Junho 2020 - Ah! E por falar nisso...

terça-feira, 30 de junho de 2020

Noite Adentro - 1ª temporada

terça-feira, junho 30, 2020 0
Uma das qualidades mais interessantes dos serviços de streaming, é a possibilidade de ver obras de todo o mundo, que dificilmente chegariam por aqui, não fosse a necessidade de criar um extenso catálogo. Noite Adentro é a primeira série belga à chegar na Netflix, e é um bom começo. 

O apocalipse chegou, e desta vez vem ao nascer do sol. Um voo de Bruxelas decola antes do nascer do sol, e seus passageiros/sobreviventes rumam para o oeste tentando evitar a luz do sol à todo custo. Como se a luta pela vida não fosse o suficiente, o grupo de desconhecidos precisa lidar com o embate de personalidades, experiências e crenças, além dos desafios físicos e técnicos de ser manter constantemente em voo. 

Com apenas seis episódios de no máximo quarenta minutos, é no ritmo que a série tem seu grande trunfo. Quase sem descanso, ou respiro, as intrigas e desafios são impostas aos passageiros que precisam solucioná-los à todo custo para sobreviver. Somado ao desconhecimento quando à ameaça - porquê, como, é mesmo real? - o surgimento de dificuldades incessantes, criam uma tensão constante e frequente. 

O crescente enerva, envolve e até consegue nos fazer temer pelos personagens. Estes são apresentados aos longo da temporada sem grandes surpresas. Os estereótipos são aqueles geralmente encontrados e filmes de sobrevivência, a líder relutante, o piloto sobrecarregado, a enfermeira, pessoas mais frágeis, mais fúteis, muitas de índole duvidosa...

De fato, a série tenta conferir mais camadas aos personagens. Cada episódio tem no título o nome de um dos sobreviventes, e estes ganham flashbacks de suas vidas pré-apocalipse nas primeiras cenas. Nada muito surpreendente, ou que não pudesse ser apresentado de outras formas, mas funciona para explicar as ações de cada um, e cria um formato próprio para o programa. 

Por outro lado, os títulos com nomes provavelmente pretendem indicar maior desenvolvimento do "homenageado" no capítulo em questão. Mas este desenvolvimento é de fato realizado ao longo dos episódios, e o critério de escolha não é muito preciso. Um bom exemplo disso é  Sylvie (Pauline Etienne), personagem título do piloto, e protagonista tem seu auge no episódio final, que leva o nome do vilão. Enquanto este tem seu momento mais marcante no episódio inicial. Uma inversão dos títulos faria muito mais sentido. 

E por falar nos personagens, estes são de diferentes etnias e nacionalidades, o que confere uma variedade interessante de culturas, crenças, e principalmente idiomas, mesmo na versão dublada (ative as legendas). Essa pluralidade torna os pequenos empasses mais interessantes. Além de fazer críticas à sociedade, como no momento em que uma personagem indica que, aqueles que estão criando mais problemas, são os homens brancos que pela primeira vez não tem controle da situação.

Completamente passada à noite, a série não inventa muito em sua fotografia e enquadramento. De fato, até desperdiça a oportunidade de criar opressão através do espaço confinado do avião, ou desesperança pela ausência de luz do sol. Mas acerta ao tornar impressionantes cidades desertas, e o percentual de mortes. A sensação de serem as últimas pessoas no planeta é contundente, não apenas para os personagens, mas também para o público. 

Outro fator aflitivo, é a dúvida sobre o que causa as mortes, e a falta de conhecimento de como evitá-las. Os personagens especulam, mas não há informações definitiva, e as poucas certezas vem da tentativa e erro. Já as explicações sobre vôo e aeronáutica talvez sejam implausíveis, mas nada que atrapalhe a imersão, ao menos, do espectador comum, leigo no assunto. 

Premissa criativa, poucos episódios, excelente ritmo, Noite Adentro é uma ótima opção para quem busca tensão bem construída. Os poucos episódios favorecem a maratona, que por sua vez deixa tudo mais tenso. Não é excepcional, mas é bem feita e envolvente. Um belo primeiro contato com a dramaturgia da Bélgica. 

 Noite Adentro tem seis episódios com cerca de quarenta minutos, todos disponíveis na Netflix. A segunda temporada ainda não foi confirmada. 
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sexta-feira, 26 de junho de 2020

Combo: Cubo + Escape Room

sexta-feira, junho 26, 2020 0
Procurando uma maratona diferente para o fim de semana? Que tal combinar dois filmes que se completam de alguma forma? Essa é a proposta da série Combo Cinéfilo. Já apresentei aqui, filmes que se complementam por abordar o mesmo período histórico, e retratar de formas distintas os mesmos personagens. Hoje vou falar de produções que se completam em tom e gênero.

A escolha são dois títulos que confinam personagens em armadilhas, e impõe desafios a serem superados para sobreviverem. Eu sei, neste momento você deve estar pensando na franquia Jogos Mortais. Entretanto, neste combo os filmes prezam mais pelo desafio que pela carnificina. Assim, podem ser apreciados até pelos mais sensíveis (mas não muito). Suspense de roer as unhas, enquanto resolvem enigmas mortais, quem topa?

Cubo
(Cube - 1997 - Canadá - 90min) 
Sete pessoas acordam em uma instalação formada por vários ambientes cúbicos conectados. Sem memórias de como chegaram ali, e sem conhecer os demais "participantes", estas pessoas precisam trabalhar juntas para sair. É claro, logo, elas descobrem que várias das salas tem armadilhas mortais, só para complicar um pouco mais.

Sim, complicar mais! Pois se relacionar com desconhecidos completamente diferentes de você, já é difícil, mesmo sem risco de morte. É no embate de personalidades, e na soma de habilidades que o filme aposta para construir a tensão. Inclua aí, a bagagem de cada um, seus medos, preconceitos, desejos. Tudo isso criando uma versão em pequena escala da nossa sociedade, com seu problemas amplificados. 

O longa combina muito bem tensão, toques de horror e crítica social. Se preocupando mais com discutir que explicar, deve render excelentes bate-papos pós-sessão. Quem prefere tudo explicadinho nos mínimos detalhes, no entanto, pode ficar decepcionado com a ausência de uma resposta definitiva. 

Os efeitos especiais ficaram um pouco datados, mas como o foco não está neles, é muito fácil relevar. Não há grandes atuações, mas os elenco atende bem aos estereótipos que dão vida. Já o cenário, é simples e eficiente, ajuda tanto a criar tensão, como a focar no que interessa, o relacionamento entre os personagens.

Se você estiver com a sensação de "já vi este tipo de filme antes", é hora de eu mencionar. Cubo é uma pequena produção canadense de 1997, dirigida por Vincenzo Natali. E apesar de não ser muito conhecida (no Brasil por exemplo, chegou apenas em VHS), provavelmente influenciou os filmes com premissa similar desde então. Inclusive o outro filme deste combo!

Leia mais sobre Cubo, em um artigo meu no site Pllano Geral. O filme está disponível no Amazon Prime Video.


Escape Room
(Escape Room - 2019 - EUA - 99min)
Seis estranhos aceitam participar de um jogo de sala de fuga que promete um prêmio em dinheiro. Mas, quando o jogo começa, as salas se apresentam como armadilhas mortais que exigem que os enigmas sejam desvendados para sobreviver.

Saudades de ir jogar nas salas de fuga com os amigos? Pois este longa capta direitinho a sensação que é brincar numa sala dessas, e acrescenta a tensão pela sobrevivência para envolver ainda mais o espectador. O roteiro apresenta os desafios em uma crescente, enquanto desenvolve os personagens. A história pregressa dos jogadores, suas habilidades e traumas, influenciam na sua capacidade de superar desafios, e de trabalhar em equipe. E o elenco entrega bem o que lhes é pedido.

Entretanto, o que realmente chama atenção é a direção de arte, que cria salas de jogos críveis e ao mesmo tempo apavorantes. Menos focada em crítica sociais, embora, inevitavelmente, ainda exista uma ou outra, a intenção aqui é entreter. A produção consegue isso muito bem, embora o final com obrigatória indicação de franquia, possa decepcionar alguns, por abrir mão da veracidade que a produção tinha adotado até então. 

Escape Room é uma produção estadunidense dirigida por Adam Robitel. Tem alguns rostos conhecidos no elenco, como Taylor Russell (Perdidos no Espaço), Logan Miller (Com Amor Simon) e Deborah Ann Woll (Demolidor).  Está disponível na HBO GO e já tem sequencia prevista para estrear em 2021.


E aí, conhecia estes filmes? Conhece algum outro título que combina com estes dois? Indica aí. E clique aqui mais dicas de Combos Cinéfilos.
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terça-feira, 23 de junho de 2020

Feel the Beat

terça-feira, junho 23, 2020 0

Garota ambiciosa do interior fracassa na cidade grande, se vê obrigada à descobrir novos rumos na cidadezinha onde nasceu, e claro, aprende o que realmente vale a pena no processo. A premissa da produção da Netflix estrelada por Sofia Carson, não é inédita, verdade. Entretanto, neste tipo de filme, carisma, diversão e jornada são o que realmente interessa.


April (Carson) comete um erro que arruína sua carreira de dançarina, e precisa voltar à sua cidade natal à contragosto. Quando descobre que o grupo de dança infantil da cidade vai participar de um concurso que tem como jurado um grande diretor da Broadway, aceita treinar as crianças apenas para ter a chance de salvar sua carreira.

Não é difícil adivinhar a jornada a partir daqui. A moça começa de má vontade, focada em si mesma, e após alguns desafios e tropeços, aprende a olhar para o próximo e ter empatia. São as particularidades da jornada que diferenciam as produções com essa premissa. Aqui focada no treinamento para competições no estilo Dance Moms, mas com carisma de Carson e das crianças que a cerca.

Ironicamente falta foco ao roteiro, que não decide se trabalha os dramas interpessoais ou os desafios físicos. Assim, quando podia investir das individualidades das crianças, e na forma de incorporar suas qualidades na dança, o filme perde tempo com problemas no telhado das aulas, falta de verba e pais que proíbem a dança. Problemas que são resolvidos da forma mais simples, duas cenas depois de apresentados.

Enquanto isso dramas mais complexos, tem pouco tempo para ser resolvidos. Desde as dificuldades das crianças, que teriam mais peso quando superadas com criatividade no palco, se melhor exploradas. Até os relacionamentos que a protagonista abandonou de forma fria, quando escolheu perseguir cegamente seu sonho.

Já as sequências de dança, poderiam ser melhor editadas. Os cortes e planos, não valorizam as coreografias, empolgam menos, mas não chegam a prejudicar. Particularmente, eu adoraria ver mai números - muitas etapas da competição aparecem apenas em uma montagem rápida -, mas aí acredito que seja questão de preferência mesmo.

Mas não se engane, eu me diverti assistindo Fell the Beat. Apesar das falhas citadas acima, o filme acerta no tom leve e divertido, conseguindo arrancar algumas boas gargalhadas. Além de carismática Sofia Carson, se empenha nas sequencias de dança, e o elenco mirim acompanha. E por falar nas crianças, tanto o elenco infantil, quanto o adulto entrega o que a produção pede e parece estar se divertindo no processo.

Feel the Beat, é mais uma aquisição do extenso catálogo de produções teens, que a Netflix está construindo. Não é a mais original, ou complexa, mas certamente é uma das mais divertidas. Descompromissada, para toda a família, não traz grandes novidades, mas vai fornecer boas horas de diversão. Sensação muito necessária nos dias de hoje.

Feel the Beat
2020 - EUA - 107min
Comédia, Drama

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sexta-feira, 19 de junho de 2020

Um Lindo Dia na Vizinhança

sexta-feira, junho 19, 2020 0
Após minha sessão de Um Lindo Dia na Vizinhança, não pude evitar buscar o documentário Won't You Be My Neighbor? (2018), que fala da carreira do apresentador de TV Fred Rogers. Isso porque o longa de ficção, mostra o encontro entre o icônico Mr. Rogers e o jornalista Lloyd Vogel, com o foco no personagem menos interessante desta relação.

Lloyd Vogel (Matthew Rhys), jornalista famoso por expor os podres daqueles que retrata, é escalado para escrever o perfil de Fred Rogers (Tom Hanks). Um apresentador de programa infantil que marcou gerações, com reputação marcada por sua empatia e habilidade de se comunicar com as crianças, com responsabilidade e abordando conceitos complexos.

Um jornalista amargurado tem suas crenças confrontadas por uma visão de mundo oposta. Já vimos esta história algumas vezes, a diferença aqui é a figura desafiadora em questão. Altruísta e empático, a benevolência de Mr. Rogers, soa suspeita aos olhos cínicos de hoje em dia, e também do jornalista que o entrevistou em 1998, na ficção e na vida real.

O encontro é inspirado na relação real entre o apresentador e o jornalista Tom Junod. E é pelos olhos dele que acompanhamos a história. Infelizmente, Vogel não é a parte mais interessante dessa relação. E não ajuda muito a forma como o roteiro constrói o protagonista, ele não é apenas amargurado, é aticítico, mesmo com as pessoas com quem supostamente se importa, como a esposa (Susan Kelechi Watson) e o filho. Matthew Rhys entrega uma atuação honesta, mas não alcança o carisma necessário para fazer o público se conectar com um personagem tão negativo. Especialmente em comparação com o seu oposto.

Do outro lado da conversa, Tom Hanks imprime todo seu carisma e empatia em uma figura igualmente carismática e empática. Replicando trejeitos e tom de voz, mas também imprimindo camadas nesta figura supostamente inabalável. Desconhecido para nós Rogers, é uma figura icônica da TV estadunidense. De caráter irrepreensível, há quem ainda procure, ou crie, sem sucesso, falhas em sua desconcertante benevolência. Hanks, consegue recriar sua empatia, mas também deixa transparecer sua humanidade, e as frustrações com as quais ele escolheu lidar de forma única.

Marielle Heller aposta na estética do programa de TV de Rogers, para trazer um lado lúdico ao mundo "pé no chão" de Vogel. E acerta na maior parte do tempo. Também há referências a frases e momentos icônicos da vida e carreira de Rogers. O roteiro é previsível, mas bem conduzido técnica e narrativamente.

Histórias de "indivíduos quebrados" existem aos montes. Jornadas de pessoas que escolheram viver de forma altruísta, e de fato conseguiram, mesmo com a pressão da mídia, estão ficando cada vez mais raras. Talvez por isso, e pelo fato de Hanks se encaixar tão bem no personagem, ambos demonstram o mesmo carisma e empatia, que não nos interessamos com o protagonista como deveríamos.
Um Lindo Dia na Vizinhança conta o encontro entre de Vogel com um ícone da TV, mas é o ponto de vista de Rogers que gostaríamos de ver. Um produção correta, mas que escolheu colocar seu foco sobre a figura menos interessante. Apresentou a vizinhança de Mr. Rogers, e deixou a vontade de acompanhar a biografia completa do apresentador. Descobrir se ele era realmente esta figura admirável fora da televisão (espero que sim), e que apesar disso tinha falhas. E de preferência com Hanks novamente no papel.

Um Lindo Dia na Vizinhança (A Beautiful Day in the Neighborhood)
2019 - EUA - 109min
Drama, Biografia
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terça-feira, 16 de junho de 2020

A Maravilhosa Fotografia de O Conto da Aia – Parte II

terça-feira, junho 16, 2020 0
Escrito por: José Renato
Site: Pllano Geral
Página no Facebook: Pllano Geral

Então pessoal, hoje trago para vocês a continuação do artigo A maravilhosa fotografia de O Conto da Aia. Caso tenha perdido o texto anterior, basta clicar aqui para conferir, está muito interessante. 

Hoje iremos lidar com foco, luz e outros detalhes que deixam a série ainda mais bela, sem enrolação que é muita coisa, vamos lá!

Os responsáveis pela fotografia sabem muito bem do poder que as imagens têm em sua função narrativa. Aqui, por exemplo, o desfoque é usado para dar uma noção de urgência. Observe que o foco muda conforme o movimento de June, emulando a sensação de desespero da personagem.

Foco no olho esquerdo:


Foco no olho direito:  

Desfoque total:


Esse artifício pode ser observado em outros momentos da série, que buscam sempre nos aproximar da sensação do personagem.

No artigo anterior falamos bastante dos enquadramentos de cenas, um aspecto que a série dá um show. Um ponto importantíssimo que precisa também ser citado, é o enquadramento com o uso de proporção, por exemplo, um dos padrões mais encontrados na natureza é a Proporção Áurea que é muito utilizada como técnica em fotografia, pois hoje já se sabe que esse tipo de composição agrada aos olhos de quem vê, deixando as cenas maravilhosas.

Eu inseri a grade da proporção para você ter uma ideia de como são formadas essas composições, que consiste basicamente em posicionar os elementos ou personagens nas extremidades da cena. Veja: 



Outra composição que às vezes nos deixa de queixo caído, são os padrões, algo também bastante recorrente. Alguns deles são utilizados como função narrativa, mandando mensagens bem óbvias. 

Aqui a composição mostra as aias dentro de um “grande olho”, reforçando a noção de que as moças estão sobre constante vigilância:

Já aqui a personagem June se encontra no centro do olho.


Aqui outros exemplos de padrões que podem ser observados.


Por último, não poderia deixar é claro de comentar um pouco sobre luz, e em como ela é empregada. Geralmente, a luz natural (que é a mais explorada na série) é constantemente utilizada lembrando quase sempre aspectos do gênero noir. O uso das janelas como iluminação, por exemplo, além de proporcionar planos visualmente mais bonitos, servem para contar um pouco mais sobre a repressão daquele lugar, pois ambientes pouco iluminados dão a sensação de solidão e confinamento. 



Mais uma vez a fotografia reforça a narrativa, deixando toda a série mais gratificante de ser assistida. 

É isso aí pessoal, espero que tenham gostado. Tenho certeza que ainda existem alguns outros aspectos que poderiam ser abordados, pois não existe (ao menos eu não conheço), uma série que tenha caprichado tanto visualmente.

E não se esqueçam de acompanhar, pois esse seriado tem muito mais a oferecer! Um abraço.

Leia a parte um de A maravilhosa fotografia de O Conto da Aia, e outros textos sobre a série The Handmaid’s Tale.
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quarta-feira, 10 de junho de 2020

A cultura pop e as coisas que são maiores por dentro!

quarta-feira, junho 10, 2020 0
Com sete bilhões de pessoas no planeta, espaço é um bem precioso. Logo, não é surpresa que a ficção imagine objetos com mais espaço interno que externo. Explicados por tecnologia super avançada, magia, ou mesmo sem fazer sentido algum, não falta variedade nesses exemplares na cultura pop.

TARDIS
(Doctor Who - 1963)
Impossível não começar por ela, né! Pensou em algo maior por dentro pensou na nave do Doutor. It's bigger on the inside?! (É maior por dentro!?, em português), é a exclamação de 99% dos seres que pegam carona no veículo que tem suas características espaciais até no nome. Time and Relative Dimensions in Space (Tempo e Dimensão Relativas no Espaço), que forma o acrônimo TARDIS, explica tudo. Para ela, tempo e espaço são relativos.

Construída pelos Senhores do Tempo de Galifrey, tem guarda-roupa, biblioteca, piscina, quartos,... dá até para se perder lá dentro. Embora na maior parte do tempo, o que vemos é a ponte de comando mesmo. Pode assumir qualquer forma para se misturar à paisagem, mas está travada como uma cabine telefônica de polícia azul dos anos de 1960, desde que seu sistema de camuflagem quebrou. Apesar disso, volta e meia ganha uma repaginada, tanto na decoração interna, quanto na caixa azul.


Bolsa de Tapete
(Mary Poppins - 1939)
É o objeto mais antigo desta lista, criado em 1939 por P. L. Travers, como mala de viagem de sua babá mágica. É feita de tapete, muito resistente. Além de roupas, tem espaço para peças de decoração e mobília, como plantas espelhos e cabides.

Para olhos inocentes, curiosos de desavisados, pode parecer vazia, mas não se deixe enganar. É bem funda, às vezes Mary precisa se inclinar dentro dela para alcançar o que precisa. Talvez por isso não de para ver dentro. Apareceu pela primeira vez no livro de estreia de Mary Poppins, mas foi imortalizada no imaginário popular mundial pela adaptação de Walt Disney para o cinema, lançada em 1964.


Feitiço Indetectável de Extensão
(The Wizarding World - 1997)
Eu sei, um feitiço não é um objeto, mas já que vemos vários objetos alterados por ele achei melhor reunir todas as criações do Mundo Bruxo em um único item. Vale mencionar, existem leis rígidas para o uso desse feitiço. Não que isso impeça os personagens.

O primeiro a dar as caras na saga do bruxinho, é o Ford Anglia do Sr. Weasley, que magicamente comportava toda da família, além de voar e ficar invisível. Ao longo dos sete livros e oito filmes de Harry Potter, ainda vemos, a barraca de acampamento e a bolsa de contas de Hermione. Já em Animais Fantásticos, podemos ver o feitiço ser utilizado da mala de Newt Scamander, e mais tarde em sua casa. Ambos abrigam um verdadeiro zoológico mágico.


Hora dos objetos que são maiores por dentro sem que haja explicação, ou mesmo lógica para isso...


Spicebuss
(Spice World - O Mundo das Spice Girls - 1997)
O ônibus de turnê das Spice Girls, por fora um típico ônibus londrino de dois andares com pintura que imita a bandeira da Inglaterra. Por dentro, espaço particular para cada Spice, cinco banheiros, e até um escritório para o agente delas.

Se você era criança nos anos noventa, com certeza passou horas tentando entender as dimensões internas do veículo. Tinha espaço até para um balanço, uma passarela e uma bicicleta ergométrica. Melhor busão já inventado!


A Casa dos Tanner
Uma daquelas casas estreitinhas, características de São Francisco. Mas por dentro, uma verdadeira mansão, muito mais larga que aparenta. Quatro quartos espaçosos, duas escadas para o segundo andar, vários banheiros (depois de duas séries distintas já perdi a conta), porão e sótão habitáveis, jardim, e até um segundo sótão que só apareceu em Fuller House.

A casa é propositalmente maior, afinal abriga a maior parte das aventuras desta família gigantesca. Não faz sentido nas leis da física, não tem ciência ou magia envolvida, mas atende bem às necessidades da série.

Agora vamos a uma subcategoria, de objetos que imaginamos serem maiores por dentro para poder abrigar melhor seus residentes...


Pokebola
(Pokémon - 1996)
Criada para facilitar a vida dos treinadores pokemon, é uma esfera leve e pequena que permite que os monstros sejam carregados no bolso. Na realidade, não sabemos muito sobre o interior dela,  egoístas que somos, só temos informações do quão cada modelo facilita a captura dos pokemon.

É pela falta de informação que temos a liberdade de imaginar que elas são maiores por dentro. Assim os pokemon tem espaço suficiente para viver bem ali, e não estarão sofrendo maus tratos. Apesar de serem obrigados a duelar em rinhas já serem uma forma de maus tratos.... err... melhor ir para o próximo.

Barril do Chaves
(Chaves - 1973)
Que atire a primeira pedra quem nunca imaginou que tem uma escada para um verdadeiro lar subterrâneo para o Chaves naquele simples barril de madeira.

O representante latino desta lista passa tanto tempo escondido ali, que logo procuramos um motivo para sua preferência. Além disso, imaginar um verdadeiro lar, com brinquedos, comida e conforto é o que muita gente deseja para o órfão criado por Roberto Bolaños.

Quase inclui a lâmpada do Gênio do Aladdin nesta lista. Mas, já que não tenho certeza se o objeto é maior por dentro, ou se é seu residente que encolhe, e ele ainda reclama de falta de espaço, resolvi parar por aqui.

Não pude deixar de notar mais da metade da nossa lista é britânica. O que será que os conterrâneos da rainha tem para gostar tanto de coisas maiores por dentro?

E aí? Faltou algum objeto estranhamente maior por dentro? Vem acrescentar seu favorito!

Veja mais listas!
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sexta-feira, 5 de junho de 2020

Fuller House - 5ª (e última) temporada

sexta-feira, junho 05, 2020 0
Os episódios finais de Full House, exibidos em 1995, são bastante curiosos. Eles fazem uma retrospectiva de toda a série através da amnésia temporária de Michelle. Já o desfecho de Fuller House, finge olhar para frente, mas na verdade mantém o status-quo.


A primeira metade do derradeiro ano, liberada em dezembro de 2019, traz aventuras episódicas da família. Enquanto os episódios finais, que estrearam em junho de 2020, tratam dos preparativos casamento triplo das protagonistas. 

Pois é, você leu direito. Fuller House acabou resumindo sua temporada final à felicidade pelo casamento. Por mais que seja divertido acompanhar estas personagens, que conhecemos desde a infância, tentando planejar o matrimônio, é difícil não achar estranho que o final feliz destas três mulheres está atrelada à unica e exclusivamente à interesses românticos. 

Todos os outros problemas parecem relegados ao segundo plano. Mesmo os dilemas relacionados às crianças, apesar desta ser uma série sobre família. E do arco de maternidade de Stephanie (Jodie Sweetin) ser o melhor das cinco temporadas do revival. Não é incomum se perguntar, quem está cuidando do bebê durante os episódios.

Quanto à evolução dos personagens, não há grandes mudanças. As relações são as mesmas, e os personagens não tem grandes lições a aprender. À exceção são breves discussões sobre o futuro de Ramona e Jackson (Soni Bringas e Michael Campion), que estão na fase de escolha de faculdade. E futuro das famílias pós casamentos. Este último, aliás, era a chance de trazer algum desenvolvimento e independência para DJ (Candace Cameron Bure). A própria série admite isso em um discurso emocionado, que é esvaziado na mesma cena, quando as mudanças são imediatamente revertidas. 


Apesar disso, sim, a quinta e última temporada de Fuller House é bastante divertida! Mais por nossa empatia por seus personagens, que por esforço de criatividade do roteiro. Este abandona completamente imagens de arquivo, mas abusa da recriação de situações e referências à acontecimentos passados. Depende demais da nostalgia, e por isso não cria tantos momentos 
memoráveis quanto os de Três é Demais.

O fato das temporadas de séries atuais serem mais curtas também atrapalha. Afinal, passamos muito mais tempo (leia-se episódios) com os Tanner no século passado, que com os Fuller neste século. São mais situações cotidianas, mais memórias, mais tempo para criar uma relação com os personagens. Por isso, conhecemos muito melhor Michelle, que Tommy (Dashiell e Fox Messitt), por exemplo.

As piadas atualizadas e cheias de referências à cultura pop continuam funcionando. E a tentativa de tornar a série mais diversa, através dos personagens secundários é perceptível. Os "adultos" originais ainda fazem várias participações especiais, à exceção Tia Becky,  Lori Loughlin, afastada por problemas com a justiça. E não, Michelle Tanner, não vai aparecer, nem alimente esperanças. E sim, eles ainda fazem piada com a ausência das gêmeas Olsen.

O revival mais bem sucedido da onda de recriações dos últimos anos. Fuller House é exatamente isso, uma excelente revista à uma família que amamos. Podia ser mais, explorar novas situações, levar DJ, Stephanie e Kimmy (Andrea Barber) para novos desafios. Mas funciona como atualização, mata as saudades dos Tanner-Fuller e tem um desfecho que condiz com a tradição de resolver tudo com conversas sinceras e abraços coletivos. 


O quinto ano de Fuller House tem dezoito episódios, todos já estão disponíveis na Netflix, assim como as temporadas anteriores, e os oito anos da série original, Full House, ou Três é Demais como era conhecida por aqui.

Leia mais sobre Netflix e Fuller House

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