Paradise - 2ª temporada

A primeira temporada de Paradise prometeu uma tradicional trama de "Quem matou?", e entregou a melhor série de ficção-científica de 2025. Mas seu desfecho empolgante, além de gerar expectativa, também causou (em mim ao menos) o temor de se tornar mais uma série de sobrevivência no apocalipse. Felizmente, eu não tinha razões para temer. 

Sinatra desmascarada, quase morta, o bunker sem uma liderança e Xavier fora dele. Esse eram os maiores ganchos deixados pelo primeiro ano. E a segunda temporada estreia... com nada disso! O episódio Graceland, apresnenta personagens completamente novos ao acompanhar a jornada de Annie (Shailene Woodley) sobrevivendo praticamente sozinha ao apocalipse na residência de Elvis Presley que da nome ao capítulo. 

A mudança brusca de perspectiva pode afastar alguns. Entretanto, para aqueles que ficarem, e inevitavelmente se apegarem à moça, a recompensa é grande. Além de uma jornada emocional interessante (leia-se, devastadora), a personagem se torna o link e peça chave para os núcleos já conhecidos. 

Segundo e terceiro episódios também são focados em apenas um núcleo cada. Mayday acompanha as primeiras horas de Xavier (Sterling K. Brown) fora do bunker. Enquanto Another Day in Paradise mostra como o paraíso artificial está apos os eventos das últimas temporadas, em especial em relação à Sinatra (Julianne Nicholson). É apenas a partir do quarto episódio, A Holy Charge, que acompanhamos todas as narrativas paralelamente. 

Reparou que estou mencionando mais títulos de episódios que de costume nesta crítica? Isso porquê em Paradise, as pistas estão em toda parte. Títulos, diálogos, nomes, elementos de cena e até nas músicas. Embora neste último quesito, a série não tenha sido tão eficiente que em seu primeiro ano, quando praticamente todos os episódios tinham uma canção tema cheia de relevancia e significados. 

De volta à trama, a série por outro lado extinguiu todos os meus temores sobre seus novos rumos. Com a saída de Xavier do abrigo, e a busca por sua esposa, meu receio era que a série seguisse o tradicional caminho de "mundo devastado pelo apocalípse". Tal qual The Walking Dead (mas sem os Zumbis) trazendo diversos grupos hostis brigando pelos últimos recursos do planeta. 

Qual não foi minha surpresa quando o protagonista encontrou com mais gente querendo se ajudar do que se matar. É claro que há cautela e desconfiança, mas a maioria dos sobreviventes tenta fazer o melhor pela humanidade que restou. O que inclui, até certo ponto, a jornada de sobrevivência de Terry (Enuka Okuma), através de uma ajuda inesperada, com pessoas superando conflitos apesar das diferenças. Mas, mostrando que sempre há uma maçã podre no cesto. Ou um incel que não sabe lidar com rejeição. 


A trama da sobrevivência da esposa da esposa de Xavier nos correios. Constrói personagens de forma surpreendente, enquanto apresenta de forma eficiente tão idolatrada mãe de família. Além de plantar sementes para o futuro, qual será a importância de Bean (Benjamin Mackey) na terceira temporada?

Outro novo personagem é Link (Thomas Doherty) um gênio cientista que parece saber mais sobre o bunker que nós, que estamos aqui desde o primeiro ano. Sua identidade, e missão são o grande mistério da temporada, e não foram completamente explicados. Mas, posso afirmar, mergulha a série ainda mais fundo no sci-fi, através a apresentação de Alex. Além de mudar a perspectiva, objetivos e ações da maior vilã até então. Sinatra apresenta ainda mais camadas, através da excelente atuação de Julianne Nicholson.

Não tão empolgante assim, é a trama dos adolescentes no abrigo. Afinal, são aborrescentes! Ao invés de aproveitar sua presença para mostrar as reações da população do bunker, o roteiro prefere inserir, o filho do presidente Jeremy (Charlie Evans), os filhos de Xavier, Presley e James (Aliyah Mastin e Percy Daggs IV) e a filha de Sinatra, Hadley (Kate Godfrey) em uma trama de rebelião interna com pouca efetvidade até o clímax. E ainda desperdiça a agente Robbinson (Krys Marshall) nela.

Ainda sobre os residentes do bunker, aprendemos um pouco mais sobre Jane. Enquanto a terapeuta Torabi (Sarah Shahi) assume sozinha missões e responsabilidades que não fazem muito sentido no quadro geral. É sério que na ausência de Sinatra e do Presidente ela é a mais apta a tomar decisões?

Para a felicidade geral dos fãs, James Marsden e Jon Beavers retornam à série apesar do falecimento de seus respectivos personagens. Ambos em flashbacks relevantes para a construção do universo da série. Aliás o roteiro mantém o acerto da primeira temporada ao apresentar a narrativa em diferentes linhas do tempo. Que agora ganham ainda mais relevancia diante das possibilidades criadas por Alex. 

A inteligencia artificial criada em um computador quantico é o maior mistério e origem de especulações durante a temporada. Seja pela duvida sobre quem, ou o quê pe Alex. Quanto em relação à sua interferência no mundo. Quais as habilidades que ela tem que ainda não entendemos? Prato cheio para a temporada final, que deve chegar no início de 2027. 

E claro, não posso encerrar esta crítica sem exaltar o carisma de Sterling K. Brown, que mantém seu Xavier Collins como nosso avatar na trama. O único em quem podemos de fato confiar, e a quem acompanhamos cegamente. E apesar de ser apresentado como um homem integro, o roteiro inclusive coloca isso em texto, ainda traz nuances, anseios, medos e falhas. 

A segunda temporada de Paradise confirma que esta continua sendo uma das melhores séries da atualidade. Mesmo mergulhando na ficção científica mais complexa, o faz com clareza, carisma e envolvendo o expectador a cada segundo. E o ja declarado plano fechado de três temporadas apenas confirma que o programa sabe exatamente onde pretende chegar, e está aproveitando o melhor caminho até lá! 

Paradise é uma série original Hulu que chega ao Brasil pelo Disney+. Cada temporada, tem oito episódios com cerca de uma hora cada, todos já disponíveis na plataforma!

Leia também as primeiras impressões da série e a crítica da primeira temporada!

Post a Comment

أحدث أقدم