Junho 2019 - Ah! E por falar nisso...

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Turma da Mônica - Laços

segunda-feira, junho 24, 2019 0
Admito, meu primeiro pensamento (e provavelmente o de muita gente) quando surgiu a proposta de trazer os personagens de Maurício de Souza das páginas para o mundo real foi: por favor não! Falha minha, tive este mesmo receio quando as Graphic MSP surgiram com releituras de outros artistas para a turminha, e estes se provaram infundados. Uma vez que a Maurício de Souza Produções parece bastante ciente de sua presença no imaginário de várias gerações, e igualmente preocupada em não corrompê-lo.

Baseada da graphic novel homônima criada pelos irmãos Vitor e Lu Cafaggi, Laços conta a aventura de Mônica, Cebolinha, Magali e Cascão em busca do desaparecido Floquinho. Simples assim, a molecada sai pelo mundo em busca do mascote verde, no melhor estilo "Sessão da Tarde dos anos 1980", encontrando perigos e enfrentando-os com o que cada um pode oferecer de melhor.

Se a trama soou relativamente simples para você, é porque ela é. Sua complexidade reside na relação entre as crianças, nas dificuldades que cada um precisa superar, e em sua vilão inocente do mundo. O filme mostra seus protagonistas, como crianças que são, sem menosprezá-las, ou amadurecê-las demais para atender ao roteiro. Uma honestidade com a qual é difícil não se identificar, uma vez que todos já passamos por essa idade.

A escolha acertada do elenco mirim é essencial para a complicada tarefa de trazer personagens tão emblemáticos para o mundo real. Apesar de não muito experiente, seus intérpretes abraçaram perfeitamente a essência de cada membro da turminha. E o roteiro fornece espaço e oportunidade para explorá-la, incluindo desafios únicos a serem superados individualmente, além da grande missão que eles precisam cumprir juntos.

Assim, a Magali (Laura Rauseo), tem as melhores frases com sua fome se manifestando mesmo nas horas mais inconvenientes. O Cascão (Gabriel Moreira) diverte com seu jeitinho meio debochado. Enquanto a Mônica (Giulia Benitte), pode mostrar que ninguém é forte o tempo todo. Curiosamente, é o Cebolinha (Kevin Vechiatto) aquele que tem maior desenvolvimento, apenas porque, na aventura criada pelos Caffagi é o arco dele que consegue ter mais peso. O garoto precisa lidar com sua arrogância, e dar voz aos amigos para salvar seu cãozinho.

Fotos: Serendipity Inc
É o foco maior no Cebolinha, que torna possível um original do longa. A aparição do Louco (Rodrigo Santoro se divertindo aos montes), traz um momento de auto-reflexão para o carequinha, e quem sabe para a molecada do lado de cá da tela, além de ser bastante engraçado. Mas ele não é a única referência em cena, já que não faltam aparições de outros personagens, easter-eggs espalhados pelo cenário, figurinos e até notícias de jornal. Além e uma boa participação especial de Maurício de Souza, que bem podia virar nosso Stan Lee, se a moda e adaptar as Graphic MSP pegar.

Outro ponto complicado era transportar o visual cartunesco dos personagens para o mundo real. A HQ já tinha dado um passo neste caminho, criando versões mais realistas para os personagens, mas a produção comandada por Daniel Rezende escolhe seguir seu próprio rumo. Eles evitaram a semelhança física exagerada no quarteto principal, mas não recearam em usá-las em personagens secundários (repara no maravilhoso cabelo de Dona Lurdinha, a mãe do Cascão). E por falar nos adultos, estão presentes em participações menores, basicamente apenas procurando a molecada. Monica Iozzi (Dona Luisa, mãe da Mônica), e Paulo Vilhena (Seu Cebola) são os nomes mais conhecidos, mas o destaque fica com a genuína atuação de Fafá Rennó, como uma muito preocupada Dona Cebola.

A recriação do bairro do Limoeiro para as telas, também segue uma versão mais fiel aos quadrinhos tradicionais. Com casinhas simples, telefones fixos e pracinhas bucólicas que parecem congeladas no tempo. Criando um contraponto curioso com o vocabulário e forma de pensar atual do elenco mirim. E fornecendo um tom atemporal ao longa semelhante aos quadrinhos, a molecada soa e pensa como a criançada de hoje em dia, mas visualmente está nos anos de 1960.

Diferente da maioria das adaptações de quadrinhos que lotam nossas telas atualmente, Turma da Mônica - Laços não tem um ritmo frenético e cheio de ação. E nunca teve essa intenção. A produção tem inclusive passagens mais lentas, como os momentos em que a turminha está na floresta. Uma mudança de ritmo que não compromete, mas pode afastar os pequenos que estão acostumados apenas com narrativas aceleradas demais.

Assumidamente para crianças, Turma da Mônica - Laços fala a linga da molecada. Mas em momento algum deixa de lado os adultos que as acompanham. À estes é reservada a nostalgia das próprias aventuras de infância (não sei a molecada de hoje, mas eu me empenhei em várias), e claro, dos personagens com que cresceram. Nostálgico, doce, divertido e principalmente respeitoso com seus personagens, e com todas as gerações que tem a turminha como amigos de longa data. Laços é uma adaptação competente e carismática, que não deve desagradar a quem já foi criança um dia.

Turma da Mônica - Laços
2019 - Brasil - 97min
Aventura


Leia a crítica da graphic novel Turma da Mônica - Laços
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sexta-feira, 21 de junho de 2019

Combo: Christopher Robin

sexta-feira, junho 21, 2019 0
Não sabe quem é Christopher Robin? Pois é muito provável que você já tenha esbarrado nele de alguma forma, mas nunca soube sua verdadeira história. Não se preocupe, este post de "Combo Cinéfilo", vem esclarecer isso.

A série "Combo" pretende indicar filmes ou séries que se complementam de alguma forma. 
Assim você poder fazer aquela maratona especializada, e virar expert em determinado tema (ou quase isso, rs).

No Brasil, a maioria das pessoas o conhece como Cristóvão, o garotinho das aventuras do Ursinho Puff Pooh. Personagem das aventuras criadas Alan Alexander Milne, que usou como inspiração as brincadeiras do próprio filho Christopher Robin Milne, que também emprestou seu nome para o personagem. Recentemente dois filmes o retrataram de formas completamente diferentes.

Adeus Christopher Robin
(Goodbye Christopher Robin - 2017 - EUA - 107min)
Conta a história da criação do Ursinho Pooh e o impacto de seu sucesso na vida da família Milne, especialmente do pequeno Christopher Robin. A.A.Milne (Domnhall Gleeson), volta para casa após lutar na 1ª Guerra Mundial, e tenta retomar seu cotidiano como escritor. A inspiração só reaparece quando o escritor é forçado passa um tempo sozinho cuidando do filho pequeno Christopher Robin (Will Tilston, Alex Lawther na idade adulta), quando sua esposa Daphne (Margot Robbie) e a babá Olive (Kelly Macdonald) precisam se ausentar ao mesmo tempo. As aventuras de Pooh se tornaram um sucesso, e Christopher o garoto propaganda perfeito. Em uma época em que não se imaginava os efeitos da super exposição de crianças pequenas.

O filme mostra muito bem a relação disfuncional da família Milne, embora tome algumas liberdades em relação aos detalhes. Amenizando a consciência, e conseqüentemente a culpa, dos pais em relação à infância conturbada do menino, além de mostrar uma reconciliação que não ocorreu. A atribuição do comportamento frio de Milne ao estresse pós traumatico, doença não diagnosticada na época, não pode ser confirmada. Enquanto o tempo de qualidade entre pai e filho provavelmente não tenha existido.

Ainda sim, cria uma dinâmica interessante entre a doçura dos personagens do bosque dos Cem Acres e os horrores e desesperança de uma guerra. Vale mencionar que a infância de Christopher e a criação de Pooh e cia ocorreu no período entre as duas grandes guerras, e isso é abordado de forma marcante no filme. Atuações excelentes, e uma doçura melancólica são os pontos mais marcantes do filme.




Christopher Robin - Um Reencontro Inesquecível
(Christopher Robin - 2018 - EUA - 104min)
Enquanto Adeus Christopher Robin foca na trajetória do garoto da vida real, Christopher Robin - Um Reencontro Inesquecível mostra como seria a vida do personagem das histórias de A.A.Milne. As responsabilidades do mundo adulto chegaram cedo e mudaram Christopher Robin (Ewan McGregor). O garoto que costumava brincar com animais de pelúcia no Bosque dos Cem Acres deu lugar a um homem de meia idade obcecado com o trabalho, que passa pouco tempo com a família e aproveitando a vida. É aí que ursinho Pooh Puff (Jim Cummings), e companhia reaparecem para lembrar ao amigo as coisas boas da vida.

É um filme de reencontro com a criança interior que existe em cada um de nós. E conta com a presença de Pooh e companhia, criados de forma impressionante em computação gráfica, ao ponto de merecerem uma indicação ao Oscar e efeitos visuais em 2019. Com um roteiro simples, a produção compensa a previsibilidade com uma visão de mundo doce e sincera. Além de boas atuações do elenco que, além de McGregor e Cummings, conta também com Hayley Atwell, Mark Gatiss, Brad Garrett, Nick Mohammed e Bronte Carmichael.

O filme até conta com semelhanças com a vida real, Robin também estudou em um colégio interno e teve uma filha. E claro, a doçura dos contos de A.A.Milne transparecem em ambas as produções.



Agora que Christopher Robin foi devidamente apresentado, que tal encarar uma maratona com os dois filmes e se apaixonar ainda mais por esses personagens que estão presentes na infância de várias gerações? Assista Adeus Christopher Robin e Christopher Robin - Um Reencontro Inesquecível, e depois vem contar se combinação funciona!

Gostou deste formato? Conhece algum outro filme que combine com este tema? Gostaria de ver outros temas aqui? Comente, sugira. E até a próxima maratona.

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quarta-feira, 19 de junho de 2019

Toy Story 4

quarta-feira, junho 19, 2019 0
Além de fazer marmanjos chorarem feito bebês, Toy Story 3 também tem o mérito de fechar com a mesma qualidade que começou a saga dos brinquedos de Andy. Com o garoto crescido, e os brinquedos ganhando uma nova dona o ciclo está completo, e um novo recomeça. Talvez por isso a Pixar tenha achado necessária uma a nova aventura com os, agora, brinquedos da Bonnie. Surpreendendo muita gente que já estava mais que satisfeita com o desfecho de Woody, Buzz e companhia.

Mas Bonnie (voz Madeleine McGraw) não é o Andy e é natural que a garotinha não eleja o cowboy como seu brinquedo favorito. Sem ser o centro das atenções mais uma vez, Woody (Tom Hanks) lida muito melhor com a situação e continua a fazer de tudo para cuidar de sua dona. O que inclui vigiar Garfinho (Tony Hale), um brinquedo feito com um garfo pela própria menina, e que por isso não entende sua existência e teima e fugir. É a busca por ele que move essa nova aventura, que leva a turma toda a novos lugares, e os reúne com antigos amigos.

É Betty (Annie Potts) quem eles reencontram na jornada, não é spoiler está nos trailers. A pastorinha e suas ovelhas não estavam presentes no terceiro filme, e explorar seu desaparecimento é uma escolha certeira. Além de saciar a curiosidade de que sentiu falta do outrora interesse amoroso de Woody. Eu disse "outrora", pois após nove anos desde seu desaparecimento, a moça é muito mais que isso. Após três filmes com medo de perder seu dono, é ela quem finalmente mostra como os "brinquedos perdidos" sobrevivem.

Outros temas tradicionais da franquia, como amizade, lealdade, despedidas, perda e rejeição também estão de volta, sem grandes novidades ou perspectivas diferentes. Olhando em retrospecto, este é o longa menos inovador da franquia. Especialmente quando percebemos que a trama deixou de lado a oportunidade de falar de brinquedos alternativos, que não vieram de lojas, como o Garfinho criado por objetos descartáveis. O que não significa que a produção é ruim, mas menos surpreendente para quem já está familiarizado com seu universo. Vale lembrar, seu principal público alvo ainda não havia nascido quando os longas anteriores foram lançados, em 1995, 1999 e 2010, e podem não ter essa bagagem. O filme inclusive tem consciência disso, e traz um pequeno "recap", para estregar o histórico dos personagens aos novatos.

E por falar em novatos, não faltam brinquedos novos para preencher a tela. Os destaques ficam com a boneca Gabby Gabby (Christina Hendricks), o Duke Caboom (Keanu Reeves), e os hilários bichos de pelúcia Coelhinho e Patinho (Jordan Peele e Keegan-Michael Key, respectivamente). Todos trazendo aquela imprevisibilidade de personalidade em relação à sua aparência ou função.

Infelizmente, com tanta gente tantos objetos animados em tela muitos veteranos ficam em segundo plano. O foco está em Woody, Garfinho e Betty. Buzz, tem um pouco mais de destaque ao substituir o cowboy como líder dos brinquedos em sua ausência, enquanto os demais como Jessie (Joan Cusack), Rex (Wallace Shawn) e os primeiros brinquedos da Bonnie perdem espaço.

Esta aliás é outra grande diferença entre os Toy Story 3 e 4. Enquanto o anterior era uma aventura de grupo, aqui voltamos a jornada de Woody, que apesar de ter começado esta jornada perdendo o protagonismo na vida de Andy lá em 95, sempre fora o grande protagonista da franquia e aqui prova isso. Infinitamente mais maduro do que quando empurrou Buzz pela janela, ele precisa descobrir o próximo passo de sua jornada como brinquedo. É este arco que vai fazer os marmanjos que os acompanham há mais de duas décadas se emocionarem.

Falando em décadas de evolução, a melhora da tecnologia fica gritante quando revemos Betty. A pastorinha fez sua última aparição em 99, e apesar de ainda ser a mesma personagem, é visível o apuro visual e sofisticação pelo qual a moça passou. Este esmero, continua por toda produção, cada vez mais caprichada e realista, desde a bela iluminação na chuva da sequencia inicial, até o realismo na pelúcia, plástico e porcelana de seus personagens.

Há ainda tempo para mostrar um pouco mais da ação dos brinquedos na vida dos humanos, não que eles a percebam. Criando ainda mais situações cômicas. O roteiro inclusive, mantém o estilo de piadas em dois níveis, para entreter crianças e adultos. E traz de volta passagens assustadoras que fazem jus àquelas do quarto do Sid no longa original.

Vale mencionar também a excelente dublagem nacional, que faz uma excelente adaptação para a molecada brasileira. Traz de volta as vozes tradicionais como Marco Ribeiro e Guilherme Briggs (respectivamente Woody e Buzz), e boas novas aquisições, como Antonio Tabet e Marco Luque (Coelhinho e Patinho).

Particularmente, não acho que Toy Story 4 seja um filme necessário, pois anterior encerrava o ciclo da melhor forma possível, cheio de metáforas e nostalgia. Mas também não é dispensável, mal produzido, ou injustificado, muito menos aparenta ser movido por motivos meramente comerciais. Ainda existem histórias a serem exploradas nesse universo, como a de Betty. Se Pixar mantiver o carinho e esmero para contá-las, não apenas as receberemos de bom grado, como vamos adorar voltar a brincar com esse pessoal.

Toy Story 4
EUA - 2019 - 100min
Animação, Aventura, Comédia
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segunda-feira, 17 de junho de 2019

Good Omens

segunda-feira, junho 17, 2019 0
É o bom e velho Apocalipse que movimenta a trama de Good Omens, mas não se deixe enganar pelo argumento aparentemente batido. A aventura criada por Neil Gaiman e Terry Pratchett é tudo, menos previsível. E sua versão para as telas consegue replicar os efeitos do livro para esta nova mídia.

Aziraphale (Michael Sheen) e Crowley (David Tennant) estão na terra desde a criação. Um anjo e um demônio respectivamente, eles são os agentes do céu e do inferno entre os homens, e com o tempo tomaram gosto pelos prazeres da vida terrena. Logo, quando o nascimento do anticristo anuncia a chegada do apocalipse, a dupla se empenha para evitar o fim do mundo.

Não, não há absolutamente nada de altruísta na missão que a dupla assume, mesmo que um deles seja um anjo. Essa inversão de valores faz parte do tradicional humor britânico, predominante na minissérie. Assim como o sarcasmo, o humor de acaso e o nonsense. A graça da aleatoriedade construindo um grande evento, colocando cidadãos comuns no caminho do destino da humanidade, lembra o humor de Douglas Adams, em o Guia do Mochileiro das galáxias. Mas aqui, a busca de sentido na vida está atrelada à dogmas religiosos, lendas e um empasse entre grandes inimigos.

É na subversão da solenidade de ícones, temas religiosos e suas motivações, e na falta de receio de abraçar a loucura que se baseia a imprevisibilidade da narrativa. Entretanto, é na química entre os protagonistas, que reside o charme e empatia da produção. Os mais humanos entre os seus, o anjo e o demônio apreciam as criações dos homens, como boa comida, carros, livros e música, e estão muito confortáveis em suas respectivas rotinas. E, mais importante, cultivaram ao longo dos seis mil anos que a Terra tem nesta história, uma improvável, e proibida, amizade.

Bromance bem construído através das semelhanças e diferenças entre os dois, e na capacidade que tem de aprender e cooperar, e respeitar as diferenças um do outro. Acompanhar o desenvolvimento desta relação em momentos chave da história da humanidade, é inclusive uma diversão à parte. É claro, para funcionar tão bem nas telas quanto nos livros, a química entre intérpretes precisa ser tão eficientes quanto a dos personagens. Michael Sheen e David Tennant alcançam esta dinâmica com facilidade, além caprichar na construção individual de cada personagem.

Extremamente versátil Sheen, apresenta um Aziraphale extremamente contido e comprometido com seu papel de "bom anjo", mas com uma pitada de rebeldia visivelmente escondida na superfície. Ele só precisa de um estímulo do lado sombrio para ousar e arriscar. Enquanto o Crowley do sempre carismático Tennant é enérgico, descolado e despreocupado com tudo, mas que com a companhia certa deixa transparecer momentos de bondade.

Esta separação entre bem e mal, e as regras que cada lado impõe à seus "funcionários" também é um tema à se discutir. Já que a certa altura fica claro, que talvez anjos e demônios sejam exatamente iguais. Criaturas subservientes, obcecadas por dogmas e por um grande plano que desconhecem, cuja única diferença fora ter andado um um determinado grupo ou outro. Situação que Crowley chega a murmurar em certo momento: eu não pretendia cair, só estava andando com o pessoal errado!.

Entre os entidades e anjos, caídos ou não, Jon Hamm (Gabriel) é o nome mais reconhecido por aqui, em elenco é repleto de conhecidos e talentosos rostos britânicos. Um prato cheio para quem acompanha a dramaturgia desta região do mundo. Outros rostos conhecidos são Mireille Enos (Guerra), Brian Cox (Morte), Frances McDormand (Deus) e Benedict Cumberbatch (Satã). O núcleo humano, tem os eficientes Sam Taylor Buck (anticristo Adam Young), Jack Whitehall (Newton Pulsifer) e Adria Arjona (Anathema). A surpresa fica com a participação de Miranda Richardson (Madame Tracy). Em particpações grandes ou pequenas, todo o elenco parece escolhido a dedo, e por isso entregam o que os personagens pedem.


Completando o pacote, a produção se esforça para equilibrar realismo e absurdo, através dos cenários e figurinos, em diferentes épocas da história do mundo. A maquiagem de anjos e demônios é eficiente para torná-los não-humanos apesar de seus intérpretes. O CGI não é dos mais sofisticados, mas funciona neste contexto de realismo absurdo.

Com o próprio Neil Gaiman como showrunner (trabalho que ele aceitou à pedido do amigo e co-criador já falecido Terry Pratchett e do qual afirma já ter se aposentado), a adaptação acerta na fidelidade Good Omens. E quando precisa de atualizações e material extra, tem o privilégio de contar com o trabalho de um dos criadores. O resultado é uma obra que não apenas respeita o material original, mas mantém sua essência de forma acertada.

Há ainda tempo para atualizações e referências, especialmente à cultura britânica, claro. Assim, na época do apocalipse, Peste se aposentou e deu lugar à Poluição, um mal muito mais impactante nos dias de hoje. E o transito ruim pode ser obra de demônios. Enquanto os whovians vão se deliciar com inúmeras referencias de Doctor Who (além da presença do 10 em cena) e amantes da cultura pop em geral também vão encontrar easter-eggs divertidos.

Good Omens é ousada, absurda e divertida. Faz graça com tanto com temas cotidianos, quanto com histórias, lendas e ícones que atravessam gerações, de forma própria e inteligente. Embora não tenha personagens "sobrando", são seus bem construídos protagonistas que dão o tom, e carisma à esta aventura nada comum. A vontade é continuar acompanhando as aventuras de Aziraphale e Crowley por toda a eternidade!

Good Omens é uma minissérie de apenas seis episódios, disponíveis na Amazon Prime Vídeo.
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quinta-feira, 13 de junho de 2019

MIB: Homens de Preto - Internacional

quinta-feira, junho 13, 2019 0
Demorou para alguém notar que a franquia MIB, pode sobreviver sem Will Smith e Tommy Lee Jones, os agentes J e K. Afinal, trata-se de uma instituição cheia de agentes ao redor do mundo. Basta encontrar funcionários tão carismáticos quanto a dupla original. Tarefa difícil que MIB: Homens de Preto - Internacional surpreendentemente conseguiu, ao trazer Tessa Thompson e Chris Hemsworth para repetir a parceria acertada de Thor: Ragnarok. A falha ficou por conta do roteiro que não faz jus à criatividade da franquia.

Molly (Tessa Thompson) teve uma experiência alienígena quando criança e ficou obcecada pelos segredos do universo. Já adulta a moça consegue encontrar os Homens de Preto por conta própria e consegue uma chance de se tornar um deles. Em sua missão teste, já como Agente M, é enviada a agência Londres, onde acaba trabalhando com H (Chris Hemsworth). O mais renomado agente londrino, que não parece estar à altura da sua reputação.

A ideia é fazer um paralelo com o primeiro filme da franquia, um agente experiente e uma novata, que esbarram em uma missão para salvar o mundo. E não há nada de errado nisso, o problema é que o roteiro escolhe a forma mais simplista e óbvia para fazê-lo. Assim, não é muito difícil deduzir o caminho que o roteiro pretende seguir, ou mesmo descobrir a verdadeira ameaça por trás de toda a aventura.


Seguindo quase uma defasada "cartilha para surpreender", o roteiro coloca desafios descartáveis para conduzir os personagens para a já esperada reviravolta no clímax. Assim, inimigos como a Riza (Rebecca Ferguson) ou os aliens vividos pelos dançarinos de hip-hop Les Twins são invencíveis enquanto o roteiro precisa que sejam. Apenas para que sejam derrotados com facilidade no instante seguinte. Uma pena, pois seus conceitos são excelentes.

Sim, MIB continua a acertar nos conceitos surpreenderes para seus aliens, especialmente aqueles que vivem disfarçados entre os humanos. Trazendo de volta os conceitos ao mesmo tempo divertidos e eficientes, para explicar porque não notamos a presença dos seres extra-terrenos entre nós. O mesmo vale para os gadjets absurdos e exagerados. Armas gigantescas que disparam raios coloridos, e veículos impressionantes não decepcionam, quem é fã deste aspecto da franquia. As referências à trilogia original são bem dosadas, para não empalidecer os novos protagonistas.

A dinâmica entre Hemsworth e Thompson, também não decepciona. M é uma novata cheia de truques, esforçada e levemente deslumbrada por ter conseguido o trabalho de seus sonhos, enquanto H é arrogante e desleixado com o trabalho, mesmo assim, é visto como o melhor de sua agência. Personagens bastante diferentes de sua parceira original na Marvel, mas que a dupla faz funcionar tão bem quanto, com carisma e bastante humor. 

A parceria fica ainda melhor com o acréscimo do personagem de Kumail Nanjiani. Pawny dá o tom de humor que faltava à alguns dos diálogos entre à dupla, com seus comentários ao mesmo tempo ingênuos e exagerados. Já, Emma Thompson, Liam Neeson e Rafe Spall pouco podem oferecer ao que o roteiro lhes propõe. Dentro disso, são eficientes.

Apesar da aparente limitação de "nomenclatura alfabética", os Homens de Preto certamente tem mais do que 26 agentes, e finalmente percebeu que pode descobrir novos funcionários para guiar suas aventuras. M e H, são escolhas acertadas para isso. Infelizmente o roteiro não percebe que seu universo tem possibilidades inesgotáveis, ou prefere não se arriscar. Assim MIB: Homens de Preto - Internacional, tem excelentes protagonistas e alienígenas criativos, desperdiçados em motivações rasas e um previsível roteiro para salvar o mundo. Faltam a ousadia, os exageros e os absurdos tão característicos da franquia.

MIB: Homens de Preto - Internacional (Men in Black: International)
2019 - EUA - 115min
Ficção científica, Ação, Comédia


Leia também a crítica de Homens de Preto 3

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segunda-feira, 10 de junho de 2019

Chernobyl

segunda-feira, junho 10, 2019 0
É difícil encontrar alguém que nunca tenha ouvido falar em Chernobyl. Seja em reportagens, documentários ou mesmo na escola, a maioria já ouviu falar do maior acidente nuclear da história. Mas o quando realmente conhecemos esta história? Quase nada. Foi o que os espectadores da minissérie da HBO perceberam ao longo deste cinco episódios.

É madrugada de 26 de abril de 1986, o reator quatro da usina de Chernobyl acaba de explodir. Coisa que todos acreditavam ser impossível, logo, confusão, desconhecimento, negação e incredulidade são o ponto de partida desta narrativa. Os personagens seguem suas funções, protocolos e cadeia de comando, a maioria sem conhecimento dos riscos que correm. Nós, sabemos dos riscos, mas desconhecemos os detalhes. Gerando assim, uma preocupação e empatia imediata com os envolvidos desinformados, e a busca de culpados dentre aqueles com a visão mais ampla do ocorrido e que mesmo assim insistem em não enxergá-lo.

É assim, que Chernobyl traumatiza conquista ao público logo em seu piloto. Mas a série não se acomoda, fugindo do modelo tradicional da "recriação de tragédias". Ainda acompanhamos as ações de contenção, pós incidente e a busca por respostas, mas também acompanhamos a dificuldade de executar este trabalho sob o rigoroso regime soviético nos últimos anos da guerra fria, e as disputas políticas que isso gera dentro e fora da URSS. Arcos menores, mas bem construídos, também acompanham a vida dos civis afetados pelo acidente, ou recrutados para contorná-lo, sabendo ou não do risco a que estão sendo submetidos. A surpreendentemente sensação de imprevisibilidade, de uma história supostamente conhecida, e a empatia pelas vidas envolvidas, é o que nos mantém aflitos e atentos pelos quatro episódios seguintes.

São Valery Legasov (Jared Harris) Boris Scherbina (Stellan Skarsgård), respectivamenteo cientista e o político responsáveis por lidar diretamente com o incidente, quem nos levam na longa e perigosa jornada para solucionar o problema. Da necessidades de recursos quase impossíveis de conseguir, passando pela dificuldade técnica, os empasses políticos e principalmente o custo de vidas, solucionando um grande problema por vez, conforme eles aparecem, acompanhamos o peso de cada uma de suas decisões e tentativas, bem sucedidas ou não. Ulana Khomyuk (Emily Watson), completa o trio de protagonistas. Única personagem fictícia, representa a equipe de cientistas que auxiliou Legasov, e é quem nos mostra a investigação para compreender o que aconteceu.

Harris, Skarsgård e Watson dão vida a personagens completamente diferentes, mas que compartilham o mesmo sentimento de responsabilidade e medo pelo trabalho que precisam executar. Suas atuações contidas, mas extremamente humanas e cheias de camadas, demostram tanto a compreensão da magnitude da tragédia - à certa altura os três são os únicos com uma visão real do cenário - quanto a consciência de que pouco podem realmente fazer diante de um regime incapaz de assumir suas falhas. O trio está constantemente desesperado, hora de mãos atadas, hora disposto a por a vida em risco pelo bem maior, e conseguem demonstrar a complexidade de suas situações sem muitos roupantes de emoção, coisa a qual também não poderiam se entregar. É na sutileza que o elenco trabalha e acerta.

Os arcos menores são igualmente importantes, e eficientes na construção do cenário desta tragédia. Conseguimos ver além daqueles que estão no centro da tomada de decisões e isto nos dá maior dimensão do ocorrido na sociedade em questão. Desde os moradores que assistiam o incêndio despreocupados, passando pelo recrutamento de centenas de pessoas para contornar os danos, como os mineiros e os exterminadores de animais da zona de exclusão, todas histórias curtas que enriquecem o todo. A mais impactante é, provavelmente, a de Lyudmilla Ignatenko (Jessie Buckley), a esposa de um bombeiro de Pripyat, os primeiros na zona de acidente além dos funcionários.

Outra atuação que merece nota é a de Paul Ritter, é sobre seu Anatoly Diatlov, que recai o antagonismo da série. O engenheiro responsável pelos testes que culminaram no acidente, é apresentado como um retrato de seu regime. Inicialmente preocupado com números e resultados, ignorando riscos para alcançar suas metas. Depois, incapaz de encarar e assumir seus erros. Mesma atitude que vemos em menor escala, das demais autoridades envolvidas, e o país como um todo. Crítica nada sutil que a série "estadunidense" faz ao antigo governo, e que já inspirou uma resposta russa, que esta produzindo sua própria série sobre o incidente.

E por falar na produção, este é outro ponto excepcional de Chernobyl. A pesquisa para a reconstrução da época, construiu uma crível e nada caricata de uma União Soviética da década de 1980, desde os figurinos bastante característicos, até a recriação de cenários como a própria usina e a cidade vizinha de Pripyat. A maquiagem recria de forma assustadora os efeitos da radiação nas vítimas. A fotografia acinzentada cria uma atmosfera desesperançosa, enquanto a trilha sonora usa dos ruídos dos contador Geiger, para apontar o perigo, ao mesmo tempo que enerva a audiência, fornecendo ares de filme de terror para algumas sequencias.  

É claro, licenças narrativas e alterações precisam ser feitas para adaptação para a TV. Mas, a produção consegue detalhar e esclarecer de forma eficiente para o público comum o que provavelmente aconteceu no famoso incidente em Chernobyl, nos aspectos científicos, políticos e humanos. Eu digo "provavelmente", pois há sim outras versões da história, principalmente em relação a suas causas. E sempre haverão. Mesmo que você não acredite nesta versão dos fatos, é inegável dizer que a série da HBO, os contou de forma impecável.

Chernobyl começa nos mostrando a tragédia, sem explicar para nós, ou mesmo os personagens envolvidos, como esta é possível. Aos poucos, a narrativa compeça a destrinchar os efeitos do incidente, e finalmente a desvendar os motivos. É apenas em seu episódio final, que compreendemos o cenário completo. É assim para os personagens, e para o público. Um reflexo inegável da forma como este evento foi compreendido no mundo real, por trás das censura de informações do regime soviético. Afinal, ainda hoje não conhecemos 100% do que ocorrera ali, e talvez nunca conheçamos. Mas seus efeitos nos indivíduos, e no mundo, ficaram ainda mais fáceis de compreender.

Chernobyl tem apenas cinco episódios e é exibida pela HBO.
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sexta-feira, 7 de junho de 2019

Supergirl - 4ª temporada

sexta-feira, junho 07, 2019 0
Além de divertidas, as séries de super-heróis da CW costumam trazer boas, atemporais e tradicionais mensagens. Não é surpresa termos temporadas focadas na família, amizade, companheirismo, aceitação das diferenças, redenção, perdão e amadurecimento. Supergirl, entretanto surpreendeu ao escolher uma temática ousada, complexa e atual para abraçar em seu quarto ano.

Diferente das outras séries do Arrowverse focadas em humanos, meta-humanos e até pessoas com poderes mágicos, a Terra de Kara (Melissa Benoist) mostra a convivência entre alienígenas e terráqueos desde seu segundo ano. O impacto do acolhimento de outras raças, e suas condições, sempre estiveram como pano de fundo, mas agora estas questões se tornam o foco da trama. A partir de uma fagulha de medo que acende o ódio por aquilo que é diferente. Os aliens passam a ser vistos como ameça, e grupos radicais se organizam contra ele desde movimentos via internet, passando por organização nas ruas, até alcançarem postos de poder.

Não é mera coincidência, a semelhança com a situação dos imigrantes nos Estados Unidos governados por Donald Trump. Ou mesmo o ódio e hostilidades injustificados com aqueles considerados diferentes. O programa está sim fazendo analogia, e consequentemente uma crítica direta, a um pensamento crescente da sociedade atual. É nessa coragem, que reside o maior mérito e surpresa do quarto ano da produção.

O bem apresentado Ben Lockwood (Sam Witwer, ameaçador) é a figura que representa esse cenário. Inicialmente um "homem de bem", ele tem perdas relacionadas às atitude de alienígenas, o que criam seu ódio por estes indivíduos. Este ódio vira ativismo, e posteriormente, ele se torna um símbolo capaz de inflamar o mesmo sentimento em terceiros, colocando cidadãos comuns como antagonistas dos ideais da protagonista. Criando uma temporada de dilemas completamente novos. Infelizmente, este curiosa e assertiva "vilania" da humanidade é amenizada, assim como o peso de Lockwood na reta final, quando o roteiro os coloca como fantoches de um plano maior. É nessa reviravolta, e nos múltiplos arcos paralelos que as coisas ficam complicadas.

É em Lex Luthor (Jon Cryer, incapaz de se desassociar de trabalhos anteriores como Two and a Half Man, e A Garota de Rosa Shocking) o responsável pela "fase odiosa" da humanidade. Seu plano inclui agentes infiltrados, super trajes, tecnologia inexplicável e até uma cópia da Supergirl, a Filha Vermelha. O que faz todo sentido como plano mirabolante do personagem, mas enfraquece a construção de Lockwood e companhia até aqui. Seria ainda mais contundente para a mensagem que a série pretende passar, deixar a cargo das pessoas comuns as responsabilidade por seus atos. Nada de manipulação por grandes vilões que surgem no último momento. A humanidade pode sim, ser equivocada, preconceituosa e cruel por conta própria. Além disso, como sua revelação é guardada como grande reviravolta para o final da temporada, seu desenvolvimento é mais corrido, que construção do empasse humanos versos aliens.

Quem realmente se beneficia com a presença de Lex, é Lena Luthor (Katie McGrath). A personagem tem uma dinâmica interessante com irmão. E os atos do vilão evoluem os dilemas de sua natureza ambígua e sua relação de amor e ódio com Kara/Supergirl.

Outra relação desenvolvida de forma interessante é a de Alex (Chyler Leigh) e Kara. Com a memória apagada por opção para proteger a identidade da irmã, a agente do DOE passa pelas consequências da perda de referencia que ajudaram a construir sua personalidade, e precisa criar uma relação com a agora estranha supergirl. Infelizmente, este arco deixa de lado, outra trama da personagem iniciada na temporada anterior, o desejo de adoção e os dilemas de ser mãe que trabalha sozinha. Fica a torcida para que o tema volte aos holofotes no quinto ano.

Nia (Nicole Maines), foi outra grata surpresa. Mulher trans, meio-alien, meio-humana a moça é a representação máxima do diferente que vira alvo na trama principal (e também no mundo real). Seu desenvolvimento inicialmente tímido, trata com naturalidade a transexualidade, enquanto foca na evolução da moça como heroína. Embora os poderes da Sonhadora sejam um tanto quanto confusos ao final da temporada. Há ainda tempo para a personagem desenvolver uma relação com Brainy (Jesse Rath), humanizando o personagem que até então era apenas caricato.

Um pouco à parte da "agitação" J'onn (David Harewood) segue sua jornada própria na tentativa de seguir os passos pacifistas de seu pai. Mas é James Olsen (Mehcad Brooks), quem continua perdido na trama. Se antes o fotógrafo tinha pouco o que fazer, agora ele é usado como recurso, o personagem que os roteiristas decidem usar, quando não querem comprometer os demais. Assim o moço, é baleado, desenvolve poderes, e até vira símbolo involuntário do movimento anti-alienígena. Este último um raro bom uso do personagem. Ainda sim, Jimmy parece estar sobrando a maior parte do tempo.

São tantas tramas paralelas e reviravoltas, que quase não falei da protagonista. Supergirl deixa de ser a heroína unanime, para alguém que divide opiniões, depois se transforma na inimiga número um. Então, é Kara quem precisa salvar o mundo, como jornalista em um cenário onde as "fake news" desmoralizam o trabalho de profissionais de verdade (analogias continuam). Desmascarar os vilões, frear as hostilidades entre espécies, proteger sua identidade secreta, lutar com alguém idêntica a ela, a moça enfrenta de tudo um pouco, e apenas em poucas ocasiões esmorece. Pode parecer irreal o otimismo e determinação da moça, mas perfeitamente condizente com o símbolo de esperança que ela e seu primo representam.

E por falar no Superman (Tyler Hoechlin), Kal-El aparece apenas nos episódios do crossover Elseworlds. Traz consigo a Lois (Elizabeth Tulloch) à tira colo, e uma explicação plausível para seu desaparecimento, mesmo quando seu arqui-inimigo foge da cadeia.

Supergirl ainda sofre com o formato de 22 episódios. Para ocupar tanto tempo de tela, precisa criar diversas tramas paralelas e nem sempre consegue dar a devida atenção à todas elas. Mas, é uma série bem consciente das  mensagens que é capaz de passar, e faz uso disso.

É protagonizada não por uma, mas várias mulheres fortes, com dilemas distintos e bem escolhidos. E vai além abraçando sem medo temas atuais complexos. Talvez seja o primeiro encontro de muitos de seus expectadores mirins com tais assuntos. Sim, crianças! Apesar da complexidade temática da trama, sua abordagem é simples e clara, e o tom é aquele bastante familiar: uma aventura de super-heróis mirabolante, colorida e divertida para toda a família.

Supergirl, é exibida no Brasil pela Warner, e suas Três primeiras temporadas estão disponíveis na Netflix.

P.S.: A quem interessar possa, a maquiagem e os efeitos especiais continuam limitados, caricatos e artificiais na maior parte do tempo, mas agora já é uma característica da produção.

Leia mais sobre Supergirl, ou continue no Arrowverse com Flash, Legends of Tomorrow.

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