sexta-feira, 30 de março de 2018

Santa Clarita Diet - 2ª temporada

Na primeira temporada, Sheila (Drew Barrimore) e Joel (Timothy Olyphant), estavam descobrindo e se adaptando às condições da "nova vida" da corretora, e outrora, pacata mãe de família. Neste segundo ano de Santa Clarita Diet, o mundo se expande na busca pela origem e solução do problema, ou no mínimo por um estilo de vida menos arriscado para a família.

Faz apenas algumas semanas que Sheila virou uma morta-viva (o termo zumbi é pejorativo). De lá para cá, a família Hammond teve que lidar com novo problemas, a maioria deles envolvendo mortes, investigação policial e vizinhos enxeridos. A trama da segunda temporada se inicia exatamente onde paramos no ano anterior, com Joel sendo internado, Sheila acorrentada no porão e Abby (Liv Hewson) e Eric (Skyler Gisondo) em busca do ingrediente que falta para terminar o soro que estabilizaria a situação da mãe. Gancho gigantesco que a trama não se demora demais para resolver, partindo freneticamente para o próximo desafio.

É aqui que o universo se expande, apresentando novas vítimas do mal da matriarca, outras pessoas cientes da existência de mortos-vivos. A investigação das mortes do primeiro ano, e a busca por "alimento" adequado, leia-se vítimas que merecem morrer, são outras preocupações do casal. Estes, apesar de toda a situação absurda,  ainda tentam manter a antiga rotina. Sobreviver ao competitivo mercado de corretores de Santa Clarita, interagir com os amigos e poupar a filha de todo o caos em que estão imersos. Não que a adolescente não queria participar.

Mais ousada, responsável e comprometida desde a temporada passada Abby, se mostra mais madura e voluntariamente envolvida com a situação. Deixa de ser a típica adolescente chatinha, para virar alguém que tenta fazer a diferença no mundo, mesmo que pelos meios errados. Além de intensificar sua amizade com Eric.

O nerd da porta ao lado, vira um membro honorário da família oficialmente, alguém em quem confiam, por quem fariam de tudo e vice-versa. O personagem também ganha um arco próprio, mais complexo e bem desenvolvido ao longo da temporada. 


Nenhum arco no entanto é tão divertido e interessante que a relação entre Joel e Sheila. Perfeitos em seus papéis, especialmente Barrimore, o casal que realmente se ama, começa a sentir o peso na necessidade de cometer crimes para sobreviver. Ele sente a pressão, ela se sente um fardo, para superar isso o casal vai ter que reajustar seu relacionamento.

A química entre elenco é grande parte do sucesso da produção. Barrimore e Olyphant, parecem realmente um casal que já passou a vida junto, e ainda se ama apesar das circunstâncias. Junto com Hewson e Gisondo, o quarteto parece mais confortável que nunca em seus papéis e na interação entre eles. O restante do elenco, parece embarcar no clima, entregando um trabalho que atende às necessidades do roteiro, que traz personagens antigos de volta de forma inusitada, além de apresentar muitos novos.

O roteiro, este é o outro acerto da série. Alterna problemas cotidianos com situações absurdas, e também mistura estes opostos para criar momentos inacreditáveis, para nós e para os personagens. Tudo bem delineado com tiradas certeiras e diálogos inteligentes. Já a direção de arte e os efeitos especiais, não surpreendes, mas funcionam. Ambos atendem as necessidades da série, basicamente, sangue, muito sangue!

Santa Clarita Diet ainda não é uma série para todo mundo, afinal tem sangue, e vísceras, e muito humor negro. Para quem gosta, é um prato cheio. E a segunda temporada, mantém a qualidade do ano anterior, enquanto expande o universo e seus absurdos, de forma afiada, inteligente e extremamente divertida.  

Santa Clarita Diet  tem duas temporadas, com dez episódios de meia hora cada, todos já disponíveis na Netflix.

Confira aqui nossas dicas para você aproveitar melhor a maratona de Santa Clarita Diet!
Leia mais...

quarta-feira, 28 de março de 2018

Jogador Nº1

Aqui vai um aviso, você vai precisar assistir este filme mais de uma vez no cinema. O motivo? Tentar encontrar todas os easter eggs escondidos, enquanto o protagonista persegue o seu próprio "ovo de páscoa" Baseado no livro homônimo de Ernest Cline, Jogador N°1 é uma aventura cheia de referências e nostalgia.

Em um futuro não muito distante o mundo está super-povoado, mega poluído, e as pessoas escapam deste cenário horrível imergindo no OASIS, universo em realidade virtual onde se pode fazer de tudo. Mas este paraíso virtual está ameaçado desde a morte de seu criador, James Halliday (Mark Rylance, O Bom Gigante Amigo), que elegeu como herdeiro o primeiro que encontrasse um easter egg escondido em seu mundo. Wade Watts (Tye Sheridan, o Ciclope de X-Men: Apocalipse) é um dos caça-ovos que persiste na busca pelo prêmio, de preferência antes, que os funcionários da IOI, que pretende lucrar o máximo com a plataforma e ficar com a fortuna trilionária.

Steven Spielberg está de volta aos blockbusters de aventura que o tornaram um dos diretores favoritos de todos que cresceram nas décadas de 1980 e 90, nesta produção que é uma ode à cultura pop da penúltima década do século passado. Halliday é obcecado por esta época, seus games, filmes, séries de TV e música. Por isso, sua caçada em estilo de video-game, é formada por pistas e referências. deste período. É aqui que nerds e nostálgicos vão se deliciar caçando seus favoritos, que vão de kaijus japoneses à referências do próprio diretor, em uma mistura bem acertada e variada.

Entretanto, aqueles que leram o livro, vão descobrir novas pistas e referências. As mudanças provavelmente realizadas para se adequar às autorizações de direitos autorais, acabam por adicionar um fator surpresa para quem já conhecia a jornada, com novos puzzles e eingmas. E como os anos de 1980 são um poço de referências, não faltam alternativas, para criar vários quests diferentes.


Não é só de referências que se faz um filme. Wade (Parzival, dentro da OASIS) é o "cara comum" - só que não - que nos guia por essa aventura. Além de desvendar os enigmas e superar os desafios na busca pelo tesouro, ele ainda precisa lidar com os perigos de estar chegando perto da resposta. Aqui o antagonismo é personificado pela Innovative Online Industries (IOI), e seu exército de especialistas comandados por Sorrento (Ben Mendelsohn, Rogue One), tipico engravatado preocupado apenas com o próprio lucro.

Também na corrida, Art3mis (Olivia Cooke de Bates Motel), caçadora de IOI e interesse amoroso do protagonista. Seu melhor amigo Aech, Daito e Sho (Lena Waithe, Win Morisaki e Philip Zhao), completam o time dos melhores jogadores do ranking, cujas identidades reais são uma surpresa a parte, que o roteiro podia ter escondido por mais tempo. O grupo, também ligeiramente diferente de sua versão nas páginas, é a personificação da diversidade, para garantir que todos se identifiquem com os mocinhos.

Aliás, apenar de jogadores individuais, logo os caça-ovos descobrem que terão de se unir para superar os vilões. Formando a clássica equipe de aventuras que tanto acompanhamos nas sessões da tarde. Também um eco, das aventuras dos anos 80, é a simplicidade da jornada que chega a ser previsível. Mas tudo bem, pois a graça desta aventura não está no que acontece, como acontece.

O que pode ser consideradas pequenas falhas para alguns, é o excesso de explicações altamente expositiva, especialmente em seus primeiros minutos, quando o roteiro insiste em descrever o que estamos vendo. Ou a necessidade de explicar algumas referências mais obscuras. Deslizes pequenos, que não temos dificuldade em ignorar diante das qualidades da produção.

A mistura entre cenas em computação gráfica e live-action também é um acerto. Mais da metade da aventura se passa dentro do mundo virtual, por isso a produção corria o risco de soar artificial demais, pelo excesso de cenas em computação gráfica, mas o roteiro encontra soluções interessantes, para dar uma pausa nas cenas virtuais, e consegue até misturar os dois mundos com eficiência. Vale lembrar que assisti a produção em IMAX e em 3D (e sim,vale o ingresso mais caro), e não posso afirmar que os efeitos terão a mesma eficiência em exibições tradicionais.

Já as batalhas devem se beneficiar um pouco nas sessões em 2D. Apesar de bem montadas, as sequencias não escapam de gerar um leve desconforto pela agilidade em alguns instantes. Nada que atrapalhe a compreensão, ou diversão (não é Transformers, ufa). De fato, é surpreendente perceber o quão bem funcionam essas sequencias, com uma quantidade impressionante de personagens. A batalhas, são frenéticas, dinâmicas, nos deixam apreensivos pelos personagens, tem muitos easter eggs, e não deixa o espectador perdido em momento algum.

O filme ainda conta com Simon Pegg em pontas de luxo. Trilha sonora de Alan Silvestre outro ícone da cultura pop. Além de contar com sucessos dos anos 70 e 80.

Há espaço ainda para uma leve crítica a nossa obsessão com o mundo virtual, em detrimento do real. Falsas identidades assumidas na internet, o consumismo desenfreado, obsessões, o endeusamento de celebridades, entre outras questões são apenas sugeridas na produção, quem quiser se aprofundar um pouco mais, vale ler o livro.

Feito para, e por, aficionados com a cultura pop, em especial da década de 1980, mas acessível para quem não tem a mesma bagagem. Jogador Nº1 traz para as telas de forma eficiente o vasto universo do OASIS, onde você pode ser quem quiser, e juntar todos os seus favoritos em uma mesma batalha. Um filme sobre a caça à um easter egg, repleto de outros easter eggs, que você vai precisar , e querer, ver e rever para encontrar todos.

Jogador Nº1 (Ready Player One)
2018 - EUA - 140min
Ação, Aventuta, Ficção ciêntifica


Crítica do livro Jogador Nº1
Leia mais...

segunda-feira, 26 de março de 2018

Jogador Nº 1 (livro)

Seja pela riqueza ou pela aventura quem nunca sonhou em encontrar um tesouro como os Goonies ou Indiana Jones? Infelizmente, a cada ano que passa sobram menos lugares mistíticos e misteriosos no mundo para abrigar essas jornadas, certo? Errado. Jogador Nº 1, de Ernest Cline, traz um universo repleto de possibilidades.

É 2044, o mundo é uma distopia criada por uma crise energética. Super-povoado, mega poluído a maioria das pessoas vive na linha da pobreza sem alternativas para escapar, a não ser o OASIS. Criado por James Halliday, trata-se de uma realidade virtual gratuita onde se pode fazer de tudo, estudar, trabalhar, se divertir... Com a morte de seu criador, a válvula de escape do mundo está ameaçada, o bilionário deixou todos seu império para aquele que encontrasse um Easter Egg, escondido na realidade virtual. E não falta gente mal intencionada em busca do grande prêmio.

Quando conhecemos Wade Watts, a busca pelo Easter Egg já se estende sem sucesso por cinco anos, o interesse mundial diminuiu, mas o adolescente órfão e pobre é um dos caça-ovos que se mantém na procura apesar de tudo. Wade, ou Parzival, seu avatar no OASIS, é o primeiro a desvendar uma pista para o grande prêmio, reacendendo o interesse do mundo, acelerando a corrida e se tornando alvo daqueles que querem controlar o patrimônio de Halliday.

Além de se passar em grande parte em um mundo virtual onde a imaginação é o limite, o diferencial de Jogador Nº 1 está nas referências. O criador do OASIS, um aficionado pela cultura pop dos anos de 1980, logo sua caça ao tesouro está repleta de obras da época. Filmes, séries de TV, games, músicas, conhecidos e apreciados por quem viveu a década. Contando com descrições detalhadas (algumas até demais, figuras poderiam ajudar muito mais na compreensão em alguns momentos), o texto de Cline garante que mesmo quem não tem essa bagagem consiga acompanhar a aventura. Embora o fator nostalgia funcione muito melhor com os iniciados.

Outro acerto, especialmente com quem as referências, é a construção dos desafios que os participantes precisam superar. Com as fases de um video-game como base, os "quests" combinam diversos elementos da cultura pop em seus enigmas envolvendo o leitor nostálgico na charada para desvenda-los.

As relações entre os personagens é o detalhe que deixa a desejar. Isolados em seus mundos reais, o comportamento interpessoal deixa a desejar, mesmo no mundo real. Especialmente no início, a parte mais lenta da narrativa, como quando Wade e Aech soam como garotos de nove anos testando seus conhecimentos, ao invés dos adolescentes que são. Ou o desfecho mal resolvido entre o protagonista e Art3mis. Suas personalidades são complexas, e as jornadas individuais interessantes, faltou apenas ajustar falas e atitudes.

Outro ponto que pode soar fraco para alguns é a aventura em si,  simples e até previsível. Por outro lado a simplicidade da aventura condiz com as "sessões da tarde" da década de 1980, antes do "plot twist" ser uma regra. A falta de surpresas da trama provavelmente seria menos sentida se o autor tivesse mais sucesso ao trabalhar os indivíduos que a habitam.

Nenhum dos deslizes, no entanto, atrapalham o propósito da obra, levar o leitor para uma aventura em outro universo. Apesar de ser recheado de referências, e a própria realidade virtual não ser uma novidade na ficção-ciêntífica, o OASIS e o mundo que o cerca são ricos e bem construídos. Há espaço, até para discussões atuais.

Alienação, isolamento social, consciência ambiental, superpopulação, esgotamento dos recursos naturais, confusão da identidade real e a virtual, bem como a falsa identidade no mundo virtual, são as muitas discussões que o livro aponta. Reservando tempo para discussão de algumas, e apenas mencionando outras. Todas muito pertinentes à nossa sociedade, pois Parzival vive em um futuro muito plausível para a sociedade atual.

Simples, divertido, com bons personagens e um universo rico o primeiro livro de Ernest Cline, não explora todo o potencial do mundo que criou, mas entretém e diverte. Lembra os primeiros livros de Harry Potter, antes de o mundo mágico ficar mais complexo na visão dos personagens.

Jogador Nº 1 é uma obra genuinamente criada pela era da referência em que vivemos. Sabe usar a nostalgia a seu favor, levando o leitor de volta à aventuras de outros tempos.

Jogador Nº 1 (Ready Player One)
Ernest Cline
Leya
Leia mais...

sexta-feira, 23 de março de 2018

Informações úteis para sua maratona de Santa Clarita Diet

Está na hora de me redimir com Santa Clarita Diet, assisti a série quando foi lançada em fevereiro de 2017, mas na época não tive tempo de escrever uma linha sequer sobre ela. Nada mais adequado que corrigir meu erro com a chegada da segunda temporada na Netflix.

O Ministério dos série-maníacos adverte: este post pode conter spoilers da primeira temporada de Santa Clarita Diet.
Sheila (Drew Barrymore) e Joel (Timothy Olyphant) Hammond são uma típica família estadunidense, tem uma filha adolescente e trabalham como corretores de imóveis no subúrbio de Los Angeles. Até que uma mudança radical altera sua rotina sem graça, Sheila vira um zumbi. Os efeitos colaterais de sua pós-vida são mortais, sangrentos e muito divertidos.

Informações úteis para sua maratona de Santa Clarita Diet


1 - Essa é para os fãs fervorosos de produções com mortos vivos: isso não é The Walking Dead, é uma comédia! Então, se você não gosta de alterações no gênero, talvez essa série não seja para você, pois os zumbis dela estão longe de se parecer com os mortos andantes lentos de George A. Romero.

2 - E por falar nas características destes zumbis em particular, Sheila precisa de carne humana para não apodrecer. E quando sua 'dieta' está equilibrada a moça fica mais bonita, enérgica e ousada. Tudo o que ela nunca conseguiu ser em vida.

3 - Tem estômago fraco? Aí vai uma aviso, a série tem muito sangue; e visceras; e membros decepados sendo devorados como se fosse o melhor bolo de chocolate do universo. Logo, é bastante nojenta.

4 - Tem bastante palavrão também!

5 - Mas não desista da série ainda. Depois que você superar o incômodo inicial, e abstrair do absurdo de uma família tradicional planejando assassinatos para alimentar sua matriarca, vai descobrir que as situações pelas quais a família Hammond passam são muito divertidas e fazem críticas pertinentes à classe média americana, a futilidade e a sociedade do consumo.

6 - Na vida real Drew Barrymore é vegetariana, então nenhum dos restos humanos que ela consome na série é carne de espécie alguma. Os "pratos" são feitos de diferentes produtos como gummy bears, maçãs desidratadas, pasta de beterraba, macarrão e bolo umidecido. Embora saber desta informação não ajude em nada a enfrentar o gore das cenas.

7 - Drew estava considerando deixar a atuação e se dedicar aos negócios da família quando recebeu o script da série. Gostou tanto que ficou brava, pois teria que refazer seus planos, ela tinha certeza que se arrependeria se deixasse o papel de lado. Bom para nós, ela é perfeita no papel, afinal foi escrito para ela.

8 - Nem tudo na série é Barrymore, Olyphant e Liv Hewnson (a filha Abby), também foram escolhas acertadas em seus papéis. Ele, desesperado para encontrar uma cura para a esposa. Enquanto a adolescente se inspira na nova atitude da mãe, para se descobrir no mundo. 

9 - No início, Abby pode soar irritante para alguns, mas ela melhora com o tempo e seu arco ganha muito com a mudança

10 - Apesar de todo o caos de sua nova vida, a família ainda tem prioridades cotidianas, como trabalho, educação dos filhos, ter uma boa relação com os vizinhos...

11 - O parque Magic Mountain que eles mencionam várias vezes, também existe de verdade em Santa Clarita.

12 - Moldes de corpo inteiro de Ricardo Chavira (Dan Palmer) and Alton Clemente (o motorista de Las Vegas) foram criados com silicone e fibra de vidro para servir como seus corpos desmembrados.

13 - No quarto episódio é mostrada uma conta do instagram. A kid.weed_ existe mesmo, segue o link.

14 - Drew Barrymore, Timothy Olyphant e Portia de Rossi (a Dra. Cora Wolf) trabalharam em Pânico (1996). Olyphat e Portia ainda voltaram para a sequência Pânico 2 (1997).

15 - A promoção brasileira da série ganhou uma daquelas pérolas de propaganda que só a Netflix sabe fazer. O vídeo traz Fábio Jr, cantando o clássico "Alma Gêmea" em homenagem à bela relação entre  Sheila e Joel.


_________________

A segunda temporada de Santa Clarita Diet chegou esta sexta-feira (23/03/2018), na Netflix. Cada temporada tem 10 episódios de 30 minutos cada, inteiramente disponíveis no serviço de streaming.

Quer mais dicas para suas maratonas? Confira outros posts da série!
Leia mais...

quarta-feira, 21 de março de 2018

Adaptações favoritas de Orgulho e Preconceito!

A maioria do pessoal já percebeu, mas caso você ainda não tenha conectado às semelhanças, aí vai um informação importante:  a nova novela da Globo Orgulho e Paixão é inspirada em várias obras de Jane Austen. A ênfase, é claro,  está em Orgulho e Preconceito. Inspirada pelo folhetim das 18h (e alguns minutos!), resolvi postar minha própria listinha obrigatória de adaptações do romance.

A lista a seguir traz meus favoritos, por diferentes motivos. E é um bom ponto de partida para se ambientar no universo da autora, mas a melhor opção para mergulhar de cabeça é ler os livros, claro!

Orgulho e Preconceito (2005)

Comece com o "tradicionalzão", em sua versão mais recente. Salvo as mudanças pela restrição de tempo, o filme dirigido por Joe Wright e estrelado por Keira Knightley e Matthew Macfadyen é bastante fiel ao original. O elenco estelar também é um atrativo à parte Brenda Blethyn, Donald Sutherland, Rosamund Pike (Garota Exemplar), Jena Malone (Sucker Punch) e Judi Dench estão todos afinados em cena.

Quem conseguir assistir em DVD, procure nos extras por um final alternativo lançado apenas nos Estados Unidos. 



Orgulho, Preconceito e Zumbis (2016)


A história é basicamente a mesma, mas aqui se passa em um passado apocalíptico no qual mortos vivos dominaram a Inglaterra. Aqui as moças Bennet são treinadas em batalha enquanto os pretendentes estão no exército. É assumidamente uma paródia! Mantem os jantares, bailes e as longas discussões, que eventualmente são interrompidos, ou mesmo acontecem na presença dos zumbis. As personalidades e destinos dos personagens principais também são os mesmos.


Aí vai um aviso, se você é fã fervoroso da obra de Austen pode não gostar muito das alterações. O mesmo vale para os fãs de zumbis, estes aqui tem consciência e falam, para poder interagir e funcionar na trama original, construída por longos diálogos e jogos de palavras. Baseado no livro homônimo creditado à Jane Austen e Seth Grahame-Smith, tem no elenco Lilly James (Cinderela), Sam Riley (Malévola), Charles Dance e Lena Headey (ambos de Game of Thrones). Bella Heathcote (Sombras da Noite) e Matt Smith (o 11º Doctor Who).



A Noiva e o Preconceito (2004)

É a versão de Bollywood, passado na Índia com direito às tradições locais, muita cor e as maravilhosas danças. Elizabeth virou Lalita (Aishwarya Rai), enquanto Darcy (Martin Henderson) virou um magnata "estadunidense". O elenco traz nomes conhecidos no ocidente para facilitar a identificação do nosso lado do globo. Alexis Bledel (a Rori de Gilmore Girls) é a irmã do endinheirado Darcy, Naveen Andrews (Lost) o amigo, e Indira Varma (Game of Thrones), também podem ser vistos em cena. 

Para quem nunca teve contato com filmes de Bollywood é uma boa obra de transição entre a linguagem que estamos acostumados, e o cinema tão característico deles.



Tem tempo disponível? Hora de passar para algo mais longo...

Orgulho e Preconceito (1995, minissérie)

A série com seis episódios da BBC é a referência quando se fala em adaptação de obras de Jane Austen. Traz Jennifer Ehle e Colin Firth como protagonista. É uma adtaptação tradicional da história.

Para tentar explicar a adoração por esta versão aqui vai um fato curioso. Em 2013, uma gigantesca estátua do Sr. Dacy molhado, recriando a cena em que o personagem mergulha para se refrescar,  foi construída e exibida em diversos lagos do país antes de ser instalada no lago de Lyme Park, região de Cheshire, onde a cena original foi filmada, onde ficaria até 2014. (confira um vídeo desta pérola da escultura em fibra de vídro)



Hora das "não adaptações"

O Diário de Bridget Jones (2001)


Ela mesma, a solteirona na faixa dos 30 anos, que conversa constantemente com seu diário tentando descobrir o caminho para tomar as rédeas da própria vida. Até que se vê disputada por dois bons partidos (ou quase isso). Baseado no livro homônimo de Helen Fielding, que assumidamente trouxe as personalidades dos protagonistas de Austen para sua obra - ela é uma fã produtiva!

A americana Renée Zellweger supreendeu ao dar vida a britânica Bridget, e Hugh Grant gasta todo o charme que pode. Mas nada é mais delicioso que descobrir Colin Firth no papel de ..... Mark Darcy! Não é coincidência não, viu. A autora descreveu o ator como o mocinho, graças a adorada interpretação dele na série de 1995.

A jornada de Jones, é bem diferente de qualquer uma das irmãs Bennet, especialmente nas sequencias, mas a inspiração é digna de nota!



Austenland (2013)


Jane Hayes (Keri Russell), chegou na casa dos 30 anos sem conseguir um relacionamento decente sequer. Isso porque ninguém está a altura do Sr. Darcy, por quem é apaixonada nas páginas - #QuemNunca? - Insatisfeita, ela decide torrar todas as suas economias em um resort que recria a época de Austen, para suas fãs. Adivinhou quem imaginou que aí sim, a moça vai conseguir viver um romance.

É uma comédia romântica "água com açúcar" das mais bobinhas e sem grandes destaques no elenco, mas acerta ao retratar a admiração pelas obras de Jane Austen como um todo. Uma sessão da tarde adorável!



Aí estão minhas versões obrigatórias de Orgulho e Preconceito, para adiantar a agenda enquanto não terminamos o livro. Agora é conferir se a versão global do romance vai merecer entrar para a lista.

Já assistiu  as adaptações que mencionei? Quais as suas versões favoritas?
Leia mais...

segunda-feira, 19 de março de 2018

Jessica Jones - 2ª temporada


Após um primeiro ano bem sucedido, Jessica Jones retorna para uma nova temporada de sua série própria com uma tarefa complicada, funcionar sem um antagonista carismático e constantemente presente. Com Killgrave (David Tennant) fora de cena, e sem precisar ajudar seus amigos Defensores, o que a investigadora com super-força poderia fazer além de solucionar casos de adultério e beber muito?

Lidar com fantasmas do passado, é claro. A moça se martiriza por ter matado o vilão com as próprias mãos. Ao mesmo tempo, a inconsistência de Trish (Rachael Taylor), em desvendar o passado da irmã adotiva, obriga a protagonista a lidar com inquietações que ela enterrara há muito tempo.

Sem um vilão específico e bem definido, a série altera a figura do inimigo conforme o mistério se desenrola, terminando com uma nova antagonista pronta para ser trabalhada na próxima temporada. Ao mesmo tempo, sobre tempo (demais até), para trabalhar histórias paralelas. Trish, Jeri (Carrie-Anne Moss) e Malcom (Eka Darville) são os que se beneficiam com isso. Cada um deles ganha jornadas consistentes e camadas que os tornam mais interessantes.

Advogada fria e implacável vivida por Moss, encara tem sua estrutura desestabilizada e precisa restabelecer seu poder. É na jornada de Moss também, que está a única referência clara ao universo compartilhado dos heróis Marvel-Netflix, com uma participação bastante protocolar e curta de Foggy (Elden Henson). Já Malcom quer se mostrar prestativo e eficiente em sua "nova vida", mas precisa descobrir onde se encaixa neste contexto. Uma personalidade em construção, assim como a parede do apartamento de Jessica que ele passa a temporada reformando.

É de Trish a jornada mais complexa, uma celebridade sempre à sombra da irmã super-poderosa (não quanto à fama, mas aos feitos), a moça é obcecada por fazer algo memorável de sua vida. E sem pestanejar se mete em problemas gigantescos para conseguir tal feito. A moça ainda precisa lidar com sua relação complicada com a mãe louca e o namorado perfeito demais para ser verdade; com seu vício em drogas e com seu passado de estrela mirim abusada por um figurão de Hollywood (timming perfeito). A intérprete da moça, Rachael Taylor rouba a cena em muitos momentos neste processo.

E por falar no elenco, todo ele se provou forte e afinado com suas funções. Inclusive Janet McTeer, cuja personagem psicótica Alissa poderia facilmente cair na caricatura (ela tem até uma peruca esquisita), mas funciona muito bem em sua função de destabilizar a protagonista. Também no papel de desestabilizar Jéssica, David Tennant traz seu carismático Killgrave de volta, em uma participação nada gratuita, e tão cativante quando sua participação no primeiro ano. Ainda sim o destaque maior fica com Kristen Ritter que consegue manter sua protagonista mal-humorada, imperfeita e altamente relacionável em foco, mesmo sem o contraponto de um bom vilão e com tantos personagem secundários ganhando mais espaço.


O único problema entretanto é o número de episódios. Tradicionalmente, as séries solo dos heróis tem 13 capítulos por temporada, para preencher este tempo algumas histórias são estendidas sem necessidade. Em outras palavras, a série precisa enrolar um pouco para preencher o cronograma. Nada que atrapalhe os adeptos de maratonas longas, mas um pouco complicado para quem assiste aos poucos, que após tanto tempo pode não ter tão claras na mente informações dadas lá no início da história.

Jessica Jones demorou a voltar para a telinha (apesar de termos visto a protagonista em Defensores, a primeira temporada da série saiu em 2015!), mas quando o fez trouxe mais acertos que erros. Bem posicionada em sua época, e com todos os episódios dirigidos por mulheres, traz de volta os temas atuais que a tornaram tão relevante, sem perder o bom humor.  A moça também provou que consegue carregar sua série sozinha, sem seus super-amigos e seu  primeiro vilão marcante (todos homens, diga-se), por mais interessantes que estes sejam.

Jessica Jones, tem 2 temporadas de 13 episódios cada e também aparece na série Defensores, todas disponíveis na Netflix.

Leia mais...

quinta-feira, 15 de março de 2018

Tomb Raider: A Origem

Não importa o quanto seja perigoso, deixar uma porta e instruções encriptadas para um artefato que não deve ser encontrado é uma constante em civilizações antigas da ficção. Mas, por incrível que pareça, não é um tesouro que Lara Croft está procurando neste reboot da franquia na tela grande. Não que isso evite que Tomb Raider: A Origem, siga a tradicional trama de decifrar enigmas para encontrar algo perdido, tão característico dos games.

A jovem Lara (Alicia Vikander) faz entregas de bicicleta pelas ruas de Londres para ganhar a vida. Ela se recusa a aceitar a fortuna da família, já que para isso, teria que aceitar a suposta morte de seu pai (Dominic West), desaparecido há sete anos. Quando encontra uma pista sobre seu paradeiro a moça deixa tudo para trás para seguir seus passos.

A partir daí acompanhamos a protagonista analisando, decifrando e seguindo as pistas que o pai deixara, exatamente como a cartilha deste sub-gênero de aventura manda. O grande problema é que a moça não compartilha com a gente o que está fazendo, logo não estimula nossa curiosidade, muito menos a satisfação de desvendar um enigma. O resultado? Ao chegarmos no clímax não temos muito interesse na resolução dos puzzles, que se dão de forma mais apressada, que urgente ou instigante. Quando Lara se admira com alguma coisa a ponto de exclamar em voz alta - A câmara das almas! - nós na poltrona damos de ombros - Ah é? devia ter uma? - Ao menos a explicação para a maldição em si, é bastante interessante.


Enquanto falha na tarefa de envolver o espectador no mistério, o roteiro ao menos acerta ao apresentar sua protagonista. E já que as comparações com a versão vivida por Angelina Jolie são inevitáveis, vamos à elas. A nova Lara usa roupas funcionais, aparece suja e desarrumada, faz as expressões correspondentes quando sente medo, dor ou reage a algo, e as proporções do seu corpo não seguem os padrões irreais propostos pela versão fantasiosas de muitos de seus jogos. Em outras palavras, ela é uma personagem forte e bonita, mas não objeto de fetiche.

Como ícone, Lara sempre fora uma contradição ambulante. É uma mulher inteligente, forte e independente. Um bom modelo feminino a ser seguido, até chegar a seu visual que atendia aos estereótipos de objetificação feminina. Como um sinal dos tempos, a personagem ganhou novos ares nos games, e agora chegou a hora da sétima arte também reinventá-la. Mas, como o cinema é diferente dos games, talvez ela acabe falando com outro público na tela grande.

Já que a protagonista é a única que ganha um pouco mais de atenção em seu desenvolvimento, Vikander é o único destaque do elenco. O resto da equipe apenas entrega o que seus personagens de poucas camadas exigem. Com personagens pouco memoráveis, a força do filme está na aventura e nas cenas de ação. Estas são eficientes, e trazem muitos ecos e referencias dos games. Mesmo quando os efeitos especiais pisam na bola, e entregam uma protagonista visivelmente de computação gráfica em algumas acrobacias complexas, o resultado não é negativo. Acidentalmente, a figura em CGI da personagem desperta a memória de sua origem nos jogos.

Um tradicional filme de origem, com uma tradicional trama de aventura de caçada ao tesouro, e não há nada de errado em seguir a fórmula já estipulada. O problema é quando a produção não consegue seguir a receita simples e envolver o espectador no processo. Por falar neste aspecto,  Tomb Raider: A Origem, diverte mas não é memorável, mas deixa espaço para sequencias e a possibilidade de evoluir. Como acerto reapresenta bem a protagonista, embora eu acredite que dessa vez Lara agrade mais o público em geral, e principalmente as meninas, do que seus mais antigos fãs dos games.

Tomb Raider: A Origem (Tomb Raider)
EUA - 2018 - 118min
Aventura, Ação
Leia mais...
 
Copyright © 2014 Ah! E por falar nisso... • All Rights Reserved.
Template Design by BTDesigner • Powered by Blogger
back to top