Bridgerton - 1ª temporada

Orgulho e Preconceito encontra Gossip Girl com eventuais momentos picantes. Esta é a descrição mais simples e precisa possível de Bridgerton, primeira parceria de  Shonda Rhimes com a Netflix


Nesta primeira temporada acompanhamos a primeira temporada de Daphne Bridgerton (Phoebe Dynevor), a quarta de oito irmãos, na sociedade em busca de um bom partido. Não se saindo tão bem como esperado por causa das fofocas da misteriosa Lady Whistledown (voz de Julie Andrews), ela faz um acordo com Duque de Hastings (Regé-Jean Page) que quer fugir do casamento. A dupla finge estar em um relacionamento para fugir das pressões da sociedade. 

Baseado na série literária de Julia Quinn a primeira temporada abrange o primeiro livro O Duque e Eu, mas já traz vislumbres das tramas dos livros seguintes, focados nos demais irmãos Bridgestone. Dos livros de Jane Austen, a franquia traz o período histórico, os costumes e jogos de cortejo. De Gossip Girl, a mistura de fofoca e análise da aristocracia, que abala os rumos da sociedade em questão.

Trata-se de uma tradicional comédia romântica, que bem conhecemos. O casal se odeia inicialmente, mas é unido por circunstâncias curiosas e no processo percebem que são perfeitos um para o outro. Com alguns empecilhos extras, como rivais, ouros pretendentes e promessas descabidas. 

Enquanto o casal protagonista segue seu rumo, outras histórias menores dividem o palco e criam uma sociedade variada e complexa, com vários núcleos, como uma boa novela deve ser. Entre estas, as tramas de Marina Thompson (Ruby Barker) e da família Featherington são as que mais se destacam. Com esta última trazendo desdobramentos para uma próxima temporada. 


O mistério da identidade da Lady Whistledown é outro que surpreende por seu desfecho. Embora a investigação conduzida por Eloise (Claudia Jessie), seja um tanto quanto morna. A moça é mostrada como a mais inteligente e inquisitiva dos irmãos, mas suas buscas são rasas, e lentas. Basta notar que ela leva a temporada inteira para pensar em pesquisar a gráfica onde as fofocas são impressas. Felizmente Jessie compensa, essa falha de roteiro com uma atuação afinada e carismática. 

O elenco é genuinamente diverso é um acerto. Assim como a pouca explicação sobre esta diferença histórica. Esta sociedade fictícia é assim, e pronto. As atuações em geral são eficientes, com destaques para Nicola Coughlan, Golda Rosheuvel e Adjoa Andoh ( Penelope Featherington, Rainha Charlotte e Lady Danbury, respectivamente. Regé-Jean Page é o elo mais fraco da equipe, mas aparentemente tem essa deficiência relevada pelo público graças à outros atributos. Sim, o moço é charmoso e tem química com a mocinha, então fazemos vista grossa. Afinal, a maratona aqui é por puro entretenimento.


Também é por puro entretenimento que a série escolhe amenizar uma das cenas mais polêmicas do livro. Uma sequencia de estupro cometido por uma mulher contra um homem, que se abordada da forma correta, poderia resultar em uma discussão inédita na cultura pop. O programa optou por manter a história "mais leve" e apenas deixou a discussão de lado, embora ela ainda seja possível. 

Figurinos e cenários recriam a Londres do século XIX, com personalidade. Criando identidades para personagens e famílias, como as paletas pastéis dos Bridgerton  em contraste com as cores vivas dos Featherington, que vão dos figurinos às paredes de suas casas. Embora em alguns bailes (e são muitos!), a produção pareça estar indecisa entre uniformizar as cores da festa, e manter as cores dos personagens. O que não diminui em nada o rico e detalhado trabalho de reconstrução de época e criação de uma identidade visual. A série é um deleite para os olhos, bela como uma colorida mesa de doces.


Bem produzida, visualmente agradável, divertida e acima de tudo viciante. Bridgerton alcançou seu principal objetivo: ser o primeiro grande sucesso da Shondaland na Netflix, com potencial para muitas temporadas, à exemplo de outras produções de Shonda Rhimes como Greys Anatomy. Ainda não teve sua segunda temporada confirmada, mas se depender da dedicação da equipe e da aceitação do público o segundo ano é uma certeza. 

Bridgerton tem oito episódios com cerca de uma hora cada, todos já disponíveis na Netflix

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