As Panteras - Ah! E por falar nisso...

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

As Panteras


Particularmente, As Panteras sempre foram um modelo feminino confuso pra esta blogueira que vos escreve. Mulheres fortes que enfrentam todo tipo de inimigo e não levam desaforo pra casa, ao mesmo tempo, submissas a duas figuras masculinas e altamente sexualizadas na forma em que são apresentadas. Felizmente, suas aventuras eram divertidas o suficiente, para nos fazer relevar a ambiguidade e tornar a franquia um sucesso grande o suficiente para ser revisitado de tempos em tempos.

Desde a última vez que as vimos, a agência dos anjos de Charlie mudou bastante. Agora é global, seguindo o mesmo caminho de MIB - Internacional, mas com uma construção de mundo melhor elaborada. Bosley agora é um cargo, e células e agentes em todos os cantos do planeta, trabalhando em cooperação constante.

Reparou que ainda não forneci a sinopse? Isso porque, a trama não é das mais originais, mas aí vai. A jovem ciêntista Helena (Naomi Scott), descobre que a tecnologia sustentável revolucionária em que está trabalhando, também pode ser usada como arma. Ela recebe ajuda das panteras Sabina (Kirsten Stuart), Jane (Ella Balinska) e da Bosley (Elizbethh Banks, que também assina roteiro e direção) para evitar que sua invenção caia nas mãos erradas.

Simples assim. Evitar que os bandidos consigam uma super arma, seguindo uma série de pequenas missões antes do grande embate final, como já vimos em dezenas de filmes de espiões anteriores. E não há nada de errado nisso. A intenção aqui, é reiniciar esta franquia com um novo ponto de vista, e um universo mais rico. Tarefa que cumpre sem ignorar a série de TV e os filmes estrelados por Drew Barrymore, Cameron Dias e Lucy Liu.

É seguindo uma jornada divertida acima de tudo, e principalmente investindo em personagens carismáticos, que o roteiro pretende trazer as novas panteras. Para tal a escolha de elenco é essencial, e aqui, acertada. Scott acerta na jornada de auto-afirmação da tímida Helena e comicamente atrapalhada, porém eficiente, Helena. Já Balinska imprime altivez à sua ex-agente durona do MI6, que aprende que não precisa fazer tudo sozinha ao longo do filme.

Do trio principal, apenas a personagem de Stuart não tem um grande arco. Mas a atriz conseguiu construir uma personalidade carismática e bem definida para Sabina. Além de acertar o tom cômico para sua desbocada sexy. Elizabeth Banks é consegue ser ao mesmo tempo confiável e ambígua, sem deixar de ser divertida. Um Patrick Stuart sempre eficiente, um Sam Clafin se provando versátil, e muitas, muitas participações especiais (a maioria nas cenas durante os créditos, boa sorte no quem é quem) completam o elenco.

A direção de Elizabeth Banks acerta ao trabalhar com elenco, mas pouco inova em cenas de ação. Em seu segundo trabalho em longas metragem (A Escolha Perfeita 2 é o primeiro), entrega uma direção correta, mas ainda não encontrou sua personalidade. Já seu roteiro é o extremo oposto, com muito de seu bom humor bobo, várias mensagens de empoderamento, homenageando e subvertendo a franquia e os filmes do gênero. Especialmente na criação de masculinos propositalmente estereotipados, uma resposta à estereotipação padrão das figuras femininas em filmes de ação.

Ao pensar nos pontos fracos, eu estava prestes a apontar novamente a trama repetitiva, mas percebi: já assistimos dezenas de filmes com protagonistas masculinos assim, e raramente é um problema quando é o Tom Cruise, ou um James Bond seguindo tal jornada - Não exija muito, é só entretenimento, dizem. Então vou assumir a mesma postura aqui, e com o adendo de que a escolha pelo familiar, é em prol de dar espaço para aprestação de mundo, construção de personagens, e apresentação para novas gerações.

Já o foco no "girl power", pode soar para alguns como lugar comum de uma tendencia atual de Hollywood, do empoderamento como moda, banalizando sua mensagem. Mas, como já disse que minha relação com a figura dos anjos de Charlie era confusa, fico feliz de a franquia ter tomado uma posição, de forma clara, bem humorada e inteligente.

A nova adaptação de As Panteras tem consciência de seu tempo, atualiza e corrige falhas anteriores. E, claro, comete suas próprias. Mas é um filme divertido, carismático e bem executado, apresenta um novo perfil de protagonistas que adoraria ver em aventuras mais complexas em produções futuras.

As Panteras (Charlie's Angels)
2019 - EUA - 118min
Ação, Aventura

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