Defendendo o desfecho de John Connor em "Destino Sombrio" - Ah! E por falar nisso...

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Defendendo o desfecho de John Connor em "Destino Sombrio"

O Ministério da Cinefilia Adverte:
Este post contém SPOILERS de O Exteminador do Futuro: Destino Sombrio.
Prossiga por sua conta e risco!

O mais recente filme da franquia O Exteminador do Futuro estreou faz algumas semanas, e a chocante cena inicial deixou muita gente tão chateada quanto surpresa.  Alguns até revoltados, eu diria. Mas também digo, particularmente, acho que o evento não está entre as escolhas ruins da produção.( Acredite, apesar de bom o filme seque alguns caminhos duvidosos - leia a crítica). E agora pretendo defender a ideia.

Se você ainda não sabe do que estou falando, e não se importa com spoilers, lá vai: John Connor é assassinado por outro T800 na cena inicial do filme, ainda criança, alguns meses após dos eventos de O Julgamento Final.

Oh! Céus, mataram o líder da resistência, a única esperança da humanidade, o ícone da cultura pop!!! Sim, isso é terrível, mas não é o fim do mundo (com perdão do trocadilho). Agora vamos aos motivos por trás desta escolha, e porque isso é uma boa ideia.

Provavelmente os maiores motivos para a escolha são comerciais. Primeiramente, Edward Furlong, intérprete de John em T2, do qual este filme é referencia direta, não tem uma carreira/vida muito estável. Seu retorno seria considerado um risco em uma franquia tão grande. Outro motivo, é sim voltar o foco para personagens femininas, em tempos de empoderamento em voga. Mas o protagonismo feminino também retoma as origens da franquia, lá em T1, era Sarah Connor o foco da disputa. O que é bastante coerente para esta sequencia/reboot que tenta fazer por Terminator, o mesmo que O Despertar da Força fez por Star Wars.

Mas estas não são as razões pelas quais eu acho que a morte de John seja uma escolha acertada.

Esta razão seria, a natureza humana em si, e o próprio tema de destino cíclico co do filme. Calma, eu explico. Da mesma forma que a humanidade em O Exterminador do Futuro parece está fadada a brincar de deus, perder o controle de suas máquinas e ser subjugada por elas. Também está fadada a resistir, e ao surgimento de líderes para essa resistência.

Em outras palavras, assim como impedir a Skynet não evitou a rebelião das máquinas, que encontrou outros caminhos pra surgir. Matar John não evita que a humanidade se levante contra as máquinas. Este levante vai sempre acontecer, de outra forma, com outros líderes, caminhos e resultados diferentes. No destino irremediável deste universo (e talvez do nosso também), algo sempre surgirá para ocupar o vácuo deixado pelas alterações criadas pela viagem no tempo. Tanto em relação à evolução tecnológica que resulta do apocalipse das máquinas, quanto na luta pela sobrevivência da humanidade.

Uma pena apenas que a fórmula simplista adotada pelo roteiro, que tenta emular o primeiro filme, mantenha a mitologia presa à Dani. Ao invés de expandir o universo para a possibilidade altamente plausível, que lideranças semelhantes tenham surgido em outros grupos de sobreviventes ao redor do mundo. Afinal, não faz sentido que hajam sobreviventes apenas nos Estados Unidos. E mesmo que assim fosse, um território enorme, sem comunicação, é provável que vária células de resistência surjam isoladamente, e como é comum na sociedade humana, se reúnam em torno de um lider. Assim, existem vários "John Connors" ao redor do mundo, todos liderando sua pequena parcela de humanidade à vitoria contra as máquinas.

Então deixe de lado seu discurso misógino sobre "feminazis exterminando John para por uma mulher no lugar". Até existe uma motivação comercial por trás da escolha, mas em nenhum momento esta foi pensada para agredir sua "masculinidade". Tente também desapegar da memória afetiva em relação ao grande líder da resistência. Eu sei, é difícil, você cresceu acreditando em um futuro liderado por Connor. E pode continuar adorando a ideia, e amando os longas em que este futuro se realizou. Mas esteja ciente, a morte do personagem faz bastante sentido no mundo de Terminator, e até no nosso.

Além disso, a possibilidade de sempre haver alguém, talvez vários "alguéns", lutando pela sobrevivência e reunindo pessoas em torno de uma causa é uma boa imagem nossa. Visão positiva bastante necessária como contraponto de uma humanidade fadada a cometer os mesmos erros, que levam a auto-destruição.

E aí? Agora a morte de John Connor faz mais sentido para você? Ficou menos traumática? Duvido. Concorda ou discorda deste argumento? Defenda seu ponto, ou seu líder.

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5 comentários:

Anônimo disse...

Tenho quase 50 anos e como você disse, cresci vendo John Connors sendo o lider da revolta contra as máquinas. Então depois de 5 minutos de filme ele morre, é claro que não tem como gostar. Desisti de assistir o filme depois da cena, não fez sentido mais a história. Os roteiristas podem enfiar essa linha de tempo alternativa no rabo, não é pra menos que está sendo o maior flop dos últimos tempos.

priska disse...

Não!!!Não faz sentido a morte de John Connor!!!

priska disse...

Não!! Não faz sentido a morte dw John Connor!!!

Nádyla disse...

Discordo. Acredito que se era a hora de salvar a franquia, era pra ter sido nesse filme, mas conseguiram cagar o resto que já tinham cagado depois do Julgamento Final. Primeiro, Edward Furlong tem uma vida complicada, mas ele é uma pessoa motivada pelo trabalho, ele disse que queria fazer um filme inteiro novamente da franquia, e o retorno dele seria muito favorável não apenas para a franquia como também para ele mesmo, em ver sua carreira sendo resgatada e também porque ele é um excelente ator, com preparação ele teria conseguido reencarnar John Connor, mas nem sequer disseram pra ele como seria sua participação no filme, mas ele ficou animado pelo convite. E também o papel de John é importante para a saga porque ele foi literalmente criado para lutar com as maquinas do futuro, poderiam haver outros lideres, mas John era o que mais sabia lidar com a situação, por isso sua morte significou o fim da franquia, pois ninguém sabia da Skynet como ele sabia. E não podemos reclamar de figuras femininas, pois Sarah Connor é a personagem mais importante de todos, pois sem o treinamento dela, John nunca teria se tornado um líder, afinal ela treinou o filho dela desde pequeno antes de separa-los como é mostrado no segundo filme.

Fabiane Bastos disse...

Oi Nádyla, obrigada pelo seu comentário. Agora vamos por partes.

Furlong pode ser uma pessoa incrivelmente motivada, mas sua vida foi cheia de altos e baixos, logo uma pessoa considerada um risco par a indústria. Por mais que sejamos fãs, temos que lembrar estes filmes estão aí para fazer $$$, não para nos agradar, nem ajudar a carreira de ninguém. Focar a franquia em um ator instável é um risco que empresa nenhuma vai correr. Por isso dificilmente Furlong seria a aposta deles para uma nova franquia. Uma pena.

Sim, ele foi criado para combater as máquinas e isso é importante. Mas ele seria o único? Sério? Em um mundo tão vasto? Expandir a franquia para "outras resistências e líderes", é um passo para abraçar o planeta e deixar aquela fórmula batida de que tudo acontece nos EUA.

Ninguém sabia lidar com a Skynet como ele? Ué, e a Sarah? Ela ensinou tudo ao filho, como você mesma disse, e poderia ensinar a qualquer um, certo?

A morte de John é nasceu de uma estratégia que focava tanto o lucro, quanto a vitalidade da franquia que precisava inovar e expandir seu universo. Dentro das muitas opções, esta é sim bastante coerente, com o que fora apresentado na franquia (nos 2 primeiros filmes, este filme ignora os outros). O desenrolar da trama pode ter suas falhas, mas o argumento faz sentido, narrativo e mercadológico.

Ainda sim, se você preferir o John vivo, tudo bem! Existem versões da história em que ele está vivo. Estes filmes não foram cancelados ou deletados por este.

Esta é uma das vantagens de produções sobre viagens no tempo, sempre há a possibilidade de criar linhas do tempo distintas, esta é uma das opções. Assista todas com coração aberto e mente crítica, e escolha sua favorita. Não existe opção errada nesse caso.

Bjs e volte sempre!

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