O quarto ano de Emily em Paris já demonstrava o desgaste da fórmula da série queridinha da Netflix. A protagonista já estava estabelecida na capital francesa, o vai-e-vem com seus pares romanticos já beirava a infantilidade, e até mesmo os belos figurinos e paisagens já se mostravam redundante. Mas os episódios finais ensaiavam uma mudança drástica e necessária de ares. Bem, a produção até que tentou, mas o quinto ano não conseguiu sair da mesmice.
Reencontramos Emily (Lily Collins), seus colegas de trabalho e sua melhor amiga se estabelecendo e Roma. A agencia Grateau abriu uma filial na capital romana, e a protagonista está em um relacionamento com Marcello Muratori (Eugenio Franceschini) cuja família, dona de uma grife de luxo também é uma cliente.
Assim, o esperado era reiniciar a brincadeira. Ver a mocinha descobrindo uma nova cidade, seus hábitos, cultura e se atrapalhando no processo. É uma repetição simples da primeira temporada? Com certeza. Mas funcionaria, especialmente para reativar o encantamento que o aspecto "cartão postal" ou "guia turístico" que a série costumava ter. Novas pessoas também criariam novas dinâmicas e novas intrigas. O problema é que nada disso aconteceu.
À começar pelo elenco do qual a série não consegue desapegar. Não é apenas Emily que vai á Roma, é também Mindy, Sylvie, Julien, Luc e até o Alfie (Ashley Park, Philippine Leroy-Beaulieu, Samuel Arnold, Bruno Gouery e Lucien Laviscount. O círculo social da moça se mantém. Assim como, o conforto que vem com ele. Logo, o cenário é outro, mas os desafios e dinâmicas são os mesmos. E com agravante, a pressa!
O título não mudou oficinalmente para Emily em Roma - bem que podia, imagina, cada temporada em uma cidade nova! - continua Emily em Paris, e a série corre para "voltar para casa". Cinco episódios são passados na capital italiana, quatro na francesa, e o último na cidade de Veneza - outra boa candidata para ser o novo lar da mocinha. Se retornar sempre fora o plano, ou se a divisão foi resultado da disputa pública entre o presidente da França e o prefeito de Roma, não sabemos. Só temos certeza que no final a diferença foi mínima.Então acompanhamos Emily novamente atarefada com trabalho e relacionamento. Ao menos o par romântico da vez é outro, já que as atitudes de Gabriel (Lucas Bravo) chegaram a um nível irritante. Mesmo assim, nem dele a série consegue desapegar, trazendo o chef gato para algumas cenas, e deixando portas abertas para seu retorno. Ainda que sua despedida seja satisfatória.
Um relacionamento "de férias" entre Mindy e Alfie ocupa tempo apenas para manter os personagens ocupados até que a história chegue onde os roteiristas desejam focar. Sylvie surpreendentemente tem uma evolução de ultima hora em seu casamento, após várias aventuras divertidas. Enquanto Luc e Alfie continuam sendo, Luc e Alfie. Esquisitos, caricatos, e exagerados.A surpresa fica por conta dos três episódios finais, o roteiro parece caminhar para um desfecho definitivo do programa. Um desfecho bastante satisfatório inclusive, com encerramentos de ciclos, e caminhos abertos para novas fases. Mas Emily em Paris ainda tem grande audiência na plataforma, e a Netflix precisa cada vez mais de suas franquias estabelecidas, especialmente com o final de Stranger Things.
Logo, as finalizações de arcos são desfeitas nos minutos finais do último episódios. Novos problemas, incomodamente parecidos com os antigos, são iniciados para uma nova temporada. A agência e ameaça, a solterice da protagonista... enfim, nada de novo na Paris de Emily.
Sim, eu estava torcendo para Emily em Paris, virar Emily em Roma oficialmente neste quinto ano. Trazendo novos cenarios, personagens, dificuldades e dilemas. Mas a série escolheu ficar no mais do mesmo, usando apenas novos cenários para contar as mesmas histórias por um breve período antes de voltar definitivamente para a velha dinâmica.
Só que Emily não é mais novata em Paris. Em uma cena é até confundida com uma rude parisiênse. Começamos a notar que suas idéias geniais de publicidade sempre foram meio genéricas. E até sua vida de influencer ficou de lado. Sua vida nesta cidade ficou repetitiva, cansativa, e nada empolgante. Honestamente, não sei se retorno para a já anunciada sexta temporada.Cada temporada de Emily em Paris tem dez episódios com cerca de meia hora cada, todos já disponíveis na Netflix.
Leia as críticas da primeira, segunda, terceira e quarta temporadas da série.





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