Janeiro 2020 - Ah! E por falar nisso...

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Jojo Rabbit

sexta-feira, janeiro 31, 2020 0
Uma parte importante de crescer é aprender a pensar por conta própria. Aqueles que o fazem bem conseguem tirar suas próprias conclusões ponderando as influencias que o cercam. O diretor Taika Waititi nos convida a acompanhar este processo no cenário mais complexo possível, usando a sátira, e um tom lúdico para tratar de temas bastante espinhosos em Jojo Rabbit.

Jojo (Roman Griffin Davis) é um pequeno nazista, e tem orgulho disso. Aos dez anos, tem Adolf Hitler (Taika Waititi) como melhor amigo imaginário e sonha entrar para a Juventude Hitlerista. Sua perspectiva e ideais começam a ser desafiados quando descobre Elsa (Thomasin McKenzie), uma judia escondida em sua casa com o aval de sua própria mãe (Scarlett Johansson).

O tom assumidamente caricato e lúdico adotado pelo longa, é a forma como o longa tanto critica, quanto torna mais palatável este momento horrível na história da humanidade. Explicitando os absurdos e transformando em chacota os ideais nazistas, e a alienação em torno deles. Crítica que aliás, pode ser facilmente aplicada aos nossos tempos de fake news, terraplanistas e outras ideologias sem sentido. A diferença é que Jojo é uma criança presa em um regime que não lhes dá acesso a "outras verdades", enquanto nós...

De volta ao filme. Seu tom aparentemente mais leve, no entanto, não elimina o peso do cenário em que a história se passa. Todo o horror da Segunda Guerra Mundial está lá, apresentado através de coisas horríveis ditas pela bocas de crianças fofas. Ou ainda camuflado pela própria inocência de Jojo, e pela tentativa de sua mãe de proteger esta mesma inocência.

E por falar na personagem de Scarlett Johansson, Rosie é cria sozinha o filho, em plena guerra, com uma judia escondida em casa. E ainda sim se apresenta como uma personagem idealista, imaginativa, sempre tentando tornar mais belo o mundo em que Jojo vive. O que não significa que a personagem não tenha preocupações, ela tem plena consciência do limite de segurança em que vive. É na capacidade de abranger essas muitas camadas de sentimentos que se encontra a qualidade do trabalho de Johansson.

Já o pequeno Roman Griffin Davis tem carisma e talento não apenas para carregar o longa, mas para criar uma persona adorável a partir de seu nazistinha fanático. Enquanto o Adolf de Waititi é cruel e patético na mesma medida, histérico e exagerado. É propositalmente uma figura contraditória, o pai de uma nação que não liga muita para ela (olha outra crítica aqui), uma figura idealizada que não corresponde às expectativas, mesmo na imaginação de uma criança.

Thomasin McKenzie acerta no tom de uma adolescente sofrida, mas que ainda encontra ânimo para continuar. A construção da relação entre Elsa e Jojo é o coração do filme, e é desenvolvida sem pressa, trazendo até algumas situações repetitivas. Nada que comprometa o ritmo da trama.

Ainda no elenco, Sam Rockwell esconde sob o absurdo e exagero, a história melancólica do Capitão Klenzendorf. A sutileza com que sua história é contada nas entrelinhas, ao final do longa traz a vontade de conhece-lo melhor e um senso de admiração. Sentimentos inimagináveis nos primeiros minutos de projeção. Rebel Wilson e Alfie Allen fazem pequenas participações acertadas. Enquanto Archie Yates, rouba a cena sempre que York, melhor amigo não imaginário do protagonista, entra em cena.

A estética e o figurino lembram bastante o trabalho de Wes Anderson (tente não pensar em Moonrise Kingdom, nas sequencias do acampamento), o que pode soar como falta de personalidade, especialmente considerando o estilo colorido e exagerado do diretor, que a maioria conhece por Thor Ragnarock. Entretanto o visual, traz o equilíbrio acertado entre o universo lúdico infantil, e a depressão de uma nação em guerra. Já a música ajuda no tom lúdico e absurdo, especialmente ao trazer versões em alemão de The Beatles e David Bowie.

Á primeira vista, Jojo Rabbit pode soar como um curioso relato infantil de um conhecido período histórico. Mas, não é preciso se esforçar muito para notar os dramas, críticas e sentimentos escondidos debaixo da atmosfera caricata e lúdica. É como crescer e compreender que o mundo é bem mais complexo sem no entanto, precisar tornar seu olhar sob ele mais duro por causa disso.

Jojo Rabbit
2019 - EUA - 108min
Comédia, Drama
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quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Os Órfãos

quinta-feira, janeiro 30, 2020 0
Mansões mal-assombradas e ocupantes desavisados são provavelmente o tema mais clássico em histórias de terror. Ao ponto de ser contraditoriamente um assunto já saturado, mas que também surpreende quando bem executado. Logo, Os Órfãos, nova adaptação do marco da literatura de terror, A Outra Volta do Parafuso de Henry James, tem potencial para ser incrível, quanto apenas mais do mesmo.

Kate (Mackenzie Davis) é contratada para ser tutora, em uma rica e isolada mansão, da pequena Flora (Brooklynn Prince), que perdeu os pais em um acidente de carro. Não demora muito para estranhos eventos na residência, e o retorno de Miles (Finn Wolfhard), irmão adolescente da menina transformarem o trabalho em uma experiência nada agradável.

Com uma premissa bastante conhecida, o romance de James foi lançado em 1898 e tem ganhado adaptações e inspirado outras histórias desde então, fica a cargo da execução tornar esta nova versão algo novo. E a intenção é claramente esta. A direção de Floria Sigismondi é eficiente explorando bem os espaços da estranha mansão, e criando, ao lado da fotografia, uma atmosfera incômoda e sombria.

Enquanto isso a personagem de Brooklynn Prince, foge do esperado estereótipo de criança macabra. Flora é sim traumatizada pela morte dos pais, e vive em uma casa estranha, com hábitos estranhos, mas isso não a impede de agir como criança na maior parte do tempo. O mesmo não se pode dizer de Miles, que na tentativa de ser um personagem instável, soa apenas mimado e irritante. Já Mackenzie Davis entrega um trabalho eficiente, embora uma apresentação melhor de Kate pudesse conferir mais coerência às suas ações e reações.

É roteiro que explora pouco seus personagens, a mansão e sua história, preferindo apostar no acontecimentos estranhos, tensão e sustos. Ao mesmo tempo usa essa escassez de detalhes para criar dúvida no espectador. O que de fato funciona. Assombrações, pessoas vivas mal intencionadas, acobertamento de um crime e alucinações da professora, estão entre as possibilidades que passam na mente do espectador durante a projeção. O que oferece um leque de possibilidades para seu desfecho, que vai desde a confirmação de alguma destas possibilidades, o surgimento de novas, e até o final em aberto proposital.

Entretanto o caminho escolhido é uma quebra abrupta e mal finalizada, que soa como trabalho trabalho inacabado. Para os roteiristas, que provavelmente conheciam bem passado e motivações dos personagens, talvez faça sentido. Mas, como escolheram desenvolver pouco estes detalhes no roteiro, para o público a sensação é de "ué?! Acabou?".

Cheio de potencial, como uma boa história,  direção, fotografia e elenco, Os Órfãos não atinge seu melhor por causa do roteiro que não explora bem o bom material que tem. Os pontos positivos conseguem criar a tensão e manter o espectador interessado, mas o final anti-climático, o fará sair da sala escura confuso e com a sensação de experiência incompleta.

Em um gênero com tantas mansões mal assombradas, esta adaptação de A Outra Volta do Parafuso, não será esquecido rapidamente como outras produções com o tema. Mas, provavelmente será lembrado pelos motivos errados. Ao menos, vai render uma boa discussão pós sessão com os amigos.

Os Órfãos (The Turning)
2020 - EUA - 94min
Terror

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segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Crise nas Infinitas Terras

segunda-feira, janeiro 27, 2020 0
Após três edições de crossovers completos (e um musical apenas com a supermoça e o velocista), os fãs da DC e do Arrowverse sabem bem o que esperar destes encontros anuais. Uma profusão de personagens, vários deles com uniformes coloridos, vilões megalomaníacos, atores vivendo mais de um personagem, participações especiais, transmissão ruim e atrasada da Warner Channel Brasil, vai-e-vem de personagens, e muitas, muitas referencias. Entretanto Crise nas Infinitas Terras tinha uma carga extra, já que além de super anunciado (a semente foi plantada no crossover anterior em 2018)  adapta a HQ de mesmo nome de 1985, que foi o primeiro grande retcon da DC Comics.

Pausa aqui para explicar: continuidade retroativa, ou retcon, acontece quando uma obra de ficção altera fatos previamente estabelecidos da história para acomodar melhor aventuras futuras. A mudança pode aparecer sem alarde, apenas acionando uma informação extra, mas Crise nas Infinitas Terras, tanto nas páginas, quanto sua adaptação nas telas, usa a aventura inteira para fazer as mudanças que precisa. Organizar e localizar o multiverso, seus vários personagens, incluindo os doppelgängers, está entre as tarefas deste especial de cinco partes.

Encerrar a "Era dos Heróis", converter os infinitos universos de matéria em universos de anti-matéria, destruir o multiverso da sua versão positiva, o Monitor (LaMonica Garrett). Admito, não ficam muito claros os objetivos do vilão da vez, o Antimonitor (também LaMonica Garrett), para quem não conhece a versão dos quadrinhos. Mas tudo bem, o importante a série deixa bem claro, todos os universos estão sendo extintos, um por um.

A correria começa no episódio de Supergirl (Melissa Benoist), que corre para salvar as pessoas da Terra 38, e apresenta a crise para os "maiores heróis do dos mundos. O grupo reunido à mando do Monitor pela Precursora na pele de Lyla (Audrey Marie Anderson), conta com Supergirl, Flash (Grant Gustin), Arqueiro Verde (Stephen Amell), Batwoman (Rubi Rose), Canário Branco (Caity Lotz), Átomo (Brandon Routh) e Superman (Tyler Hoechlin, sempre com a Lois de Elizabeth Tulloch à tira colo).

Em Batwoman o grupo recebe alguns de seus coadjuvantes, e se divide para encontrar participações especiais as pessoas destinadas a derrotar o vilão, nos universos sobreviventes, antes que sejam exterminados. A parte três é no episódio de The Flash, os heróis continuam a buscar os escolhidos, compreender a ameaça e seus papéis no conflito.

O episódio de Arrow, descobrimos a origem do empasse entre Monitor e Antimonitor e revisitamos momentos marcantes das séries anteriores (eita, quem lembrou de Vingadores Ultimato? Embora não haja missão para os heróis da DC nessas visitas), antes da grande batalha, que vai redefenir o universo. O desfecho fica por conta de DC's Legends of Tomorrow embora a participação da maioria de seus personagens seja minúscula em todo o crossover. Os heróis precisam compreender o novo multiverso, resolver os últimos empasses com o vilão.

Ufa, é muita sinopse! Também muito vai-e-vem entre mundos e muitos personagens para dar conta. O que torna praticamente impossível evitar o já comum desaparecimento de coadjuvantes no crossover. De fato, este especial é aquele que tem ausências mais gritantes e mal explicadas. Desde a pouca participação das Lendas, explicado com o nonsense "prometi que meus colegas não precisavam aparecer em crossovers", dito por Sarah. Até o sumiço de Cisco (Carlos Valdes), quando todos os gênios se reúnem para fazer coisas inteligentes no episódio final. Além de Supergirl, Flash, Arqueiro Verde, Batwoman, Canário Branco, e Superman os únicos de quem não perdemos o paradeiro completamente, são J'onn J'onzz (David Harewood), Lois e Lex (Jon Cryer).

Já as super alardeadas participações especiais variam entre, imagens de arquivo como as de séries da DC fora da CW, como Titãs. Aparições "piscou-perdeu" como dos veteranos Robert Whul e Burt Ward (Alexander Knox no Batman de 1989 e o Robin da série clássica respectivamente). Ou participações mais elaboradas como as de Kevin Conroy (voz do Batman em várias animações), Tom Ellis (como Lúcifer) e Cress Williams (Raio Negro), que tem função direta, ainda que pequena, na trama.

Ficam a cargo do homem de aço a melhor e a pior participações especiais deste recheado crossover. A aparição de Tom Welling (o Clark de Smallville) e sua Lois (Erica Durance), não tem função alguma a não ser o puro fã-service. É o retorno de Brandon Routh ao personagem que viveu no cinema, o mais acertado com um espaço maior e toda e uma visível empolgação por parte do seu intérprete. Quem liga para as críticas Routh, adora ser o Superman, e dá gosto ver isso. Vale lembrar que o ator faz parte do elenco fixo de DC's Legends. Logo, ele fez uma participação especial em uma programa em que é recorrente. Sim, é louco, mas é aí que está a graça!

Afinal uma aventura não pode ser composta apenas de aparições, referências e fan-service, precisa ter um roteiro bem escrito que encaixe tudo isso em uma história convincente. O roteiro de Crise nas Infinitas Terras é bastante confuso, ora inchado, ora apressado, na tentativa de equilibrar tanta gente em cena, e tantos detalhes para apresentar. Mas consegue manter uma linha de raciocínio coerente, e contorna os problemas com o carisma e apego que temos aos personagens. Além de abraçar a galhofa.

As séries sabem que são exageradas coloridas, com tramas rocambolescas, vilões caricatos, orçamento limitado e não tem vergonha disso. Abraça os uniformes nada práticos, os monstros de CGI e até a economia de cenários. O absurdo é incorporado, seja com humor seja com um atuação carismática, ou pieguice assumida.

Crise nas Infinitas Terras pode até não ser o crossover com melhor roteiro, ou com a maior batalha do Arrowverse, mas certamente é seu "superencontro" mais ambicioso. É realmente divertido, reorganiza o Arrowverse, prepara a despedida de Stephen Amell e aponta novos rumos para as séries. Entretanto, seu mérito mais interessante (ou devo dizer divertido), é de unir todos as produções para as telas da DC.

O multiverso vai muito além das séries da CW, abraça as séries antigas, as de outros canais, dos serviços de streaming e até o cinema (se contarem o Will Weaton e o Osric Chau, eu até colocaria The Big Bang Theory e Supernatural na conta - calma é brincadeira!). Não significa que estes mundos e seus habitantes ilustres vão interagir o tempo todo, mas é reconfortante saber que todas as versões são "a verdadeira", e convivem em harmonia. Então escolha seu Flash, Superman, ou Batman favorito, e seja feliz. Tem para todos os gostos.

Crise nas Infinitas Terras foi exibido ao long de dois domingos na Warner Channel brasil. Atualmente a série também exibe Arrow, The Flash, Supergirl, E DC's Legend of Tomorrow (clique nos títulos para ler mais sobre as séries). Leia também sobre os outros crossovers do Arrowverse: , Invasion!, Duet, Crisis on Earth-X e Elseworlds.

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sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Titãs - 2ª temporada

sexta-feira, janeiro 24, 2020 0
O maior problema da primeira temporada de Titãs é seu desfecho. A história é interrompida no meio da batalha clímax na tentativa de criar um desnecessário gancho para atrair  o público para o ano dois. Apesar da falha não se repetir ao final da segunda temporada da série, ela foi suficiente para determinar o ritmo da história.

Com a resolução do grande embate do ano anterior como ponto de partida, é apenas no segundo episódio que de fato começamos a acompanhar a jornada desta temporada. Dick (Brenton Thwaite) reabre a sede dos Titãs em São Francisco, para dar lar e treinamento à Ravena (Teagan Croft), Mutano (Ryan Potter) e o rebelde Robin atual, Jason Todd (Curran Walters). Estelar (Anna Diop), Rapina (Alan Ritchson), Columba (Minka Kelly) e Dona (Conor Leslie) tentam seguir com suas vidas até que sejam obrigados a se reunir novamente.

O retorno de vilões do passado obriga á equipe original à voltar a ativa, assim conhecemos os eventos que os separaram. Enquanto Dick exagera super protege seus pupilos que ficam frustados por ficar de fora. Rachel tem dificuldade de controlar seus poderes em crescimento. Kori lida com problemas de seu planeta. E Conner (Joshua Orpin), o Superboy apresentado na cena pós créditos do ano anterior inicia sua jornada de auto-conhecimento. Também somos apresentados à Kripto, Rose Wilson (Chelsea Zhang) e finalmente conhecemos alguém do primeiro escalão com as aparições de Bruce Wayne (Iain Glen, o Sor Jorah mormont de Game of Thrones).

Parece muita coisa? E é! Com muitos personagens, arcos e histórias de origem para apresentar, o segundo ano de Titãs tenta contar muitas histórias, e acaba não desenvolvendo bem nenhuma delas.

O foco continua sendo Dick, que precisa lidar os vilões, os antigos parceiros, a nova equipe, a relação com Bruce. A sobrecarga de responsabilidades é abordada de forma tradicional, com segredos, erros, escolhas ruins e até alucinações.

Os demais personagens entram e saem dos holofotes conforme o roteiro exige. Deixando evidente que a produção não descobriu como equilibrar tantos personagens e tramas. Todo mundo tem um dilema à superar, mas o desenvolvimento dos arcos é confuso e desencontrado.

Longos flashbacks, desvios para histórias paralelas que duram episódios inteiros, desaparecimentos e reaparecimentos de personagens, estão entre os recursos que enfraquecem o ritmo da história e o desenvolvimento dos arcos individuais. O que apenas fica mais inchado e arrastado com o grande número de episódios, 13 no total.

O elenco continua o bom trabalho do ano anterior, e as novas adições funcionam bem com os personagens já conhecidos. Os figurinos maravilhosamente espalhafatosos, também seguem no padrão de acertos do ano anterior. Já as cenas de ação não menos empolgantes, o que é curioso já que temos o dobro de heróis (e poderes) em cena.

O desfecho da temporada é menos apelativo que o ano anterior. Existem problemas a serem resolvidos e respostas a serem dada, mas nada tão irritante como encerrar a temporada no meio da luta. Alguém mais ficou com a sensação que o episódio um deste ano, Trigon, é na verdade o último da temporada anterior? Assim teríamos duas temporadas de 12 episódios, ao invés de 11 e 13. Fica o pensamento.

A segunda temporada de Titãs continua explorando a curiosa mistura de temática mais sombria e uniformes coloridos. Embora mesmo estes acertos, fiquem em segundo plano por causa das muitas histórias que pretende contar. Conserta o grande erro do ano anterior encerrando melhor a história, mas a jornada até lá é inchada, oscilante e confusa. O resultado é uma maratona cansativa e a sensação de potencial desperdiçado. Ainda bem que os personagens são carismáticos o suficiente para torcermos por acertos no já confirmado terceiro ano.

A segunda temporada de Titãs tem 13 episódios, a série é um projeto do serviço de streaming da DC, mas no Brasil os episódios são disponibilizados pela Netflix. Leia a crítica da 1ª temporada.

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quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Parasita

quarta-feira, janeiro 22, 2020 0
Demorei mais que gostaria para ver Parasita (por motivos de "cinema do interior só passa blockbuster"). E isso inseriu um desafio extra em minha experiência: fugir do máximo de informações possíveis sobre o filme. O esforço vale à pena, pois seguir às cegas o caminho que Bong Joon Ho determina para a história, não é apenas surpreendente, mas extremamente prazeroso.

Logo, mesmo que eu raramente dê spoilers sem aviso por aqui, não vou ficar chateada se você decidir pausar a leitura por aqui e retornar depois de ver o filme. Vai continuar assim mesmo? Já assistiu e está de volta? Ótimo, vamos seguir.

Sobrevivendo com sub-empregos, vivendo em um insalubre meio-porão, a família Kim vê uma oportunidade quando o filho mais velho Ki-woo (Choi Woo-sik) consegue o emprego de tutor de inglês de uma adolescente de família rica. Não demora muito para que, através de planos e esquemas, o pai Ki-taek (Song Kang-ho), a mãe Chung-sook (Jang Hye-jin) e a filha Ki-jung (Park So-dam) também consigam prestar serviço para a a abastada família Park.

Não se engane, quando eu digo que assistir Parasita é uma experiência prazerosa, não significa que seja um filme isento de peso, ou crítica. Prazerosa é a forma como a produção transita entre gêneros e tons, para construir uma critica inteligente, que conversa com pessoas de todas as partes do mundo.

Há o tom cômico nos momentos em que trama se assemelha à um film de golpe. O suspense pelo mesmo golpe dar errado. O humor da diferenças entre as classes, o drama envolvendo estes mesmo extremos. E até o terror que pode vir do desconhecimento do que acontece ao seu redor. O filme oscila entre os gêneros, aproveitando o melhor que cada um deles oferece para extrair o melhor da história que pretende contar.

Trata-se sim da já conhecida disputa de classes, mas nada é tão simples ou previsível, ao mesmo tempo talvez seja exatamente isso. Já que sabemos que nada de positivo sairá desta disputa, mas ainda sim ficamos surpresos com os rumos que esta história em particular toma.

Um bom exemplo é a forma como a trama apresenta a rica família Park, sem pintá-los como vilões. Os colocando em uma posição extremamente ingênua em muitos momentos, especialmente a Mãe (Jo Yeo-jeong). Mas, ainda sim, determinando bem o sentimento de superioridade e o preconceito internalizado que eles carregam. 

A família Kim por sua vez, tem suas"más intenções" bem determinadas, mas é impossível não torcer por eles, diante da situação desfavorecida em que se encontram. O resultado é te fazer e importar com as duas famílias, mesmo sabendo que ambas estão cometendo erros enormes, de uma forma ou de outra.

O eficiente elenco, bem ciente das personalidades, qualidades e falhas, de seus retratados é parte determinante na criação desta empatia. Os intérpretes da família menos favorecida, contam ainda com a excelente transformação entre suas versões reais em casa (abarrotados, cansados, sujos) e as versões que apresentam para os Park (alinhados, bem arrumados e dispostos). Park So-dam é quem mais se destaca, ao oscilar entre a versão verdadeira, cínica e cheia de personalidade, e a jovem refinada e contida do golpe.

 A direção de arte  ressalta ainda mais as diferenças entre estas duas famílias, através de suas distintas residências. Bong Joon Ho  utiliza bem os espaços não apenas para reforçar a crítica, mas para avançar na história, junto com o roteiro inteligente que insere pistas e metáforas, sem nunca ser didático a ponto de desvendarmos toda a trama.

Já o parasitismo do título, ao contrário do que se pode pensar, é uma via de mão dupla. É a família que se aproveita da "ingenuidade" dos ricos para sobreviver. Mas também, é sobre aqueles que de tão abastados são pagam para que outros façam tudo por eles.

Caso você não tenha notado os nomes diferentes, Parasita é uma produção sul-coreana, mas sua história é universal. Relata de forma exagerada (ou talvez nem tanto), uma realidade inerente ao capitalismo. É um retrato inteligente, empático, dramático e com humor negro da desigualdade social. Esta curiosamente é igual em praticamente todo canto do mundo.

Parasita (Gisaengchung)
2019 - Coréia do Sul - 132min
Drama, comédia, suspense

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segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

The Crown - 3ª temporada

segunda-feira, janeiro 20, 2020 0
A terceira temporada de The Crown tem um desafio curioso, estabelecer um elenco completamente novo, ao mesmo tempo que avança a história dos personagens apresentados por Clair Foy e companhia nos anos anteriores. Em outras palavras, precisa fazer você acreditar que se tratam da mesma pessoa, sem abandonar o ritmo da história.

Passado por volta da década de 1970, quando a rainha está prestes a comemorar 25 anos no trono, o Jubileu de Prata. Uma monarca já estabelecida e confortável no poder, tem agora como desafios as mudanças do Século XX, que questionam os paradigmas e tradições da coroa.

Nenhuma, no entanto, tão impactante quando os dilemas das temporadas anteriores. Isto porque o terceiro ano soa como uma grande preparação, para as verdadeiras mudanças que estão por vir. Ao mesmo tempo que os episódios mostram uma Elizabeth (Olivia Colman) ciente de sua posição, e de certa forma acomodada nela, também dão indícios dos desafios futuros. Desde desafios políticos, passando pela função da família real na sociedade, até os romances do Príncipe Charles (Josh O'Connor).

O resultado é uma temporada desequilibrada, conforme alterna o foco entre personagens, temas e passgens históricas em cada episódio. Assim temos o bom Aberfan (episódio 3), que trata do desabamento de uma mineradora na cidade título, que funciona isoladamente. O sonolento Coup (episódio 5), que mostra a monarca aprendendo sobre cavalos enquanto personagens menos carismáticos criam problemas. E os excelentes Dangling Man e Imbroglio (episódios 8 e 9), que fazem um paralelo entre a vida amorosa de Charles e de seu tio-avô o Duque de Windsor (aquele que renunciou ao trono para se casar).

O formato episódico é comum à série, mas aqui os capítulos, pouco se complementam, ainda que façam parte da mesma evolução de personagens. Isso quando os personagens evoluem, já que Príncipe Philip (Tobias Menzies), e a Princesa Margareth (Helena Bonham Carter) parecem estar fadados a protagonizar a mesma história. Ele lamentando o que perdera por viver a sombra da esposa, ela entrando em conflito por sua personalidade expansiva. A irmã da rainha ao menos ganha um novo dilema, seus problemas matrimoniais. Embora o episódio dedicado a isso, o último da temporada, soe deslocado e um desfecho antimoniático para o terceiro ano.

Entre os episódios que melhor funcionam, estão aqueles dedicados à Charles. O principe herdeiro, apresentado como uma criança frágil no ano anterior, agora é um jovem cheio de vontades e de personalidade curiosa. Josh O'Connor faz um excelente trabalho ao criar ao dar voz ao príncipe, sem desviar do imaginário popular em torno de sua figura.

E por falar no elenco, a complicada transição é bastante eficiente. Não é difícil acostumar e associar novos rostos aos conhecidos personagens. Colman traz uma Elizabeth ainda mais contida, pela maturidade. Enquanto Menzies traz um Philip ainda cheio de vontades, mas já acostumado a seguir (e eventualmente desviar) os protocolos. Helena Bonham Carter mantém a força e brilho criados por sua antecessora para Margareth, acrescentando um certo cansaço e fragilidade em alguns momentos.

A direção de arte e figurino e maquiagem transportam toda a família para a década de 1970 com eficiência, mantendo suas principais características, como o contraponto entre a sobriedade da rainha e o glamour de sua irmã caçula. É um momento de menos brilho e exagero, porém esteticamente marcante, basta reparar no visual da princesa Anne (Erin Doherty). E que também começa se aproximar das figuras que conhecemos hoje.

Nas primeiras temporadas Elizabeth precisava aprender a governar, e se provar no cargo. Agora a monarca está segura de suas funções e até um tanto acomodada, enquanto o terceiro ano prepara e inicia desafios futuros. É a calmaria antes da tempestade. Este período de transição continua evidenciando a família real como "gente como a gente", mas os problemas menores os tornam menos admirareis, que não compreendem os privilégios que tem.

O resultado é uma temporada menos carismática, e mais desequilibrada, ainda bem produzida e atuada. Ao menos as peças estão em jogo para um mais intrigante, e já em produção, quarto ano. Que venham Diana e Tacher, para espantar este marasmo!

The Crown tem três temporadas, com 10 episódios cada, todos disponíveis na Netflix. Leia as críticas do primeiro e segundo anos da série.

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quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

História de um Casamento

quinta-feira, janeiro 16, 2020 0
Talvez o título mais apropriado para esta produção seja a História de um "Fim de" Casamento. Um momento tão recheado de sentimentos exacerbados, intensos e complexos quanto o início de uma relação.

Nicole (Scarlett Johansson) e Charlie (Adam Driver) decidem se divorciar. A intenção é seguir de forma amigável e simples, mas não demora muito para advogados se envolverem no processo e levar um relacionamento já desgastado ao extremo, em uma disputa que nenhum dos dois queria se envolver, mas da qual não conseguem sair.

Não há vilões no honesto olhar de Noah Baumbach para o divórcio. Ambas as partes tem falhas e acertos que influenciaram o desenvolvimento da relação. Da mesma forma, a separação não significa necessariamente a ausência de afeto, mas a mudança na forma de amar que não funciona mais para o casal. É também o amor que complica tudo, já que a disputa é pelo bem estar e convivência com o filho.

É na capacidade de observar e compreender os dois lados da disputa que se encontra o grande acerto de História de um Casamento. Ela se sente diminuída e sem voz. Ele não percebe o que não lhe desperta interesse, e é pego de surpresa pelo desgaste. Os dois tem dificuldades de conversar sobre o relacionamento, querem o melhor para o filho Henry (Azhy Robertson). E mesmo no ápice da briga não desejam realmente o mal para o ex.

São pessoas reais, com falhas reais, e motivações facilmente compreensíveis. São as excelentes atuações de Johansson e Driver que transmitem essa verdade para seus personagens, com destaque para ele, que transita entre a apatia, raiva, medo e desespero com fluidez e intensidade contantes. Mesmo o espaço dedicado a eles pelo roteiro é bastante equilibrado, oferecendo tempo para compreendermos cada um dos lados. Ela enfrentando o desgaste do relacionamento, e sua "libertação" na primeira metade do longa. Ele, encarando o stress e o medo da perda do filho na parte final.

Se a produção não tenta compreender, e não julgar, as duas partes de um casamento desfeito. É no processo burocrático do fim que se encontram as críticas à sociedade. Estas vão desde a parte comercial do divórcio, que estendem e complicam a separação, por causa de dinheiros e egos inflados dos advogados. Até a forma como a sociedade e o processo judiciário enxerga homens e mulheres. A responsabilidade pela criança deveria ser a mesma, mas pais e mães tem pesos e cobranças diferentes na relação com as crianças. Crítica muito bem enfatizada pelo monólogo da advogada Nora Fanshaw, interpretado com maestria por Laura Dern.

Há também um momento para apontar que toda disputa de guarda, em algum momento acaba se transformando em uma competição. Os pais quer ganhar por amor aos filhos, mas sempre os prejudicam de alguma forma no processo. Sem, no entanto, transformar os pais em vilões. Apenas pessoas em um momento pouco sensato da vida.

Apostando em planos longos, e diálogos realistas, História de um Casamento é um retrato honesto e dada maniqueísta de um relacionamento na sociedade contemporânea. Onde não há partes mal intencionadas, ou vilões tentando afastar pais e filhos. Apenas pessoas comuns, com suas falhas e limitações, guiadas por sentimentos confusos. É melancólico e verdadeiro.

História de um Casamento (Marriage Story)
2019 - EUA - 137
Drama
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terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Jumanji: Próxima Fase

terça-feira, janeiro 14, 2020 0
Foi um adorável surpresa quando Jumanji: Bem-Vindo à Selva chegou em 2017, atualizando de forma eficiente, divertida e respeitosa a produção estrelada por Robin Williams em 1995. Não tão surpreendente, foi a chegada de uma obrigatória sequencia. Jumanji: Próxima Fase traz de volta o elenco encabeçado por Dwayne Johnson, e mais uma vez atualiza e expande o jogo título.

Saudoso da sensação de ser um forte protagonista, Spencer (Alex Wolff) decide consertar o video-game de Jumanji e se perde lá dentro. Seus parceiros da aventura anterior Martha, Bethany e Fridge (Morgan Turner, Madison Iseman e Ser'Darius Blain), vão ao seu resgate, mas com o jogo quebrado tudo pode acontecer. A abdução do avô de Spencer, Eddie e seu amigo Milo (Danny DeVito e Danny Glover), a impossibilidade de selecionar os avatares, e a mudança de cenário transformam completamente a aventura estrelada por Smolder Bravestone (Dwayne Johnson), Moose Finbar (Kevin Hart), Shelly Oberon (Jack Black), Ruby Roundhouse (Karen Gillan) e Jefferson 'Seaplane' McDonough (Nick Jonas).

Achou que tem muitos personagens na sinopse acima? Isso porque a lista de aventureiros de Jumanji: Próxima Fase realmente cresceu. E olha que nem mencionei a personagem de Awkwafina, o novo vilão vivido por Rory McCann e mais algumas participações especiais "surpresa". O cenário também se expandiu, abandonando a selva e levando a aventura para novas paisagens típicas de filmes e games aventurescos, deserto, montanhas, desfiladeiros. A intenção é trazer novos desafios e dinâmica para os personagens/jogadores, e uma jornada inédita para os espectadores. Estratégia que funciona na maioria das situações, mas não escapa de um eventual escorregão.

Entre os acertos está a adição de DeVito e Glover, promovendo a mudança nos avatares e promovendo novos desafios para o elenco da "versão digital" dos personagens, que precisam emular personalidade e trejeitos de personagens completamente diferentes da produção anterior. Kevin Hart é o que mais se beneficia com a influencia dos veteranos do elenco, abandonando sua persona explosiva e exagerada que não funcionava na primeira aventura, por uma personificação eficiente de Glover. Mas não supera a dedicação da surpreendente Awkwafina, também adotando trejeitos, postura e até o tom de voz de personagens distintos.

Em contrapartida, Karen Gillan, Nick Jonas e Jack Black acabam perdendo espaço e brilho, por estarem em papéis sem grandes arcos e repetitivos. Nada que chegue a comprometer a aventura. Dwayne Johnson corre por fora, compensando seu pouco alcance dramático com o seu enorme carisma. Outro pouco aproveitado é Rory McCann (o Cão, Sandor Clegane de Game of Thrones), preso ao estereótipo de "enorme bárbaro" de um "NPC".

As mudanças atualizam bem a maioria das piadas, evitando que a produção exagere em piadas repetidas, como a "luta dançante". Embora uma ou outra soe de gosto duvidoso, como as piadas gordofóbicas com relação ao personagem do Jack Black e a participação de um certo cavalo. Há também certas conveniências de roteiro na solução dos desafios, mas estes são facilmente justificáveis pelas próprias conveniências típicas de um video-game, como habilidades e objetos que parece inúteis, até que um desafio estrategicamente criado para seu uso surja.

Já o crescimento dos personagens acaba simplificado pelo excesso de pessoas em cena. Os únicos arcos bem trabalhados, são os de Eddie e Mike. Spencer quase aprende uma lição (uma reviravolta na reta final, me faz crer que o rapaz talvez não tenha evoluído com a experiência), enquanto resolve seu fraco romance com Martha. Os demais personagens, apenas participam do jogo.

As novas paisagens e desafios, são empolgantes e bem construídos. Assim como as cenas de ação, que apesar de frenéticas, não soam confusas. Alguns animais em CGI soam menos realistas que outros, mas assim como no longa anterior, podem ser atribuídos ao fato de se tratar de um game de 1996, ou mesmo uma referência aos efeitos do Jumanji original. Embora esta produção use muito menos da nostalgia e ícones da produção dos anos 90.

Com mais personagens em cena, Jumanji: Próxima Fase, precisa escolher a quem dar holofotes, e isso tem um custo. A distribuição de espaço em cena é menos uniforme que em Bem-Vindo à Selva, e alguns personagem ficam em segundo plano. Apesar disso, a produção consegue manter o carisma dos personagens, além de expandir o universo, e encontrar novas piadas. Além de trazer indicações de mais uma possível sequencia, claro. Entregando assim, exatamente o que promete, uma comédia de aventura leve, despretensiosa e muito divertida.


Jumanji: Próxima Fase (Jumanji : The Next Level)

2019 - EUA - 124min

Comédia, Aventura



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