segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Luke Cage - 2ª temporada

- Quem disse que não é meu ajudante?
- Eu. A série é minha - responde um momentaneamente bem humorado Luke à uma confiante Misty Knight em um dos episódios da segunda temporada de Luke Cage. O grandalhão que me perdoe, mas a detetive está certa, Cage não parece dono do próprio show nesta segunda incursão na Netflix. Isso porque, o herói deixa seus vilões e coadjuvantes roubarem a cena. E suas próprias sequencias parecem só ganhar peso e gerar interesse quando este está acompanhado.

Luke (Mike Colter) agora é reconhecido como herói e celebridade do Harlem, e continua com seu trabalho de deixar as ruas do bairro que ama seguras. Tarefa que complica com a chegada de John McIver (Mustafa Shakir), o vilão Bushmaster vem executar seu violento plano de vingança. Quem também continua a complicar a vida do protagonista é Mariah (Alfre Woodard), que "herdou o bairro" de seu primo e vilão anterior Cornell. Já a ajuda vem da detetive Misty (Simone Missick), que além determinada a pegar os bandidos, ainda precisa se adaptar a sua nova condição, ela perdeu um braço em um confronto em Defensores.

Enquanto na primeira temporada o desenvolvimento mais devagar da trama, era proposital, enfatizava o relacionamento entre os personagens e defendia um estilo próprio. Nesta segunda aventura do Poderoso, o ritmo é apenas arrastado mesmo, intercalando uma ou outra cena mais frenética, com rodeios para alongar a trama para preencher todos os treze episódios.

O arrasto na trama, faz com que o protagonista soe mais perdido e indeciso, do que realmente perturbado por seus conflitos, e  Colter realmente se esforça para manter o carisma do personagem apesar disso. Luke não toma uma atitude, não pede ajuda, tenta apenas remediar o problema do momento. Somente quando um de seus ajudantes força a barra, que o mocinho começa a agir. O que resulta em bons momentos, como o episódio em que um grupo precisa se esconder em uma abrigo, ou quando Danny Rand (Finn Jones), o Punho de Ferro resolve ajudar o companheiro e a dinâmica da parceria da dupla criada em Defensores, é bem aproveitada. Vale lembrar nos quadrinhos os personagens atuam juntos como os Heróis de Aluguel.

É aqui também que Knight se sobressai. Com uma jornada mais regular, a moça conquista maior envolvimento do espectador, e ainda protagoniza boas sequencias. Como na participação especial de Colleen Wing (Jessica Henwick), que dá um vislumbre de como seria uma série das Filhas do Dragão, parceria da dupla nas HQs. Ou ainda quando finalmente começa a utilizar determinado presente das indústrias Randy.

Mas mesmo os momentos de Knight não melhoram o ritmo da série como um todo. Este só começa a desenrolar, quando as muitas apresentações já foram feitas,. e o desenrolar das histórias de cada personagem exige que suas jornadas finalmente se encontrem. Infelizmente, isso só acontece lá pelo episódio oito, fazendo o programa perder parte do público no meio do caminho.

Enquanto isso, os vilões mantém uma curiosa característica do primeiro ano, na maior parte do tempo parecem mais poderosos que espertos. Movida por emoções e ego, Mariah faz escolhas equivocadas, mas ao menos desta vez paga o preço por isso. Sua interprete Woodard, consegue trabalhar bem esta personalidade absurda, evitando que a antagonista soe caricata na maior parte do tempo.

Já Shakir não tem a mesma preocupação, Bushmaster é sim caricato e a série não parece ter vergonha disso. Com uma história de vida bastante sofrida, o passado do personagem até justificaria, seu exagerado "modus operante", mas série demora demais, para explicar as motivações do vilão, e quando o faz o público já assimilou o personagem como mais um vilão caricato.

Outro efeito curioso causado pelos bons flashbacks da vida de John McIver, é a intensificação do nome de Cornell. Some aí alguns momentos em que Mariah discute com fantasmas do passado, e você se questionará, porque nenhum deles é o primo que ela assassinou na temporada anterior? A resposta, é que oscarizado Mahershala Ali, interprete de Cornell “Cottonmouth” Stokes provavelmente, não está mais disponível para fazer uma participação, mesmo que pequena, no programa. Sentir sua ausência é inevitável.

Em sua temática, a série continua a discutir problemas enfrentados por negros no cenário atual. Entretanto, desta vez o foco principal está nas relações de família, especialmente entre pais e filhos. Toda a rixa de Bushmaster é centrada na perda trágica de sua família. Luke lida com o abandono de seu pai (Reg E. Cathey, que morreu este ano), problema semelhante ao de Mariah com sua filha Tilda (Gabrielle Dennis), mas abordado de forma bem distinta, nos dois caso.

O esmero visual, com fotografia e cenário com cores quentes, e a trilha sonora bem construída, com participações de expoentes reais do cenário musical negro, estão de volta. O escorregão técnico fica por conta das coreografias de luta. Luke não parece tão impressionante, quando sua força não é uma vantagem sobre o oponente. Resultando em confrontos pouco inspirados, como o que acontece entre o herói e Bushmaster em uma ponte. Esta sequência de luta em particular ainda peca, ao ser anunciada ao meio dia, e ora parecer acontecer ao entardecer, ora ter iluminação diurna.


Apesar de confusa e arrastada, a jornada de do Powerman ao menos o coloca em uma situação inusitada pela primeira vez. Quem não desistiu no meio do caminho, com certeza terminou curioso com os rumos que a história do herói do Harlem deve tomar. Infelizmente, ainda não parece ser a série dos Heróis de Aluguel, mas é um desfecho muito diferente do que vimos até agora, e pode devolver o protagonismo ao personagem. Por hora resta torcer para que um possível terceiro ano, aceite ter menos episódios se preciso, e não arraste a história para que esta caiba no formato de treze longos capítulos.

As duas temporadas de Luke Cage tem 13 episódios cada, todos disponíveis na Netflix.

Leia a crítica das primeiras temporada de Luke Cage, de Defensores, ou confira Informações úteis para sua maratona de Luke Cage.

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2 Comments

Seu BOGA disse...

Você poderia ter definido essa serie com uma unica palavra: CHATA...
Desde a primeira temporada...

Fabiane Bastos disse...

Hehehe, a segunda temporada foi mesmo chata, admito. Mas o primeiro ano é bom, apenas com um ritmo diferente do que estamos acostumados. E gosto da dinâmica quando ele está junto do Punho de Ferro, acho que ambos funcionariam melhor em uma série dos Heróis de Aluguel.

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