sexta-feira, 19 de abril de 2019

Os ovos favoritos da cultura pop!

Páscoa chegando e entre as várias tradições do feriado, muita gente tem os ovos de chocolate como a favorita. Eu não sou a maior fã de chocolate da história, mas como boa cinéfila que sou, não pude evitar pensar nos ovos favoritos da cultura pop. Vale ressaltar, ovos literais, esta lista não é sobre os cobiçados easter-eggs tão presentes no universo nerd.

Humpty Dumpty
Pouco popular no Brasil, boa parte de nós conhece o Humpty Dumpty através do filme solo do Gato de Botas da Dreamworks. O personagem do folclore anglo-saxão é descrito como um ovo antropomórfico. Ele aparece em diversas obras da literatura, como Alice através do Espelho de Lewis Carol.

Ovos de Ouro
Estes podem ser postos por gansos (do conto O Ganso de Ouro dos irmãos Grimm, ou gansa dos ovos de ouro de Esopo) ou patos. Entretanto são da galinha os ovos de outo que mais conhecemos. Mérito do conto João e o Pé de Feijão, no qual o protagonista furta a galinha dos ovos de ouro do gigante que mora no alto de seu feijoeiro. A ave é tão popular que já deu as caras até em um episódio do Sítio do Pica-Pau Amarelo.

Já entre os gansos, os mais famosos por aqui são os que vivem em A Fantástica Fábrica de Chocolates de Willy Wonka, no longa de 1971 (o filme de 2005, traz os esquilos originais do livro). Os ovos dourados, ativam a cobiça de Veruca Salt, que faz um ótimo numero musical sobre seus desejos.



O ovo de Halliday
Ok, vou abrir espaço para easter-eggs nessa lista, mas só porque o criador da caçada pela posse da Oasis, James Halliday, colocou um ovo de verdade ao final de sua caçada por easter-eggs, em Jogador N°1. Após desafios, batalhas, pistas e muitas referências, Parzival recebe um ovo brilhante como troféu, junto com a propriedade do mundo virtual Oasis. Vale mencionar o apelido dado àqueles que caçavam os ovos, "Gunters", uma versão encurtada no titulo "egg hunter" (caçador de ovos, no bom português).

Ovos Fabergé
As obras primas da joalheria criadas por Peter Carl Fabergé, estão longe de serem itens ficcionais, e pasmem, eram presenteados na Páscoa entre os membros da família imperial russa. Raros e cobiçados, não é difícil entender porquê foi tão fácil para os artefatos ganharem suas versões cinematográficas. A mais recente representada na comédia A Noite do Jogo, enquanto a mais popular é provavelmente aquele que aparece em 007 Contra Octopussy.



Ovo dourado do Torneiro Tribruxo
O Wizarding World criado por J.K.Rowling tem vários ovos em suas aventuras, como aquele chocado por Hagrid para virar o dragão Norberto. Mas vamos destacar aqui o ovo dourado resgatados pelos participantes do Torneiro Tribruxo após a primeira tarefa, em Harry Potter e o Cálice de Fogo. Do tamanho de um ovo de dragão, quando aberto produzia grinchos estridentes, a não ser debaixo d'água, onde era possível compreender a voz dos sereianos, com as dicas para o desafio seguinte.

Ovos de Occamy
Ainda no mundo mágico de Rowlling, mas agora em Animais Fantásticos e Onde Habitam, somos apresentados aos curiosos occamys. Criaturas com asas, possuem um corpo parecido com o de uma serpente com cabeça de pássaro. Originais do extremo oriente, ão choranaptyxicos, o que significa que aumentam ou diminuem de tamanho de acordo com espaço disponível. Mas esta lista é sobre ovos, e os deles são compostos por prata pura, e por isso são cobiçados por caçadores ao ponto de ameaçar as criaturas de extinção.

Ovomorph
Este é o primeiro estágio da vida do Xenomorph XX121, presente na franquia Alien. É dele que sai o enervante Facehugger, aquele estágio em que o bicho gruda na cara das pessoas para depositar ovos que depois vão criar uma das cenas mais assustadoras do cinema. De volta aos ovos, são grandes, de aparência gosmenta, com uma camada externa que parece couro, e no seu topo, uma abertura em X, que se abrem como pétalas. Os muitos e bem desenvolvidos estágios da criatura são a característica mais impressionante da franquia, mas para preservar a surpresa, apenas o ovo foi utilizado nos materiais promocionais do filme.

Ovos verdes
Este quase ficou de fora, mas a Netflix anunciou uma série do clássico Ovos verdes e presunto do Dr. Seuss, para o fim de 2019. No livro Sam-Eu-Sou, tenta mostrar coisas novas ao amigo, sempre oferecendo os tais ovos verdes e presunto. Expectadores mais atentos, podem ter notado Eddie Murphy lendo este livro para seus protegidos em A Creche do Papai, enquanto as crianças saboreavam a comida em questão.



Ovos fossilizados da Daenerys
É claro, que os presentes de casamento mais estilosos dos sete reinos não poderiam ficar de fora. Três ovos de dragão fossilizados foram presenteados à Daenerys Targaryen por Illyrio Mopatis em seu casamento com Khal Drogo, nas Crônicas de Gelo e Fogo, e em sua adaptação para TV, Game of Thrones. Mas eles não foram ovos por muito tempo depois disso, já que a moça conseguiu chocá-los, 300 anos depois da extinção das criaturas. Vale mencionar, existem outros ovos de dragão fossilizados espalhados por Essos e Westeros, e Drogon, Reagal e Viserion podem colocar mais ovos eventualmente.

Egg
Não é só de ovos de dragão que vive o universo criado por G.R.R.Martim vive. Egg (Ovo em inglês) era o apelido de Aegon Targaryen em sua infância. A algunha vinha do encurtamento de seu nome, mas também fazia alusão à sua cabeça careca e lisa que lembrava um ovo. O garoto raspava a cabeça para esconder os cabelos louro prateados que denunciariam sua identidade real, enquanto vagava pelos sete reinos como escudeiro do cavaleiro andante Sor. Duncan, o Alto, em O Cavaleiro dos Sete Reinos.

Egg, o garotinho aí da ilustração da capa do livro, tornou-se rei. Ficou conhecido como Aegon V, O Improvável, já que era o quarto filho, de um quarto filho, e sua ascensão ao trono dificilmente aconteceria com tantos nomes à sua frente na linha de sucessão.
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Termino aqui este post de páscoa, que traz provavelmente a lista mais estranha que já fiz. Entretanto, tenho certeza, deve ter esquecido alguns ovos importantes. Então, conte nos comentários seus ovos favoritos que deixei de lado, e aproveite bem os exemplares de chocolate este ano!
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quarta-feira, 17 de abril de 2019

A Maldição da Chorona

Baseado em uma história real, Invocação do Mal surpreendeu pela qualidade e deu o ponta-pé inicial em um universo compartilhado de terror. Sua sequencia Invocação do Mal 2 e os dois filmes estrelados pela boneca Annabelle, mantém à inspiração em fatos, mas toma maiores liberdades criativas. A Freira, traz o frescor de um argumento livre de amarras. A Maldição da Chorona, o mais novo capítulo dessa franquia, aposta em uma popular lenda mexicana, e poucas conexões com os demais filmes.

Na década de 1970, Anna (Linda Cardellini) é uma viuva com dois filhos, que tenta equilibrar os cuidados com a família com o trabalho de assistente social. Em um de seus casos, que envolve uma família mexicana, ela traz para casa algo mais que trabalho extra. Ela e seus filhos passam a ser perseguidos por La Llorona, A chorona em bom português.

Além de popular a lenda da Chorona tem um potencial assustador enorme. Uma vez que, e várias de suas versões, é protagonizada por uma mãe atormentada por matar os próprios filhos. Aquela que deveria ser a maior protetora, é a maior ameaça. O filme não apenas escolhe esta vertente da lenda, como a potencializa, concentrando os esforços da assombração na perseguição de crianças. Assim a produção torna-se um embate entre figuras maternas.

Linda Cardellini é convincente como a mãe sobrecarregada pela vida. Triste, esgotada, mas ainda muito dedicada, sua atuação até nos faz relevar os deslizes e escolhas ruins da personagem, como não investigar mais à fundo o comportamento dos filhos. Ela é assistente social, é o trabalho dela. Mas como o ditado diz: em casa de ferreiro, espeto de pau. E cansaço da personagem justificaria esta desatenção em casa.

Não conseguimos ter a mesma boa vontade com Rafael Olvera (Raymond Cruz). O curandeiro designado para "salvar" a família, parece charlatão tanto como especialista, quanto na atuação de Cruz. O caçador de fantasmas dificilmente convence quem já assistiu um ou dois episódios de Supernatural ou mesmo os filmes anteriores estrelados pelo casal Warren. Parecendo meio perdido, usa métodos falhos (coloca proteção na casa toda, e esquece a porta dos fundos?) e duvidosos. Sua ajuda poderia facilmente ser substituída por informações em um livro.

Quem também tem um "modus operante" confuso, é a própria La Llorona. Estas intercorrências vão além do excesso de "aterrorização" e na demora para finalizar suas vítimas, comum nesse tipo de produção. Os poderes e fraquezas atribuídos à entidade mudam constantemente para atender ao roteiro e às cenas de susto que a produção escolheu usar. E diferem, inclusive, à características comumente usadas para este tipo de assombração, fazendo-o destoar do universo de Invocação do Mal.

A instabilidade da Chorona é resultado de um roteiro que não descobriu como aproveitar bem seu argumento. Preferindo criar sua história em torno dos clichés do gênero, jumpscares e a incapacidade dos personagens de encontrarem um interruptor. Vale ressaltar, não há problemas em usar estas fórmulas tradicionais, afinal eles funcionam. Mas os clichés, podem ser melhor aproveitados, trabalhando em conjunto com o roteiro ao invés de se tornar uma muleta para sustos fáceis.

Ao menos a direção de arte é competente na reconstrução de época. Assim como os figurinos e penteados que criam personagens com visual de "gente comum", e por isso facilmente relacionáveis. A direção ainda se arrisca com planos e movimentos de câmera mais elaborados, que se não acrescentam à história, ao menos criam momentos visualmente interessantes, como o plano sequencia inicial, ou as cenas da pequena Sam brincando perto da piscina.

E por falar em uma das crianças, os atores Jaynee-Lynne Kinchen e Roman Christou, entregam o que o papel exige sem grandes destaques, ao dar vida aos filhos da protagonista Sam e Chris. O elenco ainda conta com Tony Amendola, em uma participação especial que faz a ligação sutil com o universo compartilhado. E Sean Patrick Thomas e Irene Keng, cujos personagens dispensáveis, entram e saem de cena sem grandes consequências para história. É Patricia Velasquez (O Retorno da Múmia), quem tem bons momentos ao interpretar outra mãe atingida pela maldição, embora as escolhas da personagens sejam mal desenvolvidas, seu sofrimento é real.


A Maldição da Chorona tem uma lenda cheia de potencial para explorar. Mas a produção desperdiça seu bom argumento, com um roteiro fraco e previsível, que parece ter sido criado para atender às cenas de susto, ao invés de construí-las. Empata com o primeiro Annabelle, na posição de elo mais frágil da universo produzido por James Wan.

A Maldição da Chorona (The Curse of La Llorona)
2019 - EUA - 93min
Terror


Leia as críticas dos outros filmes da franquia: Invocação do Mal, AnnabelleInvocação do Mal 2, Annabelle 2 - A Criação do MalA Freira.
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segunda-feira, 15 de abril de 2019

O Date Perfeito

Quando escolhemos assistir à uma comédia romântica, não esperamos por grandes surpresas ou roteiros complexos. Mas, esperamos que o filme encaixe sua premissa própria nos parâmetros conhecidos do gênero, criando sua identidade própria neste universo de produções muito semelhantes. O Date Perfeito tem um argumento interessante, e o raro ponto de vista masculino em romances adolescentes.

Brooks (Noah Centineo) precisa de dinheiro para faculdade, quando uma oportunidade curiosa surge. Ele é pago pelos pais de Célia (Laura Marano) para acompanhá-la em um baile. Deste primeiro encontro contratado surge a ideia de criar uma aplicativo oferecendo o serviço de acompanhante para mulheres de todas as idades, que ainda conta com a escolha da personalidade do rapaz. É claro, Brooks começa perder sua identidade no processo e afastando as pessoas que realmente se importam com ele.

Ou, ao menos, é isso que a produção tenta explorar sem sucesso durante seus 90 minutos de projeção. Desenvolvido de forma burocrática, o filme cumpre o trajeto esperado por uma produção do gênero, mas falha em desenvolver os personagens e o trajeto que percorrem. Assim, a pretendente dos sonhos (Camila Mendes, Riverdale), não estranha a disponibilidade do protagonista logo após um rompimento traumático. Nenhuma das contratantes do aplicativo tem receio ou vergonha de sair com um desconhecido. A mocinha independente e alternativa se rende aos padrões de beleza para tentar impressionar um rapaz, na mesma ocasião em prometeu ajudá-lo a conquistar outra. Entre outras incoerências.

Até mesmo o conceito do aplicativo de encontros é desperdiçado. Ok, talvez o filme não tivesse a pretensão de discutir à fundo a moralidade e os perigos de tal serviço, mas podia ao menos explorar os talentos de seu ator principal, ao mostrá-lo interpretando os mais diferentes pretendentes perfeitos, em situações curiosas. Ao invés disso, conferimos uma montagem de Centineo desfilando figurinos estereotipados, e quase nada de seus encontros de fato. Talvez o diretor saiba que o jovem astro da Netflix ainda não esteja pronto para tal desafio dramático, já que apesar do esforço carrega com bastante dificuldade seu primeiro filme. Até então, o rapaz chamara atenção como coadjuvante em Para Todos os Garotos Que Já Amei e Sierra Burgess é uma Loser, também produções da Netflix.

O uso fraco do argumento das "muitas personalidades", também enfraquece a trama da perda de identidade. De fato a única demonstração de que o rapaz está "perdendo o rumo", está na acusação de seu melhor amigo Murph (Odiseas Georgiadis), que na verdade fora descartado pelo roteiro, não pelo protagonista. Vale mencionar que se trata de um personagem negro e gay, aparentemente incluído apenas para cumprir a cota de diversidade.

Maura Marano se esforça bastante, mas não consegue embutir carisma à padronizada Celia. A tradicional garota difícil, independente, diferente e teimosa, que inevitavelmente vai fraquejar e tentar atender aos padrões antes de ser valorizada pelo interesse amoroso. Os diálogos que tentam ser mais inteligentes que o necessário, engessam a atuação da moça e afastam quem só procurava por duas horas de entretenimento leve.

E claro, há sempre a discussão da idealização impossível do romance inerente ao gênero. Aqui com os agravantes da objetificação do mocinho, e a reapresentação das mulheres como seres tão desesperados pela companhia masculina que pagariam pelo serviço, sem se preocupar com as consequencias. Com tantas mensagens confusas, a lição de moral do filme "seja você mesmo", quase se perde e precisa ser alardeada sem sutileza alguma.

O Date Perfeito tem um argumento que fornecia muitas possibilidades para desenvolver uma produção adorável e carismática, mas não soube desenvolver sua trama e personagens e forma fluida e carismática. Os fãs de Marano, Mendes e principalmente Centineo certamente vão se apreciar vê-los em cena. Mas o público em geral vai situar a produção na lista dos exemplares esquecíveis do gênero.

O Date Perfeito (The Perfect Date)
2019 - EUA - 89min
Comédia Romantica


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sexta-feira, 12 de abril de 2019

O Silêncio

Não fossem monstros de anatomias distintas e com origens diferentes, O Silêncio bem que poderia funcionar como um prelúdio de Um Lugar Silencioso por sua premissa. Entretanto sua execução se assemelha muita mais à Bird Box, outra produção de terror da Netflix.

Criaturas voadoras que caçam humanos guiados pelo som invadem o planeta. Acompanhamos à luta por sobrevivência da família Andrews, que tem uma vantagem inesperada. Eles sabem se comunicar silenciosamente, já que a adolescente Ally (Kiernan Shipka, O Estranho Mundo de Sabrina) perdeu a audição anos atrás, e toda a família aprendeu a se comunicar com linguagem de sinais.

As comparações com o Um Lugar Silencioso são inevitáveis. Ambas as produções acompanham uma família com uma adolescente deficiente auditiva em um mundo onde sobreviver depende de não fazer barulho. A diferença está principalmente no período de tempo em que as tramas se passam. Enquanto a família liderada por John Krasinski, já está adaptada ao mundo pós-apocalíptico, a de Stanley Tucci encara o momento de instauração da nova ordem e todo caos pertinente à ele.

É essa distinção ente os momentos de uma nova realidade semelhante, que afasta as duas produções e aproxima O Silêncio da produção estrelada por Sandra Bullock. Acompanhamos o ataque, o desconhecimento sobre o que está acontecendo, a descoberta de como lidar com essa nova ameaça, a perda de alguns personagens e finalmente a ameaça que outros humanos representam em um momento de escassez de recursos. Desta vez o que diferencia as produções é o grupo, um centrado em uma família, outro em sobreviventes reunidos ao acaso. E principalmente a forma mais simples (leia-se linear) que a produção silenciosa escolhe para contar sua história.


Agora que já eliminamos as comparações inevitáveis, vamos aos méritos e deméritos próprios do filme em questão. É o elenco competente o que mais chama atenção. Além de Tucci e Shipka, estão em cena Miranda Otto, John Corbett, Kate Trotter, Billy MacLellan e o pequeno Kyle Breitkopf. Todos entregando o que seus personagens exigem deles, infelizmente o roteiro não os aproveita da melhor forma.

Formada por estereótipos, pai esforçado, mãe amorosa, vovô doente, tio descolado, irmãozinho fofo, o roteiro pouco explora as personalidades e relações destas pessoas no limite. Então temos a apresentação doença da avó, que é apresentada mas não chega à abalar a família. Assim como a perda de seu cachorro. Ao mesmo tempo, que o nascimento de fanatismo religioso resultante do apocalipse, é apenas brevemente mencionado, antes de se tornar uma ameaça real aos personagens.

Mesmo Ally, que narra a história e teria uma perspectiva diferente dos demais pela falta de audição, é mal desenvolvida pelo roteiro que a trata quase todo o tempo como uma adolescente comum. A garota inclusive fala, e lê lábios, eliminando à necessidade de se comunicar apenas silenciosamente com ela. O silêncio aliás, é relativo. Uma respiração mais acelerada, em alguns momentos se mostra mais perigosa que diálogos inteiros em sussurros. Sem que sejam dadas grandes explicações para a divergência.


O roteiro é linear e bastante episódico, com novos obstáculos surgindo assim que o problema anterior é solucionado. O formato não chega a ser um grande problema já que se trata da jornada de uma mesma família. São algumas conveniências, escolhas de roteiro e falas de lógica que realmente comprometem. Os meios de comunicação que falham e voltam à funcionar conforme o roteiro precisa, ou não, dar informações para a família. Personagens são descartados sem que haja grandes consequências ou desdobramentos, criando mortes gratuitas criadas apenas para chocar o espectador. Enquanto Ally em alguns momentos consegue ler lábios, mesmo sem estar olhando para o rosto da pessoa.

A produção é competente na criação do mundo pós-apocalíptico, com uma fotografia cinzenta e deprimente. Já o design das criaturas criadas em CGI pouco convencem, seja pelo seu realismo, seja pelo potencial de ameaça. O que fica evidente, quando o personagem de Tucci consegue eliminar dezenas delas com uma ferramenta de jardim. Porque não usar uma centena dessas e exterminar de uma vez toda a espécie?

O Silêncio tem bons argumentos e boa intenção, mas se perde na execução entregando entregando algo genérico E ainda com o agravante de trazer muitas semelhanças com boas obras recentes e bastante populares. Tornando-o um passatempo interessante, e apenas isso. Curiosamente, deixa possibilidades para uma sequencia, embora funcione bem sem ela. Resta saber se vai agradar público suficiente para justificar a produção de uma parte dois.

O Silêncio (The Silence)
2019 - EUA - 90min
Terror, Suspense

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quarta-feira, 10 de abril de 2019

Primeiro Ano

Uma injustiça tida como comum pela sociedade atual, é a imposição de que o jovem precisa definir toda sua vida ao se formar na escola. A cobrança é maior ainda quando envolve uma vida acadêmica acirrada, em cursos muito disputados. É a competição ferrenha para estudar medicina em uma universidade francesa, e seus efeitos nos candidatos que Primeiro Ano explora.

Benjamin (William Lebghil) acabou de terminar o ensino médio, e começa seu primeiro ano de medicina. Antoine (Vincent Lacoste) está cursando o ano inicial pela primeira vez. A dupla desenvolve uma amizade natural estimulada por uma agenda exaustiva de estudos em conjunto. Mas o relacionamento não está imune aos efeitos da competição acirrada, a diferença de perspectiva e bagagem.

Para de fato cursar a especialização e se tornar médicos, os alunos precisam se posicionar entre os primeiros da classe e conquistar uma das pouquíssimas vagas para o ano seguinte. As chances para um aluno com boa média são de apenas 2%. Logo a excelência é uma obrigação, forçando os alunos à uma agenda de estudos absurda. Em certo momento Antoine afirma estar exausto e precisar de uma pausa. Ao que prontamente Benjamim responde, "vamos à matemática então?". E eles vão. O descanso aqui é apenas mudar de uma matéria para outra, e mesmo assim ter a sensação de não estar fazendo o suficiente.

A esta altura você deve estar pensando, que um filme sobre salas de aulas com personagens que passam todo o tempo com os narizes enfiados em apostilas não é deve ser dos mais empolgantes. Não se deixe enganar por isso, o diretor e roteirista Thomas Lilti, está ciente da natureza monótona de um cotidiano de estudos e por isso trata a preparação dos calouros como um filme esportivo. Encarando a produção como uma versão acadêmica de Rocky: Um Lutador, com direito à referências, inclusive. Os protagonistas treinam estudam exaustivamente, em lugares distintos, com técnicas diferentes, sempre com uma montagem dinâmica, diálogos inteligentes e o bom humor inerente à juventude.

Mesmo assim, apenas o estudo não sustentaria esta jornada. É na relação de amizade e competitividade entre os dois que a produção se sustenta. E na suas motivações e bagagem que cria conflitos. Benjamin é um "filho da academia", em sua criação foi lhes oferecida as ferramentas para se adaptar ao sistema. Mas sua motivação tem mais a ver com a tradição familiar e exigência paterna que de com a vontade própria. Enquanto Antoine é pura paixão, e pouco preparo para se adaptar ao sistema. Ele replica acertos das tentativas anteriores, mas ainda não tem as ferramentas necessárias, e como agravante já começa a corrida desgastado pelos fracassos anteriores.

Ambos são inteligentes e capazes, mas as circunstâncias favorecem o mais adaptável. Os questionamentos se isso criaria bons profissionais ou não são inevitáveis. Quem seria o melhor médico, aquele com paixão ou aquele que atende requisitos? Inevitável também é o nascimento do conflito, gerado pela competição cruel. E ainda há tempo para fazer uma crítica ao sistema desgastante e sem nenhum apoio psicológico à estes jovens.

A honestidade do roteiro, que mostra o cotidiano destes jovens sem pompa ou rodeios, e principalmente o excelente trabalho de Lebghil e Lacoste, que torna a produção identificável para qualquer um que precisou fazer algum teste na vida. Não é preciso explicações redundantes para percebemos as dúvidas de Benjamin e suas causas, ou mesmo a situação limite em que Antoine se encontra. Estas nuances estão lá, impressas nas interações entre os dois, nas relações suas respectivas famílias e na forma sutil como os atores as deixam transparecer em meio à enorme carga de estudo.

Primeiro Ano coloca uma lupa sobre as falhas sistema que não é o nosso, mas tem muitas semelhanças com que os estudantes estudam por aqui. Mostra como pessoas tão jovens lidam com uma exigência e concorrência que não seria saudável, nem para o mais experiente dos seres humanos. Mas, principalmente, é uma história sobre amizade, escolhas e amadurecimento. Impossível não se colocar no lugar de Benjamin e Antoine, e torcer para que eles encontrem seus respectivos caminhos, seja na medicina ou não.

Primeiro Ano (Première année)
2018 - França - 92min
Drama

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segunda-feira, 8 de abril de 2019

Santa Clarita Diet - 3ª temporada

À certa altura da terceira temporada de Santa Clarita Diet, Joel (Timothy Olyphant) comenta que faz cerca de um mês que sua esposa se tornou uma morta-viva. O espanto é inevitável, tanta coisa aconteceu com os Hammond ao longo das duas primeiras temporadas da série, que é difícil crer que não estamos acompanhando esta família por muitos meses.

Nestas poucas semanas Sheila (Drew Barrimore) foi infectada, aprendeu a lidar com suas novas necessidades, descobriu um pouco mais sobre as origens da sua condição, matou e comeu um monte de gente, driblou investigações policiais, e criou um sistema para se alimentar apenas de pessoas que merecem morrer sem deixar rastros. Sempre com o apoio e carinho de seu adorável marido Joel, sem abandonar sua carreira como corretora ou descuidar da filha adolescente Abby (Liv Hewson). Depois de tudo isso, até os próprios personagens pensaram que teriam uns dias tranquilos pela frente. É claro, eles estavam enganados.

É a criatividade para continuar explorando seu argumento que surpreende nesta comédia que faz piada com histórias de zumbis. O universo dos mortos-vivos de Santa Clarita Diet continua se expandindo e trazendo obstáculos para os protagonistas. Uma vez que a maior parte das dúvidas sobre o pós-vida foi explorada nas temporadas anteriores, é hora de apresentar seus antagonistas. Os Cavaleiros da Sérvia são os caçadores de zumbis desta mitologia, mas não são o único problema em vista.

Os problemas que pareciam resolvidos anteriormente se desdobram em novas complicações, criando piadas consequentes e alternativas e trazendo antigos personagens de volta. Apesar de divertido, o "looping" de problemas acaba tornando alguns personagens descartáveis ou sub-utilizado. Assim, nomes como Ron (Jonathan Slavin), Anne (Natalie Morales), Ramona (Ramona Young) e Gary (Alan Tudyk, substituindo Nathan Fillion), parecem entrar e sair de cena apenas para ajudar o roteiro a complicar o ajudar os protagonistas. Eventualmente, você vai se perceber pensando por onde anda algum deles entre os episódios.

Há também problemas e personagens novos, alguns desenvolvidos ao longo da temporada, outros episódicos. Entre os que chamam mais atenção, estão Dobrivoje Poplovic (Goran Visnjic) o vilão misterioso que permeia todo o terceiro ano e seus capangas. Além de Winter (Sydney Park), colega de escola que começa interagir com Abby e Eric (Skyler Gisondo) e talvez crie uma nova dinâmica na próxima temporada.

E por falar nos adolescentes, a dupla precisa lidar com as consequências da explosão que causaram e compreender sua "amizade colorida". Ao mesmo tempo que Abby tenta convencer os pais que pode fazer parte de sua "pós-vida alternativa", sem grandes traumas. Por causa da super-proteção dos pais, a história dos jovens corre separada dos adultos, tornando ainda mais prazeroso, quando o quarteto se reúne.

É em Sheila e Joel o grande foco da trama. Barrimore e Olyphant mantém a química acertada, ficando cada vez mais confortável com os personagens. A cenas de matança e comilança da matriarca diminuíram em relação aos episódios anteriores, mas os problemas simultâneos aumentaram. A dupla ziguezagueia entre um problema e outro, sempre com diálogos ágeis e muito humor negro. A percepção de que Sheila viverá para sempre, é o fator de conflito entre o casal.

Sem receios de abraçar os absurdos da situação, Santa Clarita Diet acerta em apostar no humor por trás das situações absurdas encaradas com certa naturalidade pelos envolvidos. Eles precisam fazer coisas cada vez mais impossíveis, e encaram isso parando pouquíssimas vezes para ponderar sobre a loucura que estão vivendo. Humor non-sense e críticas à sociedade estadunidense atual são resultado dessa combinação curiosa de fatores.

Terminando um gancho que promete mudar a dinâmica da família completamente, Santa Clarita Diet prova que ainda tem fôlego criatividade e muitas piadas para servir. Que venha o quarto ano!

Santa Clarita Diet tem três temporadas, com dez episódios de cerca de meia hora cada, todos já disponíveis na Netflix.


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sexta-feira, 5 de abril de 2019

The Walking Dead - 9ª temporada (parte 2)

A primeira metade do nono ano de The Walking Dead, terminou mostrando o resultado do afastamento das comunidades, após o colapso das pontes literal e metafórica que as unia. A partir daí, a segunda parte tinha duas tarefas principais. Detalhar as causas e consequências deste distanciamento. E sedimentar a nova fase do programa que neste ano se despede de muitos de seus principais personagens. Além das despedidas de Rick (Andrew Lincoln), Maggie (Lauren Cohan) e Jesus (Tom Payne) cujos interpretes decidiram deixar a série, Michone (Danai Gurira) deixará de integrar o elenco fixo na décima temporada.

Ao menos a morte de Jesus, que marca a volta do hiato, trouxe uma boa surpresa. A inclusão de sequencias de terror em alguns episódios, a volta dos zumbis como uma verdadeira ameaça. E a apresentação de uma novo grupo muito esperado pelos fãs. Os Sussuradores finalmente dão as caras na série.

Capitaneados pela excelente atuação de Samantha Morton, constituem um antagonismo diferente do estabelecido pelo Governador e Negan, cujo carisma e fala mansa nos fazia amá-los e odiá-los ao mesmo tempo. Com Alpha o sentimento é de temor e ódio, simplesmente. A apresentação desta ameaça é crescente e bem construída, embora precise ser sustentada em personagens diferentes das HQs, e por vezes, menos carismáticos. Sim, estou falando do jovem e irritante Henry (Matt Lintz).

Ao mesmo tempo, descobrimos acontecimentos que marcaram e afastaram Alexandria, Hilltop, o Reino e Oceanside nos anos que se passaram desde a partida de Rick. E acompanhamos sua reaproximação necessária conforme um novo inimigo surge. Novos personagens são apresentados. Alguns com carisma suficiente para ocupar os espaços vagos, se forem bem trabalhados.

O caminho que a série escolhe para desenvolver estas duas tarefas é interessante e até bem explorado. É no ritmo que o programa deixa a desejar. Com muitos momentos lentos e contemplativos, e ainda separando bastante os núcleos, os episódios funcionam bem se assistidos em maratona. Entretanto, para aqueles que consomem a série semanalmente, o tom é arrastado e irregular. Os episódios de construção, naturalmente mais lentos estão à uma semana de distância daqueles em que a história realmente acontece. Talvez a atual consolidação dos serviços de streaming (a AMC que produz The Walking Dead também terá sua plataforma), já esteja pesando no estilo adotado pelos roteiristas.

Já a mudança do grande evento da temporada para o penúltimo episódio, ao invés do season-finale que se tornou um episódio de observação das consequências, pegou muita gente de surpresa. O formato tradicionalmente usado por Game of Thrones, funcionaria se o ritmo da temporada como um todo fosse mais regular. Ou, novamente, em uma maratona. Aqui, tornou o último episódio da temporada apenas morno.

Contudo, há sim uma recompensa para os bravos espectadores que acompanham a série semanalmente. Em meio à tanta (re)construção e contemplação, é possível destacar bons momentos que se beneficiam desta elaboração mais lenta. Como o desfecho do penúltimo episódio, ou ainda o capítulo que explica os receios de Michone, que conta com a excelente atuação de Gurira. E por falar nas atuações, em média elas continuam ótimas especialmente entre o elenco mais antigo, já mais que confortável em seus personagens. Entre os novatos os destaque ficam com a já mencionada Samantha Morton, Lauren Ridloff que interpreta a deficiente auditiva Connie e Cailey Fleming, a nova Judith.

A filha de Rick também é o exemplo perfeito de outro ponto forte da temporada, a construção de relações. A dinâmica entre Judith e Negan (Jeffrey Dean Morgan) é a melhor em cena, mas outros personagens também conseguem começar a estabelecer amizades. São essas relações que devem nos fazer se importar com essas comunidades e seus moradores, e consequentemente com a serie como um todo.

O nono ano de The Walking Dead tinha desafios enormes, mas a nova showrunner Angela Kang, aparentemente conseguiu arrumar a casa, e apontar um novo caminho para o programa. A base para a décima temporada está pronta, falta apenas encontrar um ritmo que funcione bem tato para os maratonistas de sofá, quanto para o tradicional público semanal. Começar a encaminhar a série para um desfecho também não seria má ideia, mas eu divido que a AMC esteja pronta para abandonar sua mina de ouro tão cedo.



The Walking Dead é exibida no Brasil pela Fox, a nona temporada tem 16 episódio. Temporadas mais antigas do programa estão disponíveis também na Netflix. O décimo ano já está confirmado, e existem planos para longas-metragem derivados estrelados por Rick Grimes (Andrew Lincoln).

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quinta-feira, 4 de abril de 2019

#LivroBRnoCinema: Fantásticas - Contos de fantasia protagonizados por mulheres

Hoje vamos descobrir a antologia Fantásticas - Contos de fantasia protagonizados por mulheres, publicação da Giz Editorial, que tem a participação da autora Dany Fernandez.

Fantásticas - Contos de fantasia protagonizados por mulheres


SINOPSE:
Em Fantásticas, as mulheres são as estrelas da literatura fantástica. Mulheres são tema de 23 contos de humor, fantasia e terror na antologia da Giz Editorial, organizada e editada pelos escritores Giulia Moon e Walter Tierno.

A antologia Fantásticas traz em seu DNA a diversidade, pois é resultado da união entre escritores das mais diversas profissões, etnias e gêneros. Alguns, enfrentando o desafio de publicar um conto pela primeira vez.

O livro é resultado de um curso de escrita ministrado pelos organizadores, realizado desde 2015, e traz um conjunto de contos que prima pela riqueza de ideias, estilos e abordagens ao universo fantástico.

São 8 contos de humor, 7 de aventura e 8 de terror, ao todo 23 maneiras de enxergar o gênero feminino na literatura fantástica.

Fantásticas também traz um conto inédito de cada um dos organizadores: Giulia Moon, conhecida pelos seus livros de vampiros, traz uma aventura de sua vampira japonesa Kaori; e Walter Tierno, escritor e ilustrador, traz uma história tragicômica sobre um futuro sem machos da espécie humana.

A antologia, além de um conto da autora Dany Fernandez, também conta com a participação dos autores Alessandra Morales, Allana Machado, Amanda Gonçalves, Ana Paula de Souza, Bruno Catão, Bruno Melo, Carlos Sanches, Cesar Sinicio, Cristina Vieira, Daniel Constantini, Dimitrius H. Alves, Felipe Eduardo Amaral, Fernando Molina, Josy Santos, J. B. Alves, Mariana Albuquerque, Paulo Vitor Mendonça, Renata Brito, Robson Andrade Costa Binho e Victor Bertazzo.

SOBRE UMA DAS AUTORAS:
Dany Fernandez é design editorial e redatora do Barato Literário, site que amantes assumidos de Literatura Fantástica, mas com espaço para vira romances, distopias, livros de humor, literatura infantil, quadrinhos, entrevistas com autores e divulgações de eventos variados. - www.baratoliterario.com.br


SOBRE O #LivroBRnoCinema:
Em 2019 nosso parceiro, o Tabula Rasa, lança a Campanha #LivroBRnoCinema, junto com um serviço especial para autores nacionais. Dado ao histórico de divulgação da literatura brasileira da atualidade que a fundadora do portal, a fotógrafa e jornalista Louise Duarte, e a editora chefe Anny Lucard, iniciaram a 10 anos atrás, ainda na extinta Rádio Digital Rio, com o programa Contos Sobrenaturais que tinha como objetivo levar a literatura para as ondas do rádio. Além do trabalho de consultoria e das coberturas de eventos literários.

A ideia é do portal divulgar livros nacionais com potencial para se tornarem filmes. Assim como prestar um serviço diferenciado na divulgação de autores nacionais ainda desconhecidos do grande público. Sobre os Pacotes de Serviço Especial do Tabula Rasa 2019 e a Campanha #LivroBRnoCinema, acesse:

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quarta-feira, 3 de abril de 2019

Shazam!

Com grandes poderes vem... grandes poderes, ué! A responsabilidade e o consequente intuito de ajudar o próximo cada um constrói a seu tempo. Ou não. É isso que vai definir se você é um herói, vilão, ou só um cara com habilidades legais sub-aproveitadas. Shazam! precisa descobrir qual destes caras pretende ser, aprender a lidar com suas habilidades e encontrar um lar, nesta primeira aventura. Muito trabalho para alguém de apenas quatorze anos.

Billy Batson (Asher Angel) é um adolescente que salta de um lar adotivo para outro, se recusando se relacionar com qualquer família adotiva. Logo após chegar em uma nova casa, ele recebe poderes de um mago, se transformando em um herói adulto toda vez que grita Shazam! (Zachary Levi). Explorar e exibir seus poderes são a diversão perfeita, até que o super-vilão Dr. Sivana (Mark Strong) resolve brincar também.

Shazam! existe no mesmo universo que os demais filmes de heróis da DC. De fato, é a existência destes personagens que de certa forma ajudam o protagonista a começar a compreender o heroísmo. Mas as conexões param por aí, as aventuras de Billy são diferentes em estilo, tom e até gênero.

Assumidamente uma comédia para toda a família, o roteiro se aproveita ao máximo da condição incomum de seu protagonista, uma criança presa no corpo de um adulto. Situação que inevitavelmente evoca o clássico da Sessão da Tarde, Quero ser Grande, no qual a produção tem orgulho de se inspirar.  O diferencial aqui, são os poderes que oferecem piadas diferentes e um maior potencial de exagero, que o longa estrelado por Tom Hanks. Afinal, estamos falando de um marmanjo de colante enchimento e capa. O protagonista é uma crianças, sem as amarras da responsabilidade de seus colegas poderosos, ele pode se divertir com suas habilidades. 

As piadas são acertadas, e estão presentes ao longo de todo o filme, mas este não se vale apenas delas para funcionar. A produção tem seus momentos mais dramáticos. Billy tem um arco a ser desenvolvido além dos super-poderes, assim como o vilão. Ambos relacionados com família.

É na capacidade de se portar como uma criança empolgada com o mundo e no carisma de Zachary Levi, que o humor mais ingênuo se sustenta e torna crível. O ator acerta no tom da ingenuidade e da comédia. Além de quase sempre soa mais como um adolescente genuíno que seu correlato mirim, até porque cabe a ele, as cenas de encantamento com as super habilidades. Asher Angel entrega relações corretas, mas parece sempre mais contido que sua versão super. A discrepância, não chega comprometer, mas pode incomodar alguns.

No elenco mirim, quem chama atenção é Jack Dylan Grazer (de It: A Coisa) como Freddy, o adolescente que divide a aventura com o protagonista. Um nerd ao mesmo tempo irritante e cativante, ele rouba a cena nos momentos em que contracena com Angel, e atua no mesmo nivel que Levi. As demais crianças entregam o necessário, embora atendam a alguns estereótipos desnecessários como o asiático viciado e tecnologia Eugene (Ian Chen). O destaque para a fofíssima Faithe Herman, que interpreta a caçula Darla.

É no vilão genérico vivido por Mark Strong que o longa tem seu ponto mais fraco. Mais devido aos maneirismos do ator que já fez este mesmo papel em diversas produções, que pelo roteiro em si. Este até constrói uma motivação razoável para o malvado, que também ajuda a construir a mitologia do herói, ao custo de uma introdução um pouco mais arrastada que o restante o filme. O acerto, e real ameaça que o Dr. Silvana oferecem estão nas criaturas atreladas a ele. 

Também estão relacionadas aos monstrões de CGI, as poucas sequências mais assustadoras da produção. Nada que aterrorize demais os pequenos, mas o suficiente para lembrar a estreia no terror do diretor David F. Sandberg (Annabelle 2: A Criação do Mal).

As cenas de ação funcionam, especialmente nas sequencias de treinamento e salvamento. As lutas são menos memoráveis, mas coerentes com a produção. Billy não tem nenhum treinamento de luta, logo os embates acertadamente não tem coreografias sofisticadas. A produção ainda ganha pontos, por optar em usar os atores em cabos, ao invés dos bonecos de CGI, muito usados por sua concorrente a Marvel. O efeito também não é perfeito, mas a presença dos interpretes cria uma conexão e um senso de perigo maior para o expectador.

Há ainda duas cenas pós créditos, e várias referências ao Superman, Mulher Maravilha, Aquaman e Batman. Assim como à outros ícones da cultura pop. Fique de olho!

Divertido, leve e eficiente. Shazam! tem potencial para se tornar a franquia com a qual a molecada mais se identifica e sente representada. Mas tem nostalgia o suficiente para alcançar também os adultos, afinal todos já fomos adolescentes que se divertiriam muito com grandes poderes e só um pouquinho de responsabilidade.

Shazam!
2019 - EUA - 132min
Aventura, comédia, ação
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