WiFi Ralph: Quebrando a Internet - Ah! E por falar nisso...

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

WiFi Ralph: Quebrando a Internet

Quando estreou Detona Ralph surpreendeu ao mesclar com eficiência, em uma só aventura diferentes estilos de videogame. Dos quadradões jogos de 16bits aos complexos gráficos atuais, jogos de todos os tempos formavam, uma sociedade bastante crível no Fliperama Litwak. A sequencia da animação decide ampliar, e muito, o universo ao levar os personagens para a internet. Para tal opta por uma trama simples, e até repetitiva aos olhos de alguns.

Amigos há anos, Ralph (John C. Reilly/Tiago Abravanel) e Vanellope (Sarah Silverman/MariMoon) abandonam o dia-a-dia repetitivo do fliperama para salvar o jogo da garota. A missão é buscar no E-bay uma peça reserva para evitar que o Corrida Doce seja mandado para o ferro velho. Além de conhecer o maravilhoso mundo da internet, a dupla tem sua amizade testada quando percebe que não tem os mesmos sonhos.

Novamente é na criação de mundo que a produção se destaca. Se antes os personagens interagiam e até visitavam outros mundos, através dos fios e no filtro de linha que compartilhavam, na internet a interação não tem limites. Agora os protagonistas não interagem apenas com outros games, mas também com toda a cultura pop. Os easter-eggs e referências parecem ser inacabáveis. Estes vão desdes memes e situações do cotidiano dos internautas, como pop-ups e quizes, até empresas de internet do mundo real. Aliás, o enorme número de marcas representadas, é impressionante. Todas as grandes marcas estão presentes, o que nos faz pensar, que este filme se pagou com muita facilidade.

Se as representações físicas de um conceito tão abstrato quanto a internet não forem suficientes, há ainda, a possibilidade de ver a Disney rindo de si mesma. E também, esfregando todo seu poderio na tela. O trecho da aventura situado no site Oh My Disney (que existe de verdade, clique aqui), traz referências à todas as franquias e estúdios acoplados à empresa do camundongo, Star Wars, Pixar, Marvel e até os Muppets. A supra alardeada cena das princesas, é uma das melhores e curiosamente coerente, afinal a Vanellope Von Schweetz é a princesa de seu game, e personagem de um filme Disney, logo faz parte sim do panteão.

Tudo isso, em uma caprichada harmonia visual, que respeita as diferentes características de cada personagem e área. Mesmo os personagens novos, tem características coerentes com os universos a que pertencem, a todos muito diferente do mundo de 16 bits de Ralph ou da fofa e arredondada Corrida Doce.

Shank (Gal Gadot/Giovana Lancelotti) é a líder descolada e empoderada de um game atual de corrida. Já Yesss (Taraji P. Henson), sabe tudo que uma pessoa precisa para se tornar viral. Ambas as personagens são poderosas, proativas e curiosamente acessíveis apesar de sua posição. Aliás o filme entrega uma visão da internet muito mais positiva do que a maioria de nós tem. Existe sim, os espaços pouco amigáveis, mas estes são bem menores que os mundo real. Quem sabe essa versão de mundo virtual não influencia as futuras gerações.

É em seu terceiro ato, quando este novo mundo já foi apresentado, e a maioria de suas piadas e referências exploradas, que o filme cai um pouco em qualidade ao repetir conflitos do primeiro longa. Por insegurança Ralph faz besteira, Vanellope fica chateada, sua amizade é abalada, até que uma grande catástrofe reconcilie a dupla. Felizmente, quando chegamos neste ponto mais frágil da produção, já fomos conquistados pela jornada até ali.

Também há uma falha em relação a trama do primeiro filme. Em Detona Ralph, o jogo do vilão é quase desligado quando o personagem desaparece por um dia. Em WiFi Ralph, o personagem passa muito mais de 24 horas navegando na internet, sem nunca se preocupar com a existência de seu próprio jogo. Talvez apenas eu tenha realmente me incomodado com isso.

Outros podem se incomodar com algumas cenas do trailer que não estão no filme. Aliás parecem nunca ter estado, e terem sido criadas apenas para sua promoção. Prática que a Disney parece ter adotado, perceptível desde Rogue One, e principalmente em Vingadores: Guerra Infinita.

O elenco traz de volta, McBrayer (Félix, que no Brasil tem a voz de Rafael Cortez) e Janey LYnch Sargento Calhoum, em participações menores. Entre os nomes novos, se destacam Alan Tudyk, Alfred Molina e quase todo as vozes originais das princesas Disney. Apenas as princesas da era de ouro, Branca de Neve, Cinderela e Aurora, cujas interpretes originais não estão mais disponíveis, ganharam novas vozes. Esforço que a dublagem repete na versão nacional. Há também outras participações especiais interessantes, mas não vou mencionar para não estragar a surpresa.

É claro, há também o espaço para as boas mensagens. Além do já mencionado empoderamento feminino, a constatação de que melhores amigos não precisam ter os mesmos gostos e sonhos, são aos principais lições aqui. E vale mencionar, o filme tem cenas pós créditos.

WiFi Ralph: Quebrando a Internet, não é tão redondinho quanto seu antecessor. Mas suas falhas são mais que compensadas pela impecavelmente criativa construção de mundo e pelo carisma dos personagens. Inclusive os coadjuvantes e as participações especiais. Uma aventura frenética, divertida e inteligente ao lado dos já favoritos de muita gente, Vanellope e Ralph.

WiFi Ralph: Quebrando a Internet (Ralph Breaks the Internet)
2018 - EUA - 112min
Animação, Aventura


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