2018 - Ah! E por falar nisso...

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Bird Box

segunda-feira, dezembro 31, 2018 0
Não raramente, os bons filmes sobre o fim do mundo não tratam do apocalipse propriamente dito. E sim, das pessoas enfrentando a catástrofe, ou mesmo o mundo após. O que torna cada filme único, são as imposições que a nova ordem impõe à sobrevivência, e principalmente as personalidades que a habitam. É por esse caminho que segue a nova produção da Netflix.

Em Bird Box, Sandra Bullock é Malorie. Solteira, prestes a dar a luz ao primeiro filho não planejado, ela tem dificuldades em se conectar com as pessoas, quando um evento apocalíptico a força a conviver com desconhecidos. Cinco anos mais tarde, a protagonista atravessa descendo um rio, com duas crianças, todos com vendas nos olhos.

Sim, a premissa é conheida, o diferencial aqui é como a história é contada em dois momentos no tempo. Saltando enter o momento em que o mundo mudou drasticamente, quando algo levava pessoas cometerem suicídio,e o presente cinco anos mais tarde em um barco. Aguçando a curiosidade do espectador pelo que aconteceu no intervalo entre estes dois momentos.

No passado, a tensão é construída pela convivência forçada com estranhos. Um grupo que atende aos estereótipos do gênero, os opostos que agora são obrigados a conviver, o medroso, o altruísta, o ingênuo, e por aí vai. Á exceção é o nada agradável personagem de John Malkovich, que cria uma dinâmica interessante com a personagem de Bullock. 

Outro ponto de tensão é a necessidade de entender a ameaça, e encontrar maneiras de sobreviver à ela. A forma como o grupo deduz que a ameaça ataca aqueles que olha para ela, é aleatória e bastante questionável. Entretanto, o que importa aqui, é como eles lidam com essa informação, não como a obtiveram. Além das eficientes metáforas sobre gaiolas, a tal caixa de pássaros do título.

Também forçadas são algumas escolhas previsíveis e até clichês do roteiro. Como a pessoa ingênua que coloca o grupo em risco. Ou mesmo o acúmulo de acontecimentos simultâneos improvável no clímax. Há até um parto duplo!

De volta ao presente, a tensão é criada pela privação de um dos sentidos. É aqui que reside a comparação que muitos tem feito com outro thriller deste ano, Um Lugar Silencioso. A imersão aqui não é tão eficiente quando na produção onde é proibido fazer barulho, mas a escolha por não mostrar a ameaça - se eles não podem ver, nós também não - é eficiente. E somada à solidão e a agressividade da natureza, cria sequencias enervantes.

O escorregão aqui fica no mal explorado uso das crianças. Super obedientes e sem personalidade distinguíveis Garoto e Garota (Julian Edwards e Vivien Lyra Blair) são fofos, indefesos e apenas isso. O que torna pouco crível quando a menina esboça medo da protagonista. Porque ela tem medo? Desde quando? Porque nunca expressou isso, nas mais de quarenta horas que a acompanhamos no rio? O tema tinha potencia, mas foi mal desenvolvido.

A conexão entre os dois tempos, é acertadamente feita através dos desafios que Malorie encontra no futuro, e a situação no passado que lhes deu a ferramenta para lidar com eles. A produção não tem medo de mostrar violência, e potencializa o terror dessas cenas. O destaque fica com a sequencia onde o cataclisma ocorre, com o caos instaurado nas ruas e a excelente, porém extremamente curta, participação de Sarah Paulson.

Baseado no livro Caixa de Pássaros de Josh Malerman, Bird Box acerta em se preocupar com as relações humanas, dispensando explicações sobre o evento que acomete a humanidade. Novamente, se os personagens não sabem, nós também não precisamos. As poucas descobertas dos sobreviventes, são feitas ao mesmo tempo pelo público. Isso gera uma empatia orgânica e eficiente, mesmo com personagens mais genéricos. Focada no tema da maternidade e da conexão que permeiam a produção, Sandra Bullock consegue conferir empatia e temor suficientes para que Malorie carregue a produção, com a urgência que deixa o espectador na beirada da cadeira por toda a projeção. No final, é um filme sobre uma mãe no fim do mundo.

Bird Box
2018 - EUA - 124min
Suspense, Terror

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quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

O Retorno de Mary Poppins

quinta-feira, dezembro 27, 2018 0
Sequencias, remakes, reimaginações, adaptações, há quem diga que estamos em uma era em que pouco se cria no cinema. Há também quem aposte todas as fichas na nostalgia e familiaridade. Logo, é inevitável questionar a existência de alguns títulos, quando seus originais ainda funcionam perfeitamente para o público atual. Sendo assim, as questões aqui são, se a existência O Retorno de Mary Poppins se justifica para audiência de hoje, e se este consegue fazê-lo sem macular a memória do clássico com Julie Andrews.

Em uma Londres ainda abalada pela Grande Depressão, Mary Poppins (Emily Blunt) retorna à casa da família Banks, supostamente para tomar conta de Annabel (Pixie Davies), Georgie (Joel Dawson) e John (Nathanael Saleh). Mas, assim como o original são os adultos quem mais precisam da babá. Os irmãos Jane e Michael Banks (Emily Mortimer e Ben Whishaw) enfrentam dificuldades desde a morte da esposa de Michael, e a casa da família está em risco.

Apesar de ser praticamente perfeita em todos os sentidos, personagem título não dispensa ajuda em suas missões. Aqui ela conta com o apoio de Jack (Lin-Manuel Miranda), pupilo de Bert (Dick Van Dyke), para levar as crianças para aventuras em mundos animados, visitas a personagens únicos, e também para ter um gostinho de mundo real, com muita música dança e aprendizado.

Sim, o roteiro desta nova aventura é praticamente o mesmo do longa de 1964. A semelhança vai desde elementos e situações, passando pela ordem em que as coisas acontecem, até os momentos de virada. A aposta aqui é sem dúvida na nostalgia gerada pela familiaridade. E funciona. É difícil não esboçar um sorriso, ao reconhecer uma referência ou homenagem ao clássico com que crescemos.

Por outro lado, esta referência exagerada, torna impossível evitar a comparação. É aqui que a produção perde um pouco de seu brilho. Chega a ser injusto, comparar as boas canções e números musicais da produção atual, com os clássicos que sabemos de cor. A sensação é de que nenhuma canção é tão marcante quanto os que já conhecemos, e nenhum dos números se destaca ao ponto de continuar com você após a sessão. Tudo soa um pouco repetitivo, e pode decepcionar quem esperava algo à mais.

No entanto, na comparação mais complicada o filme se sai muito bem. A Mary Poppins de Emily Blunt, tem uma personalidade mais afinada com os tempos atuais, sem no entanto descaracterizar a personagem apresentada por Julie Andrews em 1964. A postura, ternura e trejeitos, ainda estão lá, mas o tom é um pouco mais moderno, permitindo que Blunt imprima sua marca na composição.

E por falar no elenco, Ben Whishaw tem alguns momentos mais tocantes, mas no geral o elenco adulto formado por grandes nomes tem poucas cenas para trabalhar. Emily Mortimer, Julie Walters, Colin Firth e Meryl Streep são eficientes, mas sabemos que sempre podem oferecer mais, quando o roteiro permite. Lin-Manuel Miranda praticamente divide o protagonismo com Blunt, e o faz bem, mas seu personagem, uma "nova versão de Bert" é o que mais deve sofrer com comparações. O elenco mirim cumpre sua função de serem fofos, se encantarem pelo mundo, com o bônus de serem um pouco mais responsáveis e independentes que seu pai na mesma idade.

Entretanto, todos os grandes nomes em cena nenhum chama mais atenção que Dick Van Dyke. Único ator da produção original a retornar, aos 93 anos, faz uma participação curta, porém marcante. Cheia de referências, com música, e pasmem, dança!

De volta ao filme, honestamente não sei se a molecada atual acostumada com CGI se encantará com os efeitos especiais deste longa, tão facilmente quanto nós encantamos com o original da era pré-computação gráfica. Potencial para tal as sequencias tem. Além disso, as cenas fazem uso bom uso de efeitos práticos, e quando não, emulam muito bem o estilo e atmosfera do primeiro filme com eficiência. O mesmo vale para figurino, fotografia e cenários, que nos transportam de volta ao número 17 da Rua das Cerejeiras com sucesso.

Fruto de seu tempo O Retorno de Mary Poppins, é aquela sequencia com gostinho de remake, semelhante à O Despertar da Força. A diferença aqui é que não há intenções claras de tentar estender a franquia. Não que isso não seja possível. Por hora, a produção cumpre aquilo à que se propôs, trazer a babá criada por P.L.Travers para novas gerações. E, principalmente, fisgar aqueles que já são fãs, através da nostalgia e reverência ao original.

O Retorno de Mary Poppins (Mary Poppins Returns)
2018 - EUA - 130min
Musical, Aventura, Fantasia
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segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Filmes de Natal da Netflix - edição 2018

segunda-feira, dezembro 24, 2018 0
Juro que tentei, mas não dei conta de assistir e resenhar todos os filmes natalinos da Netflix à tempo do Natal. Acontece que a plataforma de streaming dicou animada com o sucesso dos títulos lançados no ano passado (leia sobre eles aqui), e resolveu caprichar nas encomendas para as festas de 2018.

Mesmo assim, resolvi fazer um "resumão" das produções originais da Netflix neste natal. Segue agora aquela, lista marota para te ajudar à escolher a montar a sua maratona desta noite feliz:

O Natal de Ângela

Ângela (voz de Lucy O'Connell) é a terceira filha de uma família de quatro crianças, criadas à com dificuldade, porém muito amor, por uma mãe sozinha. Em uma noite de Natal fria, a família irlandesa vai a missa, e a menina fica preocupada com o Menino Jesus do presépio da igreja, sem roupas no frio do hemisfério norte. Logo, ela decide levar o bebê para casa, para aquecê-lo.

É a aventura do caminho até em casa, e as consequências de sua atitude altruísta que acompanhamos neste curta de animação. O conto de Frank McCourt, é adaptado com inocência e doçura. A interação da menina com o "Menino Jesus Imaginário", é curiosa e divertida. Enriquece a imaginação dos pequenos, e relembra os mais velhos de um tempo em que acreditávamos que tudo era possível. 

A animação não é super-realista, na fluidez de movimento como produções da Dreamworks e Pixar, mas funciona. O visual é bonito com cenários bem construídos, personagens carismáticos e uma fotografia que constrói a atmosfera da história. Ruth Negga e Brian Gleeson estão entre os dubladores.

O Natal de Ângela é uma história singela, bem contada e sincera. Tem potencial para se tornar um clássico da época.

O Natal de Ângela (Angela's Christmas)
2018 - Irlanda, Canadá - 30min
animação, Aventura


O Feitiço do Natal

Não sei porquê o título nacional desta produção não seguiu o título original "O Calendário de Natal, ou do feriado" (The Holiday Calendar), descreveria bem melhor este romance açucarado como um biscoito natalino. Não que a produção precise de grande explicações. 

A talentosa fotógrafa Abby Sutton (Kat Graham) está empacada em um emprego sem futuro. Um calendário mágico que recebeu de presente de seu avô, vai mudar sua rotina ao fornecer pequenas previsões para cada dia do mês de dezembro. Inclua aqui interesses amorosos, e novas perspectivas de carreira.

É um tradicional romance de Natal, daqueles com mágica, boas lições e um final previsível. Um pouco mais arrastado que o necessário, Abby tem completa consciência de seus problemas, mas demora uma eternidade para fazer algo a respeito.

O Feitiço do Natal está perfeitamente encaixado na categoria "guilty pleasure". Atuações medianas, roteiro previsível e produção meia-boca, mas atende àqueles que procuram familiaridade e final feliz garantido. A surpresa fica por conta da presença de Ron Cephas Jones no elenco.

O Feitiço do Natal (The Holiday Calendar)
2018 - EUA - 95min
Romance

Se Beber Não Ceie - Especial de Natal do Porta dos Fundos

Bem que podia se tratar de um especial de Páscoa, já que se passa durante a A Última Ceia de Jesus e seus apóstolos. E caso o título não tenha entregue, é uma paródia que mistura o evento bíblico com a comédia Se Beber Não Case. Na manhã seguinte à ceia, os apóstolos acordam sem saber onde está Jesus. Assim como na comédia com Bradley Cooper, aos poucos eles unem os pedaços, do que aconteceu na noite anterior, regada à todo o vinho que o messias é capaz criar à partir da água.

Algumas piadas e críticas são realmente boas, como a do candidato à vaga de messias, já que o filho de deus atual anunciou sua partida. Ou ainda, a forma como toda a culpa cai no colo de judas. Entretanto, não sei se uma ou outra tirada boa, compensam as muitas outras que facilmente serão classificadas como desrespeitosas. Eu não sou religiosa, e achei que o bom gosto passou longe em vários momentos.

Entretanto, o roteiro de Fábio Porchat tem o humor típico do Porta dos Fundos, e reúne a trupe. Deve agradar quem já é fã, e não tenha fortes convicções religiosas. Com esta blogueira que vos escreve, este tipo de comédia funciona, em pouquíssimos momentos, mas tem quem ame. Não é atoa, que os especiais natalinos do grupo já sejam uma tradição de fim de ano, e pela primeira vez migraram do YouTube para a Netflix.

Se Beber Não Ceie
2018 - Brasil - 44min
Comédia

Crônicas de Natal

De longe a melhor produção natalina do serviço. A produção de Chris Columbus, tem espírito das aventuras da década de 1990, e um excelente Papai Noel na pele de Kurt Russel.

A Princesa e a Plebéia

Típico caso de pessoas desconhecidas idênticas que resolvem trocar de vida, e acabam descobrindo algo mais no processo. Com Vanessa Hudgens como as duas personagens do título, é uma comédia romântica divertidinha.

O Príncipe do Natal: O Casamento Real

Sequencia do curioso sucesso de 2017, acompanha os preparativos para o casamento de Amber (Rose McIver) e o agora Rei Richard (Ben Lamb). As dificuldades da moça em entender os protocolos da corte, podem não ser tão divertidos quanto a aventura original.

Faltou apenas assistir a comédia italiana Natal 5 estrelas, que pela sinopse parece ser uma versão natalina de Um Morto Muito Louco. Quem já conferiu essa?

Vale lembrar, essa lista abrange apenas as produções originais da Netflix. A Plataforma tem outros clássicos de Natal disponíveis em seu catálogo. E aqui no blog, tem críticas de vários filmes natalinos, vem conferir. E depois me conte, quais foram os filmes de sua maratona para esperar o bom velhinho?


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sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Bumblebee

sexta-feira, dezembro 21, 2018 0
Todos sabem, o cachorro é o melhor amigo do homem. Há também aqueles tem adoração e até nomeiam seus veículos. Imagine, se seu carro tomasse vida e se tornasse um companheiro de aventuras, tão fiel quanto qualquer pet? Este é Bumblebee. É claro, o autobot amarelo mais querido da franquia Transformes, tem sua própria agenda em seu filme solo. Mas a luta para salvar Cibertron é apenas pano de fundo para a amizade entre homem garota e seu carro robô.

O ano é 1987, e Bumblebee (voz de Dylan O'Brien, sim ele fala) vem estabelecer uma base segura para seus companheiros na Terra. Machucado e desmemoriado após a batalha, ele se refugia na forma de um fusca, e encontrado e consertado por Charlie (Hailee Steinfeld). A adolescente acaba de completar dezoito anos, se encontra perdida desde a morte do pai. A amizade vai mudar a vida da dupla e salvar o futuro dos autobots.

Não é apenas o futuro da raça robótica que Bumblebee pretende salvar. Esgotada e esvaziada ao longos dos anos, a franquia Transformers, vê neste spin-off a possibilidade de renovação, resgate de fãs e conquista de um novo público. Como realizar tal tarefa? Indo completamente na contra mão dos seus "primos" anteriores. Esta aventura, é mais simples, contida e menos pretensiosa que qualquer outro longa dos robôs alienígenas.

Ao não se levar tão a sério, e apostar na relação entre a jovem e seu fusca, e nos arcos individuais destes, o filme acerta na construção de empatia com o público. Charlie é uma garota independente, que entende de mecânica e não tenta atender às convenções sociais, além de ser a primeira protagonista feminina na franquia, após 5 longas metragens. Sem memória, e com mais expressão que em suas encarnações anteriores, "Bee", é quase como uma criança descobrindo e se adaptando a este novo mundo.

A amizade entre os dois, desenvolve seus arcos individuais, ele vai redescobrir sua missão, enquanto ela vai aprender a lidar melhor com o luto. Não faltam cenas da dupla, interagindo, descobrindo o mundo e curtindo à vida - acrescente aqui, o interesse amoroso Memo (Jorge Lendeborg Jr.) - e são essas as melhores sequencias da produção. Evocando de clássicos oitentistas de Spielberg e John Hughes, onde a amizade era o foco da produção.

E por falar na década de 1980, esta é bem representada na produção. Uma bem feita reconstrução da época através de figurinos, objetos e cabelos situa a história. Mas é a fotografia dourada, e com cores desgastadas que traz o tom nostálgico, que ainda recebe um reforço da trilha sonora repleta de clássicos da época.

A construção dos personagens em computação gráfica é eficiente como em outras produções da franquia. Mas, aqui com um bônus de estarem em menor número e envolvidos em uma batalha menor. O diretor Travis Knight (Kubo e as Cordas Mágicas), tem larga experiência com animação em stop-motion, e isto lhe dá uma vantagem sobre Michael Bay, diretor dos longas anteriores, na criação das cenas de ação. Em outras palavras, as batalhas são bem coreografadas e filmadas, e finalmente podemos compreender o que está acontecendo. Aspecto que também é beneficiado pelo escopo mais contido do longa. Com menos personagens em cena, e lutas que não envolvem dezenas de locações ao redor do mundo é possível dar mais atenção aos detalhes, e entregar um produto melhor estruturado para o espectador.

Além da carismática e eficiente Steinfeld, o elenco ainda conta com Pamela Adlon, Jason Drucker e Stephen Schneider, que completam a divertida família disfuncional de Charlie. John Cena e John Ortiz são os representantes da "parte militar" do filme. Peter Cullen volta a dar voz a Optimus Prime, enquanto Angela Bassett, Justin Theroux e David Sobolov, emprestam as vozes para os principais decepticons. Na versão brasileira, Guilherme Briggs também retorna no papel de líder dos autobots, e Paolla Oliveira interpreta a vilã Shatter.

Pensando como entretenimento para toda a família, no melhor estilo "Sessão da Tarde", Bumblebee pretende agradar os fãs mais antigos através da nostalgia, ao mesmo tempo que o tom mais leve e aventureiro deve atrair novas gerações. Mais contido, bem construído e apostando mais nos personagens que nas pirotecnia - calma ainda tem bastante explosões em cena - é provavelmente o melhor filme da franquia. É o sopro de vida e renovação os Transformers tanto precisavam. Te desafio a não querer um "Bee" de estimação após a sessão.


Bumblebee
2018 - EUA - 113min
Aventura, Ação, Ficção-científica


Leia a crítica de outros filmes da franquia Transformers

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quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Elseworlds

quinta-feira, dezembro 20, 2018 0
Enquanto no cinema a DC anda a passos lentos, e tenta ajustar seu universo, na TV a atividade heroica anda a todo vapor. Uma tradição já estabelecida desta bem sucedida empreitada, é o encontro anual de seus personagens em um gigantesco crossover. Entretanto, Elseworlds, o encontro deste ano foi mais contido e menos acertado que os bem sucedidos Invasion! e Crisis on Earth-X.

No episódio de The Flash que inicia a nova aventura, Barry (Grant Gustin) e Oliver (Stephen Amell) acordam com as vidas trocadas. Como os amigos de sua Terra não acreditam neles, a dupla parte para a Terra 38, na esperança de que Kara (Melissa Benoist), os reconheça. Em Arrow, o trio vai a Gotham procurar quem anda alterando a realidade. E no capítulo de Supergirl é que a batalha propriamente dita acontece.

Sentiu falta das Lendas? Pois é a ausência de DC's Legends of Tomorow é uma das primeiras indicações de que este crossover é mais contido. A medida parece tentar contornar o maior problema dos encontros anteriores, o excesso de personagens. Com tanta gente em cena para administrar, eventualmente alguém desaparecia ou era deixado de escanteio, até que o roteiro precisasse de suas habilidade. A medida melhorou o vai-e-vem de personagens, mas não solucionou o problema completamente. Caitlin (Danielle Panabaker) e Cisco (Carlos Valdes) ganharam mais relevância, mas Iris (Candice Patton) e Felicity foram relegadas ao pobre papel de meros interesses amorosos dos heróis. O caso da Hacker é ainda mais grave, já que ela sempre teve maior relevância nos encontros anteriores.


Quem também ganha um tempo satisfatório de tela é o casal Lois (Elizabeth Tulloch) e Clark (Tyler Hoechlin). A jornalista é apresentada no especial, e a dupla visita o "Arrowverse" pela primeira vez, com direito a referências à série Smallville. O fã service agradou à audiência, assim como a química entre o casal. Particularmente, eu não gosto desta versão do Superman, e consequentemente sua parceira, mas isso é assunto para outro post.

Outra que é apresentada, já de olho em uma série própria, é a Batwoman (Rubi Rose), a cargo de Gotham desde que seu primo mais famoso desapareceu. Qualquer semelhança com a série da garota de aço não é mera coincidência. De fato, a interação entre as duas é a única coisa realmente interessante nesta primeira aparição.

Também é interessante como os roteiristas conseguem manter os tons distintos das séries, ao mesmo tempo que mantém a aventura coesa como se fosse um único filme. Ignorando os títulos e créditos, as diferenças entre os episódios são notadas na já mencionada mudança do elenco de apoio. Mas principalmente na atmosfera de cada uma delas, o episódio The Flash é bem humorado e repleto de piadinhas. A noite chega para contar a parte do episódio de Arrow, mais sombrio e realista. Quando Supergirl chega o que prevalece é o positivismo, e a profusão de altruísmo em cena.

Referência gratuita, Flash da série da década de 1990!
Já os fãs-services nem sempre funcionam tão bem. À exceção da referência a Smallville, e uma ou outra passagem acertada, como aquela que aponta que Diggle (David Ramsey) é um Lanterna Verde em outra Terra, a maioria das referências não tem função na trama. É uma profusão de piadinhas e informações gratuitas, que pode incomodar alguns e levar outros à loucura. É realmente uma questão de gosto e tolerância.

De volta aos protagonistas, é na relação entre Arrow e Flash que que a trama se realmente se baseia. Com as vidas e habilidades trocadas um precisa, se colocar no lugar do outro. Oliver percebe que a vida do corredor escarlate não é tão simples por todos gostarem dele, ou por seus poderes terem sido adquiridos quase que magicamente. Já Barry descobre que a força do amigo vem da raiva e traumas que este enfrentou. É claro, nesse meio tempo, a dupla aproveita para brincar e espezinhar um ao outro, como bons amigos fazem. Isso, deixa a Supergirl como mera administradora dos conflitos entre os dois. O que não seria um problema tão grande, considerando que na hora que a coisa complica ela é a mais poderosa do trio, e por isso teoricamente indispensável.

Entretanto, a última filha de Kripton é eclipsada pela presença de seu primo mais famoso e experiente, inclusive no episódio de sua própria série. De uma ora para outra, é Clark quem vira o grande salvador, enquanto Kara e Barry são relegados à tarefas secundárias. Ao menos Oliver tem seu momento de crescimento, ao confrontar o vilão e apontar a diferença entre sua natureza de vigilante e a o altruísmo heroico de seus companheiros.

E por falar nos vilões, Dr. John Deegan (Jeremy Davies) tem motivações rasas, escolhas duvidosas e métodos pouco eficazes, mas se encaixa na categoria louco megalomaníaco. Enquanto o The Monitor (LaMonica Garrett), não diz muito a que veio, já que sua ameaça é na verdade um prelúdio de algo maior. É aqui que encontramos outro aspecto que torna este crossover menor que os anteriores. Elseworlds é na verdade um grande teaser do próximo grande encontro dos heróis televisivos da DC na TV. Crise nas Infinitas Terras é uma das mais exaltadas histórias dos quadrinhos e já foi confirmada como o próximo encontro encontro das séries, a ser realizado em 2019.

Elseworlds não é o melhor, muito menos o maior encontro de heróis da DC na telinha, mas é divertido. Mais simples e econômico, acerta ao apostar na química entre seus protagonistas, é a primeira vez que realmente vemos Barry, Kara e Oliver trabalhando juntos. Entretanto, seu ponto mais forte no entanto está mesmo na promessa, de um novo, maior e mais espetacular crossover que ele traz. Falta muito para 2019?

*No Brasil Elseworlds foi exibido em forma de maratona, apenas em versão legendada, no último domingo (16/12) na Warner Channel. O canal ignorou a linha do tempo das exibições regulares e até forneceu alguns spoilers. As versões dubladas dos episódios devem ser exibidas na ordem cronológicas em suas respectivas séries.

Leia mais sobre The Flash, Supergirl, confira as críticas dos outros crossovers, Invasion!, Duet e Crisis on Earth-X.

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quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D. - 5ª temporada

quarta-feira, dezembro 19, 2018 0
Felizes foram aqueles que não desistiram de Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D. lá no desequilibrado primeiro ano, pois a série não para de evoluir e melhorar, fazendo uso de todas as possibilidades que MCU oferece. A temporada que acaba de chegar ao fim na Sony (com vergonhosos seis meses de atraso em relação à exibição "estadunidense"), não apenas supera o excelente quarto ano, como reúne referências de todos os anos da série e encerra um ciclo de forma coerente e extremamente criativa.

Os esforçados agentes secretos não tem mesmo descanso, nem mesmo direito à uma pausa para um lanche. Após escaparem da matrix estrutura são abduzidos não apenas do planeta, mas também do presente. O primeiro dos dois arcos em que a quinta temporada se divide, leva os personagens à um futuro apocalíptico onde a Terra foi destruída e o que restou da humanidade vive em uma estação espacial sob sendo escravizados por Krees.

Compreender o que aconteceu, como esta nova ordem funciona, o porquê foram levados para este cenário, e como sobreviver, voltar para casa e impedir que este futuro aconteça, mantém o nível de tensão desta primeira metade elevado. Os mistérios e perigos enfrentados nesta fase, surpreendem pelo tom mais pesado e vão de tortura à desmembramentos e decapitações inesperados. A trama aposta na confiança que estes personagens tem uns nos outros, construída ao longo de quatro temporadas, para torná-los uma unidade coesa e consistente - inclusive entre o elenco, já confortáveis em seus papéis - apenas para desconstruir tudo na segunda metade da temporada.

É no retorno para casa que as consequências dos muitos anos de aventuras finalmente alcançam a equipe, e a unidade eficiente que vimos até então começa a ruir de dentro para fora, enquanto lutam com o último resquício da Hidra que aparentemente ajudou a causar o tal colapso no planeta. A mais afetada física e mentalmente, Yo-Yo (Natalia Cordova-Buckley) tenta a todo custo impedir que o futuro se realize, mesmo que isto lhe obrigue a desobedecer ordens, lhe custe seu relacionamento com Mack (Henry Simmons) e mesmo sua vida. Daisy (Chloe Bennet), lida com a possibilidade de ser a destruidora do mundo, e com o papel de liderança que Coulson (Clark Gregg) almeja para ela.

O casal Fitz e Simmons (Iain De Caestecker e Elizabeth Henstridge) constantemente separados, resolvem se manter juntos todo o tempo metafórica e literalmente, e trabalhar para resolver tudo mesmo acreditando que a linha do tempo é fixa. O rapaz, ainda lida com os resquícios de sua personalidade implacável na estrutura. Graças a isso Caestecker é quem mais se destaca ao precisar trabalhar camadas e nuances de seu personagem. Trazido dos mortos após o primeiro Vingadores, as consequências desta sobrevida começam, a alcançar o diretor da S.H.I.E.L.D.. E May (Ming-Na Wen) entra em conflito com tanto com as escolhas do chefe quando de sua substituta eleita por ele, Daisy. O objetivo da equipe ainda é comum, salvar o mundo, mas os métodos, escolhas e crenças não poderiam ser mais distintos. Cabe à Mack o papel de tentar reconciliar a todos.

Mais do que qualquer ameaça, é esta ruptura da equipe que causa os melhores conflitos da temporada. Deixando o espectador constantemente preocupado, não apenas com a salvação do mundo, mas com o futuro da equipe e dos personagens individualmente. Assim os dois arcos distintos se completam organicamente. A primeira metade passada no futuro, apresenta a ameaça e enfraquece a equipe. A segunda parte, precisa impedir os eventos futuros com um time fragmentado e em constante conflito. Explorando de forma completamente nova as relações entre eles, e consequentemente desenvolvendo o arco pessoal de cada um.

Neste meio tempo reencontramos, alguns personagens e conceitos dos anos anteriores. Glenn Talbot (Adrian Pasdar), os Krees, o preconceito contra inumanos e a exploração de seus poderes, humanos buscando habilidades especiais, pedras que abduzem pessoas, aventuras no espaço, o soro da centopéia e claro, a Hydra, o programa passeia por todo o universo cinemático da Marvel. O uso destes retornos e referências e coerente e bem realizado, embora exija um esforço de memória do espectador. Confesso, eu já não lembrava de alguns nomes e detalhes. Isso torna esta temporada bastante inacessível para novatos, mas é um prato cheio para seu público cativo.

Hydra resiste, com direito à elenco do Disney Channel e participação de personagens da primeira temporada!

Há ainda, espaço para referências leves ao que está acontecendo com o mundo nos cinemas. Embora a série termine convenientemente momentos antes do desfecho de proporções universais de Vingadores: Guerra Infinita. Poupando os roteiristas de lidar com mais uma complicação. Que também deve ser evitada no já confirmado sexto ano, já que os novos episódios só retornam após os heróis da tela grande resolverem tudo em Vingadores: Ultimato.

Todo este resgate de temas é na verdade o encerramento bem estruturado de um ciclo, o season-finale tem um gostinho de encerramento e despedida, e nenhum gancho para o próximo ano. Se a série fosse encerrada ali, seria um final satisfatório. O mais importante e definitivo desfecho é no arco de Coulson. O personagem é praticamente um coringa, sendo levado onde necessário, passeou por todos os formatos deste universo, cinema, web-séries e TV.

O tom de encerramento entretanto, não significa que os fãs não tenham o que especular sobre as já confirmadas sexta e sétima temporadas. Afinal, com os ciclos encerrados a série pode tomar qualquer caminho. E só podemos esperar que este seja tão eficiente e bem amarrado, quanto a história até aqui.

O ponto mais fraco é a limitação técnica, de cenários e figurino, típica de séries televisivas, nada que comprometa o resultado final. Os efeitos especiais e figurinos são aqueles já esperados para o tipo de programa. Não são espetaculares, mas funcionam. Já limitação de cenário, a série se passa quase toda dentro da base secreta chamada o Farol, inclusive em épocas distintas, é contornada pelo roteiro. 

Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D. entregou uma quinta temporada, frenética, complexa e bem resolvida e fez bom uso de todos os recursos possíveis para isso. - Mencionei que eles ainda brincaram com viagem no tempo? - Mesmo mais distante dos acontecimentos do cinema, à sua maneira a série também comemorou os 10 anos de MCU, e seus cinco anos e 100 episódios, resgatando de tudo um pouco, e criando uma retrospectiva acidental excelente.

Agents of S.H.I.E.L.D. é exibida no Brasil pelo canal Sony. Todas as temporadas já estão disponíveis na Netflix. O sexto ano deve estrear apenas em 2019, e terá apenas 13 episódios, ao invés dos tradicionais 22.

Leia mais sobre Agentes da S.H.I.E.L.D  e sobre o universo da Marvel.

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segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

O Mundo Sombrio de Sabrina - Um Conto de Inverno

segunda-feira, dezembro 17, 2018 0
Passada o choque de descobrir que Salém não fala, e que magia não sai pelos dedos em forma de purpurina na nova versão de Sabrina na telinha, é hora de deixar as apresentações de lado e mergulhar de cabeça neste mundo sombrio. O momento escolhido são as celebrações do solstício de inverno, que coincide com as festividades natalinas dos mortais. 

O episódio especial Um Conto de Inverno, que a Netflix lançou na última sexta-feira (14/12), é uma aventura isolada, mas também uma ponte entre a primeira e segunda parte da série. Ligando pontas soltas, esclarecendo algumas dúvidas e estabelecendo as relações para o retorno da série em abril de 2019.

Enquanto todos se preparam para as festas, Sabrina (Kiernan Shipka) aproveita a data sobrenaturalmente ativa para tentar a resgatar sua mãe do limbo. Susie (Laclan Watson) finalmente consegue o emprego temporário que sempre quis, mas Ros (Jaz Sinclair) pressente algo de errado. Tia Zelda (Miranda Otto) precisa decidir o que fazer com o bebê que resgatou de Father Blackwood (Richard Coyle). E claro, criaturas sobrenaturais  vem complicar tudo um pouco mais.

Diferente do que muitos possam ter imaginado, Um Conto de Inverno, não foca nas festividades de solstício e sua relação com o Natal cristão, já que a religião das bruxas é uma espécie de anti-cristianismo. As celebrações servem de pano de fundo para mostrar como estes personagens estão após os eventos da temporada anterior.

Sabrina, Susie e Ros se esforçam para compreender as novas condições de sua amizade. Já Harvey (Ross Lynch), parece mais traumatizado com as descobertas. A família Spellman tenta proteger seu novo membro, especialmente Zelda. Enquanto a protagonista, continua causando confusão por causa de sua curiosidade e vontade de ajudar. Mostrando que a série pretende manter a vida dupla da "mestiça" apesar desta ter assinado o livro das trevas.

O episódio também aponta os rumos que a série deve tomar, ao mostrar novas criaturas e sua propensão em atacar Greendale. Além de trazer flashbacks da infância de Sabrina, onde a versão mirim da bruxa é vivda por Mackena Grace. A contratação da requisitada atriz mirim (ela está, I, Tonya, A Maldição da Residência Hill, Capitã Marvel, Young Sheldon e Fuller House, apenas para citar os mais famosos), nos faz imaginar que veremos mais cenas do passado da protagonista. A promessa é de expandir o universo, explorar as relações entre os personagens, e sua reação a estes desafios.

A parte técnica mantém a qualidade dos episódios anteriores, com uma fotografia e direção de arte caprichadas que estabelecem o tom sombrio do mundo de Sabrina. O roteiro desta aventura em particular conta com algumas conveniências que podem incomodar alguns, em especial com relação à trama da mãe de Sabrina. Mas, ao menos parece encerrar esta ponta solta em particular.

Um Conto de Inverno, é divertido e aposta em seus personagens para manter o interesse do público. Além de preparar o terreno para o que está por vir. Um gostinho extra, e muito bem vindo, deste universo que já coleciona fãs. 

O episódio especial tem cerca de uma hora e já está disponível na Netflix.

Confira a crítica da primeira temporada de O Mundo Sombrio de Sabrina.
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