Homem-Aranha: Longe de Casa - Ah! E por falar nisso...

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Homem-Aranha: Longe de Casa

Este texto não tem spoilers de Longe de Casa, mas pode conter spoilers de Vingadores: Ultimato.

"Bitch please, you have been to space!" Desde o trailer Nick Fury se empenha em lembrar ao protagonista dos eventos heroicos no qual ele esteve envolvido recentemente. Mas Peter Parker quer apenas ser um amigão da vizinhança e, principalmente, um adolescente. Essa dinâmica é praticamente um reflexo deste filme, que precisa lidar com o pós-Ultimato, ao mesmo tempo que deveria ser apenas mais uma aventura do Homem-Aranha.

Oito meses se passaram desde Vingadores: Ultimato, e Peter Parker (Tom Holland) está mais que pronto para umas férias do heroísmo. A viagem de duas semanas pela Europa parecia a oportunidade perfeita para isso, mas Nick Fury (Samuel L. Jackson) interrompe o passeio, e requisita a ajuda do adolescente para ao lado do novo herói Mysterio (Jake Gyllenhaal), derrotar os monstros chamados elementais. O garoto ainda precisa lidar com a expectativa pública para se tornar o "novo Tony Stark", com a falta do antigo mentor, e com assuntos típicos da idade, como finalmente se declarar para MJ (Zendaya).

Estabelecer o mundo pós estalo, ou "blip" como ficou conhecido, esta é a maior tarefa conectada ao MCU que Homem-Aranha: Longe de Casa precisa cumprir. Trabalho que a produção cumpre muito bem, logo nos minutos inciais do filme, com certa dose de humor. Mostrando o retorno inesperado daqueles vaporizado pelo Thanos, e as reações quanto aos cinco ano de diferença entre eles, e a metade que ficou. E sim, toda a turminha de Peter desapareceu no estalo, logo todos estão juntos novamente. Simples assim.

A partir daí, a produção pode focar na jornada de seu protagonista e na aventura que ele deve encarar. Embarcamos então, em uma divertida eurotrip adolescente, que abre espaço para mostrar mais do colegas de turma do protagonista. A abordagem aqui é mais leve e até acertadamente caricata em alguns momentos, desde a necessidade de atenção de Flash (Tony Revolori), passando pela dinâmica esquisita entre Ned e Betty (Jacob Batalon e Angourie Rice, excelentes juntos), à visível incapacidade dos professores encarregados (J.B. Smoove, Martin Starr), até a rivalidade com Brad (Remy Hii) pela atenção de MJ. A personagem de Zendaya é oficialmente a mocinha da vez, mas continua a desafiar os parâmetros da posição, com sua personalidade forte e independente.

Em contraponto, Peter parece menos empolgado e mais cansado com as responsabilidades que vieram com os grandes poderes. Ele precisa lidar com a perda de se mentor, e as expectativas para ser tão bom quanto ele. Um momento bastante diferente do "candidato à Vingador" do primeiro filme, mas que Holland continua conferindo honestidade e carisma. Em momento algum achamos infundados ou exagerados seus receios, pois enxergamos o adolescente, apesar de suas responsabilidades de adulto.

É nessa brecha deixada por Tony Stark, e ampliada pelas insegurança do protagonista que outros personagens ganham espaço. Um Nick Fury, supostamente perdido após os cinco anos de sumiço, é a figura de autoridade que vai exigir que o rapaz deixe sua zona de conforto. Enquanto Quentin Beck, o Mysterio, se coloca como a figura na qual se espelhar, em uma atuação carismática, e mais tarde propositalmente caricata de Gyllenhaal. Correndo por fora, Happy Hogan (Jon Favreau) é a mão amiga mais próxima e confortável.

Já a trama, de uma forma ou outra, novamente lida com a bagunça deixada pelos atos heroicos dos Vingadores. Em De Volta ao Lar, o vilão surgira como consequência da batalha de Nova Iorque, aqui dos efeitos pós-ultimato. Talvez seja sina do cabeça de teia, limpar a sujeira dos mais velhos no MCU. O que não significa, que não seja uma ameaça própria, contundente, ou grandiosa o suficiente para o personagem. Ou que não haja espaço para reviravoltas.

Apesar de independente, Longe de Casa não escapa de ter referências com os demais filmes do Marvel Cinematic Universe, apenas pelo fato de fazer parte dele. Assim, não temos grandes reuniões de heróis, mas a existência deles não é ignorada. Principalmente na constantemente exaltada figura do Homem de Ferro. A trilha sonora é outro elemento a criar essa conexão, ao incluir o tema dos Vingadores em momentos chave, ainda que o tradicional tema revisitado do aranha, seja o que realmente se destaque.

As sequencias de ação são bem construídas, utilizam bem os muitos gadgets e tecnologias disponíveis para a narrativa, e principalmente as diversas locações novas. Vale lembrar que o Aranha quase não saiu de NY nos seis filmes que protagonizou. Também é acertada a criação das ilusões do Mysterio, ao mesmo tempo visualmente belas, enervantes e claustrofóbicas.

O elenco ainda conta com Cobie Smulders e Marisa Tomei. O anunciado retorno de J.K. Simmons ao papel J. Jonah Jameson, que ele vivera na trilogia estrelada por Tobey Maguire, é breve, mas suficiente para empolgar os fãs. Não há mais participação especial de Stan Lee, mas há duas cenas pós-créditos.

Homem-Aranha: Longe de Casa encerra a fase 3 do MCU, e estabelece parâmetros para o futuro, sem deixar de lado a jornada de seu protagonista. O foco não é o futuro da Marvel, mas o de Peter Parker. Apesar de Vingador que foi para o espaço e ajudou a derrotar o Thanos ao lado dos maiores heróis do universo, ainda é um garoto com muita coisa para aprender e amadurecer. E claro, ainda é um filme do amigão da vizinhança, aquele herói divertido, inocente, gente como a gente, com o qual adoramos embarcar em uma aventura.

Homem-Aranha: Longe de Casa (Spider-Man: Far from Home)
2019 - EUA - 129min
Ação, Aventura


Leia a crítica de Homem-Aranha: De Volta ao Lar

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