Filme após filme, a Pixar está provando uma coisa que toda criança sabe, mas que a maioria dos adultos já esqueceu: é possível contar infinitas histórias com seus brinquedos. Quer dizer... as crianças que brincavam com brinquedos sabiam disso, a molecada de hoje gasta seu tempo de outras formas. E esse é o tema do quinto filme da franquia Toy Story!
Alguns anos após as aventuras de Toy Story 4, Bonnie é agora uma garotinha de oito anos, cheia de imaginação, que ama seus brinquedos, mas que tem dificuldades de fazer amigos. Investigando mais à fundo, seu brinquedo favorito, a Jessie, descobre que outras crianças não brincam mais com brinquedos. Elas gastam todo seu tempo com telas, enquanto os amigos analógicos caem no ostracismo.
Antes mesmo que a vaqueira e os demais brinquedos encontrem uma forma de ajudar sua criança, os pais, na tentativa de ajudá-la, a presenteiam com LilyPad. Um tablet infantil que se declara o futuro da menina, e o fim dos demais brinquedos. Jessie até pede ajuda de Woody, que desde o filme passado vive nas ruas, como brinquedo perdido, mas é ela quem parte para a aventura de encontrar uma amiga para Bonnie, que assim como ela, também goste de brinquedos.
Sim, pela primeira vez, é Jessie a protagonista! O que faz muito sentido, já que sua dona, agora uma menina, se identifica mais com ela, que com Woody. Aliás, a Bonnie percebeu que perdeu o cowboy no filme anterior? Fica aí o questionamento!
De volta ao filme, a vaqueira acaba indo longe de mais para ajudar a dona. Conhecendo novos brinquedos no processo, como Rolinho, um ajudante que ensina as crianças a usar o troninho e Clicka, uma câmera fotográfica infantil. Além de finalmente lidar com o trauma de seu abandono anos atrás.
Mesmo não sendo mais o protagonista, Woody e Buzz não ficam de fora da aventura. Em casa, precisam lidar com o tablet vilão, e tentar encontrar a amiga vaqueira. Buzz ainda precisa criar coragem para revelar seus sentimentos para a protagonista. São os demais brinquedos veteranos que tem menos espaço neste novo filme. Literalmente esquecidos numa caixa por boa parte do filme.
Os personagens antigos precisam dar espaço para as novas aquisições que vão levar à diante a principal discussão do filme: Crianças não brincam mais com brinquedos? O que nos leva de volta à pergunta: O que é um brinquedo?Aprendemos com o Garfinho, no filme anterior, que brinquedo é todo objeto que nos permita brincar. É os aparelhos eletrônicos, podem sim ser usados dessa forma. O problema não é o uso deles, mas a forma como usam, e o excesso de tempo dedicado a eles. Além dos perigos que a conexão não supervisionada com a internet pode trazer. Então sim, em certa escala, eletrônicos também podem ser brinquedos. Ainda mais quando seu design é fofo, e inclui olhos e bocas de animais amigáveis.
Há ainda os objetos que ficam no meio termo entre brinquedos e aparelhos. Representados não apenas pelos brinquedos de Blaze, mas também pela tropa de Buzz, versão high-tech, que tem uma divertida jornada paralela, antes de se tornarem essenciais à resolução da aventura principal.

Não precisa ser advinho, tão pouco é spoiler, admitir que Bonnie vai encontrar o equilíbio entre as telas e os brinquedos. E LilyPad vai encontrar redenção no processo. Afinal, essa é a resposta, mais sensata. E mesmo que não fosse, a Disney não compraria briga com as empresas de eletrônicos de todo o mundo, demonizando-os completamente.
Quanto à qualidade técnica da animação, a Pixar mantém sua impecável evolução a cada filme. O visual é impressionante entre os brinquedos, na criação dos aparelhos eletrônicos, e até na estilização das bricadeiras da bonnie, que desde o filme anterior de um visual e testura próprios.
O elenco de vozes retorna praticamente completo. Seja na versão original, com Tom Hanks, Tim Allen e Joan Cusack. Ou na nacional com Marco Ribeiro, Guilherme Briggs e Mabel Cezar. As novidades ficam por conta de Greta Lee e Conan O'Brien dando voz à LilyPad e Rolinho, personagens que no Brasil ficaram com Maisa Silva, e com o comediante Rafael Infante. Convidados famosos, que indo contra as expectativas, entregam um bom trabalho na dublagem nacional.
Taylor Swift é a voz da música tema do filme, "I Knew It, I Knew You", mas esta não é tão marcante quanto o clássico, Amigo Estou Aqui, que surpreendentemente não toca neste filme. Deixando a nostalgia para a canção "When She Loved Me", música tema de Jesse, que retorna lá do segundo filme.
Toy Story 5 cinco joga por terra definitivamente nosso antigo discurso de que a franquia deveria ter terminado no terceiro filme. É verdade Toy Story 3 encerra lindamente o arco de Andy. Mas quem foi que disse que novos arcos não podem ser iniciados?
Enquanto houver crianças, haverá a necessidade de brincar. E cada época trará suas, particularidades, dilemas e discussões. Seja a transformação dos brinquedos em meros objetos de coleção, a dificil realidade de crianças crescem, ou as mudanças das formas de brincar conforme a humanidade evolui e novas tecnologias surgem.
Como de costume, Toy Story 5 traz uma discussão atual, uma conclusão sensata, escondidos em uma nova e divertida aventura. Mas ouso dizer que entre os cinco, é o mais direto ao discutir a sociedade atual, e o bem estar das crianças. Talvez até estimule algumas a largar um pouco as telas, e dar atenção aos velhos brinquedos analógicos.Toy Story 5
2026 - EUA - 102min
Aventura, Animação
Leia as críticas de Toy Story 3 e Toy Story 4!



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