Viúva Negra

Sensação de atraso, é isso que sentimos ao final de Viúva Negra, primeiro (e provavelmente único) filme estrelado pela personagem de Scarlett Johansson no Universo cinematográfico da Marvel. E essa sensação, não tem nada a ver com os adiamentos causados pela pandemia de Covid-19. Mesmo se lançado em sua data de estreia original (abril de 2020), a produção já pareceria estar cerca de seis anos atrasada. 

Em fuga após descumprir o Tratado de Sokivia em Capitão América: Guerra Civil e se tornar procurada mundialmente, Natasha Romanoff (Scarlett Johansson) acaba tropeçando em um problema que ela acreditava já ter resolvido. Uma missão que a leva de volta às suas origens como Viúva Negra, e a uma família que ela deixara para trás.

Com um promissor prólogo, que estabelece alguns personagens e relações ainda na infância da protagonista, o longa logo se situa nos eventos pós Capitão América: Guerra Civil  trazendo de volta estes personagens em uma grandiosa tarefa, no estilo Missão Impossível. Inclua aqui cenas de ação grandiosas e mirabolantes, que funcionam muito bem nas aventuras de Tom Cruise, mas soam exageradas em um universo com super-heróis, que soube determinar muito bem que Natasha é habilidosa, mas não superpoderosa. 


A ação apesar de bem produzida e executada, desafiam a suspensão de descrença do espectador, que conhece muito bem as capacidades dos humanos neste universo. O objetivo das sequencias é ser grandiosas a qualquer custo, mesmo que não encaixe no perfil da personagem. Acredito que uma ação mais "pé no chão", que explorasse com criatividade as habilidades da vingadora, como a apresentada em Capitão América - O Soldado Invernal, funcionaria muito melhor aqui. Mas sim, haverá quem se agrade dessas cenas conduzidas com a típica da fórmula e orçamento Marvel. 

De volta à história, a trama tem a família como ponto central. Relações construídas por três anos, e abandonadas há duas décadas, que ainda sim parecem conduzir fortemente as ações das personagens. O  que é levemente crível no caso de Natasha e Yelena (Florence Pugh), que eram crianças e tinham essa relação como única referência familiar. Mas difícil de abraçar no caso dos personagens de Rachel Weisz e David Harbour. Observar Alexei e Melina tratar as jovens com intimidade e zelo de pais, como se nunca tivessem afastado, só é aceitável pelo carisma e bom trabalho do elenco.  

E por falar no elenco, Scarlett Johansson continua o bom trabalho, sem precisar de muito esforço para evocar a empatia que já temos de longa data com a personagem. Rachel Weisz traz uma sobriedade e objetividade úteis para trama. Enquanto Harbour, entrega um alivio cômico, que também tem um trauma sob a superfície, embora o roteiro nunca realmente o explore. É Florence Pugh, quem chama atenção ao criar uma excelente dinâmica com Johansson, carregar a maior carga dramática em cena, além de estabelecer sua Yelena como candidata à novas aventuras no MCU.

Do outro lado do empasse adversários superficiais genéricos, como o vilão desprovido de qualquer humanidade que explana todo o plano para o mocinho, apenas para dar tempo a ele de escapar. Ou o lutador imbatível, que aprende o estilo de luta de suas vítimas, mas tem essa característica promissora eclipsada, pelas explosões e grandiosidade das cenas de luta. Nenhum deles traz consigo, o tão esperado aprofundamento na mitologia da Sala Vermelha, onde as Viúvas são treinadas. 

Apesar de se tratar de um filme sobre espiões, pouco da espionagem é mostrado. A missão se resume a encontrar/resgatar personagens que podem ajudar a protagonista a dar o próximo passo, rumo ao objetivo. Além de fugir dos vilões, que as encontram também sem nos mostrar como, e apenas nos momentos convenientes para a trama prosseguir. 

Em relação aos demais filmes do Universo Marvel, a história faz referência a eventos mencionados anteriormente, como Budapeste e a filha de Dreykov, mas as conexões param por aí. A produção não faz muita diferença no que fora estabelecido até então. O arco da protagonista aqui em nada interfere em seus próximos passos, mesmo porquê estas já foram contadas. A viúva não muda muito entre Guerra Civil e Guerra Infinita. Ou seja, trata-se de de uma produção à parte, que talvez ganhe maior importância se algum de seus personagens seja bem aproveitado em produções futuras. Mas que ainda sim, não é essencial no quando geral da franquia. 

Personagem assessório, é como muitos podem descrever a trajetória de Natasha Romanov no MCU. Apesar de carismática e forte, a personagem nunca teve o foco voltado para si. Viúva Negra tenta corrigir essa falha, mas chega tardiamente e sem a força necessária para tal.


Sim, o filme é divertido e bem produzido, com elenco eficiente e ação grandiosa. Entretém, mas não se destaca, segue a fórmula Marvel com eficiência e apenas isso. Talvez se lançado na época em que a trama se passa entre Guerra Civil e Guerra Infinita, soasse mais satisfatório. Agora após os eventos de Ultimato, soa apenas como uma despedida obrigatória, e sem o brilho que a personagem merece.

Viúva Negra (Black Widow)
2021 - EUA - 134min
Ação

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