Mas agora que a obra está completa, e seu desfecho não demorou a chegar através de sua nova casa oficial, o streaming da Disney (a série também está na Netflix, mas sempre com uma temporada de atraso), senti necessidade de comentar, será que a despedida faz juz às oito temporadas de dedicação à Clair e Jaime?
Confira informações úteis para sua maratona de Outlander.
E a resposta simpes e direta para esta pergunta é: não! Infelizmente. A oitava e última temporada de Outlander não chega a ser um desastre como Game of Thrones ou Stranger Things, mas deixa muito à desejar para uma adaptação que vinha sendo tão coerente, e que ainda tinha bons livros base.
Jaime (Sam Heughan) resolveu se retirar da Guerra de Independencia estadunidense após Claire (Caitriona Balfe) ser ferida na temporada anterior. A dupla se reestabelece em Fraser's Ridge ao mesmo tempo que tenta descobrir as origens de Fanny (Florrie Wilkinson).
Briana, Roger, Buck (Sophie Skelton, Richard Rankin, Diarmaid Murtagh) e as crianças viajam no tempo para viver com o casal protagonista levando informações sobre seu futuro. A morte iminente de Jaime em uma batalha da qual ele nem pretende participar.
Vemos ainda moradores da cordilheira se voltando contra os Fraser. Ian (John Bell) resolvendo as pontas soltas de seu passado com os Mohawk. A origem e destino de Fergus e Marsali (César Domboy e Lauren Lyle). O sequestro e resgate de Lorde John (David Berry), a reconciliação de William (Charles Vandervaart) e seu relacionamento amoroso com Amarantus (Carla Woodcock). E por fim a evolução dos poderes de Claire.
Tudo isso em apenas dez episódios! O oitavo ano da série é, ao mesmo temo, o mais curto e o que pretende cobrir mais história. Trazendo conteúdo de mais de um livro. O resultado são arcos corridos e mal explorados, histórias descartáveis, informações não aproveitadas, perguntas não respondidas, e o mais preocupante, pouco tempo de tela para Claire e Jaime. É a história da dupla que temos acompanhado todo esse tempo, os demais são bonus.

Assim, além de vermos pouco do casal principal em ação, os arcos que os envolvem são extremamente rasos. Sendo o mais gritante deles seu parentesco com Fanny que retorna com eventos e personagens da segunda temporada apenas especulativamente. Mesmo após a preparação para o retorno de mestre Raymond na temporada anterior.
Já quando a evolução dos poderes de Claire, é extremamente insatisfatório acompanhar por anos sua evolução, apenas para ser privado de assistir suas consequencias. Ainda que o roteiro tenha se esforçado para encerrar um ciclo, atrelando a morte de Jaime ao fantasma visto no piloto da série, é evidende que a história não se encerra ali. Mesmo para quem não sabe que a continuação existe nos livros.
Quanto aos demais personagens, apenas Ian parece ter uma jornada equilibrada. Em apenas algumas cenas seu arco com seu filho mohawk é resolvido, sem usar tempo a mais ou a menos para isso. Fergus retorna após uma temporada longe, ameaça ter uma história própria ao descobrir sua paternidade apenas para ser morto em uma troca covarde da produção. Nos livros, é o pequeno Henry Chistian quem perde a vida no incêndio, mas a série não teve coragem de executar a criança.Brianna, Roger e Buck tiveram uma jornada própria em diferentes épocas na temporada anterior que foi completamente descartada aqui. O vilão morto em um pequeno flashback, e a moça sequer contou ao pai que conheceu o avô. As crianças e seus poderes também são apenas citados quando conveniente.
A essa altura você deve estar imaginando, se tudo fora corrido e resumido nesta temporada, o que ocupou o tempo de tela. Bom, além do excesso de narrativa e a escassês de episódios, muito do tempo da série foi gasto com William. O filho mimado e irritante do protagonista vai além de se reconciliar com o pai. Seu arco inclui um novo parente morto, a esposa e filho do falecido e um romance que não leva a lugar nenhum. Retire todo o enredo de Amarantus da temporada, e absolutamente nada muda.
O excesso de tempo perdido com personagens sem carisma, em narrativas irrelevantes é o grande ponto fraco deste último ano. Somado à sensação de que os roteiristas foram pegos de surpresa pelo encerramento da série, e não conseguiram desapegar do que não era interessante. Como o conhecimento do fato de Fanny ser viajante, ou o nascimento do terceiro filho de Brianna, que terão alguma consequencia em livros futuros. Mas na série, são apenas informações jogadas sem função alguma.
Isso quer dizer que odiei a oitava temporada?
Absolutamente não! Não gostei de não ter tempo de desenvolver bem estas últimas tramas e personagens. Em resumo, não gostei que acabou. E acabou com pressa! Mesmo com falhas, acompanhar esse universo e essa família que conhecemos por décadas continua delicioso.
É uma pena que a série tenha sido encerrada antes da história. Ainda tem mais um livro a ser publicado. E por isso seus roteiros tenham ficados, apressados e confusos. Será que tem alguma chance de retorno? Mesmo que em formato de filmes, apenas para acertar melhor os detalhes mal resolvidos. Eu veria, no cinema inclusive!
É um sonho distante, mas se rolar, prometo analisar também!
Outlander tem oito temporadas, e um total de 101 episódios. Todos disponíveis no Disney+. Na Netflix tem até o setimo ano, lá as temporadas costumam chegar cerca de um ano depois da estreia original
Leia a crítica da primeira temporada de Outlander: Blood of My Blood, série derivada sobre os pais de Claire e Jaime.





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