The Boys - 5ª (e última) temporada

 E a maldição de boas séries com finais ruins segue forte no mundo televiso. Mas até que o desfecho de The Boys não decepciona tanto quanto os de Game of Thrones e Stranger Things. Equanto a queda de qualidade já podia ser sentida nas temporadas anteriores, e suas motivações são bem claras. 

É preciso resgatar e reunir os "garotos" antes da última grande incursão contra o Capitão Pátria (Antony Starr). Com um salto de tempo de cerca de um ano, Luz Estrela, Kimiko e Bruto (Erin Moriarty, Karen Fukuhara e Karl Urban) começam a temporada resgatando Huguie, Leitinho e Francês (Jack Quaid,Laz Alonso e Tomer Capone) do campo de concentração nazista que abriga luz-estrelistas capturados.

 Uma vez reunidos, o grupo volta à missão de reproduzir e utilizar o virus que mata supers, criado lá na primeira temporada de GenV, e que permeou todo o quato ano da série. Apenas para descobrir que há uma "vacina" para o virus. O que alivia o conflito de usar a solução e colocar Annie e Kimiko também em risco, mas oferece uma saída também para o inimigo. 

Assim passamos a temporada inteira às voltas com a produção do vírus, e o V1 que pode neutraliza-lo. Até que tudo é descartado às vesperas do fim, e uma nova solução milagrosa surge. Por mais que o uso de Kimiko como arma definitiva encerre bem o arco da moça, para a série como um todo é uma solução repentina que joga todo o desenvolvimento anterior fora. 

Desenvolvimento esse que ainda é entrecortado por participações especiais, descartes aleatórios, e preparação para a nova série derivada desse universo. Sim, é engraçado ver as interações entre Jared Padalecki, Misha Collins e Jensen Ackles, o trio de Supernatural, em outro universo. Mesmo assim, as aparições dos convidados são altamente descartáveis para a trama principal. 

Enquanto o próprio retono do Soldier Boy de Ackles é apenas uma enorme propaganda para Vought Rising, a nova série do universo que, deve estrear em 2027, vai explorar o surgimento dos primeiros supers com ele e Tempesta como protagonista. Quanto aos descartes aleatórios, as mortes de personagens como Trem-Bala (Jessie T. Usher), Black Noir (Nathan Mitchell) e Espoleta (Valorie Curry) existem por mera conveniência. Os personagens perderam sua função e são rapidamente descartados, sem nem mesmo um grande embate. Devia chocar, mas no máximo surpreende os desavisados. 

Outros descartáveis mais que felizmente tiveram o destino melhor, são os jovens de GenV. A segunda temporada, injustamente ignorada pelo público, gastou seus episódios construindo Marrie Monroe (Jaz Sinclair) como uma boa adversária ao Capitão Pátria, apenas para rebaixar a garota em uma única fala. As duas aparições dos estudantes, não trazem a trupe completa (nem sequer pagaram os dois atores que dão vida à Jordan), nem uso de poderes. São participações extremamente burocráticas, obrigatórias, para não parecer que construiram uma segunda série para nada. 

GenV foi cancelada. O que não seria ruim, aliás faria todo sentido, se os personagens tivessem função aqui, e o final da Vought fosse mais definitivo. O que nos leva ao desfecho da série que conta com uma pancadaria bacana, mas é só isso?

Na verdade o que tivemos foi um desfecho do Capitão Pátria, que apesar de ter se tornado uma caricatura do que fora (com muitas pitadas de Trump), continua sendo compreendido com perfeição por Antony Star. O confronto honesto com o filho Ryan (Cameron Crovetti), e sua desmoralização diante da falta de poderes são os pontos altos do desfecho. Mas a Vought continua ativa, inclusive administrada pelo chefão original Stan Edgar (Giancarlo Esposito). Ou seja, o sistema continua, é questão de tempo para a história se repetir, os heróis não venceram.

Mesmo assim Billy Bruto se viu sem propósito com a morte de seu arqui-inimigo, e encarou um extremamente corrido arco de vilania diante da perda de propósito. Enquanto os demais "The Boys" encontraram paz e seguiram com suas vidas. Mesmo com a Vought ainda comandando o mundo. Apenas Francês e Kimiko tiveram uma despedida mais complexa, emocional e interessante. 

É preciso mencionar os finais curiosos de alguns supers. Ryan sem poderes foi adotado por Leitinho. Mana Sábia (Susan Heyward) tem um final engraçado, apesar de sua jornada estranha para alguém de devia ser a mais inteligente do planeta. Já o desfecho de Profundo (Chace Crawford) é satisfatório, mas poderia acontecer mais cedo. Sua execução no clímax parece existir apenas para tirar Luz-Estrela do embate final. Bruto, Ryan, Kimiko... já tinha gente demais naquele salão oval. 

As metaforas e espelhos da sociedade característico da série continuam a existir. Seguindo a linha extremamente didática que abraçou no quarto ano, já que tinham espectadores que não compreendiam bem quem era o vilão. E pela primeira vez em pé de igualdade com o mundo real. Não por que a série diminuiu seus exageros, mas porque a realidade está cada vez mais absurda. O melhor exemplo disso foi ver Trump se comparar à Deus, semanas antes do Capitão Pátria. Vale lembrar o roteiro da série fora escrito um ano antes. 

Mas também tem o uso da religião como ferramenta de controle das massas, na figura do Oh Pai (Daveed Diggs), único super novo de grande relevancia neste último ano. Que comanda uma igreja midiática assustadoramente parecida com algumas que já vemos no Brasil.

A quinta e última temporada de The Boys não é um fracasso retumbante. Mas, preocupada em ser didática e em divulgar a próxima série, acaba entregando um material à quem da qualidade das primeiras temporadas. Poderia ser muito mais rico, mas ao menos a pancadaria ainda é bacana!

The Boys tem cinco temporadas, cada uma com oito episódios de uma hora cada, todos disponíveis no Prime Video.

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