A Viajante do Tempo (Outlander - Livro 1)

 Eu entrei voluntáriamente em um esquema de pirâmide! E por enquanto ainda não me arrependi de começar a ler A Viajante do Tempo de  Diana Gabaldon, primeiro livro da série Outlander. A saga de fantasia histórica com viagem no tempo já virou série de TV e tem textos sobre ela aqui no blog. E sim, eu vi o programa que foi encerrado com oito temporadas, logo a comparação nesta resenha é inevitável. 

Felizmente, a adaptação da primeira temporada é extremamente fiel. Além de muito coerente e consciente nos detalhes e passagens que precisa, excluir, acrescentar, ou alterar. É verdade que essa não é uma resenha da série, mas do livro. Contudo, considerando que gosto da versão audiovisual, e esta é fiel às páginas, minha opinião sobre o romance é para lá de positiva. Mas antes aquela sinopse marota para apresnetar a obra. 

Claire Randal é uma enfermeira da Segunda Guerra Mundial, que logo após o fim do conflito, viaja em uma segunda lua de mel com o marido Frank. Já que os dois serviram separadamente na guerra. Eles vão para as Terras Altas da Escócia, e em uma tarde de passeio sozinha por Craig na Dun, um monumento de pedras verticais, ela toca em uma das pedras e é transportada de 1945 para 1753. 

Antes mesmo de entender que viajara no tempo, ela é atacada por um Red Coat, um soldado britânico que é muito parecido com o marido. E resgatada por um grupo de escoceses, que a levam para seu castelo, Leoch, o lar dos Mackenzie. A partir daí, ela precisa se encaixar em costumes de uma época que não conhece, ao mesmo tempo que tenta voltar para casa. Tarefa complicada já que as Terras Altas escocesas vivem um momento tenso, com a ocupação inglesa e a luta Jacobita, que tentar recolocar um rei escocês no trono. 

Mas nem tudo é dificuldade nesses novos tempos. Com conhecimento médico moderno, ela se torna útil para aquela sociedade. E também faz amizade, com um belo e alto jovem escocês ruivo. James Fraser também tem seus problemas, mesmo assim, não é difícil imaginar que a relação vai se transformar em romance, e criar um triângulo amoroso através de séculos. 

Com uma pesquisa minunciosa, Gabaldon é muito eficiente em nos trasportar tanto para 1945, quanto para 1753. Incorporando eventos e personagens reais, às aventuras de seus personagens fictícios. Embora neste primeiro livro, personagens da vida real sejam apenas mencionados. Alguns aparecem nos volumes seguintes. 

É o embate de eras e costumes que move esta primeira aventura. Uma vez que a mocinha è a frente do seu tempo, mesmo na década de 1940. A adaptação de Clair é o ponto forte, e a oportunidade perfeita para explorar as trandições escocesas do século XVIII. Sejam elas reais, da detalhada pesquisa da autora, ou inventadas para atender as necessidades da história. Ambas as opções críveis e coerentes, ao pontos de não diferenciarmos o real e o "inventado". 

Já a protagonista é inteligente, destemida e apaixonada. Nos levando com facilidade junto com ela nas aventuras e nos embates morais que ela enfrenta. Enquanto o mocinho, também é um pouco mais moderno que os homens da época, afinal precisa lidar com uma mulher do século XX. Mas ainda mantém uma ou outra atitude mais retrograda, para torna-lo fiel à época, e criar embates cheios de química com Claire. 

O vilão Black Jack Randal é detestavel, e uma ótima forma de apontar que os registros históricos, nem sempre conseguem mostrar a realidade de um indivíduo. No fututo, o personagem é tido como um herói de grandes façanhas. Os demais personagens que povoam esse mundo, trazem uma variedade de personalidades cheias de histórias, que se fazem presentes mesmo quando não contadas. Enfim, é um universo bastante rico. 

E por falar em riqueza, além do fator histórico, Gabaldon ainda inclui magia na trama. A fantasia vai além de ser uma mera desculpa para a viagem no tempo. Ela cria um mundo de mistérios, e possibilidades próprios. Além de acrescentar a possibilidade da mocinha ser confundida com uma bruxa, acrescentando mais um perigo à sua lista. 

O texto é divertido, leve e fluido, embora a divisão em capítulos não seja excepcional. Os trechos muito longos são ruins para quem lê em pequenos intervalos entre tarefas. Mas aí, já é uma preferencia desta blogueira que vos escreve. 

Como livro de estreia desse universo A Viajante do Tempo é um embrião de possibilidades. Centrado nas Terras Altas, e na temática escocesa, mas abre caminho para expansões inúmeras. Afinal o mundo já era vasto no século XVIII. E pela série, sabemos que a autora aproveita essa vastidão para ampliar cada vez mais seu universo e mitologia, acompanhando Claire e Jaime por décadas. 

Outlander tem um total de nove livros publicados, com o décimo à caminho só na trama principal. Conta ainda com histórias paralelas acompanhando outros personagens do mesmo universo. Além da série de TV, com oito temporadas e 101 episódios. 

Ou seja, A Viajante do Tempo é uma excelente introdução, para um enorme esquema de pirâmide. É preciso pensar bem antes de embarcar nesse mundo. Vai ocupar anos de sua vida! Por enquanto, atualmente lendo o segundo livro, A Libélula no Âmbar, ainda não me arrependi. Felizmente!

A Viajante do Tempo (Outlander - Livro 1)
Diana Gabaldon
1991 - Editora Arqueiro

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