Setembro 2019 - Ah! E por falar nisso...

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Brinquedo Assassino

quarta-feira, setembro 11, 2019 0
As lições aprendidas com o novo Brinquedo Assassino são: trate bem seus funcionários; não use equipamentos defeituosos; se seu dispositivo de inteligência artificial demostrar mal funcionamento descarte-o imediatamente e não tenha medo atualizar ícones se a ideia for realmente boa.

Andy (Gabriel Bateman) passa os dias solitário desde que se mudou com a mãe para uma nova cidade. Preocupada com o isolamento do filho, Karen (Aubrey Plaza) presentear o filho com Buddi, uma inteligência artificial no corpo de um boneco, que deve ajudar nas tarefas doméstica e se tornar o melhor companheiro da criança. O problema, é que o equipamento em questão foi adulterado por um funcionário insatisfeito.

Isso mesmo, Chucky (voz de Mark Hamill) não é mais um objeto possuído por um espírito maligno, mas uma inteligência artificial fora de controle. Mas não torça o nariz para as modificações ainda, as escolhas deste remake do clássico de terror (e mais tarde "terrir") são coerentes e trazem frescor à já desgastada franquia, justificando sua existência. Além disso, o espírito da produção continua o mesmo, um terror despretensioso e até divertido.

Apesar de despretensioso, a produção faz algumas críticas à sociedade atual. Desde a exploração de mão de obra na fábrica de Buddy, passando pelo presença invasiva de grandes empresas de tecnologia em nosso cotidiano, na figura da onipresente Kaslan, e claro nossa dependência crescente destes dispositivos. Nada muito aprofundado ou sutil, mas trabalhado em quantidade suficiente para criar uma relação da produção com a época em que foi lançada.

O novo Chuky não é mal por natureza, mas capaz de aprender e sem os filtros que impõem limites. Não tem indestrutibilidade sobrenatural, mas é capaz de se conectar com todos os dispositivos ao seu redor. A construção de como seu comportamento é "desvirtuado" pelos estímulos errados é bem executada. Enquanto a voz de Hamill acerta na transição do tom robótico e ingênuo do início, para a criatura psicótica obcecada pelo garoto Andy.

Apenas a aparência do boneco que deixa a desejar, a nova versão faz uma "homenagem" ao boneco de 1988, mas sem sua aparência inofensiva e doce pré possessão. O Buddi é esquisito desde a fábrica, ao ponto de nos perguntarmos porque alguém iria querer um desses em casa. Aparência de borracha, também não é compatível com o mundo tecnológico em que está inserido. Entretanto, como referência ao original, e na sua versão maligna funciona. Especialmente pela opção do animatrônico, ao invés de CGI, na maior parte do filme.

Não tão bem elaborados são os personagens humanos em cena, atendendo aos estereótipos tradicionais do gênero. Desde as pessoas absurdamente ruins que nos faz torcer para serem pegas pelo brinquedo, até os adultos que demoram a notar coisas estranhas ao seu redor. Dentro desta construção rasa, o elenco entrega um trabalho eficiente o suficiente para que nos preocupemos com o bem estar dos personagens.

Já o roteiro, segue a cartilha deste tipo de produção, com a construção e crescimento dos eventos estranhos, até o perigo eminente e o desespero pela vida num final apoteótico. Este desfecho, um tanto quanto exagerado, se assemelha mais aos filmes "galhofa" da franquia como O Filho de Chucky. É mais absurdo que de fato assustador, mas não se estende mais do que deveria, e por isso funciona.

Até chegar neste ponto, a produção é bastante criativa na hora de criar os ataques do boneco. E, pasmem, não abusa de jumpscares baratos. Eles até existem, mas estão encaixados na forma de assustar de Chucky. Vale lembrar, ele é um objeto de menos de um metro de altura, furtividade e aparições inesperadas são a melhor forma de assustar nestas circunstâncias. É aqui que a direção se mostra inventiva, ao usar o ângulo baixo do boneco, e sua conexão com outras tecnologias para criar sequencias interessantes. Some aí um pouco de gore, e o resultado é no mínimo divertido.

O novo Brinquedo Assassino poderia ser um episódio de "Black Mirror", talvez um pouco menos profundo e melancólico, mas completamente encaixado no contexto atual. Em meio a uma era de remakes sem justificativas que não a bilheteria, encontrou uma boa razão para trazer Chuck de volta, sem deixar de lado sua aura maligna, assustadora e, principalmente, divertida.

Brinquedo Assassino (Child's Play)
2019 - EUA - 90min
Terror

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segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Amor em Obras

segunda-feira, setembro 09, 2019 0
Admito, vez ou outra eu bem que gosto de encarar uma sessão de cinema bobinha, com aqueles filmes que dispensam o uso do cérebro. Previsíveis e medianos, estes filmes servem para "limpar o paladar" entre uma obra mais densa e outra, ou mesmo para descansar o emocional dos absurdos da vida real. Mas, mesmo nestas condições, é difícil defender Amor em Obras da Netflix. A produção ultrapassa os limites da não necessidade de pensar, e te faz questionar seus detalhes sem sentido.

No trabalho Gabriela (Christina Milian) era desvalorizada por ser mulher. Na vida pessoal convivia com um namorado controlador que relutava em avançar a relação. Então, em uma mesma semana, ela perde ambos. Mas ela não fica aliviada com isso? Claro que não. Na fossa ela se inscreve em um misterioso concurso para ganhar uma pousada na Nova Zelândia. E claro, ganha! E o lugar está caindo aos pedaços, mesmo assim vai ajudá-la a mudar de vida.

Inclua aí uma comunidade bucólica tão charmosa quanto peculiar, uma rival no ramo da hotelaria e um "boy magia" que o destino insiste em colocar no caminho da moça, não importa o quanto ela fuja, e você terá uma tradicional comédia romântica escapista previsível. E não há nada de errado com isso, se esta for a proposta. O problema está nas escolhas que o roteio faz a partir deste cenário.

A começar pela personagem principal. Preocupado em se encaixá-la no padrão "protagonistas empoderadas" da moda, o roteiro faz a moça gritar constantemente que é capaz de se virar sozinha, apenas para no momento seguinte mostrá-la falhar, repetidamente. - Não funciona apenas afirmar que a moça é empoderada, empodere-a de fato! - Mas é difícil fazer isso, quando se planeja incluir na história um belo príncipe ao resgate. Jake (Adam Demos) é habilidoso, bonito e com um passado trágico para justificar sua improvável disponibilidade. Ah, ele também é insistente, mas apenas até o roteiro precisar recolocar a mocinha na iniciativa.

Charlotte (Anna Jullienne) é a antagonista, deseja a todo custo comprar a pousada de Gabriela. Mas nem mesmo a mocinha à considera uma ameaça real e seus "planos" tem pouco impacto real na trama. A verdadeira vilã poderia ser a própria pousada, filmes sobre reformas impossíveis já funcionaram antes. Entretanto, a produção não consegue conciliar as dificuldades da reforma, com a apresentação de um novo estilo de vida para a protagonista. Oscilando muito entre torneiras entupidas, descobertas nas paredes e o curioso cotidiano de uma cidadezinha neozelandesa. Esta última com grandes chances de ofender o povo da Nova Zelândia devido à algumas caricaturas.

A esta altura, mesmo o mais despretensioso espectador não pode evitar alguns questionamentos. O que o misterioso dono da pousada ganha com o tal concurso? Vender faria muito mais sentido que apenas dar. Quem ainda tem um celular sem senha, ou bloqueio por digital? Existe alguma história por trás da supra-mencionada dona original da pousada? Quantas piadas de bode eles são capazes de fazer? Será que sabem que entre outras coisas esses animais são associados à submissão e bruxaria?* Perguntas bobas, que este tipo de filme costuma responder, mesmo que de forma pouco crível, apenas para  manter o espectador em seu estado de relaxamento cerebral. Proposta principal do gênero.

Completando o pacote, o elenco não entrega grandes interpretações, mas convence. Especialmente por parecer se divertir com o projeto. E as belas locações entregam uma produção ensolarada e viva, que nos faz sentir vontade de visitar a Nova Zelândia. O filme é o primeiro da Netflix rodado inteiramente lá. Pensando bem que tenho esta vontade de 2001, e a Sociedade do Anel, mas isso é assunto para outro post.

De volta à Amor em Obras, potencial para uma sessão "good vibes", para relaxar e deixar você feliz existe, e a intenção é boa. É provável que você se divirta no processo, mas logo vai voltar para o mundo real, e esquecer completamente sua estadia momentânea nesta cidadezinha bucólica do outro lado do mundo.

Amor em Obras (Falling Inn Love)
2019 - EUA - 98min
Comédia Romântica

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sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Bienal do Livro 2019

sexta-feira, setembro 06, 2019 0
Os posts sobre a Bienal do Livro do Rio são antigos e tradicionais aqui no blog. Quando digo tradicionais me refiro ao formato diário/bate-papo nada comercial, cada vez mais escasso na blogosfera. Desde que o blog foi lançado lá em 2008, não escrevi apenas sobre a edição de 2009. Aliás, acho que não fui naquele ano. Eu até que tento fazer uma cobertura mais completa, mas no final das contas acabo frequentando o evento como "civil" mesmo, e só me resta manter este nostálgico formato de post de experiência. Dito isso, é hora de contar como foi minha visita à Bienal 2019. E sim, tivemos novidade na experiência esse ano!

A primeira delas, tomamos coragem de levar uma criança conosco este ano. Vale lembrar, não moro na cidade do Rio e a jornada até o centro de convenções é longa. Mas acreditamos que nosso pequeno acompanhante, sobrinho daquela amiga oficial de aventuras, chegou em uma idade adequada para encarar o perrengue. Achamos errado! Não me leve à mal, a feira é sim um programa para levar a criançada, mas o percurso até lá, para quem opta pelo exaustivamente sugerido transporte público, definitivamente não é.

Deixemos de lado, a longa jornada da minha cidade até a capital carioca, estou falando do translado lá mesmo. Na última edição o transporte via BRT era confuso, com uma baldeação e poucos ônibus disponíveis. Este ano, finalmente destinaram uma linha direta para levar o pessoal no trajeto entre a estação de metrô Jardim Oceânico e o evento, com paradas nas principais estações. Mas, novamente, a quantidade de veículos estava longe de ser minimamente suficiente. O "99" já partia lotado do primeiro ponto, tornando uma tarefa hercúlea embarcar nas paradas seguintes. É aqui que a experiência se torna inapropriada para os pequenos. Aliás, para os grandes também. Andar espremidos, amontoados, suando e caindo uns sobre os outros a cada curva mal feita pelo condutor, não é o melhor começo de experiência. Então, se for com crianças opte por carro, ou excursão.

Mini leitor em treinamento!
Chegando lá, a experiência é aquela que tanto conhecemos. Pilhas de livros, quilômetros de filas, preços exorbitantes nas comidas (embora a variedade esteja aumentando e algumas opções menos absurdas já possam ser encontradas), e um aglomerado sem fim de pessoas que nos faz questionar se eles tem algum controle da quantidade de ingressos que vendem, e se é seguro colocar tanta gente ao mesmo tempo em um único espaço.

Por outro lado os estandes estavam mais caprichados, com decorações dignas de foto, espaços para aquele clique obrigatório (que não fiz, por motivos de "filas"), e pasmem, promoções de verdade. Faz anos que deixei de buscar no evento livros da minha lista de prioritária desejos, optando por vasculhar aqueles "achados" que não sabíamos que desejávamos. Qual não foi minha surpresa, ao encontrar itens da minha lista número um em um bom preço. Já nosso pequeno acompanhante saiu com nada menos que quatro volumes após administrar muito bem para a idade sua verba de cinquenta reais.

Se pela foi pela crise em que o país se encontra ou a concorrência, que os preços estavam melhores não sei dizer. Mas foi excelente comprar as pechinchas do Submarino, sem frete e levando o livro para casa na hora. Não tão legal foi descobrir porque os livros de Star Wars estão tão baratos na Aleph. Queima de estoque, a editora não vai mais publicar os livros da franquia (e eu nem encontrei meu Kenobi antes dele esgotar). Mas encontrei a biografia de Maurício de Souza por menos de oito reais, como não ficar feliz?

E já que comecei este post comentando meus registros anteriores do evento, vale comentar como é curioso observar o reflexo do mercado editorial no chão da feira. Observando estandes que não existiam crescerem, como o próprio Submarino, os voltados a colecionáveis nerds, e até as Lojas Americanas. Enquanto outros como Sextante e Leya diminuíram quando seus títulos saíram da lista dos "livros da moda". E por falar em livros da moda, quando é que a Darkside vai ter um estande prórpio, macabro e estiloso?

Ano vai, ano vem e a Bienal continua a mesma. Problemas antigos são solucionados, novos aparecem, outros se mantém... O que muda de verdade somos nós, com sorte para melhor, com ajuda dos muitos livros que compramos lá ao longo dos anos. E este acesso e interesse por conhecimento sempre fora necessário, mas nunca tão urgente como agora.

Da parte desta blogueira que vos escreve, meu saldo de livros adquiridos no evento melhora a cada ano. Falta descobrir se os preços estão mais interessantes, se minha lista de desejos aumentou, ou minha habilidade para achados foi aprimorada. Por hora, saio satisfeita com a "aventura" e os títulos adicionados à minha coleção.

A XIX Bienal Internacional do Livro do Rio ainda está rolando, termina no próximo domingo, 8 de setembro. Corre que dá tempo!

Leia sobre as edições 2011, 2013, 2015 e 2017 do evento!
Também tem resenhas de livros aqui no blog, já conferiu?
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quarta-feira, 4 de setembro de 2019

It: Capítulo Dois

quarta-feira, setembro 04, 2019 0
Vinte sete anos se passaram para os personagens de It: A Coisa, dois para nós espectadores. Apesar do espaço de tempo, It: Capítulo Dois, como o nome indica, é muito mais como a continuação de um mesmo filme, do que uma sequência da franquia. É muito provável que você, assim como a blogueira que vos escreve, saia da sessão com vontade de encarar uma maratona de mais de cinco horas de terror, reunindo as duas partes da produção baseada na obra de Stephen King.

Único membro do Clube dos Otários a permanecer em Derry, é Mike (Isaiah Mustafa) quem percebe o retorno de Pennywise (Bill Skarsgård), e convoca os amigos de volta a cidade para combater o palhaço dançarino. Apesar da promessa feita quase três décadas atrás, re-enfrentar os traumas de infância não vai ser nada fácil para Bill (James McAvoy), Beverly (Jessica Chastain), Ritchie (Bill Hader), Ben (Jack Ryan), Stanley (Andy Bean) e Eddie (James Ransone).

É na empatia construída na infância que acompanhamos no capítulo um desta história, que a produção aposta para manter o espectador interessado e aflito. Diferente do longa anterior que gastou um acertado tempo mostrando o cotidiano das crianças, pouco sabemos da vida adulta dos Otários, além do fato de que a experiência deixou marcas, mesmo que eles não estejam cientes delas.

"Economia" que só é possível por que o elenco mirim está de volta em cena, e suas versões adultas foram escolhidas, caracterizadas e compostas a dedo bom bons atores, para nos fazer acreditar que são realmente uma mesma pessoa. Os destaque ficam com as versões adultas de Ritchie e Eddie. Hader e Ransone, conseguem incorporar trejeito e até a entonação de Finn Wolfhard e Jack Dylan Grazer, respectivamente, a ponto de se destacar, em um roteiro que equilibra razoavelmente bem o espaço de cada um dos membros do clube.

Apesar de equilibrado, alguns personagens são sim melhores trabalhados que outros. Estes seriam Bill e Beverlly, que também tem os intérpretes mais conhecidos do grande público. A familiaridade com McAvoy e Chastain, diminui a crença de que se tratam de versões adultas de Jaeden Martell e Sophia Lillis. Nada que o bom trabalho dos atores não possa contornar. Na tarefa de emular a personalidade contida de seu correlativo mirim, McAvoy suaviza aquele excesso de intensidade que costuma aplicar a seus personagens. Enquanto Chastain consegue assim como Lillis, se encaixar no grupo, mesmo sendo a única mulher em cena.

E por falar nos atores mirins, eles estão todos de volta, apresentando informações e sequências que ficaram de fora no filme anterior. As passagens com a molecada são tantas, que quase ultrapassam o conceito de flashbacks, e praticamente criam uma linha do tempo paralela à principal. 

Os roteiristas sabem que acertaram ao construir e apresentar sem pressa os medos de seus protagonistas anteriormente, e logo decidem emular a fórmula aqui. Colocando cada um para enfrentar seus temores isoladamente, antes de enfrentarem o palhaço como um grupo. Entretanto, desta vez, a repetição soa cansativa em alguns momentos, é a criatividade em criar imagens aterrorizantes que mantém o espectador interessado. Já a trama de Henry Bowers (Nicholas Hamilton/Teach Grant) soa meio deslocada, interrompendo a narrativa principal, sem causar grande impacto nela.

Com tantas histórias sendo contadas, é Pennywise quem sai perdendo. O que não significa que a presença do palhaço não seja uma ameaça constante, ou que a qualidade da atuação de Skarsgård tenha caído. É nas origens e forma de combate à entidade que o roteiro deixa a desejar. A mitologia dos nativos-americanos que explicam suas origens, e as lutas passadas, e uma espécie de infecção que o vilão deixou nos sobreviventes, são jogadas sem muita aprofundamento. Outro questionamento, é a escolha da aparência do palhaço já que Pennywise aparentemente é muito mais antigo que o conceito do personagem circense. Dúvidas que provavelmente foram herdadas do livro, e que o filme não sentiu necessidade de sanar. É verdade que o desconhecido assusta mais, e a produção não precisaria responder tudo, mas particularmente, saí mais curiosa do que gostaria.

Se o roteiro não perdeu tempo criando mais detalhes para a vida de seu vilão, por outro lado, não economizou criatividade nas ameaças criadas por ele. Vale lembrar, o palhaço se alimenta de carne humana temperada com medo, por isso aterroriza suas vítimas ao máximo antes de fazer suas refeições. As formas como este se apresenta continuam surpreendentes, criativas e, para aqueles que gostam, com jump scares bem construídos. Os sustos e a violência gráfica aqui são mais presentes que no capítulo anterior, que apostava mais na construção do medo, o suspense. Embora ambos trabalhem as duas formas de assustar.

A criatividade continua, posicionamento de câmera e iluminação para conferir alguma originalidade aos sustos. O mesmo vale para os efeitos, que misturam CGI e efeitos práticos para criar os criativos e aterrorizantes pesadelos. O que combinado à construção dos temores que acompanhamos desde o filme anterior, criam uma acertada atmosfera de ameaça constante. Prova disso, é que a produção consegue causar medo, e nos fazer pular da cadeira, mesmo em cenas em plena luz do dia, e em cenas bem iluminadas. Enquanto a maioria dos filmes do gênero sempre recorre, à escuridão e a visão limitada para tal.

It: Capítulo Dois tem duas horas e cinquenta minutos de duração. Pode parecer muito tempo para ficar assustado (de fato é), mas a criatividade das imagens assustadoras e principalmente nossa empatia com os personagens, não apenas nos mantém na ponta da cadeira durante toda a projeção, como não nos deixa perceber sua longa duração. Com boas atuações e produção caprichada, o filme encerra de forma satisfatória a jornada do Clube dos Otários, ao ponto de sairmos da sessão, dispostos a encarar uma sessão dupla para apreciar a obra completa assim que possível.

It: Capítulo Dois (It Chapter Two)
2019 - EUA - 2h50min
Terror


Leia a crítica de It: A Coisa
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segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Yesterday

segunda-feira, setembro 02, 2019 0
Você teria um instante para ouvir a palavra dos Beatles? - Espalhar as palavras, ou melhor as músicas, do quarteto de Liverpool. De certa forma, esta é a missão do protagonista de Yesterday. Novo filme de Danny Boyle, que percorre o repertório da banda de forma doce e criativa.

Jack Malik (Himesh Patel) é um cantor e compositor que nunca conseguiu fazer sua carreira deslanchar. Após evento misterioso em escala global, e um acidente pessoal relacionado a ele, Jack acorda em um mundo onde The Beatles nunca existiu. Único a lembrar as canções de uma das maiores bandas de todos os tempos, o jovem começa a fazer sucesso. Mas, é claro, a fama tem seu preço.

Aproveitar-se de canções que não são realmente suas, se ajustar a imagem que a indústria musical acha mais atraente, ter a auto-estima abalada por não fazer sucesso com o próprio trabalho e o tradicional distanciamento de amigos e família estão entre os dilemas enfrentados pelo protagonista. Problemas bastante comuns em produções sobre a busca pelo sucesso, mas que aqui se diferenciam pela premissa inusitada e a direção experiente de Boyle (Quem Quer Ser Um Milionário?).

A produção brinca com as referências à banda, com marcos da cultura pop e outras coisas que mudaram neste universo alternativo, enquanto desenrola a trama de Jack. Dilemas morais que poderiam levar o personagem para caminhos mais sombrios, mas o roteiro prefere seguir um caminho mais leve e divertido.

É errado ganhar dinheiro com músicas de outras pessoas, mesmo quando estas pessoas tecnicamente nunca as compuseram? É este o questionamento mais complexo da produção, que é amenizado pela crença de que o mundo precisa destas canções, e Jack é o único capaz de apresentá-las. Abrindo espaço para os romance, e o empasse com a indústria.

É aqui que entram Lily James e Kate McKinnon. A primeira encarna com muito carisma e fofura a melhor amiga/fã número 1/interesse amoroso Ellie. Enquanto Mckinnon dá vida à empresária que leva o protagonista ao estrelato. Com uma atuação um pouco mais exagerada, ela destoa um pouco criando uma personagem mais próxima dos vilões caricatos da sessão da tarde, que do tom mais doce que permeia o longa. O que não chega a comprometer, já que o carisma da comediante contorna o exagero. Outros que se destacam são o amigo esquisito/alívio cômico Rocky (Joel Fry), e a divertida participação de Ed Sheeran, como ele mesmo.

O destaque maior, é claro, fica com Patel. Além de tocar e cantar todas as canções, o ator consegue manter a integridade de Jack, mesmo quando este faz escolhas duvidosas. Tornando crível as boas intenções do protagonista, mesmo quando faz coisas erradas de forma consciente. Nunca abraçar a identidade de astro do rock, ou se encaixar completamente nos padrões da indústria, também faz parte da identificação. Jack é um "cara comum" mesmo quando é aclamado como maior compositor da face da terra.

Há ainda espaço para brincar com falta do contexto em que as canções foram criadas. Momentos históricos que protagonista é incapaz de recriar, e precisa contornar antes de lançar as músicas. Já a dificuldade de lembrar dezenas de letras e melodias, e a descoberta outros elementos que sumiram, proporcionam desculpas perfeitas para Boyle brincar com a montagem e o ritmo da produção.

Um filme simples e bem produzido, nascido de uma premissa mirabolante, que não tem vergonha de ser fofo e divertido. Yesterday é a desculpa perfeita para relembrar a trajetória dos Beatles sem recorrer a uma biografia. Cheio de referências e momentos nostálgicos para os fãs da banda, sem excluir os não aficionados. E se você é um destes não iniciados, a desculpa perfeita para conhecer a palavra de John Paul, George e Ringo.

Yesterday
Reino Unido - 2019 - 114min
Musical, Comédia romântica 

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