Admito, entrei no "esquema de pirâmide" chamado Outlander para suprir uma carência deixada pelo final insatisfatório da série que adapta os livros de Diana Gabaldon. (Leia textos sobre a adaptação aqui no blog!) Logo, não se surpreenda se comparações surgirem ao longo da resenha de A Libélula no Ambar, segundo livro da saga.
Após os traumáticos eventos na prisão de Wentworth, Claire e Jaime se mudam para França. Em Paris, assumem os negócios de bebidas do primo de Jaime, enquanto secretamente tentam evitar o levante Jacobita e o massacre da batalha de Culoden. Nessa missão, o casal se envolve com a alta sociedade parisiense, e com o próprio herdeiro do trono escocês, o príncipe Charles Stuart. Agindo como amigos enquanto tentam minar a revolução, o que os levará a um novo trauma pessoal.
Mais tarde, mesmo com todo o esforço, Claire e Jaime retornam a Escócia para um breve período da vida cotidiana nas terras Fraser, antes de serem forçados a unir forças e lutar na rebelião que tanto tentavam evitar.
Nesse processo, Gabaldon amplia os horizontes de sua série. Agregando novos conceitos e personagens, alguns aparecendo momentâneamete para fazer a história andar, outros se tornando aquisições fixar para a história que está contando.
À começar por Brianna, a filha do casal protagonista que aqui aparece já adulta em 1968, ao lado da mãe, para acertadamente confundir, e deixar curioso o leitor desavisado. Descobrimos que a moça foi criada por Claire e seu primeiro marido Frank no século XX. E em uma visita à escócia após a morte do pai de criação, a mãe revela sua verdadeira origem para a filha. Enquanto com ajuda de Roger, sobrinho-neto e filho adotivo do reverendo Wakefield, as duas iniciam uma busca por descobrir o que acontecera com os homens Fraser na guerra.
É a revelação da jornada da proragonista para a filha, e a pesquisa sobre o passado que nos tira do século XX. E de volta ao século XVIII, continuamos a companhar a história que abandonamos no primeiro livro. Descobrir como Claire fora parar no futuro, é parte do mistério que impulsiona a leitura.
Se a mudança de cenário para nos levar de volta ao seu mundo foi uma boa escolha da autora. O desenvolvimento da jornada não é tão eficaz quanto o afinado primeiro livro. Especialmente no trecho passado na França, há uma quebra de ritmo, e um certo arrasto, que fica mais evidente com a profusão de personagens novos apresentados em tão pouco tempo. Ficar um pouco perdido quanto à quem-é-quem não é incomum.
Por outro lado, os novos personagens fixos e recorrentes apresentados neste período, são os mais interessantes. O adoravel trombadinha Fergus, entra permanentemente para a história. Enquanto o Mestre Raimond e o Conde St German, expandem a mitologia em torno da viagem do tempo e da magia daquele mundo como um todo.
Já o trecho em Lalybrock, nos dá um vislumbre muito bem vindo do casal na vida cotidiana. Um respiro antes de nos jogar em um tenso, e propositalmente confuso, cenário de guerra. O trecho da revolução também sobre com o excesso de personagens, e principalmente com o vai-e-vem deles. Mas a confusão é um pouco menor que o trecho francês. Ou talvez, eu tenha finalmente embalado no estilo. Me conta como foi para você, se já leu.
Com a divisão entre períodos de tempo distintos, também temos duas versões da protagonista. A jovem apaixonada em uma grande aventura que já conheciamos. E a mulher mais madura, que já foi mãe, médica esposa por duas décadas. Uma evolução de personagem cuja promessa é acompanharmos em livros futuros.Quanto ao texto em si, vou me repetir. Assim como no primeiro livro, o texto é divertido, leve e fluido. É apenas a divisão dos capítulos que continuam a incomodar. Os trechos muito longos são ruins para quem lê em pequenos intervalos entre tarefas. Mas aí, reforço, e uma preferencia desta blogueira que vos escreve. Não necessáriamente um problema para todos os leitores.
Em relação a série, a adaptação fora bastante eficente. Enxugando e simplificando aquele excesso de personagens, e o vai-e-vem que mencionei anteriormente, mas sem deixar nada realmente relevante de fora.
A Libélula No Âmbar é um pouco menos empolgante que A Viajante do Tempo, não o suficiente para desistirmos do universo, mas para demorarmos um pouco mais para chegar ao fim do livro. Mas o universo continua rico, os personagens cativantes, e a pesquisa histórica surpreendente. Os pontos positivos facilmente superam os negativos. "Bora" seguir para o próximo volume da saga!
Outlander tem um total de nove livros publicados, com o décimo à caminho só na trama principal. Conta ainda com histórias paralelas acompanhando outros personagens do mesmo universo. Além da série de TV, com oito temporadas e 101 episódios.
A libélula no âmbar (Outlander - Livro 2)
Diana Gabaldon
1992 - Editora Arqueiro
Leia a crítica de A Viajante do Tempo!


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