segunda-feira, 22 de abril de 2019

O Cavaleiro dos Sete Reinos

Os fãs podem até reclamar da demora de George R.R. Martin para publicar as sequencias de suas aventuras, mas não podem nunca dizer que o autor escreve pouco, ou ainda que seu universo seja limitado de alguma forma. O Cavaleiro dos Sete Reinos são o melhor exemplo disso. O volume reúne três contos lançados entre 1998 e 2010, que acompanham um par de protagonistas que perambulam por Westeros, com tom e formato próprios.

O cavaleiro andante Sor Duncan, o alto e seu escudeiro o garoto Egg em suas viagens em buscas de missões, cerca de um século antes dos acontecimentos de As Crônicas de Gelo e Fogo. É pelas crônicas inclusive, que os destinos de "Dunk e Egg" são conhecidos, o cavaleiro se tornará Lorde Comandante da Guarda Real, durante o reinado de seu escudeiro, um príncipe Targaryen disfarçado.

Calma, você não leu um spoiler, apesar de ser tratada como uma grande revelação em seu primeiro conto, à identidade de Egg (apelido de Aegon, que também faz referência à sua cabeça raspada que se assemelha à um ovo - egg em inglês - para esconder o cabelo platinado característico de sua família) é mencionada nos materiais promocionais do livro, e uma informação bastante conhecida no universo de Martin. Além disso, sua ascendência nobre é um dos fatores que tornam sua relação com Dunk, tão interessante. É na dinâmica entre os dois que as aventuras se sustentam.

Duncan é um jovem cavaleiro pouco experiente, sem educação, mas cheio de bons princípios e conhecedor da vida mundana. Já Egg é garoto estudado e cheio de atitude, que precisa aprender a viver como plebeu. De mundos completamente diferentes, a dupla até tem seus atritos, mas a principal característica é o fato deles se complementarem muito bem. Um aprende e evolui com a presença do outro. Além de ser muito divertido observar um plebeu sem modos educar um membro da realeza.

Diferente do complexo formato de múltiplos pontos de vista das Crônicas de Gelo e Fogo, O Cavaleiro dos Sete Reinos tem um formato mais tradicional. Um narrador onipresente, que acompanha especificamente Sor Duncan. Um estilo mais familiar e consequentemente, mais confortável de ler. O tom também é mais leve e aventuresco, o que não significa que não hajam grandes batalhas e mortes. Já as conexões, se dão apenas pelo fato da história se passar no mesmo universo, com locações e famílias em comum. Mas o momento da história do continente é outro, e a grande maioria dos personagens aqui, são aqueles mencionados como história antiga nas aventuras de Jon Snow e companhia.

Outro aspecto singular destas primeiras aventuras de Dunk e Egg é que suas histórias mostram o cotidiano de "pessoas comuns" dos sete reinos. Longe das grandes disputas políticas, mesmo quando cercados de lordes, estes são de casas menores e pouco ativas nos assuntos do reino. Visão pouco abordada nas crônicas. Entretanto, o terceiro conto deixa bem claro que isso pode mudar em aventuras futuras (Martin tem planos para muitas), conforme Egg cresce, suas responsabilidades com a família se tornam uma questão, e sua improvável encascação ao trono se torna uma opção. Aegon, é o quarto filho de um quarto filho, uma posição bem distante na linha sucessória, mesmo assim é sabido que ele se tornou um bom rei. Também é bem claro aqui, que sua relação com Sor Duncan foi crucial na construção do caráter que o tornaria um bom regente.

O Cavaleiro Andante, é o primeiro dos contos. Lançado em 1998 mostra como a dupla se conheceu durante o torneio de Vaufreixo. A Espada Juramentada mostra o período em que Duncan serviu como espada juramentada de um senhor da campina. Onde precisa lidar com as rixas entre os senhores menores da região, agravadas pela seca. Em O Cavaleiro Misterioso, Dunk e Egg vão ao casamento de Lorde Ambrose Butterwell, em Alvasparedes. Uma festa com banquetes, um torneio com um grande prêmio e convidados suspeitos. As aventuras seguem uma ordem cronológica, mas não são imediatas. Saltando pequenos espaços de tempo entre um episódio de interesse e outro.

George R.R. Martin pretende publicar mais contos cobrindo vários momentos da vida destes personagens. Mas o autor ainda não definiu quantas histórias serão, e muito menos quando elas serão publicadas. Sabe-se que na próxima aventura os heróis rumarão para o norte. O autor também não pretende liberar os direitos para produção de filmes e séries enquanto não terminar suas histórias.

Falando em termos de clássicos de fantasia, O Cavaleiro dos Sete Reinos está para As Crônicas de Gelo e Fogo, assim como O Hobbit está para O Senhor dos Anéis. Oferece um pouco mais de tempo em um universo rico no qual adoramos mergulhar, mas sem o peso e responsabilidades de seus "irmãos mais longos". O fato de conhecermos o desfecho dos personagens não interfere em nada em nosso receio por seu bem estar. Eles são os heróis dos quais os westerossi gostam de ouvir histórias e canções, e nós descobrimos o porquê. É leve, divertido, emocionante, traz personagens carismáticos e como bônus ainda enriquece nosso imaginário sobre os sete reinos.

O Cavaleiro dos Sete Reinos
George R.R. Martin
Leya


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