X-Men: Fênix Negra - Ah! E por falar nisso...

quarta-feira, 5 de junho de 2019

X-Men: Fênix Negra

X-Men - Primeira Classe trouxe uma nova perspectiva ao universo dos mutantes, apresentando a origem da relação entre Xavier e Magneto. Dias de um Futuro Esquecido reuniu a nova geração com as versões originais dos personagens com o intuito apenas de divertir (e bagunçar ainda mais a linha do tempo). Apocalipse usa um arco famoso dos quadrinhos para apresentar a "Segunda Classe" de pupilos de Charles Xavier. X-Men: Fênix Negra deveria corrigir a má apresentação dada por O Confronto Final, para uma maiores sagas das páginas. Mas, a compra da Fox pela Disney criou uma nova responsabilidade pra a produção: a possível despedida desta versão da franquia. Muito mais responsabilidade que este filme é capaz de abraçar.

Os mutantes não são mais vistos como ameaça pela humanidade. De fato, são tratados como heróis e até convocados pessoalmente pelo presidente dos Estados Unidos para salvar o dia. Em uma dessas missões, Jean Grey (Sophie Turner) absorve uma força mística, que a torna instável e absurdamente poderosa, tornando-a um risco para todos.

Já que a comparação com X-Men: Confronto Final é inevitável, vamos apontar longo a maior diferença entre as produções. Enquanto o filme de 2006 usava a saga da Fênix Negra como pano de fundo para o embate entre dois ideais mutantes distintos e o preconceito da sociedade, aqui o foco é a jornada de Jean. Ainda há tempo para questionar as visões de mundo dos líderes mutantes e da sociedade sem habilidades, mas estas estão ligadas às consequências do incidente com a moça. Há, inclusive, menos mutantes envolvidos, o que deve facilitar a compreensão do quem-é-quem para aqueles que não tem na bagagem um extenso conhecimento do universo vindo dos quadrinhos e animações.

O melhor dos questionamentos é o enfrentado por Charles Xavier (James McAvoy) sobre a forma com que lida com seus alunos, e o uso de suas habilidades como forma de propaganda pró-mutante. O professor põe me risco seus X-Men por causas "humanas", o que gera discordâncias com Mística (Jennifer Lawrence). Por outro lado, é evidente que basta um resultado ruim para colocar os mutantes novamente no posto de ameaça. Qual é o limite entre o necessário para manter a paz, e a vaidade da posição de herói? Um dilema bastante diferente daquele enfrentado pelo personagem nos longas anteriores, onde ele deveria descobrir como provar a todos que seu povo não era uma ameaça.

Recluso, Magneto (Michael Fassbender), apenas retorna à sua posição de eliminar o problema pela raiz, mas sem ser tão extremista quanto o personagem já fora. Isso porquê o antagonista aqui é outro. Na verdade trata-se de uma vilã mesmo. Vuk (Jessica Chastain) é a ameaça que corre por fora, em busca do poder absorvido pela confusa moça, para - adivinhem - dominar o mundo, claro. Apesar da excelente intérprete, a personagem é genérica e apática. Soa como uma muleta para reunir os mutantes que adoramos, e não precisar colocar nenhum deles como o grande vilão da aventura. Faltou coragem ao roteiro em realmente tornar a personagem título a verdadeira ameça do longa.

Fera (Nicholas Hoult), Ciclope (Tye Sheridan), Tempestade (Alexandra Shipp), Mercúrio (Evan Peters), e Noturno (Kodi Smit-McPhee), estão por lá para atender ao que roteiro precisa apenas. E a maioria entrega atuações competentes, assim como McAvoy e Fassbender. Os pontos fracos ficam por conta da já mencionada Chastain, engessada pelo roteiro. E Turner, que tem carisma e realmente se esforça, mais ainda carece de experiencia de um pouco de experiência para alcançar todas as nuances da personagem.

Mas é a Mística de Jennifer Lawrence, o cenário mais complicado, com uma mistura do total desinteresse da atriz que "cresceu demais para o papel", e a mudança na essência da personagem. Desde Apocalipse, a metamorfa é colocada como uma líder o que vai de encontro com sua personalidade nos quadrinhos, e até com o potencial de suas habilidades, muito mais úteis quando a moça assume funções ambíguas. Há ainda um relacionamento amoroso entre a moça e Hank, que apesar de resgatado de Primeira Classe, aqui soa forçado, atrapalhando ainda mais a empatia com a mutante.

Passando para as cenas de ação, estas são grandiosas e destrutivas, mas não parecem realmente causar danos. Situadas em locações isoladas, ou restritas não podemos ver o impacto das lutas na sociedade, que confeririam peso os eventos. Mesmo quando a ação se passa em um bairro de Nova York, não há grandes consequências para a destruição que os personagens deixam para trás. Apenas passamos para a preparação para a próxima sequencia de ação.

O uso dos poderes, também não é dos mais eficientes, à certa altura Noturno parece mais um serviço de uber, que aquele mutante capaz de quebrar a segurança da Casa Branca. Mas, tem seus momentos, como quando o mesmo Noturno percebe seu verdadeiro potencial, ou Magneto finalmente nota que absolutamente tudo à sua volta, armas, chão, teto, paredes, é de metal e resolve usar isso. No calor do momento, os equívocos só devem incomodar os muito exigentes.

Os efeitos especiais são eficientes, e até surpreendem quando utilizado para dar vida aos cabelos da Fênix. Mas não vão além da qualidade esperada por um filme da franquia. Funcionam, assim como a maquiagem. Especialmente dos mutantes azuis, muito menos escondidos pela tintura. Já o mesmo não pode ser dito das perucas, é curioso perceber que cabelo digital pode ser mais realista que elas.

Adiamentos, alterações e refilmagens X-Men: Fênix Negra, sofreu muito para chegar à tela grande. As gravações extras por exemplo, são a provável explicação para o desaparecimento de Mercúrio, já que Peters não tinha agenda para voltar ao set. O resultado mantém o espectador interessado, mas ficou à quem do potencial da história e de seus personagens. Oferecendo uma despedida morna, para esta versão dos Mutantes na telona.

Vale lembrar, foram os X-Men, lá 2000 que mostraram que cinema de super-heróis era uma possibilidade. Mesmo com eventuais fracassos, e sua linha do tempo esquizofrênica (que admito, acho divertida a loucura) é uma franquia importante e adorada. É uma pena que não haja tempo para encerar essa fase com o a grandiosidade e brilho que este universo merece. Que venha o reboot da Marvel!

X-Men: Fênix Negra (Dark Phoenix)
2019 - EUA - 113min
Ação, Aventura, Ficção-científica


Leia as críticas de Primeira Classe, Dias de um Futuro Esquecido e Apocalipse.

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