sexta-feira, 21 de setembro de 2018

A árvores mais interessantes da cultura pop

Hoje é comemorado o Dia da Árvore no Brasil. A data foi escolhida para aproveitar a chegada da primavera, e promover a importância da preservação das árvores e das florestas. E como nerd consciente que sou, resolvi fazer a minha parte listando as mais relevantes árvores conscientes da ficção. Afinal, estas também são raras e merecem ser preservadas.

Groot
Ele é provavelmente a arvore mais badalada do momento, só que na verdade ele é um Colossus Floral, uma especie alienígena dos quadrinhos. Mas convenhamos, parece muito com uma àrvore para nós, então... A arvore antropomórfica que fala através de apenas uma frase "Eu sou Groot", foi criada da década de 1960, mas só caiu no gosto popular ao ganhar uma versão para os cinemas. O Groot das telonas tem a voz de Vin Diesel, já foi mostrado como adulto, raminho, criança e até adolescente, é um membro dos Guardiões da Galáxia. Seus poderes incluem força, regeneração, elasticidade e até manipulação de plantas. Além dos filmes e quadrinhos, ele também apareceu em games, desenhos animados e muitos, muitos colecionáveis.

Barbárvore
Barvárbore é um Ent, espécie de árvore antropomórfica que vive na terra média criada por J.R.R.Tolkien. Ele mora na Floresta de Fangorn tem cerca de quatro metros e meio de altura, e se assemelha a um carvalho. Os Ents são Pastores das Árvores, vivem para proteger as florestas, por causa disso eles raramente se envolvem e intrigas de outra especies. Quando conhecemos, em O Senhor dos Anéis - As Duas Torres, Barvárbore e seus companheiros realizam um grande e demorado - demorado mesmo, eles levam horas para falar qualquer coisa em seu idioma - conselho para decidir se a especie ajudaria na causa do um anel, mas é o desmatamento promovido Sauron que força às espécie a se posicionar.

Salgueiro Lutador
Este aqui só se comunica por movimentos, ou talvez esteja só se defendendo mesmo. O Salgueiro Lutador está plantado nos terrenos da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, e costuma nocautear qualquer um que chegue muito perto. Na verdade a árvore foi plantada no terreno com um propósito, ela esconde uma passagem secreta que leva à Casa dos Gritos, uma residência abandonada próxima ao castelo. Fornecendo assim, um local seguro para que um dos alunos, Remus Lupin, que fora mordido pelo lobisomem possa se transformar sem machucar os colegas de classe. Nos filmes de Harry Potter é preciso encarar uma luta, ou lançar um feitiço para imobiliza-lo caso você deseje alcançar a passagem secreta, nos livros a praticidade impera e a planta tem um botão de "liga e desliga".

Vovô Willow
Ela é a avó de Pocahontas na animação da Disney, mas também é um Salgueiro Chorão com rosto. Como a vovó se tornou uma árvore, e se ela realmente é a avó da protagonista? Não sabemos, e nem importa muito. O importante são os conselhos sábios e maternais que a divertida planta oferece. Sua voz original é da veteranda Linda Hunt.

Macieiras de Oz
No maravilhoso mundo de Oz é possível encontrar um pomar inteiro de macieiras que falam e movimentam seus galhos. Elas repreendem duramente aqueles que pegam seus frutos sem pedir, nos lembrando do quão abusados nós somos em relação a natureza. Por outro lado, elas são bem fáceis de enganar, basta irritá-las um pouco e elas mesmas atirarão as maçãs em você. É no pomar de macieiras que vivia o Homem de Lata durante as aventuras de Dorothy e Totó pelo país.

A árvore de Sete Minutos Depois da Meia-Noite
É uma árvore gigante antropomórfica com a voz de Liam Neeson que aparece para contar histórias a Connor (Lewis MacDougal). São essas histórias que que vão ajudar o menino de treze anos a compreender, enfrentar e superar uma fase difícil de sua vida. É a mais jovem desta lista, foi criada em 2011 por Patrick Ness no livro homônimo que inspirou o filme.

Curiosamente todas as arvores desta lista nasceram nas páginas e ganharam boas versões na tela grande. Mas, se expandirmos o olhar e além de arvores ativas, colocarmos todas aquelas que tem importância para suas histórias a lista cresce assustadoramente, com a inclusão de espécies como as Árvores Coração de Westeros, e até o patético pinheirinho do Charlie Brown. Mas esta é uma lista para o próximo Dia da Árvore, espero que nenhuma tenha sido extinta até lá.

Brincadeiras à parte, estes personagens direta ou indiretamente, sempre chamam nossa atenção para a importância de cuidar melhor do nosso planetinha. É sempre mais interessante e eficaz, amparar estes conceitos com um plano de fundo eficaz.

E aí, conhece todas as plantas desta lista? Sua espécie favorita ficou de fora? Vem celebrar  a natureza com sua árvore fictícia favorita. 
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quarta-feira, 19 de setembro de 2018

O Mistério do Relógio na Parede

Antes da atual era do "politicamente correto" ser instaurada, obras voltadas para crianças não tinham receio de assustar um pouco seus pequenos espectadores. Sequencias como a primeira aparição de Jareth em Labirinto: A Magia do Tempo, a revelação da aparência das bruxas em Convenção das Bruxas, ou mesmo o lobisomem da série Mundo da Lua, povoaram a imaginação da molecada até o final da década de 1990, desde então as produções tem evitado qualquer sequencia mais forte para não traumatizar os pequenos. O maior mérito de O Mistério do Relógio na Parede, é parecer ser concebido nesse período em que fantasias aventurescas para as crianças ousavam desafiar sua bravura.

Lewis Barnavelt (Owen Vaccaro) acaba de perder os pais, e por isso precisa se mudar para a casa do tio que pouco conhece, Jonathan Barnavelt (Jack Black). Não demora muito para o garoto de 10 anos perceber que nem a casa, nem seu tio, muito menos a vizinha que vive por perto Sra. Zimmerman (Cate Blanchett) são pessoas comuns. Seus novos responsáveis são feiticeiros, e a casa além de mágica guarda um mistério. É claro, Lewis se encanta pelo mundo da magia tão rapidamente quanto arruma problemas nele.

Nessa aventura, os personagens se deparam com objetos, criaturas e situações que podem até soar batidas para o público adulto, mas são muito diferentes das ameaças que vemos dos produtos infantis atuais. A sensação é de estarmos assistindo a um terror pensado para os pequenos. Essa característica pode ter sido herdada da obra original, o livro homônimo de John Bellairs, lançado em 1973, ou ainda, da curiosa escolha dos responsáveis pela sua adaptação. O roteiro é de Eric Kripke, criador da série de TV Sobrenatural, enquanto a direção é de Eli Roth cujo currículo como diretor está repleto de produções de terror e suspense. O resultado é uma aventura fantástica com tons mais sombrios, como as que muitos de nós cresceram assistindo.

Grande parte desse terror fica por conta da casa-personagem quem que a maior parte da história se desenrola. Um ambientação escura, com excesso de marrons e verdes, sombria intimidadora à primeira vista, mas que revela detalhes de cor conforme Lewis deixa de temer a residência e começa a descobrir seus objetos cheio de personalidades e detalhes mágicos.

Entretanto, enquanto a produção de arte acerta na ambientação, o roteiro sofre para conseguir equilibrar bom humor, tom aventureiro e os momentos de terror, ao mesmo tempo que desenrola a trama. Assim, o início do filme soa meio arrastado, já que a produção gasta certo tempo para apresentar os personagens e construir o mistério. Já a segunda sua metade assume um ritmo mais frenético típico de histórias de aventura. Os efeitos em computação gráfica também deixam a desejar, produzidos sem muito esmero, não devem demorar a ficar datados. Mas a produção traz também alguns bons momentos com efeitos práticos.

O humor também se apresenta inconstante, ao utilizar tanto piadas mais bobas envolvendo coisas gosmentas e fezes de animais mágicos, quando diálogos rápidos, espertos e bem humorados apresentados principalmente pelo elenco adulto. E por falar nos atores, Black traz sua tradicional persona exótica para tela, o que funciona já que Jonathan é exatamente essa figura. Blanchett, interpreta sua personagem com confiança, ao mesmo tempo que parece se divertir com as coisas absurdas que uma bruxa pode fazer. São os diálogos inspirados entre os dois amigos que gostam de espezinhar um ao outro, que estão os momentos mais inspirados do filme.

Já o protagonista mirim Vaccaro, apresenta potencial, mas parece mal dirigido, especialmente nos momentos em que precisa demonstrar tristeza pela perda dos pais. Kyle MacLachlan, Renée Elise Goldsberry, Colleen Camp, Sunny Suljic e Lorenza Izzo, completam o elenco que entrega o que seus caricatos personagens exigem.

Vale mencionar, que cada um dos três personagens principais, tem seus arcos bem definidos, ainda que simples. Além de se adaptar à sua nova vida, Lewis precisa descobrir que não há nada errado em ser "esquisito". Jonathan tem que perder o medo de assumir a responsabilidade por seu sobrinho. E a Sra. Zimmerman vai encontrar motivação após uma vida de perdas. O trio ainda vai se descobrir como uma família nada tradicional, especialmente para a época em que o filme se passa, a década de 1950.

O vilão também tem motivações, absurdas, exageradas, mas bastante compreensíveis. É claro, ele as esclarece detalhadamente, assim como seu todo o plano em detalhes durante o clímax. Adotando, aparentemente sem receios, um dos maiores e mais criticados clichês de vilões caricatos, o de parar tudo e perder tempo explicando seu plano para o herói.

O Mistério do Relógio na Parede tem suas falhas e momentos pouco inspirados. Falta um pouco de encantamento quanto à existência de magia, mas a produção diverte. E principalmente, acerta ao estar disposto à arriscar e assustar um pouco mais seu público alvo. Quem sabe a criançada não curte os sustos, e inspira uma nova leva de fantasias com tom de terror, pensada para os pequenos? Um respiro interessante, diante dos filmes coloridos e "politicamente corretos" dos dias de hoje.

O Mistério do Relógio na Parede (The House with a Clock in Its Walls)
2018 - EUA - 94min
Fantasia, Aventura

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segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Luke Cage - 2ª temporada

- Quem disse que não é meu ajudante?
- Eu. A série é minha - responde um momentaneamente bem humorado Luke à uma confiante Misty Knight em um dos episódios da segunda temporada de Luke Cage. O grandalhão que me perdoe, mas a detetive está certa, Cage não parece dono do próprio show nesta segunda incursão na Netflix. Isso porque, o herói deixa seus vilões e coadjuvantes roubarem a cena. E suas próprias sequencias parecem só ganhar peso e gerar interesse quando este está acompanhado.

Luke (Mike Colter) agora é reconhecido como herói e celebridade do Harlem, e continua com seu trabalho de deixar as ruas do bairro que ama seguras. Tarefa que complica com a chegada de John McIver (Mustafa Shakir), o vilão Bushmaster vem executar seu violento plano de vingança. Quem também continua a complicar a vida do protagonista é Mariah (Alfre Woodard), que "herdou o bairro" de seu primo e vilão anterior Cornell. Já a ajuda vem da detetive Misty (Simone Missick), que além determinada a pegar os bandidos, ainda precisa se adaptar a sua nova condição, ela perdeu um braço em um confronto em Defensores.

Enquanto na primeira temporada o desenvolvimento mais devagar da trama, era proposital, enfatizava o relacionamento entre os personagens e defendia um estilo próprio. Nesta segunda aventura do Poderoso, o ritmo é apenas arrastado mesmo, intercalando uma ou outra cena mais frenética, com rodeios para alongar a trama para preencher todos os treze episódios.

O arrasto na trama, faz com que o protagonista soe mais perdido e indeciso, do que realmente perturbado por seus conflitos, e  Colter realmente se esforça para manter o carisma do personagem apesar disso. Luke não toma uma atitude, não pede ajuda, tenta apenas remediar o problema do momento. Somente quando um de seus ajudantes força a barra, que o mocinho começa a agir. O que resulta em bons momentos, como o episódio em que um grupo precisa se esconder em uma abrigo, ou quando Danny Rand (Finn Jones), o Punho de Ferro resolve ajudar o companheiro e a dinâmica da parceria da dupla criada em Defensores, é bem aproveitada. Vale lembrar nos quadrinhos os personagens atuam juntos como os Heróis de Aluguel.

É aqui também que Knight se sobressai. Com uma jornada mais regular, a moça conquista maior envolvimento do espectador, e ainda protagoniza boas sequencias. Como na participação especial de Colleen Wing (Jessica Henwick), que dá um vislumbre de como seria uma série das Filhas do Dragão, parceria da dupla nas HQs. Ou ainda quando finalmente começa a utilizar determinado presente das indústrias Randy.

Mas mesmo os momentos de Knight não melhoram o ritmo da série como um todo. Este só começa a desenrolar, quando as muitas apresentações já foram feitas,. e o desenrolar das histórias de cada personagem exige que suas jornadas finalmente se encontrem. Infelizmente, isso só acontece lá pelo episódio oito, fazendo o programa perder parte do público no meio do caminho.

Enquanto isso, os vilões mantém uma curiosa característica do primeiro ano, na maior parte do tempo parecem mais poderosos que espertos. Movida por emoções e ego, Mariah faz escolhas equivocadas, mas ao menos desta vez paga o preço por isso. Sua interprete Woodard, consegue trabalhar bem esta personalidade absurda, evitando que a antagonista soe caricata na maior parte do tempo.

Já Shakir não tem a mesma preocupação, Bushmaster é sim caricato e a série não parece ter vergonha disso. Com uma história de vida bastante sofrida, o passado do personagem até justificaria, seu exagerado "modus operante", mas série demora demais, para explicar as motivações do vilão, e quando o faz o público já assimilou o personagem como mais um vilão caricato.

Outro efeito curioso causado pelos bons flashbacks da vida de John McIver, é a intensificação do nome de Cornell. Some aí alguns momentos em que Mariah discute com fantasmas do passado, e você se questionará, porque nenhum deles é o primo que ela assassinou na temporada anterior? A resposta, é que oscarizado Mahershala Ali, interprete de Cornell “Cottonmouth” Stokes provavelmente, não está mais disponível para fazer uma participação, mesmo que pequena, no programa. Sentir sua ausência é inevitável.

Em sua temática, a série continua a discutir problemas enfrentados por negros no cenário atual. Entretanto, desta vez o foco principal está nas relações de família, especialmente entre pais e filhos. Toda a rixa de Bushmaster é centrada na perda trágica de sua família. Luke lida com o abandono de seu pai (Reg E. Cathey, que morreu este ano), problema semelhante ao de Mariah com sua filha Tilda (Gabrielle Dennis), mas abordado de forma bem distinta, nos dois caso.

O esmero visual, com fotografia e cenário com cores quentes, e a trilha sonora bem construída, com participações de expoentes reais do cenário musical negro, estão de volta. O escorregão técnico fica por conta das coreografias de luta. Luke não parece tão impressionante, quando sua força não é uma vantagem sobre o oponente. Resultando em confrontos pouco inspirados, como o que acontece entre o herói e Bushmaster em uma ponte. Esta sequência de luta em particular ainda peca, ao ser anunciada ao meio dia, e ora parecer acontecer ao entardecer, ora ter iluminação diurna.


Apesar de confusa e arrastada, a jornada de do Powerman ao menos o coloca em uma situação inusitada pela primeira vez. Quem não desistiu no meio do caminho, com certeza terminou curioso com os rumos que a história do herói do Harlem deve tomar. Infelizmente, ainda não parece ser a série dos Heróis de Aluguel, mas é um desfecho muito diferente do que vimos até agora, e pode devolver o protagonismo ao personagem. Por hora resta torcer para que um possível terceiro ano, aceite ter menos episódios se preciso, e não arraste a história para que esta caiba no formato de treze longos capítulos.

As duas temporadas de Luke Cage tem 13 episódios cada, todos disponíveis na Netflix.

Leia a crítica das primeiras temporada de Luke Cage, de Defensores, ou confira Informações úteis para sua maratona de Luke Cage.

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quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Dramaworld

Em tempos de maratonas em serviços de streaming, que atire a primeira pedra quem nunca se encontrou viciado em determinado programa ou série. Conhecendo cada detalhe e desejando mergulhar de cabeça no universo em questão. Este é o sonho que Dramaworld realiza para sua protagonista.

Claire Duncan (Liv Hewson, de Santa Clarita Diet) é uma universitária viciada em dramas coreanos, a ponto de deixar de lado a própria vida. Quando Taste of Love, parece não estar seguindo o curso regular de um programa do gênero, a protagonista é sugada para dentro do programa. Lá, ela vira uma "facilitadora", uma agente que interfere através de pequenos gestos anônimos para que o galã e a mocinha encontre seus destinos. Mas, apesar de todo o conhecimento da moça sobre este universo, unir Joon Park (Sean Dulake) e Seo-yeon (Bae Noo-ri) se mostra uma tarefa mais complicada do que ela esperava.

Se você presta atenção ao catálogo da Netflix, já deve ter esbarrado em um dos muitos K-Dramas espalhados por lá. Para quem nunca viu, tratam-se "novelinhas romanticas" com fórmula e regras bem definidas - nunca deixar uma donzela cair, é a melhor delas. E é com esta estrutura, e clichês que Dramaworld, ao mesmo tempo faz piada e desenvolve sua trama. O "Mundo do Drama", está ameaçado, e Claire precisa restabelecer o curso da história, sem quebrar tais regras, como permanecer como "elenco de apoio". Mas como o próprio nome já diz, existe muito mais drama, por trás dos problemas no programa de TV. Inclua aí, vilões inescrupulosos, falsos amigos, planos mirabolantes, dramas de família e romances desencontrados.


Representando o espectador, Claire encara uma jornada de crescimento, que vai da fã deslumbrada, à protagonista de Taste of Love e, consequentemente, de sua própria vida. A jornada absurda convence tanto pelo universo e quem se passa, mas principalmente pela interpretação carismática e divertida de Hewson. As reações de fã da moça são tão genuínas, que até perdoamos, quando ela parece não enxergar o óbvio especialmente para quem está acostumado com este este de narrativa.

E por falar em estilo de narrativa, estamos sim acostumados com este tipo de programas. Apesar de virem da Coréia do Sul, os K-Dramas se assemelham muito às novelas que assistimos por aqui, principalmente as mexicanas mais ingênuas e teatrais que as produções nacionais. Mas a estrutura é aquela que conhecemos bem, galã conhece mocinha, e apesar de virem de mundos diferentes e das dificuldades no caminho, eles vão ter seu final feliz.

De volta à Dramaworld, outro ponto positivo é a escolha do elenco de Taste of Love, formado por atores coreanos. O que nos leva a outra surpresa, o idioma. Uma breve explicação sobre o funcionamento de legendas automáticas no Dramaworld, permite que a novelinha continue com seu idioma original, enquanto Claire interagem com eles em inglês. Tornando as cenas novelinha mais genuínas e charmosas.

Cheia de piadas com fórmulas prontas e repetições, Dramaworld também consegue fazer uso destas características para avançar sua trama, enquanto faz uma critica divertida à nossa adoração à estes programas e formatos repetitivos, que acertam no conforto e familiaridade. Sabemos que tudo vai terminar bem, por isso nos entregamos. O resultado é uma série, bem humorada, inteligente, leve e fácil de assistir, a primeira temporada tem dez episódios com cerca de quinze minutos cada. Tão viciante quanto os programas a que faz referência.

Dramaworld, é de 2016 e está disponível na Netflix. A segunda temporada já está em produção, com episódios de 30 minutos e com previsão de estreia para 2019.

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segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Sierra Burgess é uma Loser

Ela também inteligente, ingênua, egoísta, carente, não liga para a opinião alheia, é insegura... As oscilações de personalidades de Sierra são tantas, que fica difícil compreender quem a protagonista realmente é, e consequentemente criar empatia com ela.

Sierra Burgess (Shannon Purser, a Barb de Stranger Things) parece não se importar com o estereótipo de "garota gorda", no qual sua caricata sociedade escolar a encaixa. Até que uma mensagem enviada por engano a faz engajar um romance virtual com o atleta Jamey (Noah Centineo, de Para Todos os Garotos que já Amei). O problema é que o rapaz acha que está conversando com a garota mais bonita e popular da escola. O que leva a protagonista a se aliar com a tal garota, sua arqui-inimiga Verônica (Kristine Froseth).

Perdendo a oportunidade de apresentar uma adolescente fora dos padrões que não se importa com a opinião alheia, este romance adolescente da Netflix, inicialmente apresenta sua protagonista como uma personagem confiante e inteligente, mas não consegue manter esta personalidade durante toda o filme. O resultado, é uma protagonista instável, que faz escolhas equivocadas e incoerente com a forma com que o roteiro a trata.

Sierra supostamente é inteligente, mas às vésperas da formatura, nunca pensou no que fazer depois da escola. Ela tem completa noção das consequências do engano, mas não hesita em fazer de tudo para manter a farsa. Insistência que também vai de encontro com sua alegação de não se importar com as aparências. Se sente superior aos seus estereotipados colegas de escola, mas comete atos ainda mais mesquinhos do que aqueles que abomina. Ao menos em certa altura do filme a moça admite estar perdida, mas a resolução desta jornada "ladeira à baixo" é tão simplificada e rápida que fica difícil crer, que os erros foram corrigidos e que alguma lição foi aprendida.

Quem tem um arco mais interessante é Verônica. Seu estereótipo de "líder de torcida malvada", é desconstruído ao longo da trama conforme o relacionamento entre ela a a protagonista evolui e descobrimos os motivos da moça ser como é. A amizade improvável entre duas pessoas tão diferentes rende bons momentos, mas é sub-aproveitada pela trama, em prol da confusa jornada da protagonista.

Outro que tem bons momentos, mas é pouco aproveitado pelo roteiro é Dan (RJ Cyler). O melhor amigo da protagonista, é divertido, inteligente e sensato, e poderia funcionar como bússola moral para a confusa Sierra. No entanto o personagem é deixado de lado, enquanto a garota faz escolhas ruins e egoístas. Já o namoradinho da vez, Jamey, escapa do estereótipo de "atleta cabeça-oca", mas parece desatento demais em muitas das situações de troca de identidade.

Anunciado como uma visão moderna de Cyrano de Bergerac, o filme acerta ao usar as atuais tecnologias de comunicação nas situações de falsa identidade, mas a criatividade para por aí. A direção pouco inspirada, não imprime personalidade.

Sierra Burgess é uma Loser, e embarca no caminho para de se tornar uma pessoa "feia por dentro", sem uma jornada de crescimento e redenção, para traze-la de volta. Seu filme confunde auto-confiança, com falta de vontade de cuidar de si mesma. Tenta criar personagens originais, mas os trata como estereótipos.

Não é uma adaptação moderna e inteligente de um clássico, como 10 coisas que odeio em você. Também não é uma diversão escapista como A Barraca do Beijo. Muito menos faz bom uso do carisma e personalidade de Purser, que surpreendeu em Stranger Things. Sierra Burgess é uma Loser, é apenas indeciso e pouco carismático, como sua perdedora protagonista.

Sierra Burgess é uma Loser (Sierra Burgess Is a Loser)
EUA - 2018 - 105
Romance


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sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Informações úteis para sua maratona de Punho de Ferro

Punho de Ferro é o mais fraco entre heróis urbanos da Marvel na Netflix. Não fraco fisicamente, mas na qualidade de sua série. Ainda sim, o personagem ganhou mais uma incursão na telinha que acaba de chegar no serviço de streaming. Logo, nada mais justo que fornecer aquelas dicas necessárias para você encarar a maratona das duas temporadas.

Dany Randy foi dado como morto há quinze anos, quando o avião em que estava com seus pais caiu no Himalaia. Mas o garoto de dez anos foi salvo e cresceu na cidade mística de K'un-Lun. Lá ele aprendeu a canalizar o seu chi e se tornou o Punho de Ferro, o grande protetor da cidade contra o Tentáculo. Em 2017, ele retorna a Nova York e tenta retomar seu posto de herdeiro. Para isso tem de convencer seus amigos de infância Joy (Jessica Stroup) e Ward Meachum (Tom Pelphrey) de quem é. É claro, noo processo ele descobre que tem uma missão bem maior na cidade.

Informações úteis para sua maratona de Punho de Ferro


1 - Uma das incógnitas em relação à Punho de Ferro era como uma série com elementos místicos se encaixaria na Nova York realística apresentada nas demais séries do estúdio. A resposta? Economizando na parte mágica, o que pode ser decepcionante para muitos.

2 - Danny (Finn Jones) é o Punho de Ferro Imortal, e adora se apresentar assim, repetidamente. É irritante, mas também uma indicação nada sutil da insegurança do moço. Ele ainda é o menino que se perdeu há 15 anos.

3 - Enquanto Danny ainda é um menino descalço nas ruas de NY, Collen tem muito mais perfil de heroína.

4 - Apesar do título de "melhor lutador de um mundo místico", não espere muito das lutas de Punho de Ferro. As coreografias não fazem nada além do que Demolidor já havia feito. Some aí a limitação de usar Finn Jones ao invés de um dublê treinado em artes marciais, já que o protagonista ainda não adotou o uniforme de herói e a mascara que ocultaria o rosto de um dublê, como acontece na série do demônio de Hell's Kicthen. Jones até tentou treinando por quatro horas diárias antes do início das filmagens - duas horas de treinamento em artes marciais e duas horas de levantamento de peso - mas ninguém vira o Punho de Ferro Imortal em tão pouco tempo, e Danny basicamente soca coisas.

5 - Os títulos dos episódios referem-se a movimentos no estilo Shaolin do Kung Fu.

6 - É na primeira temporada de Punho de Ferro que Claire Temple (Rosario Dwason) finalmente se dá conta de que é um imã de vigilantes nova-iorquinos.

7 - E por falar nela, a atriz é de longe a melhor em cena. Tente não se divertir quando ela resolve brincar de "vela" durante o date de Danny e Collen.

8 - Além de Claire, outras personagens apresentados em Demolidor, Jessica Jones e Luke Cage dão as caras na série, Jeri Hogarth (Carrie-Anne Moss), Madame Gao (Wai Ching Ho) e Misty Knight (Simone Missick), são algumas delas.

9 - Achou Danny e sua namorada Collen familiares? Seus intérpretes Finn Jones e Jessica Henwick atuaram em uma das series mais populares do momento antes de embarcar na Marvel. Em Game of Thrones eles eram Sor Loras Tyrel, e a serpente de areia Nymeria Sand, respectivamente. Aí vem o spoiler, ambos já morreram por lá.

10 - Já Harold Meachum é interpretado por David Wenham, o Faramir de O Senhor dos Anéis irreconhecível.

11 - Procure por um cartaz com Stan Lee nele que diz "Be Proud" na 1ª Temporada, Ep. 13, quando Claire entrega a conta de 5 dólares a Jeri Hogarth.

12 - Punho de Ferro tem seus altos e baixos, mas termina melhor do que começa, e ainda é mais acessível que Luke Cage. 

13 - E tem ao menos uma cena de luta bonita. Essa aí:

14 - Não vou mentir, é muito provável que você ache as aventuras de Danny Randy menos divertidas que as de Matt Murdok e Jessica Jones, e sem o estilo e marra de Luke Cage, mas não desista do herói ainda. Se resolver encarar uma maratona da série que une os heróis, Defensores, vai descobrir que o herói funciona muito melhor ao lado de Cage. Nos quadrinhos a dupla forma os Heróis de Aluguel, e o pouco disso que vemos, nos faz torcer para que suas jornada os leve a isso.

_________________________

A primeira temporada de Punho de Ferro tem 13 episódios, o segundo ano que acaba de estrear tem apenas 10. O herói também aparece em Defensores, que tem 8 episódios no total. Todos eles disponíveis na Netflix.

Leia a crítica da primeira temporada de Punho de Ferro, outros posts da série e Dicas para sua Maratona na Netflix, ou leia mais sobre mais sobre Demolidor, Jessica Jones, Luke Cage e Defensores.
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quarta-feira, 5 de setembro de 2018

A Freira

Em Invocação do Mal, os Warren nos apresentaram a um novo universo de entidades sobrenaturais. Annabelle inaugurou a apresentação das "altas aventuras" destes mau-agouros, antes de esbarrarem nos demonologistas. A Feira é a segunda criatura a ganhar um filme que apresenta sua história.

Após um suicídio de uma jovem freira em um convento na Romênia, o Vaticano envia o perturbado Padre Burke (Demián Bichir) para investigar o ocorrido, acompanhado pela noviça Irene (Taissa Farmiga). A dupla vai precisar descobrir e entender a história da Abadia para enfrentar a força do mal que habita a construção.

A Freira, abraça o estilo investigativo adotado pelas aventuras dos Warren, com duas diferenças. A primeira, é que apesar da suspeita existir, os personagens deste filme não tem a certeza de estar investigando um caso sobrenatural. E a segunda, e maior delas, esta aventura não está preso à casos ou personagens reais. Essa "liberdade" oferecem um frescor que conta pontos a favor deste novo capítulo da franquia.

Apesar de conhecermos o monstro, o caminho aqui é de descoberta. Estamos em outro país acompanhando pessoas novas, e um mistério também novo. A gradual descoberta da história da abadia, limitada pelo fato de se tratar de um convento de clausura, é o que dita o ritmo da trama. A ameça se intensifica conforme conhecemos mais do convento, de seus moradores e também dos investigadores. Se o medo do desconhecido é grande, entender a ameaça nem sempre melhora a situação.

O roteiro tenta agradar dois público de terror ao conciliar momentos de tensão e terror psicológico, com os tradicionais jump-scares. O resultado é surpreendentemente positivo. Não entedia quem prefere os sustos fáceis, ao mesmo tempo que consegue construir uma atmosfera enervante para quem não costumam se empolgar tanto com eles.

Parte da construção desta atmosfera fica por conta da construção visual daquele universo. E a direção de arte consegue passar a sensação de enclausuramento, sem apelar apenas para quartos e corredores pequenos e claustrofóbicos. Os ambientes mais amplos, e até espaços externos, são muito mais condizentes com o castelo em que a história se passa. A criação do espaço assustador fica por conta dos elementos que decoram os ambientes, naturalmente assustadores por sua natureza religiosa e pelo jogo de luzes e sombras criado pela iluminação de velas, lampiões  e janelas.

E por falar em natureza religiosa, a imagem de uma freira em si, vestida em seu habito completo, também é misteriosa e potencialmente assustadora. E a produção tem total consciência disso ao explorar ao máximo a natureza desta figura, tornando a semelhante a sombras ou vultos pelos cantos, seja usando várias delas para criar uma simetria tão bizarra quanto graficamente bela.

Destoando desta imagem fantasmagórica, literal e figurativamente, está a irmã Irene. Em uma boa interpretação, Farmiga consegue encarnar uma pessoa de espírito livre, que compreende o "lado sombrio" do mundo. Taissa Farmiga é irmã de Vera Farmiga, a Lorraine Warren dos filmes Invocação do Mal, um easter-egg interessante para os fãs, e um ponto extra na empatia e familiaridade com a moça. Não que Taissa precise de ajuda nesse quesito.

Se a moça é o ponto de luz na trama, Burke é a alma atormentada que precisa enfrentar os próprios demônios, em uma atuação convincente de Bichir. Frenchie (Jonas Bloquet), completa o elenco principal. O guia da região traz também toques de humor para a trama, sem dúvida a mais "bem-humorada" da franquia. Estas pausas bem situadas, fornecem momentos de alívio e alguns sorrisos sinceros em meio à muitas "rizadas de nervoso".

Ainda sim, o filme não escapa de uma ou outro escorregão de lógica, se você escolher pensar muito nos detalhes. Especialmente em relação às escolhas de alguns personagens, mas quando foi que pessoas de filme de terror foram sensatas? E estas questões provavelmente te atingirão após a sessão, sem estragar a experiência na sala escura.

O mais novo capítulo do universo de terror da Warner, aposta na atmosfera bem construída, em um ritmo de ameaça crescente, no elenco carismático - eu acompanharia a dupla de protagonistas em outra caçada sem pestanejar - e em sua história individual para assustar de forma eficiente. Funciona sozinho, mas não deixa de estar bem conectado à esse universo. Pode não superar o primeiro invocação do mal, mas entrega o que propôs e diverte. Se as próximas criaturas seguirem os passos de A Feira, vamos ter muito mais bons capítulos assombrados para acompanhar.

A Freira (The Nun)
EUA - 2018 - 97min
Terror


Leia as críticas dos outros filmes da franquia: Invocação do MalAnnabelle, Invocação do Mal 2, Annabelle 2 - A Criação do Mal

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