Cinderela

Está aí, uma história que Hollywood não se cansa de contar! São as atualizações e particularidades de cada versão, que mantém o interesse do público na história da gata borralheira. Esta versão lançada mundialmente pelo Prime Video, traz uma estrela pop latina, músicas famosas e a promessa de uma versão mais moderna e ativa de Cinderela

Ella (Camila Cabello) é tratada como criada pela madrasta Vivian (Idina Menzel) e as irmãs postiças. Mas, diferente das outras versões do conto, esta Cinderela tem um plano de fuga, ela quer produzir e vender seus próprios vestidos. Tarefa complicada em uma sociedade "tradicionalista", que não permite que mulheres tenham negócios. O interesse em comparecer ao baile real, passa longe do príncipe (Nicholas Galitzine). A intenção é exibir seu produto e fazer contato com possíveis clientes. 

Sim, há certa originalidade em uma versão empreendedora da princesa tão criticada por sua passividade, e principalmente no anacronismo que o argumento permite. Situando a história em um mundo que mistura elementos de diferentes épocas, para trazer tanto o charme do conto de fadas, quanto algumas conveniências e pensamentos mais modernos, como as boas ideias da princesa Gwen (Tallulah Greive), para o reino. O problema é que o roteiro não sabe como desenvolver este argumento, muito menos em forma de musical. 

Os números musicais mais longos que o necessário, pouco ajudam a desenvolver história e personagens, funções principais da musica em um filme musical. Sua montagem e coreografias, parecem pensadas apenas para ser grandes números, ao invés de escolher a melhor forma de transmitir a mensagem ou sensação que a musica pretende trazer, desvalorizando tanto as canções como as suas interpretações pelos personagens.  O resultado são sequências repetitivas e cansativas, mesmo quando trazem canções já conhecidas e adoradas pelo público (apenas duas canções são originais), uma vez que param o andamento da história, por muito tempo sem agregar nada que justifique essa pausa.

Já o departamento de figurino, que deveria ganhar uma atenção especial em uma história onde a protagonista é estilista, parece não saber que caminho seguir. Eles usam a liberdade do anacronismo proposto para mostrar um pouco de tudo, misturar estilos e épocas. O que não deixa nada de novo para os figurinos criados pela mocinha, que pouco se destacam, e nunca deslumbram o suficiente. Único visual que realmente chama atenção é do "Fado Padrinho" vivido por Billy Porter, que emula o visual extravagante e deslumbrante que seu intérprete já tem na vida real.

E por falar em interpretes, Porter é o mais interessante de se ver em cena, em sua curta participação como "Fabulous Godmother". Camila Cabello é carismática, e traz um tom abusado divertido à protagonista, embora ainda seja uma cantora se aventurando na atuação. Nicholas Galitzine é pouco expressivo, e não foge da caricatura de riquinho mimado. Enquanto os experientes Pierce Brosnan, Idina Menzel, Minnie Driver tentam fazer o melhor com o que o roteiro oferece.

As participações especiais de James Corden, James Acaster e Romesh Ranganathan, são desnecessárias e parecem existir apenas para cumprir tabela -"Cinderela precisa de ratinhos para conduzir a carrugagem, vamos incluir convidados aqui!" - Escolha estranha quando a produção trouxe ideias novas e criativas para outros ícones da história, como a forma como o sapatinho é perdido, ou até as motivações da madrasta. Embora estas últimas sejam jogadas apressadamente na história. 

A versão de 2021 de Cinderela, traz uma protagonista carismática, boas ideias e até acerta nos momentos em que se propõe a desconstruir o conto tradicional. Entretanto, estes bons momentos se perdem em meio a escolhas ruins em detalhes cruciais. Talvez agrade aos fãs de Camila Cabello, ou à espectadores menos exigentes, mas com tantas outras versões cinematográficas do conto à disposição, dificilmente será a sua versão favorita. 

Cinderela (Cinderella)
2021 - EUA - 113min
Musical, Fantasia

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