quinta-feira, 15 de março de 2018

Tomb Raider: A Origem

Não importa o quanto seja perigoso, deixar uma porta e instruções encriptadas para um artefato que não deve ser encontrado é uma constante em civilizações antigas da ficção. Mas, por incrível que pareça, não é um tesouro que Lara Croft está procurando neste reboot da franquia na tela grande. Não que isso evite que Tomb Raider: A Origem, siga a tradicional trama de decifrar enigmas para encontrar algo perdido, tão característico dos games.

A jovem Lara (Alicia Vikander) faz entregas de bicicleta pelas ruas de Londres para ganhar a vida. Ela se recusa a aceitar a fortuna da família, já que para isso, teria que aceitar a suposta morte de seu pai (Dominic West), desaparecido há sete anos. Quando encontra uma pista sobre seu paradeiro a moça deixa tudo para trás para seguir seus passos.

A partir daí acompanhamos a protagonista analisando, decifrando e seguindo as pistas que o pai deixara, exatamente como a cartilha deste sub-gênero de aventura manda. O grande problema é que a moça não compartilha com a gente o que está fazendo, logo não estimula nossa curiosidade, muito menos a satisfação de desvendar um enigma. O resultado? Ao chegarmos no clímax não temos muito interesse na resolução dos puzzles, que se dão de forma mais apressada, que urgente ou instigante. Quando Lara se admira com alguma coisa a ponto de exclamar em voz alta - A câmara das almas! - nós na poltrona damos de ombros - Ah é? devia ter uma? - Ao menos a explicação para a maldição em si, é bastante interessante.


Enquanto falha na tarefa de envolver o espectador no mistério, o roteiro ao menos acerta ao apresentar sua protagonista. E já que as comparações com a versão vivida por Angelina Jolie são inevitáveis, vamos à elas. A nova Lara usa roupas funcionais, aparece suja e desarrumada, faz as expressões correspondentes quando sente medo, dor ou reage a algo, e as proporções do seu corpo não seguem os padrões irreais propostos pela versão fantasiosas de muitos de seus jogos. Em outras palavras, ela é uma personagem forte e bonita, mas não objeto de fetiche.

Como ícone, Lara sempre fora uma contradição ambulante. É uma mulher inteligente, forte e independente. Um bom modelo feminino a ser seguido, até chegar a seu visual que atendia aos estereótipos de objetificação feminina. Como um sinal dos tempos, a personagem ganhou novos ares nos games, e agora chegou a hora da sétima arte também reinventá-la. Mas, como o cinema é diferente dos games, talvez ela acabe falando com outro público na tela grande.

Já que a protagonista é a única que ganha um pouco mais de atenção em seu desenvolvimento, Vikander é o único destaque do elenco. O resto da equipe apenas entrega o que seus personagens de poucas camadas exigem. Com personagens pouco memoráveis, a força do filme está na aventura e nas cenas de ação. Estas são eficientes, e trazem muitos ecos e referencias dos games. Mesmo quando os efeitos especiais pisam na bola, e entregam uma protagonista visivelmente de computação gráfica em algumas acrobacias complexas, o resultado não é negativo. Acidentalmente, a figura em CGI da personagem desperta a memória de sua origem nos jogos.

Um tradicional filme de origem, com uma tradicional trama de aventura de caçada ao tesouro, e não há nada de errado em seguir a fórmula já estipulada. O problema é quando a produção não consegue seguir a receita simples e envolver o espectador no processo. Por falar neste aspecto,  Tomb Raider: A Origem, diverte mas não é memorável, mas deixa espaço para sequencias e a possibilidade de evoluir. Como acerto reapresenta bem a protagonista, embora eu acredite que dessa vez Lara agrade mais o público em geral, e principalmente as meninas, do que seus mais antigos fãs dos games.

Tomb Raider: A Origem (Tomb Raider)
EUA - 2018 - 118min
Aventura, Ação
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1 Comment

Frederico Fernandes disse...

Isso é pq provavelmente eles fizeram o filme acreditando que quem vai assitir já jogou o game ...

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