Um Amor, Mil Casamentos - Ah! E por falar nisso...

sexta-feira, 24 de abril de 2020

Um Amor, Mil Casamentos

O início de Um Amor, Mil Casamentos é extremamente promissor, com sua narração sobre possibilidades e acaso ilustrada por um primeiro beijo frustado. Um evento aleatório impede a união do casal Jack (Sam Claflin) e Dina (Olivia Munn), que segue suas vidas com a sensação de oportunidade perdida, e imaginando o que poderia ter sido. A proposta de explorar as variações de uma situação e seus resultados é interessante. Infelizmente, a produção da Netflix fica apenas na promessa.

Anos mais tarde Jack e Dina tem a oportunidade de se reencontrar, no casamento de Hayley (Eleanor Tomlinson) irmã dele e amiga dela. A partir daí a proposta é explorar as possibilidades de sucesso do casal, e de outros personagens, a partir da disposição de lugares na mesa durante a festa.

O problema é que a produção não explora de fato estas tais múltiplas possibilidades. Levando quase metade do filme apenas para situar as peças na mesa, quando de fato é hora de mostrar as diferentes variáveis a produção não tem tempo, e vontade de fazê-lo. As opções se limitam à duas, a versão que dá certo, e a mais catastrófica. As demais ficam relegadas à uma montagem rápida no meio da produção, e uma tentativa de humor durante os créditos.

O descarte da possibilidade de explorar diferentes versões do mesmo dia, à estilo de Feitiço do Tempo, não seria tão lamentado, se as duas opções mostradas fossem bem conduzidas. Entretanto estas se resumem a um amontoado de escolhas ruins, e motivações mal desenvolvidas.

O exemplo mais gritante é de um personagem determinado à arruinar o casamento, suas motivações são as mesmas em ambas as versões, assim como o discurso de quem tenta impedi-lo. Mesmo assim, ele tem atitudes diferentes em cada uma delas, sem que as circunstancias, o tal acaso que a narração defende logo no inicio do filme, tenham mudado.

Os demais personagens seguem este padrão, cada um preso aos seus estereótipos, a ex-irritante, a amiga esquisita, o solteirão inconveniente, e por aí vai. Alguns deles com perfis tão rasos que se limitam a repetir a mesma piada ao longo de toda a projeção. Como o convidado inseguro com o tamanho da genitália, e outro que não consegue ajustá-la em sua vestimenta. Observe aqui, uma obsessão desnecessária, e nada engraçada, com piadas sobre os órgãos sexuais masculinos.

O elenco, que traz bons nomes, não tem muito o que fazer com um roteiro tão pouco inspirado. A exceção é Joel Fry, que arranca um ou outro sorrizo como o melhor amigo esquisto, um papel bem parecido com o que ele entregou Yesterday, mas sem a riqueza de material do filme pautado pelas músicas dos Beatles. Outros rostos conhecidos em cena são Freida Pinto, Aisling Bea, Jack Farthing e Tim Key.

Escolhas de direção, fotografia, figurino e trilha sonora entrega, apenas o básico do gênero. O que não é nenhum absurdo em se tratando de comédias românticas, um estilo que geralmente aposta mais em situações inusitadas e relações dos personagens, do que em estripulias técnicas. Entretanto, poderiam ser um atrativo extra em um roteiro pouco inspirado.

Baseado na produção francesa Plan de table (não, não é uma ideia original), a proposta de Um Amor, Mil Casamentos, oferecia dezenas de possibilidades narrativas. Entretanto, o acaso levou o projeto às mãos pouco inspiradas de Dean Craig, que não descobriu uma forma interessante de explorá-lo. Curiosamente, ou não, uma situação semelhante à de seus personagens, incapazes de lidar com o que tem em mãos, afinal, sempre é possível pedir para trocar de lugar na mesa. O resultado é uma comédia romântica, arrastada e aborrecida, sem graça e sem romance.

Um Amor, Mil Casamentos (Love Wedding Repeat)
2020 - Reino Unido, Itália - 100min
Comédia romântica


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