Campo do Medo - Ah! E por falar nisso...

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Campo do Medo

Já enjoou das obras de Stephen King? Espero que não, pois a indústria áudio-visual ainda está empenhada em adaptar todas as obras do escritor. A Netflix, por exemplo, já sob seu suas versões para Jogo Perigoso, e 1922. Agora é a vez de Campo do Medo (escrita em colaboração com Joe Hill) chegar ao serviço de streaming.

Os irmãos Becky (Laysla De Oliveira) e Carl (Avery Whitted) escutam pedidos de socorro de uma criança em um Matagal à beira da estrada. A dupla entra no mato alto para resgatar o garoto, e logo se vêem perdidos em um labirinto sobrenatural, com outras vítimas e cheio de mistérios.

A ideia é simples, e similar em conceito com o bom O Cubo, terror claustrofóbico dirigido por Vincenzo Natalo, que também assina estra adaptação. Um grupo de pessoas confinada em um lugar misterioso que tenta matá-los. Entretanto, enquanto no filme de 1997, conhecer os personagens conforme suas personalidades, conhecimento e habilidades se mostram úteis para a sobrevivência ao longo do filme, torna toda a jornada mais intrigante, já que aos poucos revela os motivos para eles estarem ali. Aqui o pouco conhecimento sobre cada um deles dificulta nossa empatia, e consequentemente o envolvimento com a trama.

A princípio sabemos que Becky está grávida, e a caminho de San Diego executar algo difícil o suficiente para se questionar duas vezes, e apenas isso. Aos poucos o histórico da moça é revelado, e eventualmente passaremos a torcer por ela. Mas, até lá, a moça já passara por várias situações de vida ou morte, que teriam mais impacto se nossa relação com ela já estivesse estabelecida. O mesmo vale para os demais personagens, desenvolvidos em maior ou menor escala, de acordo com sua importância na trama.

O roteiro prefere apostar sem demoras no misticismo do Matagal. Sim, com "M" maiúsculo, pois o mato alto é um personagem com motivações e modo de agir próprios. Alguns bem definidos, outros deixados à cargo da imaginação do espectador, característica comum em obras de King. Seu desenvolvimento se desenvolve de forma crescente, começando apenas como uma vegetação intransponível, ganhando "poderes" e mitologia com o desenrolar da trama, até se tornar um vilão sobrenatural implacável.

Natalo tenta explorar ao máximo as formas de filmar sua "paisagem" restrita, com diferentes ângulos de câmera, closes, time lapses, e até reflexos em olhos de animais e distorções em gotas d'água, para tornar o Matagal uma criatura viva ameaçadora. O que surte um efeito satisfatório, a não ser em alguns momentos onde a vegetação é claramente criada por um CGI pouco convincente.

Mais eficiente é o bom elenco, que funciona bem como um todo. Laysla De Oliveira, consegue exprimir bem a dúvida, desconforto (além de presa em um matagal, a moça está grávida), confusão e pavor, mesmo antes do roteiro fornecer ao público seus dilemas. O pequeno Will Buie Jr., oscila bem entre a tradicional "criança macabra" deste tipo de produção, e uma criança de verdade realmente assustada e em perigo. Outro destaque fica com experiente no gênero Patrick Wilson, seu personagem é o mais afetado pela situação.

Aqueles que superarem a falha de construção de empatia inicial, provavelmente serão fisgados pela curiosidade e reviravoltas da trama. A maioria das respostas dadas são satisfatórias, apesar de não tão surpreendentes quanto pretendem ser. O que não é esclarecido, acertadamente funciona melhor em nossa imaginação, e nos debates pós-filme. Campo do Medo não é a melhor adaptação de Stephen King, mas também não é a pior. Não chega a ser memorável, mas diverte e engrossa a lista de adaptações de obras do escritor. Caso não esteja contando, apenas este ano já tivemos Cemitério Maldito e It: Capítulo Dois, em novembro Doutor Sono. E este nem é o ano com mais adaptações de King.

Campo do Medo (In the Tall Grass)
2019 - EUA - 101min
Suspense, Terro, Drama


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