O Preço da Perfeição

Somado à temática de balé, o título O Preço da Perfeição, vende a ideia de superação de desafios para se tronar o bailarino perfeito. Sim, perfeição na arte está entre os temas desta série da Netflix, mas está longe de ser o foco da produção. 

Baseado no livro Tiny Pretty Things de Sona Charaipotra e Dhonielle Clayton, a série acompanha o cotidiano da Archer School of Ballet logo após uma de suas alunas misteriosamente cair do telhado. 

Entre aulas, competição entre alunos, professores tiranos e intrigas administrativas, a investigação criminal por trás da queda é a trama principal da série. Mas esta demora a emplacar, entre tantas distrações e reviravoltas nas tramas paralelas. Trazendo um primeiro ano desequilibrado, embora bastante apelativo.

Na primeira metade, os conflitos são executados à toque de caixa, sem um desenvolvimento mais elaborado, e exploração das consequências. O resultado são personagens que oscilam entre melhores amigos e inimigos mortais de um episódio para outro sem muita coerência. A partir da segunda metade, o foco na investigação da queda de Cassie (Anna Maiche) aumenta, enquanto as narrativas paralelas começam a caminhar de encontro à trama principal, para um desfecho em conjunto mais coerente. Mesmo assim, a série não fica completamente livre de ações estranhas dos personagens, como o nada ortodoxo (leia-se bagunçado) método de investigação da policial Cruz (Jess Salgueiro), ou os casais formados sem muito romance. 

E por falar em romances e casais jovens, o apelo fica por conta do tom adolescente de séries como Riverdale, com a liberdade de uma censura mais alta. Sim, você entendeu direito. Eles apelam para os belos corpos desnudos de seus bailarinos, para manter a audiência nos primeiros episódios. 


São também estes belos corpos, os responsáveis pelo maior acerto da produção, a dança. O elenco de bailarinos profissionais, entrega sequencias de dança que não precisam de cortes e truques para mostrar pés em pontas e saltos altos. O elenco está de fato executando as danças, as coreografias são belas e bem filmadas, algumas com movimentos de câmeras bastante criativos. 

Como atores entregam um trabalho eficiente. Os destaque ficam por conta de Brennan Clost e Daniela Norman (Shane e June, respectivamente), que tem arcos pessoais mais fortes e bem desenvolvidos, embora não sejam necessariamente os protagonistas. 

De volta ao roteiro, como mistério de assassinato O Preço da Perfeição, é bastante previsível. Mas consegue criar caminhos criativos para entregar o desfecho que imaginamos lá pelo meio da temporada. Não tão criativa assim, é a participação da intrusiva narradora, que supostamente oferece lições e paralelos do mundo da dança com os dramas dos alunos. Entretanto a moça entrega apenas lugar comum, em textos longos e rebuscados. Mais irrita do que ajuda!

Outras que acrescentam pouco e interrompem a narrativa são as sequencias de pesadelo. Apresentando medos óbvios dos personagens, através de belas e chocantes imagens. Um toque de terror.

Claramente inspirada por Pretty Little Liars, como o título em inglês (Tiny Pretty Things) bem entrega, O Preço da Perfeição é uma tradicional série de adolescentes envoltos em dramas, romances, e mistérios rocambolescos. Tão viciante quanto novelesco, deve agradar quem gosta do gênero, ou ao menos encantar com as belas sequencias de dança. 

O Preço da Perfeição tem dez episódios com cerca de uma hora cada, todos disponíveis na Netflix

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