sexta-feira, 25 de maio de 2018

Cargo

O curta-metragem Cargo, lançado em 2013, é forte, simples e cativante: no apocalipse zumbi, um pai infectado gasta as últimas horas em um esforço desesperado para salvar a filha ainda bebê. Para ir além dos cerca de sete minutos do original, e se transformar em um longa-metragem, o argumento precisa ganhar mais substância. É isso que o filme homônimo da Netflix tenta fazer.

É no interior da Austrália que a jornada de Andy (Martin Freeman) se passa. O protagonista tem 48 horas para encontrar um lugar seguro para sua bebê Rosie, antes de se transformar em um morto vivo. O tempo é pouco, mas suficiente para este pai fazer escolhas erradas e encontrar todo tipo de pessoas, vendo o pior e o melhor do ser humano em uma situação extrema.

Mostrar a verdadeira natureza de cada pessoa em meio à uma crise, é uma abordagem comum no subgênero dos filmes de zumbi, e esta é a escolha que Cargo faz para dar mais consistência ao seu argumento e transformá-lo em um filme de quase duas horas. Na busca por um lugar seguro, Andy esbarra em pessoas assustadas, traumatizadas, gananciosas, violêntas, desesperançadas, persistentes, entre outros clichés do gênero. A opção de seguir pelo "lugar comum", é garantia de um bom desenvolvimento e uma produção acertada, por outro lado pode decepcionar e muito aqueles que esperavam algo original, especialmente por causa da originalidade da premissa. É inevitável ao expectador acostumado com esse universo prever acontecimentos e mesmo as personalidades e escolhas de alguns personagens.

Já as escolhas do protagonista, nós até prevemos, mas não compreendemos completamente porquê ele as fez. A não ser por se tratar de uma pessoa com conhecimento limitado, ou o julgamento alterado pelo trauma de viver em uma sociedade destruída. A maioria das escolhas erradas é irritante, e existe principalmente para aumentar os obstáculos à trama, mas uma em especial é preocupante. A relutância em buscar ajuda da comunidade aborígene da região, o personagem continua buscando uma família "branca" mesmo que estes tutores pareçam inapropriados assim que aparecem em cena. Seria a recusa apenas questão de identificação, querer que a filha seja criada com os mesmos preceitos que o dele? Medo de não serem aceitos por uma comunidade cujos costumes desconhece? Ou seria mero preconceito mesmo? Um preconceito velado, menos agressivo que o de Vic (Anthony Hayes), enraizado na sociedade, exatamente como na vida real.

A questão nunca é abordada, nem mesmo quando Thoomi (Simone Landers), nativa australiana com quem o Andy divide a jornada, encontra evidências de que ele sabia sobre a existência da tribo. Mas o questionamento é evidente, e junto com as escolhas erradas tornam a empatia com o protagonista bastante precária. Felizmente Freeman tem carisma suficiente - sem falar no bebê muito fofo nas costas - para nos ajudar à relevar estes detalhes e torcer por sua sobrevivência.

A produção dá características próprias à sua infecção zumbi, embora nem todas elas sejam bem aproveitadas pelo roteiro. As mais acertadas são a graficamente enervante gosma que os infectados secretam, e o prazo fixo para a transformação que funciona como uma contagem regressiva para a sobrevivência da pequena Rosie. Apesar do cronômetro, o filme nunca soa apressado ou desesperado. O ritmo contemplativo que este adota em seu início, antes da crise acontecer, é mantido depois que o problema é desencadeado, sem soar cansativo ou lento demais. O filme usa o tempo que precisa para mostrar cada desafio, e isso dá um tom interessante, para este road movie dramático com toques de horror.

A produção usa as vastas paisagens do interior Austrália para criar, um ambiente mais ameaçador pela solidão do que pelos mortos vivos. É possível ver os zumbis à distância, assim como é fácil perceber o quão longe estão a provável ajuda e recursos. Á distância, o isolamento e a falta de tempo são os verdadeiros vilões do filme.

Realizado pela mesma dupla responsável pelo curta-metragem original, Ben Howling, Yolanda Ramke, a produção está cheia de alusões a este. Desde a mais óbvia figura do pai com sua "preciosa carga" nas costas, até o menos óbvio bolo de aniversário. Se ainda não assistiu ao filme de 2013, vale deixar para depois e ganhar um pouco com a surpresa da solução final.

Menos impactante que o curta que o inspirou, Cargo perde força por precisar encontrar novos obstáculos para preencher o tempo de tela, e optar pelos caminho mai óbvio. Nada que desafie o envolvimento com a trama, que é bem amarrada e desenvolvida em um ritmo próprio, em uma produção caprichada. Pode não surpreender, mas funciona.

Cargo foi lançado pela Netflix e já está disponível na plataforma de streaming.

Cargo
Austrália - 2017 - 105min
Drama, Suspense

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quarta-feira, 23 de maio de 2018

Fahrenheit 451

Acho que preciso reler Fahrenheit 451! - Esta foi a sensação que ficou ao final da nova adaptação do livro de Ray Bradbury. Já faz mais de uma década que mergulhei nas páginas desta distopia, e as mudanças na versão da HBO foram tantas, que acabei por questionar minhas memórias quanto a trama. Entretanto a premissa continua a mesma, o aproveitamento dela é que se diferencia.

Guy Montag (Michael B. Jordan) é um bombeiro, e nesta distopia a principal função de sua classe trabalhadora é iniciar incêndios, mais especificamente, queimar livros. É claro, que muita gente discorda deste discurso autoritarista que vê na leitura, e em outras formas de arte, uma ameaça. Vivendo à margem da sociedade essas pessoas tentam salvar a obra da humanidade. Impressionado com a atitude de um destes "radicais", Montag sente a necessidade de compreender o porque de tanta gente se sacrificar por estes tijolos de papel. É quando se aproxima de Clarisse McClellan (Sofia Boutella) e começa a repensar o mundo a sua volta.

Adaptando a obra de 1953 para a nossa era da comunicação, a produção incorpora nossas mídias sociais, a exposição e interação constante à este universo que já originalmente era dominado por telas, no caso da TV. Snapchats, Stories, chats e até emoticons, preenchem as lacunas desta sociedade com informação controlada, bombardeada na audiência todo o tempo. Inclusive nas fachadas dos prédios transformadas em telas gigantes que muito lembram o visual de Blade Runner.- direção de arte e fotografia aliás, emulam várias outras produções cientificas conhecidas. Uma atualização do universo bem vinda, mas realizada de forma simplista e um tanto óbvia, sem grandes explicações do real funcionamento ou motivações desta nova ordem social.

É provável que você se perceba, questionando: porquê e quando esta proibição começou? Como ela se estende a outras formas de arte? Só vemos telas e ruido, não há pinturas ou músicas, por exemplo. Onde estão os artistas e demais profissionais da escrita? Como a linguagem escrita que agora só existe nas telas, se modificou? Podemos ver alguns caracteres estranhos em meio as letras nos chats. E como é feita a educação infantil sem os livros? Existe uma cena com alunos para acender a dúvida.

A produção nem ao menos consegue explicar a motivação principal: porque os livros são ruins? Tendo lido o original e sabendo a importância da informação, percebi que era eu quem preenchia as lacunas. O máximo que o filme explica é que"a leitura deixa a mente confusa", além de abordar de forma muito leve, o nascimento da análise e da curiosidade, conforme o protagonista expande sua mente com a leitura. No final nos descobrimos mais interessados no caminho que esta sociedade percorreu para chegar até ali, do que a jornada que o protagonista tem a frente. O que não significa que tudo esteja esclarecido em relação a Montag e cia.

Aliais as dúvidas relacionadas ao roteiro se expandem para os personagens. As memórias do protagonista são jogadas aleatoriamente, sem que seu passado ou mesmo a descoberta destas lembranças influenciem o personagem ou sua jornada. Capitão Beatty (Michael Shannon) tem um vasto conhecimento literário, e hábitos esquistos que cão de encontro à sua posição de chefe dos "queimadores de livros". Detalhes interessantes que jamais são de fato explorados pelo roteiro. Já Clarisse, foi a que mais sofreu mudanças, para servir também de um desnecessário interesse romântico para o protagonista, que nem de longe precisaria de um "amor" para buscar libertação.

Nenhuma das mudanças no entanto é mais estranha que a trama que inclui tecnologia para inserir livros codificados no DNA. A opção minimaliza a outra solução dos rebeldes para salvar os livros, esta sim presente no original. E cria uma trama estranha que incluem planos sem sentidos, facilmente desvendados e desmontados por qualquer novato na função.

No elenco Shannon é o único com um trabalho mais inspirado, mesmo porque apesar de inexplorado, seu personagem é o mais interessante em cena. Enquanto Sofia Boutella e Michael B. Jordan, abordam seus personagens rasos, com uma atuação mediana, inferior ao trabalho que costumam apresentar. 

Mestre em criar séries de TV completas narrativa e cinematograficamente, a HBO não se sai tão bem quando o assunto é longas-metragens. Fahrenheit 451, esboça muitos questionamentos mas não explora nenhum deles. Desvia da obra original e neste caminho perde sua essência e complexidade. Se a produção se tornar a referência sobre a obra para o grande público, pode ser tão nociva para o original literário, quanto o governo ilustrado por ela.

Fahrenheit 451 foi lançado diretamente nos canais HBO e também está HBO GO.

Fahrenheit 451
EUA - 2018 - 100min
Drama, Ficção científica

Leia minhas impressões, escritas há muito, muito tempo, do livro Fahrenheit 451!
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segunda-feira, 21 de maio de 2018

Han Solo: Uma História Star Wars

Quando a Disney anunciou sua intenção de fazer um filme sobre o jovem Han Solo, o pensamento imediato de muitos fãs, inclusive o meu, foi: não sei se quero ver isso. Não que isso interferisse nos planos da empresa, que  estimulada pelo sucesso da franquia principal e de Rogue One, não enxergaria motivos para não trazer Han Solo: Uma História Star Wars. A produção que pretende preencher lacunas e responder perguntas sobre ícone do cinema.

Han (Alden Ehrenreich) ainda não é o malandro contrabandista que amamos quando o encontramos, é apenas mais um na multidão do planeta Corellia. É nesta aventura que conhecemos as motivações e a jornada que o levou a adquirir as características, amigos e até os objetos que facilmente relacionamos ao personagem imortalizado por Harrison Ford. Todas as perguntas que você sempre teve, e algumas que nem imaginou, devidamente distribuídas em uma aventura com toques de comédia.

Curiosamente a parte mais temerária da produção se sai relativamente bem em sua tarefa, dar novos rostos à personagens conhecidos. Com uma missão quase impossível, Ehrenreich parece ciente de que não é Ford, e escolhe aproveitar o fato de que este é um Han Solo ainda em construção, para lhe dar características próprias. Oscilando entre o bom moço e o malandro em potencial, ele incorpora gestos e expressões da versão de Ford em seu jovem protagonista sem pesar a mão.


Outro que precisa convencer é Lando Calrissian (Donald Glover), que aqui é um pouco mais intenso em em sua canastrice e malícia (sim, é possível) o que é coerente com o ímpeto da juventude. Chewie (Joonas Suotamo) é sempre o mesmo, mas aqui descobrimos mais sobre sua história e importância na vida do protagonista. Já os novatos tem que encaixar no tom e ritmo aventureiro e bem humorado e o elenco de peso não decepciona. O vilão vivido por Paul Bettany tem pouco tempo de tela, mas consegue marcar sua presença como ameaça invisível ao grupo. Beckett (Woody Harrelson, eficiente) é a figura de mentor da vez, e diferente de seus antecessores neste universo - a maioria Jedi e Sith - utiliza um guia de caráter mais maleável, não é vilão e nem mocinho. Rio (voz de Jon Favreau, divertido) a criatura alienígena da vez, é criado por GCI eficiente, tem uma personalidade interessante bem apresentada no pouco tempo que lhes é fornecido.

Outra que poderia ter mais tempo de tela é Val (Thandie Newton), sub aproveitada pelo roteiro apesar da força de sua personagem. A robô L3 (Phoebe Waller-Bridge, excelente) também tem uma personalidade forte, e nova para a sua "classe", é um droide com idéias de revolução. Relevante para a narrativa? Não muito, mas ainda divertida! Enquanto Qi’ra (Emilia Clarke, convincente), é o interesse romântico que move o protagonista, embora a moça não fique restrita à esta função. Prova de que o estúdio está ciente que não é mais possível colocar as personagens femininas à espera de um resgate a todo o tempo.


Enquanto o grupo tenta se ajustar remodelar e trabalhar juntos para cumprir suas missões, o roteiro aproveita para dar detalhes da história de seu protagonista, da qual tivemos vislumbres ao longo da trilogia original. Como ele conheceu Chewbacca, Lando, quando pilotou a Millennium Falcon pela primeira vez, como aprendeu a criar planos e esquemas, e até as origens de alguns nomes, nada fica de fora de uma profusão de referências que ultrapassam os limites do "fã-service" e beiram a quebra da "magia" em torno do protagonista, além de não trazer muitos detalhes novos. Impossível não notar que,. apesar de não haver nenhum projeto de sequência, embora haja sim um gancho para tal, se a mesma acontecer não restam muitas destas referências ou respostas a serem dadas em uma segunda aventura.

Enquanto gasta minutos criando situações e contando detalhes que não avançam a história, a produção perde a oportunidade de criar cenas memoráveis próprias. Não demora muito para o expectador perceber quais "grandes momentos" deve esperar, e o filme não surpreende ao entregar coisas novas. E mesmo entre estes grandes momentos previsiveis, alguns serão mais bem vindos que outros. A construção da relação com Lando é divertida, com Chewie ganha consistência. Já o primeiro encontro com a  Millennium Falcon nem de longe empolga tanto quanto a cena em que Ray a encontra em O Despertar da Força.

Se não temos muitas novidades em torno de seu personagem título, as contribuições para o universo da franquia são mais empolgantes. Pela primeira vez vemos como as "pessoas comuns" vivem neste período da história, especialmente aqueles à margem da sociedade. Há sim quem tenha relação com o Império e a Aliança Rebelde, mas os personagens tentam apenas sobreviver, independentes de motivações políticas. E claro, a vida nestas circunstâncias não é nada fácil.

Planetas funcionais que existem apenas para produzir algo, periferias, áreas de guerra, não faltam lugares novos a serem apresentados. A direção de arte e fotografia favorecem as cores fortes e contrastes para dar ao filme um visual próprio, ainda que coerente com o universo. E se ainda houver alguma dúvida, a trilha sonora traz ecos da música da trilogia clássica.

Mais leve e divertido, Han Solo: Uma História Star Wars tem um roteiro bem amarradinho, um bom elenco e produção caprichada. Peca apenas ao focar nas referências e nas perguntas que não precisa responder - quem precisa saber como a Millennium Falcon fez o percurso de Kessel em menos de doze parsecs? O importante é que ela o fez. - ao invés de investir em uma personalidade própria, e criar bons novos momentos. Diverte, mas deixa a sensação de que poderia ser melhor.

Han Solo: Uma História Star Wars (Solo: A Star Wars Story)
EUA -2018 - 135min
Ficção científica, Fantasia, Aventura


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quinta-feira, 17 de maio de 2018

Riverdale - 2ª temporada

A primeira temporada de Riverdale surpreendeu ao criar uma nova, e acertada, versão de um clássico dos quadrinhos estadunidenses. A série povoada por personagens dos quadrinhos da Archie Comics, tem a proposta de explorar dilemas adolescentes no estilo The O.C., agravados por um lugar cheio de mistérios como Twin Peaks. Ao longo de 13 episódios a produção se saiu bem ao desenvolver a trama do assassinato de Jason Blosson, apresentar os personagens para o grande público e deixar novas opções a serem exploradas no futuro. E o segundo ano da série chegou com 22 episódios. O tempo extra é um dos principais fatores que diferenciam as duas temporadas, tanto para o bem quanto para o mal.

Partindo dos ganchos deixados no ano anterior, Verônica (Camila Mendes) precisa aprender a lidar com a volta de seu pai Hiram Lodge (Mark Consuelos), à liberdade e aos negócios. Jughead (Cole Sprouse), precisa se acostumar com sua nova escola no South Side, e com os Serpentes, enquanto seu pai está na cadeia. Livre das asas da mãe, Betty (Lili Reinhart), se engaja mais nas causas que acredita.E oatentado à vida de Fred Andrews (Luke Perry), coloca seu filho Archie (KJ Apa), em uma busca por justiça. É claro, todas estras tramas são influenciadas e interligadas pelo mistério principal, quem é o Gorro Negro, que atentou contra a vida de Andrews e outros moradores de Riverdale.

O tempo extra exigiu um desenvolvimento mais lento do mistério, além de reviravoltas, e desenvolvimentos rocambolescos para ocupar todos os episódios com o mesmo caso. Repetições dos embates entre os lados norte e sul, os muitos casos adolescentes - todo mundo "pega" todo mundo! - e discordâncias entre o quarteto protagonista deixam evidentes, que a trama seria melhor desenvolvida em menos episódios. O arrasto pesou no roteiro, antes redondinho, agora cansativo em muitos momentos, e que ainda precisou correr com algumas explicações no último capítulo. Faltou equilíbrio.

Entretanto, vale lembrar quem é o público alvo da série. Um nicho que aparentemente curte muito torcer pelos "ships", e tretas adolescentes. Para atender à essa demanda a série acerta em cheio, criando até apenas para garantir o "fã-service". Agora só falta você e Archie se beijarem! - diz Betty à Jughead, sobre a relação do quarteto protagonista após uma cena gratuita de beijo entre dois deles.

Os personagens secundários foram o que mais se beneficiaram do maior número de episódios. Reggie (Charles Melton que precisou substituir Ross Butler, que não podia se comprometer com mais gravações), Toni (Vanessa Morgan), Kevin (Casey Cott), Josie (Ashleigh Murray) e até Ethel (Shannon Purser, a Barbie de Stranger Things) ganharam melhor desenvolvimento e tempo de tela. Mas ninguém aproveitou mais seu espaço que Cheryl (Madelaine Petsch), além de eventualmente ajudar os protagonistas, a ruiva ricaça teve que lidar com a morte do pai, com a mãe malvada, a descoberta de sua sexualidade. A questão da homofobia e aliás rendeu uma side-quest própria que é, de longe, uma dos melhores arcos da série. A moça passou de patricinha mimada, à justiceira corajosa - digna de integrar a equipe Arrow, com figurino e tudo - roubando a cena, e sem abandonar a majestade e a cor vermelha.

Agora sim, igualzinho ao quadrinho!
Entre os personagens principais, é Betty quem mais cresceu ao se relacionar com o vilão, descobrir o passado de sua família, e ter certeza da possível existência de um "lado negro" entre eles. Jughead tem seu rito de passagem para a idade adulta, ao passar de renegado a líder dos Serpentes. Assim como Verônica, que deixa de ser submissa ao pai, para jogar o jogo dele com eficiência. 

É apenas Archie quem realmente deixa à desejar se mantendo o mesmo personagem reativo da primeira temporada, quando seus dilema principal era apenas escolher entre futebol e música. Altamente manipulável, ele apenas reage aos acontecimentos e agindo como o tradicional adolescente que pensa que pode tudo, toma as piores e mais temerárias decisões possíveis. A atitude de fazer o que pessoas reais da sua idade não poderiam ou deveria, condiz com o universo da série, mas as atitudes em si deixam a desejar se comparada aos outros jovens, aparentemente mais espertos que ele. E como Archie é o protagonista fica difícil se preocupar tanto com ele quanto com os demais, especialmente quando o season finale o coloca como "coração" do grupo.

E por falar nas coisas que só os adolescentes de Riverdale fazem, e ninguém acha estranho. É preciso abstrair da maturidade e iniciativa destes personagens menos o Archie. A molecada escolhe resolver, por conta própria, todo e qualquer problema que apareça, mesmo aqueles que qualquer adulto preferiria chamar as autoridades. Polícia para quê? Nós somo capazes de pegar um assassino armado, sozinhos e sem reforço - eles pensam. Inclua nesta lista, festas bebidas e muitos amassos "de gente grande", que vão fazer você repensar o que fazia aos 17 anos. Uma dica: nada disso. 

O outro lado da moeda, os adultos, não enxergam, ou não entendem, os problemas, a menos que estejam causando um, ou vários deles. Neste caso, vão fingir inocência custe o que custar. A incapacidade dos adultos em serem responsáveis, deixa a história a cargo da molecada, que precisa agir como mencionado no parágrafo anterior. Logo se sua "sua suspensão de descrença for pouca", é provável que esta série não seja para você.

De volta aos temas adolescentes, a série acerta ao abordar alguns. Transtorno pós-traumático, homofobia, cura gay, uso de drogas, violência sexual e abuso de menores estão entre os temas deste ano. Muitos deles apresentados de forma coerente com o discurso atual, empoderando as moças, que não apenas se salvam sozinhas e unidas, mas salvam os rapazes muitas vezes. Provas, trabalhos de casa, escolha da faculdade e outras preocupações comuns à pessoas em idade escolar passam longe das mentes destes personagens, a não ser é claro do muito esperado episódio musical. Este pareceu meio deslocado, um desavisado poderia pensar estar vendo Glee, com músicas menos legais.

Direção de arte, fotografia e figurino mantém um bom trabalho ao criar uma Riverdale cada vez mais sombria e cinzenta, conforme os problemas se agravam. Além de manter uma distinção eficiente entre os personagens dos lados sul e norte, e as características daqueles que ajudam a história a andar. 

A segunda temporada de Riverdale não é tão eficiente e redondinho quanto seu ano de estréia. A produção sofreu para adaptar sua narrativa a um número maior de episódios. Algumas características foram beneficiadas por este tempo extra, outras nem tanto. Ao final do processo a série consegue entregar o que prometeu, um grande mistério desvendados por belos adolescentes com muitos dilemas amorosos. Agrada a seu público alvo, mas deve agradar poucos fora deste nicho. 

Riverdale é exibida no Brasil pela Warner, a primeira temporada também está disponível na Netflix.

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terça-feira, 15 de maio de 2018

Deadpool 2

A missão foi cumprida no primeiro filme do Deadpool, reapresentar apropriadamente o personagem nos cinemas, apagando a versão problemática que apareceram em X-Men Origens: Wolverine. Como bônus o anti-herói ainda provou que existe público para filmes de super-heróis com censura alta, abrindo caminho para produções como Logan. O desafio agora é outro, manter o sucesso, sem o fator surpresa, o frescor da novidade, ou soar repetitivo.

Deadpool (Ryan Reynolds) está precisando encontrar maneiras novas de fazer as coisas, quando o super soldado Cable (Josh Brolin) vem do futuro com uma missão de assassinato aparece para acelerar o processo. Acho a sinopse meio vaga? Ótimo, quanto menos você souber do roteiro mais divertido fica. Basta saber que nessa "aventura", revemos personagens do primeiro filme, conhecemos novos mutantes, bons e maus, além de presenciar muitas reviravoltas e absurdos.

Ciente do hábito das sequencias cinematográficas ampliarem tudo que foi acerto no longa original para compensar a ausência da novidade, Deadpool 2 assume de cara, que pretende ser maior nas cenas de ação, na violência e principalmente na "zoeira".

Deadpool continua desbocado, abusado, bem humorado e careteiro, e claro, o centro das atenções. O foco acaba por custar um pouco o desenvolvimento dos personagens secundários, todos servem principalmente de escada para para Reynolds. O que deve funcionar bem com o grande público, mas deve irritar os fãs de quadrinhos que esperavam muito mais da complexidade de Cable nas telas. Ainda sim, as interpretação de Brolin está em perfeito equilíbrio com o protagonista, criando uma divertida relação de opostos. 

O universo é sim, ampliado por novos personagens, bem apresentados e utilizados dentro da proposta que lhes é imposta. Russel (Julian Dennison) é a pessoa frágil a ser protegida/resgatada com quem o protagonista cria uma relação. Domino (Zazie Beetz) é a desculpa para usar e abusar de sequencias de ação absurdas determinadas por sorte, Vanessa (Morena Baccarin) é sua bússola moral, e por aí vai.

Outras coisas que funcionaram bem no longa original, e estão de volta são as referências à cultura pop, a indústria do entretenimento e ao próprio filme - inclua nesta última, muita narração e quebra da quarta parede. Espalhadas por todo canto em tiradas rápidas, as alusões e piadinhas desafiam o público a estar sempre atento, em vários momentos soam demasiadamente gratuita, mas nem por isso menos divertidas.  

Ainda na lista de coisas resgatadas e ampliadas do primeiro filme estão as cenas de ação. Mais grandiosas, ainda mantém o humor negro, usando e abusando das habilidades dos personagens, especialmente da absurda sorte de Domino e das habilidades de cura de Wade. 

A trilha sonora segue o tom de unir dinamismo e bom humor, escolhendo músicas pontuais para as sequencias de ação, e abusando de clássicos melosos de musicais da Broadway para os momentos dramáticos. Estes aliais existem sim, e tem seu peso na trama e impacto nos personagens e público. A diferença aqui é que logo, são cortados por piadas, quase como aquelas pessoas que escondem o medo e a tristeza por baixo de humor, seja ele do tipo que for.   

O roteiro até surpreendente em alguns momentos, como a sequência relacionada à X-Force, mas por baixo é uma trama simples de redenção, Wade chega ao fundo do poço, perde a esperança, encontra um novo motivo para lutar e segue em frente. E certamente são os momentos cômicos que ficarão na memória do espectador. A sensação é de se trada de uma série de esquetes de humor, conectados por uma narrativa. Não se trata de uma falha da produção, é a proposta que eles escolhem e funciona. 

Deadpool 2 não tem mais o elemento surpresa, ou é uma novidade no sub-gênero dos super-heróis e sabe disso. Logo, assume sua "repetição" com bom humor, traz personagens novos e antigos para ajudar seu protagonista a manter o tom certo de comédia, e a espalha na tela como se usasse a metralhadora. A ação é constante, mas as piadas são interruptas, desde antes dos créditos iniciais - que você deve ler! - até as cenas pós créditos, provavelmente as melhores que você já viu.  O resultado é outra acertada, e ainda rara, adaptação de quadrinhos apenas para adultos na tela grande, divertido, desbocado, violento e com censura alta!

Deadpool 2
2018 - EUA - 120min
Comédia, Ação

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sexta-feira, 11 de maio de 2018

Tudo que Quero

Aparentemente, tudo que Wendy (Dakota Fanning) quer é a oportunidade de dar vida aos personagens que povoam sua imaginação. Abaixo da superfície, esta jovem portadora de autismo quer dar um passo à frente, provar que é capaz de mais do que esperam dela. Não que esta busca seja consciente por parte da protagonista.

Desde que sua irmã se descobriu grávida, Wendy vive sob a supervisão de Scottie (Toni Collette), responsável por uma casa dedicada à pessoas com algum tipo de deficiência intelectual. A rotina regrada é o que à mantém "funcionando" em sociedade. Entre seu nada divertido trabalho na lanchonete Cinnabon, e as tarefas do dia-a-dia, a moça também tem um tempo reservado para suas paixões, a escrita e o seriado Star Trek. Quando um concurso de roteiro para a série aparece a jovem logo produz sua própria aventura de Kirk e Spock. Ao descobrir que o texto não chegaria à tempo via correios na Paramount Pictures, Wendy decide levar seu trabalho pessoalmente.

Scottie, a irmã Audrey (Alice Eve) também precisam lidar com a fuga da jovem. Além de encontrar a irmã, esta última precisa superar a saudade, e a culpa por não ser mais sua tutora. Já a cuidadora, acaba por conviver mais com seu filho adolescente, que por vezes recebe menos atenção da mãe, já que é capaz de se cuidar sozinho.

Entretanto, a grande jornada é mesmo a de Wendy. A moça encara a insegurança de sair de sua rotina segura, precisa lidar com suas limitações de compreensão e relacionamento, em um mundo de pessoas que não percebe, entendem, ou se importam, com suas dificuldades. E aqui está o grande acerto do longa, tratar sua protagonista como qualquer outro personagem principal. Afinal todos eles tem suas dificuldades e desafios, os de Wendy, por acaso são atrelados à sua condição, sem que a narrativa a torne uma vítima ou caricatura. De fato, o filme sequer menciona, o tipo de deficiência que a moça carrega. Isso não é importante, Wendy é uma jovem com anseios, medos e desafios como qualquer outra, e isto basta para motivar uma jornada de crescimento e auto descoberta.

Também cabe às atuações, não transformar a moça, ou qualquer um que o cerca em estereótipos e o elenco se sai muito bem na tarefa. Scoottie e Audrey, são mulheres fortes e determinadas, mas também são extremamente humanas e sensíveis, esta gama de sentimentos está é bem determinada pelas atuações de Collete e Eve. Já Fanning apresenta os trejeitos, e "sintomas" de sua personagem sem pesar a mão. O comportamento metódico, as crises de ansiedade, os ataques de raiva, a dificuldade de contato visual, entre outros comportamentos a que a personagem está presa, estão lá para que os percebamos sem que estes sejam explicados verbalmente, mas nunca de forma exagerada ou forçada. Ao ponto de os personagens com quem ela cruza em sua jornada, nem sempre os perceberem.

Fotografia e trilha sonora, não se destacam, mas são eficientes ao criar um mundo realista e relativamente otimista. Já direção de arte serve bem à narrativa, ao logo no ínicio cercar Wendy dos recursos que precisa, para que estes sejam perdidos ao longo da trama. Do conforto sistemático de seu quarto, às cordinhas onde ela carrega seus objetos mais necessários, tudo tem sua função na vida da jovem.

O que também tem função bem clara é a afinidade da protagonista com a série Star Trek. Assim como Spock, a moça tem dificuldades de compreender e lidar com sentimentos. O paralelo com o Vulcano, permeia segue por toda a trama, e recompensa o espectador, quando este percebe o quanto a relação da moça com personagem a ajuda a compreender nosso mundo.

Tudo que Quero é um drama sensível e bem construído, sobre uma jovem com dificuldades, como qualquer outra. Acerta ao não vitimizar, subestimar sua protagonista, ou tentar de arrancar lágrimas da platéia, práticas constantes em produções que abordam doenças e condições especiais. De forma doce, carismática e nunca piegas ou apelativa, o filme alcança seu objetivo: nos fazer preocupar, torcer e acompanhar Wendy, quando estaa decide explorar novos mundos, audaciosamente indo onde jamais esteve.

Tudo que Quero (Please Stand By)
2018 - EUA - 93min
Drama
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quarta-feira, 9 de maio de 2018

A Noite do Jogo

Interesses em comum unem em pessoas. A competição foi o que uniu Max (Jason Baterman) e Annie (Rachel McAdams). Animadas noites de jogos com amigos fazem parte de sua rotina de casal do suburbio. Já entre Max e seu irmão Brooks (Kyle Chandler) a competição tem efeito oposto, a dupla se odeia, e cada um vive tentando provar que é melhor que o outro.

Quando o Brooks propõe um novo tipo de jogo, uma encenação de mistério com sequestro, as coisas saem de controle. Criminosos de verdade entram em cena e o grupo mergulha em uma competição cada vez mais louca e imprevisível.

Jonathan Goldstein e John Frances Daley em sua segunda parceria de direção (o primeiro foi Férias Frustradas, a dupla também tem vários trabalhos juntos como roteiristas) embarcam em outra comédia de absurdos, desta vez para adultos, que surpreende pelo roteiro ágil e inteligente bem aproveitado prla direção. O longa combina uma loucura crescente com cenas de ação e referências pop, tudo bem distribuído com timminge eficiente e produção caprichada.

É esse esmero na filmagem e montagem que chama mais atenção, uma vez que se trata de uma comédia. Gênero altamente substimado em valor cinematográfico, e que talvez por isso constantemente se acomode em entregar "mais do mesmo". Sequencias com planos bem pensados, e perseguições complexas em bem elaboradas conseguem manter o espectador alerta. Seja pelo risco em que os personagens se encontram, seja pela próxima risada. E as piadas não param, mesmo nos momentos mais tensos, trazendo para a comédia uma característica dos filmes de ação, o ritmo fenético que não dá folga ao expectador. Aqui a produção alcança um equilíbrio delicado. Conseguido manter o bom humor e piadas, sem perder o peso dos acontecimentos "mais sérios", tudo dentro do tom a que se propôs desde o início. 

O foco é no casal vivido por Baterman e McAdams, mesmo assim o roteiro arranja tempo para trabalhar um pouco cada um dos colegas de jogo e criam empatia com eles. O ex-marido que não supera a separação, o amigo namorador, os namoradinhos de infância, todo mundo tem alguma coisa a aprender ao longo da jornada.

O elenco acompanha o nível de dedicação da produção, entregando atuações eficientes e carismáticas. É interessante ver McAdamas se permitindo fazer algo tão divertido e inprevisível. A moça tem a chance de fazer de um tudo um pouco, e o faz muito bem. Outro que se destaca é Plemons e seu robótico vizinho estranho. fique atento ainda a uma ponta de luxo de Michael C. Hall.

Divertidamente absurdo A Noite de Jogo alcança seu objetivo, ser uma boa comédia e ação para adultos. E ainda faz mais,  nos relembra que uma comédia besteirol pode se surpreender, se roteiro e produção estiverem dispostos a fugir do comodismo e tentar algo novo, bem pensado e executado. Tomara que outras produções se identifiquem e entrem no jogo da oroginalidade. 

A Noite do Jogo (Game Night)
2018 - EUA - 98min
Ação/Comédia
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segunda-feira, 7 de maio de 2018

O marketing viral e a ansiedade desnecessária e inevitável!

Vingadores: Guerra Infinita bateu todos os recordes possíveis e imagináveis. Atingiu US$ 1 bilhão em arrecadação na bilheteria mundial, em apenas 11 dias. No Brasil é a maior estreia da história com R$ 65 milhões no primeiro fim de semana, sem contar com os números do feriado prolongado de 1º de maio. Obviamente a preparação de 10 anos, 18 filmes e o marketing funcionou muito bem. O longa deve ficar em cartaz por um mês ou mais, mesmo assim todo mundo acreditou que era imprescindível assistir na primeira sessão possível. Aliás, assistir a multidão e caos nos cinemas nestes dias foi uma diversão à parte, mas será que tanta construção de expectativa faz bem pra gente?

Particularmente, eu paro de assistir trailers e outros promocionais de grandes estreias conforme a estreia se aproxima. Os trailers revelam demais e aumentam as expectativas em relação ao filme, ambos efeitos podem ser nocivos à sua experiência cinematográfica. É claro, as propagandas também aumentam nossa ansiedade. 

Com Guerra Infinita  no entanto não importava o quanto eu quisesse fugir da publicidade, ela estava literalmente em toda parte. Nas ruas, redes sociais e até em canais de TV que não costumam ter este tipo de publicidade. Funcionou, comprei ingressos antecipados para a estréia, mas a sensação foi de que realizei a compra por motivos errados. Mais que ansiosa para ver a grande reunião dos personagens Marvel, eu queria evitar os spoilers e principalmente encerrar a espera e a irritação de ser instigada constantemente a não ficar de fora do "hype" filme/evento. Eu só queria acabar com isso logo!
Correndo desesperadamente para ver Guerra Infinita!
É verdade, o marketing exagerado me cansou, irritou e atiçou minha ansiedade, coisa que não preciso já que sou uma criatura ansiosa desde pequena. Depois que a estreia passou e a euforia está diminuindo não posso deixar de pensar: isso tudo é mesmo necessário, ou saudável? Somos a geração da ansiedade crônica, e estas campanhas virais óbviamente se aproveitam desta característica nada agradável de nossos tempo. 

Não acontece só com os produtos da Marvel, de super-heróis, ou com filmes. Basta ver a velocidade com que os lançamentos da Netflix são maratonados. E como quem não se juntou ao grupo é constantemente questionado. - Como assim você ainda não viu La Casa de Papel? - Não vi, e na verdade fiquei com preguiça, ao ver tanta gente exigindo que assistíssemos e mais, que gostássemos. E nem vou entrar nos méritos, de que uma maratona tem sim seus pontos negativos, já tem um post inteiro sobre isso aqui.

Participação e reações exageradas são obrigatórias?
Você tem que ser o primeiro a jogar aquele game novo. Não pode perder o capítulo bombástico da novela. Tem que vibrar com a incrível final do campeonato de futebol que tem todo ano. Ainda não comprou seus ingressos para a CCXP? Não trocou a TV para a copa do mundo? Não vai naquele show do sertanejo universitário da vez? Não importa quais seus gostos, existe o marketing viral para todos eles. E consequentemente a obrigatoriedade de "participar", que tira sim parte da graça da experiência. 

Mas calma, não estou dizendo para você se esconder em uma caverna, ou consumir seus favoritos atrasados de propósito. Eu também não vou fazer nada disso, não sou hipócrita de tentar fingir que não faço parte desta sociedade consumista. O convite aqui é para pensar quanto a real urgência em relação à esses produtos. 

Saber o real motivo de suas necessidades - gosto vs hype - não vai te deixar imune à vontade criada pelo marketing, mas talvez torne sua relação com ela mais saudável. Eu vou tentar. Não quero mais ser mais compelida a comprar um ingresso apenas para acabar logo com a ansiedade, ou desaparecer um fim de semana inteiro para dar cabo daquela série quem nem vou conseguir saborear direito por causa da correria. 

E você, também é atingido pela ansiedade provocada pelo marketing viral? Como lida com isso? Aceito sugestões, vamos conversar...

P.S.:Eventualmente, vou assistir La Casa de Papel, mas vou começar a ditar meu ritmo de consumo.

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