Setembro 2019 - Ah! E por falar nisso...

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Predadores Assassinos

segunda-feira, setembro 30, 2019 0
Desde Tubarão (1975) a vida selvagem ameaça a humanidade em divertidos blockbusters. Ora de forma mais realista como em Águas Rasas, ora abraçando o absurdo como em Skarkinado. Predadores Assassinos fica entre estas duas obras. Não é despirocado como a franquia de tubarões voadores, mas não se mantém o tempo todo no realismo como a história da moça ilhada em uma praia deserta. Ah! E como se passa em água doce, a ameaça da vez são crocodilos.

Cidades da Flórida estão sendo evacuadas para a chegada de um furacão, Haley (Kaya Scodelario) não consegue entrar em contato com o pai Dave (Barry Pepper) que mora na região. Para ter certeza de que ele está seguro, a moça vai até sua casa de infância à sua procura. Lá, acompanhada do cachorro da família "Sugar", o encontra ferido no vão de serviço sob a casa. Agora ambos estão encurralados pelo crocodilo que o atacou, em uma casa sendo inundada e com um furacão a caminho

A proposta deste filme é bem simples, mostrar a luta de pai e filha pela sobrevivência. Ciente disso, o roteiro não demora muito para levar os personagens para situação de perigo onde praticamente todo a história se passa. Usando de forma eficiente seus primeiros minutos para apresentar tudo que precisamos saber sobre Haley. Uma nadadora cuja família perdera estrutura e tem suas relações ainda abaladas. O suficiente apenas para nos importarmos com ela, e consequentemente com quem ela se importa.

Estes primeiros minutos também trazem impressionantemente assustadoras sequencias na tempestade, ao ponto de imaginarmos que talvez os crocodilos nem sejam tão necessários. O furacão é ameaça o suficiente. Mas este é um filme sobre crocodilos gigantes, e logo nos encontramos com as feras criadas em um eficiente CGI, que soa falso apenas quando os animais estão em grande número, ou quando o roteiro convenientemente lhes dá vitalidade não natural. Em alguns momentos não são capazes de ultrapassar o encanamento, em outros quebram paredes, resistem à muitos tiros e sacodem humanos como bonecas de pano.

Nossos humanos também recebem 'upgrade', eventualmente esquecendo de grandes ferimentos que os impediriam de realizar alguns feitos. Exageros que podemos relevar, culpando a adrenalina e o extinto de sobrevivência. Especialmente porque esta superação sobre-humana aparece apenas na segunda metade do filme, quando personagens exploram seus limites, e nós já estamos envolvidos com sua sobrevivência.

Já não posso dizer o mesmo de nosso envolvimento com a reconciliação entre pai e filha. Felizmente, são poucas as pausas na trama para explorar esta relação, que passa pelo divórcio dos pais da moça e sua carreira como atleta, com o pai como primeiro treinador. Há também a sugestão de que a carreira da moça estaria estagnada, e como se trata de uma nadadora em uma situação onde é necessário nadar para sobreviver, a experiência poderia fazê-la alcançar outro nível. O clichê, no entanto, fica apenas na insinuação. A proposta da produção é outra, e o foco está acertadamente nela.

Digo acertadamente porque o diretor Alexandre Aja, acerta ao explorar todo o potencial do cenário restrito em que os personagens estão presos. A compreensão do espaço da casa, e a boa iluminação e coreografia das cenas, aproveita os espaços claustrofóbicos, a falta de opções e o excesso de água, para aumentar a tensão e a urgência. Nos fazendo até perdoar sequencias menos críveis, como a em que um dos crocodilos é vencido por um box de chuveiro.

Enquanto isso, o roteiro explora os limites da expressão "sempre pode ficar pior", inventando novas maneiras de desafiar a persistência dos personagens. Pequenos vislumbres de solução sendo literalmente levados pela enxurrada, em um crescente de dificuldades que eventualmente alcançarão alguns absurdos em seu clímax. Alguns destes momentos de esperança, aparecem em forma de coadjuvantes que garantem a carnificina, necessária ao sub-gênero. Afinal temos apenas três personagens principais em uma casa isolada, e um deles é um cachorro. Não se pode sair eliminando cada um deles livremente como em produções com grandes grupos.


Apesar da "pouca população" em cena, Kaya Scodelario e Barry Pepper conseguem preencher o filme com atuações eficientes. A interprete da protagonista, também confere intensidade incansável conforme os desafios crescem. Seu desespero e desejo de sobreviver são palpáveis.

Há ainda tempo para referências a outras obras do gênero, em especial Tubarão, que referenciado inclusive no título. Ou será que apenas eu achei o título original Crawl, lembra bastante o título do clássico de Spielberg Jaws? Uma palavra, poucas letras, não entrega qual a ameça imediatamente...

Boas atuações, direção dinâmica, CGI razoável, e um contexto que torna absurdos críveis até para os mais exigentes. Predadores Assassinos é uma produção bastante consciente de sua proposta, limitações e do subgênero a que pertence. Escolhendo bem quais clichês usar, e como usá-los, em prol do que se propôs a entregar ao espectador. A intenção é deixar o público na ponta da cadeira, enervá-lo, assustá-lo, mas não traumatizá-lo. Promete divertir, e diverte.

Predadores Assassinos (Crawl)
2019 - EUA - 86min
Terror/Ação
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sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Midsommar: O Mal Não Espera a Noite

sexta-feira, setembro 27, 2019 0
Vá assistir Midsommar: O Mal Não Espera a Noite com um amigo que goste de pensar e discutir as coisas que assiste. Não que o segundo longa de Ari Aster, seja muito complexo, ou exija uma longa discussão filosófica para ser apreciado, mas o bate-papo pós filme vai ampliar a experiência para além da tela.

Ainda traumatizada por uma tragédia pessoal recente, Dani (Florence Pugh) acompanha seu namorado Christian (Jack Reynor) e um grupo de amigos em uma viagem até a Suécia. Lá, vão participar de um festival de nove dias de uma comunidade alternativa. É claro, não demora muito para o choque de uma cultura nova alcançar o grupo, e as consequências deste contato vão muito além do estranhamento.

É difícil não comparar esta obra com o primeiro longa do diretor, Hereditário, tendo em vista que o filme de 2018 chamou atenção por seu terror pouco convencional. Midsommar, assim como Hereditário, fala sobre família e luto, mas as semelhanças para por aí. Embora a capacidade de perturbar fugindo do lugar comum do gênero se mantenha a mesma.

Acompanhamos Dani e companhia em sua estadia na idílica comunidade, mas prevemos antes deles a a ameaça iminente ao seu bem estar. Seja pela nossa própria estranheza com aqueles costumes, pelo nosso conhecimento sobre histórias de seitas misteriosas, pelas pistas e símbolos espalhados ao longo da projeção, ou pelas ações estranhas que o diretor mantém acontecendo no fundo de cenas em que a comunidade não é o foco. A previsibilidade é proposital, grande parte da aflição e angústia vem daí.

Não conhecemos o momento e forma exatos em que certos eventos serão apresentados, mas sabemos o que está por vir. E nada podemos fazer a respeito além de observar os personagens caminhar lentamente até determinados eventos. Nossa pertubação cresce tanto por esperar impotentes, quanto por receber o impacto junto com os personagens.

Empatia que funciona bem por causa da boa apresentação que é feita do grupo nos primeiros minutos. A protagonista Dani é a que recebe mais atenção do roteiro, com a apresentação bem construída do momento traumático pelo qual acaba de passar, que justificará suas ações futuras. Christian, deseja terminar a relação, mas tem receio de fazê-lo, já que a namorada está em um momento crítico. E mesmo os amigos, Josh (William Jackson Harper) o estudante de antropologia que vai fazer as perguntas por nós, e o alívio cômico Mark (Will Poulter), tem suas personalidades devidamente definidas antes da viagem. Tudo pautado pela interpretação eficiente de um bom elenco jovem, que compreendeu a essência de seus personagens, determinando bem seu papel nesta dinâmica curiosa. O destaque fica com Florence Pugh quem entrega com intensidade, as dores e nuances da protagonista, conforme ela imerge nesta comunidade.

E por falar nessa imersão, é a jornada dela da depressão pelo luto à catarse, e os simbolismo apresentados ao longo do filme, que vão estimular o tal bate-papo pós filme que mencionei lá no primeiro parágrafo. Nossos conceitos relacionados à morte e família são desafiados, a forma de alcançar e encarar estes aspectos inerentes à vida. Todos morremos, todos ansiamos por pertencer à uma família, mas a forma como isso acontece está atrelada a sociedade em que estamos inseridos. O que parece comum para nós, pode soar ridículo ou desumano para outros, e vice-versa.

Outro ponto incomum, é o fato do longa ocorrer praticamente inteiro à luz do dia. Não um dia cinzento e melancólico, mas um dia ensolarado de um verão em uma região do planeta em que quase não escurece nesta época do ano, exaltado pela fotografia que exalta a beleza deste cenário bucólico. Não há cantos, escuros e misteriosos para as ameaças se esconderem. O terror vem da clareza, que nos faz suspeitar da felicidade exagerada, estranhar os figurinos brancos, e observar os costumes desta comunidade em sua plenitude, mesmo quando estes começam a soar bizarros demais.

Vale ressaltar, a bizarrice eventualmente é ressaltada por alucinógenos,  que além de deixar os personagens ainda mais confusos e suscetíveis, plantam no espectador a dúvida com relação ao que de fato está acontecendo. É real ou alucinação? Repare nos efeitos visuais que tornam fluidos ou pulsantes objetos e plantas, para indicar estes momentos de viagem dos personagens.

O diretor também brinca com ângulos, movimentos de câmera, e ações em segundo plano para expressar a estranheza por aquela comunidade. A violência gráfica e o gore, em momentos pontuais, e a trilha sonora enervante, completam a experiência perturbadora.

Midsommar: O Mal Não Espera a Noite é tão colorido, quanto perturbador, um filme incomum que deve dividir opiniões. Mas, mesmo aqueles que preferirem o terror tradicional, dificilmente sairão ilesos da sessão. Podem não gostar, mas terão algo em que pensar, e por isso talvez a melhor parte seja o "pós-filme", onde podemos discutir as impressões e impacto desta alegoria sobre costumes, e talvez até descobrir novos aspectos para observar em uma bem vinda reprise.

Midsommar: O Mal Não Espera a Noite (Midsommar)
2019 - EUA - 147min
Terror/Suspense

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quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Hebe - A Estrela do Brasil

quarta-feira, setembro 25, 2019 0
Uma professora minha costumava dizer que qualquer dia desses encontraria uma foto de Hebe em seu álbum de família. A piada expressava com clareza a forte presença da apresentadora no imaginário de seus espectadores, que sentiam conhecê-la intimamente. Entretanto, por mais que o carisma, sinceridade e abertura de Hebe Camargo passasse e essa proximidade, dificilmente conheceríamos todas as suas facetas. Hebe - A Estrela do Brasil tenta mostrar algumas delas em um período crucial em sua carreira e na história do país.
É 1985, e Hebe (Andréa Beltrão) é uma das apresentadoras mais populares da televisão. Prestes a completar sessenta anos de idade, e com quarenta de carreira, não aceita mais ser submissa ao marido, governo ou costumes vigentes. Aceitando o risco de fazer seu programa a seu modo e falar o que acha correto, no período de redemocratização do país, onde a ditadura militar já havia acabado, mas a censura ainda não.

Tomando a liberdade de não seguir a riscar a ordem dos acontecimentos na vida real, a produção prefere ajustar estes eventos aos interesses da narrativa de forma a conectá-los e tornar mais evidente seu impacto na vida da protagonista, e a motivação por trás das ações da mesma. Os eventos afetam e conectam a Hebe apresentadora, mãe, esposa, amiga, criando uma imagem mais contundente da apresentadora que distribuía alegria e determinação em frente às câmeras, mas tinha suas fragilidades e dúvidas como todos nós.

Tudo isso validado pela composição acertada de Beltrão. A atriz cria sua própria versão da Hebe, sem deixar de lado as expressões e maneirismos característicos, mas evitando se limitar à mera imitação. Tornando-se uma versão crível da apresentadora, mesmo não compartilhando de semelhanças físicas.

Se por um lado a não fidelidade permite conectar as diferentes facetas da personagem, por outro permitem ignorar momentos não tão lisonjeiros. Uma falha bastante comum em briografias. Assim atitudes polêmicas não tão admiráveis da apresentadora, como apoio a determinados políticos são apenas pincelados pela trama. Outros temas também são apenas apontados, como seu estado mental e a relação com o pai de seu filho. Já a relação conflituosa com a censura, é substituída sem grandes resoluções por um dos muitos processos que enfrentou por falar o que pensa. É provável que estes temas sejam melhor trabalhados na série que se deriva do filme a ser lançada em 2020. Mas o filme deveria se sustentar sozinho, resolvendo os muitos conflitos que aponta de forma mais coesa.

Ainda sim, o roteiro passeia por estes muitos temas de forma fluida e agradável. Talvez pela familiaridade com a protagonista, talvez pela coesão na forma com que é retratada, e muito provavelmente pelo carisma que sua figura evoca. Se o efeito será o mesmo com os mais jovens, que não cresceram assistindo-a todas as semanas não posso afirmar.

O desfile de bem recriadas versões das muitas figuras públicas que mararam a vida da protagonista também faz uso desta nostalgia. Desde as amigas Nair Belo e Lolita Rodrigues (Cláudia Missura e Karine Teles, respectivamente), em uma participação breve, porém divertida. Até a interpretação com direito à performance musical de Felipe Rocha, para Roberto Carlos.

O diretor Maurício Farias confere personalidade à obra, ao construir sequências que escolhem formas distintas de mostrar as ações dos personagens. Desde o plano sequencia que acompanha Hebe em sua primeira sequencia em casa, passando por uma em que observamos o que a personagem faz através do reflexo em seus óculos, até um plano aéreo em uma pista de dança. Enquanto a direção de arte recria com capricho a atmosfera da década de 1980, e faz bom uso do acesso à que teve ao guarda-roupas e jóias da verdadeira Hebe. O desfile de figurinos, brilhantes e penteados é uma atração à parte.

Estamos longe de conhecer a vida toda da protagonista nesta biografia, mas o recorte de Hebe - A Estrela do Brasil não poderia ser mais acertado. Fala de censura, corrupção, preconceito, homofobia e submissão da mulher, temas que a apresentadora já discutia naquela época, e que infelizmente ainda precisamos discutir. Ao mesmo tempo, usa estes temas para mostrar a vida por trás das câmeras daquela que é provavelmente a maior apresentadora da TV brasileira, ressaltando sua humanidade, força e carisma. Á certa altura da projeção Hebe afirma que é 'direta', sua biografia é como ela direta e cheia de brilho.

Hebe - A Estrela do Brasil
2019 - Brasil - 112min
Biografia, Drama
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segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Jeremias - Pele

segunda-feira, setembro 23, 2019 0
"Jeremias é o personagem negro da Turma da Mônica." Isto costumava a ser tudo que tínhamos a dizer sobre este personagem do universo de Maurício de Souza. Talvez os leitores mais dedicados ainda apontassem que ele é mais velho que a Mônica, regula idade com Franjinha, e por isso mais presente nas histórias que contavam com a parcela mais velha do grupo. Mas era só isso. Jeremias - Pele dá voz ao coadjuvante pela primeira vez, e escolhe um tema corajoso e adequado para isso.

Excelente aluno, cheio de amigos, pais dedicados... Jeremias tem uma infância feliz, até que começa a notar o preconceito por causa da cor de sua pele. Tanto o direto e intencional, quanto aquele tão arraigado na sociedade que muitos talvez nem entendam como tal.

Pele, no entanto, não é apenas sobre o racismo do dia-a-dia, mas as diferentes atitudes que assumimos ora para sobreviver, ora para combater. E principalmente a descoberta desta cruel realidade ainda na infância. E a importância de acreditar que você pode ser quem quiser, apesar disso.

Com traços que ressaltam as diferenças entre os diversos personagens, o romance gráfico de Rafael Calça e Jefferson Costa utiliza cores para representar o estado de espírito do protagonista. Alterando a temperatura de sua paleta composta de tons de verde, amarelo e roxo. 

O texto é simples e direto, afinal jeremias é uma criança. O que confere um realismo que chega a chocar em alguns momentos. "A realidade é essa, simples assim. Ainda não notou?"

Há também tempo para aparições discretas de outros personagens do Maurício para os leitores mais atentos. O uso de obras de arte que representam aspectos importantes da história e cultura negras. E a construção do visual e personalidade de Jeremias. Antes um mero coadjuvante bom de bola, agora descobrimos ser uma criança curiosa, inteligente e com grandes sonhos. Descobrimos até como conseguiu seu característico boné vermelho, aqui um símbolo importante de sua história e identidade.

Os tradicionais extras sobre o personagem título, a criação deste volume e seus autores, presentes em todas as Graphic MSP, encerram a edição. O texto da quarta capa é do rapper Emicida.

Jeremias - Pele quebra estereótipos logo em suas primeiras páginas, ao mostrar o protagonista e seus pais em uma situação de vida na qual negros não costumam ser representados na ficção. Depois vai além, ao trazer o complexo tema do preconceito estrutural de forma acessível para os jovens leitores, e relevante para os mais velhos. A 18ª Graphic MSP, começa a corrigir uma falha de representatividade da turminha, e mostrar que estes personagens podem sim abraçar temas mais políticos sem preder sua essência. Jeremias agora é um personagem que servirá de exemplo para muitas crianças.

Jeremias - Pele
Rafael Calça e Jefferson Calça
Panini Comics




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sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Mais árvores interessantes da cultura pop

sexta-feira, setembro 20, 2019 0
No último Dia da Árvore, listei as espécimes mais interessantes da cultura pop. Mas muita coisa ficou de fora, e como amanhã (21 de Setembro) vamos celebrar esta data arbórea novamente, nada mais adequado que completar aquela seleção. A primeira lista focava em árvores personagens, mais ativas nas histórias a que pertencem. Esta parte dois vai trazer os exemplares que tem valor mais simbólico, mas ainda sim muito relevantes.

A Árvore Branca de Gondor
Na verdade "as árvores brancas" de Gondor, já que várias mudas foram plantadas nas cidades deste povo ao longo da história da Terra Média. Todas queimadas ou destruídas por guerras, mas sempre tendo uma muda salva para a próxima geração. Exercendo o papel perfeito de símbolo do monarca de Gondor, ao cair e renascer junto com cada novo regente. A planta que vemos nos livros e nos filmes de O Senhor dos Anéis é a terceira, plantada pelo rei Torondor, em Minas Tirith. Com a morte de Eärnur, o último rei de Gondor, a árvore também perdeu vida, mas foi deixada no pátio na esperança que O Retorno do Rei, a revivesse. Após a derrota de Sauron, Aragorn encontra uma nova muda com a ajuda de Gandalf e substitui a Árvore Branca. Enquanto a terceira árvore fora velada no túmulo dos Reis de Gondor.

A imagem mais reconhecível da Árvore Branca de Gondor, no entanto, não é a planta em si, mas o ícone criado para ela no brasão do reino (esse aí no peito do Aragorn). Uma árvore branca florida com sete estrelas e uma coroa alada. As flores representam a paz e prosperidade no reino dos homens. As estrelas fazem alusão aos sete barcos dos Numenor que traziam as Palantír (aquela pedra vidente em que Pippin olha). A coroa representa o elmo Isildur, usado por muito tempo como coroa, tornando-se símbolo dos reis de Gondor.

Árvore da Vida, Árvore-Lar, Árvore das Almas...
... aparentemente, tudo é Arvore no Avatar de James Cameron. De fato, em Pandora existe uma rede neural bio-botânica. O que significa que todas as árvores e plantas estão conectadas, e os animais e os Na'vi (aquele povo azul), também podem se conectar à essa rede, e até se tornar parte dela após a morte. Metáfora maior para o ciclo sem fim, e a importância de cuidar de todos os seres vivos, não há!

Árvores Coração
São represeiros, árvores de madeira branca, seiva e folhas vermelhas, que tiveram rostos esculpidos em seu tronco, acredita-se, pelos filhos da floresta seus primeiros adoradores. Geralmente situada no centro de um bosque sagrado, são adoradas por aqueles que acreditam nos Deuses Antigos em Westeros, a maioria nortenhos. Mais tarde descobrimos seus olhos esculpidos são usados pelo Corvo de Três Olhos, para observar o mundo através dos tempos. Então sim, existe alguém ouvindo as preces feitas sob uma árvore coração. Como isso vai interferir nas Crônicas de Gelo e Fogo, só descobriremos quando G.R.R.Martin terminar a saga, já que a série, Game of Thrones decidiu não caprichar muito neste tema.

Árvore do Conhecimento
É uma das paradas de Xuxa em sua jornada para resgatar o cãozinho Xuxo, das garras do vilão Baixo Astral. É vigiada pela tartaruga Vó Cascuda, abriga alguns pássaros humanoides e seus frutos são livros. Depois de adquirir conhecimento de seus frutos, a Rainha dos Baixinhos começa escalar, supostamente para alcançar uma montanha muito alta, mas cai, ganha asas e voa até o Alto Astral (sim, é um lugar). Se você nunca assistiu esta pérola do cinema infantil nacional, o nome é Super Xuxa contra o Baixo Astral. Olha aí a protagonista fazendo o número musical obrigatório no cenário.


Árvore da Proteção de Nárnia
Existem muitas árvores em As Crônicas de Nárnia, árvores da Juventude, de Ouro e até uma que brotou de um doce de caramelo. Existem também as Dríades espíritos associados às árvores que ajudam bastante na jornada dos Pevensie. No entanto, acredito que a Árvore da Proteção seja a mais relevante da nossa lista. Nascida de uma maçã da Árvore da Juventude, e cultivada para afastar Jadis, a Rainha Branca, dava maças prateadas.


Em O Sobrinho do Mago, uma destas maçãs fora oferecida à Digory, primeira criança a se aventurar e mais tarde o professor que acolheu os Irmãos Pevensie. O menino usaria os poderes mágicos da fruta para curar sua mãe de uma doença. Depois ele plantou as sementes em seu quintal, dela brotou a macieira que produzia os mais belos frutos de longe, e dizem, eventualmente se mexia. Anos mais tarde a árvore fora derrubada por uma tempestade. E Digory fez um belo Guarda-Roupas à partir de sua madeira. O mesmo móvel que mais tarde se tornou uma passagem para Nárnia em O Leão a Feiticeira e o Guarda-Roupas.

Árvore de Natal do Charlie Brown
É o pinheirinho mais frágil que você já viu, magricela, com poucas folhas e tombado com o peso de uma única bolinha de natal. A árvore no entanto é um poderoso símbolo, sobre o Natal ser mais que aparência e consumismo. É algo simples, verdadeiro (no desenho uma árvore artificial é o desejo da turma), que deve ser cultivado. É isto que Charlie Brown tenta compreender, e explicar para os amigos em O Natal de Charlie Brown, especial natalino de 1965.

Fico por aqui nesta segunda lista de árvores interessantes da cultura pop. Será que esqueci alguma? O Jequitibá Rei de Renascer deveria entrar aqui? Ou talvez a árvore endemoniada de Poltergeist? Deixe suas sugestões, quem sabe eu não volte com uma parte três desta lista no próximo dia da árvore.

O Dia da Árvore é celebrado em 21 de Setembro no Brasil para aproveitar a chegada da primavera, e promover a importância da preservação das árvores e das florestas. E se achar que a celebração é pouca para sustentar o tema deste post, vale mencionar que manifestantes de todo o mundo estão protestando pelo clima hoje (sexta-feira, 20 de Setembro). Geralmente sábios e cheios de simbologia, as àrvores da cultura pop sempre chamam nossa atenção para a importância de cuidar melhor do nosso planetinha. Desempenhando bem seu papel nesta luta.

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quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Marianne - 1ª temporada

quarta-feira, setembro 18, 2019 0
Atmosfera constantemente sombria, imagens inquietantes, lendas bem construídas, jump scares, gore, tem um pouco de tudo em Marianne. A nova série de terror da Netflix consegue equilibrar diferentes formas de assustar para manter o espectador envolvido na história da pequena cidade francesa de Elden, e uma de suas residentes mais famosas.

Emma Larsimon (Victoire Du Bois) é uma famosa escritora de terror que acaba de encerrar a saga sobre a heroína Lizzie Larck e a bruxa Marianne. Mas o lançamento de seu último livro parece dar partida a eventos estranhos que a forçam a voltar para sua cidade natal. Em Elden, a protagonista precisa enfrentar demônios atuais e passados, que ameaçam sua família e amigos.

A história é relativamente simples, bruxa parece saltar da ficção para atormentar seu criador. É na execução que a série francesa se destaca, ao explorar bem tanto a entidade maligna, quanto aqueles que ela atormenta ao longo de seus oito episódios. Marianne, é mais que um mero personagem, ela segue uma tradicional cartilha de mitologia em torno de bruxas e tem forte influência na vida da protagonista.

E por falar em Emma, a moça é a tradicional escritora solitária e atormentada. Se refugia em suas palavras, até que estas se voltem contra ela, a obrigando a enfrentar os verdadeiros problemas. Aqui a produção adota características das obras de Stephen King, ao abordar os eventos que afastaram a personagem da cidade ainda na infância, acompanhando o grupo de amigos do qual ela fazia parte, especialmente a partir da segunda metade da produção. Até lá, há tempo de mostrar a relação da moça com os pais e com sua assistente Camille (Lucie Boujenah).

Além da protagonista o detetive Raunan (Alban Lenoir) também ganha destaque, ao ser o personagem que busca uma explicação para os eventos. Funciona, mas talvez você se pergunte porque Emma parece saber tão pouco da vilã que supostamente criou. O lapso, ou falta de interesse da autora no entanto, não chega a atrapalhar tanto quanto as atitudes do Padre Xavier (Patrick d'Assumçao). O personagem parece determinado a atrapalhar os personagens enquanto estes buscam solução. Seu comportamento não seria um problema se o roteiro não o apresentasse como conhecedor dos maus agouros da cidade desde o princípio. E mais tarde revelasse, que o personagem foram treinado para combater exatamente aquele mal, mas só se manifesta quando é tarde.

Enquanto estas relações são desenvolvidas, Marianne continua "trabalhando" e permeando este desenvolvimento. Entram aqui as partes assustadoras. Os jump scares estão lá para quem gosta deste tipo de terror. Para os demais imagens desconcertantes e atitudes bizarras, sangue, outros fluidos corporais e violência criam esta atmosfera bizarra, que ainda oscila entre sonho e realidade. Privilegiando efeitos práticos, com poucas sequencias em CGI, a produção apresenta criaturas monstruosas que quase geralmente funcionam, desde silhuetas com olhos brilhantes, até assombrações de olhos esbugalhados. É apenas na batalha clímax, que a produção mostra demais uma destas criaturas, tornando-a mais cômica que assustadora. Entretanto, à esta altura você está tão envolvido que não é difícil relevar o escorregão.

Cortes rápidos, frames escondidos com imagens assustadoras, pontos de vistas diferentes para um mesmo evento, divisão de eventos em capítulos, citações antes de cada episódio, estão entre os detalhes bem pensados que conferem personalidade à produção. Assim como as narração de trechos dos livros de Lizzie Larck, em paralelo com a vida de sua escritora.

Há também transições estilizadas como páginas de livros, que funcionam quase como o "previously" (no episódio anterior...), mas que não deve ser ignorados, já que trazem pontos de vistas e até cenas novas que trazem mais informação para a trama. Fotografia bem aplicada, inclusive nas muitas sequencias noturnas, e ângulos de câmera criativos, completam o pacote técnico bem aplicado.

O elenco dedicado atente bem às necessidades de seus personagens. Os destaques ficam com Lucie Boujenah a assustável, porém determinada, assistente Camille, e Mireille Herbstmeyer, que vive a possuída Madame Daugeron. Já a intérprete da protagonista, Victoire Du Bois não entrega uma atuação excepcional, mas é eficiente o suficiente para carregar o interesse do público ao longo dos episódios.

Marianne não tem a mais original das histórias de bruxa, mas tem uma história bem construída, narrativa e tecnicamente. A produção usa o tempo que precisa para construir uma relação entre público e personagens. Enquanto nos simpatizamos e preocupamos como Emma e companha, os mistérios são desvendados aos poucos, e a narrativa usa de forma acertada diferentes recursos de terror no processo, mantendo expectador incomodado, ou saltando da cadeira, quase todo o tempo.

Embora haja possibilidade de continuação, a história se encerra de forma satisfatória. Particularmente, torço para que a jornada de Marianne se encerre aqui. Não por que não gostei, mas porquê às vezes uma história simples, bem contada e com final eficiente é tudo que precisamos.

Marianne tem oito episódios, todos já disponíveis na Netflix.
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segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Crush à Altura

segunda-feira, setembro 16, 2019 0
Não é novidade que a Netflix está correndo atrás e criando o próprio catálogo de filmes, se antecipando à perda das obras de grandes estúdios que em breve abrirão seus próprios serviços de streaming. Ou que o público juvenil é um dos grandes focos desta lista de produções. Também já está se tornando notável que para cada acerto como Para Todos os Garotos que Já Amei, há um mal ajambrado Sierra Burgess é uma Loser e um número incontável de produções medianas como O Date Perfeito. É hora de descobrir em qual categoria se encaixa o recém lançado Crush à Altura.

Jodi (Ava Michelle) é a garota mais alta de sua escola. E, como era de se esperar da sociedade atual retratada em uma produção adolescente, sofre bulling por isso. A jovem passou a vida desconfortável na própria pele, tentando ser invisível, mas tudo muda quando um aluno de intercâmbio mais alto que ela aparece na escola. Jodi decide deixar sua zona de conforto para conquistar aquele que ela acredita ser o único capaz de compreendê-la, ou no mínimo não achá-la esquisita, ou ficar intimidado com sua altura.

Infelizmente é o ultrapassado e nada realista clichê do príncipe encantado que lança a protagonista em sua jornada de auto-descoberta. E os clichês de romances juvenis não param por aí. Encontramos por aqui também, a arqui-inimiga (Paris Berelc), os pais inaptos (Helaine Kreyman e Richie Kreyman) que menosprezam ou tratam como doença a diferença da filha, o amigo secretamente apaixonado (Jack Dunkleman) que sempre gostou da mocinha como ela é, e até a melhor amiga interessante porém subaproveitada (Anjelika Washington) que em certo ponto chega à expressar em voz alta o quanto é deixada de lado pelo roteiro. Imagino como seria legal, se meus amigos me perguntassem sobre minha vida - exclama a moça lá pelo meio do filme.

E por falar no roteiro, este também segue a cartilha típica do gênero. Protagonista tenta mudar pelos motivos errados, se perde no caminho, faz besteira, perde os amigos, aprende uma lição, amadurece pelos motivos corretos, e conserta tudo. Fora a falta de originalidade, não haveria nada de errado com seguir esta fórmula, não fosse a maneira confusa que a produção tenta se mostrar conectada as discussões atuais.

A intenção aqui é mostrar os erros e inseguranças inerentes à adolescência, independente do quão "popular ou perdedor" você é. Mas o roteiro fica apenas na camada superficial, indicando eventualmente que, o "boy-magia" também pode ser corrompido, a arqui-inimiga tem medo da rejeição, bons amigos podem cometer atos egoístas, sem nunca discutir estes temas de fato. Não é assumidamente despretensioso como A Barraca do Beijo, mas também não explora seus dilemas.

O acerto fica por conta de Harper (Sabrina Carpenter), irmã mais velha da protagonista, de estatura mediana e rainha da beleza. A personagem consegue escapar a imagem de miss fútil e egoísta, para se criar uma relação de conselheira divertida e consciente, em relação à caçula. A estrela de séries do Disney Channel, Carpenter consegue embutir leveza na personagem que tinha tudo para cair no clichê.

Outro personagem, não tão carismático, mas ao menos consistente é o melhor amigo Jack Dunkleman (Griffin Gluck). Sua relação com a protagonista e o tal crush do título, parece uma versão atualizada daquela entre Duckie (Jon Cryer) e o casal protagonista de A Garota de Rosa-Shocking.

Já a estreante Ava Michelle, consegue exprimir bem o desconforto por sua altura, em sua postura e maneirismo. Talvez mais por experiência de vida, que por acerto de atuação. Quem lembra da moça sendo execrada por Abby Lee, justamente por causa de sua altura, em Dance Moms (é, eu assisti isso, e não tenho orgulho). Seja como for é realista o suficiente, para criar a empatia necessária para nos manter interessados. Embora a auto-depreciação da moça, soe um tanto irritante em muitos momentos.

Outra estreante é a diretora Nzingha Stewart, até brinca com ângulos e posicionamento de câmeras para tornar Jodi ainda maior e mais deslocada. Mas não o faz de forma contundente o suficiente, para conferir personalidade do longa.

Entre estereótipos, mensagens rasas e referencias incompletas, Crush à Altura entra na categoria do meio. E divertido o suficiente para ocupar duas horas descompromissadas de seu tempo. Mas não deve se tornar um fenômeno que inspire sequências, ou mesmo se destaque no longo catálogo infanto-juvenil da plataforma.

Crush à Altura (Tall Girl)
2019 - EUA - 101min
Comédia Romântica

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quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Brinquedo Assassino

quarta-feira, setembro 11, 2019 0
As lições aprendidas com o novo Brinquedo Assassino são: trate bem seus funcionários; não use equipamentos defeituosos; se seu dispositivo de inteligência artificial demostrar mal funcionamento descarte-o imediatamente e não tenha medo atualizar ícones se a ideia for realmente boa.

Andy (Gabriel Bateman) passa os dias solitário desde que se mudou com a mãe para uma nova cidade. Preocupada com o isolamento do filho, Karen (Aubrey Plaza) presentear o filho com Buddi, uma inteligência artificial no corpo de um boneco, que deve ajudar nas tarefas doméstica e se tornar o melhor companheiro da criança. O problema, é que o equipamento em questão foi adulterado por um funcionário insatisfeito.

Isso mesmo, Chucky (voz de Mark Hamill) não é mais um objeto possuído por um espírito maligno, mas uma inteligência artificial fora de controle. Mas não torça o nariz para as modificações ainda, as escolhas deste remake do clássico de terror (e mais tarde "terrir") são coerentes e trazem frescor à já desgastada franquia, justificando sua existência. Além disso, o espírito da produção continua o mesmo, um terror despretensioso e até divertido.

Apesar de despretensioso, a produção faz algumas críticas à sociedade atual. Desde a exploração de mão de obra na fábrica de Buddy, passando pelo presença invasiva de grandes empresas de tecnologia em nosso cotidiano, na figura da onipresente Kaslan, e claro nossa dependência crescente destes dispositivos. Nada muito aprofundado ou sutil, mas trabalhado em quantidade suficiente para criar uma relação da produção com a época em que foi lançada.

O novo Chuky não é mal por natureza, mas capaz de aprender e sem os filtros que impõem limites. Não tem indestrutibilidade sobrenatural, mas é capaz de se conectar com todos os dispositivos ao seu redor. A construção de como seu comportamento é "desvirtuado" pelos estímulos errados é bem executada. Enquanto a voz de Hamill acerta na transição do tom robótico e ingênuo do início, para a criatura psicótica obcecada pelo garoto Andy.

Apenas a aparência do boneco que deixa a desejar, a nova versão faz uma "homenagem" ao boneco de 1988, mas sem sua aparência inofensiva e doce pré possessão. O Buddi é esquisito desde a fábrica, ao ponto de nos perguntarmos porque alguém iria querer um desses em casa. Aparência de borracha, também não é compatível com o mundo tecnológico em que está inserido. Entretanto, como referência ao original, e na sua versão maligna funciona. Especialmente pela opção do animatrônico, ao invés de CGI, na maior parte do filme.

Não tão bem elaborados são os personagens humanos em cena, atendendo aos estereótipos tradicionais do gênero. Desde as pessoas absurdamente ruins que nos faz torcer para serem pegas pelo brinquedo, até os adultos que demoram a notar coisas estranhas ao seu redor. Dentro desta construção rasa, o elenco entrega um trabalho eficiente o suficiente para que nos preocupemos com o bem estar dos personagens.

Já o roteiro, segue a cartilha deste tipo de produção, com a construção e crescimento dos eventos estranhos, até o perigo eminente e o desespero pela vida num final apoteótico. Este desfecho, um tanto quanto exagerado, se assemelha mais aos filmes "galhofa" da franquia como O Filho de Chucky. É mais absurdo que de fato assustador, mas não se estende mais do que deveria, e por isso funciona.

Até chegar neste ponto, a produção é bastante criativa na hora de criar os ataques do boneco. E, pasmem, não abusa de jumpscares baratos. Eles até existem, mas estão encaixados na forma de assustar de Chucky. Vale lembrar, ele é um objeto de menos de um metro de altura, furtividade e aparições inesperadas são a melhor forma de assustar nestas circunstâncias. É aqui que a direção se mostra inventiva, ao usar o ângulo baixo do boneco, e sua conexão com outras tecnologias para criar sequencias interessantes. Some aí um pouco de gore, e o resultado é no mínimo divertido.

O novo Brinquedo Assassino poderia ser um episódio de "Black Mirror", talvez um pouco menos profundo e melancólico, mas completamente encaixado no contexto atual. Em meio a uma era de remakes sem justificativas que não a bilheteria, encontrou uma boa razão para trazer Chuck de volta, sem deixar de lado sua aura maligna, assustadora e, principalmente, divertida.

Brinquedo Assassino (Child's Play)
2019 - EUA - 90min
Terror

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segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Amor em Obras

segunda-feira, setembro 09, 2019 0
Admito, vez ou outra eu bem que gosto de encarar uma sessão de cinema bobinha, com aqueles filmes que dispensam o uso do cérebro. Previsíveis e medianos, estes filmes servem para "limpar o paladar" entre uma obra mais densa e outra, ou mesmo para descansar o emocional dos absurdos da vida real. Mas, mesmo nestas condições, é difícil defender Amor em Obras da Netflix. A produção ultrapassa os limites da não necessidade de pensar, e te faz questionar seus detalhes sem sentido.

No trabalho Gabriela (Christina Milian) era desvalorizada por ser mulher. Na vida pessoal convivia com um namorado controlador que relutava em avançar a relação. Então, em uma mesma semana, ela perde ambos. Mas ela não fica aliviada com isso? Claro que não. Na fossa ela se inscreve em um misterioso concurso para ganhar uma pousada na Nova Zelândia. E claro, ganha! E o lugar está caindo aos pedaços, mesmo assim vai ajudá-la a mudar de vida.

Inclua aí uma comunidade bucólica tão charmosa quanto peculiar, uma rival no ramo da hotelaria e um "boy magia" que o destino insiste em colocar no caminho da moça, não importa o quanto ela fuja, e você terá uma tradicional comédia romântica escapista previsível. E não há nada de errado com isso, se esta for a proposta. O problema está nas escolhas que o roteio faz a partir deste cenário.

A começar pela personagem principal. Preocupado em se encaixá-la no padrão "protagonistas empoderadas" da moda, o roteiro faz a moça gritar constantemente que é capaz de se virar sozinha, apenas para no momento seguinte mostrá-la falhar, repetidamente. - Não funciona apenas afirmar que a moça é empoderada, empodere-a de fato! - Mas é difícil fazer isso, quando se planeja incluir na história um belo príncipe ao resgate. Jake (Adam Demos) é habilidoso, bonito e com um passado trágico para justificar sua improvável disponibilidade. Ah, ele também é insistente, mas apenas até o roteiro precisar recolocar a mocinha na iniciativa.

Charlotte (Anna Jullienne) é a antagonista, deseja a todo custo comprar a pousada de Gabriela. Mas nem mesmo a mocinha à considera uma ameaça real e seus "planos" tem pouco impacto real na trama. A verdadeira vilã poderia ser a própria pousada, filmes sobre reformas impossíveis já funcionaram antes. Entretanto, a produção não consegue conciliar as dificuldades da reforma, com a apresentação de um novo estilo de vida para a protagonista. Oscilando muito entre torneiras entupidas, descobertas nas paredes e o curioso cotidiano de uma cidadezinha neozelandesa. Esta última com grandes chances de ofender o povo da Nova Zelândia devido à algumas caricaturas.

A esta altura, mesmo o mais despretensioso espectador não pode evitar alguns questionamentos. O que o misterioso dono da pousada ganha com o tal concurso? Vender faria muito mais sentido que apenas dar. Quem ainda tem um celular sem senha, ou bloqueio por digital? Existe alguma história por trás da supra-mencionada dona original da pousada? Quantas piadas de bode eles são capazes de fazer? Será que sabem que entre outras coisas esses animais são associados à submissão e bruxaria?* Perguntas bobas, que este tipo de filme costuma responder, mesmo que de forma pouco crível, apenas para  manter o espectador em seu estado de relaxamento cerebral. Proposta principal do gênero.

Completando o pacote, o elenco não entrega grandes interpretações, mas convence. Especialmente por parecer se divertir com o projeto. E as belas locações entregam uma produção ensolarada e viva, que nos faz sentir vontade de visitar a Nova Zelândia. O filme é o primeiro da Netflix rodado inteiramente lá. Pensando bem que tenho esta vontade de 2001, e a Sociedade do Anel, mas isso é assunto para outro post.

De volta à Amor em Obras, potencial para uma sessão "good vibes", para relaxar e deixar você feliz existe, e a intenção é boa. É provável que você se divirta no processo, mas logo vai voltar para o mundo real, e esquecer completamente sua estadia momentânea nesta cidadezinha bucólica do outro lado do mundo.

Amor em Obras (Falling Inn Love)
2019 - EUA - 98min
Comédia Romântica

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