O Jogo do Predador

Já podemos dizer que Charlize Theron é a grande estrela feminina de filmes de ação? Tal qual Tom Cruise, basta a moça estar diante de um grande desafio físico para nos interessarmos pela obra. E hollywood sabe disso, tanto que a atriz acaba de incluir mais uma obra do gênero em seu currículo, agora na Netflix. 

Em o O Jogo do Predador, Theron é Sasha uma mulher viciada em adrenalina que após uma perda devastadora em uma de suas aventuras, decide encarar sozinha a natureza selvagem australiana. Qualquer um com o Google é capaz de descobrir que a vida selvagem do país é predadora por si só, mas curiosamente nenhum animal assustador é desafio para a mocinha. 

Não é spoiler, está nos trailers, mas é muito mais legal descobrir ao longo do filme que o predador do título é humano. Ben (Taron Egerton) é um homem solitário, aparentemente gente boa - engana um total de zero pessoas com uma pequena bagagem cinéfilo - que eventualmente se mostra um assassino em série canibal que gosta de jogar com suas vítimas. 

É claro, nossa mocinha não é uma mera turista como as vítimas anteriores do vilão. Criando assim um embate de sobrivencialistas interessante o suficiente para preencher cerca de noventa minutos de filme. O roteiro de Jeremy Robbins não se afoba para começar o jogo. Construindo a protagonista com calma, desde a enervante sequencia de escalada que abre o filme, até a observação de sua solidão auto-imposta em meio à belas paisagens naturais. Não que Theron precise de ajuda para conquistar nossa simpatia. 

Já Taron Egerton entrega uma excelente criação de predador. Uma criatura dissimulada, surtada e completamente entrege à seu "estilo de vida", por falta de expressão melhor. Uma pena apenas que o longa não tenha coragem de explorar a vilania desta persona ao máximo, e consequentemente beirar o terror de serial killer. Escolhendo o tom "mais leve" - entre muitas aspas - da ação, com suspense e aventura. 

Assim, acompanhamos Sasha ser caçada incessantemente, sobrevivendo a cada nova dificuldade. E em um recurso previsível de roteiro, superar os demônios causados pela perda no início do filme. Psicologia barata e usada a exaustão no cinema? Sim. Mas funciona! Especialmente em uma produção cujo maior propósito é entreter. O drama pessoal é apenas uma âncora para a trama não "correr solta". 

As cenas de ação aproveita a capacidade de Theron e Eggerton de fazer boa parte das acrobacias e sequencias de luta. E explora as dificuldades naturais do ambiente. Além de entrar em embate um com outro, os personagens vão subir montanhas, descer corredeiras, encarar insetos e chuva ao longo do embate. Só faltou mesmo algum predador natural assustador. Provavelmente, não quiseram desviar o foco do assassino principal. 

Sendo assim, O Jogo do Predador não é memorável, mas é divertido. Tem boas entregas de Charlize Theron e Taron Egerton, além de cenas de ação em meio à natureza bastante interessante. Não é inovador e revolucionário, mas é bom o suficiente para se destacar em meio as muitas obras genéricas das plataformas de streaming. 

O Jogo do Predador (Apex)
2026 - EUA/Austrália - 95min
Suspense, ação 

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