quarta-feira, 14 de novembro de 2018

As 'Judiths' de The Walking Dead

Lá em 2016, quando a sétima temporada de The Walking Dead estava prestes a começar, e a pequena Judith Grimes ainda era a pessoa mais despreocupada do apocalipse zumbi, postei aqui uma lista com todas as intérpretes que deram vida a filha de Shane Rick. O salto de tempo do nono ano, finalmente deu preocupação e voz a garota, logo é hora de atualizar esta lista.

Enquanto bebê Judith teve nada menos que dezesseis intérpretes. Isso mesmo, você não leu errado, 16 bebês apareceram em cena ao longo dos últimos seis anos. Mas você provavelmente só vai identificar oito rostinhos diferentes, já que é comum escalar gêmeos para revezar o papel e em produções de TV e poupar os pequenos do ritmo intenso das gravações. Mas calma, que a lista não para nos bebês...

3ª Temporada

Judith nasceu em 2012, no quarto episódio da 3ª temporada, com os rostinhos de Adelaide e Eliza Cornwell que na época tinham apenas 6 meses de vida. Brendon Cornwell tio das gêmeas também teve um papel na série, vivendo um sobrevivente de Woodburry nos episódios 9, 10 e 16 da mesma temporada.

Loudyn and Leighton Case assumiram ainda na terceira temporada. As meninas na verdade não são apenas gêmeas, elas nasceram junto com o irmão, na verdade são trigêmeos.

4ª Temporada

Tinsley e Anniston Price viveram a personagem pelos dez primeiros episódios do quarto ano. Depois disso elas deram vida à Holly, a irmã caçula de Mike Wheeler em Stranger Things (na foto ao lado), série da Netflix. Por causa deste trabalho recente a dupla é a única creditada na página do IMDB da série, por interpretar a versão bebê da personagem.

Eleora e Elisea DiFranco apareceram nos episódios mais lembrados da vida do bebê. Quando a personagem está na estrada com Tyrese, Carol, e as crianças mika e pequena Lizzie,. Esta última começa a acreditar que virar zumbis é o melhor caminho, mata a própria irmã e pretende fazer o mesmo com o bebê.

Sophia e Delia Oeland apareceram apenas no último episódio do quarto ano.
 

5ª Temporada

Charlotte e Clara Ward viveram Judith por grande parte do quinto ano e tem até uma página do Facebook para provar isso. Com direito à fotos da produção e imagens atuais das meninas. Elas também migraram para Stranger Things, vivem a versão mais jovem de Eleven.
 

Kiley e Jaelyn Behun ficaram à cargo do papel, na segunda metade da quinta temporada, quando o grupo chega em Alexandia.

6ª, 7ª e 8ª Temporadas

b>Chloe e Sophia Garcia-Frizzi
assumiram no sexto ano e mantiveram o papel até o salto temporal da nona temporada, quando a personagem começa a ter falas. Apenas Chloe está creditada no IMDB. Elas são, até o momento, as intérpretes com mais tempo no papel.

Antes de morrer, quando as irmãs Garcia-Frizzi ainda viviam a personagem, Carl tem uma visão do futuro que ele gostaria que acontecesse. Nessa visão sua irmãzinha, então com seis anos, tem o rosto de Kinsley Isla Dillon.

9ª temporada

Chegamos ao momento atual da série e Cailey Fleming acaba de estrear como a nova versão de Judith Grimes, que agora tem falas atitude, armas letais e o famoso chapéu de xerife. A atriz mirim de onze anos, apareceu este ano no filme A Justiceira com Jennifer Garner, e também deu vida a versão criança de Rey em Star Wars: O Despertar da Força (imagem ao lado).

Assim, chegamos ao incrível número de 18 'Judiths'! Você notou o tanto que ela mudou?

Agora que ela não é mais a pessoa menos preocupada do apocalipse zumbi, e seu crescimento deve ser mais "regular" o que você acha que a última representante da família Grimes em cena, é capaz de fazer?

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segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald

A franquia Animais Fantásticos tem oferecido uma experiência nova para os "potterheads" (os fãs do Mundo Mágico criado por J.K.Rowling), a de não saber o que está por vir nos cinemas, e ter uma gama mais restrita de detalhes e explicações, em um universo ainda mais rico. Diferente de seu predecessor mais famoso, a saga de Newt e companhia não está disponível em longos e detalhados livros, a serem devorados e decorados antes dos filmes. Ciente da possibilidade de surpreender o espectador em uma plataforma nova, a autora, que aqui também assina o roteiro, aproveita tanto nosso conhecimento vindo de Harry Potter, como a falta dele para confundir e intrigar, na maioria das vezes, no bom sentido.

Gerardo Grindelwald (Johnny Depp) escapou da prisão, e começa sua jornada de recrutar seguidores para sua causa, com interesse especial no jovem Credence (Ezra Miller). Newt (Eddie Redmayne) é recrutado por Alvo Dumbledore (Jude Law) para encontrar o rapaz antes do vilão. Tarefa que Tina Goldstein (Katherine Waterston), e o ministério da magia britânico também pretendem executar em Paris.

Bastante diferente do introdutório Onde Habitam - afinal, este precisava conquistar também os não iniciados - , Os Crimes de Grindelwald nos leva direto à ação e não tem medo de expandir o universo com novos personagens e subtramas. Assim, começamos a descobrir as motivações e planos de Grindewald, e as diferentes razões pelas quais seus seguidores os escolhem. Além de ter vislumbres de sua sua complexa relação com Dumbledore.

Também conhecemos Theseus Scamander (Callum Turner), auror irmão de Newt e noivo de Leta Lestrange (Zoe Kravitz). Esta última com seu próprio arco misterioso. Aliás subtramas não faltam neste longa.

O relacionamento prévio entre Dumbledore e Grindewald, a busca de (e por) Credence, a jornada de Queenie e os traumas de Leta, inicialmente soam como tramas individuais e desconexas, mas na verdade fazem parte de uma teia mais intrincada, que vai reunir todos os arcos, e mudar o status-quo do mundo bruxo, no obrigatório clímax cheio de reviravoltas.

Reparou que não mencionei Newt no parágrafo anterior? Isso porque nesta aventura o magizoologista, tem um papel mais observador, levando o espectador com sigo e reagindo ao que encontra. Assim como Jacob (Dan Fogler) fora os olhos do público no longa anterior. A mudança de posição não é uma surpresa para quem acompanha as aventuras do Mundo Bruxo, e sabe que a luta real acontecerá em algum momento entre Dumbledore e Grindewald. Logo, o Scamander assume o papel de condutor, não necessariamente move a trama, mas é aquele com quem embarcaremos na história e com que melhor nos relacionamos. Esta última característica é mérito da carismática interpretação de Redmaine, que continua mesclando muito bem a timidez absurda do personagem com suas paixões e altruísmo.

E por falar nas paixões de Newt, antigos e novos animais fantásticos estão de volta, mas agora com aparições pontuais e funcionais na narrativa. Já Tina evoluiu para uma personagem, mais carismática e menos ranzinza, fornecendo mais oportunidades para Waterston atuar. Alison Sudol entrega uma Queenie um tom acima de sua atuação anterior. A personagem está mais estridente e acelerada, mas ainda não fica claro se se trata de uma escolha ruim, ou se existem circunstancias atenuantes para sua mudança a serem reveladas nos próximos filmes. Enquanto Ezra Miller, começa a explorar o crescimento de Credence em busca de sua identidade mágica.

Mas os destaques de atuação ficam com Depp e Law. O primeiro, consegue apresentar um discurso convincente, e uma maldade e propósitos ainda mais ameaçadores que Voldermort, já que o vilão de Harry Potter não tinha o mesmo carisma e empatia com as massas. Tudo isso, apesar das polêmicas envolvendo o intérprete escolhido.

Já Jude Law atende as altas expectativas, ao parecer ter compreendido quem Dumbledore era naquele momento, já colecionando os eventos e alguns maneirismos que o tornariam no diretor de Hogwarts que conhecemos. O personagem poderia soar como alguém manipulador, mandando terceiros executar seus planos, o que aliás ele continua fazendo décadas mais tarde.  Mas o tom aqui, é de uma pessoa preocupada que tenta fazer o melhor, com as barreiras que encontra.

Tecnicamente o longa não tem barreiras, a qualidade já conhecida da franquia se mantém. A computação gráfica consegue apresentar criaturas mágicas tão críveis, quanto encantadoras. Enquanto a fotografia e figurino, criam a ambientação sombria, de um mundo sob ameaça de uma guerra iminente. O escorregão fica por conta da ação, que soa confusa e mal coreografada na batalha final. O 3D não é mal executado, mas também não é indispensável. O filme tem cópias em 2D, 3D e IMAX.

O roteiro complexo e cheio de histórias paralelas criado por Rowling é eficiente em expandir o universo, conhecemos um país novo, vemos como outros bruxos vivem, descobrimos novas criaturas e histórias. Faz bom uso da nostalgia, e do fan-service, sem excluir quem não acompanha a franquia desde Potter. E ainda, faz excelentes paralelos com discussões atuais, em especial sobre preconceito e  intolerância.

Entretanto, sua complexidade pode afastar alguns. São muitas histórias paralelas e algumas reviravoltas, que curiosamente podem soar tanto como excesso, quanto como falta de informação dependendo de quem assiste. Alguns podem sair cansados e confusos com tantas novas peças em jogo, outros podem ter sua curiosidade aguçada, com a mente repleta de teorias e ávidos por mais detalhes. Me inclua no segundo grupo. Provavelmente, resquícios de uma roteirista mais habituada a ter o espaço muito maior das páginas de um livro, aos poucos minutos de um filme. Logo seus leitores devem embarcar na aventura com mais facilidade que os "apenas espectadores".

Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald pode dividir opiniões. Mas a produção cumpre a tarefa a que se propôs, dar continuidade a trama iniciada em Nova York, que em algum momento deve culminar na queda do vilão do título, sob a perspectiva do magizoologista Newt, ampliando e explorando todo o potencial do Wizarding World (sim, o Mundo Mágico é uma marca oficialmente).

Tenha você amado, ou guardado algumas ressalvas quanto a este capítulo, a produção deixa todos na mesma situação: esperando por dois longos anos, para ter suas dúvidas/curiosidades sanadas e descobrir os próximos passos. Sem livros, ou informações novas, para onde fugir. Ao menos sabemos que Rowling não é Martim e a espera tem data certa para acabar.

Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald (Fantastic Beasts: The Crimes Of Grindelwald)
2018 - Reino Unido, EUA - 134min
Aventura, Fantasia

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sexta-feira, 9 de novembro de 2018

O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos

Não é a primeira vez que a Disney leva um balé de Tchaikovsky para a tela grande. A Bela Adormecida de 1959, consegue a proeza de manter a essência e magia da versão dos palcos ao incorporar suas canções à animação. A adaptação se mantém um clássico até os dias de hoje, apesar das ressalvas quanto à sua apagada protagonista. O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos, não tem problemas em dar protagonismo, à sua personagem principal - que não é o personagem título, diga-se - mas passa longe de recriar a magia do original.

Em seu primeiro natal após a perda da mãe, Clara (Mackenzie Foy, a Renesmé da Saga Crepúsculo) recebe um presente especial, a chave para um mundo mágico. Obviamente, esta terra especial passa por problemas, e a garota vai usar sua mente curiosa e criativa para tentar reconciliar os Reino dos Doces, o Reino das Neves, o Reino das Flores e o misterioso Quarto Reino.

Não é surpresa, muito menos um problema, que esta versão adapte e atualize tanto a obra de Tchaikovsky, quanto o conto de E. T. A. Hoffmann que o inspirou. Dar mais função e empoderamento à Clara, expandir o universo mágico e conferir mais complexidade à trama protagonizada por brinquedos é uma escolha acertada para conetar a história do século XIX ao público de hoje. Entretanto, caminho escolhido pelo roteiro é a previsível fórmula já repetida diversas vezes pelo estúdio. Formato no qual as conveniências e pouca profundidade não passam mais despercebidos pela audiência.

No mundo real, Stahlbaum precisam aprender a viver sem a mãe. Tarefa que vão cumprir após Clara, e apenas ela, passar por uma jornada de auto-descoberta, da qual seu pai e irmãos se quer tem conhecimento posterior. E não é apenas o roteiro que trata a protagonista como a escolhida, os próprios pais mostram o favoritismo pela menina. Basta notar que apenas ela ganha a chave para um reino mágico criado por sua mãe, e nele é tratada como filha única. Imagine se Lúcia decidisse ir à Nárnia sem, Pedro, Suzana e Edmundo? A sensação é no mínimo incômoda.

Uma vez nos Quatro Reinos a tal jornada é bastante conhecida, surpresa, encantamento, a necessidade de um herói, a aventura e uma "previamente anunciada reviravolta" - daquelas que você percebe assim que o "vilão oculto" entra em cena - superada pelas habilidades únicas de nossa heroína. É claro, toda essa previsibilidade vai passar despercebia pela criançada desprovida de bagagem, que vai embarcar na aventura e principalmente no mundo em que ela se passa, este sim deve encantar também os adultos.

A direção de arte, os figurinos, caracterização e efeitos especiais, criam um universo rico e detalhes, dentro e fora do reino mágico. O visual de encher os olhos, é sem dúvida o ponto forte do longa, nos faz querer conhecer mais sobre esta terra mágica e os curiosos elementos que a compõem. Conhecimento que, infelizmente, nunca é entregue.

Conhecemos bem pouco também dos demais personagens em cena. Percebeu que até agora não mencionei o personagem título? Com o reforço no protagonismo de Clara, pouco sobra para o Quebra-Nozes (Jayden Fowora-Knight), além do papel de acompanhante. Mas o desperdício maior fica por conta do elenco adulto que conta com Morgan Freeman (Drosselmeyer), Helen Mirren (Mother Ginger), Keira Knightley (Sugar Plum), Matthew Macfadyen (Mr. Stahlbaum), todos relegados a participações pequenas, ou papéis rasoas e demasiadamente previsíveis. O destaque mesmo fica com Foy, que carrega bem a história, sendo a personagem melhor construída e portanto mais relacionável.

Um momento memorável da produção é a recriação de um trecho do balé, com a performance de Misty Copeland. Mas o número acaba por ressaltar o que o filme poderia ter sido, não tivesse optado pelo caminho seguro e repetitivo.

O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos, tinha os recursos, elenco, conteúdo, magia e atmosfera suficientes para se tornar um clássico. Mas o roteiro fraco, o tornou um espetáculo visual raso, com personagens pouco memoráveis e história previsível. Um desperdício de potencial que não faz jus a obra imortalizada por Tchaikovsky.

O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos (The Nutcracker and the Four Realms)
2018 - EUA - 100min
Fantasia, Aventura

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quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Operação Overlord

Caso você não tenha ligado o nome ao evento, Operação Overlord foi o codinome usado para a Batalha da Normandia. A invasão dos aliados na Europa ocupada pelos nazistas, que inclui o muito mais famoso, e amplamente explorado pelo cinema e TV, "Dia D". Agora que você lembrou do que o filme se trata, provavelmente está se perguntando, será que há algo de novo para se contar sobre este decisivo dia? Sim. Certamente existem centenas de histórias e heróis daqueles dias dos quais nunca ouviremos falar. Aqui imaginamos uma destas possíveis histórias, de uma forma mais fantasiosa e com muito horror.

Um grupo de paraquedistas americanos é enviado para trás das linhas inimigas horas antes da invasão à Normandia, com a crucial tarefa de destruir um transmissor de rádio no topo de uma igreja fortificada, em um pequeno vilarejo francês. Em menor número e cercado de alemães, os heróis ainda precisam lidar com os segredos produzidos por lá.

Urgência, este é o tom definido pela produção de J.J. Abrams logo na primeira cena. Ser literalmente jogado no campo inimigo em meio ao bombardeiro é aterrorizante, especialmente se nos lembrarmos que se trata de uma situação real de guerra. Uma vez em solo, não há descanso para o pelotão, que precisa lidar com o tempo limitado para cumprir a missão, os ferimentos, a perda de companheiros, minas terrestres, soldados nazistas, e "aquele algo mais" que sabemos estar acontecendo na igreja.


O elenco formado por atores em ascensão é eficiente nas tarefas de passar essa urgência, criar uma dinâmica entre eles e ainda causar empatia no espectador. São apenas pessoas comuns jogadas em uma situação que não escolheram. Os destaques ficam com o doce e deslocado Boyce (Jovan Adepo, The Leftovers, Mãe!), e seu contraponto imediato, o calejado Ford (Wyatt Russell, Black Mirror). Também chamam atenção a modelo e atriz francesa Mathilde Ollivier, em sua boa estreia em produções estadunidenses, e o propositalmente caricato vilão de Pilou Asbæk (Game of Thrones). John Magaro (A Grande Aposta) e Iain de Caestecker (Agents of Shield) completam o elenco principal.

Além do aflitivo tom de perigo constante, os personagens enfrentam o gore propriamente dito. Operação Overlord combina os horrores verdadeiros de uma guerra, com a ameaça mais fantasiosa de um filme de terror. A direção de Julius Avery, consegue apresentar estas ameaças pouco realísticas e propositalmente exageradas, sem diminuir o impacto da rotina de uma guerra, e este é o maior acerto do filme. Por mais incansável, sangrento ou grotesco que sejam os inimigos fantásticos, é a realidade da guerra que mais assusta. O cotidiano do pequeno vilarejo sitiado, e a vida em constante alerta de seus moradores, sempre esperando para ser a próxima vítima, é uma atmosfera tão, ou mais difícil de encarar, que qualquer monstro.

Operação Overlord tem efeitos visuais eficientes, algumas cenas de ação grandiosas, e ritmo intenso, mas a produção acerta mesmo ao entregar um terror que trabalha com medos distintos, o real e o fantástico. Seja com o monstro um humano do outro lado da batalha, ou uma criatura sobre-humana, você vai permanecer nervoso e alerta como um soldado em solo inimigo durante toda a projeção.

Operação Overlord (Overlord)
2018 - EUA - 110min
Terror, Ação, Guerra




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segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Bohemian Rhapsody

Original, criativo, ousado, corajoso, relevante e desprovido de censura, todos adjetivos indiscutivelmente aplicáveis à banda Queen e seu icônico intérprete Freddie Mercury. Com um grupo tão rico em conteúdo, personalidade e uma história conhecidamente conturbada, a expectativa de mergulhar em seus bastidores e conhecer melhor as pessoas envolvidas é inevitável ao encarar uma sessão de Bohemian Rhapsody. Tudo, é claro, embalado por boa música.

Freddie Mercury (Rami Malek), Brian May (Gwilyn Lee), Roger Taylor (Ben Hardy) e John Deacon (Joseph Mazzello) abalam o mundo da música com a banda Queen. Mas o complexo estilo de vida atrelado ao sucesso, somado à excentricidade de seu vocalista torna sua convivência complicada.

Farrokh Bulsara trabalhava em um aeroporto quando percebeu uma oportunidade, uma vaga de vocalista em uma talentosa banda, somou a ela seu estilo incomum, mudou seu nome para Freddie Mercury e o Queen se tornou um sucesso. Rápido assim, logo nos primeiros minutos sem grandes detalhes ou empecilhos, Bohemian Rhapsody, nos apresenta o surgimento da banda e seus primeiros sucessos.

A correria inicial se justificaria, já que a trajetória da banda é longa, cheia de conflitos e com uma quantidade igualmente grande de sucesso. Infelizmente não é este o caminho que a produção segue. Freddie tem conflitos com os pais de uma família tradicional e rígida, um relacionamento incomum com Mary (Lucy Boynton), um convívio delicado e complexo com sua banda, um processo criativo louco, brigas com a imprensa, um agente mal intencionado e dúvidas sobre sexualidade. Mas o roteiro apenas aponta cada uma destes aspectos da vida de seu protagonista, sem realmente se aprofundar em nenhuma delas.

Ao mesmo tempo trata seus personagens de forma pouco realista em alguns momentos até caricata, em especial na participação especial da Mike Myers, como o agente que perdeu o Queen. Enquanto Freddie é colocado em um pedestal como um deus da criatividade, incluindo a personalidade difícil e até antipática aos olhos dos reles mortais. Os demais membros da banda parecem não ter falhas e sempre agir de forma equilibrada e profissional, acentuando a excentricidade de seu membro mais famoso. O resultado é um grupo de personagens artificiais, e consequentemente situações artificiais, que nos impedem tanto de conhecer a fundo os personagens, quanto ter aquela sensação de imersão nos bastidores da banda.

Mas calma, isso não significa que você não vai se relacionar com Bohemian Rhapsody. Você vai sim se empolgar com os números musicais e até esquecer que está no cinema e eventualmente cantar junto. Mas isto é mais mérito da banda que já conhecemos fora das telas e de sua longa lista de sucessos devidamente espalhada ao longo da projeção, do que do roteiro propriamente dito.

Fato curioso: Bohemian Rhapsody, canção que dá titulo à produção é apresentada várias vezes durante o filme, mas nunca completa. Acidentalmente confirmando a afirmação do "produtor malvado" de que a canção é muito longa para ser trabalhada comercialmente. Para nós fica só a sensação de que falta algo.


De volta aos personagens, o esforço de Rami Malek para personificar os trejeitos e maneirismos de Mercury é visível e eficiente na maior parte do tempo. Assim como a caracterização e a reconstrução de época. Some isso às boas músicas que o resultado é um bom entretenimento, e apenas isso.

Produzido sob a supervisão dos membros remanescentes da banda, e com problemas na direção (Bryan Singer foi demitido e substituído por Dexter Fletcher), Bohemian Rhapsody escolhe o caminho comum e seguro para contar a história de um grupo excepcional. Tratando de forma superficial até mesmo clichês de filmes do gênero, como sexualidade e uso de drogas. As boas músicas seguram a audiência, mas esta nunca alcança os verdadeiros conflitos das pessoas retratadas. O resultado é um filme mediano, que não faz jus ao legado e predicados de Mercury e do Queen.

Bohemian Rhapsody
2018 - EUA - 135min
Biografia

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