10 Horas para o Natal

A pandemia acelerou ainda mais o crescimento dos serviços de streaming. Estes, por sua vez, foram a tábua de salvação para produções e públicos privados das salas de cinema há quase um ano. Foi assim, que o filme nacional 10 Horas para o Natal, chegou ao Amazon Prime Video, menos de um mês após sua estreia nos cinemas.

O Natal da família Silva perdeu o brilho quando os pais de Julia (Giulia Benite), Miguel (Pedro Miranda) e Bia (Lorena Queiroz) se separaram. Tentando resgatar os velhos tempos, as crianças saem de casa para preparar a festa como ela deveria ser, com apenas cinquenta reais no bolso, e dez horas para encontrar decoração, presentes e a ceia. 

O argumento de 10 Horas para o Natal, é simples e divertido, crianças sozinhas pela cidade de São Paulo, munidas apenas de determinação, e do espírito natalino. Tem potencial para se tornar o clássico natalino que ainda não temos. Entretanto, a execução escorrega em escolhas que talvez não funcionem para a maioria. 

Um bom exemplo é a personagem Bia. A caçula dos irmãos que ainda acredita Papai Noel, e é capaz de birras homéricas, ganhou uma intérprete muito velha para o papel, e por mais que Lorena Queiroz se esforce (nossa, como ela grita!), a personagem acaba soando como uma garota mimada, que ainda age como um bebê. E não há jornada de amadurecimento ou aprendizado para ela. Ela consegue o que quer na base da pirraça e da carinha de bebê até o final. 

Aliás não há grandes arcos de personagens entre as crianças. O aprendizado aqui é apenas do pai Marcos Henrique (Luis Lobianco), que invade a aventura da molecada, e percebe que não tem resolvido as coisas da melhor maneira. 

Outra escolha duvidosa é a de tirar a resolução dos problemas das mãos dos personagens. Apesar de todo trabalho, é um "Noel ex-machina", quem salva o Natal, e o esforço dos protagonistas é esquecido em um porta malas, literalmente. 

Um acerto é a construção de um cenário natalino bem brasileiro, com as tradições de natal e cenários muito mais perto de nossa realidade, do que estamos acostumados em produções natalinas. Como não reconhecer a aglomeração nas lojas na véspera de natal? Embora em 2020, a situação tenha sido diferente, toda cidade tem seu centro comercial abarrotado em fins de ano normais. 


À exceção nesta construção das festas brasileiras, fica por conta dos figurinos, roupas de frio adotadas com uma justificativa fraca, que soa mais como uma escolha estética, que narrativa. Que acabam trazendo de brinde um número musical que interrompe a narrativa sem razão, e não acrescenta nada à história e personagens.

O elenco entrega o que os personagens pedem, o que não é nada muito mirabolante. As crianças são espertas e carismáticas, o que facilita que o público se engaje. Arthur Kohl, Jandira Martini e Jacqueline Sato, estão entre os rostos conhecidos que completam o time.

As piadas funcionam bem para os pequenos. Já com os mais velhos, é a bagagem e o humor de cada um que vai determinar o que funciona ou não. Particularmente, acho mais acertado o humor construído da situação de três crianças sozinhas na cidade grande. Quando um adulto atrapalhado entra na jogada, tudo parece mais forçado, menos crível. 

A piada clássica do "tio do pavê" também está na lista. O curioso é observar que para os personagens, ela só tem graça nos "natais bons", quando tudo está bem. Com 10 Horas para o Natal a situação é similar. Se você está em um momento bom, em busca de uma diversão fofa e escapista, o filme é pra você. Se está procurando algo mais elaborado, o filme provavelmente não vai sobreviver às suas exigências. 

No final das contas, a produção é uma boa ideia e iniciativa. A execução poderia ser mais caprichada, mas a filme entrega o que promete, uma diversão natalina bem humorada, e bastante brasileira. 

10 Horas para o Natal
2020 - Brasil - 92min
Comédia

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