Novembro 2017 - Ah! E por falar nisso...

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Livro vs Filme: Assassinato no Expresso do Oriente

quarta-feira, novembro 29, 2017 0
Hercule Poirot está de volta aos cinemas com uma nova versão de Assassinato no Expresso do Oriente. E como toda adaptação literária para as telas, essa tem sim suas alterações necessárias para funcionar na tela grande. É hora de apontar as mudanças feitas no clássico de Agatha Christie e tentar entender porque foram necessárias.

O ministério dos "spoilerfóbicos" informa: este post contém SPOILERS do livro e do filme!


1 - Uma introdução para Hercule Poirot
Agatha Christie é muito popular, mesmo assim, é provável que  muita gente nunca tenha ouvido falar do melhor detetive do mundo Hercule Poirot. Logo, não é surpresa que o filme ache necessário apresentar o personagem para o grande público. Por isso, começamos nossa jornada no Expresso do Oriente começa durante a resolução de outro caso, que mostra as principais características do protagonista, como a necessidade de simetria, perfeccionismo, e o pensamento analítico. Enquanto no livro, encontramos Poirot já a espera do próximo trem.

2 - Coronel que virou Doutor
No livro o personagem de sobrenome Arbuthnot, é um coronel. No filme ele ganhou o título de Doutor, cumprindo também o papel do  Dr. Constantine , médico que ajuda a analisar o corpo na versão original. Além de médico, no filme, o personagem é negro, vivido por  Leslie Odom Jr.. Acrescentando uma discussão de preconceito à narrativa.

3 - Mudando de Nacionalidade
No livro a personagem de Penélope Cruz é de origem sueca e tem o nome de Greta Ohlsson. No filme ela ganhou novo nome, Pilar Estravados para se adaptar melhor a sua ilustre intérprete. Esse nome foi tirado de outro romance de Agatha Christie, O Natal de Poirot de 1938.

4 - Um Poirot mais ativo
Nos livros Hercule Poirot acredita que é possível resolver um crime "apenas sentado na sua poltrona", o máximo de ação que ele faz nas páginas é visitar a cena do crime. O filme inclui algumas cenas de ação para melhorar o ritmo, e tornar mais palpável para o grande público..

5 - Protetor de Bigode
No livro não há menções sobre Hercule Poirot usar um protetor de bigode para dormir. Este "mimo" pertence apenas ao filme, e é hilário!

6 - Saindo do trem
O livro se passa quase que inteiramente no trem. Depois de embarcar a história se mantém nos vagões, especialmente após a parada causada pela neve. O filme utiliza também a área coberta de neve ao redor da locomotiva, e a estrutura da ponte em que o filme fica parcialmente parado, um túnel e até a cozinha do trem.

7 - Pequenos detalhes
Alguns detalhes do caso e da investigação são diferentes, para dar mais fluidez ao filme. Mas nada que altere muito o desenrolar do caso.

Lá vem um spoiler grande! Continue por sua conta e risco...

8 - Comparações e referências
O filme deixa de lado a comparação do 12 membros de um juri com o número de culpados. Para quem contou, o filme traz 13 culpados, lindamente emoldurados em uma referência a Última Ceia de DaVinci, mas nos livros 12 pessoas esfaquearam Casseti. A Condessa Andrenyi (Lucy Boynton no filme), tem saúde mental frágil e não participa diretamente da vingança.
Contou 14? Deixe de fora o proprietário do Expresso Oriente!
_______________________

As diferenças entre livro e filme são poucas, e necessárias para adaptar a narrativa ao gosto dos expectadores do século XXI. Nada que corrompa a história, ou enfureça fãs sensatos.

Read More

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Justiceiro - 1ª temporada

segunda-feira, novembro 27, 2017 0
Frank Castle, roubou a cena - no bom sentido - na segunda temporada de Demolidor. Por isso, ninguém achou ruim quando a Marvel e a Netflix anunciaram a série solo do Justiceiro. Todos queriam mais episódios focados na máquina de matar, mas não precisavam ser tantos assim.

Castle (Jon Bernthal) é um personagem simples, um fuzileiro naval que perdeu toda a família e mergulhou em uma jornada por justiça vingança. Jornada que ele encerra logo na primeira cena da série. Sem um objetivo na vida, o personagem mergulha no vazio. Trabalhando obsessivamente para ocupar mente e corpo nem uma tentativa inútil de se manter fora de encrencas. É claro, que não demora muito para que esta rotina seja quebrada e Frank tenha que voltar à ação, mas não sem muitos dilemas e hesitação.

Enquanto isso acompanhamos também Dinah Madani (Amber Rose Revah), policial persistente que descobriu corrupção no sistema, e tenta incansavelmente fazer justiça. Lewis Walcott (Daniel Webber), soldado com stress pós traumático, que não consegue se ajustar a vida de civil e frequenta o grupo de ajuda de Curtis Hoyle (Jason R. Moore), ex-companheiro de pelotão de Castle. Billy Russo (Ben Barnes, o Principe Caspian de Nárnia) é o extremo oposto, boa-pinta e bem articulado, o outro ex-companheiro de guerra do protagonista abriu sua própria empresa e se tornou milionário após deixar o serviço militar. Micro (Ebon Moss-Bachrach), assim como Frank "já morreu", mas sua jornada é um reflexo com chances de final feliz da mesma história. E não podemos esquecer de Karen Page (Deborah Ann Woll), uma das poucas pessoas que sabem que o Justiceiro está vivo, e que adora se meter em encrencas.

Achou gente demais? E é. Cada um com seus arcos e tramas próprias, que são interessantes e preenchem os 13 episódios da temporada, mas não necessariamente colaboram para o desfecho da trama principal. Competindo em atenção com o protagonista, que em alguns momentos cai para o segundo plano. O que somado aos seus muitos dilemas diminui o potencial de "matança" em tela. Um pouco decepcionante para aqueles que esperavam ver a máquina de matar dos quadrinhos.

Calma, pois a série ainda tem seus momentos. Momentos de grande violência, brutal, gore e nada bonita - acerto por não glamourizar a violência. E Bernthal, com sua falta de articulação, grunhidos e passo pesado, comprova mais uma vez que nasceu para este papel, inclusive nas sequências em que o personagem é atormentado por dilemas e lembranças. Dilemas esses que tentam dar mais profundidade para um personagem que funciona melhor quando é simples (perda = vingança), e principalmente para apontar que a produção está ciente de ter um homem treinado e altamente armado como "herói", em um país em que massacres por supostos justiceiros estão virando lugar comum.

A criação deste tipo de - por falta de palavra melhor - justiceiro deturpado, é um dos arcos mais interessantes dos coadjuvantes. A jornada de Lewis Walcott, discute as consequências do pós-guerra, o abandono dos EUA aos seus soldados, e a sustentação de uma ideologia deturpada de justiça. Sempre reforçando que o protagonista anti-herói é bastante diferente de um terrorista comum. 

Outro acerto é a relação entre Micro e Frank. Dois homens com mesma história e objetivos, mas com perspectivas completamente diferentes. A química de opostos entre Ebon Moss-Bachrach (excelente) e Bernthal é impecável. Assim como a atuação de todo o elenco. É difícil não cair na conversa cheia de charme de Billy Russo por exemplo. O ponto fraco fica por conta de Amber Rose Revah, que pouco consegue imprimir força que Dinah Madani, policial cheia de convicções e de origem árabe (um dilema pouco explorado) necessita.

Apesar de muitos arcos e discussões, como a questão do porte de armas - outra em que a Netflix, não declara um lado - ainda sobra tempo para triângulos amorosos e romance platônicos. - Sim, estou shippando Karen e Frank. - Tornando o miolo da série um tanto quanto arrastado. 

Marvel e Netflix tem consciência das responsabilidade de trazer um anti-herói possível (ele não tem super-poderes, só treinamento e armas) e tão violento para o universo mais realista que criou para as séries do serviço de streaming. Logo, é compreensível que a série gaste certo tempo justificando as ações de Castle, e explicando que apesar de protagonista, ele não é exemplo a ser seguido. Ainda sim, o ritmo poderia ser melhor com menos episódios para preencher.

Justiceiro não é livre de falha, mas é um bom acréscimo à franquia, principalmente pelas boas atuações e pelos momentos em que a simplicidade do personagem supera a complexa trama. Não é bonito admitir, mas o que realmente gostamos em Frank Castle é suas habilidades de matar.  

Este Justiceiro apareceu pela primeira vez na 2ª temporada de Demolidor. Sua série própria tem 13 episódios todos, já disponíveis na Netflix
Read More

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Assassinato no Expresso do Oriente (2017)

quinta-feira, novembro 23, 2017 0
Hercule Poirot (Kenneth Branagh) bem que tenta, mas não tem descanso. Mal soluciona um mistério e outro caso já cai em seus ombros. Não é atoa que protagonizou nada menos que 39 livros de Agatha Christie e volta e meia tem suas histórias adaptadas para outros veículos. Mesmo assim, já fazia algum tempo que o excêntrico detetive não dava as caras na tela grande.

Requisitado em Londres com urgência, Poirot consegue com dificuldade uma vaga no Expresso do Oriente, estranhamente lotado para a época do ano. Como já diz o título, alguém é assassinado no trem, que fica preso em uma nevasca. Encurralando os suspeitos com o detetive mais famoso do mundo. Hercule Poirot tem apenas algumas horas para desvendar o crime antes de chegar à próxima estação.

Após uma demonstração curta porém eficiente das idiossincrasias e modus operante de seu protagonista, Assassinato no Expresso do Oriente apresenta de forma dinâmica seus muitos personagens. Gasta algum tempo apresentando o ambiente da locomotiva e seus passageiros antes de seguir a trama propriamente dita. Dando ao expectador um gostinho dos hábitos observadores de Poirot, antes mesmo de ele de fato começar a analisar as circunstâncias.

Crime realizado, é hora de analisar as provas e conversar com os suspeitos, é nesse ponto que muitos podem achar o longa arrastado, embora a mudança de ritmo seja coerente com a obra literária que o inspirou. A lentidão nasce da repetição de uma situação inevitável: Poirot precisa interrogar passageiros e funcionários do vagão. O longa até tenta criar uma dinâmica mais leve, mudando a locação dos interrogatórios, chegando a sair da locomotiva. Á certa altura, a edição tenta agilizar o ritmo alternando os depoimentos, exigindo mais atenção do expectador para não se perder nos detalhes.

Mas esta é a única grande falha do filme, e não deve afetar aqueles que já conhecem a história. Infelizmente também são essas pessoas, que não vão se surpreender com o desfecho, bem construído graças à esse segundo ato mais detalhado. Os já iniciados também vão se surpreender com uma ou outra cena de ação, claramente incluídas para das mais dinamismo à uma obra composta apenas de longas exposições. Criadas de forma criativa para explorar os poucos ambientes que o veículo oferece.

Aliás, criativos também são os ângulos e movimentos de câmeras escolhidos por Branagh, que também é diretor do filme. Seja para encontrar o melhor ângulo para mostrar a cena do crime, ou para dar ao expectador a sensação de ser mais um passageiro, mesmo que clandestino, no Expresso Oriente. Um traço já característico do diretor, que funciona muito bem no ambiente confinado em que a história se passa.


De volta aos suspeitos, o elenco de peso é um dos atrativos para os não aficionados pelas obras de Agatha Christie. Além de Branagh que conduz a trama muito bem, Penélope Cruz, Willem Dafoe, como Gerhard Hardman, Judi Dench, Johnny Depp, Josh Gad, Derek Jacobi como Edward Masterman, Michelle Pfeiffer, e Daisy Ridley são os nomes mais conhecidos do elenco afinado. Sem grandes atuações, todos executam de forma eficiente o trabalho no pouco tempo de tela que tem, em meio à tantos suspeitos. Os destaques ficam por conta de Gad, em um personagem de tom bastante distinto dos daqueles a que estamos acostumados; Ridley, intérprete de Ray em Star Wars, mostra que não pretende ficar marcada apenas por um personagem. E Pfeiffer, que acerta cada vez mais tanto na atuação, quanto na escolha de seus trabalhos.

Um design de produção impecável completa o pacote. Mesmo sabendo que houve um crime nele, e que existe a possibilidade de ficar atolado na neve, é impossível não querer embarcar no luxuoso trem. Concebido com riqueza de detalhes em seu interior, dos figurinos aos utensílios de cozinha. E o exterior criado com computação gráfica eficiente sob os trilhos, incluindo os cenários por qual ele passa. Já o bigode de Hercule Poirot dispensa comentários.

O longa é visualmente deslumbrante e tecnicamente bem feito. O roteiro tem sim uma mudança de ritmo herdada de seu material original, que pode desagradar alguns, mas no geral não compromete a excelente trama de Agatha Christie, nem diminui o mérito das boas atuações. Assassinato no Expresso do Oriente é uma excelente porta de entrada para uma nova franquia já confirmada. Morte no Nilo deve ser a próxima aventura do detetive excêntrico e nada modesto. Que venham mais mistérios!

Assassinato no Expresso do Oriente (Murder on the Orient Express)
EUA - 2017 - 114min
Suspense


Leia a crítica do livro Assassinato no Expresso do Oriente
Read More

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Assassinato no Expresso do Oriente

terça-feira, novembro 21, 2017 0
Admito, era uma falha grande para esta leitora ainda não ter lido nenhuma obra de Agatha Christie. Eu já conhecera algumas de suas tramas através de adaptações para a TV, principalmente graças ao mês especial dedicada à autora no blog parceiro DVD, Sofá e Pipoca. Mas ainda não tinha encarado algum dos livros. Nada mais oportuno que encontrar perdido na estante uma cópia de Assassinato no Expresso do Oriente às vésperas da chegada da nova adaptação para o cinema. Hora de corrigir esta falha em meu currículo literário.

Mas é claro, não tenho a pretensão de julgar um clássico da literatura. Não é clássico atoa, a obra é excelente, leia assim que tiver oportunidade. Por hora, compartilho apenas as minhas impressões sobre esta primeira incursão no universo de Hercule Poirot.

O famoso detetive belga, acaba de solucionar um caso quando recebe um telegrama pedindo seu retorno imediato à Inglaterra. Com a influência de seu amigo e dono da companhia Bouc consegue um lugar no lotado (estranhamente para a época do ano) Expresso Oriente. Não é mistério, alguém é morto durante a viagem, mas o trem é pego por uma nevasca, encurralando o assassino. Agora Poirot tem algumas horas e um vagão cheio de suspeitos para desvendar o caso antes de chegar à próxima estação.

Dividido em três partes, o texto ajusta seu ritmo à necessidade de cada etapa. "Os fatos", apresenta os muitos personagens/suspeitos e o desenrolar do crime. "Depoimentos", onde o detetive interroga todos os suspeitos, e você passa a leitura vasculhando mínimos detalhes tentando descobrir o assassino. E "Conclusão", quando todas as cartas estão na mesa, e temos algumas últimas chances de tentar desvendar o mistério.

Para alguns a mudança de ritmo pode ser incômoda. Pessoalmente, acho bem colocado um início dinâmico, porém contido para dar tempo de apresentar, personagens, cenário e o crime. Um miolo mais lento durante os depoimentos - afinal estamos à caça de provas. E um final mais frenético, com longas exposições e pouco respiros, reflexo da nossa ânsia por  descobrir o desfecho.

É claro, o livro é um retrato de sua época. E não apenas por retratar um trem que existe, e usar um caso real como inspiração do pano de fundo para motivação do crime, mas também para construir os personagens. Seja no preconceito e no pensamento estereotipado sobre distintas nacionalidades que os passageiros demonstram. Seja na criação de suas personalidades; Que tipo de moça viajaria sozinha? Porque determinado casal é mais recluso? Como uma dama da alta sociedade exige tratamento "adequado" à sua posição? Estes pequenos detalhes de finem bem o quadro a ser analisado, facilitam a identificação dos muitos personagens, e claro, fornecem pistas para o leitor/detetive.

Infelizmente (ou felizmente?), a maioria de nós não tem o cérebro de Hercule Poirot, por isso passamos muito mais tempo quebrando a cabeça. E para nossa surpresa, além da reviravolta, o desfecho ainda traz um questionamento moral que desafia protagonista e leitor. É principalmente por esta última discussão que a trama se mantém atual. Deixando leitores encantados há gerações.

A edição que eu li - estava mesmo perdida na estante - é de 2005 da Nova Fronteira com tradução de Archibaldo Figueira. Mas, existem várias versões do livro no mercado, a mais popular ultimamente é da Harpercollins, que tem uma coleção inteira de obras da autora.

Assassinato no Expresso do Oriente (Murder on the Orient Express)
Agatha Christie
Nova Fronteira
Read More

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Liga da Justiça

quarta-feira, novembro 15, 2017 0
É triste pensar que a primeira aventura da super-equipe de heróis mais icônica dos quadrinhos chegue debaixo de grande desconfiança. Apesar do sucesso de Mulher-Maravilha, o desempenho no mínimo duvidoso de Homem de AçoBatman Vs Superman  deixou  público com o pé atrás. Ao menos a desesperança combina com o mundo em que os personagens estão inseridos.

Superman (Henry Cavill) está morto. Aparentemente, toda a esperança do mundo morreu com ele. Enquanto isso, Bruce Wayne (Ben Affleck) tenta se preparar para a ameaça anunciada no longa anterior. O ataque iminente de um inimigo que ameaça dominar o planeta inspira a união inédita de uma super-equipe formada por Batman, Mulher Maravilha (Gal Gadot), Aquaman (Jason Momoa), Cyborg (Ray Fisher) e Flash (Ezra Miller).

Buscando novos caminhos para as adaptações da DC nas telas, Liga da Justiça se passa no mundo que sofre as consequências das batalhas anteriores mas não carrega o mesmo peso dos filmes anteriores. Equilibrar a gravidade anterior com tom mais aventuresco, para agradar um público mais extenso é o grande desafio do longa.

A tarefa é cumprida, mais leve e divertido a reunião de heróis deve agradar a maioria. Mas, apesar de funcionar, a mudança não vem sem perdas. A mais evidente é a falta de urgência da ameaça, o Lobo da Estepe (voz de Ciarán Hinds) é a maior ameça que o mundo já enfrentou, capaz de mobilizar humanos, atlantes e amazonas. Entretanto, a destruição que ele traz tem menor impacto que a luta entre Zod e Superman, por exemplo. Seu visual completamente feito por computação gráfica também não ajuda a torná-lo ameaçador, é bem feito, mas tem pouca personalidade. Colocando o personagem na mesma categoria que os vilões da Marvel, na função de servir de escada para os heróis.

Já seu plano, é simples e fácil de compreender, reunir poder e usá-lo para dominar o mundo. Talvez simples até demais para fãs que conheçam o histórico do vilão nos quadrinhos, mas acessível para o grande público não iniciado. Com um desafio simples sobra espaço para trabalhar os heróis. Tempo mais que necessário, afinal são seis personagens a serem trabalhos individualmente e como grupo. O foco, é claro, está na Trinidade. Bruce se prepara não apenas para a ameaça, mas também lida com o sentimento de culpa pela morte do Superman. Diana precisa restabelecer seu espaço após um século de reclusão, empoderando ainda mais sua bem sucedida Mulher Maravilha. E o Superman... bom, ele está ausente.

Enquanto isso os outros membros da liga são melhor apresentados e  tem funções bastante específicas. O personagem mais recente do cânone, Victor Stone, o Ciborgue, tem uma relação interessante com as caixas maternas, objeto de desejo do vilão, mas tem pouco tempo para desenvolver os traumas que o tornaram atormentado. Menos sociável que sua versão para a TV, Barry Allen, o flash de Ezra Miller é responsável por boa parte dos momento cômicos. Já Mommoa, se encarrega de reconstruir a figura do injustiçado Aquaman para o grande público. Marrento, beberrão e aproveitando o carisma de seu intérprete, o personagem entrega o que promete e teria impressionado ainda mais, se os trailers não tivessem estragado a surpresa de suas melhores cenas de ação.

Os efeitos especiais não impressionam, apenas funcionam e o 3D é dispensável. E eventualmente uma ou outra piadinha parece fora de tom, nada que comprometa a produção. Já o design de produção acerta em criar uniformes que atendam as necessidades de cada um, mas ao mesmo tempo tenham unidade em cena.  No geral o filme cumpriu bem sua complexa tarefa, tornar os universo da DC nos cinemas mais palatável para o grande público. Graças aos foco em seus personagens, tudo bem se o vilão não é incrível, é com os heróis que nos relacionamos. E cada um deles ganha possibilidades de novos rumos solos, a partir daqui, especialmente o Superman, que volta a ser o símbolo esperança que costuma ser.

Liga da Justiça não é um filme tão bem resolvido quanto Mulher-Maravilha, mas funciona melhor que Batman Vs Superman. Deve agradar o grande público, garantir a sobrevivência da franquia. Assim, a DC ganha tempo para definir melhor estes novos rumos nas aventuras futuras. Em outras palavras, assim como no filme, a esperança está de volta neste universo.


Liga da Justiça (Justice League)
EUA - 2017 - 120min
Ação, Aventura

P.S.: Existem duas cenas pós créditos!

Leia as críticas de Homem de Aço e Batman Vs Superman e Mulher-Maravilha
Read More

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Informações úteis para sua maratona de Alias Grace

segunda-feira, novembro 13, 2017 0
O mundo está redescobrindo Margaret Atwood, afinal suas obras povoadas por mulheres fortes encaixam como uma luva com o cenário atual. Entretanto, apesar das semelhanças temáticas e do fato de The Handmaid’s Tale inevitavelmente vir a mente assim que pensamos em Alias Grace, é bom avisar são trabalhos muitos distintos.

Grace Marks (Sarah Gadon) era uma adolescente em 1843 quando foi condenada à prisão perpétua por assassinato. Quinze anos depois o Dr. Jordan (Edward Holcroft), especializado em problemas da mente vem estudar seu caso, já que a moça alega não ter memórias do crime que a pôs na prisão, fazendo com que sua participação seja uma incógnita.

Informações úteis para sua maratona de Alias Grace


1 - Alias Grace é mais uma feita pela Netflix em parceria com a emissora canadense CBC, a mesma de Anne with an "E". O serviço de streaming é responsável pela distribuição mundial.

2 - Baseado no livro de Margaret Atwood, que por sua vez é inspirado em um caso real. Grace Marks realmente existiu, assim como o caso de assassinato e as dúvidas quanto ao seu envolvimento. Entretanto, as situações e a maioria dos personagens retratados no livro e na série são ficcionais.

3 - A roteirista Sarah Polley tentou adquirir os direitos de adaptação da obra em 1996, ano de seu lançamento. Levou mais de vinte anos para conseguir entregar a obra pronta.

4 - É provável que você fique confuso quanto a idade de Grace ao chegar no Canadá, e principalmente durante o primeiro trabalho que consegue. Isso acontece porque a produção optou por manter Sarah Gadon em todas as fases da vida da protagonista. Apesar de a escolha ser acertada - Gadon consegue conferir realismo a todas as idades de Grace - e da maquiagem ser eficiente, a dúvida ainda persiste, mas não dura muito. O bom trabalho de sua intérprete consegue conferir a inocência necessária à personagem, nos fazendo relevar a este detalhe.

Nos últimos episódios da série, descobrimos que na época do crime Grace tinha 16 anos, assim como a versão da vida real. Esta última teria chegado ao Canadá aos 12 anos.
Grace com 12 anos? 
5 - Assim como na série, a verdadeira Grace cumpriu parte da pena em um manicômio e posteriormente foi perdoada e libertada por bom comportamento. As datas em que essas mudanças aconteceram, no entanto, não são necessariamente as mesmas na TV e na vida real.

6 - Zachary Levi interpreta Jeremiah na série. Seu primeiro trabalho de destaque foi como protagonista da série Chuck, nerd que tem um supercomputador instalado acidentalmente em seu cérebro e por isso passa a ser monitorado pela a Agente Sarah Walker (Yvonne Strahovski). Strahovski faz parte do elenco The Handmaid’s Tale, série baseada em outro livro de Atwood, também lançada por uma plataforma de streaming em 2017.

7 - O cineasta David Cronenberg, participa da série como o reverendo Verringer.

8 - Caso não tenha ficado claro, o suposto "parceiro" no crime de Grace, James McDermott, foi condenado e enforcado após o julgamento.

9 - Todos os homens retratados na série são culpados de uma forma ou outra, ou no mínimo cometem atos altamente condenáveis. Mesmo aqueles tidos como "homens de bem" como o Dr. Jordan, ou o jovem Jamie Walsh.

10 - E por falar no D. Jordan, se ele lhe parecer familiar, o outro trabalho de maior destaque de seu intérprete Edward Holcroft é o almofadinha irritante Charlie, presente nos dois filmes da franquia Kingsman.
11 - A obsessão do Dr. Jordan por seu objeto de estudo é retratado não apenas pela aparência do personagem que decai ao longo dos episódios, mas também pela proximidade física de suas sessões. No início separados por uma sala inteira e uma mesa, na última conversa os personagens falam sentados tão próximos frente-a-frente que seus joelhos se tocam.

12 - A única personagem realmente não faz julgamentos sobre Grace é uma empregada negra, que afirma que não vai condenar alguém por se levantar contra seu senhor. Adicionando ainda mais camadas no complexo caso.

13 - As colchas de retalhos que Grace borda constantemente e cita em alguns momentos, são uma analogia a forma complexa com que sua história é contada.

14 - Você vai achar que Grace é inocente, depois culpada, inocente novamente, e em alguns momentos até que suas motivações talvez justifiquem o ato. Depois de ter uma opinião oscilante pela temporada inteira, não vai chegar a nenhum resultado definitivo. E isso é ótimo! A dúvida, e a discussão sobre a sociedade em questão são muito mais interessantes - e importantes - que o veredito.

15 - O julgamento de Grace nos livros e na vida real teriam acontecido em 3 e 4 de Novembro de 1843. A série foi liberada na Netflix em 3 de Novembro de 2017.

156 - A série foi apresentada como "limited series", o que significa que não devem haver novas temporadas, mesmo porque a história não deixa margens para continuações.
_________________

Alias Grace tem seis episódios com cerca de uma hora de duração cada. Todos estão disponíveis na Netflix. Leia a crítica da série!
Read More

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Você está pronto para voltar ao Titanic?

sexta-feira, novembro 10, 2017 0
É claro, estou falando do filme de James Cameron, não do navio de verdade, embora a produção por si só já promova um retorno à famosa embarcação. Seja qual for sua resposta, você deve estar curioso do porque resolvi fazer esta pergunta. A resposta é simples: acredite ou não, Titanic completa 20 anos em 2017!

Eu, sei. Parece que foi ontem que o filme evento estreou, você ainda lembra onde assistiu pela primeira vez (eu lembro até de quando estreou na TV aberta, dividido em duas partes), e agora te fiz se sentir velho. Ou você nem tinha nascido e não faz ideia da ideia do porquê de tanta produção. Em ambos os casos o retorno ao filme é mais do que necessário. Seja para a molecada com menos de duas décadas entender o impacto que a produção gerou. Seja para os veteranos, dissiparem aquela sensação de "modinha" que nos fez enjoar da música de Celine Dion, e lembrar o verdadeiro motivo de tanto sucesso: um bom filme.

Admito, eu tinha esquecido o quão bom era Titanic, quando topei assisti-lo novamente no cinema à convite da rede UCI em 4DX*. Diferente de muita gente eu só ó vi na tela grande uma vez, lá em 1998 (o filme é de 1997, mas no Brasil o filme só estreou no início do ano seguinte) e não consegui ver a versão 3D comemorativa de 15 anos em 2012. O resultado, o filme continua impactante e com o bônus agora que conheço a história posso me deliciar melhor com os detalhes.

É verdade, algumas imagens em CGI, começam a ficar datadas, mas o esmero da produção que custou mais que o navio real nunca deixa de funcionar. Aquele navio existe! Assim como os personagens vividos pelo elenco afinado, e a trama bem construída para gerar alma e empatia naquele que poderia ser apenas mais um filme catástrofe.

O tempo adicionou referências acidentais como o sorriso involuntário ao ver Victor Garber em cena. O intérprete do construtor do Titanic fez piada em seu trabalho atual DC Legends, série de TV com viagens no tempo, sobre punir quem construiu o navio. Ironicamente seu personagem no filme ainda se despede em uma cena em que ajusta um relógio.

Ou a melhor de todas: descobrir que os homens de quem Jack ganha as passagens para o navio em um jogo de poker se chamam Olaf e Sven. Como não pensar que com os amigos à bordo, Elsa teria poupado à todos do iceberg?

*Agora a dica útil para você que quer rever o jovem clássico na tela grande!

Viu, não faltam motivos para voltar ao transatlântico, e o momento é perfeito! A rede de cinemas UCI também está completando 20 anos e vai comemorar com o UCI Day marcado para a data do aniversário da rede no Brasil, 13 de novembro, e reexibição de Titanic em 3D, IMAX e 4DX (aquela sala cheia de efeitos e com movimento das cadeiras acompanhando o filme). Oportunidade perfeita para quem não viu ou quer rever o longa na tela grande, e na melhor qualidade possível.

Para a dica ficar completa: outro clássico que você vai poder conferir na tela grande na próxima segunda é Contatos Imediatos do Terceiro Grau, de Steven Spielberg. Neste dia de aniversário toda a rede estará com ingressos mais baratos para toda a programação em cartaz. Algumas sessões já tem venda antecipada. A programação completa está disponível no site oficial da rede UCI.
Read More

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Alias Grace

quinta-feira, novembro 09, 2017 0
Analisando friamente, não é exatamente uma surpresa que as obras de Margaret Atwood estejam sendo redescobertas por novas mídias. Mas, é curioso, e com certeza preocupante, que ainda em 2017 seus temas e críticas sociais sejam tão atuais e relevantes, sejam eles abordados em uma distopia futurista, ou no Canada do século XIV. É neste segundo contexto que se passa a trama de Alias Grace, nova série da Netflix.

Grace Marks (Sarah Gadon) era uma adolescente em 1843 quando foi condenada à prisão perpétua por assassinato. Quinze anos depois o Dr. Jordan (Edward Holcroft), especializado em problemas da mente vem estudar seu caso, já que a moça alega não ter memórias do crime que a pôs na prisão, fazendo com que sua participação seja uma incógnita.

Com a protagonista como narradora nada confiável, a trama de Alias Grace vai e volta no tempo para contar a história de Grace, abordando não apenas a versão da moça dos fatos, mas de outras pessoas envolvidas nos eventos. O resultado é um intrigante quebra-cabeças, ou colcha de retalhos se preferir utilizar a analogia da própria série, que mesmo depois de montado, nunca de fato é solucionado.

Grace é culpada ou não? A incógnita permanente não é um problema, pelo contrário. Ela não apenas move a trama, mas mantém o expectador interessado, e serve de instrumento para criticar esta sociedade patriarcal não muito distante da nossa própria. Mulher e pobre, Grace viveu uma vida de abusos e nunca teve voz própria verdadeiramente. Afinal mesmo nos momentos em que pode se expressar esta fala não era realmente ouvida, fora manipulada por aqueles que se supunham superiores à ela, ou vinha carregada da análise gerada por seu lugar pré-determinado e imutável na sociedade.

Tal ambiguidade só é possível graças à excelente atuação de Gadon, que consegue transmitir as várias personalidades de Grace - a moça aprende a moldar seu comportamento para sobreviver a cada situação - sem nunca parecer caricata. É verdade que pode existir uma certa dúvida quanto a idade da personagem no início da jornada, já que a mesma atriz a interpreta desde o início da adolescência até a maturidade, mas nada que se torne um empecilho para se envolver com seus dilemas.

O restante do elenco, está igualmente afinado, com destaques para Holcroft que passa de forma sutil a decadência e obsessão do Dr. Jordan conforme ele se envolve no mistério de Grace. Rebecca Liddiard é outra grata surpresa. Sua vivaz, doce e ingênua Mary Whitney, conquista seu espaço logo que aparece em cena, tornando sua jornada mais dolorosa e sua presença permanente mesmo quando não está presente.

Ciente da eficiência de seu elenco, e da importância das nuances e sutilezas para abordar as muitas camadas desta história. A diretora Mary Harron acerta em dar tempo para observarmos pequenas reações e gestos dos personagens, sem medo de se demorar em alguns takes. Em outros, torna a edição mais dinâmica enfatizando a urgência em torno de um assassinato.

Reforçando a ambiguidade da personagem e o mistério sobre os fatos, a fotografia acerta ao escolher a luz natural tanto para dar toques de realismo, quanto um aspecto lúdico à narrativa. O mundo de Alias Grace, parece ao mesmo tempo natural e verídico, mas também belo demais para um mundo de abusos e injustiças. Excelente também é o trabalho da direção de arte, tanto na reconstrução de época quanto na significância dos detalhes. Das colchas de retalhos que Grace costura constantemente - com justificados closes em suas mãos - à discrepância entre as roupas das classes distintas, tudo tem sua função para tornar esta uma história bem contada.

Já que a comparação com a outra obra Margaret Atwood, que virou série este ano, é inevitável, vamos a ela. The Handmaid’s Tale (baseado em O Conto da Aia) e Alias Grace (do livro Vulgo Grace), trazem semelhanças ao abordar e criticar mazelas da sociedade de forma contundente, mesmo se utilizando de uma ficção para tal. E sim, nesta análise compartilham muitos de seus temas. Mas enquanto The Handmaid’s Tale, cria um universo rico e com oportunidades de abrigar outras histórias, Alias Grace é centrado em sua protagonista e na sua muito psique, eliminando chances - e a necessidade - de sequências. É uma obra completa e fechada, trabalha os temas e personagens que se propôs sem pontas soltas ou material desnecessário. As diferenças não tornam uma obra melhor que a outra, apenas as transformam em obras distintas, porém igualmente necessárias.

Alias Grace tem um texto rico, e as vezes até um pouco longo, mas eficiente, cativante e necessário. Com um grande mistério como centro, a série faz uso de personalidades complexas, dilemas e situações reais - o livro foi inspirado em um caso verdadeiro -  e até de elementos sobrenaturais e de psicologia não para inocentar ou condenar Grace, mas para apontar e criticar o mundo de opressão, hipocrisia, abusos e dor que a colocou nesta incógnita.

 Alias Grace tem seis episódios com cerca de uma hora, todos já disponíveis na Netflix. Leia a crítica de The Handmaid’s Tale, outra adaptação de um livro de Margaret Atwood para a telinha.
Read More

Post Top Ad