Dash & Lily - 1ª temporada

Você já terminou de assistir sua listinha de Natal da Netflix? Pois eu não terminei de falar delas! É claro, não tenho a ilusão de assistir e resenhar tudo que a plataforma programou para este fim de ano, mas não poderia deixar as festas acabarem sem indicar a Dash & Lily. Um série adorável que assisti sem grandes pretensões e fui surpreendida positivamente. 

Lily (Midori Francis) ama o Natal, mas está chateada por passa-lo sozinha pela primeira vez. Dash não gosta das festividades e está propositalmente evitando as pessoas. Lily decide fazer um caderno de desafios e deixar entre os volumes de uma livraria. Dash (Austin Abrams) o encontra e topa a brincadeira. Trocando desafios, estes opostos começam a se conhecer, trocar sonhos, experiências, rever seus conceitos, expandir perspectiva, e claro, se apaixonar através de suas conversas no papel, sem nunca se encontrarem. 

Dash & Lily poderia facilmente cair no cliché de comédias românticas adolescentes estadunidenses. Entretanto, a série baseada nos livros de  Rachel Cohn e David Levithan, acerta ao manter os pés no chão e trazer personagens e situações mais realistas. Sem grandes eventos exagerados, as situações são em geral plausíveis de acontecer em qualquer esquina. 


Sim, ainda é uma comédia romântica fofa, e momentos especiais estão em cena. Mas Lily  não é a garota secretamente maravilhosa que é descoberta pelo galã da escola. Enquanto Dash não é nenhum príncipe encantado. Seus momentos marcantes são intimistas e por isso tem até maior significado nas jornadas de cada um. A dupla até tem sua dose de clichês, mas estes são bem dosados e altamente relacionáveis. Do sentimento de não se encaixar dela, ao desgosto com a vida dele, passando pela dinâmica de opostos. Seus dilemas e dificuldades são bastante conhecidas por espectadores de diferentes idades. 

E este "realismo" não se limita aos protagonistas. Aqueles que o cercam também tem sua dose de realidade, como a ex-namorada de Dash, que está longe de ser a rival/megera de sempre. Seus pequenos arcos também, são tão relevantes e interessantes quanto os dos protagonistas. O destaque fica para a jornada do irmão de Lily. No romance de Langston (Troy Iwata) e Benny (Diego Guevara), o conflito é causado pela distância e incertezas de um relacionamento entre jovens. O fato de ser um casal gay pouco importa para a narrativa. 


Há também de se observar o excelente trabalho do elenco mais maduro, que conta com James Saito e Jodi Long. E a entrega eficiente do eclético elenco como um todo. A história se passa em uma Nova York romantizada sim, mas também rica e diversa. 

De volta à Dash e Lily, Midori Francis e Austin Abrams funcionam bem tanto isoladamente quanto sozinhos. Felizmente, afinal boa parte e sua jornada juntos é, de fato, à distância. Isolados, eles expressam suas personalidades distintas, e tornam crível o relacionamento à distância, com carisma e eficiência que nos faz desejar vê-los juntos.  Junto entregam a química e intriga (já que são opostos) prometidas, mesmo em tão poucos momentos. 


Já roteiro e edição assumem que Dash e Lily são co-protagonistas, não um "casal protagonista", oferecendo à cada um tempo para ser desenvolvido. E para tal, não tem receio de alternar o foco entre um e outro, ou ainda, mostrar o mesmo acontecimento mais de uma vez, para abordar as perspectivas de cada um.  Tudo isso em dinâmicos episódios com cerca de meia hora cada, cheios de diálogos inteligentes, muitas referências e boas escolhas narrativas. 

A história se passa completamente no período de festas de fim de ano. E isso dá à produção a oportunidade de criar uma Nova York mágica, e envolta no espírito natalino, através de decorações figurinos e música. Não que não haja decepções e Papais Noéis falsos eventualmente. A atmosfera completa o tema, de reencontro, redenção e esperança que a história já traz embutida em si. 
 


O desfecho é satisfatório e traz muitas possibilidades, inclusive a de encerrar a jornada da dupla, por ali mesmo e deixar suas vidas a cargo da imaginação. Mas a série de livros de Rachel Cohn e David Levithan tem três volumes, logo, uma continuação é muito possível.

Dash & Lily traz em apenas oito episódios, uma história aconchegante, inteligente e divertida. Com um espírito natalino genuíno e particular, é a maratona perfeita pra quem procura um programa para aquecer o coração.  


Dash & Lily tem oito episódios com cerca meia hora cada, todos disponíveis na Netflix

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