O primeiro Da Magia à Sedução, lá de 1998, estava tão à frente de seu tempo, que os executivos não sabiam como vender o filme, e ele nem conseguiu se pagar com a bilheteria. Eventualmente, o filme encontrou seu público em home-vídeo e em inúmeras reprises na TV. Aqui no Brasil passava no SBT.
Enquanto a discussão social, finalmente alcançava os temas que o filme discute. Preconceito, o papel social que exigido das mulheres, violência doméstica, feminicídio, sororidade.
Somando a popularidade adquirida com o tempo, a relevância de seus temas na atualidade, e a onda de nostalgia por obras dos anos 90 e 2000. A sequência Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor, era uma questão de tempo. O problema, é que a continuação deixou de lado todos os temas que tornou a obra única.
Quase duas décadas se passaram desde que estivemos com as Owens pela última vez. E descobrimos que pouco depois do final feliz do primeiro filme, a família descobriu que a maldição não fora realmente quebrada, com a morte prematura do detetive Hallet.
Abalada pela perda de seu segundo marido, Sally (Sandra Bullock) faz um feitiço para apagar a magia da memória das filhas Kylie e Antonia (agora vividas por Joey King e Maisie Williams). E passa viver uma vida sem magia, e sem romances.
Péssima ideia! Afinal, se você não sabe de uma ameaça, você não se prepara contra ela. E quando as jovens já estão na universidade o namorado de Kylie, vivido pelo Besouro Azul Xolo Maridueña é pego pela maldição, ficando entre a vida e a morte, e levando a família em uma jornada para descobrir as origens da maldição, e consequentemente de sua família.
Quer dizer, quase toda a família. São Kylie, Sally e Gillian (novamente vivida por Nicole Kidman) quem realmente saem em uma aventura. E mesmo Kidman está ali apenas como apoio, e em favor da nostalgia. O foco é na personagem da Sandra Bullock, sua negação da magia e no impacto que isso tem na relação com suas filhas.
E não é surpresa que as jovens vão descobrir sobre a magia, e tomar péssimas decisões em torno disso. Na verdade só Kylie, Antonia é outra presente apenas para completar o quadro, mas sem relevância real na trama, assim como as tias Jet e Frannie, vividas por Dianne Wiest e Stockard Channing.
E assim o trio escolhido pela narrativa vai em busca das origens de sua magia, em uma aventura divertida, apesar de previsível, que expande a mitologia dos poderes das Owens. O que é bacana, mas muito diferente da proposta original.
No filme de 98, a magia era mais sutil, mesmo nos momentos mais exagerados como a ressuscitação de Angelov. Poções, palavras e um ou outro gesto simples, como o acender da vela com um sopro. Neste filme tudo é mais evidente e escancarado, com direito à raios mágicos e tudo mais.
Originalmente também, a magia era mais alegórica. Uma ferramenta para tratar todos aqueles temas que mencionei no início desta crítica. Agora a magia é o tema tratado, abandonando todo o subtexto e reflexão social que tornava Da Magia à Sedução à frente de seu tempo.
Me incomoda também a falta de desenvolvimento para a personagem de Kidman, presente apenas como alívio cômico. E principalmente o retrocesso da personagem de Bullock, na história da família como um todo. Praticamente, todo o final do primeiro filme foi desfeito. A maldição não foi quebrada, Sally renega novamente a magia que tinha finalmente abraçado. E até a cidade que as tinha aceitado, volta a ser hostilizada.Em resumo, Feitiço de Amor é mais raso. Focando apenas na nostalgia e carisma das personagens. E sim, é muito divertido ver Sally e Gillian em mágicas aventuras por aí. E se é apenas isso que você espera do filme, esta sequência é perfeita. Eu esperava um pouquinho mais de conteúdo, mas não deixei de me divertir com a falta dele.
Quanto ao elenco, as veteranas estão se divertindo e as novatas se esforçando. Uma pena apenas que Maisie Williams não tenha mais espaço. Também estão no elenco Solly McLeod e Lee Pace, em boas atuações. Já a sentida ausência de Evan Rachel Wood, que interpretava Kylie no original, é justificada pela idade da personagem. Enquanto na vida real passaram-se quase trinta anos, no filme aparentemente passou-se metade disso. Embora os celulares que as personagens usam digam o contrário.A direção de Susanne Bier, é eficiente, mas apenas isso. Sem nada inspirado ou inovador, apenas cumpre seu papel. E em alguns momentos até entrega uma montagem um tanto confusa.
Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor é uma divertida aventura de bruxas. Mas uma sequência pobre para o primeiro filme. Cumpre o papel de matar as saudades das Owen, mas não será tão memorável e duradouro quanto o original.







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