Bridgerton - 4ª temporada (Vol.2)

Querido e gentil leitor, quando resenhei a primeira metade da quarta temporada de Brigerton, expressei a esperança que a metade final da narrativa, corrigisse alguns problemas de ritmo e foco. O que para meu desgosto, não aconteceu. Mas isso não significa que a história do segundo irmão Bridgerton não tenha sido capaz de entreter, envolver ou divertir. Ela cumpre estes requisitos cruciais sim, apenas dexia a impressão de que tudo poderia ser mais afinado.

Logo após a proposta indecente de Benedict (Luke Thompson) à Sophie (Yerin Ha), não resta opção à moça a além de fugir do rapaz. O que obviamente não dá muito certo, e o envolvimento apenas aumenta deixando a moça já cheia de segredos, agora também com incertezas. Dúvidas essas que se desenrolam de forma extremamente lenta, acumulando todo embate final e resolução para o último episódio. Resultado? Desenvolvimento lento, seguido de desfecho extremamente corrido. 

Tudo causado pelo desequilíbrio gerado pelo foco dividido que mencionei na crítica da primeira parte. O romance principal precisa não apenas dividir tela, mas esperar para que as narrativas paralelas alcance momentos necessários. Coisa que boas novelas brasileiras fazem com maestria, mas a muitas séries gringas tem dificuldade. Trabalhar bem os núcleos. 

Assim, enquanto as histórias futuras de Eloise, Hyacinth e Gregory (Claudia Jessie, Florence Hunt e Will Tilston) ganham apenas indícios de desenvolvimento. Já Franchesca  (Ruth Gemmell), ganha desenvolvimento complexo, cheio de metáforas e indicios interessantes. O mesmo vale para a libertação sexual e romantica de Violet (Hannah Dodd) e a relação de amizade entre a Rainha e Lady Danbury (Golda Rosheuvel e Adjoa Andoh). 

Todas curiosamente com um tema em comum, o luto! Seja de forma mais direta com a perda recente de um marido. Mais sutil como o luto do distanciamento físico de uma amizade. Ou ainda a superação deste sentimento, e a busca por novos relacionamentos. Sophie e Araminta Gun (Katie Leung) também entram nessa equação. A mocinha sente a perda do pai e o sentimento de abandono oriundo dela. Enquanto a madrasta má tenta não desabar sob o peso de uma viuvez dupla, sem cumprir a tarefa de fornecer herdeiros homens, e a vida de dificuldades qu isso acarreta. 

Mas calma, não o fato do luto ser um tema recorente, não implica que esta temporada seja triste. Apenas um pouco mais tematicamente corajosa, diante da proposta inicial de ser um romance leve e picante. E apesar do desvio de foco, a forma de trabalhar essas diferentes tramas é bastante interessante. 

Interessante também é finalmente ver o casal Mondrich (Martins Imhangbe e Emma Naomi) começar a encontrar relevancia na trama. Herança da primeira temporada eles traçaram um caminho improvável para a alta sociedade. E agora, com a saída de Lady Danbury (sentiremos falta dela!) e as especulações que seu filho seria o par de Hyacinth no futuro, sua existencia parece começar a ter propósito. 

A "DowntonAbbeytização" desta temporada também foi uma divertida surpresa. Ok, as histórias dos empregados aqui não chegam a ser tão complexas quanto as da aclamanda série britância, mas é interessante ver um pouco mais dos bastidores dessa vida de luxo. Enquanto consegue um motivo para manter a Lady Featherington (Polly Walker) na história. 

Quem também conseguiu uma participação inesperada foi Créssida (Jessica Madsen). Lembra que senti sua falta na primeira metade da temporada. A patricinha malvada vem para encontrar redenção, paz e entregar os looks mais divertidamente absurdos da temporada. 

E por falar em figurino, nem preciso dizer que a série vem entregando visuais mais bonitos a cada temporada. Nesta, as fantasias do baile de máscaras foram o ponto alto. Outro destaque são os imponentes vestidos de madrasta má-viúva de Araminta. Já as canções instrumentalizadas não me chamaram atenção. Mas talvez seja uma falha minha, por não estar antenada com os hits do momento. 

Faltou ainda falar dos penduricarios. Personagens que precisam estar lá apenas para manter a coerência mas não tem muita função na história. Leia-se casais das temporadas passadas. Dafne e o Duque são mera lembrança. Anthony, Kate e Colin (Jonathan Bailey, Simone Ashley e Luke Newton), apenas batem ponto. Enquanto Penélope (Nicola Coughlan) vem apenas se despedir de sua versão de Lady Whistledown. Sua subita popularidade e a dificuldade de obter fofocas são divertidas, uma pena que pouco exploradas. 

E sobre nossa fofoqueira preferida, ela ganhou uma nova autora misteriosa. As apostas sobre sua identidade estão na mesa. Eu acredito que seja Hyacinth, em busca da própria identidade, e temendo que ninguém comente seu debute. E você, quem acha que é?

Então, querido e gentil leitor, quarta temporada de Bridgerton não é infalível! Mas graças ao nosso apego prévio ao universo, a boa química do casal da vez, o conforto de uma história conhecida, no caso a da Cinderela, antende a maioria das expectativa. E entrega aquela maratona gostosa que esperamos a cada novo ano. O que é mais que o suficiente!

Leia a crítica da primeira, segunda e terceira temporadas de Bridgerton, da primeira metade da quarta temporada e da minissérie derivada Rainha Charlote!

Todas as temporadas tem oito episódios com cerca de uma hora cada, e as três primeiras estão completas na Netflix

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