Moana

Desde que Walt Disney provou que é possível contar histórias longas e cheias de nuances em animação com Branca de Neve e os Sete Anões de 1937, a técnica de contar histórias através de "desenhos" se tornou o lugar onde o impossível é possível. Se não eramos capazes de criar certas cenas no mundo real, a animação resolvia. 

Entretanto, os benefícios da técnica não se resumem a apenas isso, tem criatividade, sentimento, e estilo, o que a própria Disney parece ter esquecido. Um século mais tarde, somos capazes de realizar em "live-action" (com muitas aspas, já que o CGI que torna isso possível também é um tipo de animação) as idéias mais mirabolantes que passam em nossas mentes. Mas de nada adianta recontar uma história já bem contada, se não for para aprimorá-la. 

É isso que os remakes live-action tem feito desde que a versão realista (CGI ainda é animação) de Rei Leão fez uma bilheteria gigantesca, galgada mais na curiosidade e nostalgia do que em sua qualidade de fato. Cada vez mais apostando no copia e cola, do que em contar uma história bem contada. Enquanto as críticas aos poucos momentos de criatividade (o novo final da irmã da Lilo, as etinias de Ariel e Branca de Neve), muitas vezes motivadas por preconceito e conservadorismo, apenas reforçam para o estúdio a necessidade de não arriscar. Afinal, a busca principal é o lucro, não a arte, por mais que a gente odeie admitir. 

E eu disse tudo isso, apenas para chegar à crítica da versão com atores de Moana, o mais novo projeto de "copia e faz igual sim". Lançado apenas dez anos após o original, e com absolutamente nada de novo. Então se ele não se esforçaram para criar neste filme, farei o mesmo, segue a mesma sinopse, que escrevi lá para o filme original, em 2017.

A adolescente Moana (Catherine Laga'aia) é filha do chefe de uma tribo confortavelmente instalada em uma ilha polinésia. Sendo preparada para liderar, por toda sua vida ela teve uma atração inexplicável pelo mar. E parece que o sentimento é reciproco, o mar a chama. Mas, seu povo nunca deixa a segurança ilha. É claro que esta segurança é ameaçada, e a contra gosto de seu pai a garota foge oceano a fora. A missão: encontrar o semideus Maui (Dwayne “The Rock”Johnson) e convencê-lo à salvar o mundo. Perigos no caminho, amizade, autodescoberta, enfrentar seus medos, fazer sacrifícios entre outras lições tradicionais da Disney estão presentes. 

E assim a jornada da "não princesa" polinésia segue, quase identica à animação. Icluindo posicionamentos de câmera, figurino design de produção. O diretor Thomas Kail não imprime absolutamente nada de seu à obra, sendo apenas um mero executor contrato pelo estúdio. Apenas com rostos novos, no caso dos atores, uma necessidade estranha de impor um realismo dramático que escurece e tira cor das sequencias. E, a falta de liberdade narrativa e poética que a animação oferece. 

Esta última fica bem evidente por exemplo na sequencia da canção tema da protagonista. Enquanto na animação ela salta de um canto para outro da ilha ao longo dos versos de forma fluida e poética, apontando ao mesmo tempo sua importância, e sua limitação para a protagonista. Na versão com atores, é preciso seguir uma coerencia geográfica que tira a poesia de vêla percorrer o que até então era todo seu mundo, em apenas algumas notas da canção. 

No campo da atuação, o elenco também não consegue alcançar a expressividade permitida aos personagens animados. Uma vez que com atores o exagero pode soar caricato. Assim, Catherine Laga'aia é carismática e canta bem, mas inexperiente e mal dirigida, oferece pouca expressão à sua versão de Moana. Tornando à menos ousada e decidida que a original. 

Dwayne Johnson por sua vez, apesar de ser um excelente dublador para a versão animada, não entrega a mesma qualidade em carne e osso. Vale mencionar, adoramos seus personagens em obras como Jumanji e Rampage, porque os papéis são criados para ele, lidando com suas limitações de atuação. Maui não foi pensado assim, e The Rock simplesmente não alcança a expressividade e carisma necessário. Talvez parte da culpa venha do figurino que limita seus movimentos, mesmo assim este semideus também é menos que o original. 

Com os protagonistas menos ajustados, não é surpresa que sua parceria não seja tão eficiente quanto o esperado. Mas, como segue uma fórmula eficiente, funciona o suficiente para nos fazer acompanhá-los. Aliás, apesar de suas visíveis fraquezas e inferioridade em relação ao filme de 2016. Moana de 2026 funciona muito para o público. As demais pessoas empolgadas em minha sessão não me deixam mentir. 

Para os amantes das canções, estão todas presentes, quase identicas. E não há números musicais novos ao longo do filme. Mas há uma musica original apresentada nos créditos. 

Amantes do original que quere apenas revê-lo na tela grande, sem alterações? Para esses um relançamento do filme de 2016, talvez fosse mais interessante. O público foi apenas capturado pela nostalgia comercial inevitável dos tempos atuais? Todos são pegos uma ora ou outra. Estou analisando demais um filme infantil? Bom esse é meu trabalho. Ou é o público geral que realmente está ficando mais razo e se contentando com pouco? Facilitando assim, a escolha do estúdio de apostar na segurança de mais do mesmo. 

Seja qual for a resposta para o interesse em obras deste tipo, uma coisa é certa, a Disney faz dinheio fácil. Enquanto a gente recebe menos histórias boas, e cada vez mais filmes desnecessários. O novo Moana pode até não trazer novas questões a serem analisadas em si. Mas certamente amplia o debate em torno da indústria cinematográfica como um todo. 

Moana
2026 - EUA - 115min
Aventura

Leia as críticas de Moana (2016) e Moana 2.

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