada!

quarta-feira, setembro 13, 2017 0
Antes de mais nada aquele aviso importante: resenha a seguir pode conter spoilers da série e de Psicose, clássico do mestre do suspense Alfred Hitchcock.

Não estamos mais assistindo a criação de um psicopata, Norman já está pronto! Confesso que eu não fiquei nem um pouco animada quando anunciaram a personagem de Marion para a quinta temporada de Bates Motel. Desde o início, sempre imaginei o final desta versão, com Norman comandando o motel, sentado na varanda comendo sementes de girassol enquanto sua mãe descansa no porão. Tudo prontinho para em alguns anos (e assassinatos) receber a pseudo-protagonista do aclamado suspense de Hitchcock. A série no entanto, resolveu ariscar e oferecer uma nova versão para o clássico. A coragem compensou, pois a nova versão funciona muito bem.

Quando deixamos Norman (Freddie Highmore) no ano anterior, ele acabara de perder matar sua mãe Norma (Vera Farmiga). Agora, o jovem comanda sozinho o Motel Bates, Romero (Nestor Carbonell) está preso pela morte da esposa, enquanto Dylan (Max Thieriot) e Emma (Olivia Cooke) vivem felizes em uma cidade distante, sem fazer ideia dos últimos acontecimentos.

Boa parte desta temporada se concentra em criar uma relação entre Norman, Madeleine Loomis (Isabelle McNally) e seu marido Sam Loomis (Austin Nichols), que eventualmente desencadearão na nova versão da famosa cena do banheiro, além de aumentar e demonstrar a psicopatia do protagonista. O arco ainda inclui Marion Crane, é claro, em uma boa participação especial de Rihanna. O resultado deste desenvolvimento é uma bem vinda mudança de motivação, Norman não é apenas sádico ou avesso às mulheres. Ele tem problemas com "perversão em geral", dentro de seus próprios parâmetros, obviamente. Estes foram bem apresentados ao longo das quatro temporadas anteriores.

A nova versão da icônica cena, não tenta imitar a obra de HitchCock, mas faz referências em ângulos e cortes. Os fãs dedicados devem aprovar as mudanças, que podem surpreender (isso se você escapou dos spoilers, eu consegui!), além de reconhecer as homenagens. Já os não iniciados não precisam conhecer o longa-metragem para desfrutar da sequencia.

Se dispõe de tempo e criatividade para a trama que faz alusão ao filme que a inspirou, Bates Motel peca com a trama principal que vem construindo ao longo dos anos. Talvez porquê grande parte do desenrolar já foi executada na temporada anterior, deixando para este quinto ano apenas o desfecho dos personagens.


Assim, a investigação em torno dos estranhos acontecimentos no motel é lenta, assim como os arcos de Dylan e Romero. A história do Xerife chega a desaparecer em alguns episódios, e não resulta em grandes soluções. O irmão de Norman tem um desfecho mais interessante, porém pouco explorado dentro do próprio universo. Particularmente senti falta do impacto da descoberta dos segredos do Motel Bates na comunidade de White Pine Bay e até em Emma.

Outros personagens com que a série perde tempo de tela são Chick Hogan (Ryan Hurst) cujo desfecho tem uma pegadinha e Caleb (Kenny Johnson). A presença de ambos só se justifica para oferecer um desfecho mais definitivo para seus personagens secundários e adiar o final da trama principal.

Falhas à parte, o ponto alto da série ainda é a dinâmica entre Highmore e Farmiga, apresentando com perfeição a relação doêntia entre mãe, filho e alucinação. Mesmo com sua personagem morta, Norma ainda é uma figura forte em cena e na vida de seu perturbado caçula. Isso só é possível graças à excelente atuação de Farmiga.


Apesar de alguns escorregões, Bates Motel conseguiu a proeza de recriar um clássico sem ser ofensivo, bajulador ou apenas ruim. Mantendo a essência da série e, principalmente, de seus carismáticos personagens. Nos importamos com eles por isso, perdoamos alguns equívocos na trama. Não supera Psicose, é nem acho que fosse o objetivo, mas como um todo a série é uma excelente atualização. Eficiente em uma parte que o longa não teria tempo de mostrar: como criar um psicopata!

Leia mais sobre Bates Motel.
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