Segredos em Sulphur Springs - 1ª temporada

 Nunca é cedo para aprender a gostar de mistério, ficção cientifica e aventura. Dito isso, Segredos em Sulphur Springs, série juvenil do Disney+ vem apresentar aos pequenos vários conceitos que adultos consomem compulsivamente. Sem deixar de ser um bom entretenimento para toda a família. 


O pai de Griffin (Preston Oliver) resolveu comprar e revitalizar um hotel abandonado na cidadezinha Sulphur Springs, Louisiana. O problema é que o local tem a má fama de ser assombrado pelo espírito de Savannah (Elle Graham), uma garota que desapareceu no local trinta anos atrás. Curiosos sobre o local, ele e sua nova amiga Harper (Kyliegh Curran) descobrem um portal que permite viajar no tempo.

Adivinhou quem imaginou que a dupla vai parar na época do desaparecimento de Savanna, e decide salvá-la a todo custo. E claro, esbarram nas versões jovens de seus pais, que tem mais a ver com o desaparecimento do que revelam. Além de precisar driblar a vigilância deles em seu próprio tempo. 

Releve a conveniência de a dupla voltar exatamente para o período do misterioso desaparecimento, isso vai ser explicado mais tarde, e bem aos poucos. Esta é a única grande concessão que sua suspensão de descrença precisará fazer, pois a série é bastante coerente nos conceitos de ficção-cientifica. Explica de forma eficiente, mas não extremamente didática, as regras da viagem no tempo, e respeita as regras que definiu logo no princípio. Conceitos mais complexos, como o efeito borboleta e a inevitabilidade do destino, são pincelados apenas o suficiente para que viagem no tempo seja coerente. Serão percebidos pelos mais velhos, e absorvidos quase sem notar pelos pequenos. 

O mistério do destino de Savannah, é mantido ao longo de toda a narrativa, trazendo pistas e possibilidade para instigar os pequenos (e até os mais velhos) a montar o quebra cabeças. Já a possível participação dos pais no evento, garante o envolvimento emocional dos protagonistas, que desconfia e age como detetives inclusive no presente.

Apesar de ser feito para crianças, a série não se priva de alguns elementos mais sérios, apenas os trata de forma mais simples. Um bom exemplo é a indicação de preconceito quando personagens retornam até o período da segregação. A série não explora sua existência, mas admite que existe. 

Há ainda tempo para o roteiro brincar com a possibilidade do hotel ser realmente assombrado, e flertar com o terror infanto-juvenil, através dos irmãos de Griffin. Zoey e Wyat (Madeleine McGraw e Landon Gordon), passam a temporada inteira à caça de fantasmas, mesmo depois da série abraçar ares de ficção-cientifica com aventura. E pasmem, ainda há sim espaço para um enredo sobrenatural nessa trama, já que apesar de resolver o caso de desaparecimento, ainda existem vários mistérios em torno do hotel Tremont. O maior deles é, provavelmente, o próprio portal, que possibilita a viagem no tempo. 

A dupla de protagonistas mirim consegue carregar bem a narrativa. Especialmente Kyliegh Curran (Doutor Sono), que consegue trazer algumas nuances à mais para sua personagem, quando esta desconfia da própria mãe, ou deseja mudar o passado. O restante do elenco entrega o necessário e apenas isso. 

Passado quase que inteiramente nos cenários do hotel, a direção de arte é eficiente na tarefa de pontuar a diferenças do prédio e arredores em suas diferentes épocas. Embora use muito mais seu exterior que o interior para tal. De dentro da casa, vemos mais sua versão atual e decadente, o quê beneficia, aqueles momentos em que a molecada flerta com terror e brinca de caçar fantasmas. 

Esta primeira temporada tem onze episódios com menos de meia hora cada. O último deles, é na verdade a introdução para o mistério da já confirmada segunda temporada. Sim, um inesperado gancho, esteja preparado. 


A pouca duração dos episódios garante um desenvolvimento dinâmico para a trama. Não há tempo para enrolação. Cada capítulo começa com cenas dos episódios anteriores, e termina com uma prévia dos próximos capítulos, para ajudar e manter interessados os pequenos que decidirem assistir o programa aos poucos. Honestamente, recomendo uma maratona, onze episódios de vinte minutos, funcionam com um filme em duração e ritmo. 

Lançada em janeiro nos Estados Unidos,  Segredos em Sulphur Springs, chegou apenas em junho no brasil, exclusivamente no Disney+sem grande alarde. Admito, encontrei a produção por acaso, e assisti o primeiro episódio sem grandes expectativas, esperando mais uma série repetitiva e esquecível do canal do Mickey. Me surpreendi positivamente! 

Segredos em Sulphur Springs é divertida, instigante e bem produzida. Lembra as muitas séries de "cidades com eventos misteriosos" que temos aos montes para o público mais velho. Sim é uma série para crianças, e por isso mais simples em muitos aspectos, mas os adultos que se aventuraram a acompanhar os pequenos na jornada não vão se arrepender. E vão até tentar desvendar o mistério junto com a molecada. 

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