Você não odeia quando te vendem algo, e te entregam outra coisa? O único lugar em que essa mudança às vezes funciona, é na "contação de histórias". Livros, filmes, séries e até novelas que mudam seu escopo para te surpreender podem ser uma agradável surpresa. Não é o caso de Golpe Explosivo!
O que foi vendido? Um suspense misturado com filme de assalto com nomes conhecidos no elenco. Uma bomba não detonada da Segunda Guerra Mundial, é encontrada em um canteiro de obras no meio de Londres. Área isolada e evacuada, especialistas de explosivos acionados, polícia no comando de manter a cidade segura durante o procedimento de desarme à bomba. Ao mesmo tempo, um grupo de criminosos aproveita o transtorno, caos e isolamento na região para promover um assalto à banco típico de filmes. Esquemas complexos, traquitanas criativas, ação ensaiada e muita tensão entre os membros da gangue.
O que foi entregue? Uma reviravolta pouco empolgante, que tira toda a força da boa premissa. E ainda exige um nível muito alto de suspensão de descrença do espectador. E olha que o público geral já é bastante generoso, ao fazer "vista grossa" para exageros, e escorregões em filmes dos gêneros usados aqui.
Assim acompanhamos o líder do esquadrão anti-bombas Will (Aaron Taylor-Johnson), trabalhar em cooperação com a polícia comandada pela oficial Zuzana (Gugu Mbatha-Raw). A tensão quanto ao risco de explosão em meio de uma área urbana, é bom o suficiente para comprarmos o personagem de Taylor-Johnson, mesmo com algumas inconsistências em sua expertise.
A polícia também observa a regisão evacuada, originalmente para evitar que civis se machuquem, mas prestes a esbarrar no ousado roubo a banco comandado por Karalis (Theo James). A quinta série que habita em nós não resiste ao ouvir o nome do personagem.Enquanto dividido entre bomba e assalto o filme brilha. Duas linhas de tensão simultâneas, e a mesma necessidade de saber como cada situação terminará. E isso seria suficiente para preencher todo o filme, mas a obra decide resolver as situações no meio da projeção e partir para o "depois". É aí que as reviravoltas começam, mais absurdas que surpreendentes.
Equipe de bombas dispensada. Polícia completamente incompetente. Bandidos brigando entre si. A segunda metade da história não apenas não era o esperado, como muda o tom, e não consegue extrair o mesmo interesse do público. Acontece que diferente de obras como a franquia Onze Homens e um Segredo, Golpe Explosivo nunca deixou claro que era para torcermos pelos bandidos. Muito menos construiu nossa empatia para com eles.Assim passamos o restante do filme esperando a grande virada da polícia que - SPOILER - nunca vem. Enquanto acompanhamos perplexos, à conexões e parcerias tão absurdas quanto as ações dos personagens. - Então você coloca seu inimigo na mala do carro, mas deixa ele com celular para pedir ajuda? - Muito amador para um "mafioso profissional".
Tudo parece desconexo e absurdo demais até a chegada do ato final da obra. Um flashback inserido bruscamente, que pretende mostrar como toda a ação começou. Tentando justificar e redmir os ladrões à mocinhos tardiamente de forma rasa, e sem emoção. Não funciona.
No elenco Aaron Taylor-Johnson e Gugu Mbatha-Raw são os que mais se esforçam e até conseguem transmitir sua credibilidade aos seus personagens. Enquanto Theo James se mantém no papel do trapaceiro que está habituado a entregar. Já Sam Worthington continua inexpressivo como sempre, mas agora sem a magia azul de James Cameron que tanto o ajuda em Avatar.
A direção de David Mackenzie é burocrática, mas eficiente para contar a história que se propõe. O que funciona nos momentos em que o roteiro entrega boas ideias. Ou seja na primeira metade do filme. Depois o suspense dá lugar à uma correria desenfreada e confusa, de personagen com os quais não nos importamos.
Atualmente no catálogo do Prime Vídeo, acreditei ser um lançamento do streaming. Qual não foi minha surpresa ao descobrir, que três meses atrás esse negócio estreou nos cinemas. Aparentemente uma estreia silenciosa, rápida e ineficiente. Assim como a polícia no filme.Golpe Explosivo não promete um filme excepcional. Mas mesmo o suspense mediano que propõe, entrega apenas por metade do tempo. Quase uma propaganda enganosa, promete um produto, e entrega metade dele.
Golpe Explosivo (Fuze)
2026 - Reino Unido - 98min
Suspense, Ação





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