Bumblebee - Ah! E por falar nisso...

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Bumblebee

Todos sabem, o cachorro é o melhor amigo do homem. Há também aqueles tem adoração e até nomeiam seus veículos. Imagine, se seu carro tomasse vida e se tornasse um companheiro de aventuras, tão fiel quanto qualquer pet? Este é Bumblebee. É claro, o autobot amarelo mais querido da franquia Transformes, tem sua própria agenda em seu filme solo. Mas a luta para salvar Cibertron é apenas pano de fundo para a amizade entre homem garota e seu carro robô.

O ano é 1987, e Bumblebee (voz de Dylan O'Brien, sim ele fala) vem estabelecer uma base segura para seus companheiros na Terra. Machucado e desmemoriado após a batalha, ele se refugia na forma de um fusca, e encontrado e consertado por Charlie (Hailee Steinfeld). A adolescente acaba de completar dezoito anos, se encontra perdida desde a morte do pai. A amizade vai mudar a vida da dupla e salvar o futuro dos autobots.

Não é apenas o futuro da raça robótica que Bumblebee pretende salvar. Esgotada e esvaziada ao longos dos anos, a franquia Transformers, vê neste spin-off a possibilidade de renovação, resgate de fãs e conquista de um novo público. Como realizar tal tarefa? Indo completamente na contra mão dos seus "primos" anteriores. Esta aventura, é mais simples, contida e menos pretensiosa que qualquer outro longa dos robôs alienígenas.

Ao não se levar tão a sério, e apostar na relação entre a jovem e seu fusca, e nos arcos individuais destes, o filme acerta na construção de empatia com o público. Charlie é uma garota independente, que entende de mecânica e não tenta atender às convenções sociais, além de ser a primeira protagonista feminina na franquia, após 5 longas metragens. Sem memória, e com mais expressão que em suas encarnações anteriores, "Bee", é quase como uma criança descobrindo e se adaptando a este novo mundo.

A amizade entre os dois, desenvolve seus arcos individuais, ele vai redescobrir sua missão, enquanto ela vai aprender a lidar melhor com o luto. Não faltam cenas da dupla, interagindo, descobrindo o mundo e curtindo à vida - acrescente aqui, o interesse amoroso Memo (Jorge Lendeborg Jr.) - e são essas as melhores sequencias da produção. Evocando de clássicos oitentistas de Spielberg e John Hughes, onde a amizade era o foco da produção.

E por falar na década de 1980, esta é bem representada na produção. Uma bem feita reconstrução da época através de figurinos, objetos e cabelos situa a história. Mas é a fotografia dourada, e com cores desgastadas que traz o tom nostálgico, que ainda recebe um reforço da trilha sonora repleta de clássicos da época.

A construção dos personagens em computação gráfica é eficiente como em outras produções da franquia. Mas, aqui com um bônus de estarem em menor número e envolvidos em uma batalha menor. O diretor Travis Knight (Kubo e as Cordas Mágicas), tem larga experiência com animação em stop-motion, e isto lhe dá uma vantagem sobre Michael Bay, diretor dos longas anteriores, na criação das cenas de ação. Em outras palavras, as batalhas são bem coreografadas e filmadas, e finalmente podemos compreender o que está acontecendo. Aspecto que também é beneficiado pelo escopo mais contido do longa. Com menos personagens em cena, e lutas que não envolvem dezenas de locações ao redor do mundo é possível dar mais atenção aos detalhes, e entregar um produto melhor estruturado para o espectador.

Além da carismática e eficiente Steinfeld, o elenco ainda conta com Pamela Adlon, Jason Drucker e Stephen Schneider, que completam a divertida família disfuncional de Charlie. John Cena e John Ortiz são os representantes da "parte militar" do filme. Peter Cullen volta a dar voz a Optimus Prime, enquanto Angela Bassett, Justin Theroux e David Sobolov, emprestam as vozes para os principais decepticons. Na versão brasileira, Guilherme Briggs também retorna no papel de líder dos autobots, e Paolla Oliveira interpreta a vilã Shatter.

Pensando como entretenimento para toda a família, no melhor estilo "Sessão da Tarde", Bumblebee pretende agradar os fãs mais antigos através da nostalgia, ao mesmo tempo que o tom mais leve e aventureiro deve atrair novas gerações. Mais contido, bem construído e apostando mais nos personagens que nas pirotecnia - calma ainda tem bastante explosões em cena - é provavelmente o melhor filme da franquia. É o sopro de vida e renovação os Transformers tanto precisavam. Te desafio a não querer um "Bee" de estimação após a sessão.


Bumblebee
2018 - EUA - 113min
Aventura, Ação, Ficção-científica


Leia a crítica de outros filmes da franquia Transformers

Nenhum comentário:

Post Top Ad