terça-feira, 19 de março de 2019

Conheça o #LivroBRnoCinema

Interrompemos nossa programação para anunciar que tem novidade no blog!

O Ah! E por falar nisso..., é parceiro da Campanha #LivroBRnoCinema.

O projeto é do portal parceiro Tábula Rasa e traz um serviço especial para autores nacionais. Mas vou deixar as responsáveis explicarem...

"Dado ao histórico de divulgação da literatura brasileira da atualidade que a fundadora do portal, a fotógrafa e jornalista Louise Duarte, e a editora chefe Anny Lucard, iniciaram a 10 anos atrás, ainda na extinta Rádio Digital Rio, com o programa Contos Sobrenaturais que tinha como objetivo levar a literatura para as ondas do rádio. Além do trabalho de consultoria e das coberturas de eventos literários, como Bienais e lançamentos de livros.

A ideia é divulgar livros nacionais com potencial para se tornarem filmes. Suprindo uma das maiores dificuldades dos autores nacionais, divulgar seu trabalho.  Além de prestar um serviço diferenciado, de baixo custo, focando a divulgação de autores nacionais ainda desconhecidos do grande público.

E para esse trabalho de divulgação, o Tábula Rasa reuniu parceiros que apoiam a ideia, como é o caso do Ah! E por falar nisso.... Parceiro da área cultural, que fala de livros e audiovisual em geral e que também vai ajudar a divulgar os livros da Campanha #LivroBRnoCinema ("Mais Adaptações de Livros BR no Cinema")."

Novidade devidamente apresentada, convido a todos para apoiar a literatura e o cinema nacional junto com a gente. E se você é um autor tentando expandir seu público não deixe de visitar o projeto.

Detalhes sobre os Pacotes de Serviço Especiais do Tabula Rasa 2019,  e sobre a Campanha #LivroBRnoCinema, estão neste link.

Fique atento, vem coisa boa por aí! Por hora, voltemos à nossa programação normal...

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segunda-feira, 18 de março de 2019

Um Ato de Esperança

Não se deixe enganar pelo título genérico, Um Ato de Esperança passa longe de representar o drama que ele nomeia. O mesmo vale para o título original The Children Act (que faz referência à Lei de Crianças do Reino Unido), ou a tradução utilizada pela versão nacional do livro em que o longa fora inspirado, A Balada de Adam Henry. Nenhum destes nomes deixa claro, que vamos acompanhar a complexa vida de uma mulher moderna.

Fiona Maye (Emma Thompson) é uma Juíza da Suprema Corte na Divisão de Família. Ela dá a palavra final sobre casos eticamente complexos, e que quase sempre precisam de uma solução rápida. Não é surpresa que o excesso de trabalho e responsabilidade tenham criado um desgaste em seu estável casamento com Jack (Stanley Tucci). Ao mesmo tempo uma quebra de protocolo no caso de Adam Henry (Fionn Whitehead, Dunkirk), um adolescente que por motivos religiosos recusa o tratamento que pode salvar sua vida, desequilibra ainda mais sua delicada rotina.

E quando digo que esta produção acompanha a vida da juíza, não falo de uma longa biografia, mas do cotidiano. O cansativo dia-a-dia de uma pessoa com um dos cargos mais desgastantes que se pode ter. Decidir em um curto período de tempo sobre a vida e a morte de terceiros, arcar com as consequências destas escolhas e ter completa ciência de que é impossível salvar ou agradar à todos, ser julgada e perseguida o tempo todo, seja qual for sua decisão. O trabalho de Fiona a consome de tal maneira que parece torná-la incapaz de tomar decisões e atitudes em relação à sua própria vida.

Fiona tenta distanciar o emocional de suas decisões. Funciona para corte, mas não para a vida pessoal, fazendo com que ela perceba que sua impassividade está arruinando seu casamento, e mesmo assim não consiga fazer nada à respeito, ela está presa pela própria racionalidade. A quebra de protocolo ao visitar o jovem Adam no hospital, é a gota d'água que falta para desestabilizar a protagonista completamente. Um prato cheio para Emma Thompson bilhar. A atriz consegue transpassar toda a humanidade escondida por baixo da postura austera que a personagem abraça. A imponente juíza, tem medos, duvidas, tristeza, um ou outro vislumbre de alegria, mas principalmente desespero.

E por falar no elenco, é ele o ponto forte desta produção. Enquanto Thompson carrega o longa com as muitas nuances da protagonista. O marido vivido por Tucci, esbanja honestidade e carinho por sua companheira, mesmo quando a frustração em relação ao seu casamento o leva à cometer atos egoístas. A verdade que o ator imprime nessa relação tornam Jack um companheiro que realmente merece mais de Fiona, tornando sua incapacidade de conexão ainda mais gritante.

Whitehead é o outro grande destaque deste bom elenco. Adam é um rapaz inteligente, que se descobre ao mesmo tempo deslumbrado e assustado com a vida. Confusão compreensível para alguém tão jovem que tem todas as suas crenças, e até seus entes mais próximos, posto à prova de uma só vez. Uma grande carga emocional, que o ator desenvolve com naturalidade.

O ponto fraco fica por conta de algumas escolhas de roteiro que tornam o desenvolvimento da relação entre Fiona e Adam um tanto quanto brusco. Como na sequencia em que a dupla se conhece. O jovem já parece deslumbrado com a juíza antes mesmo de conhecê-la, quando seria mais crível que tamanha admiração tivesse surgido como resultado desde encontro, ou mesmo como consequência do desenrolar do processo. Escolhas como estas, tornam o relacionamento mais confuso que o necessário.

O problema maior talvez seja o arco da protagonista, que não parece evoluir. Apesar de tudo pelo que passou, Fiona parece terminar mais ou menos do mesmo jeito que começou. Ainda presa em seu trabalho desgastante, sem conversar sobre seu casamento com o marido. Não posso afirmar com certeza, se o roteiro falhou em encerrar o arco da personagem, não criando as cenas necessárias para resolvê-lo, ou se sua intenção era mostrar uma personagem trágica que não consegue se libertar de seu mundo desgastante. Contudo, a sensação de frustração é a mesma em ambos os casos.

Ao menos à produção acerta ao transmitir o sentimento de clausura da vida da protagonista. Fiona vive em um espaço de algumas quadras, distância entre o trabalho e sua casa. Isso é tudo que ela vê do mundo, uma Londres com poucos atrativos, apinhada de gente ocupada. O tribunal é sisudo, com linhas retas, cores fortes e vestimentas pesadas. Já sua casa é cheia de divisões. Tudo a sua volta é pensado para prendê-la e isola-la ainda mais do mundo.

O drama inspirado pelo romance de Ian McEwan, que também assina o roteiro, relembra que mesmo a autoridade mais responsável e austera, tem suas fragilidades. Mergulhando em seu cotidiano, para observar de perto seus problemas, medos e dificuldades. O que funciona perfeitamente graças às excelentes atuações de Thompson, Tucci e Whitehead. Passa longe de ser Um Ato de Esperança, mas é certamente uma contundente balada sobre a humanidade de pessoas como Fiona. Aparentemente "acima" dos outros, mas que precisa de ajuda, e enfrenta decisões impossíveis como qualquer um de nós.

Um Ato de Esperança (The Children Act)
2019 - Reino Unido - 106min
Drama
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quinta-feira, 14 de março de 2019

Prepare-se para Vingadores Ultimato: MCU em ordem cronológica!

Vingadores Ultimato estreia em pouco mais de um mês, logo é a hora de fazer aquela maratona para refrescar sua memória sobre o Universo Cinematográfico da Marvel. Mas a lista de produções já conta com dezenas de filmes e séries, lançados ao longo de uma década sem necessariamente seguir a ordem dos acontecimentos, resolvi facilitar as coisas. Organizei a linha do tempo do MCU na ordem em ordem cronológica, para você organizar sua maratona.

 A lista abaixo conta apenas com as produções que se conectam diretamente com a linha do tempo principal do cinema. Por isso, as séries da parceria Marvel-Netflix e obras paralelas como Inumanos ficaram de fora (você pode conferir como elas se encaixam na cronologia nesta outra lista). Tenho críticas da maioria dos filmes e séries, clique no título para ler.

E se estiver sem tempo, vou facilitar ainda mais e marcar (⭐) aqueles filmes essenciais para compreender  Vingadores Ultimato. Assim, você pode fazer uma maratona mais curta e ainda assim não ficar perdido! Agora, sem mais delongas...

(Captain America: The First Avenger - 2011 - fase 1)
O nome já entrega né? Steve Rogers foi o primeiro a chegar. Ele já existia muito antes de Nick Fury sonhar em pensar na tal iniciativa Vingadores. Criado em 1942 para derrotar nazistas, já esbarrou na primeira jóia do infinito em sua primeira aventura.

Agent Carter - Marvel One-Shots*
(2013)
Um ano após o desaparecimento do capitão, Peggy está relegada ao trabalho burocrático do Exército. Diante de uma oportunidade, ela agarra a possibilidade de ir a campo, e acaba solucionando um caso sozinha, deixando seu chefe machista furioso. Antes que ele possa puni-la, uma ligação de Howard Stark a designa para a recém-formada S.H.I.E.L.D. Este curta vai de encontro à cronologia da série de TV, onde a agência fora criada mais tarde.

(1ª e 2ª temporadas / 2015-2016)
Com o capitão congelado, só sobrou a Peggy Carter para salvar o mundo. Depois de vencer a guerra, a moça trabalhou na SSR (Reserva Científica Estratégica). As aventuras dela começam em 1946, e se mantém nesta década ao longo das duas temporadas. Mas a moça, ajudou a criar a S.H.I.E.L.D., volta e meia aparece nos filmes e na série de TV dos agentes. Infelizmente a série foi cancelada antes que a S.H.I.E.L.D. tomasse forma, mas a agência começou a nascer ali.

(Captain Marvel - 2019 - fase 3)
Primeira protagonista feminina do universo, o filme de apresentação de Carol Danvers se passa em 1995. Além de apresentar a personagem e criar sua relação com Nick Fury, o longa ainda precisa explicar onde a heroína estava entre esta aventura e sua aparição em Vingadores Ultimato. 

Homem de Ferro
(Iron Man - 2008 - fase 1)
O filme do Tony Stark, foi a primeira produção da Marvel, o grande pontapé bem sucedido para estabelecer o universo. E já que o capitão estava congelado nesse momento, Carol Danvers viajava pelo universo e Hank Pym agia escondido por seu tamanho, ele reinaugurou a era dos heróis. Se passa na mesma época em que foi lançado, 2008.

O Incrível Hulk
(The Incredible Hulk - 2008 - fase 1)
Também se passa mais ou menos na mesma época em que foi lançado, 2008. Geralmente esquecido pois Edward Norton, que vivia Bruce Banner na produção, não entrou em acordo para reprisar seu papel no primeiro Vingadores, sendo substituído por Mark Ruffalo. Mesmo assim, o novo intérprete do Hulk menciona acontecimentos de seu predecessor, então faz parte do universo.

(Iron Man - 2010 - fase 1)
Se passa pouco tempo depois do primeiro filme e ainda lida com as consequências da estreia de Tony como herói, e da revelação de sua identidade para o mundo.

A Funny Thing Happened on the Way to Thor's Hammer - Marvel One-Shots*
(2011)
Quando está à caminho do Novo México para analisar o martelo de Thor, o agente Coulson impede um assalto em um posto no qual faz uma parada para abastecer.

(Thor - 2011 - fase 1)
O deus do trovão também fez sua estreia situado cronologicamente mais, ou menos na época em que foi lançado, 2011.

The Consultant - Marvel One-Shots
(2011)
Pouco após os eventos de Thor, o agente Phil Coulson se encontra com o agente Jasper Sitwell, avisando que o Conselho de Segurança Mundial quer tirar Emil Blonsky, o Abominável, da prisão para se juntar aos Vingadores. Relutantes em libertar alguém tão perigoso, Coulson e Sitwell decidem mandar alguém que sabotasse a reunião com o General Ross e fazê-los desistir da ideia.

(The Avengers - 2012 - fase 1)
O histórico primeiro encontro de todos os personagens apresentados até então, aconteceu em 2012. Mesma época em que foi lançado, e firmou de vez tanto a franquia, quanto a fórmula Marvel. Encerra a fase 1 da Marvel.

Item 47 - Marvel One-Shots
(2012)
Um casal decide assaltar bancos usando uma arma chitauri recuperada após a batalha de Nova York. Um agente da S.H.I.E.L.D. é enviado para lidar com o problema.

(Iron Man 3 - 2013 - fase 2)
Provavelmente ainda se passa em 2012-2013, já que Tony Stark ainda está lidando com os eventos da batalha de Nova York. Inaugura a fase 2 da Marvel.

All Hail the King - Marvel One-Shots
(2014)
Trevor Slattery, o "Mandarim" de Homem de Ferro 3 está cumprindo pena na prisão Seagate, quando é abordado pelo documentarista Jack Norris, que quer investigar seu passado.

(temporada 1, episódios 1-7)
Algum tempo depois de sua morte no primeiro Vingadores, o Agente Coulson volta para comandar uma equipe especial de agentes da S.H.I.E.L.D.; Nesse período, a série se comunicava constantemente com os eventos do cinema, logo...

(Thor: The Dark World - 2013 - fase 2)
Já era 2013, quando Thor voltou à terra, e esbarrou em mais uma jóia do infinito, bem no meio da primeira temporada de Agentes da S.H.I.E.L.D. ...

(temporada 1, episódios 8-16)
Por isso, no meio da primeira temporada, Coulson e cia, precisam limpar a bagunça da batalha em Londres. E o episódio 16 termina com a deixa certinha para começar a próxima aventura do Capitão.

(Capitão América: O Soldado Invernal - 2014 - fase 2)
Quem assistiu ao episódio 16 de Agents of S.H.I.E.L.D., às vésperas da estreia deste filme, não conseguiu evitar a ansiedade, já que o gancho da série terminava com a revelação que move o longa: a agência estava comprometida.

(temporada 1, episódios 17-22)
Estrago feito, os Agentes precisam lidar com as consequências de não ter mais uma agência, e ainda limpar a bagunça que a HYDRA deixou para trás.

(Guardians of the Galaxy - 2014 - fase 2)
Isoladão em um quadrante distante da galáxia, os Gardiões, tinham apenas o Colecionador (que apareceu nos créditos de Mundo Sombrio) como conexão com os outros heróis. E claro, eles acharam outra joia do infinito.

(Guardians of the Galaxy Vol. 2 - 2017 - fase 3)
James Gun queria trabalhar mais a dinâmica de sua equipe recém formada (e vender bonequinhos do Baby Groot), por isso a segunda aventura se passa apenas algumas semanas após a primeira.

(temporada 2, episódios 1-19)
Ainda lidando com os últimos tentáculos da Hydra, são os agentes da S.H.I.E.L.D., em processo de reconstrução da agência, que localizam o cetro de Loki que a super-equipe vai buscar no início de Era de Ultron.

(Avengers: Age of Ultron - 2015 - fase 2)
O filme conversa com a série de TV, apresenta gente nova e ainda sedimenta os novos caminhos de Thor e Hulk, e do mundo em relação às super-pessoas.

(temporada 2, episódios 20-22)
Apesar de ainda fazer parte do universo, a partir daqui a série começa a interagir cada vez menos com seus colegas da tela grande.

(Ant-Man - 2015 - fase 2)
Dr. Hank Pym não quis fazer negócios com Peggy Carter e Howard Stark nos anos de 1990, mas aventura mesmo acontece em 2015. Chegamos a ver a nova sede dos Vingadores inaugurada em Era de Ultron.

(temporada 3)
Inumanos e Hydra (ela não morre mesmo), ainda assombram os agentes da TV.

(Doctor Strange - 2016 - fase3)
Ele já estava sendo vigiado pela Hydra lá em Soldado Invernal. Agora sabemos que a organização maléfica estava correta em se preocupar. É o um dos mais difíceis de situar na linha do tempo, já que a longa recuperação de seu acidente, somada ao treinamento, implica na passagem de vários meses ao longo do filme

(Capitain America: Civil War - 2016 - fase 3)
Um tempinho depois dos estragos de Era de Ultron, o mundo resolve que quer controlar os heróis com o tratado de Sokovia, e a coisa não terminou muito bem.

(Black Phanter - 2018 - fase 3)
O, então príncipe, T'Challa e seu pai estavam nos eventos de Guerra Civil, e o monarca de Wakanda perdeu a vida. O Pantera Negra passa seu filme sendo apresentado, não como super-herói, mas como rei.

Slingshot
(Marvel Agents of S.H.I.E.L.D - webseries)
A inumana Elena “Yo-Yo” Rodriguez, precisa assinar o tratado de Sokovia, mas as restrições do acordo vão de encontro à uma missão particular que ela precisa cumprir. Websérie criada para a ABC.com, se passa pouco antes do início da quarta temporada da série Marvel Agents of S.H.I.E.L.D da qual a personagem faz parte.

(temporada 4)
Diferente dos Defensores o pessoal da S.H.I.E.L.D. precisa se preocupar com o tratado de Sokovia, além de lidar com seus problemas que incluem o Motoqueiro Fantasma. Apesar de o número de inumanos e consequentemente pessoas com poderes ter diminuído bastante nessa temporada.

(Spider-Man: Homecoming - 2017 - fase 3)
O teioso ainda está empolgado com a sua participação na batalha do aeroporto em Guerra Civil. Enquanto seu vilão ganha a vida comercializando tecnologia deixada para trás nas batalha anteriores dos heróis.

(temporada 5)
Os agentes continuam seguindo sua jornada. Situada em grande parte no espaço e com viagens no tempo a temporada afasta isola completamente os personagens dos eventos no cinema.

(Ant-Man and the Wasp - 2018 - fase 3)
Scott e Hope tem sua primeira aventura após os eventos de Guerra Civil. Precisam lidar com as consequências da participação do Homem-Formiga na luta, além é claro do vilão da vez.

(Thor: Ragnarock - 2017 - fase 3)
Thor e Hulk se reencontram e se colocam a postos para encontrar o Thanos, literalmente. É a aventura imediatamente anterior á Guerra Infinita.

(Avengers: Infinity Wars - 2018 - fase 3)
Primeira metade do grande desfecho da fase 3, reúne todos quase personagens do universo cinematográficos apresentados até então (tem uma galera de apoio que desapareceu sem explicação, mas isso foi assunto de outro post). Os Vingadores e os Guardiões da Galáxia tentam impedir que Thanos reúna todas as jóias do infinito e finalmente encaram o vilão.

Vingadores Ultimato 
Estreia 25/04/2019

*Marvel One-Shots é uma série de curta-metragens diretamente em vídeo, produzidos entre 2011 e 2014, que aprofundavam um pouco mais determinados eventos ou personagens do MCU. Eles estão disponíveis como conteúdo extra nos Blu-rays de alguns longas-metragem.

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segunda-feira, 11 de março de 2019

Sempre Bruxa - 1ª temporada

Em sua missão de ampliar seu catálogo próprio, a Netflix buscar produzir obras de diferentes lugares do mundo, abraçar diferentes estilos, atender a públicos de idades diversas, usar temas que estão em alta e até contar com uma ajuda do público certo que uma adaptação oferece. Sempre Bruxa curiosamente reúne todas estas características, mas acaba se perdendo nas possibilidades que ela própria oferece. O que não significa que não dá para se divertir com esta aventura juvenil de tom novelesco.

Carmen (Angely Gaviria), é uma escrava de dezenove anos no século XVII, que vive um romance proibido com o filho de seu senhor. Acusada de bruxaria para seduzir o rapaz, a moça é levada para a fogueira. A surpresa aqui é que ela é realmente uma bruxa e conta com a ajuda de um feiticeiro mais experiente para escapar da fogueira e salvar seu amado. Em troca ela deve entregar uma encomenda em 2019. É claro, quando chega no futuro, a moça descobre que a missão é mais complicada do que parece.

Sim, você entendeu direito. Sempre Bruxa tem romance jovem proibido, magia e viagem no tempo, elementos em alta quando se trata de obras para o público juvenil. E o potencial desta reunião de temas não é pouco. Além do estranhamento e desventuras que que cruzam o caminho de todo viajante do tempo, e do preço que sempre precisa ser pago pela magia, há ainda a discrepância gritante entre realidades. Carmem deixa de ser uma escrava do século XVII, para se tornar uma jovem livre no século XXI. Não que a vida de uma mulher negra nos tempos de hoje seja fácil. O problema é que com tantas possibilidades para trabalhar o roteiro se perde e acaba não explorando bem nenhum deles.

Um viajante do passado, tem muito mais dificuldades de quem faz o caminho oposto. Simplesmente pelo fato de que, enquanto quem vem do futuro tem o passado como referência, quem avança no tempo não pode imaginar o que está por vir. Mas Carmem não tem dificuldades em se adaptar aos nossos loucos tempos. Os instantes de confusão e dúvida são poucos, e o medo é inexistente. É de se imaginar que uma escrava de 1646, se assustasse, ou ao menos tivesse receio de determinadas coisas como o barulho das cidades, carros, vestimentas e principalmente homens brancos desconhecidos. Afinal, nos momentos iniciais, a moça não saberia que a escravidão acabou, ou que as mulheres lutaram - e ainda lutam - para ter os mesmos direitos e autonomia dos homens (outros dois bons temas a serem discutidos, mas desperdiçados). Entretanto, a protagonista em momento algum hesita em sair pelas ruas indagando, e enfrentando, qualquer um que cruze seu caminho.

Como se o desperdício da sempre divertida "fase de adaptação" não fosse suficiente, o roteiro ainda faz questão de ajudá-la sempre que pode, sem dar muitas explicações ou se preocupar com a veracidade das situações. Sem documentos ou dinheiro, a moça se hospeda em uma pensão. Entra em uma universidade, senta e uma sala de aula e assim passa a ser aluna de instituição (na época em que eu fiz faculdade não era tão fácil assim). Em instantes, faz amigos que a tratam como se a conhecessem a vida toda, ainda que eventualmente estranhem seu jeito diferente, e mal saibam seu nome completo. Mesmo seu guarda-roupas moderno e descolado, surge como se fosse fácil se tornar uma fashionista com peças reunidas de um achados e perdidos.

Já a trama principal segue a cartilha de obras juvenis com elementos sobrenaturais. A previsibilidade não seria um problema, se a narrativa fosse bem executada, criando um universo rico e com personagens envolventes. Mas as regras deste mundo são mal explicadas, mesmo com a desnecessária narração da protagonista. E logo a jornada assume um tom episódico, mantendo a trama principal correndo lentamente por fora. Enquanto o texto superficial e protocolar não permite que os personagens soem naturais. O elenco jovem pode até estar tentando, mas não é possível tirar muito do material com que trabalham. 

À esta altura você deve estar se perguntando: com tantos pontos contra, porquê você assistiu até o fim Fabi? -  Surpreendentemente, apesar das falhas, a produção é muito gostosa de acompanhar. A linguagem é simples, e as lacunas são facilmente preenchidas por quem já está acostumado a consumir obras de fantasia. 

Para nós, latinos consumidores de novelas, um bônus. a linguagem tem muitas semelhanças com as novelas que todos consumimos em algum momento da vida. Esta familiaridade com a forma como a história é contada, também ajuda no engajamento. Some aí, a diversidade do elenco e as belíssimas locações de Cartagena. A cidade colombiana mistura belezas naturais, construções históricas e modernas. É um deleite para os olhos.

Sempre Bruxa é uma série colombiana, inspirada no livro Yo, Bruja, escrito por Isidora Chacon. Sobre o qual fiquei curiosa, será que a obra original preenche as lacunas e tem mais espaço para explorar todo o potencial dos bons temas que oferece? Talvez este aprofundamento venha na segunda temporada, já que o programa deixa gancho para tal. Acho pouco provável.

Com uma reunião de elementos altamente rentáveis - viagem no tempo, romance impossível, magia, gente bonita - e linguagem simples, acredito que a série tenha apelo suficiente para seu público alvo jovem. Para aqueles que forem mais exigentes, pode ser consumida sem compromisso em momentos de puro escapismo. Embora, mesmo assim, seja difícil evitar a sensação de potencial desperdiçado. Os temas e argumentos de Sempre Bruxa são ótimos, faltou apenas saber aproveitá-los bem.

Sempre Bruxa tem dez episódios com cerca de uma hora cada, todos já disponíveis na Netflix.
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sexta-feira, 8 de março de 2019

Megarrromântico

Que atire a a primeira pétala de rosa quem nunca se rendeu à uma comédia romântica, com sua atmosfera açucarada e ideais impossíveis de alcançar. Apesar de muitas vezes subestimado, o gênero tem seus prós e contras como qualquer outro na sétima arte. É com estas características, positivas ou não, que Megarrromântico pretende brincar.

Natalie (Rebel Wilson) é uma garota comum, fora dos "padrões de Hollywood", que vive em um mundo igualmente ordinário. Não é de se admirar que ela abomine o mundo irreal das comédias românticas. Também não é surpresa que nesta paródia um incidente vai fazê-la ficar presa no gênero que tanto odeia.

Antes de mais nada, o roteiro apresenta bem o mundo de Natalie, desde seu minúsculo apartamento, passando pela Nova York lotada cinzenta e suja, até o escritório bagunçado e nada atraente. A melhor amiga, Whitney (Betty Gilpin) é o contraponto da protagonista. Se perdendo constantemente nos romances de cinema, ela é a deixa acertada para a protagonista apontar os problemas e convenções do gênero que serão explorados ao longo do filme. É a boa ambientação do "mundo real" dentro do filme, que vai tornar ainda mais absurdo e cômico o mundo de sonho na qual a personagem fica presa, após um incidente bastante mundano, um assalto no metrô.


A partir daí, a produção divide o tempo entre as críticas e homenagens ao cinema, e as piadas criadas para explorar o talento cômico de Wilson. São as primeiras que funcionam, e fazem a produção da Netflix merecer atenção. 

As referências claras à clássicos do gênero, como O Casamento do Meu Melhor Amigo, são deliciosas para quem gosta destas produções. Mas não superam às piadas com os clichés de comédias românticas, como as coincidências convenientes ao roteiro, montagens para escolha de figurino e maquiagem, o melhor-amigo gay e até as cenas de sexo que pulam diretamente para a manhã seguinte. O humor aqui varia entre um tom mais crítico, quando aponta o absurdo da a incapacidade de amizade entre mulheres neste universo, quando de homenagens como as adorados números musicais sem motivo aparente.

É no desvio deste tipo de piadas, para dar espaço aos talentos Rebel Wilson, que o filme perde um pouco o fôlego. Quando a graça vem do estranhamento ou aborrecimento de Natalie, o roteiro acerta, mas quando estende demais a situação ou aposta em humor físico a qualidade cai. Nada que comprometa muito a diversão, mas que não evita a sensação de que gostaríamos de ver mais da paródia proposta pelo roteiro, e menos das firulas da protagonista.

O elenco de apoio cumpre seu papel. O destaque é para Gilpin, que oscila em personagens opostas nas duas versões de mundo da história. Priyanka Chopra convence como o modelo de mocinha inatingível. Liam Hemsworth, não tem tanto timming de comédia quanto o imão Chris (o Thor), mas entrega o que a história exige dele. O papel pode ser uma porta de entrada para o ator explorar mais o estilo. É apenas Adam Devine, quem soa travado como melhor amigo Josh. O comediante parece fazer sempre o mesmo personagem, o cara que se acha engraçado, mas na verdade é irritante que vemos desde A Escolha Perfeita.

A direção de arte, figurinos não reinventam a roda, mas são eficientes em apontar as diferenças entre os dois mundos. Completando o pacote de referências e homenagens à comédias românticas, em especial da década de 1990.

Megarrromântico é tanto uma exaltação, quanto uma crítica ao romances açucarados e irreais que tanto consumimos. Lembra que estes podem e devem ser atualizados, para fugir de estereótipos e ideais impossíveis. Mas quando não, também é possível consumi-los sem culpa, desde que estejamos cientes de sua artificialidade e não esperar um par romântico perfeito na próxima esquina.

Natalie ficou presa em uma comédia romântica para aprender como se divertir com elas. Nos levando juntos para rir de seus absurdos e curtir seus bons momentos. É um atestado da Netflix, de que podemos continuar a curtir nossos guilty-pleasures, sem vergonha alguma!

Megarrromântico (Isn't It Romantic)
2019 - EUA - 89min
Comédia Româmtica
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terça-feira, 5 de março de 2019

Capitã Marvel

Vá atento para sua sessão de Capitã Marvel. A aventura da primeira protagonista feminina da Marvel na tela grande é ao mesmo tempo o passo inicial de um novo momento do MCU (Marvel Cinematic Universe), e uma curiosa homenagem à tudo que foi feito até então.

"Vers" (Brie Larson) faz parte da elite de nobres-heróis guerreiros Starfoce, e uma batalha entre duas raças alienígenas traz a moça à Terra. Aqui, ela vai perceber que nem tudo é como parece. Com a ajuda do agente da S.H.I.E.L.D., Nick Fury (Samuel L. Jackson), ela vai descobrir sua verdadeira origem e por um fim à tal guerra.

Sim, trata-se de um tradicional filme de origem da Marvel. Seu diferencial está nos detalhes. Desde a divertida reconstrução de época, que aposta nas diferenças entre os tempos atuais e o ano de 1995, em que a história se passa, para fazer humor. Até o momento histórico em que a moça mais poderosa deste universo chega à tela grande.

Levou uma década e dezenove filmes para que a casa das ideias lançasse uma protagonista feminina na tela grande (na TV, Jessica Jones e Agente Carter chegaram primeiro). Mesmo assim, Carol Danvers (a "Vers" ali da sinopse), chega sobre certa desconfiança, preconceito e até protestos de quem ainda duvida da capacidade de personagens femininas. Repúdio bobo e infundado, pois além de poderosa Capitã Marvel é determinada, bem humorada, tem uma personalidade complexa, e uma jornada própria bem desenvolvida nesta primeira aventura.

Excelente atriz, Brie Larson pode não ter o mesmo carisma de sua principal (e unica!?) concorrente, Gal Gadot. Mas o roteiro lhe fornece as ferramentas e o tempo necessário, para que a moça conquiste a audiência. Essa introdução mais lenta pode soar arrastada para quem já conhece a personagem, mas é essencial para o público não iniciado criar um vínculo com a personagem. Tarefa que Larson cumpre muito bem, ao apresentar as nuances de alguém cheia de dúvidas, com problemas crescentes mas que se recusa a desistir, sem deixar de se divertir pelo caminho. Afinal, é um filme de super-herói para toda a família.

Enquanto conhecemos Danvers, também somos apresentados à Starforce. O grupo de guerreiros é uma bem vinda expansão ao núcleo espacial do MCU. Especialmente agora que o futuro dos Guardiões da Galáxia é incerto.

Quem não precisa de muitas apresentações é Fury. Ainda um agente da S.H.I.E.L.D. nos anos 90, pela primeira vez ele deixa a posição de mentor e participa ativamente da aventura. O que só é possível graças à eficiente técnica de rejuvenescimento por computação gráfica, que deixa o ator veterano duas décadas mais jovem de forma crível. Phil Coulson, aquele agente que morreu no primeiro Vingadores, é outra figura conhecida a aproveitar a tecnologia. Seu retorno à tela grande, é divertido e coerente com a personalidade que tem sido desenvolvida em Marvel's Agents Of S.H.I.E.L.D., o que deve agradar fãs da série de TV.

Annette Bening, Lashana Lynch, Jude Law e Ben Mendelsohn, que precisa urgentemente diversificar seus papéis, completam o eficiente elenco. Entretanto, sem grandes surpresas na atuação. Mesmo porque, a tradicional fórmula Marvel não exige tanto dos atores. E apesar de repetitivo, o formato é bem executado. Muitas vezes intrusivas, as piadinhas aqui são bem dosadas para não diminuir o peso dos momentos dramáticos.

Já as cenas de luta e efeitos dos poderes não trazem nada de novo, mas são bem realizadas. À exceção fica por conta da sequencia de ação inicial que é extremamente escura e com muitos cortes, quando ainda não fomos devidamente apresentados aos personagens, o universo e a situação. Isso deve deixar muitos espectadores perdidos em alguns momentos. Por causa desta sequencia, eu evitaria sessões em 3D, embora normalmente a tecnologia funcione bem em filmes com temática espacial.

Há homenagens à Stan Lee desde os créditos iniciais. Também não faltam conexões com outros filmes do MCU, todas espalhadas de forma coerente e orgânica ao longo da trama. Estes detalhes, combinados com as duas cenas pós créditos, respondem as pontas soltas e preparam o terreno para Vingadores Ultimato.


Capitã Marvel, é super-poderosa, determinada, bem-humorada e se diverte com suas habilidades. Nesta primeira aventura, ela não apenas é devidamente apresentada ao grande público, como também resolve dilemas próprios, terminando a jornada pronta para salvar o universo. Se depois da sessão você ainda tiver dúvidas, é porque não estava prestando a devida atenção.

Capitã Marvel (Capitã Marvel)
2019 - EUA - 124min
Aventura, Ação, Ficçã-cientifica


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sexta-feira, 1 de março de 2019

The Umbrella Academy - 1ª temporada

Em um dia qualquer, sem nenhuma relação aparente 43 crianças extraordinárias nasceram ao redor do mundo. Todas de mulheres que não estavam grávidas horas antes. O cientista milionário Sir Reginald Hargreeves (Colm Feore) vê potencial nestes nascimentos incomuns e resolve adotar quantas destas crianças conseguir. Os sete bebês adquiridos por eles serão treinados para um dia salvar o mundo como a força-tarefa The Umbrella Academy.

Não se engane por esta apresentação inicial. Os quadrinhos criados por Gerard Way (o ex-vocalista da banda My Chemical Romance) e pelo brasileiro Gabriel Bá, tem sim argumento semelhantes à tradicionais supre-grupos como os X-Men, mas é bem diferente na forma como entrega sua jornada. Esta família disfuncional, seu universo e dilemas próprios acabam de ganhar uma adaptação pela Netflix que deve surpreender muita gente.

É 2019 e a morte de seu pai e mentor, reúne os membros da Umbrella Academy após anos separados. Ou melhor, os membros que sobraram,Luther, o Número Um (Tom Hopper); Diego, o Número Dois (David Castañeda); Allison, Número Três (Emmy Raver-Lampman); Klaus, Número Quatro (Robert Sheehan) e Vanya, Número Sete (Ellen Page). O grupo começa a apresentar os dramas desta família quebrada, até que Número Cinco (Aidan Gallagher), que desapareceu ainda na infância, ao tentar usar seus poderes para viajar no tempo retorna com a alarmante missão de impedir que o apocalipse aconteça em poucos dias.

Disputas de infância mal resolvidas, as "desvantagens" e consequências da má administração de seus poderes, a morte misteriosa do pai, romances, segredos escondidos, o iminente fim do mundo, a perseguição por assassinos treinados... não faltam problemas para estes heróis-quebrados resolverem neste funeral. Surpreendentemente, a série consegue equilibrar a apresentação de um universo e seus personagens completamente novos, com o desenvolvimento destes obstáculos. O ritmo é frenético, e a trama aposta em abraçar o absurdo, combinado com uma escrita dinâmica, para tornar coeso seu universo com super-poderes, viagens no tempo, robôs e macacos mordomos.

Assim, a única surpresa esboçada quando Pogo (Adam Godley) fala é do espectador quanto a qualidade da tecnologia aplicada, considerando que trata-se de uma série com muitos episódios e orçamento limitado. Os personagens não se expantam quanto ao fato de existir um chipanzé de terno entre eles. O que também torna crível o porte incomum de Luther, a arquitetura curiosa da mansão Umbrela, e até momentos mais caricatos e exagerados, como a incompetência cronica daqueles que são considerados os melhores assassinos de seu departamento Hazel e Cha-Cha (Cameron Britton e Mary J. Blige).

O elenco bem selecionado é um ponto forte, todos entregam o trabalho a que lhes foi proposto de forma eficiente. O rosto mais conhecido em cena é o de Ellen Page, que dá vida à propositalmente apagada Vanya. A única dos sete irmãos que não tem poderes, a jovem cresceu isolada e desvalorizada pela família. Sua jornada é previsível, mas o bom trabalho de Page compensa a obviedade da jornada.

Os destaques ficam com os números Quatro e Cinco. Com o poder de invocar os mortos, Klaus vive à base de entorpecentes para silenciar as vozes em sua mente. Robert Sheehan conseguem imprimir muito carisma, enquanto o personagem tenta fugir ou esconder seus tormentos e preocupações atrás das drogas e de um comportamento descompromissado e altamente debochado. Já o Número Cinco, é um homem de 58 anos preso em um corpo de 13. O jovem Ainda Gallegher consegue transmitir a urgência, experiência e impaciência de alguém que não tem tempo a perder com os receios da juventude.

A trilha sonora completa o tom tresloucado ao pontuar bem as cenas. Desde com os dramáticos solos de violinos de Vanya, até o uso de grande sucessos como "Don't Stop Me Now", do Queen, que torna frenética e divertida uma cena bem elaborada cena de tiroteio. E por falar em cenas de ação, a série tem muitas. Estas combinam, a luta corporal, o uso de armas, e claro dos super-poderes. Bem coreografadas, na maioria das vezes apostam no bom humor, gerado por suas possibilidades absurdas.

Vale apontar ainda, os figurinos e cenários que fazem referência ao material original ilustrado por Gabriel Bá. E o elenco bastante diverso, que foge da versão dos quadrinhos. Diferente de suas versões prioritariamente caucasianas das páginas, as crianças aqui realmente parecem ter vindo de diferentes partes do mundo.

A arquitetura da Mansão onde as crianças foram criadas, que parece unir imóveis distintos através de buracos nas paredes que o conectam, oferecendo ambientes completamente diferentes. De uma área comum com um grande saguão que lembra um imaculado museu, apesar de ser habitado por sete crianças, até o "puxadinho" mal decorado onde ficam seus quartos, a mansão parece uma combinação mal planeja da de coisas completamente diferentes, assim como seus moradores.

É apenas o final abrupto, cheio de questões a serem resolvidas em uma segunda temporada é que pode frustar alguns. Mas, é o comum em séries de TV, e ao menos promete uma continuação.

The Umbrella Academy é a reação da Netflix que busca franquias próprias, agora que os demais estúdios começam a lançar seus serviços de streaming próprios e retirar seus produtos da plataforma. Uma série sobre super-heróis disfuncionais, que tem suas regra, mitologia e personalidade próprias. Personagens complexos e carismáticos, uma trama intricada e propositalmente absurda, é uma bem vinda novidade e um prato cheio para quem gosta do gênero.

The Umbrella Academy tem 10 episódios, com cerca de uma hora cada, todos já disponíveis na Netflix.

Leia a crítica de The Umbrella Academy: Suíte do Apocalipse, primeira aventura do grupo nos quadrinhos.
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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Boneca Russa

Nadia Vulvokov está comemorando seu 36° aniversário quando morre repentinamente, e no momento seguinte retorna ao início sua festa de 36 anos. O processo de falecimento e retorno ao mesmo dia se repete algumas vezes antes que a protagonista perceba que está em um loop temporal. É curioso como a premissa de Boneca Russa se assemelha ao terror farofa A Morte Te Dá Parabéns. Mas não se engane, a série Amy Poehler, Natasha Lyonne e Leslye Headland, tem muito mais a oferecer que sustos fáceis criados por mortes repentinas.

Nadia (Natasha Lyonne, Orange is The New Black) é uma programadora de jogos, inteligente, sarcástica, debochada e não leva desaforo para casa. É uma solitária por opção, que evita relações mais complexas, e faz grande uso de entorpecentes, como forma de manter seus traumas enterrados. Até que essa rotina de negação é interrompida pelo misterioso loop-temporal, no qual a moça revive repetidamente a noite de sua festa, sempre culminando em sua morte.

Por causa de seu estilo de vida, demora um pouco para ela notar que a "sensação de déjà-vu", não é provocada pelas drogas de sua celebração. Nestes primeiros instantes a série aposta na comédia de erros, e na facilidade da protagonista em acidentalmente tirar a própria vida. Mas isso não sustentaria uma temporada inteira, mesmo com episódios de no máximo trinta minutos. O roteiro sabe disso, e não demora muito para mudar o status-quo.

Logo no terceiro episódio a produção foge do clichê de Feitiço do Tempo, e insere novos elementos que começam a construir sua mitologia própria. Ou melhor, não insere, mas começa a chamar atenção para eles. Praticamente todos os detalhes, que criam as reviravoltas ao longo da trama já estão lá desde o primeiro episódio. Desafiando expectadores desatentos, ou no mínimo convidando o público à re-assistir a série para encontrar estas pistas perdidas na primeira sessão. O loop-temporal continua sendo o mote principal, mas os efeitos dele tem características próprias. Estas vão desde sutis mudanças entre uma repetição e outra, passando por figurantes que na verdade são personagens importantes, e até elementos que continuam sujeitos à ação do tempo apesar do loop.

É com as oportunidades criadas por estes elementos próprios que a série pode trabalhar temas mais complexos ligados à natureza de seus protagonistas. Desde os traumas de infância da protagonista, apresentados em forma de flashback, até os medos pequenos de personagens menores, como o medo da maternidade de Lizzy (Rebecca Henderson). Isolamento, relacionamentos superficiais, amizade, infidelidade, abuso de drogas, depressão e até suicídio, estão entre os temas abordados ou apenas apontados pelo afinado roteiro. Este ainda que ainda inclui elegantes analogias, como as múltiplas vidas de um video-game que lhe permite repetir uma fase até que solucione o desafio em questão, as sete vidas de um gato, ou o comportamento solitário de um peixe beta.

Uma Nova-York escura e ocupada, e principalmente seus moradores compõe a atmosfera carregada em que a protagonista vive. Um mundo cheio de gente, com muita coisa acontecendo, onde é fácil se sentir sozinho. O elenco conta com escolhas acertadas, que vão desde a química entre as amigas da protagonista Maxine e Lizzy (Greta Lee e Henderson), até o tom reconfortante da terapeuta/figura-materna Ruth (Elizabeth Ashley). Sem fazer grande estardalhaço, de fato muita gente não vai notar, Yoni Lotan dá vida a quatro personagens diferentes, sem que haja explicação alguma, mas abrindo muito espaço para teorias.

Vale também apontar a personalidade metódica e nervosa de Alan (Charlie Barnett). O jovem tem claramente um distúrbio social e/ou de personalidade, seu exagero poderia facilmente beirar a caricatura. Barnett consegue o tom exato para torná-lo não apenas crível, mas também um contraponto preciso para a despreocupada protagonista.

Entretanto o destaque mesmo é de Natasha Lyonne. A atriz está envolvida com todos os processo de produção, criação, roteiro e até direção - vale mencionar aqui, todos os episódios são dirigidos por mulheres - e por isso não apenas inclui experiências próprias no roteiro, como parece compreender todas as vertentes de sua complexa anti-heroína. Mesmo, sendo desagradável, desbocada, mal-humorada e cheia de vícios é difícil não se apegar a Nadia e torcer por ela. Essa empatia é resultado do bom trabalho de Lyonne, que sabe aproveitar a inteligência, humor cínico e potencial de crescimento da personagem, para compensar seus hábitos menos admiráveis.

Coesa e eficiente a série começa com uma premissa que inicialmente parece repetitiva, mas como um verdadeira matrioska, logo vai mostrando suas várias camadas internas. Estas vão desde a complexidade da protagonista, até do universo e da trama propriamente ditos. O final é aberto à interpretação, e permitiria continuações. Embora particularmente, eu ache uma segunda temporada desnecessária.

Boneca Russa, não tem medo de entregar tudo que tem, e explorar bem suas idéias sem rodeios. Entregando uma série uniforme que mantém o fôlego e o interesse do espectador até o final. Uma história bem aproveitada e redondinha, sem pontas soltas, não precisa ser alongada e forçada em um segundo ano.

Boneca Russa tem oito episódio de no máximo trinta minutos cada, todos já disponíveis na Netflix.
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