Predadores Assassinos - Ah! E por falar nisso...

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Predadores Assassinos

Desde Tubarão (1975) a vida selvagem ameaça a humanidade em divertidos blockbusters. Ora de forma mais realista como em Águas Rasas, ora abraçando o absurdo como em Skarkinado. Predadores Assassinos fica entre estas duas obras. Não é despirocado como a franquia de tubarões voadores, mas não se mantém o tempo todo no realismo como a história da moça ilhada em uma praia deserta. Ah! E como se passa em água doce, a ameaça da vez são crocodilos.

Cidades da Flórida estão sendo evacuadas para a chegada de um furacão, Haley (Kaya Scodelario) não consegue entrar em contato com o pai Dave (Barry Pepper) que mora na região. Para ter certeza de que ele está seguro, a moça vai até sua casa de infância à sua procura. Lá, acompanhada do cachorro da família "Sugar", o encontra ferido no vão de serviço sob a casa. Agora ambos estão encurralados pelo crocodilo que o atacou, em uma casa sendo inundada e com um furacão a caminho

A proposta deste filme é bem simples, mostrar a luta de pai e filha pela sobrevivência. Ciente disso, o roteiro não demora muito para levar os personagens para situação de perigo onde praticamente todo a história se passa. Usando de forma eficiente seus primeiros minutos para apresentar tudo que precisamos saber sobre Haley. Uma nadadora cuja família perdera estrutura e tem suas relações ainda abaladas. O suficiente apenas para nos importarmos com ela, e consequentemente com quem ela se importa.

Estes primeiros minutos também trazem impressionantemente assustadoras sequencias na tempestade, ao ponto de imaginarmos que talvez os crocodilos nem sejam tão necessários. O furacão é ameaça o suficiente. Mas este é um filme sobre crocodilos gigantes, e logo nos encontramos com as feras criadas em um eficiente CGI, que soa falso apenas quando os animais estão em grande número, ou quando o roteiro convenientemente lhes dá vitalidade não natural. Em alguns momentos não são capazes de ultrapassar o encanamento, em outros quebram paredes, resistem à muitos tiros e sacodem humanos como bonecas de pano.

Nossos humanos também recebem 'upgrade', eventualmente esquecendo de grandes ferimentos que os impediriam de realizar alguns feitos. Exageros que podemos relevar, culpando a adrenalina e o extinto de sobrevivência. Especialmente porque esta superação sobre-humana aparece apenas na segunda metade do filme, quando personagens exploram seus limites, e nós já estamos envolvidos com sua sobrevivência.

Já não posso dizer o mesmo de nosso envolvimento com a reconciliação entre pai e filha. Felizmente, são poucas as pausas na trama para explorar esta relação, que passa pelo divórcio dos pais da moça e sua carreira como atleta, com o pai como primeiro treinador. Há também a sugestão de que a carreira da moça estaria estagnada, e como se trata de uma nadadora em uma situação onde é necessário nadar para sobreviver, a experiência poderia fazê-la alcançar outro nível. O clichê, no entanto, fica apenas na insinuação. A proposta da produção é outra, e o foco está acertadamente nela.

Digo acertadamente porque o diretor Alexandre Aja, acerta ao explorar todo o potencial do cenário restrito em que os personagens estão presos. A compreensão do espaço da casa, e a boa iluminação e coreografia das cenas, aproveita os espaços claustrofóbicos, a falta de opções e o excesso de água, para aumentar a tensão e a urgência. Nos fazendo até perdoar sequencias menos críveis, como a em que um dos crocodilos é vencido por um box de chuveiro.

Enquanto isso, o roteiro explora os limites da expressão "sempre pode ficar pior", inventando novas maneiras de desafiar a persistência dos personagens. Pequenos vislumbres de solução sendo literalmente levados pela enxurrada, em um crescente de dificuldades que eventualmente alcançarão alguns absurdos em seu clímax. Alguns destes momentos de esperança, aparecem em forma de coadjuvantes que garantem a carnificina, necessária ao sub-gênero. Afinal temos apenas três personagens principais em uma casa isolada, e um deles é um cachorro. Não se pode sair eliminando cada um deles livremente como em produções com grandes grupos.


Apesar da "pouca população" em cena, Kaya Scodelario e Barry Pepper conseguem preencher o filme com atuações eficientes. A interprete da protagonista, também confere intensidade incansável conforme os desafios crescem. Seu desespero e desejo de sobreviver são palpáveis.

Há ainda tempo para referências a outras obras do gênero, em especial Tubarão, que referenciado inclusive no título. Ou será que apenas eu achei o título original Crawl, lembra bastante o título do clássico de Spielberg Jaws? Uma palavra, poucas letras, não entrega qual a ameça imediatamente...

Boas atuações, direção dinâmica, CGI razoável, e um contexto que torna absurdos críveis até para os mais exigentes. Predadores Assassinos é uma produção bastante consciente de sua proposta, limitações e do subgênero a que pertence. Escolhendo bem quais clichês usar, e como usá-los, em prol do que se propôs a entregar ao espectador. A intenção é deixar o público na ponta da cadeira, enervá-lo, assustá-lo, mas não traumatizá-lo. Promete divertir, e diverte.

Predadores Assassinos (Crawl)
2019 - EUA - 86min
Terror/Ação

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