"Eles vão encerrar na trilogia né?" - Foi este meu pensamento imediato ao terminar a sessão de Enola Holmes 3, terceiro filme da franquia que acompanha a irmã de Sherlock Holmes, interpretada por Millie Bobby Brown. O segundo pensamento foi: "Esses filmes sempre foram embolados desse jeito?"
Por isso, antes de escrever esta resenha, fui revisitar minhas críticas dos filmes anteriores. E sim, as outras obras tinham seus problemas, mas tudo fora intensificado neste tardio terceiro filme.
Sim, tardio! O tempo voa e já fazem quatro anos desde o lançamento desde o segundo filme, seis desde o primeiro Enola Holmes. E esse intervalo de tempo mais longo é um dos detalhes que muda muita coisa. À começar pelo fato de que a protagonista não é mais uma detetive adolescente.
Enola aceitou se casar com Lord Tewkesbury (Louis Partridge). A pompa da aristocracia inglesa os leva à realizar o casamento em Malta, que na época ainda era uma colônia britânica. É atrasada para a cerimônia que encontramos a moça, em dúvida sobre aceitar o papel social de esposa, e convenientemente impedida de chegar à igreja pelo desaparecimento de Sherlock (Henry Cavil).
É a investigação do sumiço do irmão, em uma cidade onde não tem conhecimentos nem recursos (ela nem usa disfarces neste filme) que ocupa a narrativa. Se nos filmes anteriores o didatismo excessivo impedia o público de investigar junto com a personagem, neste é a falta de coerencia e boas pistas que gera o impedimento. Informações incompletas e deduções convenientemente injustificadas pelo roteiro compõem a investigação.
O cenário limitado de Malta, apesar de belíssimo, restrige as possibilidades de ação e aventura. Enquanto o uso da quebra da quarta parede, equilibrado no filme anterior, volta ao cansativo, e pouco orgânico excesso. Sim, nos sentimos mais ligados à protagonista por ela falar conosco de vez em quando. Mas se a cada cena ela parar para nos dar uma piscadela, o filme vai ficar mais longo e menos fluido que o necessário.
Tem ainda a tentativa de enriquecer as temáticas. Além dos dilemas da protagonista, que mencionarei daqui a pouco, o filme tenta discutir a colonização eruropéia. O que não é má ideia, inclusive com a escolha do ator de ascendencia indiada Himesh Patel para interpretar o Dr. Watson. Mas em um filme de aventura juvenil, é complicado abordar o tema sem ser de forma rasa e banal.
Quanto ao dilema de Enola, a coisa é ainda mais confusa. Em 2020, fomos apresentadas a uma mocinha que não deseja, embora consiga, seguir os padrões da sociedade. Em 2022 a vemos encontrar seu espaço no mundo apesar de não seguir os padrões. Agora em 2026, a reencontramos prestes a casar? Sim, ela tem ressalvas. Quanto ao papel, não quanto ao interesse romantico que conheceu ainda no primeiro filme.
A sensação de que tudo se tratava de encontrar um par romantico para a moça é inevitável. Ela basicamente se casou com o primeiro cara que conheceu, depois de viver em sua bolha feminista. A mensagem no mínimo é confusa. Ao menos essa relação foi construída ao longo de três filmes, o que a torna mais realista que outros arroubos romanticos juvenis. Enquanto a solução para o casamento, com a abdicação de um título, como se fosse fácil, traz um grande sacrifício dele, em contraponto à um certo egoísmo dela. Não conseguiriam mesmo chegar à um meio termo?
A direção de Philip Barantini é bastante parecida com o trabalho de Harry Bradbeer. Seja por ser o que o roteiro permite, ou pela necessidade de seguir um padrão estabelecido pela franquia. O mesmo vale para o visual, que mantém a visão romântica e bela da era vitoriana ainda que em terras estrangeiras. Aposta da Netflix provavelmente é em conquistar o público pela familiaridae.
Millie Bobby Brown ainda é Enola Holmes, mas foi a personagem precisou amadurecer para acompanhar seu crescimento. Tanto pelo grande hiato entre as produções, quanto a necessidade notável da atriz em parecer mais velha do que realmente é. A química com Louis Partridge se mantém eficiente. Assim como as participações de Henry Cavill, Helena Bonham Carter, Himesh Patel e Hattie Morahan. É Sharon Duncan-Brewster que soa caricata demais para o que o papel de Moriarty propõe.
Enola Holmes já não segue as histórias dos livros de Nancy Springer desde o segundo filme. Também não é mais uma detetive adolescente, tão pouco inexperiente. É uma profissional bem sucedida, respeitada por seus pares e uma mulher casada. Acho que sua história já fora devidamente contada. Ao menos nesta versão em particular. Logo, a franquia pode encerrar como trilogia.Enola Holmes 3
2026 - Reino Unido - 105min
Aventura, Mistério
Leia a crítica de Enola Holmes e Enola Holmes 2





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